Nem só de cinquentenários vive este ano. Também se comemoram centenários, e hoje passam 100 anos sobre a batalha de La Lys, na Flandres francesa, quando a I Guerra Mundial. já dava as últimas É habitualmente apresentada como uma página épica da nossa História, mas não foi bem assim. Seria mais ajustado chamar-lhe a Alcácer Quibir dos tempos modernos, tantas são as semelhanças...
À beira da derrota, que se consumaria poucos meses depois, e já em desepero, o exército alemão lançou um contra-ataque violento que apanhou pela frente, e destroçou por completo, o inexperiente e mal preparado corpo militar português, que não sabia o que era combater na Europa desde as invasões francesas. Não sabia o que era o combate de trincheiras e, africanizado, nem sequer de fardamento adequado dispunha.
O que hoje se comemora, com o Presidente da República e o Primeiro-Ministro por terras gaulesas, não é uma página gloriosa da História de Portugal. O que na realidade aconteceu naquela madrugada de 9 de Abril, há 100 anos, é mais uma inevitável fatalidade histórica tantas vezes repetida nas mais diversas circunstâncias da nossa História!
Quando o país mostrava ao país que é possível enfrentar a fatalidade e mudar o destino, quando provavelmente alguns dos que durante a tarde tinham cantado a Portuguesa por essa rua fora, a cantavam dentro de um pavilhão, em Paredes, onde se discutia o título europeu de hóquei em patins, alguma coisa de sobrenatural se encarrega de nos trazer de volta ao nosso fado.
Ontem, Portugal não repetiu o que se repete há catorze anos. Ontem, não viu a Espanha tornar-se mais uma vez campeã da Europa – a sétima consecutiva. Ontem Portugal perdeu o campeonato da Europa. Ontem Portugal não perdeu o campeonato para a Espanha: perdeu-o para o destino!
Perdeu mais que mais um campeonato da Europa de hóquei em patins, que até há vinte anos atrás dominava de forma esmagadora. Perdeu alma e foi esmagado pela fatalidade traiçoeira!
A selecção nacional tinha e teve sempre todas as vantagens. Chegara ao jogo final e decisivo com o rival de sempre em vantagem no coeficiente de golos, situação que tornava um empate suficiente para recuperar, catorze anos depois – então também em Portugal, e também nesta região capital do móvel (Paços de Ferreira) -, um título por que todos esperavam.
Durante o jogo esteve sempre em vantagem. Ao intervalo ganhava por 2-1. No início da segunda parte os espanhóis empataram mas, logo de imediato, na saída de bola, a selecção nacional voltou para a frente do marcador, onde se manteve por largos minutos.
Os espanhóis atingiram a décima falta quando o registo da equipa nacional se ficava ainda pela sexta. Ao desperdiçar o respectivo livre directo, desperdiçou essa vantagem, deixando-os a quatro faltas e ficando a cinco de nova oportunidade. Estas coisas fazem o destino, e os espanhóis empataram: nada de grave, o empate serve-nos…
A equipa espanhola atinge a décima quinta falta ainda antes de a nossa chegar à décima: vantagem reforçada! Voltamos a falhar o livre directo, como havíamos falhado o primeiro e como havíamos entretanto já falhado outro, noutra situação de jogo. Logo a seguir a equipa atinge a décima falta: os espanhóis não desperdiçam e, pela primeira vez, passam para a frente do marcador. Faltam pouco mais de dois minutos, o pavilhão gelou, as gargantas, secas, calaram-se. As caras dos jogadores são rostos de quem acaba de se encontrar com o diabo, ou mesmo algo ainda mais aterrador …
O medo é capaz do impossível, e o impossível aconteceu com um penalti - de novo na bola de saída – convertido no 4-4 da nossa felicidade. Faltavam ainda cerca de dois minutos – uma eternidade em hóquei – mas já ninguém nos roubaria a festa que tão bem enfeitava este sábado de mudança…
A equipa ia segurando a bola, escondendo-a dos espanhóis, que a perseguiam (à bola e aos jogadores portugueses) que nem loucos. E o tempo a passar… Dez… nove… oito… sete – contava-se e cantava-se no pavilhão – seis… Portugal tem a bola junto à baliza espanhola. Perde-a… O destino, outra vez!
Fiquei com a sensação que debate de hoje foi fatal para Passos Coelho: Portas ganhou claramente o debate e deixou a ideia que foi clemente para o seu adversário. Ficou a ideia que Portas, quando viu o seu adversário no tapete, quis poupá-lo. Não certamente por misericórdia ou por clemência mas por interesse estratégico!
Receava-se este desfecho a partir do primeiro debate – com Jerónimo de Sousa – na altura aqui identificado como o mais fácil de todos para Passos Coelho. Confirmado este receio começa a perspectivar-se uma jornada de autêntico pânico para o decisivo debate com Sócrates!
E com a sondagem hoje divulgada (PS 36,8%, PSD 33,9% e CDS 13,4%) as nuvens negras adensam-se! Há 40% de indecisos para resolver isto. Espero que sejam dos que não vêem debates!
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