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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Correu mal... mais uma vez!

 

Desde o anúncio da constituição da equipa, se não mesmo desde sábado, que se percebeu que a estreia na Champions não podia correr se não mal.

O que não se percebe é que se anuncie aos sete ventos um Benfica europeu, e depois, chega-se ao primeiro jogo da Champions, e é isto que se vê: uma equipa que estreia quatro ou cinco jogadores, quase todos sem qualquer minuto em jogos oficiais nesta época.

O que terá passado pela cabeça de Bruno Lage? Provavelmente qualquer coisa parecida com o que passou pela cabeça de Seferovic... 

Triste de mais!

Num grupo tão equilibrado como este, entrar a perder, em casa, é escancarar as portas para o regresso ao triste destino das últimas épocas. E a confirmação que, para quem manda no Benfica, a Champions só interessa para ir buscar os milhões da participação. O resto que se lixe!

 

 

Fraquinho. Viva às atenuantes!

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Vimos habituados a goleadas e a grandes exibições. Hoje, na Luz - não cheia, como habitual, mas com 55 mil nas bancadas -, frente ao regressado Gil Vicente, do excelente Vítor Oliveira nem goleada, nem exibição.

Foi fraquinha, a exibição do Benfica, e curto o resultado (2-0), esta noite. E, ao contrário do que vinha sucedendo, foi sempre a cair. E a segunda parte, habitualmente melhor, foi ainda pior que a primeira. E no entanto as dificuldades colocadas pelo adversário foram bem maiores na primeira que na segunda parte, o que, parecendo que não, aumenta a decepção com a exibição.

A ideia de jogo esteve lá, os processos também, mas faltou velocidade. E quando falta velocidade, cai a intensidade. E sem intensidade, a vida fica bem mais fácil para os adversários. Especialmente quando trazem a lição bem estudada, e defendem bem como, sem surpresa, o Gil Vicente se apresentou hoje na Luz.

É razão para apreensões? Creio que não. Há atenuantes: pior que jogar o jogo imediato ao regresso da paragem para as selecções, só um jogo que sucede a essa paragem e antecede um jogo da Champions. E, se este é o jogo de estreia, pior ainda!

A este contexto, e a esta fraca exibição, acrescem algumas decisões pouco acertadas da parte da equipa, e evidentemente de Bruno Lage. Os dois avançados continuam sem marcar, e sabe-se como isso mexe com a cabeça dos jogadores. E isso deve preocupar o treinador. Por isso, e não por Pizzi ter falhado, teria de ser Raúl de Tomás (parece que os adversários fazem auto-golo só para que os avançados do Benfica não marquem) o escolhido para marcar o penalti logo nos primeiros minutos do jogo. Considero esta falha mais grave do que a questão da posição táctica do espanhol (voltou a ter apontamentos de inequívoca classe) que, mantendo-se a dupla com Seferovic, nunca poderá ser ele o primeiro avançado. 

Com muito menos importância, mas mesmo assim a merecer reparo, foi a  frustrada entrada do miúdo de Peniche. Se a ideia era a de estrear o Tomás na primeira equipa, e na Liga, a substituição não podia ter ficado à espera do minuto 90. 

E sobre o jogo não há mesmo muito para dizer. A não ser que Taarabt voltou a ser o homem do jogo, pela segunda vez consecutiva, no segundo jogo na condição de titular. E acreditar que, a um mau ensaio, corresponda um boa estreia!

 

Bem encaminhado

Lituânia 1-5 Portugal: 'Show' de Ronaldo coloca Seleção mais perto do Europeu

 

A selecção nacional cumpriu hoje a sua obrigação em Vilnius e "despachou" a selecção da Lituânia com uma goleada (5-1), acertando o passo para o apuramento para a fase final do Euro 2020. Que, sem nunca ter estado em causa, também não tinha começado muito bem, com dois empates em casa nos dois primeiros jogos, contra os dois principais adversários no apuramento.

A obrigação foi cumprida, no fim fica a goleada, mas nem tudo foi bom. Depois de marcar cedo, logo no arranque do jogo, de penalti e ainda sem muito ter feito para isso, os jogadores portugueses deverão ter pensado que ... estava feito. Não era preciso fazer mais nada. 

Enganaram-se, como sempre acontece neste jogo de que tanto gostamos. E as coisas complicaram-se, tanto quanto é possível que uma equipa tão fraca como este adversário de hoje, complique. Os lituanos empataram - num canto, só podia, mesmo que uma equipa como esta nossa selecção não possa sofrer dois golos em pontapés de canto em dois jogos consecutivos - e, como corriam mais e os jogadores portugueses o permitiram, levaram o empate até para lá da hora de jogo, já bem dentro da segunda parte.

É certo que a entrada para a segunda parte revelou que os jogadores tinham percebido que teriam de mudar de registo. E de mudar o jogo. Mas foi aquele golo ao minuto 62 que mudou tudo. Porque acabou com o empate, mas acima de tudo pela forma como aconteceu, com a bola a fugir das mãos para as costas do guarda-redes, e daí para dentro da baliza. Contou - claro - e contou para Cristiano Ronaldo. Que faria ainda o terceiro e o quarto, antes de sair, na segunda substituição (Gonçalo Guedes) de Fernando Santos. Na primeira, quando as coisas ainda estavam cinzentas e o jogo empatado, tinha tirado Bruno Fernandes - não é para meter veneno em ninguém, mas talvez as dificuldades na selecção expliquem algumas coisas que alguns dizem inexplicáveis - para fazer entrar Rafa. Também essa alteração contribuiu para mudar o jogo.

E com Bernardo Silva a espalhar perfume pelo campo, e João Félix à procura do seu primeiro golo na selecção A - e como tentou, e como o guarda-redes sempre lha negou - acabou por ser William Carvalho a marcar de novo - dois golos em dois jogos - e a fechar as contas. Finalmente bem encaminhadas, para concluir como iniciamos.   

  

Servia um jogo. Mas foram três!

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(Foto ANTÓNIO COTRIM/LUSA)

A selecção nacional acabou de conquistar em Belgrado o único resultado que lhe SERVIA, numa exibição que, não tendo sido brilhante, teve momentos suficientemente brilhantes para garantir a vitória.

O jogo teve várias caras. Parece até difícil caberem num único jogo tantos jogos diferentes.

Na primeira metade da primeira parte foi um jogo entre duas equipas de níveis completamente diferentes, e de aspirações antagónicas. Como se costuma dizer um jogo entre uma equipa grande e outra pequena. A equipa portuguesa era a grande, e parecia dominar por completo o jogo, com 75% de posse de bola. A da Sérvia era a pequena, apenas preocupada em defender, sem sair do seu meio campo. 

Pode parecer paradoxal, mas a verdade é que a equipa nacional jogou pouco bem esse jogo. Teve a bola mas não fez nada de interessante com ela. Nem um remate, nem uma oportunidade para marcar. Nada, e o jogo acabou empatado, a zero. Como não poderia deixar de ter sido!

Ao entrar na segunda metade da primeira parte iniciou-se outro jogo, com duas equipas completamente diferentes. Se o anterior não tinha corrido bem, este esteve bem perto de correr ainda pior, com a selecção sérvia a superiorizar-se a olhos vistos. Partiu para a frente e mostrou que possui jogadores para jogar este jogo, e não o anterior. A equipa portuguesa passou por alguns maus bocados, mas nem tudo foi mau: mesmo á beirinha do fim o guarda-redes sérvio chocou com um colega, e a bola ficou ali á frente de Wiliam Carvalho, em cima da linha de golo. Foi só empurrar e, na primeira oportunidade, um golo. O da vitória. Nesse jogo.

Com a segunda parte iniciou-se outro jogo, aquele que verdadeiramente todos estávamos à espera. Incluindo Fernando Santos, surpreendido no primeiro pelo adversário e, no segundo, pelo primeiro.

E aí, sim. A equipa portuguesa fez finalmente um bom jogo, e deixou claramente vincada a superioridade sobre um adversário cheio de bons jogadores, mesmo que nenhum de verdadeira excelência, que se aproxime dos nossos melhores.

Cedo, Gonçalo Guedes - de novo aposta do seleccionador, em detrimento de João Félix, mantendo a mesma equipa que há três meses venceu a final da Liga das Nações -, depois de Cristiano Ronaldo ter ameaçado por duas vezes, com a bola a sair escassos centimetros ao lado do poste direito do guarda-redes, já claramente batido, fez o primeiro golo deste jogo, e o segundo no agregado. E que golo!  

Tudo parecia resolvido, mas dez minutos depois, num canto, a defesa portuguesa devolveu a gentileza do fim da primeira parte. Com o golo a Sérvia cresceu, e poderia até ter chegado ao empate, pouco depois, negado por Rui Patrício. Outro tanto tempo depois, Cristiano Ronaldo marcou o seu golo da ordem, a concluir com classe mais uma excelente jogada de futebol. Que, com VAR, teria sido provavelmente anulado.

De novo com um resultado confortável a equipa jogava então bem, e controlava verdadeiramente o jogo. Só que, cinco minutos depois... mais um brinde, e a Sérvia chegava ao segundo golo, só não voltando a lançar a dúvida no resultado porque, no minuto seguinte, Bernardo Silva - o melhor dos melhores - fechou-o, com a classe. 

Faltavam 4 minutos para os 90, e o jogo já só teria para mostrar a qualidade de João Félix, que substituíra Gonçalo Guedes, em duas ou três ocasiões. 

No fim deste último dos três jogos num jogo só, ficam quatro golos em quatro remates enquadrados com a baliza. Pobre guarda-redes!

O resultado poderia até ser mais desnivelado. Mas isso só se não tivessem acontecido os tais erros defensivos...   

Sem xistradas

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Depois da derrota da semana passada, ainda por digerir, o Benfica tinha hoje uma deslocação a Braga, sempre difícil, ao contrário do que alguns por aí gostam de dizer. E que o Benfica tem sabido, nos últimos anos, parecer fácil. Como hoje voltou a acontecer, a jogar contra um grande Braga, como tinha deixado patente há duas semanas em Alvalade, e há quatro dias, em Moscovo. Sem que ninguém lho facilite, jogando contra um adversário completo e inteiro. Sem que lhe seja dada a benesse de jogar contra dez desde os primeiros segundos do jogo, ou contra nove, se e quando o jogo pudesse começar a ficar complicado. Sem xistradas!

O Benfica entrou muito bem no jogo Os primeiros sinais foram de uma equipa confiante, fiel ao seu modelo de jogo e pronta a instalar o seu futebol de qualidade no relvado. Pouco depois dos primeiros momentos do jogo o Braga começou a engasgar o futebol dos campeões nacionais, passando a jogar com pressão sobre os jogadores adversários em todas as zonas do campo, a começar mesmo em cima da área benfiquista. Foi no entanto sol de pouca dura, porque rapidamente o Benfica tomou conta do meio campo - com Taarabt e Florentino em grande plano - e do jogo. Que poderia ter ficado resolvido na primeira parte, com ocasiões suficientes para chegar ao intervalo com uma goleada, apenas retardada porque os dois avançados do Benfica continuam de costas voltadas para o golo, falhando sucessivamente aquilo a que se chama "golos feitos". Uma mala-pata que certamente um dia destes vai acabar.

O golo único da primeira parte, de Pizzi, de penálti, a meio desse período do jogo, foi muito pouco para as cinco ou seis oportunidades claras que o Benfica então criou. Contra uma única do Braga, num remate ao poste de Ricardo Horta, na sequência de um livre por uma das muitas faltas que o árbitro Nuno Almeida assinalava cada vez que Taarabt disputava uma bola. Com tanta convicção que até lhe deu um amarelo pela sucessão de faltas que só ele via.

Sá Pinto percebeu e sentiu esse domínio do Benfica e mexeu na equipa na entrada para a segunda parte, com duas substituições, tirando Galeno e Hassan e fazendo entrar Murillo e Rui Fonte.

Mas nem deu para ver no que dariam. O Benfica entrou para repor a verdade no marcador, e não deu qualquer hipótese de reacção ao Braga. E logo na de saída de bola, pegou nela e desenhou uma grande jogada de futebol, culminada no excelente cruzamento do regressado André Almeida - que falta tem feito naquela ala direita! - para uma não menos excelente desmarcação de Pizzi, concluída num grande golo.

Quatro minutos depois, ainda dentro dos primeiros 5 da segunda parte, o Benfica chegou ao terceiro. Mais uma bela jogada, com um grande trabalho de Seferovic, a dar o golo a RDT. Só que - está visto - ninguém quer que os avançados do Benfica marquem, e o Bruno Viana antecipou-se ao avançado espanhol, roubando-lhe o golo que tanto persegue. Exactamente como um quarto de hora depois, então a passe de Jota - que tinha entrado a substituir o avançado espanhol -, foi o Ricardo Esgaio a roubar o golo a Seferovic que fechou o resultado.

A partir daí, e quando se esperava que o novo trio de ataque - Jota, Vinícius e Caio - quisesse fazer miséria no resultado, o Benfica alternou espaços de asfixia sobre a baliza de Matheus com outros de clemência, acabando até por ser nesse período que Odysseas foi chamado a duas grandes defesas, mantendo a baliza a zeros.

No fim, fica mais um grande resultado - mesmo que escasso para as oportunidades criadas, e mesmo com os avançados de novo em branco - em mais uma visita ao Minho. E a forte convicção que na semana passada apenas aconteceu um acidente de percurso.

 

O calor era muito ... Mas não era preciso um banho gelado!

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O Benfica recebia o Porto na Luz, à terceira jornada, na condição de favorito, condição que lhe era atribuída pela história recente das duas equipas, e especialmente pela sua consistência exibicional no consulado de Bruno  Lage. Nunca nos últimos  largos anos o Benfica chegara a um jogo com o seu principal adversário com tanto favoritismo.

A vitória cavaria uma vantagem de seis pontos, que numa fase tão precoce da competição nunca seria decisiva, mas seria certamente muito determinante para as contas do título. Pelos seis pontos à maior, mas principalmente pelo élan que daria à equipa, uma jornada antes da sempre difícil deslocação a Braga.

A Luz era o espelho de tudo isto, cheia que nem um ovo, como vem sendo habitual, e vibrante de expectativa. O jogo, no entanto, destruiria toda a história que esse favoritismo anunciava. 

No início parecia amarrado, mas depressa se começou a perceber que não era o jogo que estava amarrado, mas a equipa. Passado que foi o primeiro quarto de hora, sempre com a equipa do Porto muito pressionante sobre a bola e o sobre os epaços por onde ela poderia circular, ainda se mantinha a ideia de um jogo amarrado, que mais cedo ou mais tarde se haveria de soltar. Ao início do segundo quarto de hora essa promessa pareceu ganhar forma, com o Benfica a conseguir sair daquele colete de forças que Sérgio Conceição tinha montado, a começar a conseguir fazer circular a bola e a começar a empurrar o jogo para perto da área portista.

Só que uma perda de bola de Nuno Tavares - que voltou a estar infeliz, como já sucedera no último jogo, justificando-se a entrada de André Almeida, já recuperado e no banco - acabou no primeiro canto para o Porto. E do canto, numa carambola, com o corte de Ferro a levar a bola a bater em Rúbem Dias e a ressaltar para Zé Luís fazer um golo daqueles que se chamam de sorte.

Ia a primeira parte a meio, e equipa do Benfica nunca mais se econtrou.

Esperava-se que o intervalo pudesse mudar o rumo do jogo, mas cedo se percebeu que isso não iria acontecer. Taarabt surgiu no lugar de Samaris - também pouco feliz e fisicamente debelitado depois de um choque na cabeça que o deixou no chão por alguns minutos, sem que o árbitro Jorge de Sousa interrompesse o jogo para lhe ser prestada assistência - mas não se notaram melhorias.

Até porque no primeiro quarto de hora praticamente não se jogou, quase se podendo dizer que a segunda parte começou ao minuto 60. Os jogadores do  Porto jogavam claramente com o relógio e com o resultado, coisa com que Jorge de Sousa, mesmo parecendo que se importava, mostrando por exemplo o amarelo ao guarda-redes portista por queimar tempo, não se importava nada. De cada vez que um jogador do Porto se mandava para o chão era falta. Já Rafa era ceifado, atropelado e empurrado mas, quase sempre ...nada.

Não se pode dizer que foi pelo árbitro que o Benfica não jogou mais, e muito menos que não ganhou. Mas que foi mais uma arbitragem habilidosa, foi!

O Porto ganhou bem, e Sérgio Conceição ganhou claramente a Bruno Lage. Anulou bem o jogo interior do Benfica, que vinha sendo o ponto mais forte do futebol do Benfica, e soube aproveitar bem as circunstâncias do jogo. O Benfica nunca conseguiu mostrar capacidade de dar a volta ao jogo, até porque Bruno Lage não foi também feliz nas alterações que foi introduzindo, e que o obrigaram a desiquilibrar a equipa. 

Quando fez entrar Taarabt, o Porto parou o jogo. E Chiquinho acabou por se lesionar - e ao que parece com gravidade - já quando o Benfica tinha esgotado as substituições, pela entrada de Vinícius, já na fase de desespero. O segundo golo do Porto, por Marega - que minutos antes tinha falhado uma oportunidade idêntica - a 3 minutos dos 90, acabou por ser consequência do do desiquilíbrio da equipa, no seu forcing final, já com a jogar com dez.  

O Benfica ainda chegaria ao golo, no entanto anulado por Jorge de Sousa. Por fora de jogo, que não se percebeu, mas que o VAR confirmou. Como no último jogo tinha feito Carlos Xistra, á revelia de toda a legalidade. Está difícil que Seferovic marque. A contar!

E pronto. De um hipotético cenário com 6 pontos de vantagem, com muitos golos marcados e nehum sofrido, passamos para a realidade de uma igualdade classificativa com o Porto. Com os mesmos 6 pontos, e os mesmos 7 golos marcados e 2 sofridos. 

A tarde estava quente, mas a Luz não precisava um banho de água tão gelada.

 

 

 

Besta azul

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À segunda jornada o Benfica encontrou a sua mais recente besta negra, a equipa a que continuam a chamar Belenenses, mesmo sem morar em Belém, e sem usar a cruz de Cristo, substituída por um simples B, que não será de "besta".

Uma besta negra que o Benfica teima em alimentar eficazmente... com ineficácia. Especialmente com ineficácia ofensiva, se bem que, como se viu há menos de 6 meses na Luz, também lhe ofereça alguma defensiva.

Há já alguns jogos que o campeão não ganhava a esta equipa. O treinador Jorge Silas, a quem não falta competência mesmo que, pelos vistos, continue a faltar credenciação, ainda não tinha perdido com o Benfica. Sempre em jogos em que, depois de desperdiçar muitas portunidades de golo - é até clássico falhar penaltis -  o Benfica acabava por não ganhar. Na última época perdeu mesmo, e por 0-2. De resto no último campeonato, em seis pontos, o Benfica apenas somou um. 

Hoje, no péssimo relvado do Jamor, o Benfica continou a alimentar a besta, que ao intervalo parecia bem grande, gorda e luzidia. 

Mesmo com aquela relva o Benfica fez então uma bela exibição, com o seu futebol habitual, feito de dinâmica em movimento com belos pedaços de grande espectáculo. Só que, a cada oportunidade construída e desperdiçada - e foram seis ou sete, daquelas claras, mesmo que a Sport TV tenha registado apenas quatro - a besta crescia. E cresceu tanto que á chegada do intervalo era verdadeiramente assustadora, quando o Rúben Dias escorregou e deixou o Kikas sozinho frente ao Odysseas. Que se redimiu daquele frango de Março, na Luz.

Foi embora o Muriel, o mano do guarda-redes do Liverpool - que até podia dar "umas casas" aqui e ali, mas contra o Benfica ... era intransponível - mas veio o Koffi para continuar a fazer o mesmo. E Seferovic e Raul de Tomás iam servindo a besta em badeja de prata. Ou mais um passo, ou mais um toque, ou mais um segundo, ou a bola a sair mais uns centímetros para cima, ou mais uns milímetros ao lado, ou contra mais um pé do adversário...

É certo que a equipa de Silas defendeu muito bem. Não defendeu apenas com muitos. Defendeu bem, teve sempre os seus jogadores muito bem posicionados, e a desdobrarem-se com todo o propósito. Mas, na finalização, os dois avançados do Benfica estiveram francamente mal, a aprofundarem-nos as saudades de João Félix. Que falta faz quem não precise de tempo nem de espaço para rematar... Quem já sabe o que vai fazer com a bola antes de a receber...

A segunda parte não teve a mesma qualidade com a mesma frequência. Foi mais de espaços, o futebol do Benfica foi menos consistente e as oportunidades de golo não se sucederam como na primeira. Mesmo assim voltaram a ser suficientes, e a equipa só não manteve o ritmo de goleada que trazia porque a eficácia finalizadora foi muito inferior àquilo que são os seus padrões habituais.

Já o ponteiro pisava a hora de jogo quando Rafa - o homem do match, que os adversários só conseguiram parar com faltas, e feias - fez finalmente o golo, num tiro destinado mesmo a matar a besta. Vinte minutos depois, quando o Nuno Tavares trocou os pés e quase provocou o golo do empate, viu-se que que a besta ainda continuava preta. 

A partir daí, desse minuto 79, sim. A besta passou de negra a azul, que sempre é cor mais simpática. Logo a seguir o Benfica voltou a marcar, numa espectacular jogada de futebol que teria reabilitado Seferovic de uma das suas mais fracas exibições depois da sua reabilitação, há um ano. Um fora de jogo detectado pelo VAR no início da jogada que viria a terminar de forma espectacular, anulou-o.

Mas, depois dos largos minutos de avaliação desse lance, logo que o jogo foi reatado Pizzi, o melhor a seguir a Rafa, marcou a concluir mais uma bela jogada de ataque, deixando no resultado uma marca mínima de justiça.

 

Barrigada de futebol. Do bom!

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Uma barrigada de futebol, este jogo da Supertaça Europeia. Foi um jogo histórico, em Istambul, com um grande futebol, mesmo quando as pernas começaram a faltar aos jogadores.

Não fica para a História apenas por ter tido tudo o que se exige de um jogo de futebol, fica também por ter sido o primeiro, a este nível de topo de competições de futebol (masculino) dirigido por uma equipa de arbitragem feminina (a francesa Stéphanie Frappart, assistida pela compatriota Manuela Nicolosi e pela irlandesa Michelle O'Neill). E que bonito que foi!

Não esteve provavelmente isenta de erros, mas foi uma grande arbitragem, com um toque feminino que não passou despercebido. Sem qualquer tipo de paternalismo. 

O Chelsea marcou primeiro, aos 36 minutos. Saiu para o intervalo a ganhar, com justiça. Foi bem melhor que o Liverpool, e até marcou por mais uma vez, mas em fora de jogo, daqueles milimétricos, circunstância que se repetiria na segunda parte. Surpreendente esta superioridade dos londrinos, que partiam sem qualquer tipo de favoritivismo. Porque o Liverpool é o campeão europeu, e tem uma equipa mais experiente e mais rotinada, e porque o Chelsea, com uma equipa mais jovem e com um treinador - Frank Lampard, uma lenda  dos londrinos - em estreia nestas altas andanças, vinha de uma goleada, sofrida no passado domingo em Old Traford.

O Liverpool empatou logo no arranque da segunda parte, e passou bem para cima do jogo durante todo o primeiro quarto de hora, muito por influência da troca, ao intervalo, de Chamberlain por Firmino. A partir daí o jogo voltou a estar equilibrado, à medida que as forças iam faltando, e a indicar que o prolongamento seria de grande sacrifício para todos os jogadores. Que mesmo sem pernas jogam que se fartam, como acabou por se ver... 

O prolongamento deu mais um golo para cada lado, ambos na primeira parte. E poderia até ter dado mais, com o Chelsea a acabar por ter as melhores oportunidades para isso, mesmo que este fosse um daqueles jogos que ninguém merecia perder.

Mas a Supertaça tinha de ser entregue e, quando assim é as coisas resolvem-se nos penaltis. E aí o Liverpool foi mais feliz. Porque converteu todos os cinco penaltis, mesmo aqueles a que o guarda-redes Kepa chegou - num deles defendeu , mas a bola foi para o poste e acabou dentro da baliza. E porque Adrian, o seu guarda-redes, também espanhol, todo lançado para o lado contrário, defendeu com a ponta da bota o quinto penalti que coube ao Chelsea, cobrado pelo miúdo Abraham, visivelmente perturbado com a responsabilidade que lhe foi atribuída.

O que justifica dois reparos à imprudência a Frank Lampard, que também não esteve tão bem nas substituições quanto o consagrado Yurguen Klopp. Foi imprudente quando fez duas substituições em simultâneo na altura em que o adversário cobrava um pontapé de canto. É dos livros que não é essa a oportunidade certa para fazer substituições. Correu mesmo mal, e só não deu em golo porque o guarda-redes teve a felicidade de o evitar por duas vezes. E voltou a ser imprudente quando escalou para o último penalti da série, o decisivo, o seu jogador mais jovem e inexperiente. Klopp destinou essa tarefa a ... Salah! 

 

Nem parecia que era a começar. Mas começou bem!

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O Benfica arrancou hoje para o campeonato 2019-2020, à procura do 38. Mas nem pareceu. Mais parecia que não tinha mudado a época, que não tinham passado quase três meses sobre o último jogo do último campeonato, de boa memória.

A mesma dinâmica de vitória, o mesma dinâmica de festa nas bancadas, a Luz cheia que nem um ovo, com mais de 60 mil - 63 mil, mais precisamente. A mesma dinâmica de jogo, e a mesma dinâmica de goleada. Já quase não nos lembramos de um jogo sem goleada. Até o relvado lembrava o da época passada, depois daquele estado deplorável em que o víramos no jogo de apresentação, com o Anderlecht, há um mês.

O Paços de Ferreira entrou na Luz como quase todos os adversários entram, com uma estratégia de contenção para reduzir os danos, e com o objectivo  de retardar o golo do Benfica. Duas linhas muito juntas, uma primeira de cinco, e outra de quatro logo atrás, com a ideia de reduzir o espaço de acesso à sua área, e tapar as linhas de passe no último terço do terreno. E a coisa funcionou durante largos minutos, basicamente durante toda a primeira metade da primeira parte.

Não se pode dizer que o Benfica não tenha criado oportunidades de finalização durante todo esse período. Não foram muitas, mas por duas ou três vezes criou situações de finalização que poderiam ter acabado em golo. Logo aos 7 minutos Seferovic falhou por pouco, logo a seguir Marco Baixinho, o defesa pacense, teve uma entrada dura, por trás, a travar Seferovic, que seguia isolado para a baliza, e deveria ter visto o cartão vermelho e, aos 19 minutos, o remate de Grimaldo na sequência de um canto, só por centímetros não acabou dentro das redes. A verdade, no entanto, é que o golo do miúdo Nuno Tavares - e que golo! - que mudou ao jogo, aos 26 minutos, surgiu no primeiro remate enquadrado com a baliza.

Já se sabe que neste tipo de jogos o mais difícil é marcar o primeiro golo. Esta noite na Luz não foi excepção, e a partir daí o Paços abriu o seu jogo. Subiu no terreno e tentou fazer pressão alta, com os jogadores mais distribuídos pelo terreno. E sabe-se também como isso favorece o desenvolvimento do futebol do Benfica, e a sua dinâmica de transição ofensiva.

O segundo golo (Pizzi, de penalti),logo a seguir, apenas acabou o que o primeiro tinha feito, quando ainda faltava mais de um quarto de hora para o intervalo.

Na segunda parte o Benfica refinou ainda mais a exibição, e as oportunidades de golo iam-se sucedendo. A partir do minuto 65, quando o pacense Bernardo Martins foi expulso, num segunda amarelo por carga dura sobre Nuno Tavares (mais uma grande exibição, com um golo e duas assistências), a travar mais uma saída rápida para o ataque, a resistência do Paços terminou. E os três golos que se seguiram (Pizzi - quatro golos em dois jogos -, Seferovic e Carlos Vinícius, na estreia) acabaram por ser fraco pecúlio para tanto domínio.

Não se pode dizer que tenha sido mais uma excelente exibição do Benfica, mas foi claramente mais um bom jogo, numa linha exibicional que é já uma marca da equipa. Que, acima de tudo, confirma e consolida o futebol que Bruno Lage trouxe ao Benfica.

E confirmou que Raúl de Tomás, mesmo sem marcar, é jogador a pegar de estaca na equipa (excepcional o seu trabalho no campo todo), que Florentino é um craque e que o Nuno Tavares, que na esquerda é simplesmente soberbo, já faz o corredor direito como se sempre ali tivesse jogado. Só de Pizzi não confirmou nada, por que esse já não tem nada pra confirmar. Está mais que confirmado que é um extraordinário jogador.

Começou bem, muito bem mesmo, esta Liga 2019/20. Que assim continue!

 

Súper... Supertaça

(Foto A Bola)

Um 5-0 num dérbi é sempre um resultado extraordinário. Num jogo decisivo, como é este que decide a Supertaça, o primeiro troféu da época, é ainda mais marcante.

Não foi uma exibição fulgurante do Benfica, mesmo que a fulgurância do futebol do campeão nacional tenha aparecido em diversos momentos do jogo, especialmente na segunda parte, aquela que deu expressão à vitória da equipa de Bruno Lage. Mas foi sempre uma exibição segura e categórica.

O Sporting entrou em campo com a ideia de dar prioridade a defender, com uma linha defensiva de cinco unidades, num atípico 5-4-1(não, não foi 3-4-3!). E a primeira parte foi mexida e relativamente interessante, com o Benfica mais afirmativo, e mais colectivo e o Sporting mais reactivo, o que não impediu que fossem suas as primeiras oportunidades desse período. Logo aos 2 minutos, num desvio desastrado de Ferro, a obrigar Odysseas a trabalho de qualidade, e a dizer presente. E depois, por duas vezes, a opor-se a Bruno Fernandes, primeiro num grande voo a desviar um remate de longe e, depois, a sair-lhe aos pés.

Nada que alguma vez tenha desequilibrado a equipa do Benfica, que acabou por chegar ao golo a cinco minutos do intervalo, quando deixava já a ideia de mandar no jogo. No Sporting sobressaíram então alguns jogadores, e a verdade é que, a nível individual houve mesmo mais jogadores a distinguirem-se que propriamente do Benfica. Lembro Thierry Correia, o jovem lateral direito que deu nas vistas, Wendel e Raphinha. Mais que o inevitável Bruno Fernandes, inevitavelmente de despedida.

Na segunda parte foi diferente, e a superioridade benfiquista foi simplesmente esmagadora. E a goleada poderia até ter subido para números ainda mais penalizadores para o Sporting, tantas as oportunidades de golo construídas pela equipa do Benfica. Que teve fases de puro brilhantismo, com todos os jogadores num nível exibicional muito elevado, mesmo que Pizzi e Rafa, pelos golos, pelas assistências e pelo que jogaram, tenham de merecer particular destaque, enquanto os jogadores do Sporting iam perdendo a cabeça.

Claro que este é um excelente arranque de época para o Benfica. Já o vinha sendo com os resultados (o Benfica ganhou a International Champions Cup, um troféu que apenas os maiores clubes do actual futebol mundial lograram conquistar, com três vitórias) e as exibições nos jogos de preparação, mas esta goleada frente ao velho rival é a cereja no topo do bolo.

Com tudo o que fez o ano passado, nas condições que se conhecem, agora que Bruno Lage preparou a equipa desde o início, e com este arranque, abrem-se as melhores expectativas para a  caminhada para o 38.

 

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