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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

UE - agora é que é!

Merkel e Macron querem fundo de 500 bi de euros contra crise

 

Tudo aponta para que desta é que seja. Que desta vez a União Europeia faça prova de vida, e se relance como projecto de futuro. Ou, pelo menos, para já com futuro.

O plano de financiamento à economia europeia de 500 mil  milhões de euros, que ontem Macron e Merkel apresentaram, confirma isso mesmo; que desta vez é que é. Porque, em cima de todas as esperanças que têm vindo a ser semeadas pelo BCE, e especialmente pela nova líder da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen,  sai agora directamente das duas maiores potências da União.

Não sei se é o dinheiro suficiente, mesmo que seja muito. Mas o compromisso da Alemanha com um financiamento desta ordem, obtido por mutualização de dívida e a distribuir a fundo perdido pelas economias mais profundamente atingidas pela pandemia, é verdadeiramente revolucionário. É a própria revolução: "de cada um conforme as suas possibilidades, a cada um conforme as suas necessidades"!

Macron e Merkel não falaram de mutualização, nem de fundo perdido. É certo que não, sabem que essas são ainda palavras proibidas. São palavras que chocam os suspeitos do costume, e que requerem por isso certos cuidados. Mas as coisas são o que são, independentemente das palavras utilizadas para as descrever.

Tal como a Alemanha é o que é. E, sem ela, os suspeitos do costume não são o que são!

 

FUNDAMENTALISMO

Por Eduardo Louro

                                                                      

Portugal foi o primeiro país a ratificar a chamada regra de ouro do pacto orçamental europeu. Antes de qualquer outro, e antes das eleições presidenciais francesas, onde o esperado e confirmado candidato vencedor anunciava mandá-lo às malvas.

Um governo que dificilmente conseguirá conter o défice nos 5,5% a que este ano está obrigado, apressou-se para ser o primeiro a ratificar um tratado que o obriga a um défice máximo de 0,5%. Quando nada o obrigava a isso, e quando tudo aconselhava a uma pausa, a um prudente wait and see!

Quando a questão das eurobonds cai em cima da mesa com um estrondo nunca antes visto, imposta pelas lideranças francesa, italiana, irlandesa e mesmo as do próprio BCE e da comissão europeia, e começa inclusivamente a ver alguma flexibilidade da parte da Alemanha, o nosso primeiro-ministro chega-se à frente e afirma peremptória e inequivocamente que nem pensar. Eurobonds nunca!

Poderíamos até perceber a famosa e mil vezes repetida expressão de nem mais tempo nem mais dinheiro, ou o repetido anúncio de que iríamos para além da troika, como parte integrante da estratégia de comunicação externa. Para a Europa e o Mundo ouvirem bem alto enquanto, de baixinho e com pinças, se ia tratando com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia dos inevitáveis mais dinheiro e mais tempo. Era isto que se esperava que, responsavelmente, estivesse a acontecer!

Dava-se até de barato que aquela camisola amarela na ratificação do tratado, apesar de injustificada e injustificável, pudesse fazer parte de um jogo de charme e sedução para levar por diante aquela estratégia. Mas, quando somos os que mais temos a ganhar com as eurobonds, vermos o nosso primeiro-ministro desalinhado com os que as estão defender e, uma vez mais, dar o passo em frente e assumir o comando desta frente de batalha, percebemos que não é nada disso. Percebemos que é mesmo assim, que todas estas atitudes nada têm de estratégico na defesa dos interesses do país. Que são apenas faces da mesma moeda ideológica!

E percebemos uma coisa verdadeiramente dramática: este primeiro-ministro, e este governo, entre a defesa do país e a dos seus princípios ideológicos, não hesitam. Preferem colocar-se ao serviço da ideologia. Isto é fundamentalismo ideológico, do mais radical!

EUROBONDS E PROBLEMAS DE COLUNA

Por Eduardo Louro

 

A discussão sobre as eurobonds já vai longa, tão longa que vai chegar atrasada, apesar de o nosso primeiro-ministro, ao ensaiar a explicação do inexplicável, afirmar categoricamente que a questão não é para se colocar agora.

As chamadas eurobonds – dívida europeia, títulos do tesouro comuns, em substituição da dívida de cada um dos países membros - que cada vez mais gente defende como a única forma de começar a atacar o problema do financiamento das economias da união e de salvação do euro, interessam, em primeira análise, aos países que estão com problemas com as respectivas dívidas soberanas – que são cada vez mais, como se vem vendo – e não interessam aos que (ainda) não têm dificuldades de financiamento. Uma dívida comum misturaria bons, médios e maus devedores, isto é, misturaria os triple A das notações de risco, com os doble A e os lixos, como é o nosso caso. A taxa de juro resultaria disto mesmo, beneficiando largamente Portugal e penalizando a Alemanha. E a Suécia, e a Finlândia…

O recurso a esta solução há um ano atrás, por exemplo, - e já nem seria pedir muito em termos de liderança e de capacidade de antecipar os acontecimentos, pois teria já sido depois da falência da Grécia – teria sido muito eficaz e evitado muitos problemas. O primeiro, como é bom de ver, seria o das taxas de juro. Que seriam bem mais leves, penalizando bem menos, também, os países mais fortes. O que quer dizer que as suas opiniões públicas não ofereceriam, nem de perto nem de longe, a mesma resistência à sua implementação. Hoje, como é igualmente bom de ver, com a degradação deste último ano – Grécia, Irlanda e Portugal intervencionados, Espanha e Itália lá bem perto, e mais uns tantos com as barbas de molho – as taxas de juros serão já bem menos interessantes. Foi mau para todos, para os que têm problemas porque ganham bem menos com a solução e para os que os não têm porque perdem bem mais!

Tarde, e a más horas, mas a questão continua em cima da mesa, não se vendo qualquer alternativa. As barricadas erguidas de um lado e de outro da discussão não se podem resumir às que resultam dos interesses mais primários de cada uma das partes: alemães e nórdicos porque perdem e os outros porque ganham. Há uma outra barricada onde todos cabem: é onde estão os que querem defender a União e a sua moeda, os que acreditam que este continente não tem futuro – nem sequer paz – se retroceder no processo de integração. Os que entendem que esta é a altura de avançar e não de recuar e que percebem agora que há que avançar a todo o vapor para a união política!

Nesta última barricada é que está o velho problema da construção europeia. As elites sabem que é ali que terão de estar, mas não sabem como convencer disso os seus eleitorados! Faltam lideres que não fiquem reféns dos resultados das próximas eleições, que não despegam umas das outras pelo calendário fora.

Finalmente a Comissão Europeia percebeu isto e acaba de afirmar, alto e em bom som, que é para avançar com as eurobonds. Durão Barroso anunciou-o no Parlamento Europeu e o aplauso geral dos deputados permitiu-nos medir a sua aceitação.

Merkel continua intransigente, com medo das eleições. Achamos que não está à altura das responsabilidades, mas percebemo-la.

O nosso governo, uma das partes mais interessadas, estava naturalmente a favor do recurso às eurobonds. Paulo Portas chegou até a manifestar-se de uma forma deveras peculiar:"eu, como português, obviamente estou interessado na ideia dos Eurobonds. Admito que se fosse alemão teria algumas dúvidas". Passos Coelho, contudo, mudaria de opinião logo que chegou a Berlim para se avistar com a chancelerina. Ninguém percebe como é que o chefe do governo de Portugal poderá estar contra e, por mais voltas que dermos, não conseguimos encontrar outra explicação que um grave problema de coluna vertebral. Questionado no parlamento, a resposta sairia atabalhoada e sem convicção. Própria de quem tem problemas de coluna!

O que lhe vale é que o Durão Barroso sabe bem o que isso é. Por isso desculpa-o, não tenho dúvidas!

 

 

 

 

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