É a própria OCDE que o diz, no Relatório "Ter e não ter - Como ultrapassar a desigualdade de oportunidades", divulgado na semana passada, o primeiro a ser publicado no âmbito do Observatório sobre Mobilidade Social e Igualdade de Oportunidades, criado em 2022.
A impressão que dá é que Portugal está com sérios problemas com elevadores. Devem ser de manutenção. Agora é o elevador social. Parou, ninguém consegue subir sequer um degrau do patamar em que nasceu. Onde se juntam multidões a olhar lá para cima, onde uns poucos estão cada vez mais acima, mais alto e mais longe, sem ninguém lhes poder chegar.
Às vezes corre mal. Com carga a mais, o elevador nunca mais consegue arrancar. E, como se viu há semanas, basta um cabo qualquer ceder para vir tudo descontrolado por aí abaixo.
Os jornais fazem hoje eco, dois deles com destaque de capa, de um estudo que conclui que os alunos provenientes das famílias mais desfavorecidas são os que menos acesso têm aos cursos que exigem as notas mais altas.
Ninguém se surpreende com a notícia. Quase se poderia dizer que estranho é que seja notícia. Ou que há estudos que não servem para mais do que para nos dizerem aquilo que já sabemos. Num país, como o mundo, cada vez mais desigual é inevitável que cada vez mais seja assim.
O que não podemos achar inevitável é que cada vez mais se feche os olhos a esta realidade, que não só destrói a principal alavanca do sistema como as suas vias respiratórias. A educação é o factor crítico da mobilidade social, e o elevador social a base do sucesso do sistema.
Acentuar as estratificações no acesso à educação é deixar o elevador fora de serviço, é acentuar desigualdades, e é pôr a História a andar para trás. Chamem-lhe o que lhe quiserem chamar...
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