Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A pobreza e os números

Resultado de imagem para pobreza INE 2018"

 

A erradicação da pobreza é o mais saudável objectivo de qualquer projecto de governação. Há dois instrumentos políticos para o perseguir: a política de rendimentos e  as políticas sociais. E duas receitas, ou três, considerando a combinação das duas: redistribuir melhor o rendimento, aumentando o dos extractos mais baixos à custa do dos mais altos,  e subsidiar, através de apoios sociais, os que, pelas razões mais diversas, não tendo outras fontes de rendimento, não tenham acesso ao trabalho.

Há sempre forma de mitigar esse objectivo. Substituem-se os instrumentos políticos por instrumentos de linguagem e chega-se lá perto. Pega-se na definição de pobreza e dá-se-lhe as voltas que forem precisas até acabar com ela.

O valor de 501 euros mensais, este ano fixado em Portugal para que os pobres deixassem de ser pobres, é uma forma de fazer isso. E de, ainda assim, chegar aos 17,2% da população em risco de pobreza, menos uma décima percentual que os 17,3% do ano passado.

 

 

Dia de números

Capa Jornal de Negócios

 

Ontem foi dia de divulgação de resultados, tendências e previsões, com a publicação de Relatórios da Comissão Europeia, Boletim Económico do Banco de Portugal e dados do INE. 

A Comissão Europeia mantém as previsões de crescimento para a nossa economia nos 1,7%, mantendo as duas décimas abaixo dos 1.9% do governo, em qualquer dos casos acima do crescimento que prevê para a UE e para a Zona Euro, de 1,4% para este ano e 1,6% para o próximo.

Ou seja, a economia portuguesa vai, pelo quinto ano consecutivo, manter-se no caminho da convergência com a Europa. O que não impede a verdade trazida à estampa na capa do Jornal de Negócios: "Portugal está mais pobre face à Europa do que antes do Euro".

Mas também pelo quinto ano consecutivo, segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal também ontem publicado, a  produtividade baixou no nosso país. No ano passado voltou a cair, baixando em 0,6% face ao ano anterior.

Segundo os dados ainda também ontem publicados pelo INE, quase 1,8 milhões de portugueses está em risco de pobreza. 17,3% da população vive com menos de 467 euros por mês, mesmo que desde 2014 estes números estejam a descer. Pelo quinto ano consecutivo, também.

Números são números. E diz-se geralmente que não mentem. E os números deste dia particularmente cheio deles dizem três coisas. 

A primeira já a conhecíamos de há muito. É que a adesão de Portugal ao Euro foi uma aventura. Poderia ter sido um desafio, um enorme desafio às nossas capacidades, como muitos de nós o vimos, mas acabou por ser uma apenas aventura que pagamos caro. Duas décadas depois são os números a dar razão aos poucos que sempre acharam que não tínhamos pedalada para o desafio, e aos mais -  bem mais - que se sustentavam em razões ideológicas. 

A segunda confirma que estamos cada vez mais longe de agarrar o desafio que se transformou nesta aventura. Sem moeda para desvalorizar para adquirir competitividade, e com a produtividade a cair em vez de aumentar, são os salários que continuarão a pagar a factura

E a terceira é que estas primeiras duas décadas do século se dividem em três partes: uma primeira, de uma década inteira perdida, em que toda a gente tratou da sua vidinha sem que ninguém ligasse nada ao país; uma segunda, na primeira metade da segunda década, a lamber umas feridas e a aprofundar outras, e a terceira e última nos últimos 5 anos. Sim, são os números que falam nos últimos cinco anos!

 

Notícias que vão para além da notícia

Por Eduardo Louro

Capa do Correio da Manhã

 

Confesso-me cada vez mais impressionado com o que acontece neste país que é o nosso. Dois ou três chicos espertos - meia dúzia, vá lá - conseguem fazer com que se passem meses de campanha eleitoral sem uma palavra sobre o vendaval de destruição que passou pelo país nestes quatro anos de governação. E sem que  nInguém discuta uma única linha do seu programa para os próximo quatro, porque simplesmente não há, nem ninguém se preocupa nada com isso.

Hoje, mais uma notícia impressionante: está na capa do Correio da Manhã, mas é da OCDE - 485 mil portugueses tiveram de emigrar nestes quatro anos. O número impressiona, como impressiona a confirmação que Portugal é, de todos os que integram aquela Organização, o que mais gente obriga a emigrar. Não tínhamos notícias oficiais destes números, apenas algumas referências da oposição. E o que verdadeiramente espanta é que o número que tínhamos ouvido à oposição se ficasse pelos 300 mil.

O espanto perde gás quando percebemos que tem de ser uma Organização internacional a fornecer estes números, que as estatísticas internas deixam esquecidos. Porque isso já não espanta, esta gente já nos habituou a essas coisas, a esconder tudo o que atrapalha a realidade virtual que impõe ao país...

Há notícias que vão para além da notícia. Esta vai muito para lá de dar um número a um fenómeno que toda a gente conhece e sente. Explica as inexplicáveis sondagens que todos os dias nos avisam para o que aí vem. E explica por que - como comecei - meia dúzia de chico espertos conseguem meter no bolso todo um país! 

Só não explica é por é que havemos de deixar que as coisas sejam assim...

Dificuldades na Estatística

Por Eduardo Louro

 

A propósito disto, que Mário Soares classificou de escândalo e vergonha inaceitável, que o novo Cardeal Patriarca deveria ter condenado, o Padre Manuel Gorjão, na qualidade de porta voz da Conferência Episcopal, garante que D. Manuel Clemente não presenciou o acto porque estava na sacristia. Que tudo aquilo foi espontâneo!

E depois acrescenta que "o povo é livre de se expressar dentro ou fora da igreja". Que "o povo entendeu manifestar-se e manifestou-se"!

Não é a tolerância da Igreja que surpreende. O que surpreende são os seus fracos conhecimentos de Estatística...

Não sei quem manda nos currículos académicos nos seminários, mas tenho a certeza que o Doutror Crato, que antes de ministro é um eminente matemático, não vai deixar passar isto em claro. Na sociologia as coisas também não estarão lá muito bem, mas isso já não interessa nada ao Doutor Crato!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics