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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A França já é mais um problema

França. Projeções colocam Reagrupamento Nacional em vantagem na primeira  volta das eleições antecipadas

Conforme tudo apontava, a extrema direita ganhou a primeira volta das eleiçoes legislativas em França, que Macron, na sequência de idêntico resultado nas Europeias, decidiu antecipar. Sem que antecipasse nada de novo!

Na segunda volta, no próximo domingo, vão ser todos contra Marine le Pen e seus sucedãneos. O que não quer dizer que todos alinhem com esse todo. Seráo esses, os que, não querendo alinhar se sentirão tentados a mudar de barricada, que decidirão tudo. E poderão tornar a França em mais um problema para a Europa. E para o mundo!

 

 

Euro 2024 - II

Mbappe: “PSG told me with violence that I was not going to play again this  season” - Managing Madrid

No "pré-match" da estreia da França neste Euro 24, Mbappé decidiu não falar de futebol. Não falou do jogo, sobre o qual era suposto que dissesse aquelas banalidades que é costume os jogadores dizerem naquelas circunstâncias.

Falou - e bem - do país que representa, e do que lá se passa. E irá passar, com eleições (primeira volta) no fim deste mês, bem antes de ele, e os seus colegas, regressarem a casa. Falou dos valores que estão em risco, e apelou ao voto dos da sua geração para os defender. Falou do respeito e da tolerância que sabe estarem em causa com a vitória da extrema-direita que as sondagens anunciam. Como já tinham falado Marcus Thuram e Dembelé.

A UEFA não gostou. Não gosta desta coisas. Nem gosta que as estrelas do futebol se envolvam em assuntos para que não são chamados. Acha que lhes deve bastar que ganhem muito dinheiro. 

Não surpreende. Quem conhece as linhas com que se cosem as altas estruturas do futebol sabe que é assim. O que surpreende é que no seu próprio país tenha havido muita gente a não gostar. 

Já por cá, a preocupação da rapaziada que ganha a vida a comentar estas coisas da bola era a medida em que aquilo prejudicava a concentração da equipa.

Já devem estar descansados. Os franceses nunca se desconcentraram e ganharam, com um auto-golo austríaco. Mbappé partiu o nariz, e poderá vir a ficar de fora do(s) próximo(s) jogo(s). Nada que lhe retire o estatuto de principais favoritos. 

Com aqueles jogadores nem precisam de treinador. Ao contrário dos ingleses. E se calhar também dos portugueses, logo veremos. Que selecções seriam estas duas nas mãos do suíço Murat Yakin, ou do alemão Ralf Rangnick, que já mostraram que fazem da selecções que treinam (Suíça e Áustria) equipas de futebol de autor?

E tudo o resto ficou de pé

Meteorito pintou o céu de Portugal de verde e azul. As imagens são  incríveis – NiT

Um helicóptero caiu nas montanhas fronteiriças com o Azerbaijão, daí resultando a morte do presidente do Irão (e do ministro da defesa). Os governantes de Israel apressaram-se a dizer que não tinham nada a ver com aquilo, e acreditamos que desta vez estejam a falar verdade.

Um meteorito passou por aqui a velocidade vertiginosa, e ainda não percebi se caiu no Atlântico se em Castro de Aire. 

O Presidente da Assembleia da República achou que o André Ventura pode dizer lá mesmo tudo o que lhe apetecer, sem que isso lhe mereça qualquer reparo, porque a liberdade também serve para publicamente, “difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua origem étnico-racial, origem nacional ou religiosa, cor, nacionalidade, ascendência", por acaso crimes punidos por lei da Instituição a que preside. Por acaso  numa reunião extraordinária - se não estou enganado a primeira em cinquenta anos de democracia - destinada a responsabilizar o Presidente da República pelo crime de traição à pátria. Por acaso, armado em campeão da liberdade de expressão, freneticamente aplaudido pelos 50 deputados que desencadearam um processo criminal para condenação do Presidente da República por delito de opinião.

E o mesmo que acusa o Presidente de traição à pátria, e gratuitamente injuria pessoas pela nacionalidade, foi a Madrid, à convenção de um partido que celebra a "hispanidade" ibérica, e ostenta um mapa que elimina Portugal, declarar-se - em "portuñol", ao lado de parceiros como o senhor Milei, ou a senhora Le Pen, a expressarem-se nas suas línguas - o próximo primeiro-ministro do país. 

E foi assim este fim de semana, em que só caiu um helicóptero e um meteorito. Tudo o resto ficou de pé!

 

 

Sebastianismo, quixotismo e oportunismo

Passos Coelho pede “sinal forte” e entendimentos para responder aos que  votaram desiludidos | Contacto

O papel de actor principal de Passos Coelho na apresentação daquela coisa menor que não passa de uma colectânea de aberrações a que deram o banal nome de “Identidade e Família”, não tem relação com qualquer espécie de coerência ideológica entre o protagonista e as aberrações. Há uns anos - décadas - Passos Coelho liderou a JSD que, no Parlamento, promoveu e fez avançar, alguma vezes em confronto com a linha oficial do partido, boa parte das iniciativas de progresso civilizacional que agora são objecto das aberrações por que dá a cara.

Tem apenas a ver com oportunismo. O oportunismo a que ontem aqui se referia o último parágrafo, mas ainda o seu oportunismo pessoal. Passos Coelho não é a figura que dele alguns querem fazer, é simplesmente um oportunista. Que o momento do país seja difícil, que as dificuldades do que ainda diz ser o seu partido sejam grandes para assegurar a governação, ou que o foco político devesse estar na apresentação do programa do governo, não lhe interessa nada. Interessa-lhe apenas o que tem a retirar em proveito próprio deste momento. E isso, entende ele, é muito, e serve-lhe de qualquer forma: serve-lhe para o imediato, se o governo cair, na oportunidade de encabeçar uma frente a federar a extrema direita num novo governo; e serve-lhe a curto prazo, na oportunidade da candidatura à Presidência da República.

Não foi por acaso que ele próprio formulou a primeira, e André Ventura a segunda.

A moda italiana

Itália: partido pós-fascista de Giorgia Meloni vence eleições na Itália |  Mundo | G1

Sem surpresa - todas as sondagens, há muito, o davam por certo - o partido de extrema-direita "Irmãos de Itália" ganhou a eleições italianas, e Giorgia Meloni, a discípula de Steve Bannon, será a primeira mulher a chefiar um governo em Itália.

Ainda não são conhecidos os resultados finais oficiais, mas deverão desviar-se muito dos apontados 26% ao partido da seguidora de Mussolini que, somados aos 8,9%, de Matteo Salvini - da Liga, antes Liga do Norte, até aqui o principal rosto da extrema direita italiana -, e aos 8% da Força Itália, de Silvio Berlusconi, garantem a maioria absoluta e a governação à extrema direita, e mais uma dor de cabeça para a Europa.

Depois da Hungria e da Polónia, agora a Suécia e a Itália. Depois, provavelmente, a França. E eventualmente a Espanha ... neste processo de normalização da extrema-direita há muito em curso, que culmina no rótulo de "centro-direita" que todos os media colaram a este resultado eleitoral em Itália.

Na maioria dos jornais e televisões em Portugal (ainda não vi o que vai pela Europa e pelo mundo) a notícia é que o "centro-direita" ganhou em Itália. Alguns - poucos - lá introduzem a expressão "extrema" para classificar a solução vencedora como coligação de centro e extrema-direita. Não nos dizem onde encontram o centro na tríade Meloni, Salvini e Berlusconi, e apressam-se a revelarem-nos uma Giorgia Meloni inteligente, capaz, moderada e tolerante. Quando nem um só desses atributos nos salta à vista.

A globalização, a descrença nas instituições e a desilusão com os políticos que as dirigem, lavraram o campo para a extrema-direita. A guerra e a inflação fertilizaram-no, e agora é vê-la crescer.

No passado não se soube, ou não se quis, mondá-la. Isolá-la. Agora normaliza-se a partir de Itália. E sabe-se do potencial da moda italiana!

 

Eleições em França

Expresso | Eleições em França: votaram 38% dos eleitores a meio da tarde,  sem atingir recorde de abstenção

Macron, reeleito há dois meses, perdeu a maioria parlamentar nas eleições de ontem, onde a abstenção continua a medrar, e a extrema direita saltou para resultados históricos. Ontem, na segunda volta das legislativas francesas, a abstenção passou dos 54%, e o partido de Marine Le Pen passou de 8 para 89 deputados, tornando-se na terceira força política no Parlamento, e no maior partido da oposição.

A coligação "Ensemble", de Macron, elegeu 245 deputados, e ficou a 44 da maioria que lhe permitiria governar sem grande sobressaltos. Assim, não terá tarefa fácil. 

Com 144 deputados eleitos, menos 101 mas a apenas 20 mil votos da coligação de Macron, a aliança de esquerda NUPES (Nova União Popular Ecológica e Social), liderada por Jean-Luc Mélenchon, que reúne o seu partido - "La France Insoumise" - Socialistas, Comunistas e Verdes, foi a segunda força mais votada.  

Macron não vai ter vida fácil. Depois do abalo que destruiu os partidos do sistema de todo o pós-guerra, o xadrez político francês voltou a sofrer novo terramoto. E a tendência de crescimento da extrema direita na Europa recebeu mais um impulso.

Pneumonia em França?

Sondagens: Macron e Le Pen disputam segunda volta das presidenciais

(Photo by Nicolas TUCAT / AFP)

 

Aproxima-se o dia das decisões em França. É já no próximo domingo que os franceses vão decidir entre Macron e Marine Le Pen, pela segunda vez consecutiva.

Macron parte com ligeira vantagem nas sondagens. Os quatro pontos percentuais de vantagem cabem dentro da margem de erro das sondagens, pelo que não está garantido que a França resista - continue a resistir - à tentação extremista, nacionalista e populista. Esta situação já se repetiu em eleições anteriores, com o pai, Jean Marie, e Jacques Chirac, em 2002, e com estes mesmos protagonistas, há cinco anos. 

Nunca foi difícil congregar os votos no protagonista do regime para impedir o acesso da extrema direita francesa à presidência. Da última, há cinco anos, Macron acabou por ganhar com  larga margem,  2/3 da votação do eleitorado. Desta vez é diferente, e pode mesmo dizer-se que a única vantagem de que Macron desfruta é a das sondagens.

Macron não destruiu apenas o xadrez partidário de França, tornando irrelevantes todos os partidos clássicos do sistema, e reduzindo à insignificância a direita democrática e o gaulismo, em particular, que dominou a cena política francesa do pós-guerra, e o centro esquerda socialista, com quem passou a dividir o poder a partir da eleição de Miterrand, em 1981. Depois de dinamitar o sistema partidário francês, Macron dinamitou os pontos de equilíbrio da sociedade francesa, e radicalizou-a.

O inorgânico movimento dos coletes amarelos, o maior conflito na sociedade francesa desde o Maio de 68, foi a expressão dessa rotura. Macron criou "duas Franças" e foi presidente de apenas uma delas. Não soube ser o presidentes de todos os franceses, afastou-se das classes populares e tornou-se no mais impopular dos Chefes de Estado das últimas largas décadas. Quando assim acontece o crescimento dos extremos torna-se inevitável.

Cresceu a extrema-direita, não que Marine Le Pen tivesse crescido tanto assim, mas porque cresceu em representação, com três candidaturas, onde se incluiu Eric Zemmour, com a quarta maior votação da primeira volta.Cresceu a esquerda mais à esquerda, com Jean-Luc Melenchon a melhorar o resultado de há cinco anos, e a ficar muito perto de passar à segunda volta. E, acima de tudo, cresceu a resistência ao "voto útil" em Macron na segunda volta.

O próprio Melenchon apelou aos seus eleitores (21.2%) para não entregarem um único voto a Marine Le Pen, não apelou a que votassem em Macron. 

No meio da catástrofe que se está a viver na Europa, só faltava mesmo acrescentar Le Pen, a Órban. Há cinco anos, vimos na vitória de Macron uma lufada de ar fresco. Às vezes as lufadas de ar fresco são perigosas.Também dão em pneumonia.  

A guerra está mesmo a reforçar a União Europeia?

Dia 42 de guerra. NATO quer reforço militar da Ucrânia, Rússia ameaça  represálias contra sanções - Renascença

Ao 48º dia ultimam-se os preparativos para a batalha pelo Donbass, que determinará o destino próximo da guerra. Até aqui os russos acumularam derrotas,  e deixaram cair todos os objectivos. Resta-lhes o Donbass. É agora o objectivo político e militar que  resta a Putin. É aí que joga agora o seu futuro político e pessoal. Tem aí o seu tudo ou nada desta guerra. Por isso substituiu o comando militar, entregando-o ao mais sanguinário dos seus generais - Alexander Dvornikov, com provas dadas na Síria -, e por isso aí começou concentrar todos os recursos ao longo das últimas duas semanas. E por isso estamos à porta dos mais terríveis horrores da guerra, onde as perdas humanas se sobreporão agora à destruição já imposta à Ucrânia.

Putin falhou todos os obectivos de guerra. Não será no Donbass, mesmo que não o falhe também, que evitará o fracasso do seu projecto expansionista imediato. Só mais tarde veremos se terá também falhado o seu objectivo primeiro de destruir a Europa, e a União Europeia, em particular

Começou por se dizer que, com a invasão da Ucrânia, Putin tinha unido o ocidente e tinha reforçado a União Europeia e a NATO. A União Europeia surgia unida nas sanções - mesmo sem se falar na Hungria, de Órban, o ditador reeleito há uma semana, e autêntico cavalo de Tróia de Putin na UE - e decidida como nunca a reforçar o orçamento da defesa. Não da União, que a não tem - não pode ter, nem se vê quando poderá vir a ter -, mas dos países membros, para os reclamados mínimos dos 2% do PIB. 

Não foi tanto assim que aconteceu. Na realidade a unidade foi retórica, e nas sanções foram mais as vozes que as nozes. A União Europeia, e em especial a Alemanha, não dispensaram o gás e o petróleo russo, e continuaram objectivamente a financiar a máquina de guerra russa. Poderiam - e deveriam - não o ter feito,  e provavelmente Putin não teria já recursos para o que se vai seguir no Donbass. Cortar integralmente os negócios com a Rússia teria sido o decisivo contributo para pôr termo à guerra, mas a Alemanha, e grande parte de outros países, não o quiseram. 

Um embargo real (da Europa) às exportações de petróleo e gás da Rússia, permitiria pôr fim ao conflito em menos de dois meses, revelou ontem Andrei Illarionov, ex-assessor económico de Vladimir Putin. Paul Krugman, num artigo no New York Times no passado fim de semana, demonstrou como a Alemanha podia cortar as importações de gás da Rússia, quantificando essa medida numa simples quebra de 2,1% no PIB alemão. Uma quebra - digo eu - que é praticamente 1/3 da que a Alemanha impôs a Portugal com a austeridade da troika, é que é incomparável com a de 25% provocada no PIB grego, que a mesma Alemanha impôs à Grécia nessa altura da crise das dívidas soberanas, há 10 anos.

A Alemanha não quer perder 2% no seu PIB para resolver uma guerra, em que tem responsabilidade - pela forma como tratou Putin,  e na forma como, cega pelo interesse económico, lhe entregou a sua dependência energética - mas, de um momento para o outro, decidiu romper com o seu estatuto de país desarmado e gastá-lo em defesa.

 Em matéria de sanções, o que sobra em palavras, falta em actos. Na militarização é exactamente o contrário, para gáudio do maior negócio do mundo, o do armamento. Mas não é só para a indústria militar que o momento soa a música, é também para os nacionalismos de extrema direita que Putin tem alimentado pela Europa. A França, como se está a ver na disputa presidencial que teve no domingo a primeira volta, poderá evitar para já a chegada da extrema direita ao Eliseu. Mas, como também se está a ver, isso não está longe, e é hoje pouco menos que inevitável. A Alemanha, a maior potência económica europeia, até aqui desarmada, vai tornar-se também uma potência militar, e basta que a sua extrema direita - o AFD - ganhe corda para ficarmos arrepiados.

O anúncio que esta guerra está a unir a Europa que o main stream pôs a circular não é apenas mais uma notícia francamente exagerada. É mais uma mentira de guerra. Nunca Putin, que há duas décadas tenta destruir a União Europeia, esteve mais perto de o conseguir. Aconteça o que (lhe) acontecer até ao fim da guerra!

 

Feios, porcos e maus

Há países da UE a usar os fundos para fazer chantagem política″

 

Ouvir um fulano como Viktor Órban, numa língua que não se percebe e dizerem-nos, por palavras ou legendas, as alarvidades que está a dizer, já custa um bocadinho. Ouvir as mesmas alarvidades pronunciadas num inglês impecável, por uma jovem bonita e bem posta como é a ministra da Justiça húngara, custa muito mais.

Voltei há pouco a passar pela experiência, e garanto que não é nada agradável... Há coisas que só deveriam poder ser ditas por feios, porcos e maus. E velhos, acrescentaria...

Porta aberta e vergonhas à mostra

FECHE A PORTA PARA O DIABO | Teatro Cristão

 

Ao negociar com a extrema-direita o apoio parlamentar ao seu governo, nos Açores, o PSD abriu uma porta que, pela democracia e pela decência, teria de ser mantida fachada. 

Por essa porta não entrou apenas o Chega, à procura da normalidade e da legitimização pelo poder. Entrou também a miserável, absurda e indecente argumentação de alguns dos dirigentes do PSD. De Paulo Rangel ao líder Rui Rio. Bastaria que pensassem em tudo aquilo que nos molda como sociedade, que a extrema-direita renega. E como foram construídos e votados, ao longo dos anos da nossa democracia, os diplomas que dão corpo à maioria do tecido legislativo do Estado de Direito.

Misturar tudo e agitar bem funciona nalgumas receitas de culinária. O problema é que, na política, ainda é preciso adicionar aldrabice qb e umas pitadas de descaramento. Sem vergonha, de preferência.

 

 

 

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