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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O umbigo do Expresso

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Para o "Expresso", aos quarenta e seis anos de idade (parabéns pelo aniversário!), o que de mais importante aconteceu no país foi passar a ser distribuído dentro de um saco de papel.

Já conhecíamos a importância do saco no Expresso, desde que um seu antigo e conhecido director o apresentou como ideia genial. Como a sua impressão digital na grande revolução no negócio e na arte de fazer jornais, como uma descoberta só ao nível da de Gutenberg.

Agora, com o plástico a passar o testemunho ao papel, a actual direcção do jornal não fez menos. Foram duas semanas em que não falou de outra coisa. Duvido até que, lá para o final do ano, não venha a ser eleito pela Redacção como "acontecimento nacional do ano"...

 

Reacções

A primeira página do Expresso

 

A nomeação da PGR e a decisão de não reconduzir Joana Marques Vidal, ganhou durante o fim-de-semana o espaço mediático que porventura lhe terá faltado de imediato, como na altura aqui referi, com Passos Coelho a falar sozinho. Não quer dizer que tenha sido o único a verdadeiramente contar com aquilo, quer dizer é que, para poder estar na linha da frente, já tinha a carta escrita.

A maior responsabilidade por essa surpresa, e pela falta de reacção imediata, é bem capaz de caber ao Expresso, com aquela primeira página no fim-de-semana anterior, que dava por certa a recondução de Marques Vidal. Da mesma forma que lhe cabe também, e ao grupo de comunicação que integra, a maior fatia de culpa pelo pique mediático do tema no fim-de-semana, todo ele passado a limpar o espalhanço completo daquela primeira página no fim-de-semana anterior.  

Silenciados

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Uma jornalista maltesa - Daphne Caruana Galizia - que fazia parte do consórcio internacional de jornalistas Panama Papers, foi morta quando o carro que conduzia explodiu. A jornalista denunciava líderes políticos no seu blogue e chegou a acusar de corrupção o primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, e dois dos seus principais assessores. No início do ano chegara mesmo  a revelar a existência de documentos que provavam que a mulher do primeiro-ministro maltês era beneficiária de uma offshore no Panamá, com transações elevadas de dinheiro com contas bancárias no Azerbaijão.

Se calhar é por isso, com medo que algum carro um dia possa explodir que, por cá, o Expresso guardou na gaveta os "seus papéis do Panama". Já lá estão há quase dois anos. Aí não fazem mal a ninguém...

 

Já não há paciência...

Capa do Expresso

 

O Expresso - já é costume -  lançou a confusão. Uma vez lançada meteu-se a caminho, que palmilha a passo acelerado sem saber nem onde nem quando vai parar. 

Os mortos do Pedrogão eram mais, muitos mais que os 64 divulgados, começava o Expresso por adiantar. A direita entrou em êxtase. Passos nem cabia em si, profundamente convencido que é na desgraça que encontra a salvação. O governo escondia a lista oficial dos mortes porque, claro, numa lista é fácil contar.

Com a lista que o governo não quer divulgar, era canja: chegava-se aos 64 nomes e e a lista continuaria por ali baixo, alegre e contente, como se em vez de mortos estivéssemos a consultar uma lista de premiados da Santa Casa.

Então o Expresso tem  acesso à lista e conta, um a um. Dá 64. Não, esperem: dá 64 por causa dos critérios, que excluem as mortes indirectas. Fossem outros os critérios de lá teríamos de certeza muitos mais que os 64. Fossem outros os critérios e teriam contado com aquela mulher atropelada, a fugir do fogo. Fossem outros os critérios e, contando esta mulher, seriam 65. Muito mais que 64!

Acredito que haja quem ache isto interessante. Mas serão certamente (também) muitos mais os que já não têm paciência para isto...

O que parece, é!*

 

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Todos nos lembramos da revelação dos chamados Panama papers. Da autêntica “bomba” que foi anunciada, com o detonador nas mãos de dois jornalistas – um do Expresso, outro da TVI – rapidamente alcandorados à condição de heróis nacionais. Ou de vedetas, como facilmente acontece. 

Lembramo-nos como foram denunciados nomes da cena internacional, como surgiram os primeiros tímidos e mal amanhados desmentidos. Como, em poucos dias, o primeiro-ministro da Islândia – mais uma vez na Islândia – foi obrigado a demitir-se. Lembramo-nos que foi logo anunciado que, só à nossa conta, havia 240 nomes para denunciar, entre políticos, empresários e jornalistas. E lembramo-nos ainda que ficamos logo com a ideia que aquilo daria pano para mangas nas mãos do Expresso. Que iria fazer render o peixe, libertando nomes ao sabor das tiragens: a conta-gotas.

Três nomes na primeira semana, todos empresários, dois dos quais feitos comendadores pelo regime. Que logo negaram tudo, contra todas as evidências. Na semana seguinte, mais três nomes. De novo empresários. E de novo igualmente dois vultos da cidadania, feitos comendadores das mais distintas ordens. E na seguinte, à terceira, a torneira entupiu e não deixou cair mais uma gota que fosse. Nem Expresso, nem TVI, se importaram mais com o assunto. Em apenas três semanas uma lista com 240 nomes – de políticos, empresários e jornalistas – era encurtada para apenas seis. Sem políticos, e sem jornalistas. Só com comendadores!

Não sabemos, evidentemente, se a divulgação parou por aqui por ordem dos comendadores, se por ordem dos que entregam as comendas. Custa-nos acreditar que se tenha anunciado políticos e jornalistas por decisão comercial. Não nos custa nada acreditar que a torneira se tenha fechado por decisão editorial. Porque as coisas são o que são. Mas também o que parece que são!

E o que parece, e o que é, é que, nas off-shores, não se toca nem com uma flor. É que dá muito jeito que os impostos continuem a ser pagos pelos mesmos. Que nunca podem fugir.

Perdeu-se uma enorme oportunidade de fechar uma das maiores portas franqueadas à corrupção. Sobrepuseram-se deliberadamente, e mais uma vez, os ilegítimos interesses de alguns – poucos – aos legítimos interesses colectivos. Deu-se mais um golpe na democracia e no Estado de Direito. Lamentavelmente pela mão daquele que é tido pelo mais institucional dos órgãos de comunicação social em Portugal.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Secou!

Costa dá novos contratos para apaziguar Igreja e privados

 

Com a agitação desportiva do fim de semana até me esqueci de dizer que o conta gotas já esgotou. Se calhar não foi só o fim de semana desportivo que me fez não reparar que, à sexta semana, já não há gota que caia... É que a coisa acabou mesmo.

Secou de vez. Longe, muito longe das anunciadas centenas de pessoas... Sem chegar a jornalistas, políticos... E com muito pouca vergonha.

Conta gotas entupido

Expresso

Mais um sábado, mais uma edição do Expresso nas bancas, mais novidades a conta gotas do Panama Papers... Podia ser assim, começou a parecer que assim seria...

Mas nem assim é. É ainda pior. E depois de um arranque em modo comendadores de Cavaco, e dos anúncios bombásticos de "listas de várias páginas", com "mais de uma centena de nomes" que “incluem várias pessoas influentes”, “políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas”, nada!

Tudo contimua à volta do saco azul do BES. Dali não sai. Mesmo que de volta esteja mais um comendador de Cavaco, mesmo que Alexandre Relvas seja bem mais que isso. E mesmo que no fundo nem tenham - ele e o seu sócio Boutom - grande coisa a ver com a coisa.

De políticos e jornalistas ... nada. É pouco sério. E pouco ético. E é curioso que só o Miguel Sousa Tavares tenha reagido... 

 

Hoje é quinta-feira... Já é quinta-feira...

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Hoje é quinta feira. Os "Papéis do Panamá" começaram a ser revelados no domingo. Há muito tempo. Tanto que já um primeiro-ministro caiu: tempo suficiente para, na Islândia, o povo sair à rua a exigir a demissão do chefe do governo, o presidente resistir, o primeiro-ministro ser demitido e um novo ser nomeado e estar já em funções...

E no entanto, por cá, no que nos diz mais respeito, todos estes dias depois, sabemos o que sabíamos ao primeiro dia: 244 empresas, 23 clientes, 34 beneficiários e 255 accionistas. Sabemos isto, e nem sabemos o que é nada disto. 

Sabemos que, pela sua qualidade de membro do consórcio internacional que teve acesso aos ficheiros da Mossak Fonseca, o Expresso reserva para si o monopólio das notícias que respeitam a Portugal. E podemos até fazer um enorme esforço para perceber que, saindo a edição em papel ao sábado, o jornal entenda reservar as notícias para potenciar a tiragem e naturalmente as vendas. Mas é mesmo preciso fazer um esforço muito grande. Em primeiro lugar porque este é um tipo de conteúdo muito próximo - e próprio - das plataformas digitais. Em segundo porque, como de resto o Expresso anunciou em circunstâncias de alguma forma similares, a edição em papel privilegia o tratamento, mais que a simples divulgação da informação. E, por último, porque o tempo também mata a notícia, como se está a provar.

Torna-se por isso muito difícil de perceber as razões que poderão levar o Expresso a não soltar a informação do envolvimento português neste escândalo mundial. E quando mais difícil for perceber as coisas, mais fácil é especular sobre elas...

Hoje é quinta-feira. E o Presidente Marcelo reúne pela primaveira vez o Conselho de Estado. Pela primeira vez com um convidado especial. E que convidado: Mario Draghi, nem mais, nem menos!

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