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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um problema de coluna

 

Fechou o mercado de transferências do futebol, e com isso a torneira mais apreciada pela nova maneira de fazer notícias numa das mais apetecidas valências do jornalismo actual.

O último dia do mercado é normalmente vivido em ambiente de alta histeria, com o climax no count down final, segundo a segundo até ao último da meia noite. Ás vezes, esses segundos não chegam, como acontecera há um ano com Adrien. E Bruno de Carvalho, inevitavelmente...

Tudo estava preparado para que desta vez tudo se repetisse. Mas falhou. Faltou mercado, ou faltaram loucuras. Pelo que deu para ver só a RTP percebeu isso, e desligou por completo, poupando-se àquela 24ª hora de encher chouriços em chorrilhos de patetices. Nenhuma das outras televisões resistiu ao engodo, e lá ficaram a contar os segundos penosamente.

Valeu-lhes ... Fábio Coentrão. Isso mesmo, foi ele a estrela da noite  com a sua sensacional transferência do Real Madrid para ... o Rio Ave. E com o último suspiro do seu choro comovente: "Depois do que fiz, nem uma chamada do Sporting"!

Como se a sua conduta moral, o seu carácter e a sua escala de valores e princípios não tivessem nada a ver com o destino que a vida lhe traçou... Diz-se nestas circunstâncias que é um problema de cabeça. A cabeça dos jogadores de futebol tem frequentemente as costas largas. Fábio Coentrão não terá a melhor das cabeças -  percebeu-se isso vezes de mais - mas não é de cabeça o seu principal problema. É de coluna!

A PESCADA

Por Eduardo Louro

 

Fábio Coentrão assinou com o Real Madrid um contrato por cinco anos. Em comunicado à CMVM o SL Benfica informa que negociou o jogador por 30 milhões de euros, o valor da cláusula de rescisão!

Mas a Comunicação Social fala noutros números: um valor entre 20 e 25 milhões de euros e um jogador não identificado.

É estranho. Tanto mais estranho se tivermos em conta os folhetins – todos mal amanhados - desta novela desde o final da época. Ou se reparamos nisto: ontem, Fábio Coentrão seguiu – não para a Suíça como os restantes jogadores do Benfica – mas para Madrid, para negociar o seu contrato. Apenas hoje eram noticiadas as negociações entre o Real Madrid e o Benfica. Claramente a pescada, que antes de o ser já o era…

E quando assim é…

 

 

 

Futebolês #79 CONTRATAÇÕES

Eduardo Louro

Hoje o futebolês vai partir à procura das contratações: a palavra mágica que tudo agita - mercados, media e adeptos. É uma bandeira que, bem agitada, faz verdadeiros milagres: vende jornais que não se vendiam, promove cambalhotas em disputas de poder e transforma derrotas em vitórias.

A sua força é tal que o futebolês decidiu apropriar-se dela em regime de exclusividade. Não ouvimos praticamente falar de contratações fora do futebolês. No mundo dos negócios – dos outros negócios – fazem-se contratos e contratualiza-se, não se fazem contratações. Até os sinónimos são completamente diferentes. Repare-se: no futebolês, o sinónimo de contratações é transferências. Lá fora é recrutamento que nada tem a ver com transferências!

Mas há mais demonstrações claras da importância das contratações: só se podem efectuar em duas alturas do ano: no defeso de Verão e em Janeiro. Em férias: nas grandes e nas de Natal! E não se fazem sem um empresário, essa entidade misteriosa que se enche de dinheiro e que vai e vem como as ondas do mar. Como no surf - já que a conversa foi à água - uns aguentam-se mais tempo que outros na crista da onda e nunca mais do que um em simultâneo. Aí a onda já se parece mais com um poleiro: só lá cabe um galo de cada vez. Foi o Manuel Barbosa, o José Veiga … Agora é o Jorge Mendes, vamos lá ver até quando…

Mas quem está sempre na crista da onda das contratações é o Benfica. Os jornais não querem outra coisa: todos os dias vêm charters de jogadores para o Benfica. Porque vende, é certo! Mas também porque há por lá gente que alimenta essas coisas!

É por isso que o Benfica é sempre o glosado (bem dito seria mesmo “gozado”) campeão da pré-época. E ultimamente gozado mesmo, quando, no fim de contas, as anunciadas contratações acabam por ir direitinhas lá mais para norte. E, como um mal nunca vem só, acabamos depois por, mais que vê-los brilhar por lá, vê-los cintilar transformados em raras estrelas cintilantes.

Este ano, porém e apesar de a procissão ainda estar no adro – estamos ainda a mais de três meses do fecho do mercado e já lá estão 40 jogadores – o Benfica apostou no lado da venda para realizar a sua quota de disparates. Falo, evidentemente, do caso Coentrão: um flagrante case study (pela negativa) de gestão desportiva. Servirá para ensinar nas escolas de gestão a melhor maneira de estragar um bom negócio: desvalorizar estupidamente o produto que quer vender!

Como se isso não fosse suficientemente grave e danoso, decidiram matar dois coelhos com uma única cajadada: matar o produto e o mercado!

Evidentemente que o Fábio Coentrão não tem culpa nenhuma disto. É apenas mais uma das muitas vítimas da incompetência da gestão do Benfica. E Mourinho e Cristiano Ronaldo apenas ajudaram: limitaram-se a valorizar o produto que o Benfica tinha para vender, e não têm culpa nenhuma que ninguém tenha sabido aproveitar isso. A uma gestão competente competia, à medida que a época se aproximava do fim -  sendo evidente o seu interesse na venda, e óbvias quer a pressão que os eventuais compradores iriam exercer quer a vulnerabilidade do Fábio Coentrão (evidente no episódio do apoio a Sócrates na recente campanha eleitoral), um acompanhamento cuidado e profissional do jogador, e não, como sucedeu, abandoná-lo, entregue a si próprio. Falhada essa oportunidade preventiva, o jogador lançou alertas e deu todos os sinais do que se estaria a passar. Dir-se-ia que pediu ajuda! Mas em vez de ir a correr blindar o jogador preferiram a negligência de nada fazer para evitar o pior. Aconteceu então o que era de esperar: a fatal entrevista a um jornal desportivo espanhol.

No fim de tanta asneira, o mínimo que se exigia agora era chamar o jogador e o empresário – Jorge Mendes, já cá faltava esta figura – e, a três, montar uma estratégia para remediar todo o mal que estava feito. Mas não. Ainda não estava esgotado o rol de incompetências: era preciso passar da gestão incompetente à danosa! É aí que cabe o inquérito disciplinar ao jogador. E atiram-lhe para cima com toda a lama que tinham à mão e destroem o que mais deveriam proteger: a ligação afectiva dos jogadores ao clube e a preservação, intacta, dos seus ídolos, a extensão natural do clube. Para que não subsista uma única hipótese de recuperar o jogador, de longe o melhor da equipa. E para que não subsista outra hipótese que não seja vender, agora, ao preço que o Real Madrid quiser pagar.

Um autêntico mimo de gestão. Como o do caso Nuno Gomes! Como foi possível?

A resposta é simples: pela mesma incompetência de gestão, que não faz ideia do que sejam as variáveis intangíveis que determinam o sucesso de um clube. Ouviram falar em mística, mas não fazem ideia do que seja, pensam que se resume ao nome da bonita revista que lá se edita. Aqui o problema não é saber que o responsável é o Jorge Jesus. O problema é mesmo que continue soberano em matérias para que, claramente, não está qualificado. E que a sua esfera de decisão não esteja reduzida às suas limitadas competências.

Péssimas notícias para a época que aí vem!

 

 

 

FALTA!

 

Por Eduardo Louro

 

Assistimos ontem a uma entrada por trás, sem bola, muito feia e muito grave: para vermelho directo! Não, não foi em Wembley na final da Liga dos Campeões: aí foi um jogo limpo e sem casos, um hino ao futebol e ao fair play, como aqui no texto abaixo deixo perceber. Esta passou-se em Vila do Conde e foi às pernas do Fábio Coentrão!

Sabia-se que a máquina do PS de Sócrates tinha desenvolvido todos os esforços para, precisamente ontem em Vila do Conde, poder usar a imagem deste jogador do Benfica e um dos grandes ídolos do futebol nacional da actualidade. Sabe-se que ele resistiu como resiste em campo, esgueirando-se aos adversários e fugindo-lhes em direcção à linha final por entre fintas, simulações e mudanças de velocidade.

Eis se não quando, já na linha final e quando se preparava para o cruzamento letal, surge por trás Mário de Almeida – o jurássico presidente da Câmara de Vila do Conde que, com Mesquita Machado, em Braga, é o dinossauro dos dinossauros do caciquismo do PS – e lhe dá um toque subtil que lhe provoca o desequilíbrio fatal. É então que surge Sócrates e, sem dó nem piedade, lhe dá a sério o golpe (baixo) final!

O pobre do Fábio bem dizia que aquilo não era apoio nenhum, que só estava ali por causa do presidente… Que o presidente da câmara lhe tinha pedido muito. Tanto que ele não conseguiu dizer que não!

Mas qual quê? Para Sócrates não há dó nem piedade: exibiu-o até ao tutano! E, despudoradamente, proclamou o apoio de Coentrão como se não houvesse amanhã. Mesmo com ele ali ao lado a dizer que não estava ali para o apoiar, mas apenas porque o presidente lhe pedira. Mesmo que, perguntado se iria votar Sócrates, respondesse que não queria saber de política…

Sócrates não tem mesmo vergonha! Cartão vermelho, já!

Futebolês #52 FOLHA SECA

Por Eduardo Louro

 

      

Folha seca é a expressão que o futebolês criou para identificar um gesto técnico de remate: um remate desferido com a parte interior do pé que leva a bola a descrever uma curva no sentido do pé contrário. A bola parte de um ponto e descreve a curva que a leva a fugir … fugir… Vai fugindo do guarda-redes como se de uma folha seca se tratasse: leve, levemente levada pelo vento, que nos foge a cada vez que a tentamos agarrar!

Daí que, a exemplo de todas as que por aqui têm passado, a expressão faça todo o sentido, o que só abona em favor do próprio dialecto.

Mas falar da folha seca sem falar da sua irmã gémea – a trivela – seria deixar de fora uma parte de si própria. É conhecida a fortíssima ligação dos gémeos: num, há sempre um pouco do outro, ou não estivéssemos perante um dos mais interessantes mistérios de partilha e de cumplicidade!

A trivela pode nascer do mesmo pé – gémea verdadeira – ou do pé contrário – falsa gémea, mas igualmente irmã gémea. Mas, ao contrário da folha seca, é impulsionada com a parte exterior do pé: chama-se-lhe também pontapé dos três dedos, o que permitiria chamar à folha seca pontapé do joanete. A partir daí faz a sua vida, que é como quem diz, faz a sua curva – agora no sentido do próprio pé que remata. Depois tudo continua igual: a bola sempre a fugir do guarda-redes que, por mais que se estire, nunca a conseguirá encontrar.

Como duas belas jovens gémeas, também a folha seca e a trivela cultivam uma certa rivalidade. Afinal uma quer sempre ser a mais bela das duas…

Não sei se é a trivela a mais bonita, mas talvez seja a que mais deu nas vistas! Por ter dado umas voltas com um ciganito que por aí andava? Acredito que sim!

Por isso hoje dei a ribalta à folha seca!

Por isso e porque me faz lembrar esta equipa do Benfica. Porque, sabendo-se de onde partiu, não se sabe onde irá acabar por cair. Sabe-se que anda por aí, à toa, ao sabor do vento, sem destino certo e afastando-se de todos os objectivos, um a um, como a bola em folha seca se afasta de quem a possa deter. Porque, como as folhas secas, também começou a cair no Outono. E, também como elas, não demonstra capacidade para alterar o rumo que os ventos lhe traçam nem fugir ao terrível destino de estatelar ao comprido e, quem sabe, acabar pisada, esmagada e triturada. Reduzida a pouco menos que nada!

Desde o início de Agosto que aqui se tem falado no que falhou. Não vale a pena repeti-lo.

Agora, se nada for rapidamente feito, se ninguém puser ordem na casa e assumir as responsabilidades que não podem ser negligenciadas, o Benfica corre o risco de nada ganhar e de voltar a recuar no difícil percurso da recuperação do prestígio perdido. Corre sérios riscos de, como o país, continuar a divergir.

Em circunstâncias normais, no final desta e a exemplo da última época, teria de vender os passes dos jogadores mais valorizados. Na calha estavam, vindos já da última época, David Luiz, Fábio Coentrão e Cardozo! Afastado dos milhões da champions tem agora, em compensação, de vender mais e mais cedo. O problema é que o acelerado processo de desvalorização em curso não transforma apenas as cláusulas de rescisão em miragens. Vai obrigar mesmo a vender em saldos!

É o resultado de evidente falta de competências na gestão dos recursos que fazem hoje o negócio do futebol. É difícil de entender como é que ninguém foi capaz de pôr mão no David Luiz, deixando transformar um grande jogador de futebol numa pseudosuperstar displicente e irresponsável. Como se está a matar o melhor jogador da equipa – Fábio Coentrão – transformando um dos melhores laterais esquerdos do mundo num jogador esforçado mas pouco mais que vulgar.

É evidente que as responsabilidades principais não podem ser imputadas a Jorge Jesus. Terão que o ser a quem permitiu que ele se blindasse da forma que o fez e que se auto barricasse transformando-se em refém de si próprio.

Recordam-se dos deprimentes últimos jogos de Camacho, quando ele surgia invariavelmente incapaz de encontrar explicação para aquilo? Quando se ficava por “um não sei explicar, não encontro explicação”? Jorge Jesus, como se vê, já está nessa fase …

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