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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Aplausos e assobios

Cinquenta e quatro mil na Luz, entre os quais os três mil adeptos do Marselha, "trocados" em última hora com as autoridades francesas (que tinham partido da proibição da presença de adeptos benfiquistas em Marselha) para assistir ao jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa e, simultaneamente, homenagear e aplaudir - infelizmente pela última vez - Sven-Goran Eriksson. 

Bonita, sentida e comovente homenagem, como aqui havia "reclamado" logo que se conheceu o seu estado de saúde. Abraçamo-lo, e ele abraçou-nos. "Eriksson de 1982 até ao fim" - como dizia uma das faixas na bancada.

Antes, na primeira parte, o Benfica, repetindo pela terceira vez o onze, depois dos dois jogos de má memória com o Sporting, não se afastou do patamar exibicional atingido naqueles dois últimos jogos. Não foi por acaso que todos tínhamos achado que o sorteio fora simpático, mas foi tão clara a superioridade do Benfica que ficou até a ideia que o Marselha era inferior ao que se esperava. O Benfica podia ter resolvido a eliminatória, até porque marcou ainda cedo, logo à passagem do primeiro quarto de hora, em mais uma bela jogada de ... transição, que Rafa concluiu como só ele (ou Di Maria) sabe fazer. Mas, na linha do que tem vindo a acontecer, voltou a falhar na última decisão. Fosse no passe, fosse na finalização. Tengstedt trabalha para a equipa, e por isso continua a convencer Schmidt, mas não tem (ainda?) capacidade técnica executar no espaço e no tempo que (não) há na grande área adversária. E o intervalo, para abraçar Eriksson, chegou com um magro 1-0.

A segunda parte abriu com o jogo no mesmo tom. O Benfica a jogar bem, a dominar em todas as dimensões do jogo. E a voltar a marcar cedo, apenas sete minutos depois do reinício. De novo - de outra forma só de bola parada - em mais uma bela jogada de ... transição, concluída com sucesso por Di Maria. 

Com o segundo golo, naquela altura, o Benfica passou a ter tudo para construir um resultado que deixasse a eliminatória resolvida. Nos cinco minutos seguintes construiu e desperdiçou mais duas oportunidades de aumentar o resultado. Que era já tranquilo, e que o domínio do jogo dava por seguro. 

A partir dos 65 minutos era natural que os jogadores começassem a acusar fadiga. Que começou a ser demasiado evidente no quarteto da frente. Quando Di Maria, Rafa e Neres já não têm condição para vir atrás e acompanhar adversários criam-se buracos. Quando Tengstedt já não consegue correr mais fica sem ter nada para fazer.

Foi assim, mesmo que se tenha tratado de um erro inadmissível de António Silva (nesta altura em deficiente estado de forma, técnica e mental) que, ao tentar cortar a bola e sair a jogar, permitiu que Aubameyang (ainda craque) se isolasse e, só com Trubin pela frente, marcasse como quis. Faltavam pouco mais de 20 minutos e, de repente, um potencial resultado de quatro ou cinco a zero passava a 2-1.

Shmidt demorou ainda uns "eternos" três minutos a fazer as duas substituições. E únicas. Tirou Tengstedt e Neres, mas deixou os outros dois. E - pior - se entrada de Marcos Leonardo é natural, a de João Mário transmitia aos que lá estavam dentro, no relvado, e nas bancadas, que o que importava era segurar o resultado. 

E foi por isso que as bancadas, que tão fortemente tinham aplaudido Eriksson, acabaram em assobios. Que Schmidt não percebe. Pode ser que, ouvindo o treinador do Marselha - "os últimos minutos e o golo dão-nos muitas esperanças para a segunda mão" - os perceba. 

O dérbi resolveu o campeonato

No dérbi em Alvalade o Benfica não repetiu a exibição da Luz, na passada terça-feira. Por isso, ainda que tenha feito suficiente para ganhar o jogo, perdeu-o. Inglória e imerecidamente, mas perdeu-o. E perdeu hoje o campeonato.

Ao intervalo o jogo estava empatado, com o Sporting a marcar nos primeiros segundos, e o Benfica nos últimos. Começa por aí a história do jogo: ninguém, nos primeiros segundos do jogo, pode ter feito o que quer que seja para justificar um golo; nos últimos segundos já tudo pode ter sido feito para o justificar.

O Sporting apanhou-se simplesmente a ganhar. Tudo começou num erro de António Silva, com um passe à queima para Bah, que o Pote aproveitou. Depois foi a premonição que a sorte estava toda virada para os de Alvalade: um ressalto que podia ter tido um destino qualquer acabou por levar Trubin, em rota de colisão com Otamendi, a desviar a bola para a frente (como na Luz) para Catamo fazer o golo.

Começando o jogo a perder o Benfica teve de se fazer à vida. E fez - repito, sem repetir a exibição da há dias na Luz - mas assegurando o domínio do jogo, e sendo melhor. Muita bola, muitos remates, muitos cantos, mas apenas um golo, e já nos últimos segundos. O Sporting pouco mais fez que limitar-se a esperar. A esperar erros do adversário, a esperar que o Gyokeres resolvesse e à espera que o tempo passasse. 

A segunda parte foi novamente diferente. Rúben Amorim voltou a cedo mudar as peças, e o Sporting passou a equilibrar o jogo e a geri-lo, satisfeito com o empate. Nas pequenas coisas, nos incidentes do jogo, a sorte sorria-lhe sempre. A bola sobrava sempre para os seus jogadores (o lance do remate de Gyokeres ao ferro é paradigmático: num "despacho" da defesa do Benfica a bola vai bater violentamente na cara do Hjulmand e teve de  ressaltar precisamente para o sueco, sozinho, com a baliza à frente). E, no que podia, o Artur Soares Dias, dava uma ajuda. Como fez, a mais de 25 minutos do fim do jogo, ao perdoar o segundo amarelo ao Hjulmand. Ao contrário do que, mais tarde, fez com Aursenes, hoje o melhor jogador do Benfica.

O Benfica ia criando algumas oportunidades. Golos é que não. A bola ou batia em Coates ou no ferro. Rúben Amorim esgotava as substituições (o Morita e o Gonçalo Inácio não atinavam, o Pote esgotou, e depois o Trincão, e o Hjulmand, tinha de sair, já tinha escapado por duas vezes à expulsão, e seria difícil continuar a escapar) à entrada do quarto de hora final. Schemidt fizera pouco antes a primeira (Tengstedt por Cabral). E ficou-se por aí. Já nos descontos, e já depois de o Sporting ter marcado, fez então duas. 

No fim, no primeiro dos seis minutos de compensação, Sporting marcou, e ganhou o jogo e o campeonato. Foi num canto, e a bola interceptada pela defesa do Benfica foi novamente direitinha para o pé do Catamo. O Benfica ainda voltou a ter oportunidade de evitar a derrota. Mas a sorte esteve sempre do outro lado ...

Um grande Benfica fez um grande dérbi

Os onzes de Benfica e Sporting para o dérbi. Tengstedt e Neres no ataque das águias, Esgaio e Bragança novidades nos leões

Foi um grande jogo de futebol, o dérbi desta noite na Luz, de bancadas cheias de novo.

Foi um grande jogo, e foi um grande jogo do Benfica. Na primeira parte - o melhor que se viu da equipa nesta época - foi absolutamente dominador. Ao intervalo já merecia ter resolvido a eliminatória, tal o domínio sobre o Sporting, e tantas as oportunidades de golo criadas. Noutras circunstâncias, ou noutras alturas, o jogo teria ficado arrumado logo no primeiro quarto de hora.

Diz-se que os dérbis são assim. Que normalmente quem está em melhor momento não é o melhor no jogo. E não ganha. O Sporting está num grande momento, mas o Benfica foi melhor. Muito melhor, na primeira parte, melhor na segunda, mas não ganhou.

Desta vez o Benfica surpreendeu. Surpreendeu os adeptos e o Sporting. Pressionou o adversário no campo todo, disputou cada bola com mais intensidade que o adversário e, depois ... tem melhores jogadores. Às vezes não parece, mas tem mesmo. E hoje, quando não foi só João Neves a correr e a ser intenso, e todos correram tanto, e com tanta intensidade, ou mais, que o adversário, viu-se.

É certo que, apesar disso, o Benfica não ganhou e ficou afastado da final do Jamor. Mas isso acontece algumas vezes no futebol. Nem sempre ganha quem é melhor.

Depois do "banho" da primeira parte, Rúben Amorim mexeu na equipa ao intervalo. E bem, melhor era impossível. Mudou as laterais (Esgaio e Diomandé, na direita, e Nuno Santos na esquerda, tinham simplesmente sido atropelados pela avalanche benfiquista) lançando St. Juste e Geny Catamo para o lado direito, e Matheus Reis na esquerda. 

Logo no arranque da segunda parte o central holandês lançou Gyokeres nas costas da defesa (subida) do Benfica. Segurou a bola e deu-a a Hjulmand para um remate feliz, e indefensável. Nem a absoluta falta de sorte, nem as adversidades da arbitragem - já lá vamos - impediram a resposta imediata do Benfica. E cinco minutos depois empatou, com golo de Otamendi, a passe de Neres.

Nem deu para festejar. E não foi por António Silva ter de imediato ido buscar a bola para a trazer para o centro do terreno. Foi porque dois minutos depois já o Sporting voltava a marcar. Desta vez foi Geny a cruzar, e Trubin a interceptar a bola para a deixar em Paulinho. 

Era de mais, mas era assim. E nem assim os jogadores do Benfica se deixaram abater. E continuaram incansáveis à procura do golo, que a sorte e a arbitragem nunca quiseram que acontecesse. 

O penálti - claro - de Coates sobre Rafa (70 minutos) poderia ter ajudado, mas nem o João Pinheiro, no campo, nem "o lagarto" Hugo Miguel no VAR, o quiseram que acontecesse. Já na primeira parte o mesmo havia sucedido com o mesmo Coates, então sobre Tengstedt. Dessa vez João Pinheiro optou por assinalar um fora de jogo que nunca existiu. O Hugo Miguel devia ter ido á casa de banho.

Houve mais. Di Maria fartou-se de levar pancada, sempre sem falta. E levou até um amarelo. O que nem Gonçalo Inácio levou quando se mandou a pontapé às pernas do Tengstedt, a caminho de se isolar para a baliza. Tudo isto em cima daquele golo anulado no jogo da primeira volta, em Alvalade.

É verdade que, ao contrário do que se passou do outro lado, as substituições tardaram. Já o guarda-redes do Sporting tinha - finalmente - visto o cartão amarelo por queimar tempo, quando Tengstedt saiu para entrar, desta vez, Marcos Leonardo. Já só faltavam 5 minutos para os 90 quando Neres, esgotado, foi substituído por Tiago Gouveia, ainda a tempo de desperdiçar duas claras ocasiões de golo. E jogava-se já o minuto 90 quando Florentino, exausto, saiu para entrar João Mário. E é verdade que nenhum dos que entraram esteve ao nível dos que saíram. Exactamente ao contrário do que se passou do outro lado. 

No fim, nem o insucesso impediu a Luz de aplaudir a equipa. Merecidamente. Os jogadores mereceram!

Não há vitórias morais, e a Taça já foi. Mas, se até ao final da época jogarem sempre todos assim, mesmo continuando a sortear o ponta de lança, é possível acreditar em tudo. Em ser ainda campeão, e até ganhar a Liga Europa.

In-com-pe-tên-ci-a

Às vezes o Benfica joga mal. Uma vez por outra. Normalmente joga ... "benzinho". O problema não é sequer jogar apenas "benzinho". Poucochinho. O problema é que não consegue surpreender ninguém. Nem os adeptos, nem - e é isso que é determinante - os adversários. 

Esta noite, na Luz, perante o Chaves, com o "onze" do costume - apenas com Tomás Araújo no lugar de António Silva (a confirmar que o preenche com absoluta competência), e com Kokçu, aparentemente com o problema resolvido, no banco - aconteceu o que é normal acontecer: sem jogar propriamente mal, o Benfica jogou "benzinho"... mas poucochinho. Ainda assim o suficiente para ganhar, por muitos, ao último classificado. Tem sido frequentemente assim: jogar "benzinho", mesmo que poucochinho, tem sido suficiente para ganhar maioria dos jogos. Umas vezes por pouco, outras por muitos, conforme a eficácia.

Só que, no jogo desta noite, àquilo a que normalmente chamamos eficácia, temos de chamar competência. Nem sempre é assim, nem sempre a falta de eficácia é incompetência, mas hoje foi-o. Hoje, na Luz, não foi eficácia que faltou especialmente a Di Maria e Arthur Cabral. Eficácia faltou a Rafa, Otamendi, Tomás Araújo, Bah ou  Florentino. 

Di Maria foi infeliz, mas também incompetente, ao permitir ao guarda-redes do Chaves que defendesse o penálti, ainda antes da meia hora, e que mudaria o jogo. Acontece. Arthur Cabral foi infeliz, mas também incompetente, ao imitá-lo, à hora de jogo. Não faço ideia donde tenha partido a decisão de trocar o marcador, mas não tenho dúvida que foi incompetente - um jogador como Di Maria não pode ficar afectado por ter falhado um penálti. Toda a gente sabe que não. Como toda a gente sabe que uma troca dessas pesa na cabeça de um jogador permanentemente desconfiado, como é Cabral. Fez exactamente como Di Maria fizera, e o guarda-redes voltou a defender.

O VAR - que tivera de intervir para que Hélder Malheiro assinalasse os dois óbvios penáltis - mandou repetir. Inicialmente ficara a ideia que Hugo Souza, o guarda-redes do Chaves, dera um passo antes de a bola partir. Deu, na realidade, mas manteve um pé na linha de baliza. E a repetição deveu-se, afinal, à entrada na grande área de jogadores do Chaves antes do remate, que já tinha também acontecido no penálti da primeira parte, de Di Maria, mas passado em claro.

Na repetição, Arthur Cabral já não foi infeliz, nem apenas incompetente. Foi qualquer outra coisa inimaginável, ao repetir, pela terceira vez, exactamente  o mesmo. A mesma preparação, o mesmo remate fraco, para o mesmo lado direito do guarda-redes, no mais flagrante exemplo da incompetência que nesta altura grassa no futebol do Benfica!

A mesma que faz com que apenas consiga marcar ou em contra-ataque, ou de bola parada. Foi assim, num livre cobrado por Di Maria e concluído de cabeça por João Neves que, aos 68 minutos, marcou o golo que assegurou mais uma vitória. Curtinha, justa pelas oportunidades criadas, mas à justa e com muito pouco encanto.

 Só depois do golo Roger Schmidt começou a mexer na equipa. A tempo de duas agradáveis surpresas: a primeira nos aplausos a Arthur Cabral, quando foi substituído por Marcos Leonardo; a segunda, pouco depois, pela pacífica entrada de Kokçu que, com João Mário, substituíram Di María e o irreconhecível David Neres.  

Mas é isso: boas surpresas só dos adeptos!

Na forma do costume

O Benfica surgiu hoje em Rio Maior no seu jeito, com o seu futebol que não entusiasma os adeptos, nem massacra o adversário. O efeito Kokçu notou-se logo na constituição do onze inicial, com Neres a pagar a factura. Saiu da equipa, daquela que vinha sendo dada como, finalmente, o onze base de Schmidt, para lá entrar - evidentemente - João Mário. A mensagem é simples, e fácil de perceber!

Com João Mário na ala esquerda - ainda por cima onde rende menos -, e Di Maria com lugar cativo na direita, e ambos com tendência a vir para dentro, o jogo do Benfica afunilou sempre, como é habitual. Se a tarefa do Casa Pia era defender, assim, tornava-se mais fácil. Com essa tarefa facilitada, e como o Benfica resolveu dar a primeira parte de avanço, o Casa Pia teve até oportunidade de querer mais qualquer coisa do jogo.

O Benfica acumulava posse de bola e pontapés de canto. Pouco mais. O mais perto que esteve do golo foi quando João Neves cabeceou a bola para dentro da baliza, que o árbitro anulou, por fora de jogo.

O intervalo não mudou nada. O Benfica voltou com os mesmos 11 jogadores, como quem acredita que fazendo as mesmas coisas, e da mesma maneira, seja possível atingir resultados diferentes. Foi preciso mais um quarto de hora para mudar alguma coisa, com a entrada de Arthur Cabral para o lugar Marcos Leonardo (é cada vez mais difícil encontrar-lhe atributos para ponta de lança fixo: não consegue jogar de costas para a baliza, nem tem o que se chama de faro de golo) e de Neres para o  de ... Florentino. Que não foi muito apreciada pelas bancadas, maioritariamente benfiquistas, como sempre. Mas que nas circunstâncias do efeito Kokçu se compreende: Florentino tinha sido amarelado no final da primeira parte, e João Mário passaria a formar a dupla do meio campo com João Neves, para o que está mais talhado. E na verdade não correu mal.

Neres dinamizou o ataque, mas também ele vinha muito frequentemente para o meio. Uma espécie de "pecado original" da equipa. E Arthur Cabral dava o desconforto à defesa do Casa Pia que o seu compatriota nunca dera. Os cantos sucediam-se, mas agora também oportunidades claras de golo. 

O problema é que, golos - já se sabe - apenas em transição. O Casa Pia também o sabe.Tomou todos os cuidados quando subiu no terreno e tentou evitar todas as oportunidades de transição rápida ao Benfica. Não o conseguiu por duas vezes: na primeira, ainda antes das substituições, Rafa não conseguiu marcar (um toque do defesa empurrou-o para um toque a mais na bola); na segunda, Arthur Cabral fez de Rafa e marcou um grande golo. Ainda antes da entrada no último quarto de hora.

A partir daí foi controlar o jogo, e levá-lo até ao fim. No registo do costume. Que não entusiasma, mas mantém a chama acesa. 

António Silva viu o quinto amarelo, deixando-o já de fora, e arrumando com qualquer probabilidade de ficar de fora do dérbi. Nesse aspecto até poderia ter sido "encomenda". Mas não foi, foi apenas ridículo. E uma bizarria. Como bizarra foi aquela "cena" do Aursenes. É no que dá tanta mudança de posição. Já se estava a ver a guarda-redes!

Primeiro e único

O Benfica deixara demonstrado, há uma semana, na Luz, que era muito melhor que o Rangers. Melhor dito - que os jogadores do Benfica são muito melhores que os do Rangers. Poderia então ter praticamente deixado resolvido o apuramento para os quartos de final da Liga Europa mas, ter os melhores jogadores, não foi suficiente (falhou no ataque, ao falhar golos feitos, e falhou na defesa, ao oferecer os dois golos ao adversário, nas suas duas únicas oportunidades), e deixou tudo para decidir hoje, no temível e lendário Ibrox Stadium.

Cedo o Benfica voltou a mostrar que é muito melhor que o Rangers. Via-se claramente. Tão claramente quanto se via que muita coisa faltava para que essa superioridade se materializasse no jogo. E tudo o que se via que faltava, percebia-se com igual clareza, era "trabalho de casa". Era treino e preparação do jogo.

Raramente os jogadores do Benfica faziam bem duas coisas seguidas. Porque lhes faltava confiança, e porque lhes faltavam rotinas de jogo. Depois, e mais relevante ainda, era aflitivo ver como o Benfica "embarcava" no jogo que convinha à equipa escocesa. Um jogo de grande intensidade física, de duelos, "partido", de ataque e resposta. 

Com "armas" bem mais sofisticadas, o Benfica fazia a guerra do corpo a corpo. 

Foi assim toda a primeira parte em Ibrox. Numa toada de parada e resposta, num ritmo elevado, num relvado cada vez mais massacrado pela chuva, que nunca deu tréguas. Mesmo deixando-se cair no jogo do adversário, o Benfica teve mais bola,  e as duas únicas ocasiões (um frango de Trubin quase dava em golo, mas foi só isso) para marcar: uma num cruzamento de Di Maria, em que Marcos Leonardo (hoje a rifa calhou-lhe a ele)  não fez o necessário para estar no sítio certo; e outra num excelente passe de João Neves, em que Rafa e Marcos se atrapalharam um ao outro.

Com uma primeira parte altamente desgastante, temia-se que, na segunda, na mesma toada, e com o relvado cada vez mais pesado, o jogo pudesse cair para o lado britânico. Schmidt trocou Marcos, que pareceu sempre "peixe fora de água" por Tengstedt, e os primeiros minutos quiseram mostrar isso mesmo, com o Ranger a dispor de duas oportunidades - a primeira com Dessers a rematar junto ao poste direito de Trubin, batido; e logo a seguir um quase auto-golo de António Silva. 

Mas com o golo de Rafa, a meio da segunda parte, tudo mudou. Quando o Rangers queimava os últimos cartuchos - é notável que o Benfica tenha resistido fisicamente bem melhor que os escoceses -, finalmente numa transição rápida, Di Maria assistiu Rafa, ainda dentro do seu meio campo, que cavalgou para a baliza e bateu, com a classe habitual nestas circunstâncias, o guarda-redes do Rangers. O árbitro assistente assinalou fora de jogo, mas era evidente que o VAR haveria de confirmar o golo. Tanto que se tornou incompreensível o tempo que demorou.

O Benfica, melhor fisicamente, e com jogadores muito melhores, passou então a dominar o jogo. Não atingiu um nível por aí além mas, nem os tempos são para isso, nem o estado do relvado permitia muito mais. Poderia ter voltado a marcar pelo menos por mais duas vezes (no remate de Bah, com grande defesa do guarda-redes, para canto, do qual resultou um desperdício incrível de António Silva), e evitado a ansiedade que um resultado tangencial sempre provoca. E que aumentava à medida que se via Di Maria esgotado continuar em campo, com Tengstedt desviado para a ala que ele já não conseguia cobrir. E Tiago Gouveia, cheio de força - e talento - sentado no banco... Até ao minuto 90+2!

E lá vamos para os quartos de final. E lá somos a única equipa portuguesa presente na Europa. E lá fomos a primeira equipa portuguesa a ganhar na Escócia... 

 

Muitos problemas para resolver

Em noite eleitoral a Luz voltou a ficar abaixo dos 50 mil, no jogo com o Estoril. Ainda assim esteve lá gente a mais. Que não deveria ter entrado.

Com a sanção da UEFA suspensa por dois anos, os energúmenos das tochas quiseram a fazer uma demonstração de estupidez. O jogo esteve parado uns minutos, precisamente quando a equipa precisava de todos os segundos para desfazer o empate, já no fim da primeira parte. Mas nem é isto que mais choca, quem quer prejudicar o próprio clube está disposto a tudo, e nas tintas para o que prejudica a equipa. O que mais choca é que não haja no Benfica quem acabe com esta impunidade!

Rui Costa tem mais um problema para resolver. Seria bom que começasse a dar nota de que os começa a resolver.

Schmidt deu descanso a Rafa, Di Maria e João Neves. A acumulação de amarelos deu-o a Otamendi. Com quatro baixas, as novidades foram Tomás Araújo (no lugar de António Silva, que jogou no de Otamendi), Tiago Gouveia e Marcos Leonardo, o ponta de lança que desta vez saiu na rifa. E o sistema foi o 4X3X3 clássico, que com Rafa nunca se vê. 

Poderia mudar o sistema, mas não mudava o futebol tipo do Benfica. O primeiro golo - um grande golo de Kokçu, hoje liberto de fantasmas, no lugar certo, foi um verdadeiro distribuidor de jogo - chegou no segundo remate (o primeiro tinha sido do mesmo Kokçu, na cobrança de um livre) ao quarto de hora de jogo. Logo a seguir poderia chegado ao segundo, numa bela tabela entre Aursnes e Gouveia, concluída com um grande remate de João Mário e uma boa defesa de Dani Figueira. O Benfica não estabilizou à volta do golo e dessa boa jogada, e foi o Estoril a crescer, a chegar ao empate na primeira vez que chegou à baliza de Trubin e, depois, a quase fazer o que quis do jogo. 

Das bancadas começaram a chover assobios e, a seguir, as tochas. Valeu que, em cima do intervalo,  David Neres foi à linha de fundo e cruzou para o segundo poste, donde Tiago Gouveia assistiu, de cabeça, Marcos Leonardo, para o segundo. Foi quase como se não tivesse havido intervalo. Logo no arranque da segunda parte, Tiago Gouveia marcou o terceiro, e arrumou com o resultado.

Mas poderia não ter arrumado. Porque o Benfica continuou a oscilar ao longo do jogo, e o Estoril continuou a jogar à bola. Tanto que o Trubin acabou com mais defesas que o Dani Figueira. E porque o árbitro Manuel Oliveira é o "verdadeiro artista". Como agora têm de comunicar ao público as decisões tomadas através do recurso às imagens do VAR, este "artista" teve a distinta lata de não confirmar o penálti que todos tinham visto, declarando simplesmente "que o jogador 22 não cometeu falta".

E pronto... temos que continuar à espera... Que isto passe, ou que se resolvam os problemas para acabar com isto.

 

 

Esperar que passe ...

Com menos de 50 mil nas bancadas da Luz, pela primeira vez nesta época – claro que isto faz mossa -, o Benfica tentava a reconciliação com os adeptos, começar a apagar os efeitos do desastre do Dragão e, ainda, um resultado que, para além condizente com isso tudo, desse garantias para a visita a Glasgow, daqui a uma semana.

O anúncio da constituição da equipa, que se vem tornando num momento alto das bancadas da Luz, não gerou controvérsia. Os assobios foram todos para Schmidt. O onze parecia finalmente à medida de uma equipa equilibrada, mesmo com o insolúvel problema dos laterais, mas esse é crónico. Florentino e João Neves constituíam o meio campo mais reclamado pelos adeptos, os três desequilibradores Di Maria, Rafa e Neres mantinham-se, mas desta vez com um ponta de lança - Arthur Cabral. 

A equipa parecia bem montada e cedo começou a querer mostrar serviço, dentro, naturalmente, do seu registo habitual. Só que, logo aos 7 minutos, na primeira vez que chegou à área de Trubin, o Rangers marcou. Acontece muitas vezes, e mais ainda ao Benfica. O que punha em causa todo o programa da noite era o desposicionamento defensivo, a completa desorganização defensiva na abordagem ao lance. E isso, como se sabe, não é novo.

A equipa sentiu o golo – não havia como o sentir – mas foi-se gradualmente reerguendo. Sem deslumbrar, mas com a exibição a ir atingindo um mínimo de consistência, logo deu para confirmar que o Rangers é uma das mais fracas equipas em competição, comportando-se exactamente como as equipas pequenas no nosso campeonato. Depois de mais de meia hora em cima do adversário, mas com os mesmos problemas de sempre na decisão final, a que acresciam duas ou três defesas miraculosas do experiente Butland, o Benfica lá conseguiu marcar um golito e empatar. De penálti!

Não havia outra forma. Já teria havido razões para assinalar dois, antes. Por faltas sobre Di Maria e Neres. Mas só este foi assinalado, por intervenção do VAR, por corte da bola com a mão num canto de Di Maria, num lance que o árbitro deixou prosseguir, a que se seguiria um novo corte com a mão, que também deixou passar. O VAR, claro, só teve de convencer o árbitro pelo primeiro.

Com tudo isto, quando Di Maria converteu o penálti com a habitual classe (Butland foi admoestado com amarelo, por manobras de diversão), já o relógio ia no segundo dos 5 minutos de compensação. 

Inacreditavelmente, logo a seguir, na segunda vez que se acerca da área do Benfica, o Rangers volta a marcar. De novo com a defesa benfiquista aos papéis, completamente desposicionada, e sem saber o que tinha para fazer. Depois de a bola ter andado ali a saltar de um lado para o outro sem ninguém a tirar dali, acabou em Fábio Silva (lembram-se da réplica do João Félix?) que "despachou" o Bah e devolveu a bola para dentro da área, rasteira, por entre quatro ou cinco jogadores do Benfica, a marcarem-se uns aos outros, que a deixaram passar para, ao segundo poste, e a ganhar posição a Aursnes, Sterling (sim, é apenas o mesmo nome) marcar.

Bastaram poucos segundos para destruir o que demorara 40 minutos a conseguir. E a primeira parte bem se pode resumir a 45 minutos a falhar: a falhar no tempo todo no ataque, e a falhar nas únicas duas vezes em que teve de defender. A última quando tinha acabado de empatar, e em cima do apito para o intervalo. Inadmissível a este nível de profissionalismo!

Nestas circunstâncias não era de prever grande coisa para a segunda parte. Mas não foi bem assim. Sem alterações a equipa surgiu mais forte para a segunda parte, com as linhas mais subidas, a fazer funcionar a pressão alta, e a meter a equipa escocesa num colete de forças donde não a deixava sair. 

A exibição não era brilhante - brilhante, mesmo, só João Neves, mas para ele já não há adjectivos - porque falhavam aquelas pequenas coisas que só a confiança dá. O toque, a finta, o remate, tudo o que sai facilmente quando a equipa está confiante, não acontece nesta altura. O Benfica dominava por completo, sucediam-se os cantos (14) e remates (25), mas não assim tantas oportunidades de golo. E as que eram criadas eram desperdiçadas, algumas de forma gritante, como aquela de Di Maria.

O empate acabaria por chegar relativamente cedo, a meio da segunda parte. Mas ... num auto-golo. A tempo de tudo, mas também de nada. 

O Rangers, bem longe daquele Steven Gerrard aqui trouxe há três ou quatro anos, defendeu o empate com tudo o que tinha ao alcance. O Benfica procurou por todos os meios, pelo menos, ganhar o jogo. Mas não conseguiu, perdido no meio dos fantasmas que o atormentam. Golos, só de penálti. Ou então que os marquem os outros... 

Às vezes isto é como as tempestades. Só temos que esperar que passem. Mas os espaços de espera também dão para aproveitar para pensar! 

 

Assim, não!

Claro que foi "cada tiro cada melro", neste clássico do Dragão. Claro que, nas circunstâncias do jogo, em cada uma delas, os astros estiveram sempre todos alinhados para o Porto. Mas nada disso relativiza aquilo que foi a absoluta nulidade da exibição do Benfica, e a estrondosa goleada (0-5) com que saiu esta noite do Dragão.

Não sei se foi o "adeus" definitivo ao campeonato. Mas sei que, a jogar assim - nunca caiu tão baixo como hoje, mas há muito que a equipa não dá garantias - o bi-campeonato nunca passará de sonho. E, francamente, cada vez mais me convenço que, se um treinador, com os melhores jogadores não for capaz de construir a melhor equipa, alguma coisa está errada.

É que a derrota dói. E a goleada dói ainda mais. Mas a recorrente incapcidade do Benfica em se superiorizar aos principais rivais em algum dia haveria de acabar desta forma. Que tudo isto aconteça em cima do 120º aniversário do Glorioso apenas dá mais cor à dor. 

 

Dia do quatro

Quando a instalação sonora da Luz deu a conhecer o onze do Benfica para este jogo com o Portimonense, terão sido poucos, entre os quase 60 mil nas bancadas, os que ficaram desconfiados. 

Num jogo em casa, contra um dos aflitos, que se sabia vir defender com toda a gente em cima da sua baliza, jogar sem qualquer ponta de lança, não fazia sentido. Como a embirração com Roger Schmidt é já mais que muita, soava a "invenção" - "lá está ele a inventar outra vez". Ou então a embirrar connosco, quando só nós é que podemos embirrar com ele.

Eu, que não sou de embirrar, e que acho que a motivação de um treinador profissional nunca poderá ser a de embirrar com ninguém, tentei perceber o que poderia ter passado pela cabeça do treinador do Benfica. Não tendo Tengstedt - claramente o "nove" da sua confiança para jogar da forma que é a sua - terá começado a fazer contas, pensei: somou os golos dos ponta de lança disponíveis e concluiu que, todos juntos, marcam bem menos golos que Neres, João Mário, Di Maria e Rafa. 

Na minha cabeça aquilo começou a fazer sentido. E comecei a lembrar-me que venho há muito reclamando que o lugar de Kokçu é mais adiantado, na função condizente com o número 10 que Rui Costa lhe ofereceu. Que mais recuado, como tem jogado sempre, é um desperdício. Só que nessa posição joga o Rafa, e não deve haver ninguém, em perfeito estado de saúde mental, que possa achar que deva sair para jogar o internacional turco.

Portanto jogar sem ponta de lança era a fórmula de tirar o melhor de Kokçu e manter em campo quem faz golos. Correu bem. Schmidt não inventou nada, foi racional.

A primeira parte mostrou logo que a equipa jogava bem, dentro daquilo que é a ideia de jogo de Roger Schmidt. O Portimonense comportou-se como era esperado, a defender com todos em cima da área, protegida por um muro e ocupada por uma floresta de pernas. Não era fácil passar pelo muro e, depois, ainda desviar-se das pernas todas que surgiam. Mas o Benfica tentou. Por fora e por dentro. Em tabelas e diagonais. Por vezes mais pelo meio que o desejável, nem tudo era perfeito, mas a equipa nunca desistia. Nem nunca se desorganizava quando perdia a bola, não consentindo qualquer oportunidade ao Portimonense de sair lá de trás.

Não marcou, é certo. Mas criou uma mão cheia de grandes oportunidades para isso, com o guarda-redes Nakamura a defender tudo, já a ameaçar tornar-se intransponível.

Ao intervalo, o 0-0 não contava nada. O que animava as bancadas e espalhava benfiquismo era Diogo Ribeiro, e as suas duas medalhas de ouro.

Para a segunda parte nada mudou. E na verdade não havia nada que mudar, a não ser a bola entrar. Sabe-se que muitas vezes não entra, mas também se sabe que quando é bem jogada está mais perto de entrar. E que há coisas mágicas; às vezes apenas um número. O de hoje era o 4! 

As bancadas usaram o minuto 4 para aplaudir António Silva, numa comunhão de sentimento de pesar pela perda do avô. Como guardariam o 87 para João Neves, entretanto já ambos no banco, pelas mesmas razões pela perda da mãe.   

Foi em quatro minutos que o Benfica derrubou o muro, desbaratou a floresta de pernas. E Nakamura conseguiria defender tudo, menos quatro golos. E que golos!

Aos 10 minutos "o ponta de lança" Rafa, a passe de Bah, marcou o primeiro. De trivela, a enganar Nakamura. Dois minutos volvidos foi Neres, lançado por Kokçu, a fazer tudo, concluindo com um drible ao guarda-redes. E, mais dois depois, um passe de trivela de Rafa deixou a bola para mais um grande golo, de Di Maria - pois claro. Do trio de ataque faltava ele. Três golos em 4 minutos. E sem a pressão do resultado o futebol do Benfica ia-se refinando.

O número era o 4. Por isso o quarto golo - bis de Rafa, pois claro - apenas chegou à meia hora. Por isso Nakamura continuou a defender tudo. Por isso o golo foi anulado (e bem, por fora de jogo) à quinta vez que a bola entrou, num espectacular chapéu de Tiago Gouveia (que já substituíra Neres, e entrara com Florentino), que daria um golo para emoldurar. 

Os pontas de lança entraram, sim. Mas já tudo estava mais que resolvido. Primeiro Arthur Cabral e, depois, já muito em cima dos 90, como é habitual, Marcos Leonardo. E claro, não marcaram.

No fim, fica um bom jogo, a dar ânimo às hostes. Até à próxima quinta-feira ... E fica a certeza que não temos mesmo lateral esquerdo. Que já se esgotou a experiência Morato, que o Alvaro Carreras está verde, e que nos valha Bah, que assim lá permite que Aursenes resolva mais esse problema.

 

 

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