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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tudo na mesma? Não!

Este foi um clássico diferente dos anteriores, e especialmente muito diferente do último, há menos de um mês. O Benfica está a melhorar, está a melhorar a sua qualidade de jogo, como se vinha tenuemente percebendo nos últimos dois jogos, melhorou a sua consistência e melhorou muito a atitude.

O Benfica hoje surgiu no Dragão sem medo, com vontade de lutar pelo jogo, com a agressividade que ainda se não tinha visto e, a espaços, com bom futebol. Igualando o Porto na competitividade e e na capacidade de disputar a bola e os espaços. E quando assim acontece, porque globalmente, em grande parte das posições tem melhores jogadores, é melhor que o Porto. E em grande parte do jogo foi muito melhor.

O Porto entrou à Porto, mas rapidamente o Benfica mostrou que é melhor. Logo aos 8 minutos, na primeira vez que contrariou a entrada à Porto do adversário, e chegou à baliza adversária, criou a primeira e clara oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic.

Perceberam-se então as surpresas de Jorge Jesus na constituição da equipa. A entrada de Nuno Tavares,  para o lado esquerdo em simultâneo com Grimaldo, e a própria inclusão de Seferovic. Ambos tinham sido titulares, e jogado praticamente o tempo todo, no jogo da Taça, com o Estrela. E, diziam os entendidos, quem tinha feito esse jogo, não seria hoje titular.

Percebeu-se que o poder físico de Nuno Tavares era importante para enfrentar Marega. Que a capacidade técnica de Grimaldo era importante para jogar em zonas mais interiores, como se viu no golo. E que a profundidade que Seferovic pode dar ao jogo era também importante para esta partida.

Desta vez Jesus não inventou. Acertou.

A partir desse minuto 8 a superioridade do Benfica foi sempre clara, e poderia ter-lhe permitido chegar ao intervalo claramente na frente do marcador. Para além do golo de Grimaldo, muito bem construído, e logo aos 17 minutos, o Benfica dispôs ainda de mais três claras ocasiões de golo. Uma delas numa jogada extraordinária, com a bola a sair de Vlachodimos, a passar por vários jogadores e pelo campo todo, sem que os jogadores do Porto a cheirassem, e a acabar, rematada pelo Darwin, no poste da baliza de Marchesin, já depois do golo do empate do Porto.

Que tardou apenas 8 minutos relativamente ao golo do Benfica. Um daqueles golos que não se podem sofrer, numa das raras oportunidades do Porto, num erro colectivo, de total desconcentração - resultou de um lançamento da linha lateral - mas também individual. De Gilberto que, primeiro, é passarinho dentro da área face a Corona e, depois, fica deitado no chão, colocando Marega em jogo, o que lhe permitiu desviar para o poste, e  daí para a baliza, o remate de Taremi que ia para fora. 

Nem se percebe como é que o golo foi atribuído ao iraniano.

O Porto atrasou o regresso para a segunda parte, deixando a equipa do Benfica à espera no relvado. E percebeu-se que, face ao que se tinha passado na primeira parte, trazia ideias de empurrar o jogo para a quezília, variante em que se sente como peixe na água. O primeiro quarto de hora foi passado assim, no meio do lamaçal da quezília. E da fita, tão cara aos seus jogadores.

Começou a poder-se jogar futebol, e mesmo assim a espaços, aos 60 minutos. E o Benfica jogou-o sempre que pôde, sempre melhor. O jogo pedia então Waldshmidt, mas Jorge Jesus achou melhor fazer entrar Chiquinho, deixando o avançado alemão apenas para os últimos minutos. Talvez o seu maior erro neste jogo.

Pouco mais de dez minutos depois, o árbitro Luís Godinho, que assinalava faltas e faltinhas aos jgadores do Benfica, mas sempre mais condescendente com os do Porto, não viu (o que toda gente viu) que Taremi teve uma entrada sobre Otamendi para vermelho directo. Era tão evidente que não podia passar despercebida ao VAR, e o jogador do Porto lá foi para a rua. E o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, com Sérgio Conceição a reforçar a defesa e, acantonado lá atrás, a refinar o seu futebol de pontapé para a frente e a estratégia de queimar tempo.

O árbitro deu 8 minutos de compensação, que não compensou nem com um segundo, nem com as substituições que o treinador do Porto efectuou nesse período. E assim acabou num empate um jogo que o Benfica poderia ter ganho por larga margem.

O mesmo resultado que o Sporting alcançou com o Rio Ave, em Alvalade. Pelo que, para os três primeiros, ficou tudo na mesma. Mesmo que a exibição personalizada e competitiva do Benfica deixe entender que nada está na mesma. 

Nos quartos, com a história dos oitavos

Benfica derrota Estrela da Amadora e passa aos quartos da Taça de Portugal  - O Jogo

Neste jogo dos oitavos de  final da Taça de Portugal, na Amadora, no velho José Gomes, com o restaurado Estrela, meio filho, meio irmão, do Sintra Futebol Club, mas herdeiro do velho Estrela da Amadora, o Benfica apresentou uma equipa alternativa. Dos mais frequentes titulares, apenas Tarabt surgiu no onze. De resto tudo gente que habitualmente não calça

Na primeira parte as coisas não resultaram. O onze em campo imitou bem o que de pior tem feito o onze habitual, com alguma exibições individuais ao nível do deplorável. Nuno Tavares, Samaris, Chiquinho, para não dizer mais, estiveram a um nível intolerável. Mas nenhum dos restantes esteve perto do que deveria ser aceitável para quem veste aquela camisola.

Daí que rapidamente os jogadores do Estrela, do terceiro escalão do futebol nacional, tivessem percebido que aquelas camisolas não assustavam ninguém e, passados os primeiros dez minutos, passaram a dividir o jogo. 

Aproximava-se já o final da primeira parte quando o Benfica chegou ao golo. Ironicamente por Chiquinho, numa recarga depois de uma grande defesa do guarda-redes adversário a remate de Seferovic. Antes disso praticamente só uma grande perdida de Pedrinho, o que a melhor nível se exibiu até à sua substituição, pouco depois da hora de jogo.

A segunda parte foi diferente. Com os mesmos jogadores, a equipa surgiu completamente transformada, francamente para melhor. Samaris subiu particularmente de rendimento e Pedrinho chegou a momentos de brilhantismo. O resultado começou a engordar e só acabou nos quatro golos porque o desperdício foi grande.

Nos últimos vinte minutos Jorge Jesus começou a lançar no jogo alguns dos jogadores mais utilizados na equipa principal (Waldchmidt, Weigel, Rafa e Grimaldo) provavelmente com a ideia lhes dar ritmo, sem cansar, para o clássico de sexta-feira, no Dragão.

No fim ficam na retina algumas boas movimentações, daquelas que não enganam, de Gonçalo Ramos - retirado muito cedo do jogo, foi o primeiro a sair para entrar... Ferreyra -, e muita qualidade de Pedrinho. Mas também Todibo, na estreia, revelou grande qualidade no trato da bola. Provavelmente com um adversário superior não poderá dar largas à sua exuberância nesse capitulo, e poderão ser-lhe exigidas outras competências que hoje não lhe foram requeridas. Mas jogar bem à bola é sempre bom indicador.

E fica o apuraamento para os quartos de  final. Onde o Sporting já não está, eliminado na Madeira, pelo Marítimo. E onde está também o Porto, porque, também na Madeira, mas contra o Nacional, se apurou à custa de mais uma arbitragem escandalosa. Que expulsou (segundo amarelo) um defesa do Nacional quando acabara de virar o resultado para 2-1, a meia hora do fim, que nem falta fez. Que evitou o segundo amarelo a dois jogadores do Porto (Zaidu e Taremi) em situações claras de punição disciplinar e, que, não fosse isto pouco, validou o golo do empate, em cima do minuto 90, iniciado num lance de mão de Taremi, lançando o Porto, com 11 em vez de 9, para o prolongamento de 30 minutos contra uma equipa que jogou mais de uma hora com um jogador a menos, e mal expulso.

Mas não se passa nada. Nunca se passa nada nestas coisas...

 

Enigma

As coisas não mudam de um dia para o outro. Às vezes no futebol mudam, mas para isso é necessário que algo de estrutural mude. As vezes acontece...

Não se podia por isso esperar muito do Benfica para este jogo de hoje com o Tondela, e o jogo acabou por confirmar as (baixas) expectativas. A primeira parte foi exactamente o costume. Muita bola sem saber o que fazer com ela. Pouca ou nenhuma agressividade, devagar e devagarinho, e incapacidade absoluta de criar condições para chegar ao golo.

A segunda parte começou um bocadinho melhor, com mais um bocadinho de dinâmica, e com os jogadores a parecer que queriam ganhar o jogo. E cedo, aos 10 minutos, aconteceu o que também começa a ser costume: numa jogada com jeito, daquelas que deveriam ser a regra mas são a excepção, apareceu o golo. Naturalmente. Um lance daquelas - um belo passe de Pizzi, a rasgar a defesa beirã, desmarcação de Darwin na profundidade e cruzamento de primeira com Seferovic, de frente para a bola e para a baliza - ou dão golo ou lá próximo. Muitos lances daqueles ao longo do jogo dão golos para ganhar jogos.

É sempre assim. E só tem sido assim que o Benfica tem conseguido marcar os poucos golos que vai fazendo. Poucos porque são esporádicas essas jogadas. Foi assim que fez os outros dois golos. O que foi anulado a Darwin por fora de jogo. Claro, tão claro como tinha sido, no sentido inverso, o primeiro, que o árbitro também anulou, e que o VAR levou uma eternidade para validar, e tão claro como foi o penalti (a mão do defesa do Tondela na bola) no momento anterior ao remate de Darwin, que o  árbitro, Manuel Oliveira, e o VAR não quiseram ver.

A seguir a esse primeiro golo, e ao contrário do que vem sendo hábito, pareceu que a equipa ia prolongar aquele futebol já aceitável, e continuava a procurar o golo. Só que isso não durou mais de 10 minutos. A meio da segunda parte já o Tondela já jogava no campo todo e, com um só golo de vantagem e com a quase certeza que não há jogo sem que Vlachodimos tenha de ir buscar a bola ao fundo da baliza, lá estava outra vez a tremideira. E a incapacidade de segurar o jogo, com a equipa a perder a bola por dá cá aquela palha.

E o costume esteve quase a acontecer. Aos 86 minutos o Tondela teve a sua única oportunidade para marcar, e isso normalmente dá mesmo golo. Valeu a única, e grande, defesa de Vlachodimos. Valeu Vertonghen a afastar depois a bola, e valeu, depois, que a equipa percebeu que não podia correr mais riscos. E que foi capaz disso.

Não tivesse sido isso e aqueles 7 minutos de compensação teriam sido um susto. Não foram, e deram até para chegar ao 2-0. Noutra boa jogada de futebol, em tudo idêntica à do primeiro, com o mesmo Darwin a dar para Waldschmidt (o que Jorge Jesus está a fazer a este jogador... é bem capaz de o destruir) fazer de Seferovic, que substituíra.

Já que não se resolvem todos os problemas que envolvem o Benfica, do topo à base, ao menos que se resolva este enigma: se o treinador e os jogadores vêm como é que marcam golos, porque é não insistem em jogar assim? Já não digo o jogo todo, porque há tempo para tudo, para atacar, para defender e para controlar. Mas ao menos sempre que possam atacar. É que se o fizerem percebem que isso é muito mais interessante que andar ali com a bola de um lado para o outro, para  trás e para a frente, para depois voltar a trás.

 

Milagres e vinténs

 

Já não há palavras... Nem milagres!

O Benfica iniciou o jogo desta tarde, no Estádio de S. Miguel, já com cinco minutos decorridos. Foram os que ontem o árbitro Hélder Malheiro permitiu que decorressem no charco de Ponta Delgada, num campo evidentemente impraticável. Uma teimosia que nos traz à memória um certo jogo em Setúbal, aqui há uns anos, quando o então árbitro, e hoje "dono disto tudo", Pedro Proença passeava pelo campo à procura de poças de água, fazendo tudo para que a bola não rolasse, para não dar início a um jogo que ao Porto, então, não convinha nada que se realizasse.

Como agora também não convinha nada ao Benfica, com sete jogadores impedidos, e a precisar mesmo é de não jogar.

Mas lá teve de comparecer hoje, para dar continuidade à maré negra que se prolonga, e que uns milagres têm mitigado, que não escondido. Agora nem já os milagres lhe valem!

Mais uma vez, como fizera no último jogo com o Portimonense, Jorge Jesus veio dizer que a equipa fez uma boa primeira parte. Não fez, como não tinha feito na passada quarta-feira. A grande primeira parte do Benfica resumiu-se a uma boa jogada de futebol, que começou e acabou em Darwin, e no único golo da equipa, ao minuto 33. E a uma prestação simplesmente aceitável nos doze minutos que se seguiram, onde mais não conseguiu que criar uma segunda oportunidade (Waldschimidt) para voltar a marcar.

A segunda parte arrancou com um choque de cabeças entre Jean Patric e Gilberto, que assustou toda a gente e atirou ambos para fora do jogo. É o movimento do avançado do Santa Clara que projecta a sua cabeça contra a do lateral direito do Benfica, pelo que não há penalti nenhum, como reclamou o treinador da equipa açoriana.

O jogo esteve parado largos minutos e, quando foi outra vez retomado, já só estava uma equipa em campo. Vestia de vermelho, mas não era a do Benfica. Esta foi com Gilberto para os balneários, no dizer de Jorge Jesus, que imputa à falta do lateral direito a quebra da equipa.

Até chegar ao empate, que era o que os açorianos realmente queriam do jogo, aos 60 minutos do relógio, mas no início da segunda parte em jogo jogado, o Benfica não foi capaz de fazer rigorosamente nada para contrariar a superioridade dos adversários. Que ganhavam todos os duelos e chegavam sempre primeiro à bola. De tal forma que o golo do empate não surpreendeu ninguém.

Um golo comum na baliza do Benfica. Um lance de bola parada, com a redondinha a cruzar toda a área, para chegar à pequena área na sequência de um remate falhado na esquerda, em que o central Fábio Cardoso, formado no Benfica, meteu a cabeça onde os jogadores benfiquistas não foram capazes de meter os pés.

Faltava meia hora para o fim do jogo. Muito tempo, tempo para mais um milagre, terão pensado os jogadores do Benfica. Por isso continuaram como se lá não estivessem. Este Jesus não faz milagres, mas acredita neles. Tanto, que até Ferreyra mandou lá para dentro!

Pode continuar a acreditar, Mister Jesus. Mas olhe que se acontecessem todos os dias deixavam de ser milagres!

Um milagre é um milagre. É como um vintém. Lembra-se?

 

Fantasmas

Benfica Portimonense Raio-X Liga NOS - SL Benfica

 

Depois da derrota na Supertaça com o Porto, e face ao baixíssimo nível exibicional que a equipa vem apresentando, o último jogo do Benfica neste ano negro era aguardado com grande expectativa. Não se esperaria que a equipa surgisse confiante e capaz de fazer um grande jogo, mas havia que ver que resposta era a equipa capaz de dar à derrota da passada quarta-feira.

O adversário, o Portimonense, era - e é - apenas o último classificado do campeonato, que de resto disputa por ter sido repescado na sequência da desqualificação do Vitória de Setúbal, não era assustador. Mas nem era preciso, este Benfica tem em si mesmo fantasmas de grande capacidade assustadora.

O início da partida foi uma agradável surpresa. A equipa do Benfica, mesmo desfalcada de sete jogadores, a maioria deles por efeitos da covid, e repetindo o mesmo onze da Supertaça, entrou bem, não aparentando grandes medos, e a desenvolver algumas boas jogadas. E o Portimonense parecia estar ali para não assustar ninguém.

O primeiro golo, a culminar uma bonita jogada de futebol, e alcançado pelo Darwin, que já não marcava há mais de dois meses, teve tudo para lançar a equipa para a exibição que tarda. Mas não, ainda não passara o primeiro quarto de hora, e a reacção que permitiu ao adversário indiciava que não seria assim. Já o Portimonense não era uma adversário (a)batido quando, dez minutos depois, ainda apenas com metade da primeira parte jogada, em mais uma bonita jogada de futebol, apesar de um certo atabalhoamento na parte final, o Benfica voltou a marcar, desta vez por Rafa, com uma boa primeira parte.

Mais uma vez não soube capitalizar o golo, e foi o Portimonense a reforçar a sua presença no jogo. A superioridade do Benfica começou a esfumar-se, e quando o árbitro apitou para o intervalo já a equipa algarvia era a melhor sobre o relvado. Sem criar oportunidades de golo, é certo, mas já com a posse de bola equilibrada - 50% para cada lado.

A segunda parte iniciou-se como terminara a primeira, com o Portimonense por cima do jogo, acumulando posse de bola, e dominando o jogo. De novo sem criar ocasiões de golo, mas melhor em todos os capítulos do jogo. Mesmo assim foram do Benfica as duas oportunidades de golo. Primeiro, logos aos dez minutos, num remate ao poste de Darwin. E pouco depois num remate de cabeça de Otamendi, na sequência de um canto. Contra uma, apenas, do Portimonense. Que atacava e deixava espaços que o Benfica, pelo velho problema dos passes falhados e das decisões erradas, nunca foi capaz de aproveitar.

A incapacidade do Benfica nas transições ficou exemplarmente traduzida numa jogada em que até foi assinalado - mal ou bem, agora não interessa - fora de jogo a Darwin. Que, isolado frente ao guarda-redes, não só não teve arte nem engenho para o bater, acabando por o contornar até ficar sem ângulo a rematar para a bancada. Tudo isto sem que nem um só jogador do Benfica tivesse aparecido para lhe dar qualquer alternativa, todos lá atrás, sem passarem a linha do meio campo.

Valeu que o - inevitável, percebia-se - golo do Portimonense chegou apenas no primeiro dos 5 minutos de compensação, com Jorge Jesus a meter defesas (Ferro) e médios (Samaris) para segurar o resultado. Que foi a única coisa que se salvou deste jogo triste. Muito triste, como todo o ano.

E ninguém espera que o que aí vem seja melhor. Nada indica que o seja. Os jogadores são fantasmas de si próprios, e nada muda só porque muda o ano.

Manhas, circunstâncias e o resto

 

Com uma arbitragem manhosa, e contra um adversário manhoso, em que cada jogador tem a sua manha, a disputa desta Supertaça não era tarefa fácil para este Benfica.

Aos manhosos que já tinha, o Porto acrescentou este ano um manhoso especialista na manha penaltis. São uns atrás dos outros, já nem têm conta. As arbitragens manhosas fazem o resto. Na realidade nem é preciso que o Taremi aprofunde muitos os seus talentos na arte de enganar os árbitros. Eles gostam. Hoje nem precisou de procurar no baú a mais requintada das suas habilidades. Se já foram marcados penaltis por Marega chutar contra as pernas do adversário, porque é que não haveria de de ser marcado por atirar a perna para cima do guarda-redes?

Nas leis do jogo, penalti é quando o guarda-redes se atira para cima do adversário. Nas leis da manha basta que o avançado se atire para cima do guarda-redes. Nos foras de jogo também não há nada que a manha não resolva. Arranjam-se sempre as linhas manhosas.

Foi isto a primeira parte. Pouco futebol e muita manha. Daí um manhoso 1-0 ao intervalo, a condicionar decisivamente o resto do jogo.

A segunda parte teve menos manha e mais jogo. A começar logo no arranque pela falta de manha de Darwin, que  surgiu isolado frente a Marchesin e saltou por cima do guarda redes, e da perna que ele levantou bem alto, para evitar o contacto. Manha que já não faltou ao Corona - o tal que, por falar em manhas, estava em dúvida para o jogo, como o Octávio - quando despachou a bola a toda a pressa depois de a ter ajeitado com o braço dentro da área, na sequência da cobrança do livre de Grimaldo que levou a bola aos ferros. Nem ao árbitro Hugo Miguel, que não viu. Nem tinha visto que a falta de Sérgio Oliveira, de que resultou esse livre, teria que ter dado o segundo amarelo.

Depois das manhas, uma espécie de ambiente geral, há as circunstâncias próprias do jogo. O lance do penalti manhoso sucedeu a uma transição rápida do Rafa que, em vez de escolher entre por pelo menos duas opções de passe que tinha, optou por seguir sozinho com a bola até a perder, à entrada da área portista. E o lance do segundo golo, já no fim do jogo, resultou de mais um passe falhado de Taarabt, com a equipa toda lançada para o ataque, à procura do empate.

Depois do ambiente, e das circunstâncias, há o que resta do jogo. O que foi jogado. E aí viu-se sempre um Porto mais forte, mais trabalhado, a jogar mais e muito mais competitivo. E viu-se um Benfica que nem aquele seu futebolzinho foi capaz de ensaiar. Que nunca conseguiu fazer três passes seguidos, e que se limitou a chutar a bola para a frente, à espera que o Darwin a agarrasse. Que em todo o jogo construiu e finalizou uma única jogada, concluída pelo Grimaldo, com uma grande defesa de Marchesin, logo a seguir ao penalti do golo de Porto. E que, para além dessa oportunidade de golo, apenas criou perigo nos dois livres do lateral esquerdo espanhol, o tal da bola nos ferros e, antes, no outro bem defendido pelo guarda redes portista.

Muito pouco. Tão pouco quanto é o pouco que vai valendo este Benfica de Jorge Jesus e Vieira. 

O Porto fez muito mais? Não. Mas nem precisou para ganhar claramente o jogo, arrecadar mais um troféu, e ferir o Benfica mais uma vez. Vamos ver com consequências para o resto da época, e para os próximos confrontos. Pela experiência, não serão difíceis de adivinhar!

 

A segunda equipa que melhor joga

Benfica vence Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e chega ao Natal no segundo  lugar da Liga a dois pontos do Sporting – Observador

"A segunda melhor equipa a jogar futebol em Portugal" continua com dificuldades. Ganhou, voltou a ganhar, e até não sofreu golos, o que é uma raridade. E por isso continua a ser segunda melhor nesse ranking de qualidade desse jogo jogado de que não percebemos nada.

Dizer que esta deslocação a Barcelos representava mais uma tarefa difícil para esta equipa do Benfica não é sequer um lugar comum. Difíceis têm sido todos os jogos, onde quer que se disputem, e contra qualquer adversário. Todos os adversários sabem que o segundo melhor futebol nacional é aquilo, e sabem como contrariá-lo. O Gil Vicente não era diferente, mais a mais com um treinador que até já tinha jogado com o Benfica, ainda que no tempo em tudo era um pouco novidade.

A primeira parte foi, pois, mais do mesmo. Aquele futebol repetitivo, feito de passes - falhados, muitas vezes - para o lado e para trás, sempre a afunilar, e a esbarrar nas defesas adversárias, sempre a parecer que têm mais jogadores em campo. Com os jogadores do Benfica a regredirem, em vez de progredirem, à medida que o tempo passa, como por exemplo Darwin. Que já não tem nada a ver com aquele jogador excitante que há dois meses rompia, corria, assistia e marcava. Hoje não tomou uma decisão acertada - finalizava quando era para assistir, e assistia quando era para finaliza. Sempre mal, fosse a assistir, fosse a finalizar. E assim se esfumaram as (poucas) oportunidades de golo criadas, sem que causasse grande surpresa que a mais clara situação de golo tenha pertencido ao Gil Vicente.

Só não fica assim contada a história da primeira parte porque, mesmo em cima do minuto 45, aconteceu a expulsão de um dos defesas da equipa de Barcelos, num segundo amarelo que chegou com uns minutos atrasado. Uns minutos e um penalti atrasado.

Cedo na segunda parte se percebeu que nem a superioridade numérica ajudava grande coisa. E foi o Gil Vicente a criar as mais iminentes ocasiões de golo. Aos pares, quer dizer, na ressaca de cada uma surgiu uma nova.

Depois do primeiro par (grande defesa de Vlachodimos, e remate à barra, no canto), logo a seguir, o Benfica marcou. O remate de cabeça de Everton ia para o guarda redes, mas um defesa gilista imitou o avançado benfiquista e replicou o remate. De cima para baixo, colocando a bola definitivamente fora da rota do seu guarda-redes. Estava-se no fim do primeiro quarto de hora, e no melhor período do Gil, que logo a seguir teve novo par de oportunidades para marcar, mas foi o Benfica a voltar a chegar ao golo, pela segunda vez em seis minutos. Este todo de Everton, depois de uma boa jogada, com a bola a chegar à linha final, como tinha sucedido no primeiro golo, e como raramente sucedeu no jogo.

E aí sim. O Gil ficou derrotado, a superioridade numérica ficou então a notar-se, e o Benfica pôde finalmente controlar e dominar o jogo. Então sim, com aquele futebol de passe para trás e para o lado a fazer algum sentido.

Não vão lá muito bem as equipas do melhor futebol em Portugal. A melhor, ontem, só com uma grande ajuda da arbitragem ganhou o seu jogo. À terceira melhor bastava-lhe uma, mas teve duas.

Isto vai bonito, vai...

Valham-nos os penaltis

Benfica vence Guimarães nos penáltis e está na 'final four' da Taça da Liga  - Desporto - SAPO 24

Valeram-nos os penaltis. O penalti meio caído do céu, mas inequívoco, que deu o empate. E os quatro, em quatro, todos magistralmente convertidos (contra apenas um, em três) que resolveram depois o desempate. Não fora isso e, pelo segundo ano consecutivo, seria o Guimarães, e não o Benfica a marcar presença na final a quatro, no próximo mês, em Leiria.

Valeram os penaltis, porque, no resto, está tudo igual neste futebol do Benfica de Jorge Jesus. Na última das suas tiradas tinha dito que "tanto fazia que defendessem com cinco, como com seis, como com quantos quisessem" quando, na realidade, tanto faz que os adversários joguem com um avançado, com dois ou sem nenhum. Marcam sempre, nem precisam de atacar. Basta-lhes passarem uma vez da linha do meio campo para facilmente colocarem quatro ou cinco jogadores para fazer golo.

Repetiu-se hoje mas uma vez. Na primeira vez que o Vitória passou do meio campo, foram cinco jogadores contra apenas dois do Benfica, e no primeiro remate fez o golo.

Depois foi o costume. O mesmo futebol lento e previsível, com os jogadores a falharem passes uns atrás dos outros, a baterem numa muralha defensiva onde havia sempre três jogadores vimaranenses para um do Benfica.

Porque eles jogavam com mais, e não apenas com os 11 permitidos?

Não, embora parecesse. Apenas porque aquele futebol estereotipado, lento, sem criatividade, e com sucessiva repetição dos mesmos processos, permitia aos adversários estar sempre em maioria onde quer que a bola estivesse.

É verdade que o Benfica, pelo que fez na segunda parte, depois das substituições (João Ferreira? O que é isso mister?) fez por merecer o apuramento. Criou oportunidades de golo suficientes para ganhar claramente o jogo, e esta equipa de Guimarães é fraquinha, é mesmo das mais fracas dos últimos anos.

Mas é assim que vai este futebol do Benfica. E disto não passa!

Goleada, mas ...

Benfica goleia Vilafranquense e segue na Taça de Portugal: veja o resumo -  O Jogo

 

O Benfica apurou-se com naturalidade para os oitavos de final da Taça de Portugal, ao vencer, na Luz, o Vilafranquense, de João Tralhão, por 5-0. 

Uma vitória folgada num jogo fácil, e com alguma história. Ou histórias. A começar na história dos cinco golos, todos muito bonitos, especialmente bonito o último. Que foi o primeiro de Pedrinho - um grande golo. Já o primeiro tinha também sido o primeiro de Gonçalo Ramos.

No espaço de quatro minutos, os que antecederam o primeiro quarto de hora de jogo, o Benfica marcou três golos. Que têm história comum na particularidade de terem resultado de jogadas que não fazem normalmente parte do cardápio de Jorge Jesus. E que tanta falta fazem ao pobre e estereotipado futebol que a equipa tem apresentado.

Refiro-me ao jogo vertical e ao cruzamento a partir da ala, dois dos instrumentos para abrir defesas. Os três primeiros golos, nesse espaço de quatro minutos, e ainda um remate à barra do Gonçalo Ramos, resultaram desse futebol, e surpreenderam o Vilafranquense. Que estava à espera daquele jogo interior invariavelmente afunilado para o centro da área. E não teve de esperar muito, porque depois desses excepcionais quatro minutos, ele apareceu. Com os resultados que se conhecem, e que se voltaram a ver. O azar da equipa da Segunda Liga é que já perdia por três. E ainda por cima, logo de enfiada.

Na primeira parte o Benfica ainda disfarçou esse futebol estereotipado, ineficaz e que diria mesmo que já não se usa. Marcou mais um golo, no bis de Seferovic, e deu um tom agradável à exibição, pesem embora as debilidades do adversário. Na segunda parte, e em cima do quatro a zero, voltou o tal futebol. E talvez não surpreenda que só deu para mais um golo, por acaso resultante da inspiração individual do Pedrinho naquele momento.

E poderia ter voltado a sofrer golos, porque a transição defensiva, mesmo com um adversário deste nível, voltou a ser aquilo que tem sido. Só não aconteceram porque, por duas vezes, a bola bateu nos ferros, e não nas redes. Mesmo que da primeira vez, na barra, tenha resultado da conversão ilegal de um livre indirecto dentro da área (mais um erro de Otamendi, a deixar seguir a bola, e do guarda-redes Helton a agarrá-la com a mão, que vinha de um atraso do Nuno Tavares), que foi executado como livre directo, dado que a bola não rolou, foi apenas pisada. A segunda resultou de um contra-ataque, e teria sido até mais um excelente golo no jogo.

O cinco a zero não é enganador face à realidade do jogo. Mas, pelo adversário, e pela insistência nas mesmas debilidades, não justifica qualquer optimismo.

Atestado de incapacidade

 

Esperava-se que este jogo da nona jornada, na Luz pudesse confirmar a retoma exibicional e competitiva do Benfica, mau grado o adversário ser o Paços, de Pepa, o quinto classificado, a fazer uma excelente época e a jogar bom futebol.

Afinal o jogo só confirmou o bom trabalho que Pepa está a fazer em Paços de Ferreira. E, pelo contrário, mostrou que não há retoma nenhuma no Benfica. Que os problemas continuam todos lá, e que, pelos vistos, Jorge Jesus, em vez de os resolver, agrava-os.

É certo que o Benfica ganhou, e que voltou a virar um resultado negativo. Como certo é que o golo do Paços que cedo (24 minutos) o deixou à frente do marcador foi irregular, e deveria ter sido anulado. Pelo árbitro, Rui Costa, ou pelo VAR, o provadamente incompetente Bruno Esteves. É também certo que o Benfica teve duas bolas nos ferros, num remate de Pizi ao poste, no lance anterior ao golo do Paços, e noutro de Darwin, à barra, pouco depois do golo do empate, de Rafa. E que criou sete oportunidades claras de golo, duas delas também a seguir a esse golo.

Mas o Paços também criou quatro oportunidades de golo. E fez mais remates (15, contra 11 do Benfica) e mais remates à baliza - cinco, contra quatro. E, acima de tudo, ganhou quase todos os duelos individuais, ganhou quase todas as segundas bolas. E, no últimos minutos, quando o Benfica só tinha que carregar sobre o adversário e procurar com alma a vitória, foi o Paços que mandou no jogo.

O golo de Luca Waldschmidt, da vitória no último lance do desafio, não resultou da alma e da crença da equipa. Simplesmente caiu do céu, quando ninguém acreditava que aquele jogo pudesse ser ganho.

A partir dos primeiros dez minutos do jogo o Paços controlou o jogo, e passou a jogar de igual para igual, mostrando que basta uma boa organização em campo, ocupar bem os espaços e disputar todas as bolas para engasgar o futebol do Benfica. Tem sido assim, e pelos vistos assim irá continuar a ser, evidenciando os desequilíbrios tácticos da equipa e os do plantel. E das opções de Jorge Jesus.

Hoje, sem Grimaldo, ao que parece lesionado no aquecimento, o Benfica não teve laterais. O Gilberto até fez a assistência para o primeiro golo, e outra em que Seferovic, na cara do guarda-redes, atirou ao lado. Mas foi de uma incompetência atroz no passe e na recepção, a perder bolas consecutivamente linha lateral, ora caricatamente a deixar a bola a passar por baixo dos pés, ora a deixá-la fugir, ora a enviá-la directamente para fora. E o Nuno Tavares foi aflitivo.  Quando passou do meio campo, passava ele, mas a bola não. Vinha para trás.

Sem laterais a ocuparem as faixas, restou jogar pelo meio, e ficou mais fácil para o Paços defender. Falhar passes, como falharam os jogadores do meio campo, ficou mais fácil para o Paços atacar. Foi assim neste jogo, como foi assim noutros. E como continuará a ser, por simples determinismo.

 

 

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