UE VIRTUAL
Por Eduardo Louro
A União Europeia (UE) já não existe. É meramente virtual!
Começou a desaparecer quando deixou de haver quem mandasse, como sempre acontece com tudo o que é organização. A velha questão da liderança!
À falta de quem mandasse, a Alemanha, com a Srª Merkel, chegou-se à frente e começou a falar grosso. E começou a mandar, coisa em que, no fundo, nem os alemães estavam assim tão interessados. Ao ver isso a França de Sarkosy começou a pôr-se em bicos de pés – não leve a mal Mr Sarkozy, isto de bicos de pés não é ironia -, e a aconchegar-se ao lado da senhora, a dar a ideia de que haveria um eixo franco-alemão a tomar conta do estabelecimento. Mera ilusão, não saiu dali nada de jeito!
A partir daí a desagregação acelerou-se. Cada estado membro passou a preocupar-se apenas com os interesses do seu próprio país, e daí até que cada líder nacional passasse a preocupar-se com o seu futuro político imediato foi um ver se te avias! As decisões já não eram tomadas em função do interesse da União, nem sequer do interesse do país membro, mas do interesse imediato de quem aí ocupava circunstancialmente o poder.
E a UE passou a ser governada com os olhos nas eleições que todas as semanas ocorriam num qualquer canto da Europa. Passou a ficar refém do eleitorado de um estado alemão qualquer, de um município francês ou austríaco. Ficamos suspensos das eleições finlandesas, como nós portugueses nos lembramos bem. E, de repente, damos com a União à mercê, já não dos interesses particulares de cada país membro, nem sequer das conveniências eleitorais deste ou daquele líder nacional, mas do simples jogo político de um qualquer pequeno partido que integre uma coligação qualquer no poder de um qualquer pequeno país.
A Eslováquia encarregou-se de mostrar com toda a clareza que a UE já não existe. A ratificação da medida salvadora – o reforço do Fundo de Estabilização Financeira (FEF) – que os europeus saudaram em 21 de Julho ficou presa no parlamento eslovaco nas mãos de um pequeno partido. Uma decisão fundamental que foi de férias e, quando regressou, três meses depois, ficou à porta do parlamento de um país com três milhões de europeus!
Mas a senhora Iveta Radicova – primeira-ministra eslovaca – já veio dizer que a birra do seu parceiro de coligação vai passar. Que na próxima semana a coisa se resolverá!
Surreal!