A MEIO DA PONTE
Por Eduardo Louro
Quando Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo e Poul Thomsen, até há pouco chefe da delegação do FMI, reconhecem - depois de toda a gente - os erros estratégicos do plano de resgate à Grécia (igualzinho ao nosso), em visita pelos Estados Unidos, o ministro das finanças, Vítor Gaspar, apostado em contrariar essas declarações, quis mostrar a luz ao fundo túnel e afirmou acreditar que Portugal pode sair da crise mais depressa que o previsto. Garantiu “que estamos a aproximar-nos do meio da ponte”.
Aqui, acho que tem razão: estamos exactamente aí. No ponto onde não sabemos se seguir em frente ou voltar para trás. No sítio onde voltar para trás é muito complicado - já andamos muito, temos outro tanto para andar e desperdiçamos o esforço de duas viagens, o que sempre nos aterroriza – e onde questionamos o destino. Será que vale a pena continuar em frente?
Vítor Gaspar não poderia ter encontrado melhor frase para expressar o seu insuspeitável optimismo…