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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há coisas que não fazem sentido. E não, não é este meio campo!

 

O jogo que levava o número 7 na contagem decrescente do campeonato, a primeira das finais que agora eram sete, estava aprontado para Vila da Feira, com o Benfica a defrontar o último classificado, e recordista de jogos sem ganhar na História do campeonato nacional.

Ninguém admitia que essas duas circunstâncias negativas que marcam a situação do Feirense se traduzissem em facilidades. Até porque ainda há bem pouco tempo, há menos de um mês, por lá tinha passado o Porto e, neste inevitável jogo de espelhos, vimos o que lá se passou, e como foi sofrida, discutida e discutível a tangencial (2-1) vitória portista. Esta era mesmo mais uma final, e não há finais fáceis.

Sem Gabriel, Bruno Lage tinha sérios problemas no meio campo para resolver. No plantel não há outro jogador com aquelas características de dínamo da equipa. Quem recupere bolas, e pense e distribua o jogo, em tão pouco espaço de tempo. E, sem Rafa, o Benfica perdia o seu principal desequilibrador, e o mais explosivo dos seus alas. A primeira curiosidade para o jogo era mesmo a de perceber como resolveria o treinador do Benfica essa contrariedade.

Entendeu montar o seu 4x4x2 com quatro centro-campistas puros - Pizzi, Florentino, Samaris e ... Taarabt - pois claro -, e sem alas. Com um plantel inflacionado de extremos, Bruno Lage apresentava uma equipa sem ninguém especializado na exploração das faixas laterais.    

 Com esta opção o Benfica ocupava, na mesma, o campo em toda a sua largura e nem se pode dizer que se limitava a procurar jogo interior mas, faltando velocidade e variedade ao jogo exterior, o seu futebol começou a ficar demasiado previsível e rapidamente o Feirense começou a sentir-se confortável a defender, e passou a ser mais agressivo na disputa da bola e mais ousado a sair para o contra-ataque. 

Na primeira vez que chegou à baliza de Odysseas, passavam apenas 10 minutos de jogo, o Feirense marcou, como tantas vezes tem acontecido, quase sempre com maus resultados. O Benfica partiu atrás do prejuízo, mas nem tudo saía bem. Antes pelo contrário, e aos 20 minutos a bola voltava a entrar na baliza do Benfica, num lance que também não é propriamente novidade, a partir de um livre lateral.

Valeu a posição do árbitro assistente, e a confirmação do fora de jogo pelo VAR. A partir deste lance o Benfica percebeu que tinha de pôr mais intensidade no jogo, acelerou mais e as oportunidades começaram a surgir. Até que, aos 36 minutos, quando parecia que estaríamos perante mais um penalti que ficaria por assinalar a favor do Benfica, na circunstância sobre Pizzi, o VAR interveio e alertou o árbitro João Pinheiro para ir visualizar as imagens, e ver claramente o que toda a gente tinha visto. Creio que é a primeira vez que o VAR vale ao Benfica, dando a oportunidade de Pizzi empatar o jogo.

A equipa continuou a confirmar o crescendo da sua exibição. Pouco depois do golo do empate João Félix introduziu a bola na baliza do Feirense, na sequência de uma vistosa jogada de transição ofensiva. Anulado, também bem, mesmo que este fosse mais fácil de escrutinar. E virou o resultado ainda antes do intervalo, com o segundo golo, por André Almeida, a surgir mesmo em cima do apito para o descanso, deixando a reacção do Feirense para a segunda parte.

Que no entanto arrancou praticamente com o terceiro golo do Benfica, numa excelente execução de Seferovic, pouco afectado por não ter tido direito a noite de núpcias (parabéns, e felicidades para o casamento), a aproveitar um problema de comunicação na defesa do Feirense. A partir daí percebeu-se que o jogo pouco mais teria para dar que mais golos do Benfica.

A equipa passou a gerir o jogo e só por um curto período de tempo, durante cinco a dez minutos por volta do meio da segunda parte, depois de desperdiçadas algumas oportunidades para dilatar o resultado, deixou de ser verdadeiramente dominadora no controlo do jogo. 

Sem alas - Cervi entraria apenas aos 81 minutos, para substituir o milagre Taarabt - a faixa esquerda foi toda de Grimaldo, que só à sua conta criou três ou quatro situações de golo feito. Na última, ao minuto 89, colocou na cabeça de Seferovic o bis, e o quarto, que fixaria mais uma goleada.

Faltam agora seis finais. Parece-me que é caso para dizer que é pena que, dessas seis, apenas duas sejam fora. É que parece claro que a equipa se sente melhor fora que na Luz. O que se calhar não admira, porque também parece que o apoio do público é bem mais vibrante por esses campos, por este país fora, que na Catedral. 

E isso não faz sentido nenhum!

 

O espectador que não pagou bilhete

 Resultado de imagem para feirense benfica rafa

 

Benfica tinha hoje mais uma final. Desta vez na Feira, na última visita ao Norte (as saídas de Lisboa, para norte, são sempre ao Norte), num jogo tido por elevado grau de dificuldade. Bem apregoado, e com rábulas várias, a começar na dos bilhetes.

Terá no entanto sido o mais fácil dos últimos jogos do Benfica, com um resultado que não tem nada a ver com o que se passou no campo. Mesmo sem ter feito uma grande exibição, que não fez, a superioridade do Benfica foi absolutamente evidente durante todos os minutos do jogo. Que começou a construir-se logo no pontapé de saída - o Benfica empurrou o Feirense lá para trás, para a sua baliza, e não mais lhe permitiu que de lá saísse. Com a equipa azul remetida à sua área, o Benfica usou preferencialmente as alas para conduzir a bola para a finalização. Os cruzamentos sucediam-se, como se sucediam os cortes da defesa adversária. E os cantos. Remates é que poucos. Muita construção para pouca finalização, porque faltava presença na grande área sobrelotada de jogadores do Feirense.

Mesmo assim meia dúzia de oportunidades de golo, a mais flagrante das quais num remate de Rafa ao poste, numa das poucas jogadas pelo centro do terreno, em que o mais infeliz rematador do Benfica fez gato-sapato da desfesa adversária. Varela tocou na bola três vezes: duas para a repôr, em dois pontapés de baliza, e uma para a recolher de um balão da defesa feirene.

Chegou-se assim ao intervalo. Assim, e com a expulsão de um jogador do feirense - Tiago Silva. Inevitável: depois de um primeiro amarelo que já deveria ter sido vermelho, fez falta por trás sobre Rafa, isolado a caminho da baliza.

A segunda parte abriu no mesmo tom, mas com o Benfica com mais qualidade. Os primeiros cinco minutos foram um sucessão de bom futebol e de oportunidades flagrantes, mas a bola continuava a teimar em não entar. Até que entrou Raul Gimenez. A provar que tinha chegado atrasado, fez golo na primeira vez que tocou na bola. E não foi por acaso, foi porque trouxe de facto novas coisas ao jogo, que o Benfica não tinha e que lhe faziam falta.

O golo trouxe outro jogo, como quase sempre acontece. O Benfica recuou e chamou o Feirense para a frente, convidando-o a abandonar o conforto da sua área. Mesmo não tendo aceite o convite sem reservas, o Feirense lá se adiantou um bocadinho uma vez por outra. Bastou isso para o Benfica encontrar espaço para as saídas rápidas, coisa nova no jogo, e para que Rafa, que já era o melhor em campo, se passasse a sentir como peixe na água. E a continuar a mandar bolas ao poste, a continuar a perder duelos com o guarda-redes, e até a marcar. O segundo do jogo e o seu segundo no campeonato. Faltava jogar o último quarto de hora, e faltava o golo de Jonas.

Esperou-se, esperou-se ... mas não apareceu. Mas não foi por falta de oportunidades, nem por ter sido seguido à pedrada. Foi porque ... há dias assim. E hoje foi dia de a bola se embeiçar pelos postes - por três vezes foi bater no lado errado do poste -, pelas pernas dos jogadores e pelo próprio guarda-redes do feirense.

No fim, ficou um resultado escasso para tanto futebol. Mais umas entradas maldosas sobre jogadores do Benfica, mas apenas mais uma expulsão, mesmo já no fim. E tanta superioridade. Num jogo em que o Varela foi mais um dos milhares de espectadores benfiquistas. Com a vantagem de não ter sido obrigado a pagar um preço escandaloso pelo bilhete!

 

 

 

 

Um jogo selvagem

 

Muito difícil, este jogo do Benfica em Santa Maria da Feira. Esperavam-se dificuldades, mas não tantas como as que o jogo apresentou. Pelo campo, que é sempre difícil, a que a chuva trouxe ainda mais dificuldades, e pela própria equipa do Feirense, muito bem trabalhada pelo seu jovem treinador. Nuno Manta é certamente mais um valor a despontar no futebol nacional, na linha de Marco Silva, e de mais um ou dois que por cá vamos tendo oportunidade de apreciar.

Comecemos por aí, para dizer que, à parte a motivação extra que sempre representa defrontar o Benfica, os jogadores do Feirense correram como poucos, jogaram no campo todo, raramente se remetendo à exclusiva defesa da sua área, e fizeram tudo isso com grande qualidade, individual e colectiva.

A equipa do Feirense tornou o desafio num jogo selvagem, completamente indomável. Um jogo que nunca se deixou controlar, porque só se consegue controlar um jogo depois de controlar o adversário. E o Feirense nunca se deixou controlar, mesmo com o Benfica a ter a bola em na sua posse durante dois terços do tempo de jogo.

Se a tudo isto juntarmos, mais uma vez, as muitas ausências - desta feita faltaram o maior desiquilibrador (Nelson Semedo), o maior equilibtrador (Fejsa) e o de maior classe (Jonas), que só entrou na parte final - temos o quadro completo das enormes dificuldades que hoje o Benfica encontrou.

Na primeira parte nem o Benfica foi superior ao Feirense, nem teve muito mais oportunidades de golo. Ao contrário do adversário o Benfica proveitou, com o golo de Pizzi já perto do intervalo, uma das duas ou três oportunidades que criou. 

Na segunda parte, à excepção de cerca de 10 minutos ali pelo meio, a superioridade do Benfica foi clara, mesmo que nunca lograsse o domínio absoluto do jogo. O Feirense não dispôs de mais que uma oportunidade de golo, naquele canto que levou a bola até ao pé esquerdo do Ederson, que só a segurou depois de já a ter procurado dentro da baliza, enquanto o Benfica despediçou uma enorme séria de oportunidades claras. Três ou quatro, só à conta de Mitroglou.

Se a primeira parte deu ao jogo o golo de que se fez a vitória, a segunda deu-lhe os argumentos para a justificar.

O que se não justifica, não se aceita, nem se desculpa, é o comportamento de alguns adeptos que estavam atrás da baliza do Feirense na primeira parte. Envergonha-nos a todos, Envergonha-me a mim!

FUTEBOLÊS#110 PRIMEIRO POSTE

Por Eduardo Louro

 

Os postes fazem parte da baliza. Cada uma tem dois e, ao contrário da inseparável trave – que tanto lhe chamam trave, como travessa, travessão ou barra – respondem sempre e só pelo nome de poste.

Tempos houve em que eram de madeira, bem facetados, uns paralelepípedos longuilíneos. Outros, quando a bola se jogava nas ruas, em que nem passavam a barreira do virtual, quando quaisquer duas pequenas pedras davam para assinalar os dois únicos limites físicos de uma baliza, com postes e barra virtuais, imaginados a partir daquelas duas pedras. São, de há uns tempos a esta parte, em tubos metálicos redondos. Pintados de branco, como sempre…

Nada disto tem, em futebolês, especial relevância. Não é a isso que se dedica nem é com isso que se preocupa. Os postes estão lá para realizar a sua função, o que, para o futebolês é perfeitamente secundário!

O que para o futebolês é fundamental é perceber que, numa bola parada ofensiva, é decisivo colocar alguém ao primeiro poste que possa desviar a bola para um companheiro que entre ao segundo poste. Porque, assim, desposiciona a defesa adversária, irremediavelmente batida pelo desvio ao primeiro poste! Ou que, a defender um canto, não se deve descurar a cobertura ao primeiro poste. Ou mesmo a ambos, com um jogador bem encostado a cada um deles!

Ou ainda que, se o atacante está descaído para a direita, deve tentar colocar a bola no segundo poste. Porque o guarda-redes adversário terá a preocupação de tapar ao primeiro poste: quer dizer, por ali ela não passa. Neste caso ao segundo poste também se chama poste mais distante, sendo que o mais próximo é o primeiro poste!

Naturalmente que o mais fácil é rematar ao primeiro poste. Apenas os mais dotados conseguem, com êxito, rematar ao segundo poste. Através da trivela ou da folha seca porque, de outra forma, o mais certo é a bola acabar por sair mais perto da linha lateral do que do segundo poste.

Curiosamente estes dois postes deixam de ser o primeiro e o segundo para passarem simplesmente a ser o direito ou o esquerdo quando a referência é o seu mais fiel companheiro: o guarda-redes. Ninguém convive tão de perto com os postes como o guarda-redes, há ali uma intimidade óbvia e cumplicidades evidentes que constituirão razão suficiente para um tratamento diferenciado. Daí que, quando a referência é o guarda-redes, a bola não sai ao lado do segundo poste. Nem entrou junto ao primeiro poste. A bola saiu ao lado do poste direito do guarda-redes, ou entrou junto ao poste esquerdo

Se a bola vai ao poste, e se afasta das redes, é o romance entre o poste e o guarda-redes na sua maior exaltação. Já se do poste ela ressalta para dentro da baliza, alguma coisa de errado se terá passado entre ambos. Mas, em qualquer dos casos, a bola bateu no poste … direito. Ou no esquerdo. Nunca no primeiro ou no segundo poste!

Alguma coisa de errado se terá também passado à volta do jogo deste fim-de-semana entre o Feirense e o Benfica. Consta que o Feirense, para maximizar a receita do jogo e aproveitar da melhor forma o autêntico abono de família que são as visitas do Benfica, solicitou à Liga que o jogo se realizasse em Aveiro onde, de resto, a equipa tem jogado por ter o seu estádio em obras. Consta que a Liga não aceitou essa pretensão do clube de Vila da Feira, coisa que terá algo de errado. Ou que não se percebe. Ou que talvez se perceba de dermos ouvidos a um boato que por aí circula: que alguém terá oferecido ao Feirense o montante de compensação da receita. O que até explicaria os exorbitantes mais de 25 euros que cada adepto do Benfica terá de desembolsar para assistir ao jogo…

Enfim, outros postes… E outros romances!

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