Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

De volta à Catedral

3

Com fome de Catedral cheguei à Luz bem cedo. E não correu bem!

Aquela ideia do autocarro entrar com os jogadores pela Praça do Centenário até é capaz de fazer sentido. Mas, com as portas do Estádio fechadas, quem andava ali descansado pela Fun Zone, de repente, ficou completamente bloqueado por um mar de gente que se apinhava à espera dos jogadores ... apenas avistados por quem estivesse encostado às baias. Desconfortável, o suficiente para quebrar a boa disposição.

Ultrapassada a indisposição, e bem cedo sentado no lugar - desta vez com a pouco habitual companhia da companheira de vida - deu então para matar a fome. Quando se trata disto, de matar a fome, e nesta altura do calendário a que chamam pré-época, o jogo em si, com as suas nouances, estratégias, tácticas e opções passa para segundo plano. Prioritário é, na circunstância, celebrar Eusébio - "tu és o nosso rei, descansa eternamente" -, depois sentir o bater da Catedral, depois, ainda, sentir as caras novas. Só no fim vem o jogo.

Eusébio esteve lá. Esteve lá sempre, do início ao fim. A Catedral bateu com mais de 55 mil a vibrar, e uns quantos, poucos, a fazer tristes figuras: um petardo (insistem, não vale a pena avisar, nem se importam com as penalizações ao clube que dizem amar) e uns assobios, em determinada fase do jogo ao Samuel, só porque dois lançamentos longos - que faz como poucos (lembram-se do Ederson?) e que víramos treinar com 100% de sucesso ao intervalo, antes de entrar - não correram bem. As caras novas ficaram bem na fotografia: Richard Rios é craque, e não é preciso dizer mais; Enzo Barrenechea equilibra (o maior elogio que se lhe pode fazer é dizer que se sentiu bem a sua falta na fase mais complicada da segunda parte); e Dedic encheu-me a alma.

Faz lembrar Carreras, de que já sentimos saudades. Na forma como sai com a bola, na facilidade em atacar em slaloms difíceis de parar, na intensidade, na disponibilidade para o jogo, sem medo.

Das caras novas do Seixal o destaque vai para João Veloso, o miúdo de Albufeira que se estreou no onze titular. Não será um portento de técnica mas é lutador, faz lembrar Gonçalo Ramos na forma como pressiona a defesa adversária, e revela já uma visão de jogo acima da média, bem visível na forma como descobriu Pavlidis, no início da jogada do segundo golo.

Gonçalo Oliveira e Joshua Wynder, baixo mas, sem dúvida, um enorme centralão a curto prazo, que até entraram no período mais difícil do jogo, logo a seguir ao Fenerbaçe ter empatado, formam uma dupla de centrais respeitável.

Henrique Araújo (será que ainda vai a tempo?) teve um regresso feliz à sua casa, com dois golos plenos de oportunidade, se bem que só um deles tenha contado. Foi o miúdo que conhecemos do Benfica, e da selecção nacional de sub 21, e não o que nos mostraram de Famalicão, e de Arouca.

O jogo mostrou-nos um Fernerbaçe mais adiantado na preparação, muito competitivo, e extraordinariamente agressivo (perante a complacência de mais uma lamentável arbitragem, desta vez do conhecido Hélder Carvalho) com os jogadores sistematicamente a baterem forte e feio, especialmente em Richard Rios. Mas também com muitos bons jogadores, de renome mundial. E com duas caras tácticas, bem à imagem de Mourinho. 

Um jogo que o Benfica dominou na primeira parte, com espaços de bom futebol que, mesmo sem criar uma enormidade de ocasiões para marcar, poderia ter terminado com uma vantagem bem mais alargada que o 2-1 ao intervalo. Com o golo da equipa de Mourinho, logo a seguir ao 2-0 (Akturkoglu, aos 38 minutos, e autogolo de Archie Brown aos 42 minutos, depois de Livakovic ter negado o golo de estreia a Richard Rios), e mesmo em cima do intervalo, a surgir na sequência de uma perda de bola de Enzo Barrenechea, na fase inicial de construção, que permitiu a Kahveci o remate certeiro à entrada da grande área.

O Benfica voltaria a entrar bem na segunda parte, com duas boas oportunidades por Akturkoglu, mas foi sol de pouca dura. Não durou mais de 5 ou 6 minutos até o vice-campeão turco tomar conta do jogo. Chegou ao empate - golo de Youssef En-Nesyri, o internacional marroquino que assinou a eliminação da selecção portuguesa no último mundial - no final do primeiro quarto de hora quando, tal foi o seu domínio naqueles 10 minutos, já o justificava.

Imediatamente a seguir - não foi reacção ao golo, já estavam preparadas - Bruno Lage, que ao intervalo já tinha trocado Trubin por Samuel Soares, Enzo Barrenechea por Leandro Barreiro, Dedic por Leandro Santos, e João Veloso por Bruma, substituiu Pavlidis, Akturkoglu, Richard Ríos, Aursnes e Dahl, por Obrador, Schjelderup, Prestianni, Henrique Araújo e Diogo Prioste. 

Pouco depois, Bruma, que não estava particularmente feliz, lesionou-se gravemente. Tão gravemente - rotura completa do tendão de Aquiles esquerdo - que poderá significar o fim da carreira. E foi substituído por Tiago Gouveia, muito aplaudido.

Admitia-se que tantas trocas, e com a saída de figuras de primeiro plano, no período em que a equipa de Mourinho estava tão por cima do jogo, ficasse mais difícil ganhar o jogo e o troféu da homenagem a Eusébio. Mas aconteceu o contrário, e o Benfica retirou o domínio ao adversário e voltou a colocar-se por cima do jogo.

Henrique Araújo colocou justiça no marcador, ao marcar o terceiro, aos 81 minutos, num lance de antecipação ao (excelente) guarda-redes Livakovic, em movimento de ponta de lança. Idêntico - e não é por acaso, é porque quem sabe, sabe - ao do quarto golo, festejado exuberantemente, por ele e por todo o Estádio, mas anulado, depois, pelo VAR.

E como o jogo também foi arbitragem, não há como não falar dela. Hélder Carvalho, que das bancadas até parecia o Luís Godinho, é mais um desta nova ordem lagarta. Já conhecíamos os seus serviços do Benfica-Farense, de há pouco mais de três meses, ou do Sporting-Estoril, pela mesma altura. Não esteve sozinho neste jogo inaugural da Luz, a mostrar aos novos jogadores o que é a arbitragem em Portugal. Na cidade do futebol estiveram Paulo Barradas (VAR) e Pedro Felisberto (AVAR) também com lugar proeminente nesta nova ordem do futebol português. Cada golo do Benfica, sem que qualquer sombra de irregularidade pairasse, demorou uma eternidade a ser validado. Até que ao quarto, ao que me dizem, sem linhas e com o pé esquerdo do defesa contrário a deixar Joshua Wynder em jogo, conseguiram mesmo anulá-lo. Pelo contrário, o segundo golo do Fernerbaçe, foi prontamente validado.

Tudo isto já sem falar de nem um amarelo, para amostra, nas sucessivas faltas, muitas delas maldosas, sobre o Richard Rios. Ou nas duas vezes em que Otamendi foi agarrado dentro da área adversária. 

Continua um caso sério, esta arbitragem portuguesa. Ver como o Sporting ganhou ao Villa Real os seus "cinco violinos" incomoda. Mas incomoda muito mais o que já se sabe que aí vem. Outra vez!

 

Em honra de Eusébio

Benfica marca quatro em 18 minutos e conquista Eusébio Cup com goleada ao Feyenoord

A Eusébio Cup voltou a homenagear o King, na Luz, como deve ser, com mais de 54 mil benfiquistas nas bancadas.  Foi mais uma oportunidade de honrar a memória do nosso imortal Eusébio, mas foi também o quinto jogo desta pré-época, com uma primeira parte de grande nível, com um grande futebol, e com 18 minutos de uma eficácia rara. Quatro golos, em quatro oportunidades!

Todos obra das novidades desta pré-época: Prestiani, Pavlidis (por duas vezes) e Beste. Este num livre - outra novidade, temos de volta um jogador para as bolas paradas - que desviou num adversário e traiu por completo o guarda-redes do Feyenoord, o adversário desta Eusébio Cup, atropelado pelo vendaval de futebol do Benfica. 

O quarto golo, aos 18 minutos, fechou o resultado. Mas não fechou as portas por onde entrava aquele vendaval. Esse continuou até ao intervalo, a gerar novas oportunidades (como aquela bola de Prestianni na barra), com a equipa de Roterdão completamente atordoada com as recuperações de bola de Tomás Araújo, Morato e Florentino, a circulação de bola de Leandro Barreiro, João Mário e Aursenes, as entradas de Bah e Beste, a magia de Prestianni e a competência técnica e posicional de Pavlidis.

Na segunda parte foi diferente. Era virtualmente impossível que não fosse. E não apenas pelas substituições, de um lado e de outro. A equipa do Feyenoord conseguiu equilibrar o jogo, teve mais bola, rematou até mais. Ainda assim foi com naturalidade que, à beira do fim, Arthur Cabral, fixou o 5-0 final.

Hoje o futebol do Benfica apresentou mais qualidade que nos jogos anteriores, mas tudo o que há para concluir deste jogo já dera para concluir dos anteriores. Que Pavlidis é o ponta de lança que encaixa no futebol da equipa. Que Prestianni não é um miúdo de 18 anos, para rodar por lado nenhum. É um craque de 18 anos para jogar no Benfica. Provavelmente por pouco tempo. Que há miúdos de muita qualidade no plantel, que terão de ser aproveitados e geridos. E que não voltaremos a ver o João Neves com o manto sagrado por dentro dos calções!

 

À memória de Eusébio

Onze "Eusébios", como há dez anos. Então, em cima da  sua morte, como hoje, dez anos passados, a homenagem ao "king", o rei eterno da República Benfiquista. Há dez anos o jogo foi na Luz, o adversário foi o Porto, e a vitória abriu o caminho para a conquista do campeonato, o primeiro do tetra. Hoje foi em Arouca que, com o novo treinador, vinha de quatro vitórias consecutivas, e expressivas. De Estádio cheio, como sempre sucede nas visitas do Benfica.

Simbolismos à parte - que nunca a memória do Rei -, o jogo correu na linha do que têm vindo a ser os últimos jogos do Benfica. Em relação ao último, na Luz, com o Famalicão, a diferença é que não houve qualquer momento de assombração. O Benfica foi sempre superior, e nunca perdeu o controlo e o domínio do jogo.

Mas voltou a permitir oportunidades de golo a mais ao adversário. Desta vez mais permitidas ainda, dado que as duas maiores oportunidades de que o Arouca dispôs resultaram directamente de "ofertas" benfiquistas na saída de bola, uma de Otamendi, e outra de Kokçu. Valeu novamente que o diabo nem sempre está atrás da porta. Não é habitual, mas aconteceu nestes dois últimos jogos.

Moralizado pelos resultados, sempre que pôde, o Arouca disputou o jogo no campo todo, e pressionou bem na frente. Mais pressão sobre os espaços que propriamente sobre o portador da bola, o que é sempre menos desgastante. Uma pressão inteligente, sem dúvida.

O Benfica ia alternando o ataque continuado, quando o Arouca recuava e criava dificuldades de penetração na sua defesa, com a exploração da profundidade, sempre que o adversário se aventurava na tal pressão mais alta. Jogava com qualidade em ambas as circunstâncias, mas foi sempre nas transições rápidas a explorar as costas da defesa do Arouca que criou mais perigo, sempre com João Neves, Kokçu, Rafa e Di Maria em destaque. Os dois primeiros no lançamento, os outros dois na criação e finalização.

Ao quarto de hora marcou, numa das muitas belas jogadas de transição. O passe de João Neves para Arthur Cabral foi de génio. O golo de Rafa seria no entanto anulado pelo VAR, por fora de jogo milimétrico do avançado brasileiro. À meia hora voltou a marcar, e o golo voltou a ser anulado, desta vez por fora de jogo - novamente milimétrico - do próprio Rafa. E às três foi de vez: Rafa marcou e contou mesmo. A assistência é de Di Maria, "o Eusébio" com a camisola 11, a levantar com classe a bola sobre a defesa do Arouca, por onde entrou Rafa para o golo. Numa primeira instância guarda-redes do Arouca - o excelente Arruabarrena - ainda defendeu o primeiro remate, mas Rafa nunca perdeu o sentido da bola e acabou por marcar já de ângulo apertado, com frieza e categoria.

Para trás ficara já o erro de Otamendi na saída de bola, que permitira a primeira oportunidade do Arouca. Praticamente a seguir ao golo foi Kokçu a imitar o capitão. Em ambas as situações foi Sylla, na tal pressão no espaço, a interceptar a bola, e Rafa Mújica a desperdiçar.

A segunda parte inicia-se praticamente com o segundo golo do Benfica, numa excelente abertura de Di Maria para Rafa, que ofereceu o golo a Kokçu, depois de enganar Arruabarrena. Não foi só o golo da tranquilidade, foi imprescindível golo do número 10, com o nome de Eusébio. O árbitro assistente ainda quis estragar a festa, voltando a assinalar fora de jogo a Rafa, mas o VAR escreveu direito pelas linhas tortas.

O jogo não ficou resolvido, mas encaminhado. O Arouca continuou com o seu futebol desinibido, virado para a frente, mas era o Benfica a criar e a desperdiçar sucessivas ocasiões de golo. Foi Rafa - mais um grande jogo - isolado a falhar o golo cantado quando, na altura do remate, a bola ressaltou num tufo de relva levantada. Foi João Mário, a passe de Cabral, a falhar o golo por um desvio milagroso do defesa Milovanov. Foi Di Maria a quase voltar a marcar de canto directo. Foi, de novo, João Mário a rematar para a baliza deserta, com a bola a sair ligeiramente ao lado.

Estávamos nisto quando Arthur Cabral foi alvo de uma falta dura, mas foi para ele o amarelo. E foi substituído por Musa. Como a seguir foi João Mário substituído por Florentino, imediatamente amarelado, também. Deu a impressão que o Benfica teve mais amarelos do que faltas cometidas - uma apenas, em toda a primeira parte. 

As última três substituições, com as entradas dos "Eusébios" Guedes (Di Maria), Tiago Gouveia (Rafa) e Tomás Araújo (Aursenes) ficaram para os últimos minutos, já depois do "Eusébio" Musa ter marcado o terceiro. Não foi à Eusébio, mas foi o melhor dos três golos. Para quem se lembra, à Artur Jorge. Que também jogou com o King!

 

  

 

11 Eusébios ... e mais qualquer coisa

Resultado de imagem para benfica 11 eusébios

 

Há cinco anos perdemos o maior símbolo do Benfica. Há cinco anos o Benfica jogou com 11 Eusébios e, no arranque de 2014, virou o campeonato, derrotando o Porto sem apelo nem agravo. Depois de uma época dramática, onde perdera tudo nos últimos minutos dos últimos jogos, e de um arranque pouco menos que penoso, foi aquele jogo com 11 Eusébios nas camisolas, o jogo de arranque para o primeiro de quatro títulos consecutivos. Foi o jogo mãe do tetra, que só não foi do penta e do hexa porque entretanto alguém traiu Eusébio.

O momento actual é porventura mais dramático. Amanhã, com Bruno Lage ao comando, por que não, como há cinco anos, para acreditarmos - agora, sim - na retoma, um Benfica com 11 Eusébios?  

Com 11 Eusébios no campo, e alguém no leme sem complexos nem condicionamentos para dizer "basta" aos escândalos do VAR que se repetem em todos os jogos, ainda vamos a tempo!

Mas se calhar é pedir muito...

Portugal todo numa só fotografia

 

No dia em que nos despedimos de Mário Soares, o Pedro Santos Guerreiro deu-me a dica para esta fotografia do Rui Ochoa e do Expresso, onde cabe todo um país que é o nosso. Não por Mário Soares ser a última destas figuras maiores de Portugal a partir. Nem por, muito provavelmente, se vir a juntar-se-lhes no Panteão Nacional. 

Por muito mais do que tudo isso. É toda uma simbologia que retrata Portugal. No melhor, porque são do melhor que Portugal teve. E porque, enquanto mostra a gigantesca ponte com que Mário Soares uniu o país, esconde tudo o que de pior o país é capaz de fazer aos seus melhores... 

Eusébio, um ano depois...

Por Eduardo Louro

 

Eusébio partiu há um ano. Faz hoje... Ninguém o esqueceu, os fumos negros nos braços das camisolas encarnadas lembraram-no durante todo um ano. Ainda ontem lá andavam, mesmo que ontem as camisolas fossem também elas pretas...

E a partir de hoje tem o seu nome numa avenida de Lisboa, ali mesmo à beirinha do Estádio da Luz, a sua casa eterna.

O jogo da homenagem que faltava

Por Eduardo Louro

 

O minuto de silêncio foi estragado, a claque portista não respeitou a mais simples das homenagens a Eusébio. Como não respeitou a palavra do seu líder, que garantira antes do jogo respeitar o minuto de silêncio em memória de Eusébio. Ou como ele não respeitou a sua própria palavra!

Fora isso, o que não faltou foram homenagens a Eusébio. O jogo foi todo ele uma gigantesca homenagem à Pantera Negra. Foi o golo ao minuto 13, o número que celebrizou em Inglaterra, em 1966. Foi aquela fantástica arrancada no estilo inconfundível de Eusébio, com o número 50 na camisola, seguida de passe teleguiado para Eusébio que, já com o 19 nas costas, disparou de primeira como só Ele sabe. Foi aquela impetuosa cabeçada de Eusébio, então com o 24, mais alto e mais forte que quantos Mangala por aí andem…

Aconteceu hoje aquilo com que os benfiquistas sonham há muitos anos, e que muitos davam por impossível. Como hoje se viu era possível uma equipa de onze Eusébios e, como todos os benfiquistas sabiam, uma equipa dessas só pode ganhar. Ao Porto ou a quem quer que seja!

Eu sei que é difícil ver as faltas cometidas pela equipa do nosso coração. Eu sei que, para mim, muitas das faltas assinaladas contra o meu Benfica nunca existiram. Por isso, se fosse árbitro, não as assinalaria. Mas o Artur Soares Dias é!

Por isso não viu Jackson, em claríssimo fora de jogo, e que só não marcou porque não acertou com a baliza, naquele último lance da primeira parte… Não viu as inúmeras faltas de Lucho, Fernando e companhia. E às que viu não lhe viu gravidade para amarelar. Não viu o Mangala cortar a bola com a mão, dentro da área, mesmo à sua frente… Mas viu que toda gente viu que ele viu. E a partir daí…Não foi fazer bem sem olhar a quem. Foi fazer mal!

Eu compreendo, porque se fosse árbitro também não assinalaria nada contra o Benfica até perceber que tinha caído no exagero. A culpa não é dele. É de quem faz estas nomeações, que a toda gente pareceriam estranhas!

Um vintém é um vintém...

Por Eduardo Louro

 

Ontem escrevi aqui sobre aquilo a que chamei efeitos colaterais da morte de Eusébio, a propósito das desastradas declarações de Mário Soares. Que parecem ter dado o mote para a sucessão de disparates – que só não são tiros no pé porque nesta nossa miserável classe política já ninguém tem pé - que se viram e ouviram durante o dia de ontem.

A começar de novo por Mário Soares, que logo no dia seguinte – depois de casa roubada trancas na porta – se apressou a emendar o soneto na sua coluna no DN, dedicando em exclusivo a sua crónica a Eusébio, que rapidamente passou “a um patriota excepcional que fez tanto por Portugal e por Moçambique”.

À questão do Panteão Nacional ninguém resistiu. Logo que surgiu a ideia de que o destino dos restos mortais de Eusébio não podia ser outro que não aquele, foi um ver se te avias… Todos os líderes partidários desataram a correr para ver quem era primeiro a agarrar a ideia e a levá-la à Assembleia da República. Devem ter chegado todos ao mesmo tempo…

Assunção Esteves, a Presidente da Assembleia da República, achou que era ali, na hora, em pleno velório, que deveria pronunciar-se sobre o tema que tanto entusiasmara os seus deputados, pondo alguma água na fervura. Só que, não se sabe se simplesmente em maré de azar, ou se por manifestas dificuldades próprias da sua já longa condição de reformada, não teve mão na água e aquilo saiu pior que as ondas gigantes que então assolavam a costa portuguesa. Foi o despropósito total, não podia ter sido pior. Falou do que não devia e do que não sabia, e as centenas de milhares de euros, não eram afinal mais que escassas cinco dezenas, como o seu próprio gabinete teve de vir esclarecer. As parcerias que preconizou, e o apelo ao mecenato, só econtram paralelo no seu discurso do inconseguimento!

Nem Sócrates fugiu a mais um tesourinho deprimente, contando que o seu momento Eusébio acontecera a caminho da escola (onde fizeram uma festa), enquanto decorria o mítico Portugal - Coreia do Norte, no Mundial de 66, em Inglaterra. Que aconteceu às 15 horas de sábado, 23 de Julho de 1966, em plenas férias grandes escolares…

Adapatando de Manuel Machado: Um vintém é um vintém e um mentiroso é um mentiroso. Os cretinos é que são muitos!

Um efeito colateral, também lendo os outros...

Por Eduardo Louro

 

 

Mário Soares tem sido acusado por alguma imprensa de incontensão verbal, expressão do domínio do politicamente correcto. Fora desse domínio a expressão foi substituída por senilidade, arrogância, sectarismo, e até loucura.

A direita tem sido evidentemente mais cáustica, não lhe perdoando uma, e atirando-lhe directamente ao carácter. Percebeu-se que a esquerda se dividia entre os que reconheciam que o homem tinha ficado xé-xé, a não dizer coisa com coisa, e os que, esquecendo-lhe o passado, lhe aplaudiam o regresso à esquerda, imaginando-o a tirar da gaveta umas coisas que há muitos anos lá tinha metido.    

O que para a direita era uma questão de carácter e de princípios, era para a esquerda perdoável. Perdoável pela idade ou perdoável pelo pragmatismo dos fins justificarem os meios!

Um dos efeitos colaterais da morte de Eusébio, o mais colateral de todos, não tenho dúvidas, foi acabar com esta divisão entre os portugueses. Com as suas absurdas declarações a propósito da morte de Eusébio, Mário Soares acabou com esta divisão e uniu os portugueses. Infelizmente – especialmente para ele - à volta da ideia que dele fazia a direita!

“Num mar de declarações sentidas pela perda de um dos mais marcantes e famosos portugueses do séc. XX, sobressaiu o desastre proferido por Mário Soares, que destacou Eusébio como um "homem de pouca cultura", "que só percebia de futebol" e sobre o qual "não sabia estar doente", embora "soubesse que ele bebia whiskey todos os dias, de manhã e à tarde".

"Traduzindo, para Mário Soares, Eusébio era um bruto ignorante que sabia jogar bem à bola. Era um simples e modesto como compete aos inferiores de classe, e até comia (não almoçava, nem jantava, dadas as maneiras típicas daquela classe) nuns lugares onde ele Mário Soares almoçava e jantava. Agora não passava de um bêbado. E Mário Soares achava que gente daquela estirpe tinha um resistência fisica de um toiro e como tal, whisky de manhã à noite todos os dias não haveria de lhe fazer assim mal"

E torna tudo pior que Soares insulte no meio de outras palavras menos ofensivas e supostamente simpáticas, insultando em tom de quem elogia

Hoje, mesmo que haja quem simplesmente ache, embora defenda mal - muito mal - que “Mário Soares disse o óbvio”, poucos serão os portugueses que lhe desculpam o insulto com a senilidade. Hoje, grande parte dos portugueses acha que o que disse simplesmente “mostra bem o que é o homem”. “Alguém que não consegue conceber…que exista alguém maior que ele”. De “uma snobeira execrável”!

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics