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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O sopro americano na borboleta chinesa

O que incomodou Pequim na visita de Pelosi a Taiwan? | Vídeo | PÚBLICO

Depois da invasão da Rússia à Ucrânia, e especialmente dos movimentos tectónicos na geopolítica mundial que se lhe seguiram, ficou escrita nas estrelas que a tomada de Taiwan pela China seria uma questão de tempo. 

Não é preciso saber ler bem as cartas, ou as estrelas, para perceber o que lá ficou escrito. Se a invasão de um país soberano e como tal reconhecido internacionalmente e sem qualquer reserva por todo o planeta dera no que deu, bem mais fácil ficava para a China o passo para a consumação da sua missão histórica de "um só pais e um só Estado", até porque Taiwan não é reconhecido como Estado soberano por mais que 13 países, onde nem sequer se incluem os Estados Unidos, para quem os interesses da globalização falaram sempre mais alto.

Por isso a recente e polémica visita de Nancy Pelosi, a speaker da câmara dos representantes, não podia ser menos oportuna. Nem menos perigosa!

Trata-se verdadeiramente de brincar com o fogo, e expõe mais uma vez o baixo pudor da política externa americana. Custa a perceber a racionalidade desta visita, neste que é o momento de maior tensão mundial das últimas décadas, e também o de maior convergência entre a China e a Rússia. E choca que tenha simplesmente sido um instrumento para ajudar no teste doméstico das intercalares do próximo Outono.

A eliminação de Ayman al-Zawahiri poderia ser trunfo suficiente para as midterms, mas chegou tarde de mais. Tudo estava já em marcha, e nem Biden foi já a tempo de evitar a provocação a que Pelosi emprestou a cara, deixando a nu que a administração democrata se está nas tintas para as asas da borboleta chinesa. E, acima de tudo, para os 24 milhões de chineses que vivem naquela impressionante ilha montanhosa que dizem querer proteger, mas que simplesmente estão a entregar a Xi Jinping.

 

Crime

Diário Comercial - Lobby de armas dos EUA faz convenção e diz que refletirá  sobre massacre

 

Três dias depois do massacre de 19 crianças e duas professoras na escola primária de Uvalde, no Texas, a 400 quilómetros, em Houston, ainda no Texas, realizou-se a convenção nacional da Associação de Armas norte-amerricana, a RNA - a maior associação pró-armas norte-americana e o mais influente ‘lobby’ da América, numa demonstração de poder, mas também de falta de pudor e vergonha.

Lá estavam o governador do Texas, o senador Ted Cruz e ... Donald Trump, que naturalmente era a estrela da companhia. Pediu silêncio e nomeou cada uma das 21 vítimas mortais, todas com apelidos latinos, que teve dificuldade em pronunciar. Discursou inflamadamente sobre o dever de protecção das crianças e a segurança nas escolas, para concluir que a solução é ... mais armas!

 “A única forma de parar um tipo mau com uma arma é um bom tipo armado”. Reafirmou a sua velha tese dos professores armados, garantindo - imagine-se - que, armar os professores, é a forma de tornar as escolas num espaço “livre de armas”, concluindo que  “se tivéssemos um professor soubesse manejar uma arma de fogo, poderia ter parado o ataque rapidamente”.

Isto já não pode ser apenas qualificado pelas balizas do populismo. Isto é criminoso. A questão estará em saber se é crime por ignorância ou se por deliberada defesa dos mais sinistros interesses.

Armas como brinquedos ou ramos de flores

19 crianças e 2 adultos são mortos em novo massacre em escola no Texas

 

Ontem aconteceu mais um massacre na América. Neste ano já são mais de 200 tiroteios em massa. No ano passado foram 700!

Ontem foi numa escola - escolas, supermercados e centros comerciais são os locais preferidos para abates em massa - na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas. O número de mortes já vai em 21 - 19 crianças, dos primerios anos de escolaridade, e dois adultos - mas poderá ainda subir. Entre a dezenas de feridos, três correm o risco de ainda virem a morrer. O atirador era um miúdo de 18 anos, e foi morto pela polícia no local.

Joe Byden, a regressar de uma viagem ao Japão, questionou mais uma vez. "Porquê"?

Por que é que - perguntava ainda - tendo outros países problemas de saúde mental, disputas domésticas e pessoas perdidas, estes tiroteios em massa não acontecem com a frequência que acontecem nos Estados Unidos? 

E voltou a apontar a resposta para o ‘lobby’ das armas: “Onde, em nome de Deus, está a nossa espinha dorsal para ter coragem de lidar e enfrentar os lobistas?

Claro que é aí, no  ‘lobby’ das armas, que está a parte maior da resposta. Um ‘lobby’ que a política americana definitivamente não quer apoquentar, simplesmente porque é aí que os agentes políticos da maior democracia do mundo, mas também a mais imperfeita das maiores, encontram o financiamento para as suas campanhas.

É dessa imperfeição que se alimenta este poderosíssimo ‘lobby’. Mas também de uma cultura de armamento pessoal única em todo o mundo, proveniente dos primórdios da nação americana. Oferecem-se armas como prendas. Pais oferecem oferecem armas a filhos, crianças de sete, oito ou nove anos. Namorados oferecem armas a namoradas, ou vice-versa. 

Há duas semanas correu mundo a notícia da morte de Anna Moriah Wilson, uma ciclista de "gravel" de primeiríssimo plano, de 25 anos e altamente popular, encontrada morta depois de alvejada várias vezes no apartamento que ocupava, na véspera de uma competição, no mesmo Estado do Texas. As circunstâncias do crime foram agora reveladas: Mo, como era conhecida, tinha tido uma curta e passageira relação amorosa com um colega ciclista, Colin Strickland, que interrompera uma relação de três anos com a namorada, Kaitlin Marie Armstrong, uma instrutora de ioga de 34 anos, que depois veio a retomar. Nessa relação retomada ofereceu-lhe de prenda uma pistola de calibre de 9mm, justamente a arma com que Kaitlin se deslocou ao apartamento de Mo, para a assassinar depois de saber que ela e o namorado tinham jantado juntos. 

Lembro-me também de, há uns tempos - não sei precisar quanto - um pai ter oferecido uma arma a um filho de 9 anos, que logo lhe deu uso para matar a madrasta. 

Porquê?  - perguntava Joe Biden. É porque nos Estados Unidos se vendem armas como pipocas, se oferecem a crianças como brinquedos, e a namoradas como ramos de flores. 

 

Tempos de pouca esperança

Rússia bombardeia a Ucrânia com mísseis; Kiev diz que invasão é total

 

A guerra não começou esta madrugada, com a invasão generalizada da Ucrânia pelas tropas de Putin. Tinha sido formalmente declarada há três dias, estava há muito programada e tinha recebido luz verde no Verão passado, com o sinal dado pelos Estados Unidos na debandada do Afeganistão - o sinal da fraqueza em que Putin apostou, e que aguardava para garantir que o seu projecto totalitário se transformaria num passeio. Para já pela Ucrânia dentro...

Resta-nos a esperança que se repita a história de passeios que, por mais bem encaminhados que pareçam, acabam mal. Não nos restam muitas outras!

Aos ucranianos resta-lhes sofrer e resistir. E ensinar essa lição aos restantes europeus!

A mesma América

Polícias a cavalo transportam negro com uma corda

 

Mais uma imagem que nos envergonha. Vem de Galvestone, no Texas. Por acaso - ou talvez não - no mesmo Estado em que, dois dias antes, em nome da supremacia branca, um rapaz de 21 anos desatou aos tiros num supermercado, matando mais de 20 pessoas e ferindo outras trinta.

Donald Neely - assim se chama o homem negro - atado por uma corda a dois polícias montados em cavalos, é conduzido sob prisão à esquadra da polícia local...

Mais uma vez, isto pode nem ser Trump, já vimos imagens destas noutras presidências. Mas com Trump é mais fácil...

Sempre se minimizou a perigosidade de Trump justamente por ser na América. Das instituições. Da maior e mais avançada democracia. Dos "checks & balances". Mas, depois... temos imagens destas ... E o que temos para dizer é: "só nos Estados Unidos". Ou: "tinha de ser nos Estados Unidos". Na mesma América!

 

Tiroteios?

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A América voltou a ser palco de terrorismo, do seu terrorismo interno, alimentado a ódio e racismo, e servido pelo livre acesso a armas. Com um intervalo de escassas horas, no Texas e no Ohio, pelo menos 30 pessoas foram assassinadas. Mais de 50 ficaram feridas e há ainda um número indefinido de desaparecidos. 

Trump poderá não ser o responsável directo por estes actos de loucura criminosa que, na verdade, sempre aconteceram na América, sob qualquer presidência. Mas a forma como alimenta tensões sociais e espalha ódio, e como continua a defender o livre acesso a armas, a todo o tipo de armamento, alinhado com o lóbi da National Riffle Association, tornam difícil dissociá-lo por completo destes actos terroristas. Que, para Trump, nunca passarão de efeitos colaterais da sua purga rácica e, para a imprensa, de meros tiroteios à velha maneira do Far West.

Coisas dramáticas

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Há muito que tenho para mim que a Europa, depois de salva por duas vezes em pouco anos pelos Estado Unidos, começando por se acomodar à condição de protegida, acabou dependente absoluta dessa protecção, renunciando a qualquer juízo crítico, ignorando liminarmente qualquer conflito de interesses, e assumindo o trágico dogma que, se é bom para a América, é bom para a Europa. 

Este é um tema com pano para mangas, que talvez venha a abordar num destes dias. 

O problema dos fluxos migratórios, hoje central no futuro da Europa, não se pode dissociar dos interesses americanos que a Europa tomou de dores sem perceber que conflituavam com os seus mais básicos interesses geoestratégicos. E é extraordinário que, à beira da implosão, a Europa não perceba isto. Não deixa de ser dramático que Trump invoque o exemplo alemão para justificar os crimes que está a praticar na fronteira mexicana. E que Trump seja exemplo para aprofundar a crise na Alemanha, para a espalhar por toda a Europa e para acabar com o que resta da ideia europeia.

 

 

 

Ironia entre muros e barreiras alfandegárias

 

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Na véspera da abertura do campeonato do mundo de futebol, na Rússia, a FIFA anunciou os organizadores do certame em 2026 (o próximo, como se sabe e se tem dificuldade em acreditar, é no Qatar). Pode parecer irónico, mas a ironia não é o forte da FIFA: Estados Unidos, Canadá e México, vão acolher em 2026 a maior competição de futebol do mundo!

É pela primeira vez uma organização a três, mas não é aí que está a novidade. E muito menos a ironia, na semana em que Trump e Trudeau esfaqueram as suas relações de vizinhança. As de Trump com Peña Nieto, essas há muito que estão dilaceradas. Irónico será o futebol a circular livremente entre muros de betão e barreiras alfandegárias em verdadeira harmonia. Mesmo que já sem Trump...

Hoje, o mundo acordou mais perigoso!

 

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Não sei se hoje é o dia em que a política externa de Trump, se é que existia, mudou. Sei que o ataque americano desta madrugada na Síria é, mais que um enfrentamento, um afrontamento a Putin. Tido por aliado de Trump. Que, por sua vez, só apontava para a China quando lhe falavam de inimigos geo-estratégicos. E que acontece poucas horas antes de receber o líder chinês, com os olhos postos em Pyongyang...

Mas sei que o mundo hoje acordou mais perigoso!

E ao sétimo dia...

 Imagem relacionada

 

...  Depois de uma primeira semana em rédea solta, o fim-de-semana começa a mostrar os primeiros travões a Trump. Não é só a rua, é o próprio sistema a reagir.

As instituições funcionam. Têm de funcionar!

E há todo um mundo para além da meia dúzia de admiradores de Trump. E há até quem se encarregue de mostrar que o terrorismo que se alimenta das suas ideias não é em nada diferente do outro. Porque terrorismo é simplesmente terrorismo

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