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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

VIVA O BENFICA!

Por Eduardo Louro

 

Não há vitórias morais. Mas… Viva o Benfica!

Não há sorte e azar. Mas há!

Não há bruxas. Mas até parece… O mesmo resultado, o golo no mesmo último minuto…

O Benfica foi superior ao Chelsea nesta final. Completamente: individual e colectivamente, técnica e tacticamente. Só não o foi no plano físico mas, mesmo aí e surpreendentemente – para quem tem visto os últimos jogos – o Benfica esteve bem. Não rebentou, embora a perspectiva do prolongamento fizesse temer o pior.

Jogou melhor, muito melhor que o Chelsea. Mas não chega. Para o Benfica nunca chega jogar melhor que os adversários. É sempre preciso qualquer coisa mais… Foi anulado um golo – que seria o primeiro do jogo – sem que ainda agora consiga perceber por quê. E sofreu logo a seguir um golo, que começa num lançamento longo do guarda-redes: nem devia valer!

O Benfica reagiu bem, não teve medo e continuou a ser melhor. Chegou rapidamente ao empate, e continuou por cima. Jorge Jesus tinha arriscado tudo, já jogava com Gaitan a lateral esquerdo. E perdeu Garay. Perdeu Garay, o melhor defesa, e com Enzo e Matic o melhor jogador em campo, e a oportunidade de mexer na equipa, esgotando aí as substituições!

Faltavam dois minutos para os 90 quando Lampard acerta no ferro da baliza de Artur. Era o sinal por que se esperava: tinha sido assim ao longo da competição, a seguir a uma bola no ferro o Benfica marcava. Voltou a ter oportunidade para isso, mas voltou a falhar, como tantas vezes tinha já falhado. E no último minuto… Se o primeiro nem devia valer, o segundo, então…

Nasce de um canto em que Jardel – que substituíra o Garay - é passarinho. Depois, continuou passarinho, a olhar para a bola, sem a atacar, deixando que o André Almeida deixasse sozinho o mais alto e melhor cabeceador do Chelsea, o sérvio Javanovic.

A bola foi ao centro, e Cardozo tem ainda mais uma oportunidade imensa de voltar a marcar. Não se percebe o que lhe aconteceu aos pés e voltou a falhar… É isso, nestas andanças não se pode falhar. A concentração competitiva e a força mental – que se trabalham, como a condição física e a qualificação técnica - são mais importantes que tudo o resto. Sem isso há sempre muito azar. É o nosso fado!

Claro que não há nada a apontar aos jogadores. Que, face ao que se passara no sábado, poucos esperariam que entrassem em campo como entraram. E que fizessem o jogo que fizeram. Claro que vamos ao aeroporto receber os jogadores em festa. Claro que no próximo domingo vamos encher a Luz, com aquela fé imensa, como os jogadores merecem. Mas estou farto do azar. Estou farto que, quando realmente importa, a sorte esteja sempre do outro lado…  

PELA NONA VEZ!

Por Eduardo Louro

 

O resultado que o Benfica trazia de Istambul – apesar de tudo, incluindo mesmo a forma como surgiu o golo da vitória da equipa turca, de um falso canto, naquilo que foi um festival de equívocos da equipa de arbitragem, melhor que a exibição – era daqueles a que se chamam traiçoeiros. Diz-se que, com um golo no campo do adversário, o 1-0 caseiro transforma-se logo num grande resultado.

O Benfica entrou bem no jogo, precisamente para evitar isso, que o resultado de Istambul se dilatasse. Bem cedo fez o primeiro golo, e bem cedo deixou a ideia que o mais difícil estava feito. Só que, na primeira vez que os turcos chegaram próximo da área, o árbitro arranjou maneira de marcar um penalti que, ao contrário do que sucedera há uma semana, foi convertido em golo. Aí estava o tal golo que praticamente duplica a vantagem do magro 1-0, transformando-o num resultado quase confortável.

Mas não foi assim. E aquilo que poderia ter sido o marco fundamental do jogo não passou de um simples incidente. De um dos muitos criados por uma equipa de arbitragem francesa que até poderá não ter sido mal intencionada, mas foi confusa, atabalhoada e trapalhona. Porque o Benfica, mesmo sem jogar em permanência a alto nível, foi sempre muito superior ao adversário. Em todos os capítulos do jogo, em todas as zonas do terreno e, naturalmente, na mais importante: no meio campo. Que Matic – de novo, como sempre, o melhor em campo - sem oscilações, sempre em altíssimo nível e Enzo Perez – mais outra enormíssima exibição deste médio ala que Jesus transformou num dos melhores 8 do futebol europeu da actualidade - dominaram de forma soberba.

 E pronto, lá estamos na final de Amesterdão. Na nona final europeia da História do Benfica, na cidade onde, faz precisamente hoje 51 anos, ganhou a última: a sua segunda Taça dos Campeões Europeus. Conta-se que vem daí a famosa maldição de Guttman….

Lá estaremos na segunda final da época, à entrada das portas do céu, prontos a enterrar em definitivo essa maldição cinquentenária, frente a um Chelsea campeão europeu, com outros recursos, é certo, mas que ainda há pouco mais de ano, no caminho para esse título que ostenta - e ostentará ainda na final - levou a melhor sobre o Benfica por outras razões que não exactamente por ter sido superior!

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