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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pólvora seca

 

A apregoada manifestação da extrema direita, essa maioria silenciosa sempre adiada, não passou de um mini-comício de André Ventura, aliviado por não ter descido a Avenida da Liberdade sozinho.

Encher as redes sociais de perfis falsos a replicar boatos e palavras de ordem é fácil. Difícil é transformá-los em gente e levá-los para a rua. Mas, para quem foi projectado no PSD, e moldado por Passos Coelho, dá sempre jeito citar Sá Carneiro para esconder o fracasso: “Hoje já somos muitos, amanhã seremos milhões”. Perfis de facebook, claro!

Mais uma voltinha ...

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Diz hoje o jornal i que André Ventura prepara candidatura a Belém. É bem capaz de ser verdade, e não é sequer grande surpresa. A exposição mediática que uma candidatura presidencial sempre promove não é negligenciável. É mais uma oportunidade para lavrar terreno fértil para o populismo que personifica e para o terrorismo verbal que adoptou como forma de fazer política. E para germinarem as ideias que não tem (não tem uma única ideia estruturada), mas que toda a gente acha que tem.

É uma espécie de "mais uma voltinha, mais uma viagem"...

 

As contas furadas de Salvini... E de André Ventura!

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Matteo Salvini, essa "lufada de ar fresco" que enche os pulmões desse vulto da extrema-direita apadrinhado por Passos Coelho, que responde (quando responde, quando o cheque da CMTV para os incendiários da bola não fala mais alto) pelo nome de André Ventura, está a tentar fazer o que a História mostra que fazem sempre os populistas com aspiração a ditadores: apanhar uma boleia para o poder e, uma vez lá, apear quem o levou e instalar-se sozinho. 

Para já as coisas não lhe estão a sair exactamente como esperava. Não estão a ser favas contadase o desejo expresso do líder do Chega (ou será que é Basta?) de que "Salvini se torne primeiro-ministro e corra com esta corja de mariquinhas da União Europeia", não parece fácil de concretizar. Pelo menos de imediato. Vai ter de esperar mais uns dias, ou uns meses... Ou pode até ser adiado sine die!

PS: A foto, de autor não identificado, é apenas para ilustrar o bronze que o separa de Richard Gere.

Cumprir e fazer cumprir a Constituição

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A Constituição da República Portuguesa, no capítulo que dedica aos direitos, liberdades e garantias pessoais dispõe, no seu artigo 46ª  (liberdade de associação), que "os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal" e que (número 4) "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista".

Está anunciada para o próximo sábado, em Lisboa, uma reunião internacional de extrema-direita que, pelos nomes divulgados, incluindo o do português Mário Machado, dado por organizador, junta organizações inequivocamente racistas que, inequivocamente perfilham a ideologia fascista. 

A sociedade civil tem vindo a alertar para o fenómeno, e está até preparada uma manifestação de protesto para o Rossio, em Lisboa. Do governo e do Presidente da República (bom, já disse alguma coisa, sem que tivesse dito coisa alguma, como também não é novidade), nem uma palavra. O que não quer dizer que estejam a andar mal, ou que não esteja a ser feito o que tem de ser feito. Ninguém esperaria palavra nenhuma, e provavelmente o melhor será mesmo ficarem calados. A única atitude que se espera, e que se exige, é que façam cumprir a Constituição da República. Que prometeram cumprir e fazer cumprir, num juramento que não pode ser simples ritual!

Tão simples quanto isso. Ninguém espera palavras de condenação do Presidente da República, nem ver o primeiro-ministro a rasgar as vestes. Espera-se apenas que façam cumprir a lei, impedindo a realização desse evento, e deixando ao mundo um apontamento de dignidade.

Tudo o que não seja isto é apenas imperdoável. E vergonhoso!

 

Não. Não é necessário!

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Não é novidade, já toda a gente o sabe, que a extrema-direita populista, xenófoba e racista utiliza como ninguém as redes sociais para dolosamente veicular notícias falsas, de que criminosamente pretende tirar proveito. Aconteceu assim em Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil. E acontece assim por toda a União Europeia.

Em Portugal, essa extrema-direita, mesmo que continue - felizmente - sem conseguir passar da mínima expressão, sabe que é isso que se faz. Mas são tão grunhos que nem isso sabem fazer. Nem sabem apertar a máscara, que acaba por cair de imediato. Sem noção do ridículo... 

O PNR criou perfis falsos de inventados militantes negros do Bloco de Esquerda para tentar justificar a sua utilidade política. Não se quis dar a grande trabalho, e utilizou a fotografia que tinha mais à mão, que por acaso era do cantor angolano C4 Pedro. E acabou por não conseguir mais que demonstrar a sua inutilidade, já que a sua falta de inteligência, essa, há muito que está provada. 

Não, não é necessário!

 

 

Pragmatismo Chocante*

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A notícia surgiu no início da semana, e contava que na Alemanha, em tempo de afirmação da extrema-direita, com grandes colunas de militantes nazis a apossarem-se da rua, uma mulher acabara de criar um partido político de esquerda que se colocava ao lado dos nazis, contra a imigração.

Assim, sem mais nem menos. Mesmo para chocar, como hoje se fazem as notícias.

Fui procurar-lhe os contornos e descobri que a senhora, Sahra Wagenknecht, era deputada do partido de esquerda "Die Linke" (que quer exactamente dizer “A Esquerda”), que fundara com o seu marido, Oscar Lafontaine, depois deste ter abandonado o Partido Social-Democrata (SPD) em 2007, em rotura com Gerhard Schröder, e que, na verdade, não tinham formado outro partido.

Mantêm-se no partido, e formaram sim um movimento, a que chamaram "Aufstehen"  (“Levantar-se”, em português), tão ou mais à esquerda que o seu partido – revelam mesmo como referência o “Podemos”, de Espanha, ou  “A França Insubmissa”, de Jean-Luc Mélenchon – mas defendendo uma política mais dura contra os imigrantes, em oposição às fronteiras abertas e ao acesso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão. E explicam que é uma reação à “emigração” dos eleitores do seu partido (o tal “A Esquerda”) para o partido de extrema-direita, o AfD. Que nas últimas eleições parlamentares lhes teria roubado pelo menos 400 mil eleitores!

Como notícia, poderá até ficar menos chocante. Chocante, mais chocante mesmo, é este pragmatismo!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

Os motards

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Ouvi a notícia pela primeira vez na Antena 1, a meio da tarde de sábado, dando conta que um gangue de "motards", armado de facas, paus e martelos, invadiu um restaurante no Prior Velho para um ajuste de contas com um gangue rival, fugindo depois de deixar um rasto de violência e pelo menos três feridos graves.

Há gangues em Portugal. E muitos. E há motards, uns mais e outros menos ortodoxos. Mas, de gangues de motards em Portugal é que, francamente, eu não tinha conhecimento. Mas se calhar há - pensei para os meus botões.

À noite, numa televisão, vi as imagens, sem prestar muita atenção. De repente, com um indivíduo rua abaixo a berrar que aquilo não ficaria assim, e "que se estava apenas no intervalo do filme". a reportagem agarra-me. De uma primeira sensação de "conheço esta cara", à sua completa identificação, foram uns centésimos de segundo: era Mário Machado. Que até pode ser motard, mas que não é daí que é conhecido. É antes conhecido pela cara da extrema direita, sucessivamente acusado e condenado pelos mais variados crimes de racismo e xenofobia.

A comunicação social, entre ela a pública, entendeu esconder uma guerra entre gangues rivais de extrema direita. E para isso inventou gangues de motards. Já nem se estranha muito a comunicação social, mas que é de estranhar o silêncio dos motards portugueses, se calhar, é!

Até "plágio" é eufemismo

 

 

 

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Marine Le Pen plagiou um discurso de Fillon, de há duas semanas apenas. Plágio é plágio. Não é copiar, é roubar. Copiar é "citar", é subscrever.

A candiata da extrema direita racista, para conquistar os votos da direita ali ao lado, os 20% de Fillon da primeira volta, tem todo o direito de repescar ideias do derrotado candidato da direita francesa (e da portuguesa, como por aqui se tem visto). Não pode é pegar no seu discurso e repeti-lo, palavra por palavra, como sendo seu. Quentinho, acabadinho de sair.

Plágio é isso, é roubar para enganar. É dois em um. Depois ... sorrir e dizer que é apenas um piscar de olho é ... não ter vergonha na cara.

Não é a primeira vez que a extrema direita é apanhada com a boca n(est)a botija. Ainda temos bem fresca na memória a imagem da Srª Trump, durante a campanha paras as últimas presidenciais americanas, a repetir um discurso de Michelle Obama, palavra por palavra.

A extrema direita é mesmo muito pobre: sem ideias e sem criatividade. E muito reles: sem vegonha!

Aqui, até "plágio" é eufemismo.

Pontapé de saída

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Foi dado na Holanda o pontapé de saída para um intenso ciclo eleitoral na Europa. Há muito que 2017 estava anunciado como provavelmente o mais decisivo ano político deste século.

Depois do Brexit, e depois da incrível eleição de Trump na América, receava-se uma marcha galopante do ideário populista, nacionalista e xenófobo por esta Europa fora, porventura capaz de fazer abanar seriamente todas as suas estruturas.

Por isso, as eleições na pequena, embora central, Holanda, que noutras circunstâncias não conseguiriam suscitar grandes entusiasmos, ou grandes preocupações tornaram-se de repente no centro das atenções na Europa. Por isso, e especialmente por serem as primeiras, mas também por terem sido apimentadas por Erdogan, o também populista e ditador turco que decidiu estender a sua estratégia de eternização no poder à sua diáspora na Europa.

Afinal a anunciada como inevitável vitória da extrema-direita de Geert Wilders não aconteceu. Nem nada que se parecesse! O primeiro-ministro Mark Rutte, que na campanha eleitoral nem sequer se distinguiu muito do perigoso Wilders, mesmo perdendo muitos eleitores, ganhou. Com 20%, foi o mais votado.

Não sei se a Europa pode respirar de alívio. Quando a alternativa a Wilders – e não digo ao partido de Wilders porque o partido é ele próprio – é uma direita que praticamente replica as suas teses, não dá para grande tranquilidade. Quando o rosto da social-democracia – na Holanda são Trabalhistas, na coligação de governo, e foram os grandes derrotados – é aquele senhor que chefia o euro grupo – e que agora, deixando de ser ministro, vai deixar de chefiar - cujo nome se pode escrever mas não se consegue ler (Jeroen Dijsselbloem), não pode haver razões para grandes optimismos.

Optimismo só mesmo com o voto jovem, fortemente mobilizado. E com a forte participação eleitoral, com números que nos deixam a roer de inveja: 80%. É que facilitar a vida às pessoas na hora de votar também ajuda muito. As pessoas podem votar em qualquer lado, há até assembleias de voto móveis. E houve até uma região com 115% de votantes: isso mesmo, lá votou muito mais gente do que lá vive. É a principal zona de férias da Holanda!        

Fruta da época

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Confesso que me senti claramente em contramão quando aqui defendi que o cancelamento da conferência da rapaziada da Nova Portugalidade e do Jaime Nogueria Pinto - a que juntei o do livro do José António Saraiva, mas esse não é, agora, para aqui chamado - não era um acto de censura.

Recordo que na altura escrevi que ali não havia debate. "Há - ou pode haver - outra coisa qualquer. Que poderá ter desencadeado outra coisa qualquer, eventualmente cheia de coisas condenáveis, mas que não é censura. Arranjem-lhe outro nome, censura é outra coisa"!

São hoje claras as coisas que ali havia. Está hoje claro e provado que se tratou de mais uma campanha de publicidade da mesma extrema direita de sempre, para dar a conhecer um novo nome, a sugerir mais uma organização, como os rapazes da Nova Portugalidade deixaram demonstrado nas redes sociais através das mensagens de parabéns pelo sucesso que trocaram entre si. E é hoje ainda mais claro como, sempre que a oportunidade lhe surge, Jaime Nogueira Pinto deixa que o pé lhe fuja para o chinelo. 

A mensagem que o Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova enviou aos docentes, funcionários e alunos esclarece o resto. Inclusive o papel de Jaime Nogueira Pinto, que depois de concordar com a decisão foi a correr para televisões e jornais denunciar o vil acto de censura!

Não me regozijo por, tendo estado em contramão, estar afinal no sentido certo. Mas não posso deixar de salientar a forma como o politicamente correcto tomou conta do debate público à esquerda, torvando-lhe o sentido crítico. Não sei se é fruto da época, se é simplesmente fruta da época...

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