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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O timing que bate certo

“Se for para mudar o país”, Rui Rocha reafirma disponibilidade da IL ...

A demissão de Rui Rocha da liderança do Iniciativa Liberal apanhou de surpresa toda a classe da análise política.

Não é que não houvesse razões que a justifiquem. Como Rui Rocha explicou, mesmo tendo subido na votação, o crescimento fora "poucochinho", não lhe tendo permitido atingir a importância política que desejava. E que lhe permitiria, não só influenciar, como entrar no governo, para o que estaria já tudo preparado. Era o timing!

Conhecendo Rui Rocha - conheço-o há anos, dos primórdios da blogosfera, e tenho-o por sério e honesto -, sabia que não dormiria em paz com este resultado eleitoral. Chamei-lhe azia, e surpreendeu-me que essa inquietação tivesse desembocado na descabida ideia da revisão constitucional

Sei que seria mais bonito dizer, agora, que Rui Rocha se demitiu pelas razões que apresentou. Por assumir a responsabilidade pelo "poucochinho". Porque é um político diferente dos outros. Por elevação. Por desprendimento. Mas, se assim fosse, teria tomado essa decisão logo a seguir, em pleno rescaldo das eleições. E não o fez. Pelo contrário, quis imolar essa responsabilidade tirando da cartola o coelho da revisão constitucional.

Que correu mal. Só André Ventura - pudera! - lhe deu a mão.

Ao ficar sozinho, com André Ventura, com o coelho da revisão constitucional na mão, Rui Rocha somou uma derrota humilhante a uma derrota provavelmente honrosa. E foi essa derrota humilhante que o levou à demissão, não foi a outra. É por isso que o timing, que não batia certo, bate mesmo certo! 

Assim, como sempre!

Os votos no Estrangeiro - fonte: MAI

Votos da emigração - fonte: DN/MAI

Os resultados eleitorais definitivos ficaram ontem conhecidos, com o apuramento dos votos da emigração. Com quatro cadeiras de deputados para atribuir, estava em causa - mesmo que, pelo que toda a gente sabia ser o sentido de voto dos nossos emigrantes, se já conhecesse o desfecho - a decisão do segundo partido em deputados eleitos. Já que, quanto ao segundo partido mais votado, que para nada conta, a vantagem do PS era virtualmente impossível de ser anulada pelo voto emigrante.

No entanto não pareceu nada que o que ontem foi conhecido tivessem sido apenas os resultados definitivos das eleições de 18 de Maio. Quis-se dar a parecer que, ontem, 28 de Maio - até a data é apropriada -, foram conhecidos os resultados de uma outra eleição. De umas eleições que se traduziram numa vitória esmagadora do Chega.

- Como?

- A resposta é simples: como sempre!

André Ventura reservou uma sala num hotel da capital para celebrar um resultado já andava a celebrar há dez dias, e as televisões foram a correr atrás dele, repetindo exactamente o que tinham feito atrás das ambulâncias. E fizeram parar o país com directos, discurso do chefe, comentários e mais comentários, aplausos e mais aplausos, ameaças e mais ameaças, nas entrelinhas e fora das linhas. E propaganda. Muita propaganda!

Assim, como sempre. A partir de agora mais ainda assim do que nunca!

A azia da Iniciativa Liberal

IL desafia novamente o PSD a juntar-se no pedido de fiscalização ...

Em pleno refluxo gastroesofágico pelo balde de água fria que foram os resultados de domingo, com a azia da  irrelevância, a Iniciativa Liberal resolveu vir falar de revisão constitucional. Para acabar com o Estado, diz Rui Rocha.

Não é surpresa nenhuma. A IL estava inchada, como a rã da fábula de La Fontaine. E, como ela, como a rã, explodiu. A diferença é que a IL quer que o país expluda com ela.

A Constituição não impede nada do que a IL diz defender, nem nada do que pretenderia implementar se fosse governo, ou mesmo se o pudesse influenciar. Impede, no entanto, muito do que o Chega defende e propagandeia. E muito do que certamente implementará se vier a ser governo, ou se o puder vir a influenciar.

A IL nunca propôs uma revisão constitucional quando ela poderia ser feita sem o Chega. Mas decidiu propô-la logo que o Chega se tornou decisivo para o processo. E logo à saída de Belém, logo que, na sequência das eleições, chegou a sua vez de ser ouvida pelo Presidente da República. 

Quando se quiser saber de que lado está a Iniciativa Liberal é preciso ter isto em conta!

 

Teorias

AD ganha Beira Interior - Jornal Notícias da Covilhã

Há uma vasta série de teorias para explicar o fulgurante sucesso eleitoral do Chega - melhor, de André Ventura. Em 6 anos, afinal e apenas o tempo de uma legislatura e metade de outra, surgiu e passou de 1% de expressão eleitoral, e um deputado, para 23%, 60 deputados, e líder da oposição.

Não consta de qualquer teoria mas, isso - quatro actos eleitorais no espaço onde ainda se deveria estar apenas a meio da legislatura do segundo - também faz parte da explicação.

A mais clássica das teorias geralmente apresentadas reporta para os vencidos da globalização. É clássica, comum a várias geografias, e não apenas portuguesa. Os operários das regiões industriais - que acabaram com o desaparecimento das fábricas, deslocalizadas para regiões do globo de mão de obra mais barata -, que antes votavam comunista e socialista, migraram o seu voto para a extrema direita.

Com isso se explicaria a votação do Chega no distrito de Setúbal, e na cintura industrial de Lisboa. Mas só explica uma parte!

A transição do voto comunista no Alentejo para o Chega tem o mesmo sentido, mas já carece de outra teoria. E aí surge a imigração, também ela no centro da propaganda política da extrema-direita.

Os imigrantes são culpabilizados pela insegurança - mesmo que as polícias digam o contrário -,  pelo aumento dos preços, são acusados de invadirem o SNS,  e de encherem as escolas com os seus filhos, subvertendo o quadro de valores nacionais.

E isso explicaria o domínio eleitoral a sul do Tejo, no Alentejo e no Algarve.

Depois há ainda a teoria dos deserdados do regime, aqueles que os governos terão sucessivamente deixado ficar para trás, a empobrecer. Dados ainda ontem dados a conhecer indicam que três em cada cinco portugueses dizem que não ter dinheiro para as necessidades básicas, e que Portugal é o país europeu onde mais cidadãos dizem ter dificuldades financeiras. Toda esta gente pobre canalizaria o seu o voto para a extrema direita como forma de protesto. 

Provavelmente a explicação não estará tanto nestas realidades sociais, para as quais, em boa verdade, a extrema-direita nunca apresenta soluções realistas, mas na exploração dessas realidades em ambiente de seita, num registo de desinformação, e de manipulação emocional, de potenciação de ódio. Até encontrar bodes expiatórios fácil e rapidamente assimilados através dos mecanismos das redes sociais, treinados e testados por todo o mundo. O resto é deixado para as televisões.

Na América, Trump teve para isso uma televisão - a Fox. Em Portugal, o mestre André, teve-as todas. Servilmente prontas para transmitir em directo todas as suas encenações messiânicas.

Terramoto eleitoral

Resultados das Eleições Autárquicas 2021 - SIC Notícias

 

 

Resultados Eleitorais 2025

Direita 156 deputados; Esquerda 70 deputados

 % VotosDeputadosNº de VotosVotos/deputado
PPD/PSD.CDS-PP 32.1%861 914 91322 266
PS 23.38%581 394 49124 043
CH 22.56%581 345 57523 200
IL 5.53%9330 14936 683
L 4.2%6250 65141 775
PCP-PEV 3.03%3180 94360 314
B.E. 2.0%1119 211119 211
PAN 1.36%180 85080 850
ADN 1.32%078 914 
PPD/PSD.CDS-PP.PPM 0.62%336 87912 293
JPP 0.34%120 12620 126
R.I.R. 0.23%013 550 
VP 0.18%010 998 
PCTP/MRPP 0.18%010 858 
E 0.15%08 806 
ND 0.14%08 217 
PLS 0.11%06 336 
PPM 0.09%05 296 
NC 0.05%02 771 
MPT 0.01%0471 
PTP 0.01%0421 
Brancos1,44% 85 862 
Nulos0,99% 59 034 
Totais 2265 965 322 

 

Ao fim de 50 anos democracia a esquerda tornou-se irrelevante. A direita tem agora capacidade para mudar o regime. Tem dimensão para rever a Constituição, e a partir daí acabar acabar com tudo o que tínhamos por adquirido. Até, no limite, com a democracia...

Para reflexão

Antes que chegue o dia de reflexão:

Se dizemos que a pantominice, e a sucessão de pantomineiros ao longo de muitos anos, são os responsáveis pelo crescimento da extrema direita, como é que se pode compreender que ela cresça com mais pantomineiros ainda?

André Ventura é o maior pantomineiro da História política portuguesa. Se alguém tinha dúvidas, a encenação destes últimos dias de campanha, acaba com elas: nunca uma personagem política portuguesa foi tão despudoradamente pantomineira. Nunca ninguém gozou tanto com a inteligência dos portugueses. 

E no entanto, dizem as sondagens, depois de um ano de escândalos no Parlamento, André Ventura continua a crescer na votação e irá ultrapassar o milhão e cem mil votos de há um ano. 

Apoios de peso e peso dos apoios

"Sempre se colocou num pedestal, acima dos portugueses". Cavaco, o "ás ...

Cavaco e Passos entram hoje na campanha eleitoral, logo ao segundo dia, antes que se faça tarde.

Há um ano, Passos entrou para, sob a bandeira da AD,  fazer a campanha do Chega. Desta vez parece que já não é preciso.

Cavaco, das acções do BPN, da casa da Coelha, do aumento de capital do BES, não precisa de muito para sair do formol. Aprecia - e precisa - cada vez mais a bajulação e, ser declarado mentor e mestre de Montenegro é, por esta altura, o máximo a que pode aspirar. Por isso ainda ontem escrevia no "Observador" que não encontrou ninguém com qualquer "superioridade em relação ao actual Primeiro-Ministro na dimensão ética e moral na vida política". 

Nem será tanto esta bênção a dizer muito da ética e dos princípios de Montenegro. Diz bem mais que estes dois, nas mesmas circunstâncias, nem sequer se tenham querido aproximar de outros. Como, por exemplo, de Rui Rio.

Há apoios de peso. Mas há também o peso dos apoios!

 

Afinal qual é o problema?

Fotografia

Ora vamos lá ver:

- O primeiro-ministro, como de resto todos os titulares de cargos políticos, e de altos cargos públicos, está obrigado, pela Lei nº 52-2019, a apresentar a "declaração de registo de interesses";

- Conforme estipulado no número 2 do artigo 15º dessa Lei, a “ Assembleia da República e o Governo publicam obrigatoriamente nos respectivos sítios da Internet os elementos da declaração única relativos ao registo de interesses dos respectivos titulares”;

- Luís Montenegro não cumpriu a Lei, como contornou outras, com a desmultiplicação de contas bancárias por forma a não atingir os saldos que tinham que obrigatoriamente de ser declarados;

- Sendo entretanto obrigado pela Entidade da Transparência a fazê-lo, demorou deliberadamente um mês a responder, acreditando que, assim, os clientes revelados não viriam a ser conhecidos antes das eleições;

- O Registo de Interesses que, por lei, como acima se viu, tem obrigatoriamente que ser publicado no site do governo, foi tornado público por outra forma no dia seguinte;

- Ou seja, foi tornada pública uma coisa que, por lei, teria de ser tornada pública;

É isto, não é?

É. E, para os talibãs, é este o problema!

O problema não é Luís Montenegro não ter cumprido com as obrigações legais a que estava obrigado.

O problema não é que, por se recusar a cumprir com essas obrigações, Luís Montenegro tenha mandado o país para eleições.

O problema não é Luís Montenegro ter começado por apresentar uma empresa de gestão de património familiar, ter depois passado a especialista em protecção de dados, para - até ver, aconselha a prudência - acabar especialista em reestruturação de empresas, e em consultadoria de gestão. 

O problema não é o jurista Luís Montenegro, a meias com três pessoas, uma das quais educadora de infância, e dois estudantes, numa empresa sediada na sua sala de jantar, prestar serviços de consultadoria de gestão a empresas que facturam dezenas ou centenas de milhões de euros.

O problema não é por que empresas de grande dimensão, e com negócios de milhões com o Estado, recorrem aos serviços de Luís Montenegro, e não às consultores de nomeada que operam no país.

O problema não é que só dois dos clientes - a ITAU e a INETUM - de Luís Montenegro, agora conhecidos, tenham ganhado 90 milhões em negócios com o Estado, em menos de um ano de Governo.

O problema - querem eles que seja - é a Declaração de Interesses de Montenegro ter sido tornada pública, quando era mesmo obrigatório que fosse pública.

Não! O problema é que tudo isto tresanda a esquemas manhosos. Tão fétido que já não se aguenta.

 

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