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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Fim de férias

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Deitada ao sol, linhas bem torneadas, biquini a condizer e bronze no ponto, captava os olhares de quem passava. De repente virou-se e ouviu-se, bem ouvido: "enchetes-me chea de area"!

Lembrei-me daquele jargão: "calado, és um poeta". Mas não batia certo no género. Então veio-me à cabeça: "calada poderias ser uma musa"... 

Se são as últimas imagens as que ficam, nem sei bem com qual ficar deste último dia de férias...

Já podemos ir de férias?

 

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Acabadas as emoções, arrumado o futebol, os cachecóis e as bandeiras, e com o ECOFIN, por fim, não a pôr fim, mas a pôr zero nas sanções, poderemos agora ir de férias?

Não vamos descansados, que as coisas não estão para tanto, mas ... vá lá, deixem-nos ir de férias... Mesmo que em  sobressalto permanente, sem saber bem como vamos acordar de cada sesta... Mas vamos com este sabor a campeão, com os éteres da bebedeira ainda a baralharem-nos a cabeça. E sempre são mais uns dias em que não pensamos como os alemães, coitados, se preocupam connosco. Nem quanto é que nos vai calhar dos 150 mil milhões de euros que o maior banco deles precisa.

O quê? Ah!

Estão aqui a dizer-me que não é o Deutsche Bank que precisa desse dinheiro para evitar a falência. Diz que os outros todos é que precisam... Claro que, depois... também é gente. Banco. Pois... Bem me parecia!

Populismo em férias*

Convidada: Clarisse Louro

 

Há muito que Passos Coelho, entre as muitas outras surpresas que me reservou, me surpreendeu com traços do mais primário populismo, manipulando cada vez com maior mestria dois dos seus mais eficazes factores de sustentação: a demagogia e o providencialismo.

Ainda no passado sábado, no seu discurso do Pontal – mesmo que longe do velho Pontal, de Faro, continua a servir à designação da rentrée política do PSD – isso foi mais, que evidente, chocante!

Poderia retirar justamente daí uma série quase infindável de passagens que atestam a forma como Passos Coelho mistura a demagogia mais básica e rasca com a missão providencial que, de tanto querer convencer os outros, já ele próprio está convencido que lhe foi destinada.

Por limitações de espaço – a que hoje tenho de obedecer – não seguirei esse filão e vou tentar transmitir a mesma ideia através de outro episódio mais simples, e por isso mais rápido de tratar. Refiro-me às suas famosas férias de Manta Rota!

Pedro Passos Coelho tem todo o direito de passar as férias onde quiser. Até em Manta Rota, onde, mas não como, ao que se sabe sempre fez. Ora aí está: tem todo o direito de fazer férias onde fazia, mas então teria de as fazer como as fazia.

Quer transmitir a ideia que mantém o regime de férias anterior ao exercício das suas funções de primeiro-ministro. Que não vai para resorts de mais ou menos luxo, longe da vista do povo. Que não vai de férias incógnito e para local desconhecido, em circunstâncias mais ou menos adequadas de privacidade e reserva que as suas funções impõem, mas à vista de toda a gente, na mesma praia e nas mesmas condições do cidadão comum e mesmo dos menos abonados, correndo até o risco, agora que abriu a perseguição fiscal a esse tipo de oferta turística, de lhe pedirem o recibo da renda da casa. Mas não dispensa um aparato de segurança invulgar, nem se incomoda com os incómodos que isso causa a todos os outros. Nem com o fecho de todas as ruas das imediações, tornando num inferno a vida dos que, ali, são seus pares. Nem sequer se sente incomodado com as câmaras de televisão que invariavelmente tem a cada chegada, a mostrar o caricato que é o primeiro-ministro, que em funções não dispensa o seu Mercedes classe S, chegar no seu Renaultzito…mas rodeado de carros com seguranças. E também não se preocupa que as suas férias, com o policiamento público e a segurança privada que exige, saiam muito mais caras ao erário público que uma estadia num resort de luxo!

Isto é populismo. Do mais rasca!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Dever e temer

Por Eduardo Louro

 

 

Este ano foram notícia os meios de segurança mobilizados para as férias dos políticos no Algarve. A esses meios acresceram ainda os seguranças que normalmente lhes estão afectos e que vão sendo notícia nas mais diversas circunstâncias.

Como se tudo isso não bastasse, ainda foi notícia uma afliçãozita Jorge Sampaio nas águas de uma das praias de Lagos, que contou, também ela, com a participação dessas personagens. Não que tenha constado que o tivessem ajudado a livrar-se da corrente que contrariava a sua vontade de sair da água – aí não lhe valeram de nada – mas porque, rezava a notícia, logo que chegou à areia, desapareceu levado justamente pelos seguranças. E pronto, lá ficava toda a gente a saber que até um antigo presidente, que não faz mal a ninguém nem a quem ninguém quer fazer mal, também vai de férias para o Algarve com seguranças.

Reconheço alguma dificuldade em aplicar aos políticos, mesmo que na reforma, aquele princípio popular de quem não deve não teme. Até porque se houvesse algum que não devesse, é tanto o que todos os outros devem, que nunca daria para lhe garantir grande coisa…

Na realidade devem, e tanto, que só podem temer. Como também diz o povo, quem tem cu tem medo. E eles não têm cara, mas cu não lhes falta. Por isso demos de barato que têm de andar acompanhados por quem lhes defenda a cara que não têm, o cu que têm de sobra, e o resto da carcaça…Mas mandaria o mais elementar bom senso que não os exibissem!

Não lhes nego o direito ao quotidiano de férias do comum dos cidadãos. Mas não me parece aceitável que exerçam esse direito afrontando os outros com exibicionismos bacocos de tipos musculados com ar de agente secreto de trazer por casa.

Partilhei – não partilhei coisa nenhuma, fui obrigado a conviver com isso - o meu espaço de férias com um ministro, e nem sequer interessa identificá-lo, que se achava no direito - que, como referi, lhe não nego - de fazer tudo o que, por exemplo, eu fazia. Mas, francamente! Chegar à esplanada com quatro rapagões, que ficam ali especados… Andar no supermercado mais preocupado em olhar à volta (ou em ser visto?) do que para as prateleiras, sob o olhar dos mesmos quatro, também eles a parecerem mais interessados em ser vistos que em ver, não é fazer o que faz o cidadão comum. É outra coisa qualquer, é uma espécie de novo-riquismo que lhes retira de cara o que lhes acrescenta de cu!

AGOSTO

 Por Clarisse Louro *

 

Aí está Agosto. Aí estão as férias!

Ainda não consegui perceber por que tudo tem que parar em Agosto. Se por uma questão de economia, de gosto ou apenas mais uma medida desadequada a que temos sido habituados ao longo dos últimos anos.

Eu, por questões profissionais e contra a minha vontade, tenho mesmo que tirar férias em Agosto: com aulas e exames até finais de Julho, e responsabilidades na programação do novo ano académico, tenho que estar de regresso ao trabalho logo no dia 1 de Setembro para que, em meados de Setembro, se recebam os novos e os velhos alunos para mais um ano de trabalho. Não tenho alternativa!

Ao contrário dos outros anos, em que neste mês nada acontece e tudo pára, neste tudo acontece: no Mundo na Europa é o desnorte total. Os mercados financeiros, ao contrário do que seria de esperar nesta altura, estão freneticamente agitados, com crashes por tudo o que é Bolsa. A crise das dívidas soberanas aí está, cada vez mais viva, agora a entrar pelas grandes economias europeias e a mostrar que o problema está longe de se limitar às pequenas economias periféricas. Os Estados Unidos viveram dias de angústia, à espera de um acordo político que lhes permitisse evitar roturas de cumprimento neste Agosto, que culminaram na redução da notação de rating. Abandonaram o AAA, deixando os chineses de cabelos em pé.

Na Europa o buraco negro aproxima-se a grande velocidade sem que se vislumbre a mínima capacidade de o enfrentar. Os líderes europeus interrompem as férias de Agosto mas nada resolvem, tudo fica na mesma. Em finais de Julho tomaram decisões, mas em Agosto decidiram deixá-las na gaveta. Melhor fora que as não tivessem tomado, o descrédito seria menor…

Por cá também as coisas vão de mal a pior, por muito que a troika nos tenha vindo dizer que estamos no bom caminho. Diz-nos a troika porque o governo não nos diz nada: nem isso nem outra coisa que não seja que é necessário aumentar impostos. Daqueles que somos todos nós – sempre os mesmos - a pagar! Dos outros não, não aumentam ou até são para baixar, como a Taxa Social Única!

Disse, mas depois disse que não disse, que tudo isto era por causa de um desvio colossal. Agora a causa é já um desvio previsível. Mas, pelos vistos, inexplicável! É que isto de conferências de imprensa sem direito a perguntas também não ajuda nada…

E, a pouco e pouco, o capital de esperança de que o novo primeiro-ministro e o novo governo eram portadores vai-se desvanecendo. Pela minha parte vejo-me já a abeirar da engrossada fila dos desiludidos, eu que conheci de perto o actual primeiro-ministro, que me empenhei na sua candidatura, que me identifiquei com boa pare do seu pensamento político e que tantas esperanças cheguei a depositar nesta solução!

Dizia-nos o actual primeiro-ministro, antes das eleições, que sabia muito bem onde e no que cortar na despesa. Que sabia muito bem onde cortar a gordura do Estado! Parece que não sabia. Nem sabe ainda… Mas também dizia que não iria aumentar impostos e, como todos os seus antecessores, foi a primeira coisa que fez!

E vemos que vale tudo. Que as forças armadas, por exemplo, não entregam há meses os valores de IRS retidos. O que é crime, como todos sabemos! Que, para cobrir mais uns quantos despautérios do BPN e uns desmandos do Dr Jardim, se vai voltar às maquilhagens das transferências de fundos de pensões. Desta vez da banca!

Enfim: valha-nos que ainda há umas férias para gozar. É aproveitá-las bem. É o que continuarei a procurar fazer no que ainda me resta das minhas, agora que, pelo menos aqui por estas bandas, o sol, o calor e estes finais de tarde deliciosos tomaram definitivamente conta deste Agosto!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

A GOSTO

Por Eduardo Louro

 

Enquanto Londres está a ferro e fogo, Obama se resigna ao nosso romantismo – este país será sempre AAA e não se submete a agências de rating –, as bolsas mundiais “crasham” e o Quim e o Nuno Gomes regressam à selecção, nós estamos em Agosto. E, a gosto, de férias!

Dizia-se que este ano não haveria férias. Ninguém iria de férias: os deputados porque a Assembleia da República nem fecharia; os ministros porque não teriam tempo para isso mas ... francamente, quem começa a trabalhar em final de Junho não tem direito a férias, e os portugueses em geral porque não teriam dinheiro.

A verdade é que Agosto é irresistível! E lá estamos quase todos de férias. Incluindo o primeiro-ministro, lá para Manta Rota… Aquilo do facebook é que não saiu lá muito bem: sacrifícios não rima com férias. E, no fim, desejar “continuação de bom Verão” poderá parecer irónico.

O Presidente da República também está de férias e também nos dá conta disso pela mesma via, pelo facebook. Mas aí, ao contrário do primeiro-ministro, já estávamos habituados. Não nos surpreendeu…

Pois, eu não utilizo o facebook… Boas férias!

No melhor dos mundos

Por Eduardo Louro

 

 

Afinal não é tudo mau!

Um dia destes – cinzento, bem escuro e mesmo meio frio – acaba por ser diferente e quebrar o ritmo normal das férias. De tal forma que até dá para substituir um mergulho na praia por um mergulho no Quinta Emenda, também ele um pouco abandonado pelas férias…

A verdade é que um dia como este de hoje não é mais do que um pequeno intervalo nas férias. Não para compromissos publicitários mas apenas uma pequena pausa. Não para fazer um xixi, mas apenas dar uma olhada à volta e reparar que tudo continua de férias. Que está tudo bem, tudo certo no seu lugar!

E dá para perceber que, mesmo em férias, continuamos bem governados e no melhor dos mundos. Mesmo nos indicadores próprios desta época do ano só temos boas notícias.

Agora que os incêndios, pelos vistos pelas mesmas razões que eu, também estão a fazer uma pausa, é o balanço da área ardida que passa para a ordem do dia. Mais de 70 mil hectares, diz-se!

É muito? É uma catástrofe?

Não, diz-nos o ministro da administração interna. É menos que 2003 e 2005, enfatiza!

Espantoso! Afinal não há qualquer problema com os incêndios, todas a políticas que desembocam na prevenção – ordenamento territorial, demográfica, florestal, etc. – é tudo do mais acertado possível. O desempenho dos serviços de Protecção Civil é excelente. Tudo perfeito, porque a área ardida neste ano é inferior à ardida em 2003 ou em 2005.

Mas, e Lapalisse não diria melhor, então é superior à de todos os outros anos. Quer dizer, percebemos que a ideia é simples: está tudo bem quando comparado com o pior possível!

Confesso que não me parece que o balanço dos incêndios se deva fazer exclusivamente à custa de um resultado, no caso a área ardida. Todos percebemos que um hectare de mato numa área não qualificada nada tem a ver com o mesmo hectare numa área protegida ou de floresta. Os milhares de hectares ardidos no Parque Nacional do Gerês são um resultado diferente dos mesmíssimos milhares noutro lado.

Tudo isto para dizer que fazer um balanço exclusivamente a partir da área ardida já me parecia uma leviandade. Agora fazê-lo por comparação com os piores resultados …

Claro que não acho que o papel do governo seja o de enfatizar a desgraça. Concordo que deva puxar a nossa auto estima colectiva para cima, impedir um clima generalizado de descrença e de incapacidade e que tudo faça para mobilizar a nação. Mas não é a inverter sistematicamente a realidade que isso se consegue.

As empresas recorrem ao benchmarking (identificação das melhores práticas para comparação do seu desempenho) para se desenvolverem e atingirem o sucesso. O governo faz o inverso: busca as piores práticas para comparar o seu desempenho!

Está a fazê-lo sistematicamente. O que é muito grave: um destes dias procura, procura … e já não encontra nada que se compare! Então deixaremos de viver no melhor dos mundos…

 

 

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