Uma questão de estatuto
Por Eduardo Louro
A semana passada ficou marcada por duas fotografias: uma de dimensão planetária, que chocou o mundo, inquietou consciências e agitou indiferenças; outra à escala doméstica, que não agitou coisa nenhuma, não inquietou ninguém, mas que nem por isso deixou de estar nas bocas do mundo.
Refiro-me, como já terão entendido, à gravidez nua – apenas assim, sem qualquer qualificação, o que não quer dizer que a fotografia seja inqualificável, bem antes pelo contrário – da ex-deputada, e de novo candidata a deputada, Joana Amaral Dias, exibida na capa de uma revista se não desconhecida, pelo menos de trazer por casa.
Cada um, e cada uma, mostra-se como e onde quiser. Despido ou vestido, na pose que quiser, exibindo tudo o que quiser e tiver para exibir. Cada um expõe-se como entender. Mas se o faz enquanto se apresenta ao escrutínio, pelo voto, para o exercício de funções públicas, não pode vir queixar-se de preconceitos. E muito menos dizer que naquela capa não é ela que está nua, são os preconceitos das pessoas.
Mas não há aqui nada de novo. Se andou de partido em partido até ter um só para si, não surpreende que reivindique agora um estatuto também único para si. Único e irrepetível, à medida… Costumizado. Um estatuto que lhe permita convocar uma conferência de imprensa para anunciar a gravidez…e uma capa de revista para a pôr a nu.
Como diz o seu antigo camarada Daniel Oliveira – “Quem se deixa embebedar pela fama, acaba como qualquer bêbado: a fazer figuras tristes”!