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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Dia internacional contra a corrupção

Por Eduardo Louro

 

O novo banco público, dito de fomento, estará de pé no primeiro semestre do próximo ano.

Já há um banco público – a Caixa Geral de Depósitos – que tem tudo para fazer o que deste se pretende, ao que se diz gerir a distribuição dos fundos europeus do novo quadro comunitário que aí vem. Tem mesmo tudo, e seguramente em tudo tem vantagens comparativas com qualquer novo operador. Acresce que também a banca privada pode fazer o mesmo, como de resto o tem feito nos anteriores quadros comunitários.

Se já isto nos pode levar a torcer o nariz ao novo banco do Estado, mais estranho é ainda que esta seja uma iniciativa de um governo que tudo quer tirar do Estado. Que privatiza tudo o que mexe, que acabou de vender os Correios, que são públicos em praticamente todo o mundo, e que pretende mesmo transferir para o sector privado grande parte dos serviços de natureza eminentemente pública, nalguns casos, como os da saúde e da educação, em situações de verdadeira parasitagem.

À partida, o mínimo que se poderia dizer desta ideia que nasceu nestas cabecinhas do governo, a que muito rapidamente deu forma, é que não joga a bota com a perdigota. Não faz sentido!

A menos que pensemos um bocadinho no que pode representar este novo banco. Que comecemos a perceber que vai poder intervir na economia como nenhum outro, porque é muito, mas mesmo muito, o dinheiro que vai ter à disposição, mas porque vai até poder entrar no capital das empresas e na gestão dos próprios projectos. E que percebamos finalmente o imenso pantanal de promiscuidade entre o público e o privado que este banco poderá potenciar…

É isso. Aí está. Para já garante mais uns postos dourados para umas dezenas de boys, cujo pontapé de saída foi dado com a palhaçada – perdoem-me a expressão – do convite a Rui Rio que, como não poderia deixar de ser, recusou. Um convite que diz tudo sobre a falta de escrúpulos que, também a este propósito, passa pela cabeça deste governo.

Não é porque o banco vai ter sede no Porto que Passos Coelho convidou Rui Rio, embora possa ter sido por isso que convidou Paulo Azevedo (portuense deslocado em Lisboa, ex-BCP) o indigitado presidente cujo perfil nada, mas mesmo nada, tem a ver com o de Rui Rio. Não terá certamente sido por isso que o lugar de Franquelim Alves (quem quiser avivar a memória pode fazê-lo aqui e aqui) foi o primeiro a ser reservado, com o seu nome a ser imposto ao presidente, mesmo que esse se chamasse Rui Rio...

Comemora-se hoje o dia internacional contra a corrupção. Não sei porque é que me lembrei disto! 

Ora aí está o governo...

Por Eduardo Louro

 

Ainda há pouco pôs o governo debaixo de fogo, com a moda dos currículos selectivos, sempre que em causa esteja o BPN - não se sabe se  Rui Machete, muito a jeito para, também ele, permanecer debaixo de fogo, pagou direitos de autor a Franquelim Alves, é dele que se fala -, e já está de saída. Não havia necessidade!

Ainda ontem entrou aquela gente toda no governo, e já hoje há gente de saída. Não havia necessidade: Pires de Lima, o novo ministro que anunciam como milagreiro, bem podia ter evitado isto, tanto foi o tempo em que foi ministro em stand by... Podia tê-lo logo mandado com o Álvaro, que tanto, mas também tão cinicamente, elogiou à saída da tomada de posse. 

Onde também a Ministra das Finanças teve o seu momento, garantindo nunca ter tido divergências com Paulo Portas. Ela que, entretanto, lá continua a ser frita no lume brando dos swaps. A cada dia a chama aumenta mais um bocadinho: hoje vêm a lume os mails do anterior Director Geral do Tesouro. À cause…

À falta de melhor, a ministra vai dizendo que não mente. Mas já ninguém acredita muito nisso!

AFRONTA

Convidada: Clarisse Louro * 

 

Quando o governo parecia respirar de alívio – tranquilidade a que verdadeiramente não atribui grande valor, como bem se percebe – resolveu, com a nomeação de um Secretário de Estado, criar mais um factor de tensão e regressar ao clima de afronta.

Com o número do regresso aos mercados, e com a máquina de comunicação a funcionar em pleno e sem grandes argoladas, o governo, pela primeira vez nos últimos largos meses, logrou criar a impressão de que alguma coisa começava a correr bem. É certo que ia passando a ideia de dois países sem qualquer ponto de contacto: o país que regressava aos mercados não batia certo com o país da miséria crescente, do desemprego e da recessão. Mas sabe-se como é, de tão fartos de más notícias, tendemos a acreditar mais facilmente nas boas, mesmo que não sejam tão boas como as pintam!

Depois, o PS dava uma ajuda ainda maior. Se na realidade não vinha fazendo oposição nenhuma, deixando sempre ao governo uma larga zona de conforto, decidiu avançar para manobras de diversão que apenas mais o desacreditaram como alternativa.

A verdade é que, com papas e bolos para enganar os tolos, e sem oposição como alternativa, o governo começou a achar que as coisas começavam a perder toda a graça. Nada como agitar rapidamente as águas, procurar a turbulência que lhe devolve a adrenalina da governação.

E até um arremedo de remodelação lhe serviu para isso. A demissão de um secretário de Estado, ao que se disse por motivos de um concurso em que teria privilegiado um primo, deu o mote para uma remodelação sem “dignidade para ocupar grande destaque político”, nas próprias palavras do primeiro-ministro . Despachou seis secretários de Estado – mantendo, no entanto, o que se diz ser o verdadeiro patrão do ministério da economia e que, num rasgo só ao alcance de verdadeiros visionários, garante que o desemprego está a crescer porque no passado vivemos acima das nossas possibilidades, criando-se emprego que não era necessário - e foi buscar sete novos, entre os quais alguém que tinha no currículo – mesmo que convenientemente apagado – uma passagem pela administração da SLN, a sociedade proprietária do BPN da nossa ruína.

Não está em causa a competência do senhor, nem mesmo – enfim - a sua idoneidade, que poderá ser até pessoa respeitável. Nem sequer qualquer comparação, em contextos de alguma forma idênticos ou paralelos, entre a atitude de Miguel Cadilhe e a dele próprio. Não é disso que me vou ocupar!

O que importa e que na circunstância releva, é que qualquer pessoa percebia que aquela nomeação iria correr mal. O BPN está demasiado fresco na memória e no bolso de todos nós para que alguém que lhe esteja de algum modo associado possa integrar o governo à vista de todos nós. É certo que sabemos que Dias Loureiro continua com a sua influência intacta no governo, mas não se vê. É diferente!

O próprio agora Secretário de Estado da Inovação de do Empreendedorismo, percebeu isso. Tão bem que apagou – repondo depois de apanhado - isso do seu currículo. Pedro Passos Coelho - já o mesmo não direi do ministro Álvaro Santos Pereira, que é pessoa mais distraída e tem sempre a desculpa de não ser de cá, de vir de fora – sabia bem que ia correr mal. Sabia que, mais que mais um erro político grave, era mais uma afronta. Arrogante mesmo!

Mas não lhe consegue resistir. Ele gosta de desafios, da adrenalina sempre em alta. E começar desde já a reabilitar personagens ligadas ao maior escândalo político e financeiro de sempre é um desafio que não o assusta!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

A PESSOA ERRADA

Por Eduardo Louro

 

Quando o governo criou a Secretaria de Estado da Inovação e do Empreendedorismo - como eram diferentes esses tempos -  aplaudiu-se aqui quer a ideia quer a escolha do seu titular, um jovem com perfil inovador e empreendedor. Não se imaginaria então que, alguém que parecia a pessoa certa no lugar certo, fosse empurrado do governo na primeira oportunidade. E menos se esperaria ainda que a sua substituição viesse a abrir uma das polémicas que mais brechas poderá provocar no governo.

A nomeação de Franquelim Alves (foto da direita) representa a substituição da pessoa certa no lugar certo pela pessoa errada no lugar errado. Deveria estar justamente aqui o centro da polémica, até porque parece resultar de um processo de reforço do poder Secretário de Estado Almeida Henriques (foto da esquerda) – que ainda há dois ou três dias aqui trouxe - dentro do Ministério da Economia. Que, diz-se por aí, é quem verdadeiramente manda no Ministério!

Não lhe serem conhecidas especiais competências no domínio da inovação e do empreendedorismo não é o ponto. Quer dizer, o problema não está no lugar errado. Está na pessoa errada!

Não me parece que esteja em causa a competência de Franquelim Alves. Não o conheço - foi meu colega em Económicas, onde era à época destacado activista do MRPP, mas nunca fomos próximos – mas acredito que tenha condições de competência para o exercício destas como das funções públicas que anteriormente já ocupou. Mas, evidentemente que, com todos os escândalos do BPN bem frescos e a pesarem como pesam na carteira de todos nós, nomear para o governo alguém que por lá passou, mais que um grave erro político é uma afronta.

Que toda a gente, a começar por ele próprio – que tratou de apagar tal passagem do seu currículo – reconhece. À excepção do ministro Álvaro Pereira, que diz que bater neste assunto é baixa política. E do primeiro-ministro, que espera que o assunto morra depressa!

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