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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Frase do dia

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Em dia de luto nacional, quando a imortal Agustina vai a enterrar, e dos 30 anos do massacre de Tiananmen, vem de Inglaterra a frase do dia: "The US president will not be the last nasty piece of work to enjoy such pomp, but he is among the most dangerous". O que se traduz por: O presidente dos E.U. (Trump) não é a primeira nem será a última criatura desagradável a ser distinguida com uma visita de Estado, mas está entre as mais perigosas!

O autor da frase que melhor retrata a actual visita (no âmbito das comemorações do 75º aniversário do desembarque das tropas aliadas na Normandia) à Europa do seu maior inimigo, não é Sadiq Kan, o mayor de Londres. Nem Meghan Markle, a agora duquesa de Sussex, ambos sob fogo do arruaceiro twitter de Trump. A frase é de Sir Vince Cable, o líder dos liberais democratas ingleses, a força política historicamente entalada entre conservadores e trabalhistas e que agora emerge no panorama político britânico como fonte de decência, no meio dos destroços do Brexit.

 

Dia da Europa

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Comemora-se hoje o dia da Europa, lembrando a "Declaração de Schuman" de 9 de Maio de 1950, hoje praticamente tido por acto fundador da União Europeia. Onde Robert Schuman, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo francês, cinco anos depois do fim da guerra, dando corpo a uma ideia particularmente acarinhada por Churchill, propôs a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Foi há 69 anos, e hoje sabemos que a ideia, "a melhor que alguma vez tivemos",  como dizem os 21 presidentes das repúblicas da União Europeia, num apelo ao voto nas eleições do próximo dia 26 assinado em conjunto e hoje difundido (percebe-se que o Reino Unido tenha ficado de fora, mas porquê também as restantes seis monarquias?), já viveu melhores dias. 

Toda a gente tem consciência disso. A própria campanha (excelente, diga-se) do Parlamento Europeu de sensibilização para o próximo acto eleitoral, é disso sinal: "desta vez eu voto". Mas não deveria haver quem não morresse de vergonha por ter falhado a melhor ideia dos europeus e o maior projecto político da Humanidade. Provavelmente não haverá quem lhes perdoe...

 

Ultimato: última oportunidade perdida

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Já só faltam dois dias para expirar o prazo dado pela União Europeia, com o apoio expresso de Portugal, a Nicolas Maduro para marcar eleições. O mais provável é que o prazo se esgote perante a indiferença do tresloucado presidente venezuelano.

Sem surpresa. Sem surpresa de Maduro, mas também sem surpresa da União Europeia, que perdeu por completo qualquer capacidade de intervenção na ordem mundial. Quando mais necessária era a sua intervenção, quando mais importante era ter voz...

Em vez de se perfilar com a autoridade moral de um grande espaço de democracia, com a autoridade histórica de uma civilização decisiva na construção do mundo actual, com a independência de quem não está prisioneiro de interesses escondidos, e com a clarividência política de quem já percebeu que só deste forma pode ser respeitado no actual contexto mundial, a União Europeia (e Portugal, e Espanha) optou pela arrogância do ultimato.

E assim se pôs de fora de qualquer intermediação,  dinamitou o espaço de negociação que se exigia que abrisse, e desperdiçou mais uma oportunidade de sair da irrelevância internacional a que se condenou. E, no fim, nem sequer pode lavar as mãos... sujas do sangue que se exigia ter-se esforçado que evitasse.

Que a solução só pode estar em eleições, não há dúvida. Que a melhor forma de a matar é impô-las por ultimato, também não!

A dimensão do problema, ou um problema de dimensão...

 

O acordo de Merkel com o seu ministro do interior e parceiro de coligação, Horst Seehofer, para já, salvou o governo alemão. Mas não salvou mais nada. Pelo contrário.

O acordo, anunciado com satisfação pelo Sr Seehofer perante o sorriso amarelo da Srª Merkel, converge na construção de "centros de trânsito" na fronteira com a Áustria e na expulsão, mandando-os de volta aos seus países, dos migrantes em "situação ilegal". Todos, evidentemente!

 Angela Merkel, tornada no rosto da tolerância e da democracia europeia, capitulou. E a capitulação é sempre o fim à vista: Merkel tem a partir de agora os dias contados. 

Nada de grave, que por cá mereça grande atenção. Temos coisas mais importantes com que nos preocupar como, por exemplo, estacionamento dos carros da Madona. Esse sim, o grande problema nacional do momento!

 

Coisas dramáticas

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Há muito que tenho para mim que a Europa, depois de salva por duas vezes em pouco anos pelos Estado Unidos, começando por se acomodar à condição de protegida, acabou dependente absoluta dessa protecção, renunciando a qualquer juízo crítico, ignorando liminarmente qualquer conflito de interesses, e assumindo o trágico dogma que, se é bom para a América, é bom para a Europa. 

Este é um tema com pano para mangas, que talvez venha a abordar num destes dias. 

O problema dos fluxos migratórios, hoje central no futuro da Europa, não se pode dissociar dos interesses americanos que a Europa tomou de dores sem perceber que conflituavam com os seus mais básicos interesses geoestratégicos. E é extraordinário que, à beira da implosão, a Europa não perceba isto. Não deixa de ser dramático que Trump invoque o exemplo alemão para justificar os crimes que está a praticar na fronteira mexicana. E que Trump seja exemplo para aprofundar a crise na Alemanha, para a espalhar por toda a Europa e para acabar com o que resta da ideia europeia.

 

 

 

De novo, no Mediterrâneo…*

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A Europa voltou a olhar-se no espelho de água do Mediterrâneo, no drama de 629 refugiados africanos - homens, mulheres, algumas delas grávidas, adolescentes e crianças, resgatados ao mar na madrugada de sábado e manhã de domingo.

E não pôde se não envergonhar-se do que viu nas primeiras vítimas da xenofobia do novo governo italiano, que não serão seguramente as últimas das contradições e dos bloqueamentos de uma Europa amarrada, incapaz de responder à dimensão dos desafios que tem pela frente, entre os quais a resposta a estas vagas migratórias.

Valeu a arrojada e corajosa decisão solidária do novo primeiro-ministro espanhol, que se apressou a chegar-se à frente para evitar uma enorme e injustificável catástrofe humanitária de que a Europa nunca se redimiria. Desta vez…

Porque nada mudou, mesmo que evitar uma catástrofe nunca seja pouco. Ninguém acredita que esta atitude de Pedro Sanchez cure a cegueira da União Europeia, ou que a liberte dos seus fantasmas. A pressão migratória vai aumentar. De imediato, porque vem aí o Verão. A prazo, porque o ritmo de crescimento da população no continente africano é maior que em qualquer das outras partes do mundo. E porque as máfias que a alimentam, para dela se alimentarem, fazem o resto.

Não deixa de ser notável que, num mundo em que tudo circula livremente, em que em especial o capital não encontra barreiras, só a livre circulação de pessoas seja impedida. Que se levantem muros para barrar a passagem das pessoas quando se abrem auto-estradas para que o dinheiro circule mais depressa, e se possível sem deixar rasto.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Roaming

 

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Hoje é um dia histórico: acaba o roaming na União Europeia!

O roaming, como se sabe, é uma espécie de sobretaxa que os utilizadores de comunicações móveis nacionais pagam fora do seu país. Numa União Europeia de livre circulação de pessoas e bens de qualquer espécie, as comunicações eram a excepção que o lobby das operadoras de telecomunicações tentou prolongar o mais possível.

Mantiveram-na até hoje, 25 anos depois de Maastricht, 20 depois Schengen, e 16 depois de concluído o actual edifício da União Europeia.

Por isso, mesmo que não fique associado a qualquer nome, a qualquer cidade, ou a qualquer Tratado, o dia de ontem vai ficar na História da Europa como o dia em que foi derrubada a última (?) fronteira entre os seus países membros.

Mas, como sempre tem acontecido, não há bela sem se não.

Portugal vende turismo e, para isso, importa turistas. Muito mais do que os que exporta. Quer isto dizer que as operadoras nacionais entendem que saem prejudicadas. E isso nunca pode acontecer. Nas telecomunicações, nas energias, nos bancos…

Por isso as operadoras nacionais já avisaram que são os portugueses a ter que pagar esse diferencial. A não ser que passemos todos a ir embora…

É sempre assim, e o que parece que é bom acaba sempre por não o ser. Também nisto do roaming

Sebastianismo europeu

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Trouxe aqui o tema na altura própria quando, no comício de Munique, no passado domingo, acabada de chegar de duas cimeiras internacionais – da NATO e do G7 – Merkel, surpreendentemente vestida a preceito de uma verdadeira linguagem europeia, disse que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, nem no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino.

Volto a ele quando disso se quer fazer um  grito do Ipiranga à europeia, e quando se percebe que andam por aí numa roda-viva a espalhar a boa nova:”habemus líder”! 

Que Angela Merkel tem mandado na Europa, ninguém tem dúvidas. Mas, mandar é uma coisa, liderar é outra. O que está está farto de estar provado é que, para Merkel, os interesses da Europa são os da Alemanha.

Não se percebe o sebastianismo!

 

 

 

 

 

Fazer História e contar com a História

 

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É dito e repetido que faltam líderes à Europa. Que os grandes problemas no actual processo europeu são exactamente fruto da falta de rasgo, de visão, de dimensão e de estatura da actual geração de políticos europeus.

Todos sabemos que assim é. E que Angela Merkel é certamente o maior expoente  dessa geração. Que, por ser alemã, se chegou à frente, e quem tem na realidade liderado a Europa. Mas nunca os europeus lhe reconheceram qualidades para encarnar o líder por que a Europa necessita. Pelo contrário, sempre inspirou mais medo que esperança.

Mas tem que se reconhecer que, nos últimos dois anos, a senhora fez alguma coisa por mudar essa imagem. Começou com o problema dos refugiados, e teve um forte empurrão com o espectro da marcha da extrema direita por esta Europa fora. Sim, a ameaça de um pesadelo extremista fez muito do trabalho de "fotoshop" que tem beneficiado a imagem de Merkel nestes últimos tempos.

Ontem, regressada da cimeira do G7 e da Cimeira da NATO, num comício em Munique, fez um daqueles discursos que podem encher a página de viragem na Europa. Quando Merkel diz com todas as letras que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, e no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino, está a escrever História.

Falta agora saber se ela própria consegue estar ao nível da História que está a escrever. E essa é uma dúvida que, mais que Merkel, é a Alemanha, e a sua História, que têm dificuldade em esclarecer.

 

  

Dá para cantar os parabéns? Não me parece...

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Assinalam-se hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a CEE, com a tal ideia da Europa Unida. Assinala-se a coisa, não creio que se comemore coisa nenhuma. 

Até porque esta Europa é hoje uma sexagenária muito pouco cuidada. Caiu de repente. Ainda há pouco era uma jóvem tão atraente...

Acho que foi de tantos lhe deitarem a mão. Tantos e tão maus... 

Começaram por ser 6. Hoje são 28. Destes todos, há sessenta anos, apenas 12 eram democracias. E é bem possível que, bem vistas as coisas, hoje sejam ainda menos... 

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