Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas que doem*

Resultado de imagem para emigração portuguesa

 

Foi conhecido por estes dias o mais recente Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, que é publicado de três em três anos, segundo o qual Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, altura em que aqui no rectângulo seremos oito milhões de portugueses, praticamente ¾ da população actual. Pior, isto é, com maiores perdas de população, apenas dois países de leste - Roménia e Bulgária – e a Grécia, essa velha conhecida e companheira de rota das últimas décadas.

Claro, com esta panorâmica, o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa. Porque, evidentemente, a economia é feita de pessoas, e são as pessoas que fazem a economia. Com menos pessoas, menos economia.

Mas nem é aí, no lado da economia, que está o lado mais dramático da realidade que está à vista de todos. Dramático é mesmo a percepção que, se o rumo não for invertido, no limite, o país tende a desaparecer. Dramática é essa ideia de falência colectiva para que fomos arrastados nas últimas décadas por elites míopes e sem estratégia.

Basta lembrarmo-nos que ainda há dois ou três anos tínhamos um primeiro-ministro que mandava os jovens emigrar, e um país rendido à irresponsável ideia da zona de conforto. Instalou-se na sociedade portuguesa uma espécie de convicção que, insistir em viver em Portugal, era recusar sair da zona de conforto. Que emigrar, sair da famigerada zona de conforto, era sinal de espírito empreendedor, na linha dos portugueses de quinhentos.

Não era. Não é. É a linha dos portugueses de 50 e de 60 que, a salto, fugiam do país para sobreviver.

É também por isso que estas notícias doem mais...

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Notícias que vão para além da notícia

Por Eduardo Louro

Capa do Correio da Manhã

 

Confesso-me cada vez mais impressionado com o que acontece neste país que é o nosso. Dois ou três chicos espertos - meia dúzia, vá lá - conseguem fazer com que se passem meses de campanha eleitoral sem uma palavra sobre o vendaval de destruição que passou pelo país nestes quatro anos de governação. E sem que  nInguém discuta uma única linha do seu programa para os próximo quatro, porque simplesmente não há, nem ninguém se preocupa nada com isso.

Hoje, mais uma notícia impressionante: está na capa do Correio da Manhã, mas é da OCDE - 485 mil portugueses tiveram de emigrar nestes quatro anos. O número impressiona, como impressiona a confirmação que Portugal é, de todos os que integram aquela Organização, o que mais gente obriga a emigrar. Não tínhamos notícias oficiais destes números, apenas algumas referências da oposição. E o que verdadeiramente espanta é que o número que tínhamos ouvido à oposição se ficasse pelos 300 mil.

O espanto perde gás quando percebemos que tem de ser uma Organização internacional a fornecer estes números, que as estatísticas internas deixam esquecidos. Porque isso já não espanta, esta gente já nos habituou a essas coisas, a esconder tudo o que atrapalha a realidade virtual que impõe ao país...

Há notícias que vão para além da notícia. Esta vai muito para lá de dar um número a um fenómeno que toda a gente conhece e sente. Explica as inexplicáveis sondagens que todos os dias nos avisam para o que aí vem. E explica por que - como comecei - meia dúzia de chico espertos conseguem meter no bolso todo um país! 

Só não explica é por é que havemos de deixar que as coisas sejam assim...

O que parece, é!

Por Eduardo Louro

 

Têm sido muitas as denúncias dos nossos novos emigrantes sobre dificuldades de recenseamento para as próximas eleições legislativas. Começaram por circular pela blogosfera, o "Livre" deu-lhe eco já há alguns dias, e chegaram agora às televisões...

Parece que o governo tem medo do voto destes novos emigrantes... E sabe-se como, em política, o que parece é. E se o que parece é... É assim: o governo que os mandou emigrar, que os obrigou a ir embora, e que sabe que eles não lhe perdoam, acha que o melhor é impedi-los de votar no dia 4 de Outubro.

 

 

O que mudou nestes quatro anos (I)

Por Eduardo Louro

 

Começaram por mandar os jovens emigrar, praticamente uma ordem de expulsão embrulhada numa embalagem com um rótulo paternalista que lhes ordenava que saíssem da sua zona de conforto e procurassem trabalho lá fora.

Começaram por dizer aos jovens que, viver num país que era o seu, era um luxo, e que a vida e o país não estava para luxos. Viver no seu país, na sua terra, com a sua família era um luxo a que se não podiam dar. Era viver acima das suas possibilidades!

Não restaram alternativas, e os jovens, a geração mais formada que o país alguma vez conhecera, começaram a sair. Às dezenas de milhar, ano após ano, sem que os que os mandavam embora percebessem, por mais que fossem os avisos, que estavam a mandar fora dinheiro, muito dinheiro que o país gastara na sua formação. Que estavam a gerar fortes desequilíbrios demográficos, e a pôr em causa a própria segurança social. Sem que percebessem que, assim, não eram só os jovens que não tinham futuro. Era também o país!

Foi por aqui que se iniciou o processo de destruição do país iniciado há quatro anos, numa política de terra queimada que queria fazer crer que, depois, sobre as cinzas, haveria de nascer um país novo, pujante, viçoso... Destruíram-se centenas de milhar de postos de trabalho, mandaram-se para a falência milhares de empresas e para o estrangeiro centenas de milhares de jovens. Venderam-se ao desbarato as melhores empresas nacionais, estratégicas e monopolistas, e empobreceu-se o país e os portugueses, que passaram a ganhar menos e a pagar mais. Mais impostos e mais pelas funções sociais do Estado, cada vez mais degradadas…

Propositadamente, confundiram-se reformas com cortes. Cortou-se indiscriminadamente em todas as funções do Estado, até as deixar inoperacionais. Por incompetência, na maior parte das vezes, mas também para as esvaziar e mais facilmente transferir para o domínio privado.

O que se passa na Saúde – e note-se que se fala do que dizem ser o mais competente dos ministros – é sintomático. Doentes morrem em macas dos bombeiros, á espera de atendimento nos corredores dos hospitais, sem camas. Nem médicos, numa roda-viva sem saber onde acudir, expostos à ira – e quantas vezes às agressões – de doentes e familiares, abandonados e mal pagos mas, acima de tudo desrespeitados por quem, criando o caos, se presta depois à calúnia, à demagogia e à mentira manipuladora.

E por isso médicos e enfermeiros de todas as idades juntam-se aos jovens e saem também do país. Já não são apenas jovens, e já não são apenas jovens enfermeiros acabados de formar. São médicos especializados, alguns deles já entre os 55 e os 65 anos. São famílias completas – pais e filhos – que, mais que sair, desistem do país. Trocam-no por outros, onde vão encontrar as condições de trabalho e de vida que cá lhe negam e a dignidade que por cá lhe roubaram. Vão ganhar cinco vezes mais, em França, no Reino Unido, na Bélgica ou na Alemanha. Sim, na União Europeia, onde evidentemente há países com visão estratégica, desejosos por receber quadros que lhes poupem 10,15, 20 ou mais anos em formação. Por cá nenhum valor é atribuído a todos esses anos de formação. Nem a esses nem a outros, porque o abandono de médicos especializados irá ainda fazer-se sentir na capacidade de formar os mais novos. Que por cá ainda ficarem…

Engana-se quem ache que nada mudou ao longo destes quatro anos. Mudou, mudou muita coisa. Tantas que ainda não demos por muitas delas…

 

Exportações

Convidada: Clarisse Louro *

 

Por força das minhas funções profissionais, mas também pelo relacionamento de proximidade que cultivo com os meus alunos, acabei de participar nas cerimónias de encerramento de mais um curso de Enfermagem.

Há muitos anos que a minha escola vem abrindo dois cursos por ano, um com início em Setembro e outro em Março. Por isso, há muitos anos também que encerra dois cursos em cada ano. Este é um desses, que se iniciaram em Março. De 2010, há quatro anos atrás!

É sempre um momento de grandes emoções, para alunos, familiares e professores. Quatro anos é muito tempo, mas também pouco, passam depressa. É esse um dos sortilégios do tempo, que sendo sempre o mesmo nunca é o mesmo… Em quatro anos vivemos uma vida que tem muito de comum. Acompanhamos sonhos, venturas e desventuras. Partilhamos alegrias e tristezas e sentimos que, da mesma forma que cada um deles leva no fim um pouco de nós, também nós ficamos com um bocadinho de cada um deles.

É sempre assim, curso após curso. Ano após ano, década após década… Por isso, e mesmo sendo assim há tantos anos, cada encerramento de curso é um sempre momento de grande intensidade emocional que une professores, alunos e familiares. Os professores porque também sentem sua a vitória deles, dos alunos e dos pais que, na maioria das vezes, sabe Deus com que sacrifícios, realizaram um sonho de vida!

Quando estes alunos iniciaram este percurso, há quatro anos atrás, o país era outro, bem diferente do que agora é. Era acima de tudo outra a imagem que dele tínhamos, diferente, mas muito diferente, da que dele hoje temos. Por isso o sonho de cada um deles foi sendo certamente retocado, ajustado à revisão das expectativas em baixa, como se diz na esotérica linguagem dos mercados.

Desta fornada de cinquenta novos licenciados poucos, muito poucos, ficam no país. Mas os que ficam – melhor dizendo, os que por enquanto ficam – não ficam por terem encontrado saídas profissionais. Não, ficam porque querem resistir à emigração, porque ainda não conseguem lidar com a ideia de deixar o país. Porque, como dirá quem manda, não são suficientemente empreendedores e não estão dispostos a abandonar a sua zona de conforto… Os que ficam, ficam porque, a deixar família e amigos e partir atrás do desconhecido, preferem procurar emprego numa caixa de supermercado, engrossar o portfólio das empresas de trabalho temporário, ou mesmo as dos seus colegas mais velhos e de poucos escrúpulos, que vendem os seus serviços ao Estado e aos privados a três euros à hora, e em condições de trabalho e de dignidade inaceitáveis. Todos os outros têm já contratos assinados para a Inglaterra, Suíça e Alemanha…Para, em condições de trabalho e de remuneração dignas, venderem as competências que em condições de excelência o país lhes forneceu!

Tenho muita dificuldade em perceber tanto desperdício. O país investe em profissionais altamente especializados e depois desperdiça todo esse investimento. Percebo, claro que sei por que outros países europeus os vêm cá buscar. É muito remotamente aí que, como professora e formadora, vou encontrar uma parte do meu sentido de dever cumprido. A outra, felizmente que bem maior e a que mais conta, encontra-a nos olhos de cada um deles. Todos os dias!

E amanhã vou iniciar um novo curso, arrancar com uma nova fornada para entregar a esses mesmos países. Quiçá a outros que venham a descobrir este filão!

Pelo crescimento que apregoa, deve ser destas exportações que Paulo Portas fala …

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

O drama do país

Convidada: Clarisse Louro * 

 

Uns nem estudam nem trabalham. São os nem nem!

Outros, estudam mas nem sabem para quê.

Outros estudaram e fazem parte da chamada geração mais qualificada de sempre.

A maioria não tem trabalho e conta para pouco mais que um número - 40%, taxa do desemprego jovem. Correm atrás de um estágio não remunerado que nada lhes acrescenta, de um biscate sazonal no restaurante que já fechou, de uma caixa de supermercado ou de um call center onde ninguém lhes veja a cara…

Boa parte deles já deixou o país, pela porta da emigração indicada pelos que (n)os (des)governam. São muitos dos melhores, que vão entregar a outros o talento e o capital de conhecimento que, num esforço de décadas, em vão o país neles investiu.

Sobrou lugar no mercado de trabalho para alguns. Para uma certa e conhecida rapaziada - uma inexpressiva parte mas nem por isso negligenciável - há sempre um lugar reservado na máquina dos aparelhos partidários. Ou a partir dela. Há muita juventude até nos gabinetes do governo, muitos jovens a entrar todos os dias, como a pouco e pouco vamos percebendo…

E, claro, para alguns jovens muito capazes, os melhores dos melhores, que chegam ao mercado de trabalho com uma enorme vontade de dar o melhor de si, de contribuir para a renovação do país, de ser parte activa na criação de uma sociedade que não lhes corte os sonhos e a vontade de mudar o mundo.

Cedo chocam com a realidade imobilista dos interesses instalados, com o status quo inamovível que não tolera a afronta. Cedo percebem que não são afinal capazes de mudar o mundo, e que, ou se adaptam e se deixam absorver pelo sistema, na certeza de que se virão também a instalar e a perpetuar o inamovível status quo, ou desistem e, desiludidos, desencantados, frustrados e vencidos procuram também eles lá fora o que o país também a eles lhes nega, de uma forma ainda mais violenta e brutal. Não é um país que se adia, é um país que, impedindo a circulação de sangue novo, nega a renovação, negando-se a si próprio.

São estas as linhas que traçam o cenário de drama que hoje marca o país. Um país que desperdiça o maior e mais importante investimento feito nos últimos 40 anos, entregando ao desbarato os cérebros em que tanto investiu, hipoteca irremediavelmente o futuro que durante décadas se julgava estar a construir. Um país que ou empurra para fora, ou castra cá dentro, aqueles que são a alma, a base de sustentação e a mola de desenvolvimento das nações, descarta o futuro.

Um país onde o presente de uns poucos nega futuro de todos, é um país que não faz sentido!

 

 

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

O desemprego está a cair. O resto também...

Por Eduardo Louro

 

 

O INE dá hoje conta que o desemprego baixou. Mas que o emprego também. O INE diz que há menos gente desempregada e menos gente empregada, e a conclusão só pode ser uma: há menos gente!

É disso que o INE dá ainda conta, de um recuo inédito da população activa: no final de Setembro, havia 5.392,2 mil de activos, menos 135 mil do que no mesmo período de 2012… Gente que desistiu e foi embora!

Mas andam para aí uns rapazolas, entre eles o próprio ministro Mota Soares, que querem que se tirem outras conclusões. Que isto é o sinal que todos esperávamos. O milagre. A prova de que estavam certos e que os resultados estão à vista…

E ninguém os manda calar!

A orquestra continua a tocar...

Por Eduardo Louro

 

O Tesouro americano diz que é a Alemanha a culpada de tudo o que se está a passar no sul da Europa. Que, para acumular excedentes, não hesitou em impor as políticas austeritárias que destruíram as economias portuguesa, espanhola e italiana.

Álvaro Santos Pereira, recuperando o pio diz, agora já do lado de fora, que a austeridade pode levar ao surgimento de ditaduras na Europa e que a dívida portuguesa só poderá ser paga se renegociada para prazos de pagamento de 40 ou 50 anos.

Mas na Assembleia da República, no dia 1 da discussão do Orçamento, a ministra das finanças diz que está tudo bem. Que tudo estava certo, que tudo correu bem, e que só há que apertar mais um bocadinho. Que já só falta um último esforço, que estamos lá, na praia. Até já ela fala em baixar impostos, para não deixar Paulo Portas a falar sozinho… Porque 2015 está já aí!

Por isso aí está uma gigantesca onda de optimismo que sai da maioria e do governo como se fossem o canhão da Nazaré. Que estamos a sair da recessão e que o desemprego está baixar, dizem eles, sem cuidar de perceber que alguma vez a economia teria de parar de cair, que há sempre um fundo, por mais fundo que seja. E escondendo que o desemprego continua a subir e não a descer. Que descem apenas os números – e muito pouco - porque Portugal atingiu os mais altos níveis de emigração dos últimos 40 anos. Chamam-lhe até milagre, mas as pessoas não estão a sair do desemprego, estão a abandonar o país que as abandonou!

E esta não tem nada a ver com aquela emigração analfabeta e desqualificada das décadas de 60 e 70 do século passado, que não perdia os laços com o país, e de que a economia e as finanças do país tanto beneficiaram. Esta é uma emigração que deixa o país muito mais pobre e ineficiente. Agora sai gente em cuja educação o país investiu muito. Gente – e veja-se o absurdo – que o país impede de retribuir o que lhe deu, e que prefere entregar de bandeja aos outros.

Dos que cá ficam, uns morrem; outros não podem ter muitos filhos e outros não podem sequer ter filhos… Portugal perdeu o ano passado mais de 55 mil habitantes, vai continuar assim, a perder-se…

Mas ninguém se importa. Há ainda muita gente a achar melodiosa e a deliciar-se com a música que a orquestra continua a tocar… 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIV

Por Eduardo Louro 

 

O governo manda-nos emigrar, mas quem emigra são sedes de empresas e capitais. Portugal é o país da UE onde são os pobres que mais participam nos sacrifícios e esforços de ajustamento, mas nem isso evita que os mais ricos tirem os seus capitais e as sedes das suas empresas do país. Mesmo os mais moralistas, mesmo os que mais gostam de botar faladura sobre ética… Mesmo os que criam fundações para dar cobertura à sua ética e à sua moral, à frente das quais colocam pessoas da mais insuspeita ética e moralidade…

Estás perdoado Luís Figo, podes vender tudo o que por cá tens que já ninguém te leva a mal. Sim, porque ninguém acredita que foi com aqueles míseros milhares de euros daquele pequeno-almoço com o Sócrates, nem mesmo com aquela ninharia do Tagus Park que compraste o que cá tens e de que agora te queres desfazer. Tu, que ameaçaste mas - que se saiba - ainda não passaste disso, ao contrário dos outros que nem se preocuparam em avisar, ganhaste o dinheiro em pesetas – nunca te safarás dessa de pesetero – e em euros lá por Barcelona, Madrid e Milão. Ganhaste-o por lá, ninguém poderá levar muito a mal que o queiras fazer regressar. Os outros não. Ganharam-no por cá, apertando com os fornecedores de cá ou importando de todo o lado tudo o que fosse mais barato para acabarem por estrangular tudo o que fosse produtor nacional. E pagando mal ao seu pessoal…

É certo que, como eles, nasceste cá. Mas a maior parte do teu crescimento aconteceu lá fora. Eles não! Nasceram e cresceram cá e só foram lá para fora depois de serem grandes, bem grandes. É certo que foi cá que foste formado, que alguém investiu em ti. Mas foi recompensado por isso. Eles formaram-se cá, o Estado deu-lhe sempre a mão – a mão e o resto – nunca quis que lhes faltasse nada, mesmo que faltasse aos outros. Aos produtores, ao pequeno comércio, aos trabalhadores e até aos consumidores…

Podemos ter deixado de gostar de ti. Também poderás ter deixado de gostar de nós, mas ainda por aqui apareces no Natal a distribuir umas prendas a crianças aqui e ali. Eles não, eles aproveitam o Ano Novo para pôr ao fresco as suas massas, bem nas tintas para as dificuldades de quem quer que seja…

Tu foste frontal, disseste que era por causa dos impostos. Que estavas farto de pagar! Ele não, que não tem nada a ver com isso, que é por causa do acesso aos mercados financeiros, quando as suas fontes de financiamento estão cá e por cá ficam: todos nós! Mas mandam outros dizer por eles… É por isso que já anda por aí gente a dizer que é assim mesmo: que leis fiscais estúpidas dão nisto!

Gente extraordinária, pois claro!

A BOTA E A PERDIGOTA

 

Por Eduardo Louro 

 

Durante este ano, segundo o Secretário de Estado das Comunidades - José Cesário - terão emigrado entre 100 e 120 mil portugueses. Não se sabe ao certo nem, segundo diz, é possível sabê-lo. Por aqui se vê a falta que faz a tal agência de que falava o eurodeputado Paulo Rangel: enquanto ia empurrando os portugueses para a fronteira sempre os contava…

Mesmo sem saber exactamente quantos já tiveram que optar por abandonar o país ao longo deste ano, certo é que muita gente está a seguir o conselho do governo: emigrar!

Estranho é que, depois do topo da pirâmide do governo ter reforçado conselho do pioneiro Secretário de Estado da Juventude, venha agora o secretário de estado José Cesário, a propósito destes números, declarar-se preocupado: “…quando vejo emigrar jovens com grande preparação académica e científica, claro que fico preocupado”, referiu ao jornal i e à Antena 1. Como o ouvi ainda salientar que considera que o país está a perder “massa cinzenta”, indispensável aos desafios de crescimento e de internacionalização que se colocam à economia nacional.

Eu também acho! Mas não parece nada que estas preocupações sejam partilhadas por quem tem muito maiores responsabilidades no governo… Parece que a bota não bate com a perdigota

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics