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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Porta aberta e vergonhas à mostra

FECHE A PORTA PARA O DIABO | Teatro Cristão

 

Ao negociar com a extrema-direita o apoio parlamentar ao seu governo, nos Açores, o PSD abriu uma porta que, pela democracia e pela decência, teria de ser mantida fachada. 

Por essa porta não entrou apenas o Chega, à procura da normalidade e da legitimização pelo poder. Entrou também a miserável, absurda e indecente argumentação de alguns dos dirigentes do PSD. De Paulo Rangel ao líder Rui Rio. Bastaria que pensassem em tudo aquilo que nos molda como sociedade, que a extrema-direita renega. E como foram construídos e votados, ao longo dos anos da nossa democracia, os diplomas que dão corpo à maioria do tecido legislativo do Estado de Direito.

Misturar tudo e agitar bem funciona nalgumas receitas de culinária. O problema é que, na política, ainda é preciso adicionar aldrabice qb e umas pitadas de descaramento. Sem vergonha, de preferência.

 

 

 

Medos*

Os 10 medos mais comuns da humanidade

 

Começa a ficar consensual que entramos na temida segunda vaga da epidemia. Os números, de infecções e de óbitos, mesmo que mais os primeiros, voltaram a disparar e confirmam que o que se está a passar já é diferente do que aconteceu entre o primeiro e o segundo trimestre do ano.

Em Espanha, em França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha ou em Portugal, com maior gravidade, como em Espanha, ou menor, como na Alemanha, o vírus não dá tréguas. É justamente um virologista alemão, cientista de referência e assessor do governo para a covid-19, que adverte que a verdadeira pandemia está agora a chegar.

A isto acresce a chegada da gripe sazonal, aí à porta por força do calendário. Mas acresce sobretudo a realidade nas suas múltiplas dimensões. Não é mais possível responder com a resposta dada há seis meses. Não é económica nem socialmente possível voltar ao confinamento de então. As economias não o suportam. E as pessoas já nem sequer suportam medidas restritivas, como se vê por estes dias em Espanha e em França. Pelo contrário, reclamam mais abertura, Nem é garantido que dispúnhamos de melhores condições de saúde, como em Portugal garantem as entidades oficiais. Antes pelo contrário, provavelmente.

É certo que há hoje maior conhecimento do vírus, e mais algumas certezas médicas. Mas a resposta dos profissionais de saúde, que por todas as latitudes emocionou o mundo, não é uma experiência repetível. E em Portugal, por múltiplas e diversas razões, que vão dos bloqueios nas estruturas organizacionais dos serviços de saúde, à falta de reconhecimento dos profissionais, não o é. De todo!

Quando os registos da epidemia já contam com um milhão de mortos e 32 milhões de infectados, é verdadeiramente dramático nestas condições admitir que a verdadeira pandemia possa estar agora a chegar.

Há uma boa notícia no meio de tudo isto. Nas eleições locais e regionais em Itália, no início da semana, a extrema-direita xenófoba sofreu um forte revés. Dizem os estudiosos da matéria porque, justamente, as pessoas perceberam que é aqui que está a razão para ter medo. E que o que os extremistas agitam são falsos medos com que querem apenas espalhar o ódio.   

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

A desinformação

SIC exibe capa falsa no Jornal da Noite e "obriga" Clara de Sousa a pedir  desculpa - A Televisão

Sabemos como Putin interferiu na eleição de Trump, há quatro anos. Sabemos que criou a IRA, uma agência de espionagem para interferir nas redes sociais, criar sites de notícias falsas e veículos de circulação de fake news e desinformação. Sabemos - divulga-o, mesmo a sério, o New York Times - que continua  a fazê-lo na campanha eleitoral em curso. 

E sabemos como são essas as àguas de Trump, que consegue mentir descaradamente sem qualquer espécie de dificuldade, com performances verdadeiramente impressionantes: em cada dez afirmações que faz, oito ou são completamente falsas, ou contêm falsidades pelo meio, ou partem de premissas falsas.

Sabemos como foi também assim com Bolsonaro, no Brasil. E que é assim, de uma forma geral, que a extrema-direita vem fazendo o seu caminho pelo mundo fora. Também cá, em Portugal.

Os exemplos engrossam diariamente, e cada vez mais grosseiros. Já nem sequer têm mínimas preocupações de credibilidade, as mentiras mais incríveis passam da mesma forma, já que não há qualquer tipo de crivo. Ainda há poucos dias foi a notícia de que um vídeo alusivo às festas de Nossa Senhora da Agonia teria sido proibido por alegadas denúncias de racismo. Não fazia o menor sentido, e o vídeo fora apenas retirado do facebook por questões de propriedade, de direitos de autor. Mas logo alguém ali viu a oportunidade para encher as redes sociais de ataques ao movimento anti-racista, com o conhecido eurodeputado Nuno Melo a correr para o Twitter a soltar os cães. 

Ontem a SIC deu-nos mais um exemplo de como o "Jornalismo" desactivou todos os filtros e corre atrás da primeira coisa que lhe ponham à frente. 

No Jornal da Noite, apresentado por Clara de Sousa, a SIC seguiu uma montagem que falseava uma primeira página do New York Times que dramatizava como um suicídio colectivo a festa do Avante. A própria jornalista, no decurso do mesmo programa, faria o desmentido e apresentaria desculpas. Nada que no entanto impedisse Rui Rio de usar a mesma notícia falsa para lançar na televisões o alarme do efeito internacional do assunto mais importante deste Verão para a direita. 

É assim que as coisas estão a acontecer. Primeiro lança-se a mentira, depois dá-se-lhe gás e propaga-se à velocidade da luz. E depois, as instituições que lá deveriam estar para as travar, limitam-se a correr atrás delas...

 

Pólvora seca

 

A apregoada manifestação da extrema direita, essa maioria silenciosa sempre adiada, não passou de um mini-comício de André Ventura, aliviado por não ter descido a Avenida da Liberdade sozinho.

Encher as redes sociais de perfis falsos a replicar boatos e palavras de ordem é fácil. Difícil é transformá-los em gente e levá-los para a rua. Mas, para quem foi projectado no PSD, e moldado por Passos Coelho, dá sempre jeito citar Sá Carneiro para esconder o fracasso: “Hoje já somos muitos, amanhã seremos milhões”. Perfis de facebook, claro!

Mais uma voltinha ...

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Diz hoje o jornal i que André Ventura prepara candidatura a Belém. É bem capaz de ser verdade, e não é sequer grande surpresa. A exposição mediática que uma candidatura presidencial sempre promove não é negligenciável. É mais uma oportunidade para lavrar terreno fértil para o populismo que personifica e para o terrorismo verbal que adoptou como forma de fazer política. E para germinarem as ideias que não tem (não tem uma única ideia estruturada), mas que toda a gente acha que tem.

É uma espécie de "mais uma voltinha, mais uma viagem"...

 

As contas furadas de Salvini... E de André Ventura!

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Matteo Salvini, essa "lufada de ar fresco" que enche os pulmões desse vulto da extrema-direita apadrinhado por Passos Coelho, que responde (quando responde, quando o cheque da CMTV para os incendiários da bola não fala mais alto) pelo nome de André Ventura, está a tentar fazer o que a História mostra que fazem sempre os populistas com aspiração a ditadores: apanhar uma boleia para o poder e, uma vez lá, apear quem o levou e instalar-se sozinho. 

Para já as coisas não lhe estão a sair exactamente como esperava. Não estão a ser favas contadase o desejo expresso do líder do Chega (ou será que é Basta?) de que "Salvini se torne primeiro-ministro e corra com esta corja de mariquinhas da União Europeia", não parece fácil de concretizar. Pelo menos de imediato. Vai ter de esperar mais uns dias, ou uns meses... Ou pode até ser adiado sine die!

PS: A foto, de autor não identificado, é apenas para ilustrar o bronze que o separa de Richard Gere.

Cumprir e fazer cumprir a Constituição

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A Constituição da República Portuguesa, no capítulo que dedica aos direitos, liberdades e garantias pessoais dispõe, no seu artigo 46ª  (liberdade de associação), que "os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal" e que (número 4) "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista".

Está anunciada para o próximo sábado, em Lisboa, uma reunião internacional de extrema-direita que, pelos nomes divulgados, incluindo o do português Mário Machado, dado por organizador, junta organizações inequivocamente racistas que, inequivocamente perfilham a ideologia fascista. 

A sociedade civil tem vindo a alertar para o fenómeno, e está até preparada uma manifestação de protesto para o Rossio, em Lisboa. Do governo e do Presidente da República (bom, já disse alguma coisa, sem que tivesse dito coisa alguma, como também não é novidade), nem uma palavra. O que não quer dizer que estejam a andar mal, ou que não esteja a ser feito o que tem de ser feito. Ninguém esperaria palavra nenhuma, e provavelmente o melhor será mesmo ficarem calados. A única atitude que se espera, e que se exige, é que façam cumprir a Constituição da República. Que prometeram cumprir e fazer cumprir, num juramento que não pode ser simples ritual!

Tão simples quanto isso. Ninguém espera palavras de condenação do Presidente da República, nem ver o primeiro-ministro a rasgar as vestes. Espera-se apenas que façam cumprir a lei, impedindo a realização desse evento, e deixando ao mundo um apontamento de dignidade.

Tudo o que não seja isto é apenas imperdoável. E vergonhoso!

 

Não. Não é necessário!

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Não é novidade, já toda a gente o sabe, que a extrema-direita populista, xenófoba e racista utiliza como ninguém as redes sociais para dolosamente veicular notícias falsas, de que criminosamente pretende tirar proveito. Aconteceu assim em Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil. E acontece assim por toda a União Europeia.

Em Portugal, essa extrema-direita, mesmo que continue - felizmente - sem conseguir passar da mínima expressão, sabe que é isso que se faz. Mas são tão grunhos que nem isso sabem fazer. Nem sabem apertar a máscara, que acaba por cair de imediato. Sem noção do ridículo... 

O PNR criou perfis falsos de inventados militantes negros do Bloco de Esquerda para tentar justificar a sua utilidade política. Não se quis dar a grande trabalho, e utilizou a fotografia que tinha mais à mão, que por acaso era do cantor angolano C4 Pedro. E acabou por não conseguir mais que demonstrar a sua inutilidade, já que a sua falta de inteligência, essa, há muito que está provada. 

Não, não é necessário!

 

 

Pragmatismo Chocante*

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A notícia surgiu no início da semana, e contava que na Alemanha, em tempo de afirmação da extrema-direita, com grandes colunas de militantes nazis a apossarem-se da rua, uma mulher acabara de criar um partido político de esquerda que se colocava ao lado dos nazis, contra a imigração.

Assim, sem mais nem menos. Mesmo para chocar, como hoje se fazem as notícias.

Fui procurar-lhe os contornos e descobri que a senhora, Sahra Wagenknecht, era deputada do partido de esquerda "Die Linke" (que quer exactamente dizer “A Esquerda”), que fundara com o seu marido, Oscar Lafontaine, depois deste ter abandonado o Partido Social-Democrata (SPD) em 2007, em rotura com Gerhard Schröder, e que, na verdade, não tinham formado outro partido.

Mantêm-se no partido, e formaram sim um movimento, a que chamaram "Aufstehen"  (“Levantar-se”, em português), tão ou mais à esquerda que o seu partido – revelam mesmo como referência o “Podemos”, de Espanha, ou  “A França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon – mas defendendo uma política mais dura contra os imigrantes, em oposição às fronteiras abertas e ao acesso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão. E explicam que é uma reação à “emigração” dos eleitores do seu partido (o tal “A Esquerda”) para o partido de extrema-direita, o AfD. Que nas últimas eleições parlamentares lhes teria roubado pelo menos 400 mil eleitores!

Como notícia, poderá até ficar menos chocante. Chocante, mais chocante mesmo, é este pragmatismo!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

Os motards

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Ouvi a notícia pela primeira vez na Antena 1, a meio da tarde de sábado, dando conta que um gangue de "motards", armado de facas, paus e martelos, invadiu um restaurante no Prior Velho para um ajuste de contas com um gangue rival, fugindo depois de deixar um rasto de violência e pelo menos três feridos graves.

Há gangues em Portugal. E muitos. E há motards, uns mais e outros menos ortodoxos. Mas, de gangues de motards em Portugal é que, francamente, eu não tinha conhecimento. Mas se calhar há - pensei para os meus botões.

À noite, numa televisão, vi as imagens, sem prestar muita atenção. De repente, com um indivíduo rua abaixo a berrar que aquilo não ficaria assim, e "que se estava apenas no intervalo do filme". a reportagem agarra-me. De uma primeira sensação de "conheço esta cara", à sua completa identificação, foram uns centésimos de segundo: era Mário Machado. Que até pode ser motard, mas que não é daí que é conhecido. É antes conhecido pela cara da extrema direita, sucessivamente acusado e condenado pelos mais variados crimes de racismo e xenofobia.

A comunicação social, entre ela a pública, entendeu esconder uma guerra entre gangues rivais de extrema direita. E para isso inventou gangues de motards. Já nem se estranha muito a comunicação social, mas que é de estranhar o silêncio dos motards portugueses, se calhar, é!

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