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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EURO 2012 (XXIX) - E VIVA ESPAÑA

Por Eduardo Louro

                                                          KIEV, UKRAINE - JULY 01:  Spain fans enjoy the atmosphere ahead of the UEFA EURO 2012 final match between Spain and Italy at the Olympic Stadium on July 1, 2012 in Kiev, Ukraine.  (Photo by Jasper Juinen/Getty Images)            

É por isto que o futebol tem um encanto único. É por isto que o futebol é paixão!

A Espanha chegara à final depois da sorte dos penaltis, depois de não ter conseguido superiorizar-se à nossa selecção nacional mas, mais que tudo isso, depois de parecer ter-se esquecido que os jogos se ganham com golos, e estes fazem-se de remates. Quando o seu famoso tiki-taka já enjoava e aborrecia, servindo apenas para defender, para ter a bola não para construir jogo, remates e golos mas apenas para que o adversário a não tivesse. Depois de garantido o apuramento no seu grupo – o que ditaria os finalistas de hoje – com mácula, com a mancha da arbitragem naquele jogo com a Croácia. A mancha que, como aqui se disse, não seria fácil de limpar!

A Itália chegava à final depois de uma vitória que, não sendo clara e expressiva nos números, fora categórica pela exibição. Sempre em crescendo, depois do jogo inaugural do seu grupo de apuramento, precisamente contra esta mesma Espanha, onde já mostrara não ser inferior. Uma equipa objectiva, constituída por grandes jogadores, com um Pirlo sublime e Balotelli a aparecer, como que a querer dizer que este seria um europeu onde haveria de deixar marca. Desde logo como principal marcador!

E de repente, como só no futebol acontece, tudo isto foi virado ao contrário. Quem parecia estar por baixo, renascia. E quem parecia estar por cima estava afinal lá bem em baixo!

E essa Espanha que enjoava de repente voltou a encantar e, sem piedade, goleou e humilhou esta Itália renovada e sedutora. Sem essa posse de bola pornográfica – pela primeira vez esteve em inferioridade nesse capítulo, 43% no final da primeira parte – a selecção espanhola goleou e criou inúmeras oportunidades de golo mas, acima de tudo isso, encantou os adeptos do bom futebol (também há dos outros). E obrigou a Itália a partir precisamente pelo seu ponto mais forte: a defesa. Estranhamente pela defesa, que tão bem se entendera no primeiro jogo com esta mesmíssima equipa, a do 4-6-0, sem ponta de lança e com Fabregas. Mas que não era a mesma defesa…

Prandelli tinha então apresentado três centrais, sistema que abandonou logo a seguir, para começar a construir o futebol sedutor com que chegaria aqui. Hoje não quis regressar à primeira fórmula, e estará provavelmente bem arrependido.

Mas não é apenas no atípico pormenor da posse de bola, na inimaginável superior posse de bola dos italianos, nem nos buracos abertos pela defesa italiana, que este jogo surpreendeu. Casillas teve muito mais trabalho que Buffon, que sofrendo quatro golos - e poderia ter sofrido alguns mais - fez apenas duas defesas em todo o jogo. A primeira no último minuto da primeira parte, muito fácil, num remate à figura de David Silva. E a segunda no último minuto do jogo, que nem se deveria chamar defesa, porque foi Sergio Ramos a entregar-lhe a bola quando, de calcanhar, tentou concluir uma excelente assistência de Torres. E, na primeira parte – que foi quando o jogo se resolveu, a segunda foi mero proforma, especialmente depois de Prandelli ter, muito cedo, esgotado as substituições e a equipa ter ficado reduzida a dez, com a lesão de Thiago Motta (apenas três minutos em campo) aos 60 minutos – as equipas remataram o mesmo número de vezes: oito! E no entanto a superioridade de la roja foi imensa…

Pirlo, que vinha sendo a estrela que brilhava mais alto, na azurri e no campeonato – e que provavelmente discutiria hoje com Iniesta o título de melhor jogador deste euro – hoje apenas teve oportunidade de se mostrar nas bolas paradas. E se confronto havia, perdeu-o para o catalão. Xavi, de quem se dizia que passara ao lado do torneio, cansado ou mesmo esgotado, ressurgiu hoje ao seu nível. E já não surpreende que, com o melhor Xavi, tenha aparecido a melhor Espanha. Como um cavalheiro que traz a senhora de braço dado, pela melhor passadeira: a da final!

A Espanha soube apresentar-se ao seu melhor nível neste desafio que a História lhe propunha. Tornou-se na primeira selecção a vencer por três grandes competições consecutivas: europeu – mundial - europeu. E igualou, com três títulos europeus, a Alemanha. Com um único golo sofrido - logo no primeiro jogo - e doze marcados. Só sofreu da Itália e só não marcou a Portugal. Notável!

Pedro Proença está em maré de sorte, ninguém tem dúvidas. Deixou um penalti por marcar, logo no início da senda parte, a favor da Espanha. Mas, com 4-0 ninguém se vai lembrar disso…

E viva España!

EURO 2012 (XXVIII) - VENHA A FINAL!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Fizemos aqui uma espécie de balanço da primeira fase deste Euro 2012, voltamos a fazê-lo quando o pano caiu sobre os quartos de final. Não há razão para que não o façamos sobre as meias-finais!

A esta competição, marcada por um certo paralelismo com a crise do euro – do outro, que afinal conta bem mais – e da Europa, chegaram em maioria os representantes dos PIIGS, todos representados nesta fase final deste Euro 2012. Na primeira fase caiu apenas um – a Irlanda -, coisa que se repetiu nos quartos de final, com a pobre Grécia a ser expulsa pela implacável Alemanha. Que se viu depois sozinha nas meias-finais rodeada de PIIGS por todos os lados, a reclamarem o protagonismo na bola que a economia e as finanças lhes negam no euro. E dispostos a vingar-se da Alemanha!

Portugal e Espanha, os vizinhos ibéricos em dificuldades, abriram a discussão pela presença na final, num jogo marcado pelo medo, como então aqui se caracterizou. Um medo que pareceu mais evidente na selecção espanhola, que abdicou do seu estilo de jogo habitual, recorrendo como nunca ao improvável jogo directo.

Normalmente, no futebol, quem abdica dos seus princípios de jogo, quem se descaracteriza em função do adversário, é penalizado. Esta é uma regra universal do futebol, sobejamente provada!

Não aconteceu isso desta vez porque os penaltis sorriram-lhe. E ninguém mais se lembrará que foi por essa unha negra que a Espanha chegou à final. Disse-se, e continua a dizer-se, que os espanhóis – que apenas se superiorizaram no prolongamento - ganharam porque tinham mais e melhores opções no banco. A que Del Bosque lançou mão com apurado sentido de oportunidade: no timing certo, as opções certas!

Sendo isto verdade, e tão mais evidente quanto Paulo Bento esteve no lado oposto, no timing – substituições muito tardias - e nas opções, com a entrada de Nelson Oliveira a ser completamente falhada e a de Varela, porque em substituição de Meireles, a esburacar o meio campo, a realidade é que a selecção nacional acabou por perder porque, antes de tudo isso acontecer, não conseguiu ganhar. Portugal podia e devia ter feito ganho o jogo nos 90 minutos. Não o tendo feito, não podia ter consentido que o domínio do jogo no prolongamento caísse para o lado dos espanhóis que, fisicamente mais desgastados, fizeram das fraquezas forças. E isto é do domínio mental. O factor mental pesou bem mais que o da qualidade do banco!

Porque falta-nos o hábito de ganhar, a rotina de vencer que faz com que se arrisque quando há que arriscar, que se percebam as dificuldades do adversário e que se entenda que é a altura do ataque fatal. Não é uma só uma questão de ambição – embora também passe por aí – é um problema de instinto. É o nosso fado do quase!

Esta Espanha do tiki-taka nunca como desta vez esteve tão ao alcance de Portugal. Não está, como desde o primeiro dia aqui se defendeu, ao nível de há anos atrás. Nem tem o melhor futebol da Europa!

Na outra meia-final, a imperial Alemanha, super favorita e disposta a impor o seu poder e a sua hegemonia também na Europa do futebol, encontrava-se com uma Itália surpreendente, com um futebol que ganhou atracção sem perder eficácia. E em crescendo, ao contrário do que começava a perceber-se na equipa alemã!

A Itália foi técnica e tacticamente muito superior à Alemanha, superioridade que o resultado não espelha. Por mérito próprio mas também por muito demérito alemão, pelo qual Low é principal responsável. Porque - mais uma vez o medo – abdicou também dos seus princípios de jogo para jogar em função do adversário. E desta vez não houve excepção à regra. Porque, mexendo muito na equipa de jogo para jogo, por ventura em excesso de confiança, lançou-a num processo descendente. E acabou com o fundamental Mario Gomez quando, esquecendo-se que um avançado vive de golos, o colocou de fora no jogo com a Grécia, quando era o melhor marcador em prova. Igualmente incompreensível a sua substituição ao intervalo. Erros a mais, perante um adversário que, ao contrário de Portugal, não está habituado a perdoar!

Ao lado do mérito italiano está, como a outra face da moeda, Prandelli. O treinador que, se não está a revolucionar o futebol da squadra azurri anda lá perto, tal é o salto de qualidade que evidencia. Um tipo de futebol que não abdica da habitual segurança defensiva, mas que defende muito mais alto, permitindo à equipa - e a Pirlo, o maestro e o melhor jogador deste europeu – recuperar a bola em zonas subidas do terreno, já mais perto da baliza contrária, onde depois chega com enorme facilidade. Tudo isto servido por jogadores de alta qualidade, em todos os sectores. E dois génios, um dos quais com muito de louco, de que todos temos um pouco!

Invariavelmente, nos períodos de maior lamaçal no calcio, a squadra azurri ganha o que houver para ganhar. É a minha favorita para amanhã levantar o caneco!

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