Arrancaram os debates televisivos com vista para as legislativas que aí vêm. O pontapé de saída foi dado por António Costa e Jerónimo de Sousa, e a coisa foi morna, e até desinteressante.
Ninguém se quis meter em alhadas, tudo muito cordato e ... sem golpes baixos, nem entradas por trás. Até parecia que queriam despachar aquilo porque, importante mesmo, era o fecho do mercado. Da bola, porque o das patetices nunca fecha!
A noite louca do fecho do mercado dos jogadores de futebol chegou ao fim. Não foi, nem de perto nem de longe, tão louca como outras, mas nem por isso foi menos rocambolesca. Com nota alta para Madrid, com o Real a fechar finalmente De Ghea: tão finalmente que parece que já não foi a tempo... E para o Manchester United, que não precisa certamente desse dinheiro para a louca contratação de Martial - 19 anos - ao Mónaco, por números que podem chegar aos 75 milhões de euros.
Por cá, o Porto continuou a dar cartas. No último dia, que não na última hora, acrescentou mais dois mexicanos, ao que parece gente com valor. E despachou uns tantos problemas. Dinheiro, por ali, não é problema, O problema é outro, já se percebeu... Já se tinha percebido o ano passado!
O Sporting acalmou, deve ter sido pelos ares de Moscovo. Problema é mesmo Carrillo - mas isso já se previa - que pode seguir por tuta e meia para Inglaterra, onde, por ontem ter sido feriado, o mercado só fecha hoje, lá mais para o fim da tarde.
No Benfica não se esperava e desesperava apenas pelo futuro de Gaitan. Esperava-se e desesperava-se pelo regresso de Siqueira, e queria acreditar-se que as trutas que vinham sendo anunciadas, muito baixinho para parecer mesmo que era verdade, acabariam por aparecer no meio do nevoeiro da meia noite. Suspirava-se por um 8, uma coisa assim parecida com Enzo Perez, mas nada... Parece que importante era mesmo reforçar a equipa B. Por isso, ou para isso, chagaram dois miúdos: um central sérvio, ainda júnior de quem se dizem maravilhas, e um avançado cuja maior credencial é não ter ficado no Porto.
Valha-nos que o Gaitan fica. Claro que ainda há hoje o dia todo - que sirva para despachar o Ola John, não se peça mais -, mas ninguém pode acreditar que, depois disto tudo, o Benfica e o jogador não estejam completamente sintonizados numa onda que põe definitivamente fim a uma novela que já dura há anos. Agora é actualizar a linha do payroll onde se começa por ler Nico, dar-lhe a braçadeira de sub-capitão, e jurarem amor eterno. Recíproco!
E talvez valha a pena dar uma vista de olhos pelos centros de emprego. Foi aí que, no ano passado, o Benfica foi encontrar a melhor contratação da época!
Fechou o mercado de transferências, como habitualmente com um último dia – que não foi 31 de Agosto, por ser domingo – muito agitado … e cheio de truques.
Falcão, anunciado para o Real Madrid, a quem jurara já amor eterno, acabou no Manchester United, de Van Gaal, não sem algumas convulsões, e com o truque do empréstimo – empréstimo por um ano, por 8 milhões de euros, com opção de compra no final – porque em Inglaterra há uma coisa a que se chama fair play financeiro, que obriga a uma relação entre compras e vendas, investimento e desinvestimento, que o United, com um volume de investimento nunca visto, rebentou já por todos os cantos. E não são apenas os portugueses, ou os latinos, os especialistas a contornar leis… Para o Real Madrid, não se sabe para quê, seguiu o mexicano Chiciarito. E, do Manchester City para o Valência, Negredo, em vez do Jackson Martinez.
Por cá – e isso é que interessa – o Enzo fica. Por enquanto, como o nove do Porto, com quem o destino estava (está?) cruzado, como por aqui se foi dizendo. Porto que esteve de resto muito activo neste último dia, indo buscar mais dois miúdos e colocando praticamente todas as vedetas que adquiria na época passada, mas não se conseguindo livrar do Rolando.
Para o Benfica pode dizer-se que o mercado fechou da mesma forma que esteve aberto – sem grande critério, com uma estratégia difícil de perceber. Não dispensou os jogadores excedentários, os erros de casting maioritariamente cometidos este ano, colocando apenas os velhos Urreta (Paços de Ferreira) e Sidnei (Deportivo Coruña) e acaba por apenas contratar Cristante, um jovem italiano de 19 anos (na foto). Que, apesar da sua excelente qualidade, não deixará de ser uma contratação estranha, difícil de compreender. Não tanto pelo paradoxo da aposta na juventude estrangeira, quando à da casa é exigido que nasça dez vezes, mas porque faz da contratação anterior uma contratação falhada. Desastrada mesmo, porque o grego Samaris é um jogador para as mesmas funções, de menos qualidade e muito mais caro, já pelos valores que o presidente Luís Filipe Vieira tinha declarado fazerem parte do passado.
E não contratou qualquer avançado, a óbvia lacuna do plantel depois das saídas de Rodrigo e Cardozo, falhando sucessivamente todas as tentativas, a última das quais de Campbel, a estrela costa-riquenha do Arsenal. E ficando com um sério problema por resolver, não se vê quem consiga marcar golos…
Para encontrar razões de sucesso neste fecho de mercado temos que as procurar na continuidade de alguns dos seus melhores jogadores: Enzo, Gaitan e Salvio, evidentemente, mas também o lesionado Sílvio, cujo empréstimo foi renovado.
Mas, olhar para os avançados e dar de caras com o Jara, é medonho!
No dia-a-dia temos os mercados, que tanto nos chatearam, dando-nos mesmo cabo da vida. No futebol temos o mercado!
Nunca percebi se a utilização do singular serviria para distinguir o mercado da bola - coisa que o povo percebe bem, que trata mesmo por tu, nada lhes escapando - do financeiro, que não entende de todo, que dele só sabe que serve de desculpa para os que lhes lixam a vida. Ou se, quando se trata de nos lixar a vida, há mesmo muitos e, quando o negócio é comprar e vender jogadores, basta um. À primeira vista dir-se-ia que há dois: o de Verão e o de Inverno, pelo que o uso do singular só pretende mesmo separar o trigo do joio. Mas logo podemos entender que Verão e inverno são apenas as duas faces da mesma moeda, duas épocas de um mesmo e único mercado. Assim como se fossem a época normal e a de saldos!
Seja lá como for as transferências de jogadores de um lado para o outro acontecem no mercado, e não nos mercados. E o mercado, ao contrário dos mercados - que só fecham ao fim de semana - fechou à pouco, há meia noite de ontem, e já só voltará a abrir de novo no Verão. Em boa verdade não fechou completamente, ficaram duas engras por onde ainda alguma coisa vai passar: a Rússia e a Turquia, onde não costuma faltar dinheiro!
E se não se pode dizer que a montanha pariu um rato, também não se pode exactamente dizer que não tenha ficado muita gente a chuchar no dedo…
Fica a ideia que, no Porto, Pinto da Costa vai ter de comprar algumas chupetas, se não quiser que o Fernando, o Otamendi e o Mangala estraguem os dedos. Que bem falta lhes fazem, é tudo gente que usa muito as mãos para jogar à bola. Os dois primeiros nem sequer tinham seguido com a equipa para a Madeira, veja-se bem o melão…
Da mesma forma que fica a ideia que o mercado foi generoso para o Benfica. Ou para Luís Filipe Vieira, sabe-se lá!
Como fica a ideia que continuam por lá toupeiras… Só isso explica a notícia antecipada do negócio do André Gomes. Que é afinal idêntico ao do Rodrigo, e onde Jorge Mendes não é Jorge Mendes, mas um fundo do Jorge de Mendes. Porque, aí, o mercado é igual aos mercados, onde os fundos são quem mais ordena.
O Benfica encaixou 70 milhões de euros e, para já, perde apenas um jogador: Matic, como há muito se sabia e já havia sido assimilado pela massa adepta. O Rodrigo fica a jogar até ao fim da época, tal como o André Gomes, no banco. É quase certo que o Garay ainda vai sair pela engra russa que ainda ficou aberta, no que será certamente o pior negócio de todos. Mas inevitável. De uma incompreensível inevitabilidade!
O mais excitante fecho de mercado aconteceu no entanto em Alvalade. Este Sporting não pára de surpreender!
Investindo como pequeno está a fazer o campeonato de grande. E bastam-lhe 500 mil euros para ser a estrela maior da noite de fecho do mercado. A Lisboa já tinha chegado uma estrela faraónica, com nome de jogador, sem dúvida, mas de mau presságio: Shikabala. Shik, abala!
Bastou isso para que, entre Shik abala e Shik fica, ficasse provado que nem só de milhões se faz a excitação dos grandes negócios. Para se ter uma ideia do suspense hitchcockiano, às cinco para a meia-noite, Shik abalava. E à meia-noite, em ponto, Shik ficou!
Mas mais. O Sporting foi ainda o rei da noite porque, mesmo assim, foi quem mais se reforçou. Ao egípcio juntou ainda o cabo-verdiano Heldon, contratado ao Marítimo por 1,5 milhões. Que festa, com dois milhões!
Nem tudo correu bem, mas disso não há imprensa que fale. Não conseguiu livrar-se do Elias. Mas livrou-se do Jeffren, que também não era pêra doce!
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