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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Já não se fazem revoluções como antigamente

 

De repente, no fim-de-semana, deparamo-nos com um gigantesco movimento social em França que trouxe para a rua centenas de milhares de franceses, dispostos a bloquear o país. Envergam coletes amarelos, o "gilet jaune", como que a assinalar o tom de emergência do protesto. Ou a sua espontaneidade: não precisa de qualquer forma de organização, e o simples colete de segurança que são obrigados a trazer no carro serve-lhes perfeitamente de traje de propósito.

É um movimento popular, espontâneo e inorgânico, como é próprio dos tempos que correm. Sem cadeia de comando, sem receber ordens de ninguém, e sem parceiro de diálogo. Apenas a polícia, para negociar um corredor aqui, ou outro ali.

Não me parece que seja surpreendente. Pelo contrário, é uma daquelas coisas que muita gente estava à espera que acontecesse. É daquelas coisas cujos contornos vislumbramos com grande frequência nas redes sociais, em esboços que percebemos que podem engrossar e ganhar forma. 
Em causa estão os aumentos nos preços dos combustíveis, mas poderia estar outra coisa qualquer. Motivos não faltam. Os agentes do poder político tudo têm feito para que não faltem motivos de revolta às suas gentes. E têm-no até feito com arrogância, com muita arrogância para que a revolta seja ainda maior!
Numa reportagem que passou numa televisão, um sujeito já bem entrado na idade, com ar de quem estava ali a assistir aos acontecimentos na primeira fila, dizia com uma admirável tranquilidade: "sabe, quando eles não fazem as reformas que têm para fazer, terá que ser a revolução a fazer o que não foi feito". 
Imaginei-o 50 anos mais novo. Imaginei-o naquele Maio de 68, a exigir razoavelmente o impossível e a proibir que fosse proibido. E imaginei-me a dizer-lhe que as revoluções já não são o que eram. Que já não se fazem revoluções como antigamente ... 

 

Lições lá de fora*

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Ficamos todos muito impressionados com aquele ministro francês que se demitiu do governo de Macron numa entrevista, em directo, surpreendendo tudo e todos. Desde logo o próprio entrevistador, atónito.

Mas também o chefe do governo e o presidente Macron. Que o tinha convidado, percebe-se agora como se teria percebido na altura, para o papel de jarra decorativa. Ou daquela peça que fica sempre bem na parede, na mesa, na estante, ou até num governo…

NIcolas Hulot, o ministro que teve esta ousadia, é um conhecido ambientalista, um dos mais reputados activistas europeus da causa ecológica, jornalista e produtor de televisão. Uma daquelas personalidades mediáticas, com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, frequentemente até franjas activas de contra-poder.

Aceitou o convite de Macron, provavelmente convencido que o jovem acabado de eleger presidente francês era a pedrada no charco que decididamente agitaria as águas poluídas da política francesa. Se não de deixou seduzir pelo poder, pelo menos deixou-se seduzir por Macron.

Depois de mais de um ano à espera de dar tempo ao tempo, percebeu que não passava de figura decorativa, e que as convicções ambientalistas de Macron e do seu governo se ficavam pelo discurso. Bateu com a porta e disse basta! Com todas as letras de uma frase que tem tudo para ficar histórica: “Não quero continuar a mentir a mim próprio”!

Pode não ficar na História, mas fica a lição. Uma lição que vem lá de fora, mesmo que não sirva de nada cá dentro…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Bater com a porta, mas com um murro na mesa!

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Na crista da onda que o levou ao poder, e fazendo dos grandes temas da actualidade bandeira e alavanca, Macron convidou para a pasta do ambiente um conhecido ambientalista - NIcolas Hulot - activista da causa, jornalista e apresentador de televisão. 

Até aqui, tudo normal. É frequente que os políticos se socorram de personalidades mediáticas, e/ou com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, ou mesmo próprios de franjas de contra-poder. Da mesma forma que também não é raro que activistas de certas áreas se deixem seduzir pelo poder, por puro deslumbramento, umas vezes, por convicção nos resultados da sua contribuição, noutras.

Quando isso acontece por deslumbramento, como quase sempre sucede por cá, não há grande volta a dar. Acomodam-se, esquecem rapidamente as causas que lhe deram notoriedade e, mandando os princípios às malvas, não incomodam nem afrontam o poder que integram. Quando isso é suportado na convicção e na crença em mudar o poder, se os resultados falham, resta apenas a frustração e o incontornável bater com a porta. Com mais ou menos estrondo...

Nicolas Hulot escolheu bater com a porta com uma força nunca vista. Em directo, numa entrevista numa televisão, apresentou a sua demissão. Publicamente, dando conta de toda a sua frustração pela sistemática irrelevância a que o governo e o presidente condenaram a sua acção e as suas propostas: “Não quero continuar a mentir a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos a avançar”!

A isto, não estamos habituados. Disto nunca vimos por cá. 

Quando é de questões ambientais que se trata, quando vemos e sentimos tudo o que já está a acontecer, bater com a porta desta maneira é um murro na mesa que tem de se ouvir muito para além das fronteiras francesas.

Rússia 2018#15 - A França, mas...

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A França é campeã mundial de futebol, vinte anos depois. Os franceses vieram à Rússia para ganhar e... ganharam!

O jogo da final de Moscovo confirmou isso mesmo, o pragmatismo do futebol da selecção francesa, cheia de grandes jogadores, dos melhores para cada posição, simplesmente programados para ganhar. Foi isso que mais se notou nesta final, num jogo disputado entre uma equipa preparada para jogar futebol, do bom, e outra para ganhar. Entre o futebol cínico e o futebol sexy,

Ganhou o futebol cínico. Ganha muitas vezes, ganha mais vezes ainda quando é servido por grandes jogadores. Pelos melhores!

 Ao intervalo a França ganhava por 2-1. Com um remate à baliza. Um único, e mesmo esse num pontapé de penalti. E com 31% de posse de bola. Na segunda parte não melhorou a posse de bola, mas rematou um pouco mais: fez quatro remates. Que lhe renderam mais dois golos.

Poderia dizer-se que foi esta a história do jogo, uma história de eficácia. E que, dito isto, fica a estória contada. Fica tudo dito sobre o jogo. Mas não, há mais qualquer coisa a dizer.

A Croácia surgia mais desgastada que a França. Porque se desgasta mais - o seu futebol de construção é mais desgastante - e porque, obrigada a jogar o prolongamento de 30 minutos em todos os jogos a eliminar, jogou mais 90 minutos, mais um jogo completo. E porque teve menos um dia de descanso. Mas isso não se notou, e os jogadores croatas depressa tomaram conta do jogo, com o seu futebol envolvente, de circulação pelos flancos e de cruzamentos a pedir conclusão na zona de golo.

Não lhe valeu de muito. Na primeira invasão francesa aos terrenos defensivos da Croácia, Griezmann fez uma das suas fitas e sacou um falta já próximo da área adversária, sobre a esquerda. Encarregou-se ele próprio da cobrança, e Mandzukic voltou a marcar. Só que desta vez na própria baliza, no décimo segundo auto-golo deste mundial - recordista na especialidade - mas o primeiro numa final do campeonato do mundo.

Sem rematar à baliza, pouco depois de esgotado o primeiro quarto de hora, a França já ganhava. E sabe-se no que isso costuma dar...

Mas não deu. A Croácia, qual formiguinha, não se deixou impressionar e voltou ao trabalhinho, como se nada se tivesse passado. Estava bem habituada a isso - em todos os jogos tinha começado a perder, e no entanto estava ali, na final a discutir o título mundial. Continuou a dominar o jogo, a jogar melhor, a mandar no ritmo e a ter a bola só para si. E apenas 10 minutos depois repunha o empate, num excelente golo de Perisic. A bola veio de um canto, é certo, mas não é justo dizer que foi mais um golo de bola parada...

Só que, mais 10 minutos, e um penalti do VAR voltaria a colocar a França na frente do marcador. Penalti de Perisic, na sequência de um canto, mas tão falso como o livre do primeiro golo. O VAR... tem destas coisas.

E lá voltou de novo a Croácia ao trabalhinho... Até ao intervalo, a deixar  incólume um resultado cheio de mentiras...

No início da segunda parte LLoris negou o golo do empate, e percebeu-se a importância do momento. Até porque a equipa francesa subia as linhas e o desgaste croata começava a vir ao de cima. Até chegarem aqueles cinco minutos fatais, depois de fechado o primeiro quarto de hora. Primeiro foi Pogba, aos 60 minutos, num contra ataque que acabaria no aproveitamento de um ressalto, em que Modric acabou ainda por perder a noção do espaço e da bola, a desferir um golpe decisivo no melhor futebol desta final. E aí acabou a resistência da Croácia, já sem capacidade física e mental para voltar mais uma vez ao trabalhinho.

Cinco minutos depois Mbappé, já em compelto aproveitamento das circunstâncias, desferia o golpe de misericórdia numa Croácia finalmente derrotada. O caricato golo de Mandzukic, 4 minutos depois (três golos em 14 minutos numa final de um mundial, é obra!) teve apenas o condão de pôr algum gelo na arrogância francesa.

A França sempre foi uma das favoritas, e não surpreende que tenha sido campeã. Mas, com os jogadores que tem, francamente... Tem que jogar muito mais.

 

 

 

Rússia 2018#12 - o grande futebol

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No dia em que Cristiano Ronaldo foi confirmado na Juventus, e em que o mundo pôde assistir ao assalto final à gruta de Tam Luang, e ao resgate dos últimos jovens tailandeses, ficou conhecido o primeiro finalista deste campeonato do mundo, a primeira das duas selecções que no próximo domingo disputarão a grande final, que terá eventualmente como espectadores especiais justamente estes jovens que nas últimas semanas  emocionaram o mundo.

Depois de um grande jogo de futebol é a França que segue para a final de Moscovo, mercê de um golo do central Umtiti, em mais um golo de bola de parada, num pontapé de canto ainda na fase inicial da segunda parte. A Bélgica não chegou ao céu, foi empurrada para o purgatório, a que chamam jogo de consolação, mesmo que o consolo seja pouco. Ou nenhum...

Este seria sempre o jogo da final antecipada, este seria sempre o confronto entre as duas melhores equipas da competição. Seria assim, se lá estivesse o Brasil. Como foi assim com a Bélgica, uma grande equipa de futebol que explodiu finalmente. Depois de tantos anos de promessas, cumpriu. Cumpriu tudo o que vinha prometendo nos últimos três ou quatro anos, quando esta fantástica geração de jogadores atingiu a maturidade plena.

Passou a França, o único dos grandes favoritos que nunca falhou. Confirmou que é uma grande equipa, cheia de jogadores de altíssimo nível. A maioria deles ainda jóvens - apresentou a mais baixa média de idades num mundial - mas todos eles jagadores feitos, e já em plena maturidade, o que faz desta selecção francesa um caso sério do futebol mundial. 

Deve provavelmente grande parte do seu sucesso a esta maturidade. Já evidenciara, antes deste jogo, clara vantagem sobre a Bélgica na forma como geria os jogos, com muito mais tranquilidade, doseando bem a carga emocional, sabendo arrefecer o jogo. Por isso se desgastou sempre menos, física e mentalmente.

Hoje isso foi mais uma vez decisivo. A Bélgica foi muito superior na primeira parte, tal como acontecera no jogo com o Brasil. Mas, também como nesse jogo, não aguentou o mesmo ritmo na segunda parte. A diferença foi que desta vez não conseguiu capitalizar a sua superioridade técnica e táctica (o seleccionador, o espanhol Roberto Martinez, um verdadeiro estratega, consegue sempre surpreender tacticamente o adversário) da primeira parte, acabando por não tirar qualquer rendimento do seu melhor período. Após o intervalo, que Deschamps aproveitou bem, a França entrou melhor. E com o golo, logo ao fim dos primeiros 5 minutos, o jogo mudou por completo. E veio ao de cima toda a sua maturidade, que lhe permitiu gerir o jogo como mais gosta e melhor sabe.

Pode não ganhar a final do próximo domingo, mas que é bem provável que a França conquiste na Rússia, na sua terceira final, o seu segundo título mundial, lá isso é. 

E quando faltam três jogos para que o pano caia, já se pode dizer que, ao contrário do que a determinado momento se chegou a recear, o grande futebol passou pela Rússia. Chegou atrasado, mas a tempo de nos mostrar como eram descabidas, num mundial discutido por equipas europeias, as ditas ambições do campeão europeu.

 

 

"Um presidente não deveria dizer isto"

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Sabíamos que a França não cumpria o Tratado Orçamental e que daí não vinha mal ao mundo. Sabíamos, pela voz de Juncker, que a França podia violar o défice porque...era a França. Já o radical Dombrovskis era mais sofisticado, e explicava que a França escapava às sanções porque, incumprindo, é certo, tinha para ali umas virtudes no défice estrutural. Que depois já não precisava de explicar...

Ficamos agora a saber que era Juncker quem estava mais perto da verdade. Que a França pode fazer o que quiser com o défice, sem sofrer quaisquer sanções, porque é a França. Porque é grande e acha que não tem nada que ficar sujeita a regras. Isso é para os pequenos e fracos. Mas não lhe bastava achar isso, era ainda preciso impôr isso aos outros.

E é por aí que ficamos a saber que as coisas são assim. Os homens pequeninos não são capazes de permancer enfiados nos seus corpos pequeninos. A Hollande, um dos mais puros exemplares do homem pequenino, não bastava ter imposto aos outros a prerrogativa de não cumprir as regras. Tinha de se saber que tinha sido ele, e mais ninguém, o autor de tamanha proeza. Tinha de se saber que só ele estava à altura de impôr a grandeza resplandescente da França...

Para que tudo se soubesse e nada da grandeza do homem pequenino se perdesse, nada melhor que pôr tudo em livro. O título não podia ser melhor: "Um presidente não deveria dizer isto"!

Uma vergonha, esta Europa...

A história joga a nosso favor: nunca nos ganharam na final!

Euro2016: Griezmann festeja golo no França - Alemanha

 

No melhor jogo deste europeu, a sorte, os imponderáveis e dois improváveis erros colossais de dois jogadores alemães, decidiram que é com a França que vamos discutir o título de campeão da Europa.

A sorte que desde o jogo de abertura nunca voltou as costas à selecção francesa, voltou hoje a sorrir-lhe. Os imponderáveis - chamemos-lhe assim, mesmo que as decisões das arbitragens a favorecer os franceses tenham já pouco de imponderável - de um penalti no último segundo do minuto de compensação da primeira parte, que mudou o jogo. E dois erros individuais, raríssimos em jogadores da selecção alemã, que deram nos dois golos franceses. O primeiro com a imprescindível ajuda da equipa de arbitragem, e o segundo - verdadeiramente inacreditável - a não ser apenas um erro individual, mas três, sempre em sucessão...

Mas foi um grande jogo de futebol. A primeira parte foi, de longe, o melhor que se viu em toda a competição, com a Alemanha a fazer alarde da sua superioridade, sem dúvida a melhor equipa, mesmo sem os melhores jogadores, muito longe disso. A França não teve bola - a Alemanha teve então 70% de posse de bola - e sem bola não se pode jogar. 

Depois veio aquele penalti, já quando os jogadores se apressavam a sair para os balneários. Os alemães sentiram o golpe, e entraram mal no regresso ao jogo. Tão mal que só voltaram a mandar no jogo em reacção ao segundo golo francês, oferecido a Griezmann, que acabou por ser o melhor em campo. Mas então a sorte não quis nada com eles...

Deve no entanto dizer-se que o futebol da França melhorou significativamente ao longo da competição, numa progressão que não se afasta muito da que aconteceu com a selecção nacional. E dispõe de dois argumentos fortíssimos: está com níveis de concretização insuperáveis - aproveita cada oportunidade que lhe surja, criada ou oferecida - e tem as arbitragens na mão. Sempre!

A história diz que nos ganham sempre. E que nos tem afastado sempre das finais. Pois, mas agora é diferente. E nunca nos ganharam na final...

 

 

A estrelinha tem cor: "bleu"!

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Tínhamos visto aqui, logo na abertura, que a selecção francesa tinha bons jogadores. Mas faltava-lhe futebol. Hoje, no segundo jogo, confirmou isso tudo. Mas mais um atributo, porventura decisivo: tem estrelinha!  

Com uma sorte dos diabos ganhou à Albânia por dois a zero: o primeiro ao minuto 90, e o segundo no último da compensação. Ambos a partir de fortuitas perdas de bola dos albaneses em situação de ataque.

E pronto, com jogadores e estrelinha, a jogar em casa, a França é bem capaz de tirar alguma coisa deste europeu. Para já, com duas vitórias cheias de sorte, tem o apuramento garantido, e o primeiro lugar praticamente assegurado. O que dá o bónus de um qualquer terceiro classificado nos oitavos de final, praticamente com os quartos de final garantidos. E se nessa altura já tiverem um bocadinho de futebol...  

A bola já rola. E a França, é super favorita?

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Começou o Euro 2016. Com o anfitrião a abrir, como é da praxe. A favoritíssima França, membro do restrito grupo dos súper favoritos, com a Espanha, campeã em título, e a Alemanha, campeã mundial: três estatutos relevantes a determinarem uma condição de estatuto. Também relevante, porque a condição de favorito é sempre relevante,

No entanto a França que vimos abrir a competição não justificou essa condição de súper favorito. Para o justificar terá de evoluir muito, o que, com os jogadores de que dispõe, não tem muito de improvável.

Comentava há dias com uns amigos franceses a enorme quantidade de jogadores de talento imenso de que a França actualmente dispõe - quando se diz que Portugal dispõe hoje de um dos melhores lotes de centrocampistas do mundo, o que se terá de dizer da França? - ao que me responderam que o problema era fazer uma equipa. Percebi as dúvidas, tanto mais que se refletem sempre na selecção muitos dos problemas que marcam a sociedade francesa.

Mas este jogo não me ajudou nada a perceber isso. Não me pareceu que os 14 jogadores utilizados, à excepção dos da defesa todos do melhor que há, deixassem alguma vez de ser uma equipa. Ou de funcionar como tal. Não lutaram, nem correram menos que os adversários. Nunca deixaram de disputar qualquer bola com menos querer que os jogadores romenos.

E no entanto viram-se aflitos por ganhar por apenas 2-1 a uma selecção da Roménia vulgar, onde o nosso bem conhecido e velhinho Sapunaru, que nunca foi um craque, é dos mais dotados. E ganhou com um golo - o primeiro - irregular, que lhe deu uma vantagem que não durou mais de cinco minutos, e com outro já no fim do jogo - um grande golo, quando já ninguém esperava - em resultado da conjugação do talento do seu melhor jogador - Payet - com o esgotamento dos jogadores adversários. 

Não me parece que seja sentido colectivo que falte à selecção francesa. Falta-lhe mesmo é futebol. A equipa não tem futebol para o talento dos seus jogadores. O futebol não se basta com talento, precisa também de ideias. E não tem futebol porque faltam claramente ideias a esta selecção francesa cheia, a deitar fora, de jogadores fabulosos.

Pode até tudo ser explicado por ter sido o jogo de abertura, e o próximo desmentir tudo isto. Mas esse já será outro jogo. Este deixou-me esta ideia. Se o próximo deixar claro que a selecção francesa tem futebol para ganhar este europeu, é outra coisa. 

Nus. Ou sem cuecas...

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Não houve tempo a perder. Uma semana depois de terem sido levantadas as sanções o presidente iraniano fecha negócios de dezenas de milhares de milhões por Itália e França. Pelos milhões, e para que nada pudesse beliscar a obscura sensibilidade de Hassan Rouhani, os italianos mandaram tapar todas os nus das obras de arte espalhadas pela capital. Já em França, onde os milhões dos negócios eram ainda mais milhões, com muitos aviões e ainda mais petróleo, o vinho falou mais alto que os nus... E Hollande cancelou o almoço com o comprador de bolsos cheios: não há vinho, não há almoço.

Assim é que é. À italiana é que não: quando se baixa muito mostra-se o cu. Nem precisa de estar nu. Basta não ter cuecas... Mas disso o senhor gosta!

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