Faz hoje 69 anos que foi inaugurado o Estádio da Luz. Foi em 1 de Dezembro de 1954 que, depois de uma mobilização única no país no que toca a angariação de fundos, e de menos de ano e meio de obras (iniciaram-se a 14 de Junho de 1953), os benfiquistas concretizaram um velho sonho.
Dez mil contos - dez milhões de escudos - foi o investimento na Catedral, o maior estádio de sempre do país, que chegaria a ser o maior da Europa, com capacidade oficial para 120 mil espectadores, mas que terá chegado a receber 135 mil.
Às 11 horas do dia 1 de Dezembro de 1954, o presidente Joaquim Ferreira Bogalho abria as portas de acesso ao Estádio, então uma casa cheia com 40 000 adeptos. A casa onde o Benfica viveu as suas maiores glórias, e onde o inferno se fez céu. Foi demolido em 2003, para dar lugar ao actual.
Para assinalar esta esta data, neste 1 de Dezembro dos 69 anos da Luz, fiz-me sócio - parece mentira, mas é verdade, não era! -, com a minha neta Emília, benfiquista de alma, filha de uma benfiquista, mas também de um dos mais empedernidos lagartos. Quis o destino que, no dia dos 69 anos do velhinho Estádio da Luz, recebesse o número de sócio 357mil e 69. A Emília é a seguir, a 357 mil e 70.
As três netas fazem o pleno. Dos netos, o mais velho, o Vasco, aos 7 anos, já é um caso perdido. O mais novo, o Pedro, com 19 meses, tem tudo - se o pai e o irmão não "lhe derem a volta" - para ser também benfiquista. E o próximo sócio na família.
Não estive ontem na Luz. E porque ainda estou às voltas com o gato que a Sport TV me mandou lá para casa, não vi o jogo. Assim, de repente, não me lembro da última vez que não tenha visto (ou televisto) um jogo oficial do Benfica. Até aquela coisa do ano passado em Basileia eu vi, mesmo a largos milhares de quilómetros de cá, no outro hemisfério e noutro fuso horário...
Imaginam por isso a minha decepção por não ter ontem visto a Catedral, cheia e linda, como sempre, a aplaudir o golo do Renato Sanches. O que não conseguem imaginar é o meu desapontamento, hoje, com a notícia de um concerto no Estádio da Luz.
Podem achar uma palermice. Mas fiquei em choque. Acho normal que se façam concertos em todos os estádios do país e do mundo. Eu próprio já fui a concertos a Alvalade (no velho) e, que me lembre, um dos maiores concertos de todos os tempos até aconteceu em Wembley (no velho). Mas, na Catedral, não gosto!
A Catedral não nasceu para isso. Nasceu para aplaudir golos, mesmo os dos outros ... quando são marcados pelos nossos. Que lá jogue a seleção nacional sempre que está à rasca, ainda vá que não vá. Mas ... concertos, é heresia!
PS: Vá lá. Confessem. Pelo título e pela foto, esperavam que a heresia fosse outra...
Pois... Já andam nas camisolas do Chelsea, e não será certamente por pouco dinheiro. Agora, depois da Emirates, chegam também à Luz. Exactamente à Luz, à Catedral...
Não é para a baptizar: chama-se naming!
E fala-se em mais 100 milhões, 10 milhões por cada um de 10 anos. Estádio da Luz, Yokohama... Não custa nada a dizer e vale muito dinheiro. É de pneus, e daí?
Lembra-me aquela anedota do tipo que era "apanhado" por marcas e que encontra um amigo que há muitos anos não vê. A partir do "sacramental o que é feito de ti" fala das duas filhas: a Nívea e a Gillette. Quando o outro lhe diz que tem uma filha, que se chama Maria, responde: ah... foste para as bolachas...
Quem puder comparar esta segunda final da Champions de Lisboa, agora no Estádio da Luz, com a pimeira, de há 47 anos no Estádio Nacional, fica com uma ideia do que é o negócio de futebol. A UEFA - como a FIFA, nisso são a mesma coisa - mostrou em Lisboa o extraordinário negócio em que transformou o futebol. E a excelência dos recursos que coloca ao serviço da promoção dos grande eventos de futebol que gere.
Repare-se que da infindável publicidade estática do Estádio da Luz nem uma única sombra restou. Dir-se-á que não podia ser de outra maneira, mas então o que dizer quando as próprias garrafas de água que os jogadores utilizaram não tinham sequer rótulo?
Mas essa é a dimensão do negócio a que o futebol chegou. O fantástico evento que a UEFA criou e a que chamou Lisbon 2014 foi muito mais que o jogo de futebol. Mais que um jogo em que o hino da Champions foi cantado ao vivo, pela voz da Marisa, de que poucos terão dado conta. E muito mais que um jogo que ficará na História do futebol europeu e mundial. Porque, sem que tenha sido um grande jogode futebol, foi uma dramática e emocionante final. Porque foi a primeira, e dificilmente repetível, final da prova máxima do futebol de clubes disputada num derbi. Mas porque acima de tudo é lá décima. A há muito ansiada e e há muito adiada décima Taça dos Campeões Europeus desse colosso do futebol mundial que se chama Real Madrid!
Até aos 93 dos 95 minutos que o jogo teve, o Atlético de Madrid esteve na frente do marcador, aproveitando um erro indesculpável de Casillas quando faltavam 10 minutos para o intervalo. Defendeu essa vantagem como pôde, usando na perfeição o fantástico trunfo de Simeoni: uma equipa com 11 Simeonis, uma equipa toda de jogadores à imagem do jogador que foi. No bom e no menos bom...
Acontece que no futebol as melhores equipas serão sempre as que tiverem os melhores jogadores. E quando são os melhores dos melhores... O Atlético de Madrid foi, durante toda a época, mais equipa que o seu rival de Madrid. E mais equipa do que o Barcelona, mas não é melhor equipa que o Real Madrid. Nem que o Barcelona.
E por falar em melhores, dos três portugueses em campo, o Tiago foi o melhor, mesmo que CR 7 tenha feito mais um golo - o quarto e último - e fechado a sua participação nesta edição da Champions com a fantástica e porventura inultrapassável marca de 17 golos. Mas não foi o melhor dos também três ex-Benfica, esse foi Di Maria... Que foi mesmo o melhor de todos, the man of the match!
Por maior que seja a simpatia para com uma equipa que de simpática não tem nada, mas que tem sempre aquele plus do encanto dos que com menos fazem mais, foi com toda a justiça do futebol que o Real Madrid ganhou la décima. Foi melhor em duas das três partes do jogo: bem melhor na segunda parte e muito melhor no prolongamento!
Um orgulho igual à chama: enorme. A Bela, com o grande se não de apenas dois campeonatos...
À atenção de quem de direito: cuidado, a Catedral anda a ficar muito despida. Para 10 anos não é muito aconselhável e, com o inverno à porta, pode dar em gripe, se não mesmo em pneumonia.