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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Medonho*

 

 

 

 

 

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Esta bem poderia ser a semana dos horrores. Começou com o diabo disfarçado de eleições no Brasil, e continuou com os horrores de tudo o que se disse e escreveu a esse propósito, ainda antes de começarem os horrores propriamente ditos. Que aí virão, certamente.

Passou pela esperada aprovação do Orçamento de Estado, para uns, cheio de horrores a que chamam eleitoralismo. Mas sem o diabo, essa figura central do horror tão anunciada para esta legislatura, definitivamente afastada. Se não apareceu nesta semana de diabos e diabretes, é porque já não vai aparecer.

E acabou – está a acabar – com o Halloween, essa orgia de horror que os Celtas criaram na sua passagem de ano, acreditando que a fronteira entre um ano e o seguinte, com o frio do Outono, fazia tremer a própria fronteira entre mortos e vivos, e que a diáspora irlandesa levou para a América, para aí transformar num festival de entretenimento exportado para todo o mundo com grande sucesso comercial, como aconteceu com praticamente tudo. Nada que o Papa Gregório IV conseguisse abalar com a introdução do Dia de Todos os Santos que hoje só quase leva a romagens aos cemitérios, também elas revestidas de boa carga comercial.

Em tempo de fake news, esta semana comemorou a primeira de que há registo, marcada, como não poderia deixar de ser, pelo terror, numa brincadeira sem consequências. Há oitenta anos, comemorados agora, Orson Wells interrompeu a emissão radiofónica da CBS para noticiar que os marcianos estavam a invadir New Jersey, lançando milhões de pessoas no pânico.

Dos marcianos temo-nos livrado. Das fake news, já com consequências, e terríveis, não. Invadiram-nos por todos os lados, espalhando terror à conta do mais tenebroso invasor da Humanidade que se dá pelo nome de ignorância. Essa sim, medonha!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Aberração política

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Pode até parecer que é perseguição. Ou falta de assunto. Não é. Apenas as circunstâncias da eleição de Bolsonaro revelam cada vez mais sintomas de aberração política.

Ontem, numa participação de culto evangélico da igreja a que pertence (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), na zona norte do Rio de Janeiro, seguida por todos os jornais brasileiros, entre outras frases de circunstância Bolsonaro disse: “Não sou o mais capacitado, mas Deus capacita os escolhidos”.

Em circunstâncias que daríamos por normais, em muitos outros países, esta seria uma frase politicamente mortal. Até porque a falta de qualificação para o cargo, agravada pela falta de um programa político e pela recusa na participação em debates é, pelo menos, tão relevante quanto o enquadramento político-ideológico daquilo que fez e disse em campanha. 

No Brasil, neste contexto, não é. É simplesmente mais uma frase pensada, e dirigida aos que o elegeram, em que Bolsonaro se coloca como um deles. Não serei o mais qualificado, mas Deus protege-me e não me vai faltar com ajuda. E isto é mortal, mas, por aberração, justamente o antónimo do mortal do parágrafo anterior. 

O anúncio público - ontem, também - do convite ao juiz Moro para integrar o governo, à luz das mesmas circunstâncias que daríamos por normais em países de maturidade democrática, é um óbvio e evidente atentado aos valores democráticos, em especial do Estado de Direito, e ao princípio da separação de poderes. Nas circunstâncias da eleição de Bolsonaro, é trazer para o governo gente séria, com provas dadas na perseguição à corrupção. 

E não é menos mortal. Nem menor aberração!

 

Que fofinhos!

 

Confesso-me estarrecido com as coisas que tenho visto escritas sobre a decisão eleitoral dos brasileiros. Não me refiro à Margarida Martins, essa deixou-me chocado. Duplamente chocado -  com o soneto e com a emenda!

Nem aos que se tinham declarado apoiantes convictos de Bolsonaro, seja porque defendem o fascismo, seja porque ainda não perceberam muito bem o que andam por cá a fazer. Refiro-me àqueles que, até domingo, juravam que acima de tudo estava a necessidade e a obrigação de defender a democracia. Que, se votassem, fariam como Álvaro Cunhal fez, e aconselhou fazer, em 1986. Que entre um fascista, e um democrata nas antípodas do seu pensamento, sempre o democrata. E que se riam dos brasileiros que diziam que apeariam Bolsonaro se ele viesse a fazer o que dizia que faria.

Mas que, de repente, logo no domingo, passaram a achar que nada poderia ter sido de outra maneira. Que quem está cá deste lado do Atlântico não percebe nada do que passa do lado de lá. Que ódio é ódio, e o que o Lula e o PT fizeram não merece outra coisa. Que o povo é sábio, e nunca se engana. Que o fascismo de Bolsonaro é uma ficção da esquerda. Que a palavra liberdade foi a mais repetida no discurso de vitória. Enfim, que o "cara" não é nada do que pintam. 

Pois. Eu até estava quase a ficar convencido. O diabo é que, de repente, começaram a desfilar pelas passadeiras da minha mente as declarações de voto daquela gente no parlamento que ditou o impeachement da Dilma. Depois aquela "oração" daquele militante evangélico de mãos dadas com o presidente eleito, de mãos dadas com a sua jovem esposa.

E quando sacudia a cabeça para afastar para longe estes pensamentos caem-me os olhos no apelo da jovem deputada Ana Caroline Campagnolo, eleita pelo PSL (percebem por que o outro teve que escolher Aliança?) de Bolsonaro. Que abriu um canal de denúncias e exorta os jovens a filmar os professores inconformados com o resultado eleitoral, e a remeter-lhe esses vídeos... 

Que fofinha... Que fofinhos eles são!

 

 

Brasil ou .. Mas... (parte II)

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais

 

Bolsonaro está à porta do Palácio do Planalto, mas poderá não ser uma formalidade o que falta para que se lhe abra, daqui a três semanas. Chegou até a parecer que teria entrada directa, que tudo ficaria ontem resolvido, logo na primeira volta. Não ficou, e os 46% de votos que atingiu não são, hoje, mais que um copo meio cheio. E a direita portuguesa do "mas", que aqui trouxe há dias, voltou a fazer-se ouvir. Mais hipocritamente, agora que os resultados são conhecidos.

Que Bolsonaro é um fascista - gostam mais de dizer extrema-direita radical -  mas... Que a quase eleição à primeira volta de um candidato de extrema-direita radical mostra que o povo brasileiro está disposto a trocar a liberdade pela segurança. Mas ... ou porque, a verdade é que a insegurança no Brasil atingiu o extremo, e os brasileiros acreditam que só Bolsonaro pode resolver isso.

Sobre os gigantescos interesses da indústria da segurança no Brasil é que nem uma palavra. Sobre o lóbi da segurança, dos carros blindados às armas, é que nada. E sobre de que lado está Bolsonaro nesta "guerra" da segurança, menos ainda... E, da tal troca  a liberdade pela segurança, não vem qualquer mas  para as redes sociais, e a sua manipulação organizada. Nem  para as seitas religiosas. Nem para o bispo Edir Macedo e para a IURD...

 

 

Mas...

 

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As elites da direita portuguesa politicamente correcta assumem-se sempre muito democráticas. Demarcam-se de Trump, de Orban ou de Matteo Salvini ... mas ... sempre com um "mas". 

Eles são nacionalistas.. ...mas a economia cresce. Eles são xenófobos ... mas o desemprego desce. Eles são racistas ... mas também não se pode abrir as portas a toda a gente. Ou, normalmente por fim, na última das últimas alegações, eles até poderão nem ser flores que se cheirem ... mas foram eleitos democraticamente. 

Sabemos que é assim, vemos coisas destas todos os dias. Mas... o mais refinado dos "mas" surgiu agora com Bolsonaro.

Como lhes fica difícil (permitam-me este apropriado toque brasileiro) defender a criatura, atacam-lhe o ataque. Então transformam as gigantescas manifestações deste fim-de-semana do "ele não" num erro estratégico, nem que, para isso, tenham de recorrer a raciocínios "non sense" e a comparações espatafúrdias. 

Não há volta a dar. O "mas" está-lhes na massa do sangue!

De Tiririca a Jardel

Por Eduardo Louro

 

Afinal Marina - com 21% dos votos - ficou de fora, não se cumprindo o anunciado duelo feminino pelo melhor lugar no Planalto.

Dilma chegou aos 41%, número que poderá não esticar o suficiente na segunda volta se, como se especula, Marina der o seu apoio a Aécio Neves, permitindo ao candidato do PSD saltar dos seus actuais e surpreendentes 33% para a vitória, que colocará um ponto final em 12 anos de PTismo

A notícia no entanto é a eleição de Mário Jardel. Isso mesmo: Jardel é agora deputado estadual do Rio Grande do Sul. Jardel, o cara de direita porque com ele é tudo a direito, fez como o Tiririca e já tem ocupação. Antes de dar para rir, deve dar para pensar!

No Brasil há círculos uninominais... E o voto é obrigatório!

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