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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Mentira de 1º de Abril

 

 

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Como já se sabia - só o Presidente Marcelo é que não sabia, mas isso é lá com ele... - Mário Centeno foi eleito por ... - não; isso de  votos é que não se sabe - não interessa quantos votos, à segunda volta, presidente do eurogrupo. Mas que já se sabia, sabia. E não é por aqui termos dado previamente conta, ontem de manhã; nem pelo lapsus linguae do outrora irascível mas agora simpático Sr Dijsselbloem (ainda bem que vamos poder deixar de escrever este nome, espero...), quando à hora de almoço disse que sairia no dia 12 de Janeiro e que o Mário Centeno entraria a 13. De nada lhe valeu pedir para não o citarem...

Claro que hoje estamos todos contentes porque é prestigiante para ele próprio (e nós somos mauzinhos uns para os outros, mas gostamos que haja portugueses a mostrar aos outros "como é que é") e para o país e, se calhar e acima de tudo, porque é uma tareia do caraças naquela malta que, depois de nos esmifrar até à humilhação, passou a profeta do diabo que, por tabela, também mete o rabinho entre as pernas. Mas sabemos bem que quem manda nisto tudo é a Srª Merkel e o Sr Macron. E também sabemos bem quem manda neles, mas isso, agora, não vem para o caso.

Por isso é que, a partir do momento em que se soube que aqueles dois "se tinham deixado conquistar", se sabia que nada mais havia para decidir. Isto até o Marques Mendes (obrigado pelo título!) sabia, veja-se bem o artista em que Marcelo se transformou... Agora fala-se num enorme trabalho diplomático e numa esgotante correria de António Costa, em Abidjan, à volta de Merkel mas, na realidade, quem manda no euro dificilmente encontraria melhor que Centeno. E, melhor que o actual ministro das finanças do governo de Portugal, não encontraria de todo. Nisso tem Marcelo razão, mesmo que não fosse nisso que estivesse a pensar naquela recomendação mal amanhada (que Centeno não esquecesse que primeiro tinha sido ministro das finanças de Portugal) com cheiro a azia.

Esta primeira página do Expresso de 1 Abril, onde Marques Mendes mais uma vez se estampou, há oito meses já era clara: Centeno era sondado, era sujeito passivo. Os elogios de Schauble - veja-se bem as voltas que estas coisas dão -, chamando-lhe Cristiano Ronaldo do ecofin, não queriam evidentemente dizer outra coisa.

Porque agora é que Portugal serve realmente de bom aluno. Fez sempre bem tudo o que lhe mandaram fazer: fez bem quando fez ainda mais do que lhe mandaram, e fez ainda melhor quando passou a fazer diferente. E ter à frente do eurogrupo o ministro das finanças do governo português que fez diferente, é garantir os limites da diferença. É assegurar, por exemplo, que as absurdas ideias sobre a reestruturação da dívida nunca passarão disso. De absurdas!

Por que carga de água teremos de lhe aturar a bebedeira?

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O Sr Dijsselbloem inventou um mestrado que não existia, numa escola que não existia, para compôr o seu curriculo, o que só prova a ideia que tem de si próprio: tão inqualificado que precisou de inventar um simples mestrado para se desqualificar ainda mais.

Escorraçado do governo holandês nas eleições da semana passada, e consequentemente desqualificado para a presidência do eurogrupo achou, ainda assim que, por obra e graça do Sr Schauble, lá deveria permancer. Na dúvida metódica que a sua qualificação de mais "schaublista" que Schauble fosse suficiente para o segurar no lugar, recuou quinhentos anos. Foi parar aos primórdios do protestantismo onde poderá não ter encontrado mulheres, mas bebedeira não lhe faltou.

Continua perdido de bêbado. Nós é que não temos que lhe aturar a bebedeira. Já nos bastam as nossas!

 

  

O relativismo do tempo

Por Eduardo Louro

 

 

Os dias passam e a situação grega mantém-se. Perde-se tempo apenas para ganhar tempo. O tempo necessário ás causas que estão em causa: as eleições em Portugal e Espanha, e também as outras que pela Europa fora se seguem… E a renovação do mandato da senhora Lagarde!

É isto e só isto que está em causa, o resto é folclore. Para safarem os seus tachos, bem colados uns aos outros pelo sacro pensamento único, esta gente miserável e ignorante que hoje manda na Europa, e em boa parte do mundo, está-se nas tintas para qualquer tipo futuro que não seja o dos seus umbigos.

Saiu-lhes muita coisa furada, e por isso hoje já só perdem tempo para ganhar tempo. Sempre pensaram que a esta hora já o governo grego teria capitulado em toda a linha, já estava a caminho da rua, e de regresso estariam os seus velhos aliados e amigos da Nova Democracia e do Pasok, justamente quem trouxe a Grécia até aqui.  Não aconteceu assim, e o tempo que andaram a perder, para ganhar, não é afinal se não tempo: iniludível e irreversível, como mais nada na vida.

Por isso 30 de Junho é, e nunca deixará de ser, 30 de Junho. Mas incumprimento já não é default. Porque há que continuar a perder tempo a ganhar tempo. Há quem lhe chame fritar em lume brando... 

 

Rédea curta e nó apertado

Por Eduardo Louro

 

Já há acordo entre o Eurogrupo e a Grécia... Mas ... interino. Suficientemente provisório para que a corda desaperte ligeiramente. Mas só isso... A corda continua lá, bem apertadinha no mesmo sítio do pescoço...

Em vez dos seis meses de alívio, para respirar e recuperar algum fôlego, dão-lhe quatro. Porque não pode ser tudo como os gregos querem... Mas só se puserem tudo no papel até segunda-feira!

Rédea curta... Desconfio que vai ser assim, sempre com a corda muito curta e bem apertada ao pescoço, que a Grécia irá ter que viver até ás eleições em Espanha!

 

 

Acabou o Verão. Voltemos à realidade!

Por Eduardo Louro

 

Admito que já nem todos se lembrem, mas o grande objectivo do governo e a bandeira de Vítor Gaspar, o regresso aos mercados, estava marcado para 23 de Setembro. Bem sei que não é na próxima segunda feira, é na outra!

Falta uma semana, e em vez de vermos os mercados a fervilhar de expectativa à nossa espera, ansiosos por nos receberem de braços abertos, vemo-los de costas viradas, lá muito longe, afastados como há muito não víamos. É exactamente isso que quer dizer a taxa de juro já bem acima dos 7% nos mercados secundários, ao nível do pior de 2011, quando o resgate era inevitável!

Quer isto dizer que, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela máquina de propaganda ao serviço do governo, o país não recuperou confiança nenhuma. Os credores não acreditam que Portugal possa alguma vez pagar o que deve, e não há regresso nenhum aos mercados. Nem na data marcada por Passos e Gaspar nem em qualquer outra!

Porque, como sempre se disse, o programa da troika não batia certo e, no que batia, não foi executado. Veja-se a paradigmática reforma do Estado: absolutamente indispensável (reforma administrativa, reforma da justiça, desburocratização, eliminação de serviços duplicados e triplicados, reforma da administração local, reforma do sistema eleitoral, etc.) foi transformada numa mal amanhada junção de umas freguesias e no corte cego funcionários públicos.

E, por isso, como Vítor Gaspar enunciou sem rodeios na sua carta de demissão que quis tornar pública, tudo falhou.

Os objectivos de controlo do défice falharam sucessivamente, como irão continuar a falhar. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque andaram toda a semana, em Bruxelas e em Washington, a tentar convencer a troika a mais uma flexibilização (de 4 para 4,5%). Sem êxito, ao que parece, mas também sem convicção, com a ministra das finanças já hoje a garantir que a meta estabelecida é para cumprir, que não há pedido nenhum de flexibilização, em conformidade com o seu chefe natural e em confrontação aberta com o chefe que lhe foi imposto. Bonito!

A dívida, que a máquina de propaganda do governo diz ser para pagar e estar a ser paga, não parou de subir e já passa dos 130% do PIB. Impagável, como toda a gente sabe. Se antes se falava da renegociação da dívida como condição sine qua non para o sucesso da recuperação económica e financeira do país, hoje já não há economista sério que não tenha que dizer que sem perdão de dívida, sem hair cut, não há recuperação possível.

É por isto que ninguém já acredita no chamado programa de ajustamento.  Mas, para Maria Luís Albuquerque, não é por nada disto. 

É pelo Tribunal Constitucional. Exactamente em conformidade com o seu chefe natural e, mais uma vez, em confrontação com o chefe imposto!

Dramático. Por cá ninguém põe ordem nisto: não há oposição, Seguro é cada vez mais uma anedota e Cavaco auto mutilou-se. E a União Europeia continua congelada pelo frio do norte, imobilizada, como se nada percebesse do que se está a passar, como se voltou a ver hoje na reunião do eurogrupo. Ou irresponsavelmente na lua, na pessoa do seu suposto responsável máximo...

 

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