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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O trabalho deles

Em França, os portugueses “só estão protegidos pelo pára-raios magrebino” |  França | PÚBLICO

A morte do jovem francês, de origem argelina, despoletou mais uma onda de violência que tem deixado a França a ferro e fogo. É certo que a violência nas ruas não é propriamente novidade no país. Como certo é que o país tem tudo o que a potencia.

Também desta vez nada há de muito novo. Nahel - assim se chamava o jovem, de 17 anos - vivia com a mãe num bairro da periferia de Paris, igual a tantos outros nas margens das grandes cidades francesas, onde jovens vivem em guetos, em comunidades em que se fecharam, ou em que foram fechados, e foi assassinado por um polícia a quem tentava escapar numa operação stop.

O polícia atirou a matar. E matou. Dispunha de toda uma série de alternativas, mas escolheu atirar a matar. E isso é simplesmente inaceitável. Como é igualmente inaceitável a violência que, a partir daí, tomou contas das ruas. E não, não é simplesmente a vingança pela inaceitável morte. É a expressão da delinquência instalada numa sociedade desestruturada, que só precisa de um pretexto para sair à rua.

O polícia assassino é responsável pela morte do rapaz, mas é ainda responsável pela ignição desta onda de violência e de destruição.

A polícia sabe - tem de saber - que sempre que ultrapasse os limites da lei, ou mesmo da simples decência, está a abrir as portas à violência e à delinquência. 

Que sempre interessa a certa gente. Tanto que desataram a criar fundos para apoio à família do polícia, onde parece que já não falta dinheiro. No texto da petição de um deles, diz-se que o agente "está a pagar um preço alto por fazer o seu trabalho".

Não, o polícia "não fez o seu trabalho". Fez o trabalho deles!

 

 

A expressão máxima do futebol numa final do campeonato do mundo

Depois de, ontem, a Croácia ter conquistado o terceiro lugar frente à surpreendente selecção de Marrocos, num jogo típico dessa disputa, hoje foi o dia da final. Inédita, num jogo épico que foi futebol na sua expressão máxima.

Uma final de duas por três. Em que houve duas sem três e, às três, foi de vez.

França e Argentina procuravam o seu terceiro título mundial. Os sul americanos à terceira, depois de duas finais perdidas (1990 e 2014) após o último título, em 1986. O de Maradona,de quem deveria também ter sido o de 90, em Itália.

Hoje, por duas vezes, a Argentina teve a mão na Taça dourada, e por duas vezes a França lha retirou. À terceira, foi de vez, e não a largou mais.

O jogo começou dentro das expectativas, com os franceses expectantes, dentro do seu registo calculista, e os argentinos com mais iniciativa. A Argentina dava mais nas vistas com o seu futebol sólido, mas também mais entusiasmante, com Messi, Enzo Fernandez e Mac Allister (sim, é escocês de origem) a mexerem os cordelinhos, e Di Maria a partir a loiça toda. Do lado francês não se via Mbappé, nem Grizmann. Via-se Dembelé, mas no pior.

Estava o jogo nisto, com Di Maria - precisamente - a dar cabo da cabeça a Koundé e a Dembelé quando, depois de levar mais um nó do ainda mágico argentino, o extremo do Barcelona cometeu infantilmente um penálti. Messi bateu naturalmente Lloris e, na altura, pensou-se que, com a primeira parte a meio, isso era o que melhor podia acontecer ao jogo.

A França teria que abandonar a sua convencionada - e convencida - atitude expectante e começar a jogar a bola. E, com aqueles jogadores todos de enorme qualidade, era o que todos queríamos ver.

Pura ilusão. O que aconteceu foi exactamente o contrário, e foi a Argentina que, em vantagem, partiu para o domínio do jogo, e para o seu melhor período em toda a partida. E pouco mais de 10 minutos depois, numa saída rápida de compêndio, com tudo bem feito e ao primeiro toque, do primeiro passe de Messi à assistência de Mac Allister e ao remate final de Di Maria, chegou ao 2-0. E tudo parecia resolvido.

Deschamps mexeu de imediato na equipa, sem esperar sequer pelo intervalo, tirando Giroud e Dembelé. Mas o jogo não mudava de sentido. À entrada do segundo quarto de hora da segunda parte Scaloni trocou o desiquilibrador mor, Di Maria, então já esgotado, por Acuña, convencido que o jogo estava ganho e que bastaria controlá-lo. 

Tinha as duas mãos na Taça do Campeonato do Mundo!

Tudo parecia dar-lhe razão, até porque os franceses nem sequer um remate à baliza tinham feito. O primeiro só surgiu aos 70 minutos, de Mbappé, e totalmente desenquadrado da baliza de Emiliano Martinez, apenas mais um espectador da final, quando Deschamps tirava do campo Grizmann, trocando o organizador e pensador de jogo por mais uma "moto" - Coman, o ala do Bayern.

Mas nada mudava. Até que, às duas por três, já o ponteiro ia nos 80 minutos, Otamendi teve um dos seus deslizes. Não tem muitos, mas como já cá anda há muitos anos, às vezes até parece. Deixou a bola bater, e acabou antecipado por Kolo Muani - a primeira das "motos" a entrar -, com o polaco Szymon Marciniako a assinalar penálti.  

Mbappé converteu o penálti e nem deu tempo para imaginar o que aí vinha porque, no minuto seguinte, ao terceiro remate do jogo, num golo de efeito estético digno de uma final de um campeonato do mundo, empatou o jogo. 

Pensou-se então que a germanização da França, que Pétain não conseguira há 80 anos sob Vichy, era agora consumada pelo futebol. E que Gary Lineker teria que alterar o seu axioma para ... "e no fim ganha a França"!

Dificilmente a Argentina resistiria a um golpe destes. Oitenta minutos por cima do jogo para, em dois minutos, ver desaparecer uma vantagem de dois golos. À França só podia sobrar motivação para o vitorioso ataque final a um título que há bem pouco parecia completamente irrecuperável.

Nos quase 20 minutos que o jogo ainda durou nem a Argentina afundou, nem a França avassalou. E o jogo foi para prolongamento, acrescentando mais trinta e tal minutos aos 105 que já tinha tido. E a Argentina volta pôr a mão na Taça, com novo golo de Messi, logo no arranque da segunda parte do prolongamento. Para ter que a tirar de novo, a dois minutos do fim, com novo penálti convertido por Mbappé, com a notável marca de três golos na final do campeonato do mundo - provavelmente a melhor de todas as finais - e sagrar-se melhor marcador, com 8 golos, mais um que Messi.

Chegou então a vez de Emiliano Martinez se tornar no melhor guarda-redes do mundial. Primeiro com uma defesa notável, a negar o golo a  Kolo Muani, no último minuto do prolongamento - ainda assim, antes da última oportunidade da Argentina, desperdiçada por Lautaro Martínez - e, depois, no desempate nos penáltis, ao defender o remate de Coman, o segundo da série, que lançaria os franceses para novo falhanço (Tchouaméni rematou ao lado). 

Pela terceira vez os argentinos tinham a mão na taça. Às três foi de vez, e os argentinos nem precisaram do quinto penálti para segurar definitivamente o terceiro título mundial. Este de Messi (melhor jogador), de Martinez (melhor guarda-redes) e de Enzo Fernandez (melhor jovem)!

Dois dos campeões do mundo são do Benfica, tantos quanto o Atlético de Madrid. Nenhum outro clube tem mais!

 

 

A verdadeira surpresa

À luz do que hoje se viu nesta surpreendente meia-final entre as selecções de França e de Marrocos, a surpresa não esteve não esteve no extraordinário percurso dos marroquinos até aqui, neste mundial do Catar.

Não esteve no apuramento no primeiro lugar do seu grupo, à frente da Croácia, e da Bélgica e do Canadá. Não esteve na surpreendente eliminação da favorita Espanha. Nem esteve na então já menos surpreendente forma como mandaram a selecção portuguesa para casa, já nos quartos de final do nosso descontentamento.

A surpresa, a grande surpresa, esteve na forma como os marroquinos disputaram esta semi-final. Desde logo porque tiveram que a disputar em condições completamente diferentes daquelas com que tinham lidado ao longo de todo o percurso. Com três baixas importantes na equipa, duas logo na dupla de centrais, e com um golo - o primeiro marcado por um adversário - sofrido logo nos primeiros cinco minutos a equipa marroquina teve de se virar do avesso. 

E, virada do avesso, vimos uma equipa que tinha provado que sabia defender, saber atacar. Que tinha em média pouco mais de 20% de posse de bola, passar a ser a dona da bola. Surpresa foi que não ser o seu extraordinário guarda redes a figura do jogo, que não fez uma única defesa, mas ser Lloris a ter que brilhar. Surpresa foi ser quase sempre melhor que a melhor, e a mais qualificada, selecção da competição. Que a campeã do mundo em título, e favorita à revalidação.

Não há surpresa na vitória feliz da França - em três oportunidades, marcou dois golos felizes, a abrir e a fechar o jogo; enquanto, na sua baliza, não havia forma da bola entrar. Porque é isso - é melhor! Não há injustiça, porque no futebol a justiça faz-se de resultados. Mas a grande surpresa desta selecção de Marrocos aconteceu neste jogo!

Começou a desenhar-se logo no início do jogo, e durou até mesmo ao fim. Quando, aos cinco minutos de jogo, olhamos para o desenho do jogo e vimos três jogadores franceses no meio da linha de defesa marroquina, e mais três entre linhas, percebemos que estava ali a chave do jogo. Quando Griezmann escapou e conseguiu entregar a bola atrasada para Mbappé rematar contra Hakimi, levando-a a sobrar para Theo Hernandez, sozinho no espaço que pertencia o lateral direito do PSG, acrobaticamente a enfiar na baliza, o destino parecia traçado. E não era outro que, a ganhar, a melhor equipa, passaria a mandar no jogo. E, a perder, a equipa que só defendia, sem nada já para defender, afundar-se-ia.

Não aconteceu nada disso. Aconteceu tudo ao contrário. Quem era suposta mandar, passou a ter que obedecer. Quem tinha como destino afundar-se, levantou a cabeça e passou a mandar. Não ganhou o jogo, acabando até por voltar a sofrer novo golo a dez minutos do fim, de novo com um remate de Mbappé a ser desviado por um adversário, com a bola sobrar para Kolo Muani, o avançado do Eintracht que acabara de entrar, empurrar, junto ao poste, a bola para a baliza na primeira vez que lhe tocou. Mas ganhou o respeito que todas as surpresas anteriores não tinham sido suficientes para ganhar.

É costume dizer-se nessas surpresas, que a equipa tida por mais fraca ganhou o único jogo que ganharia em dez. Admito que muitos o tenham dito da vitória de Marrocos sobre a selecção portuguesa, no passado sábado. Mas, a jogar como então jogou a nossa selecção, e a fazê-lo como hoje fez a marroquina, fico com a ideia que, ao contrário, em dez jogos, seria a portuguesa a ganhar um.

A implacável lei do mais forte

A lei do mais forte voltou a ser implacável.

A França não era apenas favorita na disputa do acesso aos quartos de final com a Polónia. É claramente favorita à conquista do mundial, e a igualar o Brasil na revalidação do título de campeão, até agora feito único, em 60 anos (1958 e 1962). 

É a selecção mais exuberante - malgré a derrota das suas segundas linhas frente à Tunísia - com os alas mais rápidos e mais dotados tecnicamente deste campeonato do mundo, com um dos melhores "10" - Griezmann - e com um dos pontas de lança que melhor conhece cada m2 da área, e que melhores instrumentos de finalização apresenta. Tudo isto, mesmo sem o "melhor do mundo", a novae linguae para o bota de ouro, mesmo que saibamos quem é o eterno dono do epíteto. E sem mais uns quantos do melhor que há nas suas funções.

A Polónia era apenas a pior das selecções qualificadas para os oitavos, apurada com uma derrota clara com a Argentina, sem um único remate. À custa de  Szczeny, o guarda-redes da Juventus, um dos melhores naquela posição que, na selecção polaca, ofusca o anterior "melhor do mundo" - o pobre e desamparado Lewandowosky - mesmo que saibamos que o "melhor do mundo" nunca muda, e é sempre o mesmo.

Na fase inicial há surpresas, quando chega a hora do "mata-mata", como lhe Scolari lhe chamava, a "lei do mais forte" tem mesmo força de lei. Voltou a sê-lo.

A Polónia limpou até a imagem trazida da fase de grupos. E Czeslaw Michniewicz, o seu seleccionador, até pareceu menos Fernando Santos.

Mas nada pôde fazer perante Giroud e Mbappé. O primeiro, com o primeiro golo, a superar Henry como melhor marcador de sempre da selecção francesa. O segundo, com dois golos, a superar o registo do "melhor do mundo" cá do sítio em fases finais do campeonato do mundo, e a igualar o registo de Eusébio - este estabelecido na única fase final mundial em que pôde participar e a nova obsessão do "melhor do mundo" - e, aos 23 anos, a ficar já com os maiores goleadores dos mundiais debaixo de mira. Que, para se perceber a "patetice" do "melhor do mundo", são "apenas" outros 10: Klose, Ronaldo, mas o outro, Gerd Muller, Fontaine - com o recorde de mais golos marcados num único torneio Mundial, com 13 golos em 6 jogos, em 1958, na Suécia, e que deixou o futebol aos 28 anos - Pelé (infelizmente à beira de se despedir de nós, para se juntar a tantos destes nome que fizeram do futebol esta coisa maravilhosa que amamos) -, Kosics (com 11 golos em 1954, na Suíça, um registo só atrás de Fontaine, com uma média de 2,2 golos por jogo), Klinsmann, Helmut Rahn, Thomas Müller e Gabriel Batistuta. 

A selecção francesa entrou dominadora mas, a partir do meio da primeira parte, os polacos passaram a equilibrar o jogo e, supreendentemente, a discuti-lo no campo todo e a rematar à baliza francesa. Só nos últimos minutos a França voltou a superiorizar-se, muito à custa da subida dos polacos no terreno, acabando por marcar, mesmo em cima do intervalo, no tal golo de Giroud.

Com vantagem no marcador a França geriu o jogo a su bel-prazer durante toda a segunda parte, aproveitando o contra-ataque para marcar mais dois golos, os dois de Mbappé, o último já depois dos 90 minutos. Na segunda parte a Polónia praticamente não rematou, mas acabaria por marcar, já depois de esgotado o tempo de compensação, num penálti - daqueles que caem do céu - que Lewandowsky marcou, à segunda. Com categoria, depois de, antes, Lloris ter defendido, adiantando-se antes da bola partie, o que seria o segundo penálti desperdiçado pelo goleador polaco. 

O segundo jogo do dia, mesmo que muito diferente, não teve uma história assim tão diversa.

Do Senegal esperava-se muito. Espera-se sempre muito das melhores selecções africanas, como é o caso desta. Por isso fica sempre alguma frustração quando ficam aquém do que prometem.

A selecção senegalesa não prometera apenas na fase inicial. Começou por prometer no início do jogo, cabendo-lhe até a primeira grande oportunidade do jogo, e discutiu bem o jogo durante quase toda a primeira parte. Mas acabou por afundar-se nos minutos finais, sucumbindo ao contra-ataque inglês.

Com dois golos em menos de 10 minutos, o segundo já depois de esgotado o tempo de compensação, finalmente o primeiro na competição do superlativo Kane (sempre interveniente nos golos, mas a tardar a marcar), que já iniciara o contra-ataque para o primeiro, de Henderson, a Inglaterra acabou com a organização do Senegal.

Com o terceiro golo, também o terceiro de Saka neste mundial, e de novo em contra-ataque, ainda bem dentro do primeiro quarto de hora da segunda parte, a Inglaterra passou a gerir o jogo, já a pensar na França, nos quartos de final.

Que tem tudo para ser um grande jogo, e vai deixar de fora um dos mais fortes candidatos. 

Com a despedida do Senegal deste mundial não é só grande parte do perfume do futebol africano que se despede. É também a cor e a alegria que os senegaleses, como mais ninguém, trouxeram às bancadas! 

 

 

 

Euro 2020 -Emoção, golos e "adieu": o futebol é isto!

Campeã do mundo eliminada: Suíça afasta França nos penáltis em (mais um) hino ao futebol no Euro2020

O terceiro dia dos oitavos foi memorável, com dois grandes jogos. Com tudo o que de melhor há a esperar de um espectáculo de futebol. Com muitos golos, que é aquilo que sempre mais se espera de um grande jogo, com reviravoltas no marcador, e muitas surpresas. A maior, claro, a eliminação do campeão do mundo, a super-favorita França..

A jornada começou em Copenhaga, no Parken Stadium, com um emocionante Croácia - Espanha com oito golos. A história deste jogo começa aos 20 minutos, quando o miúdo Pedri, aos 18 anos um craque da cabeça aos pés, atrasou a bola para o seu guarda-redes que ... deixou-a passar por baixo do pé para dentro da baliza.

Foi o primeiro grão de areia na engrenagem da máquina do futebol espanhol, uma máquina muito nova, pela primeira vez sem uma peça do Real Madrid, mas que não engana. É fiável, como já são as máquinas espanholas. Talvez pela juventude, a equipa ressentiu-se, e andou um bocadinho por ali atrapalhada. Demorou 20 minutos a chegar ao empate, por Sarabia, com que terminou a primeira parte.

Cedo, ainda antes de se esgotar o primeiro quarto de hora da segunda parte, passou para a frente, com um belo golo de Azpilicueta. Em desvantagem, os croatas vestiram de espanhóis e, armados da fúria espanhola, passaram a discutir o jogo e o resultado palmo a palmo. Estavam por cima do jogo quando, já dentro do último quarto de hora, Ferran Torres fez o terceiro da Espanha.

Um rude golpe, uma machadada, nas aspirações croatas? Qual quê. Nem pensar!

Menos de dez minutos depois reduziram, num golo de Orisic em que a bola se fartou de ser pontapeada até entrar. E entrou mesmo, disse a tecnologia de baliza, porque a olho nu não ficava fácil de ver. Faltavam 5 minutos para os 90, e o seleccionador croata meteu o que tinha e o que não tinha dentro da área dos espanhóis, impedindo-os de se espraiarem pelo campo, e de "matarem" as suas jogadas à nascença. E ao segundo minuto dos 4 ou 5 da compensação, empataram o jogo com um golo de Pasalic (só nomes desconhecidos), e mandaram-no para prolongamento.

Era já uma surpresa, e não apenas uma meia surpresa. O prolongamento permitiu à maquina espanhola retomar, se não o seu normal funcionamento, pelo menos a sua matriz operacional. E ainda na primeira parte do prolongamento, em três minutos fizeram dois golos - aos 100, Morata (finalmente; e que execução!) e aos 103, Oyarzabal, fecharam o resultado de um jogo louco. 

E lá está a Espanha, à espera da ... Suíça!

Que noutro jogo fantástico, em Bucareste, com o mesmo resultado - e até com a mesma evolução do marcador - no final dos 90 minutos, e certamente na surpresa maior deste Europeu, eliminou a França.

A Suíça começou bem cedo a surpreender, ao impor-se à super-favorita selecção francesa. Chegou ao golo, por Sefevorivic, numa excelente execução de cabeça, aos 15 minutos, e nunca se deixou inferiorizar no jogo. Ao intervalo vencia, justamente.

Nos 10 minutos iniciais da segunda parte o jogo manteve as mesmas características, não obstante as alterações que Deschamps introduziu na equipa. Sem lateais esquerdos, com Hernandez e Digne lesionados, tinha optado, sem sucesso, pela moda dos três centrais, e na segunda parte achou por bem regressar à defesa a quatro, recuando Rabiot e fazendo entrar Coman. 

A melhor oportunidade de golo tinha já pertencido aos helvéticos quando, precisamente aos 10 minutos, Pavard faz penalti. Rodriguez marcou fraco e permitiu a defesa a Lloris, e o que poderia ter sido o 2-0 da machadada final nos campeões do mundo, acabou por virar o jogo. Empolgou os franceses e destruiu a moral e a organização dos suíços. Nos 3 minutos seguintes a França criou a sua melhor oportunidade de golo (Mbappé) e marcoiu dois golos por Benzema.

Estava dada a volta ao marcador, a equipa suíça estava destroçada, e pensava-se que só poderia acontecer o que era inevitável. Mais ainda quando precisamente à entrada do último quarto de hora Pogba fez um dos melhores golos deste Europeu.

Nada disso. A Suíça renasceu das cinzas e, a menos de 10 minutos dos 90, Seferovic voltou a marcar mais um belo golo, de cabeça. Para aos 90, Gavranovic empatar o jogo.

Para que a emoção fosse ainda maior, na compensação Coman atirou à trave, o prolongamento não deu em nada e vieram os penaltis. Ninguém falhou até ao último penalti. O décimo, que Mbappé - veja-se bem - não concretizou, permitindo a defesa de Sommer.

O futebol é isto. Não é aquilo

Euro 2020 - Lá vamos para os oitavos

Uf… Acabou!
 
E acabou até da forma mais expectável, com a selecção nacional a apurar-se no terceiro lugar do grupo F, que por pouco não foi H, de Hungria.
 
Durante o jogo, ao longo dos 90 minutos, a selecção passou por todos os lugares da tabela. Foi primeiro, foi segundo, foi terceiro e foi último. O "uf" veio daí. A emoção veio deste carrossel, muito mais do que do jogo. Que nem foi um grande jogo. 
 
Os primeiros 10 minutos do jogo foram uma espécie de pacto de não agressão. Como os últimos 10, com o cessar fogo a ser violado por Koman, a acabar numa coisa muito mais parecida com um penalti (Bruno Fernandes) do que aquele assinalado a Nelson Semedo, sobre Mbappé. 
 
Só a partir desses 10 minutos iniciais o jogo começou verdadeiramente. Com a selecção portuguesa, sem William e sem Bruno Fernandes, e com João Moutinho e Renato Sanches, naquele registo habitual de Fernando Santos, a tentar segurar a bola e fugir com o rabo à seringa da França. Depois veio o penalti, naquela saída a soco de Lloris à cabeça de Danilo, e o golo de Cristiano Ronaldo.
 
Portugal estava outra vez a ganhar, como tinha acontecido na Alemanha, estava na frente do grupo, e estava confortável naquele registo de Fernando Santos. O golo caiu mal aos franceses, andaram por ali meio perdidos e começaram a acumular amarelos. Outra ambição e outro futebol teriam tirado proveito da situação, mas não é esse o padrão, e o jogo português não encostou os franceses às cordas.
 
Já em período de descontos para o intervalo veio o tal penalti que não foi assim tão penalti, e a França empatou. E logo no início da segunda parte Benzema, que marcara o penalti, bisou. Parecia um daqueles foras de jogo, de tal forma que o "liner" até o assinalou. O VAR não, e lá estávamos outra vez a perder. E, com o que se passava em Munique, em último lugar. 
 
Ao fechar o primeiro quarto de hora lá caiu do céu mais um penalti, para novo golo de Cristiano Ronaldo a fechar o resultado. E a deixar a selecção portuguesa no segundo lugar, de que sairia já perto do fim, quando em Munique copiaram o resultado de Budapeste.
 
O empate e o apuramento para os oitavos de final são boas notícias. Mas tudo o resto são más. A equipa continua a jogar muito pouco, e não criou - nem digo uma oportunidade de golo, nem sequer pregou um susto aos franceses - uma jogada com princípio, meio e fim. E, nos minutos finais, quando empatar ou perder ia dar no mesmo, mas ganhar era em tudo diferente, foi confrangedor ver a equipa a abdicar dessa ambição.
 
Cristiano Ronaldo chegou àquilo que procurava, os 109 golos do tal iraniano. E aos 5 na competição. Mas fez o pior dos três jogos. E em boa verdade só a exibição de Renato Sanches sobressaiu. Rui Patrício salvou o empate com duas grandes defesas. Aquela ao remate de Pogba entra para o topo do álbum das melhores defesas deste Europeu. Os centrais estiveram bem, mesmo que cada um com uma falha comprometedora. Primeiro de Pepe, logo aos 13 minutos de jogo, com Rui Patrício a defender o remate de Mbappé. Depois, Rúben Dias, no golo da reviravolta de Benzema. 
 
Mas o problema não são as individualidades. Bem Fernando Santos pode mudar, como fez hoje, com uma larga série de estreias. Estreias a titular de João Moutinho e de Renato Sanches. E absolutas de Palhinha, Rúben Neves, Sérgio Oliveira e Dallot. O problema é mesmo a falta de qualidade de jogo.
 
E pronto, agora vem a Bélgica. E poderia ser a Suíça, que certamente deixaria melhores perspectivas. Mas essa fica para a França!

O "resultadismo" nem sempre resulta

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O novo confronto de campeões, do mundo e da Europa, desta vez em Lisboa, na Luz, foi um jogo em espelho relativamente ao de Paris, há dois meses, com os campeões do mundo a retribuírem o que então a selecção nacional lhes fizera.

Pareceu que Fernando Santos, com o seu ADN resultadista, procurou jogar para o mesmo resultado de Paris, que provavelmente daria para voltar a apurar a selecção portuguesa para a final four desta Liga das Nações. Só que a selecção francesa sabia evidentemente disso, e que, face ao critério de desempate (numa competição disputada em poule, de todos contra todos, é bizarro que o primeiro factor de desempate entre duas equipas com os mesmos pontos seja o dos golos marcados fora de casa nos jogos entre si) teria de marcar um golo.

E mesmo sem a sua estrela maior - Mbapé - procurou-o, enquanto a equipa portuguesa assistia. Dominou completamente o meio campo, com os seus centro-campistas, do melhor que há, a gozarem de toda a liberdade. A equipa francesa teve mais bola, jogou mais e só não marcou porque Rui Patrício, por duas vezes, e o ferro da sua baliza, noutra, o impediram. E o nulo ao intervalo era bastante lisonjeiro para a selecção portuguesa.

No arranque da segunda parte as coisas pareciam vir a ser diferentes. Não que se acreditasse que a equipa portuguesa tivesse deixado no balneário o chip do 0-0, apenas porque Fernando Santos e os jogadores perceberam que não podiam continuar a entregar o meio campo aos franceses. O meio campo da selecção nacional passou a marcar melhor os adversários, passou a ganhar bola, e a equipa passou a jogar mais em cima da área de Lloris.

Só que logo aos 10 minutos, na primeira vez que os franceses chegaram à baliza portuguesa, marcaram, numa das duas falhas de Rui Patrício, que não segurou uma bola que parecia fácil, soltando-a para Kanté fazer o golo que a França tanto procurara na primeira parte. E aí acabou o jogo. Os campeões do mundo tinham atingido o seu objectivo!

Fernando Santos foi introduzindo jogadores, uns atrás dos outros, e jogou até muito tempo com quatro avançados. Poderia até ter chegado ao empate, num remate de cabeça de José Fonte ao poste, ou noutro de João Moutinho, que entrara para o lugar do William Carvalho, evitado por uma grande defesa de Lloris. Pouco, se compararmos com tudo o que os franceses fizeram.

E muito pouco se olharmos para a qualidade dos jogadores portugueses. Que mais uma vez pareceram castrados pela estratégia do resultadismo, na saga do empate a empate até à vitória final.

É certo que a regra é perder com a França. Só por uma vez, e já há mais de 70 anos, a jogar em casa, Portugal marcou à França. Mas com estes jogadores a História tem que ser outra!

Já não se fazem revoluções como antigamente

 

De repente, no fim-de-semana, deparamo-nos com um gigantesco movimento social em França que trouxe para a rua centenas de milhares de franceses, dispostos a bloquear o país. Envergam coletes amarelos, o "gilet jaune", como que a assinalar o tom de emergência do protesto. Ou a sua espontaneidade: não precisa de qualquer forma de organização, e o simples colete de segurança que são obrigados a trazer no carro serve-lhes perfeitamente de traje de propósito.

É um movimento popular, espontâneo e inorgânico, como é próprio dos tempos que correm. Sem cadeia de comando, sem receber ordens de ninguém, e sem parceiro de diálogo. Apenas a polícia, para negociar um corredor aqui, ou outro ali.

Não me parece que seja surpreendente. Pelo contrário, é uma daquelas coisas que muita gente estava à espera que acontecesse. É daquelas coisas cujos contornos vislumbramos com grande frequência nas redes sociais, em esboços que percebemos que podem engrossar e ganhar forma. 
Em causa estão os aumentos nos preços dos combustíveis, mas poderia estar outra coisa qualquer. Motivos não faltam. Os agentes do poder político tudo têm feito para que não faltem motivos de revolta às suas gentes. E têm-no até feito com arrogância, com muita arrogância para que a revolta seja ainda maior!
Numa reportagem que passou numa televisão, um sujeito já bem entrado na idade, com ar de quem estava ali a assistir aos acontecimentos na primeira fila, dizia com uma admirável tranquilidade: "sabe, quando eles não fazem as reformas que têm para fazer, terá que ser a revolução a fazer o que não foi feito". 
Imaginei-o 50 anos mais novo. Imaginei-o naquele Maio de 68, a exigir razoavelmente o impossível e a proibir que fosse proibido. E imaginei-me a dizer-lhe que as revoluções já não são o que eram. Que já não se fazem revoluções como antigamente ... 

 

Lições lá de fora*

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Ficamos todos muito impressionados com aquele ministro francês que se demitiu do governo de Macron numa entrevista, em directo, surpreendendo tudo e todos. Desde logo o próprio entrevistador, atónito.

Mas também o chefe do governo e o presidente Macron. Que o tinha convidado, percebe-se agora como se teria percebido na altura, para o papel de jarra decorativa. Ou daquela peça que fica sempre bem na parede, na mesa, na estante, ou até num governo…

NIcolas Hulot, o ministro que teve esta ousadia, é um conhecido ambientalista, um dos mais reputados activistas europeus da causa ecológica, jornalista e produtor de televisão. Uma daquelas personalidades mediáticas, com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, frequentemente até franjas activas de contra-poder.

Aceitou o convite de Macron, provavelmente convencido que o jovem acabado de eleger presidente francês era a pedrada no charco que decididamente agitaria as águas poluídas da política francesa. Se não de deixou seduzir pelo poder, pelo menos deixou-se seduzir por Macron.

Depois de mais de um ano à espera de dar tempo ao tempo, percebeu que não passava de figura decorativa, e que as convicções ambientalistas de Macron e do seu governo se ficavam pelo discurso. Bateu com a porta e disse basta! Com todas as letras de uma frase que tem tudo para ficar histórica: “Não quero continuar a mentir a mim próprio”!

Pode não ficar na História, mas fica a lição. Uma lição que vem lá de fora, mesmo que não sirva de nada cá dentro…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Bater com a porta, mas com um murro na mesa!

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Na crista da onda que o levou ao poder, e fazendo dos grandes temas da actualidade bandeira e alavanca, Macron convidou para a pasta do ambiente um conhecido ambientalista - NIcolas Hulot - activista da causa, jornalista e apresentador de televisão. 

Até aqui, tudo normal. É frequente que os políticos se socorram de personalidades mediáticas, e/ou com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, ou mesmo próprios de franjas de contra-poder. Da mesma forma que também não é raro que activistas de certas áreas se deixem seduzir pelo poder, por puro deslumbramento, umas vezes, por convicção nos resultados da sua contribuição, noutras.

Quando isso acontece por deslumbramento, como quase sempre sucede por cá, não há grande volta a dar. Acomodam-se, esquecem rapidamente as causas que lhe deram notoriedade e, mandando os princípios às malvas, não incomodam nem afrontam o poder que integram. Quando isso é suportado na convicção e na crença em mudar o poder, se os resultados falham, resta apenas a frustração e o incontornável bater com a porta. Com mais ou menos estrondo...

Nicolas Hulot escolheu bater com a porta com uma força nunca vista. Em directo, numa entrevista numa televisão, apresentou a sua demissão. Publicamente, dando conta de toda a sua frustração pela sistemática irrelevância a que o governo e o presidente condenaram a sua acção e as suas propostas: “Não quero continuar a mentir a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos a avançar”!

A isto, não estamos habituados. Disto nunca vimos por cá. 

Quando é de questões ambientais que se trata, quando vemos e sentimos tudo o que já está a acontecer, bater com a porta desta maneira é um murro na mesa que tem de se ouvir muito para além das fronteiras francesas.

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