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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cumprir calendário sem cumprir os mínimos

Benfica apresenta-se no Estoril com o mesmo onze que perdeu a liderança 

 

Depois da derrota no clássico da Luz, que acabou com o sonho do penta, o Benfica apareceu hoje no Estoril (com bancadas seguras e sem quaisquer riscos para os adeptos) para cumprir calendário. Se não foi assim, foi isso que pareceu!

A primeira parte foi do que de mais fácil o Benfica encontrou nesta época. O Estoril não se remeteu à defesa, distribuiu-se pelo campo todo e, com isso, sobrou espaço para os jogadores do Benfica jogarem à bola ... em ritmo de cumprimento de calendário. As facilidades eram tantas, e de certa forma tão inesperadas, que a ideia que se instalava era que ... não havia problema. De resto, com os pequenos nunca há problema, pensava-se. Problemas é com os grandes, aí é que não há volta a dar...

Fez um golo - Rafa, aos 10 minutos - e poderia ter feito mais três ou quatro, para além da (péssima) arbitragem de Hugo Miguel ter deixado por assinalar um penalti contra o Estoril, e de lhe ter permitido continuar a jogar com onze, ao perdoar, nesse lance mas já pela segunda vez, a expulsão ao defesa esquerdo, Ailton. 

Ao intervalo o resultado não era apenas escasso. Era perigoso, e mais perigoso ainda pelas facilidades que o jogo tinha evidenciado.

O arranque da segunda parte confirmou esss perigos. O Estoril apertou e o Benfica cedeu. Aos 5 minutos chegou o primeiro grande aviso, com o golo estorilista. Não contou, o marcador estava em fora de jogo, mas ficou o susto. 

O jogo nunca mais foi o que fora na primeira parte. Abriu ainda mais, partiu-se, como se diz em futebolês, e o Benfica passou a ter oportunidades umas atrás das outras, na maior parte dos casos na sequência de transições rápidas, na resposta aos ataques do Estoril. Todas sucessivamente falhadas, fosse na cara do guarda-redes, fosse com a baliza aberta. Rafa poderia ficar lá toda a noite sozinho com guarda-redes do Estoril que não marcaria. Desesperante!

Pelo meio o Estoril empatou, à entrada do segundo quarto de hora. E menos de 5 minutos depois já a bola batia no poste da baliza de Varela. Se na primeira parte a ideia era "que não havia problema", agora era que uma equipa que falhava tantas e tão claras oportunidades de golo não merecia ganhar o jogo.

Essa ideia ia ficando mais consolidada à medida que nos lembravamos de Jonas, e da falta que faz. Que, com muita pena, víamos a lástima a que chegou o André Almeida, numa crise de forma como nunca lhe víramos. Que víamos como Pizzi desapareceu, e como continua com lugar cativo na equipa. Que víamos como Raúl Jimenez não encaixava. Que víamos a equipa a piorar, em vez de melhorar com as substituições. Ou que tínhamos vontade de agarrar Rui Vitória pelos colarinhos para que nos explicasse o que lhe ia na cabeça para colocar Seferovic em campo...

Com tudo isto a fervilhar-nos na cabeça, ao segundo dos 7 minutos de compensação, chegou o golo da vitória, pela cabeça de Salvio. Da goleada por 2-1, como disse no fim Rui Vitória. Mais que agastado, visivelmente desgastado!

E assim continuamos...

 

Não há muito a dizer sobre o jogo desta noite, na Luz, que opôs o Benfica ao último classificado, o Estoril. Foi muito igual a tantos outros que o antecederam nestes quatro meses que a época já leva, o que quer dizer que o Benfica continua sem atingir os mínimos aceitáveis.

Basta dizer que hoje, contra o último, em casa, o melhor jogador do Benfica voltou a ser o guarda-redes Varela. 

Quer isto dizer que o Benfica não "jogou porra nenhuma", e que não mereceu ganhar o jogo?

Não! Quer dizer apenas que o Benfica continua sem saber o que tem a fazer, e que continua com muitos jogadores bem longe do que fizeram no passado recente.

Pouco passava do primeiro quarto de hora e já o Benfica ganhava por dois a zero. Quer dizer, já o Benfica tinha atingido um resultado confortável, daqueles que desinibem as equipas e as projectam para exibições sólidas. Com dois golos nascidos das próprias condições do jogo, nem sequer de mero acaso, ou simplesmente circunstanciais. Com o Estoril subido, a saber encurtar o campo, o Benfica só tinha que saber aproveitar as costas dos defesas adversários, e isso faz-se lançando para lá, primeiro, a bola e, logo a seguir, os jogadores para a captar.

O Benfica fez isso bem por quatro ou cnco vezes, e não se percebe por que não o fez, ou não o procurou fazer, de forma sistemática ao longo de todo o jogo. Como não o fez, permitiu que o Estoril permanecesse confortável na lição que trazia estudada. E que fosse equilibrando o jogo.

No último quarto de hora da primeira parte já o Estoril discutia o jogo sem grandes dificuldades. Varela ainda evitou, com a sua primeira grande defesa, o golo do Estoril. Que chegaria mesmo no último suspiro da primeira parte, com o Luisão a virar as costas à  bola e o Jardel desparecido em parte incerta.

Com  os jogadores do Estoril a recolherem aos balneários ainda a festejar o golo, que voltava a deixar o resultado em aberto, aumentava a expectativa para a segunda metade do jogo. Com uma grande oportunidade logo de entrada, e mais uma grande defesa de Varela, ficou tudo esclarecido.

Por não mais que duas ou três vezes, o  Benfica voltaria a conseguir tirar do jogo o que dele sabia que poderia tirar. Fez com isso mais um golo, que acabou por dar uma expressão ao resultado que não condiz com o que ele foi.

E assim continuamos. Sem grandes esperanças, sem ver Rafa aproveitar mais uma oportunidade, sem ver Pizzi justificar a presença que tem na equipa e sem perceber como é que alguém se safa com uma defesa destas...

"O importante é ganhar"!

 

"O importante é ganhar"!

Esta é a mãe de todas as expressões quando a qualidade não satisfaz. Disse-o Rui Vitória no final do jogo de hoje, repetiram-no certamente mais alguns milhares, e sentiram-no hoje milhões de benfiquistas.

A partida de hoje com o Estoril, percebêmo-lo ao longo do jogo, tinha uma carga muito superior àquilo se supunha. É preciso também perceber isso para perceber as dificuldades que o Benfica hoje sentiu.

A Luz esteve de novo cheia que nem um ovo, não cabia mais ninguém. Os benfiquistas querem o tetra, e não querem que nada falte à equipa. Isso ajuda - e muito -, mas também pesa. O Estoril continua a trazer o rótulo de 2013, que até pode parecer que já perdeu a validade. Mas está lá, por muito amarelecido que vá ficando. E estava ainda bem fresco na memória de todos o 3-3 do jogo da Taça, há poucas semanas. E a qualidade da exibição do Estoril!

Tudo isto pode servir de explicação para a fraca qualidade do Benfica desta tarde. Mas não se pode esquecer a exibição do Estoril. Porque só joga assim quem sabe. Não é por mais isto ou mais aquilo, nem porque "saíu", até porque foi já uma repetição. É porque sabe!

Não me esqueço que, em tempos, considerei o Pedro Emanuel o pior treinador da I Liga depois de Ulisses Morais. Admito que pudesse estar errado, mas o que me parece notório e evidente é que a sua passagem pela diáspora lhe deve ter feito muito bem. Ter passado por onde passou, ter andado por onde andou depois de cá ter saído, terá feito dele um novo treinador. E registo isso com todo o apreço, porque este Estoril faz lembrar o de Marco Silva. E isso não é nada pouco!

Salientado todo o mérito do Estoril e do seu treinador, também não se pode deixar de salientar o demérito do Benfica. Uma coisa e outra ficaram bem evidentes durante a segunda parte do jogo. Houve certamente muita gente que, ao aperceber-se da relação dos jogadores com a bola, julgou que estavam com as camisolas trocadas. Durante muitos minutos, aquelas tarefas simples, mas básicas, da recepção e do controlo da bola, do passe ou da ocupação do espaço, em que os melhores serão sempre melhores, qualquer um diria que os melhores vestiam de amarelo.

A primeira parte do Benfica já tinha estado longe de entusiasmar. O Estoril começou por "embalar" o jogo e lançá-lo assim em "modo entretém". Não era um jogo entretido, como diria o Quinito, mas era um jogo para entreter os jogadores do Benfica. Foi assim durante quase toda a primeira meia hora, até o Benfica marcar, aos 28 minutos. Por Jonas, de penalti - claro - cometido sobre o Nelson Semedo. Depois, sim. O Benfica teve um bom quarto de hora final, e podia ter arrumado com o jogo: Cervi, a um metro da linha de golo fez o mais difícil - não acertou na baliza. Mas também Salvio. E até Mitroglou, mesmo que só se tivesse dado por ele no momento em que foi substituído por Jimenez.

O início da segunda parte foi... o costume. Mas em pior. Há muito que o Benfica entra mal na segunda parte, mas tem sempre saído depressa dessa entrada. Três, quatro, cinco minutos têm sido suficientes. Hoje "a coisa" durou um quarto de hora, tornou-se num verdadeiro terror - o Estoril teve duas bolas nos ferros e mais outras duas oportunidades para marcar -, e só acabou com o mais que esperado golo do empate. Que seria desfeito seis minutos depois, com mais um grande golo de Jonas, no único remate do Benfica de fora da área!

E aí esteve mais uma explicação para o que se passou neste jogo, mas também nalguns outros. Parece que os jogadores estão convencidos que, para marcar, é preciso entrar com a bola pela baliza dentro. Mesmo que esteja protegida por nove ou dez adversários. Outra esteve na incapacidade para aproveitar os espaços que o Estoril deixou livres sempre que se adiantou no terreno. E foram muitas vezes, e durante muito tempo. E a lembrar-mo-nos de Rafa... E de outras opções de Rui Vitória. Como a titularidade de Salvio. Como a opção por Carrillo, e a não opção por Zivkovic. Ou como - hoje - a insistência em Mitroglou. Mas isto já são as irresistíveis tentações do treinador de bancada...

O importante foi ganhar. E que faltam três. E que, se não há dois jogos iguais, é difícil que haja três!

 

A história não se repetiu

 

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O jogo desta noite, na deslocação ao Estoril para cumprimento da 14ª jornada desta liga, começou praticamente com a primeira das cinco oportunidades claras de golo que o Benfica criou nos primeiros quinze minutos, o que deixa a ideia da forma como entrou. Fortíssimo, como vem sendo hábito neste tipo de jogos, com adversários que sempre se empolgam por jogar com o Benfica, que correm como poucas outras vezes e que colocam o jogo no quarto do campo onde a sua baliza está instalada.  

Só que este hábito, até há duas ou três semanas atrás, dava golos. E deixou de dar. Até então, nessas entradas fortes, o Benfica aproveitava em golos um ou dois terços dessas oportunidades, e os jogos ficavam logo ali resolvidos. A equipa ganhava confiança, o bom futebol fluía, e novos golos iam aparecendo. Mesmo que os índices de aproveitamento fossem caindo, e mesmo que os árbitros fossem deixando por assinalar um ou outro penalti, ninguém dava por isso.

Deixou de ser assim, como hoje se voltou a ver. E as coisas complicam-se, mesmo que não se possa dizer que a equipa joga mal. Porque não joga, não sabe jogar mal. Fica é mais exposta às incidências do jogo. Que todos os jogos têm, como se viu na Madeira, há duas semanas atrás.

Repare-se que o Estoril, que passou o jogo todo lá atrás, teve duas oportunidades claras de marcar: uma na primeira parte, em que a bola até foi ao poste, e outra mesmo no final do jogo. Ambas em situações claras de fora de jogo, que a equipa de arbitragem deixou passar. Se tivessem resultado em golo não havia nada a fazer; não era por terem sido irregulares que deixavam de contar. Como não deixou de contar o golo que deu o empate com o Vitória de Setúbal. Nem o que deu a derrota com o Marítimo…

Este jogo do Estoril foi, assim, bastante preocupante. Até porque desta vez o Benfica, mesmo criando muitas oportunidades, rematou muito menos do que é habitual. E acertou muito poucas vezes com a baliza: cinco ou seis, apenas. O que diz bem da forma com o Benfica desperdiçou o caudal e a qualidade de jogo que criou, capítulo em que sobressaem Gonçalo Guedes e Rafa. Que quando tiver uma relação com a baliza, e até com o último passe, como aquela que tem com a bola, será um jogador fabuloso.

Perante esta má relação da equipa do Benfica com a baliza, Rui Vitória pôs em campo a dupla maravilha que na época passada fez mais de 60 golos. Primeiro Mitroglou, e logo depois Jonas. Finalmente, e esperemos que desta seja a valer. Já o Benfica tinha chegado ao golo, de penalti – na primeira parte tinha ficado por marcar outro, se não exactamente igual, lá muito perto – por Raul Gimenez, ao minuto 61.

Mas nem assim as coisas melhoraram: Jonas esteve lá, no sítio certo, mas nas duas oportunidades a bola ficou a centímetros do lado de dentro da baliza. Não voltaria a entrar, os ponteiros caminhavam para o minuto 90 e os corações benfiquistas apertavam-se. Nessa altura, nesse minuto 90, com a última substituição de Rui Vitória, o ritmo cardíaco disparou: tirou Gonçalo Guedes, e entrou Samaris. A história dos últimos quatro jogos mostrava que o Benfica sofria um golo logo que o miúdo saíra!

A história não se repetiu. Mas lá que esteve perto, esteve…

No centro da discussão

Estoril-Benfica, 1-2 (crónica)

O Benfica ganhou hoje na Amoreira, com o Estoril, um dos jogos mais importantes, mas também um dos mais curiosos, desta liga.

Em primeiro lugar há que dizer que poucos jogos terão tido resultados tão mentirosos quanto este. O Benfica ganhou por 2-1 um jogo que dominou por completo, mesmo quando jogou mal, como aconteceu durante mais de metade da primeira parte. Criou uma dezena de oportunidades claras de golo - uma pareceu mais que oportunidade, pareceu mesmo golo e não pode deixar de nos lembrar aquele penalti que o Jorge de Sousa assinalou no passado domingo, em Alvalade - sofreu o golo logo no no início do jogo, no primeiro ataque e no primeiro e único remate do Estoril. Mesmo assim, tem de se dizer que foi Júlio César a salvar a vitória, quando no último lance do jogo fez a sua única defesa, impedindo uma bola desviada de entrar na baliza.

O Benfica entrou bem no jogo, rápido e intenso, a criar logo oportunidades para marcar, incluindo uma bola no ferro. Mas o golo do Estoril quebrou essa dinâmica e a equipa, dominado por completo o jogo, só fazia isso mesmo: ter a bola, mas com pouca utilidade. Especialmente porque Raul Jimenez andava perdido, sem o que andava ali a fazer. Tentando fazer o que não sabe nem pode, e abdicando dos espaços onde pode fazer alguma coisa do que sabe, e pode.

De tal forma que se poderá dizer que bastou ao intervalo substituí-lo por Mitroglou para que a segunda parte fosse diferente, e o Benfica pudesse virar o resultado e criar sucessivas ocasiões de golo. E aqui começa o desfile de curiosidades deste jogo. Logo a seguir ao golo do empate, obra do grego, o Benfica estava obrigado a não abrandar, para chegar ao segundo. Ao invés, ao Estoril interessava lançar mão de tudo para quebrar aquele ritmo. O Benfica fez aquilo a que estava obrigado, e na jogada seguinte já estava em cima da baliza adversária, quando, da bancada onde estavam os seus adeptos, saiu uma tocha que quase atingia MItroglou, bem no meio da grande área, que provocou a primeira interrupção do jogo. Dir-se-ia que não faz sentido, mas um imbecil é um imbecil... Não é outra coisa.

Logo a seguir foram os jogadores do Estorill que começaram a provocar interrupções, e por alguns minutos chegou a pensar-se que o Benfica perderia o élan do golo do empate. Nada disso, a equipa voltou a encontrar o ritmo, e acabou por chegar bem cedo ainda ao golo da vitória. E nem sequer a quebra na iluminação, com mais uma interrupção prolongada, impediu o Benfica de voltar a mandar no jogo.  

E aí está o Benfica, bem no centro da discussão do título, a dois pontos da liderança,  já a jogar um futebol de muito boa qualidade, com os jogadores a demonstrarem confiança. E crença, que é fundamental!

Acabou bem... começou bem!

Por Eduardo Louro

Benfica vence Estoril

 

 

O futebol é isto mesmo. É o mais comum dos lugares comuns do futebolês, mas é ainda a expressão mais expressiva do não sei quê de especial que há no futebol. E que faz dele o mais apaixonante dos jogos, o que mais emoções desperta, e que mais multidões arrasta.

O jogo com que o Benfica se estreou no campeonato, à procura do tri que foge há perto de 40 anos, e do 35º, a primeira vitória da época, não só cabe nesta velha expressão do futebolês como a enche por completo.

À entrada do último quarto de hora, o jogo resumia-se a três grandes intervenções do guarda-redes Júlio Cèsar, e a uma bola na trave da baliza do Estoril (Luisão), adensando as núvens de dúvidas que, mais altas que a águia, sobrevoavam o Estádio da Luz. Os jogadores do Estoril eram sempre mais rápidos e mais, muito mais agressivos. Pressionavam pelo campo todo. Alto e baixo, em toda a linha... Faltas sobre faltas, em todo o lado, logo à saída da área até em cima da baliza do Benfica. Obrigavam os adversários a errar, o que até nem parecia muito difícil, lançando aqui e ali o pânico na sua grande área. De vez em quando os bi-campeões nacionais conseguiam fugir da teia e lá criavam uma ou outra oportunidade, logo desperdiçada... Nunca conseguindo fugir à ideia de uma equipa mole, presa de movimentos, sem chama e sem agressividade.

De repente sai Pizzi, acabado de realizar um passe soberbo, e entra o já mal amado Talisca. E sai o Ola a quem toda a gente quer dizer adeus, para entrar ... Victor Andrade, o miúdo brasileiro - a crescer há três anos entre os juniores e a B - que fora a grande surpreza da convocatória. Parecia que não tinha nada para dar certo, mas tudo mudou. Entra o primeiro golo - quando Mitroglou finalmente acertou na baliza - e o Estoril, então já preso por arames, rebenta. O que saía mal passou a sair bem, a exibição solta-se e a goleada nasce. E até o menino que é já a nossa menina dos olhos marca!

E acaba em apoteose o que, tão pouco tempo antes, parecia só poder acabar mal. E acaba no maior resultado da abertura do campeonato aquilo que, tão pouco tempo antes, ameaçava poder ser a maior surpresa do dia um desta liga 2015-2016. E acaba com mais uma demonstração de bom senso, equilíbrio e categoria de Rui Vitória. 

Fico com a impressão que, deste, nunca terei vergonha!

Não sei se tudo está bem quando acaba bem. Sei que acabou bem... E como acabou bem, começou bem esta caminhada á procura do tri.

Que bela prenda!

Por Eduardo Louro

 

 Em dia de aniversário, ao colo de 111 anos de glória, o Benfica brindou os adeptos do futebol com mais uma grande exibição. E o Estoril, o convidado para a festa, com seis golos sem resposta. Para já, a maior goleada da Liga.

Que bela prenda!

A primeira parte foi de altíssimo nível, do melhor que se tem visto. Como merecia a festa, e como merecia Gaitan, de regresso à equipa, quase dois meses, e sete jogos, depois. Nunca na sua ausência o Benfica tinha conseguido atingir patamares exibicionais de excelência, o que evidentemente diz tudo do argentino, há muito o melhor jogador de futebol a actuar em Portugal. A última grande exibição do Benfica tinha precisamente acontecido no seu último jogo, na goleada (4-0) dos Barreiros. A que nem sequer tinha dado grande contribuição, acabou por sair muito cedo, ainda antes do primeiro quarto de hora, com a lesão que o afastou por estes sete jogos onde, recorde-se, o Benfica perdeu tantos pontos como em toda a primeira volta.

Deu para quatro golos, e mais uma bola no ferro – não há jogo em que o Benfica não acerte no mais pequeno, mas também mais indesejado, espaço de baliza – e mais duas ou três oportunidades claras de golo. Todos de grande execução, mas aquele quarto golo, carimbado por Jonas, é um hino ao futebol… Uma das mais bonitas jogadas de futebol alguma vez vistas!

Na segunda parte -  com o Estoril a entrar muito bem - já não atingiu o mesmo nível, até porque a equipa, sem nunca se ter desligado do jogo, teve mais intermitências. Deu para mais dois golos, e deu para uma expulsão de um jogador do Estoril que desagradou profundamente aos benfiquistas.

Nunca a expulsão de um adversário na catedral Luz terá incomodado tanto. Porque, como diria o diácono Remédios, não havia nexexidade… O jogador do Estoril cortou a bola com a mão, a lei diz que isso deve ser penalizado com amarelo, que seria o segundo, mas o bom senso diria o contrário. E depois, com o Benfica já a ganhar por cinco a zero, com o domínio absoluto do jogo, e com pouco mais de um quarto de hora para jogar, esta é uma expulsão que apenas serve as estatísticas. Que um imenso exército, cirurgicamente distribuído pelo espaço mediático, depois manipula na inaceitável campanha, já em velocidade cruzeiro, que visa condicionar as arbitragens e fazê-las regressar ao passado que impeça o significante bi-campeonato para o Benfica!

Hoje não se festejou apenas mais um aniversário. Nem esta capicua de 111 anos de glória. Festejou-se também o regresso das grandes exibições. E sabe-se como isso conta. Como isso nos empolga, e como isso dói forte nos adversários!

 

Tanto talento ...

Por Eduardo Louro

 

 

Até parece que o Benfica anda a brincar com o fogo…

Hoje, ao contrário do que sucedera com o Moreirense na semana passada, o Benfica entrou a todo o gás, como se tivesse aprendido a lição. Dois golos, uma bola no poste, oportunidades de golo sucessivas e um domínio asfixiante em vinte minutos de luxo dão conta da forma como o Benfica entrou na partida. Nem podia ser de outra maneira, em jogo estava um momento seguramente importante do campeonato, a oportunidade que não podia ser desperdiçada de alargar, para quatro e seis pontos, a vantagem sobre os seus dois mais directos adversários!

Não se pode dizer que a partir da meia hora o Benfica tenha desaparecido, abandonado o jogo. Mas pareceu que a equipa quis partir do Estoril para Leverkursen, sem passar pelo aeroporto. Perdeu rigor e concentração e permitiu ao Estoril entrar no jogo. Depois, sabe-se como é: as circunstâncias do jogo alteram-se e quando menos se espera está tudo virado do avesso.

Ainda na primeira parte o Estoril reduziu. Percebeu-se que o Benfica reagiu bem, mas as oportunidades criadas continuaram a ser desperdiçadas. E quando, logo no início da segunda parte, empatou – num lance irregular, mas isso são circunstâncias de jogo – o cenário de repente complicou-se, até porque as coisas começavam a não sair tão bem…

Foi de novo já em superioridade numérica que o Benfica chegou à vitória, num golo que o Lima deu a ideia de ter roubado ao Derlei, depois de falhar tudo o que havia para falhar, tornando-se no maior responsável pela forma incrível como a equipa desperdiça o talento único de Gaitan.

Que pena, tantos passes mágicos e toques de génio sucessivamente desaproveitados… Devia ser crime!

Vale que, falar de talento, é também falar de Talisca...

 

A arte de bem receber e as coisas que nunca mudam

Por Eduardo Louro

 

Mais que um belo jogo, este que, provavelmente as duas equipas que actualmente melhor futebol estão a praticar, disputaram hoje na Luz, foi um jogo curioso. E cheio de curiosidades!

O Benfica jogou ao nível a que já nos habituou, mas com a curiosidade de, à sua condição de grande equipa de futebol, aliar a de grande anfitrião. Sabendo que o Estoril gosta de ter a bola, o Benfica entrou de rompante para resolver o jogo – o primeiro golo acontece logos aos cinco minutos, mas à terceira oportunidade – para rapidamente ofertar justamente a bola às visitas. E assim fez, não foi sovina e deixou o Estoril ficar com a bola.

E fez muito bem. Porque a equipa do próximo treinador do Porto - parece que não está fácil de convencer, e que o Porto já não tem capacidade de sedução - até sabe o que fazer com ela, pelo menos para os olhos dos espectadores. Mas acima de tudo porque não precisou dela para nada para fazer mais uma grande exibição, marcar três golos – a arbitragem, sabe-se lá por quê, anulou o terceiro - e desperdiçar mais três ou quatro. Nem precisou de a ter para impedir o Estoril de chegar á sua inviolável baliza – um golo sofrido, aquele charuto de má memória em Barcelos, nos últimos 16 jogos. Na primeira parte, nem um remate. E no fim, uma única defesa, e fácil, de Oblak!

O Benfica alargou hoje para 7 pontos a distância para o segundo – o Sporting. Que empatou em Setúbal, porventura sem ter merecido ganhar, mas claramente prejudicado por uma arbitragem de um velho conhecido, do Porto… E assim, na jornada que antecede a visita do Porto – que jogando o que tem vindo a jogar, lá conseguiu uma vitória tão gorda quanto enganosa – vê reduzida para metade a vantagem que já tinha. Mais do que isso, o Porto chega a Alvalade a poder discutir ali o segundo lugar. E como esse velho conhecido que hoje esteve em Setúbal sabe da importância desse segundo lugar… Há coisas que, mesmo que não pareça, nunca mudam!       

Uma semana de cada vez

Por Eduardo Louro

 

 

O Benfica poderia ter tido uma vitória fácil hoje no Estoril, num jogo tido como muito difícil. Poderia, mas não teve!

Poderia, porque marcou o primeiro golo bem cedo. Porque, no último lance da primeira parte, Lima desperdiçou um penalti que daria o confortável e tranquilo – mesmo que isso de tranquilidade seja coisa que não assista ao Benfica - segundo golo. Porque o Benfica jogou meia hora em superioridade numérica, por expulsão (correcta a decisão do árbitro) de um jogador do Estoril. E porque doze minutos depois de entrar e a vinte do fim da partida, Cardozo conseguiu o chamado golo da tranquilidade. E que golo!

Mas não teve porque, infelizmente, tudo continua na mesma. Porque os jogadores querem e crêem pouco. Porque continuam sem crer e sem querer. Porque não têm confiança, e por isso falham penaltis e as sucessivas cobranças de livres. Porque as lesões musculares se sucedem em todos os jogos. Porque logo depois do golo de Cardozo, da saída de bola surgiu um remate para a baliza que deu em canto e, claro, no inevitável golo de todos os jogos. No inevitável golo de bola parada. Porque depois vieram mais cantos (dez a zero em cantos, a favor do Estoril, é coisa nunca vista). E porque, no meio de tudo isto,o Maxi Pereira lembrou-se de repor as equipas em igualdade numérica…

Foi por isso uma vitória bem difícil, bem sofrida. Mas uma vitória, que segurou Jorge Jesus por mais umas semanas. Nesta altura é assim: uma semana de cada vez. Só a interrupção do campeonato lhe dá um bonus adicional!

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