Era estranho que o Ministério Público não tivesse dado nome à operação que levou à demissão do primeiro-ministro. Afinal deu, e chamou-lhe "operação influencer".
Não é estranho é que o jornalismo de direita tenha muito de direita e pouco de jornalismo. Por isso não é estranho que, nada de estranho tendo sido escutado nas "escutas ao primeiro-ministro", se estranhe que nada tenha dito ao telefone.
É estranho que o agora ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro, tal Vítor Escária, já hoje demitido por António Costa, tivesse guardado mais de 75.800 euros no seu escritório, em S. Bento. Não é estranho que o seu advogado tenha dito que esse dinheiro se refere a uma atividade profissional “anterior às funções que exerceu”.
Não é estranho que em casa do Galamba tenha sido encontrado haxixe para consumo próprio. Tem "pinta" de ser apreciador. Disso e de jantares caros.
Nem é estranho que, de tudo o que, até agora, a Justiça deu a conhecer, nada se vislumbre o que quer dar por conhecido.
Neste país tão estranho nada se estranha e tudo se entranha!
É estranho que ache estranhíssima a não recondução da ainda Procuradora Geral da República, sem achar estranhíssimo que continuem à solta todos os seus amigos do BPN. Sem achar estranhíssimo que a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República mais parecesse o quadro de honra da criminalidade financeira em Portugal. Sem achar estranhíssimo ter até feito deles Conselheiros de Estado. Sem achar estranhíssimo que, como Presidente da República, tenha exortado os portugueses a comprar acções de um banco falido, sem achar estranhíssimo que esse banco tivesse sido o maior e principal financiador da sua campanha. Sem achar estranhíssimo que tenha condecorado todos os que, é hoje claro e indesmentível, mais roubaram e mais destruiram neste país. Todos. sem lhe escapar um ( a excepção de Sócrates, só confirma a regra) ...
O que não é estranho é que o político (que mais poder teve no país), que não era político, não tenha vergonha na cara. Nem que esteja ainda convencido que o que diz tem alguma importância...
Do aparecimento das armas de Tancos, já se conhece a história. Do desaparecimento é que não!
Mas isso - esse estranho chegar ao fim sem passar pelo princípio - já nem sequer é o mais estranho da mais estranha da estórias deste país de coisas estranhas...
Há poucos dias, na sequência da tomada das escadarias de S. Bento pelos polícias manifestantes, o Director Geral da PSP, Paulo Gomes de seu nome, demitiu-se e foi de imediato substituído exactamente pelo responsável operacional sobre quem deveria cair a responsabilidade por tal acto de sublevação.
Achou-se estranho, aqui mesmo foi dada conta dessa estranheza. O que não se sabia, mas sabe-se hoje, é que foi criado – inventado - um lugar na embaixada portuguesa em Paris para acolher o demitido Paulo Gomes. Chama-se a esse lugar oficial de ligação e tem, ao que se diz, a remuneração mensal de 12 mil euros.
Pode ser que isto tudo faça sentido. Pode até ser que o ministro Miguel Macedo continue a destoar – pela positiva – neste governo. Mas que também isto é estranho, é!
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