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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Apuramento de credo na boca

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À última da hora, e com o credo na boca, a selecção nacional acabou por se apurar para o europeu do próximo ano, depois da vitória (2-0) de hoje no Luxemburgo, com mais uma pobre exibição, desta vez justificada pelo estado do lamaçal onde a partida se disputou.

A exibição  da passada quinta feira, com a Lituânia no Estádio do Algarve (6-0), uma das poucas deste apuramento condizente com o valor individual dos jogadores portugueses, pese embora a fraca valia do opositor, não era obviamente repetível naquele batatal luxemburguês, mas também não é aceitável tão fraco desempenho, com um resultado feliz e muito melhor que a exibição. A selecção do Luxemburgo foi inclusivamente, em largos períodos jogo, especialmente na primeira parte, até superior à portuguesa.

Chegou ao fim uma fase de apuramento que não começou bem e que não esteve longe de acabar mal. Na realidade, e descontando a exibição neste penúltimo jogo com a Lituânia, último classificado do grupo, apenas no jogo da Sérvia a selecção nacional esteve ao nível do estatuto que já alcançou.

A continuar assim, com estratégias de contenção de danos, pouco ambiciosas e ronaldocentradas, dificilmente a selecção nacional fará boa figura na fase final do Europe, em versão all over the Europe. Porque... há milagres, mas não é todos os dias. E nunca duas vezes seguidas! 

Recaída em plena convalescença

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Era grande a expectativa para este jogo nos Açores, em que o Santa Clara decidiu homenagear as vítimas do recente temporal com os nomes das ilhas do arquipélago nas camisolas, na vez dos dos jogadores. São apenas 9 ilhas, mas a diáspora e a resistência insular fizeram o resto.

A grande expectativa estava precisamente em perceber os efeitos do temporal de Lyon na convalescença do Benfica, que as melhoras evidenciadas nos dois últimos jogos prometiam segura. E o que se pode dizer é que dos Açores não vieram boas notícias: a convaslença está bem mais atrasada do havia sido prometido nos dois último jogos na Luz, com o Portimonense e com o Rio Ave. O temporal de Lyon provocou recaída!

O Benfica nem entrou muito mal no jogo, os primeiros minutos até mostraram a equipa querer pegar e mandar no jogo. Sem uma qualidade por aí além, é certo, mas a transmitir alguma confiança, Não deu para muito, mas ainda deu para uma grande oportunidade de golo, num remate de Seferovic ao poste, numa jogada que seria anulada por fora de jogo muito duvidoso do avançado encarnado, mas vestido com aquela camisola cinzenta muito pouco bonita. 

Só que, no minuto seguinte, no fim do prmeiro quarto de hora, na primeira vez que saiu e chegou à baliza de Odysseas, o Santa Clara marcou. E a partir o Benfica acabou. Os jogadores voltaram a parecer agarrados por estacas ao relvado - também em muito mau estado - e as linhas de passe desapareceram. E em vez de passes seguros, os jogadores, e principalmente Gabriel - o mestre da arte - passaram a recorrer ao passe comprido, de maior risco e invariavelmente falhado, e a equipa afundou-se. 

O Santa Clara estava no jogo como peixe na água. Corria mais, chegava primeiro à bola, ia já queimando tempo e, sempre que podia, saía rápido para o contra-ataque, e acabou por criar uma nova oportunidade para marcar. O Benfica acabaria por fazer o primeiro remate à baliza já no mesmo no fim dos quatro minutos de compensação da primeira parte. É certo que deveria ter feito outro, aos 38 minutos, quando o árbitro Soares Dias não quis assinalar um penalti sobre Cervi. Mas isso, como se diz, faz parte do jogo. E de Soares Dias...

Mas o que realmente ficava para trás era uma primeira parte muito fraquinha, e uma última meia hora muito má. Do pior que se tem visto, e tem-se visto muita coisa má.

Para a segunda parte entrou Carlos Vinícius, para o lugar do trinco Fiorentino, também ele muito mal no jogo. Pensou-se então que, com mais presnça na área, donde Chiquinho esteve sempre muito afastado, as coisas pudessem melhorar. 

Só que os primeiros cinco minutos não ajudavam nada nessa ideia. E a equipa açoreana acabou por fazer nessa entrada para a segunda parte tanto quanto tinha feito em toda a primeira: outras duas oportunidades para marcar. Acabaria no entanto aí, e só voltaria a repetir a graça já mesmo no fim, ao minuto 92.

Ao sexto minuto, finalmente a primeira oportundidade para o Benfica, com uma defesa por instinto e com muita sorte do guarda-redes da equipa açoreana, num remate de Rúben Dias, na sequência de um canto. Desta vez nem as bolas paradas resultavam, mas logo a seguir, na primeira jogada construída com qualidade, com assistência de Pizzi, Carlos Vinícius marcou o golo do empate.

Seguiram-se então uma dúzia de minutos de melhoria, com o Benfica a pressionar e a encostar o adversário à sua baliza, nunca lhe permitindo sair lá de trás. Esgotado esse período, o jogo voltou ao mesmo, com o Santa Clara nas suas sete quintas. Não incomodava, mas também não se sentia incomodado.

Estávamos nisto quando, já perto dos 80 minutos, depois de uma recuperação de bola, Seferovic assistiu Pizzi para, bem desmarcado, aparecer na cara do guarda-redes a fazer o segundo. E a garantir uma vitória com tanto de importante como de feliz. A lembrar Moreira de Cónegos, e Tondela.

Pode até ser com vitórias destas que se ganhem campeonatos. Mas com muitos jogos destes, não é fácil ganhá-los!

O que interessa é o Santa Clara

 

O Benfica assinou hoje a guia de marcha da Liga dos Campeões, ao perder em Lyon o jogo que não podia perder. E mesmo o apuramento para a Liga Europa só não ficou em cheque porque o Leipzig tratou de mostrar que o Zénite só mesmo ao Benfica consegue ganhar.

É mais uma enorme frustração para o benfiquismo, maior ainda depois de se ter dado a retoma por adquirida nos últimos dois jogos. Sabemos que o Benfica não tem equipa para a Champions. Constatamos até que o jogo que por cá se faz não tem grandes hipóteses de sucesso nos níveis mais evoluídos do futebol europeu. 

É por isso ainda mais difícil perceber que o Benfica tenha prescindido dos seus melhores jogadores em todos os quatro jogos que disputou. Se com os melhores disponíveis seria difícil, assim é impossível.

Hoje voltou a acontecer o mesmo, e a ficarem demonstradas as limitações do Benfica. Bruno Lage deixou de fora Pizzi e André Almeida, para lançar para os seus lugares Gedson e o miúdo Tomás Tavares. Não deixou apenas de fora os melhores, deixou mesmo de fora a alma da equipa. Manteve Carlos Vinícius, justificadamente, à luz das últimas exibições. Mas que, chegado ao exigente palco da Champions, simplesmente desapareceu. A entrada de Seferovic apenas serviu para amplificar essa evidência.

Para um jogo que tinha obrigatoriamente de ganhar, o Benfica não partia apenas sem os seus melhores jogadores. Partia também sem ambição de o ganhar. Talvez por isso o jogo se tenha encarregado de castigar as opções de Bruno Lage, dando logo aos 4 minutos o golo ao Lyon, a penalizar a passividade com que os jogadores do Benfica entraram em campo. Afastando Ferro do jogo, logo a seguir, lesionado num choque com Odysseas, e garantindo o segundo golo à equipa francesa, no segundo remate à baliza, depois de mais uma série de maldades ao Tomás Tavares. Que fez todos os jogos da Champions!

A partir daí o jogo foi o que o Lyon quis que fosse. A sorte é que talvez tenha entendido que não podia querer de mais.

Mas pronto. O que interessa é o Santa Clara. Já percebemos...

Mas atenção. Este discurso já é intolerável!

As chaves apareceram

(Foto de A Bola)

Há uns tipos que passam uma vida a apitar jogos com o único objectivo de infernizarem a vida ao Benfica. Sempre que lhes surja a oportunidade de apitar um jogo do Benfica o foco fica logo fixado. Carlos Xistra, o árbitro do jogo hoje, desta décima jornada que fecha o primeiro terço do campeonato, é um deles. Fábio Veríssimo é outro. E Tiago Martins outro ainda. Como era há vinte e há trinta anos Jorge Coroado.

Poderão estar a pensar que me estou a esquecer de Pedro Proença. Não estou, esse era de outro calibre. Era mais cirúrgico, sem muito alarido atingia no sítio certo à hora certa. Não fazia a vida do Benfica num inferno, como estes. Mandava-o para o inferno directamente.

Acharão estranho que num jogo que marca o regresso do Benfica desaparecido, com uma grande exibição, do melhor que se tem visto, tenha começado a falar do árbitro. Pois é... só que Carlos Xistra fez tudo para que esse regresso não acontecesse.

Logo no primeiro minuto disse ao que vinha, anulando uma jogada de golo ao assinalar jogo perigoso num lance em que o Vinícius simpelsmente picou a bola sobre o adversário. Logo a seguir um defesa do Rio Ave, no chão, cortou com a mão uma bola do Cervi, e Xistra nada. Nada? Não, mostrou o amarelo ao jogador do Benfica, que  apenas levantou o braço a assinalar a mão do adversário. Logo a seguir não assinalou uma falta claríssima de um defesa vilacondense sobre o Chiquinho, deixando que daí surgisse um contra-ataque perigoso para a baliza do Odysseas. E imediatamente depois não viu, nem quis ir ver as imagens, depois de alertado pelo VAR, um penalti sobre o André Almeida. O que é verdadeiramente singular: se o VAR interveio é porque considerou lance de penalti. O VAR não teria intervindo para lhe dizer que tinha dúvidas se aquilo não seria penalti, porque não é isso que está definido. Ora, mesmo com o colega a garantir-lhe que havia penalti, Xistra não quis ir ver as imagens, e ignorou o penalti.

Aconteceu que do canto com que Xistra mandou seguir o jogo surgiu o golo, numa grande cabeçada do Rúben Dias. Mais um, numa nova especialidade que se saúda. O relógio marcava 32 minutos. Mais que a resistência do Rio Ave, quebrou-se aí a resistência de Carlos Xistra!

E o Benfica estava finalmente lançado para uma grande exibição.

Para trás ficava um terço do jogo, sempre com aqueles condicionalismos. Na primeira metade desse período, no primeiro quarto de hora, estava aquilo a que Quinito chamava um jogo entretido, em que o Rio Ave esteve até ligeiramente por cima, pelo menos com mais bola. Jogava-se benzinho, de parte a parte. Sem colocar intensidade no jogo o Benfica permitia ao Rio Ave jogar o que sabe, e como gosta.

Parece que rapidamente o Benfica percebeu isso, e à entrada do segundo quarto de hora, com maior intensidade e maior pressão sobre a saída e a circulação do Rio Ave - o Filipe Augusto, que mexia todos os cordelinhos da equipa, deixou de gozar da liberdade dos primeiros 15 minutos - tomou definitiva e incontestavelmente conta do jogo. E foi construindo uma exibição de grande categoria, que atingiria momentos de grande fulgor durante toda a segunda parte.

O segundo golo chegou logo no início da segunda parte, numa grande jogada de futebol, concluída de forma soberba por Pizzi (na imagem). Mas poderia ter chegado ainda antes. Como o terceiro poderia ter chegado por tantas vezes e acabou por nunca acontecer, deixando no marcador uma expressão muito limitada do que foi esta exibição do Benfica.

Há três dias, com o Portimonense, o Benfica tínha-nos deixado um sabor adocicado na boca. Hoje é um doce forte que nos enche toda boca. Com todos os jogadores a confirmarem a subida de forma, os que na quarta-feira tinham marcado a diferença voltaram a mostrar que fazem mesmo a diferença. Chiquinho e Grimaldo (esperemos que a lesão não seja nada, porque seria demasiado azar) estão num grande momento. Pizzi regressou ao seu nível. Florentino já lá está, no ponto. A defesa está tranquíla e perfeita. E Cervi está a fazer a ressurreição que faz a imagem de marca de Bruno Lage. Estava fora dos planos, como no passado estavam Taarabt e Samaris. E está a ser importante, como importantes tinham sido aqueles na última época.

"Perdemos as chaves de casa, andamos ali aos gritos à procura das chaves, e de repente as chaves apareceram" - disse Bruno Lage na conferência de imprensa. É isto, até o treinador do Benfica regressou!

É assim!

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Não há volta a dar: o Porto não ganha, e lá regressa o Sérgio Conceição azeiteiro e arruaceiro. Enquanto ganha cumprimenta os adversários no fim do jogo, esboça uns sorrisos e chega até a assemelhar-se a uma pessoa cordata.

Mas, logo que não ganha, solta o grunho que tem lá dentro. Ontem, na Madeira, voltou a ser assim. Voltou a deixar o colega adversário de mão estendida, voltou a utilizar linguagem de sarjeta e a queixar-se de tudo e de todos. Só não se queixou do golo que lhe valeu o empate ... O que seria, se tivesse acontecido na baliza da sua equipa? 

Mas não se passa nada... E Sérgio Conceição continua apenas a ser frontal, como Pinto da Costa apenas dono da mais fina ironia...

Por cá, é assim!

 

Regressos

Benfica goleia Portimonense e aproveita deslize do FC Porto para assumir a liderança isolada

 

Não sei se é o regresso do Benfica desaparecido mas, à nona jornada, nesta modernice dos jogos da Liga a meio da semana, é o regresso às boas exibições e às goleadas. Depois de dois meses periclitantes, o Benfica venceu e convenceu!

Com as bancadas pela primeira vez abaixo dos 50 mil - mesmo assim com uma boa assistência, para um jogo a meio da semana e com uma meteorologia pouco convidativa - a Luz voltou a vibrar com boas jogadas de futebol, quatro golos e ... regresso ao topo da classificação. Isolado, sem companhia. Com o melhor ataque e a melhor defesa!

A primeira parte não foi brilhante. Mas também não foi, nem nada que se parecesse, tão pobre como nas últimas participações. O Portimonense não facilitou, com uma linha de cinco defesas, e outra de quatro logo à frente. E os espaços não abundaram, antes pelo contrário. E pertenceu-lhe até a primeira oportunidade do jogo, logo no arranque, negada pelo Odysseas, bem a fechar o ângulo.

O Benfica assentou então o seu jogo numa grande segurança defensiva, complementada por uma boa e segura circulação de bola. É certo que não criou situações de golo, especialmente porque os cruzamentos nunca saíam a preceito. Só que, se não há situações de bola corrida, aproveitam-se as de bola parada, como já tinha sucedido em Tondela. 

Voltou a acontecer logo aos 17 minutos, num canto de Chiquinho, como mandam os cânones, com desvio na pequena área para o segundo poste para a entrada de rompante, e em grande estilo, de André Almeida. E a repetir-se logo no arranque da segunda parte. Desta vez o remate do André levou a bola à barra. Que rapidamente foi recuperada, para Grimaldo cruzar e Rúben Dias aparecer à frente da baliza a estrear-se também a marcar no campeonato.

A partir daí, sim. A exibição do Benfica soltou-se definitivamente e voltou a haver períodos de autêntico regalo para os olhos. Deu para mais dois golos, já de bola corrida, ambos de Vinícius. E para mais três feitos, que acabaram por ficar por fazer nos pés de Chiquinho e Gedson, e na cabeça de Jota.

A equipa joga bem qando os jogadores jogam bem. Não pode ser de outra forma, e todos os jogadores do Benfica estiveram em bom nível. Incluindo Gedson, que na primeira parte tinha sido claramente o elo mais fraco. Mas Chiquinho, titular pela primeira vez e logo no regresso de grave lesão, Vinícius, Gabriel e Grimaldo brilharam a grande altura. 

Que seja para continuar, é o que se deseja. Mesmo que as mexidas na equipa tenham de continuar. Hoje entraram cinco jogadores novos relativamente ao jogo de domingo. Entre eles, Samaris. Também mais um regresso a saudar.

O excelente ambiente no seio da equipa, bem patente na forma como os golos foram celebrados, e muito especialmente na forma como Seferovic festejou os do Vinícius, poderá nem ser um regresso. Com a raridade dos golos não dava para perceber. Hoje deu. E saúda-se também!

E pronto. O Famalicão entregou a liderança

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À oitava jornada o Famalicão perdeu a liderança do campeonato, que surpreendentemente segurou até a este fim do mês de Outubro. Ficou a sensação que estava a pesar-lhe demasiado. 

Mas a forma como a entregou desmente que fosse assim tão pesada. As coisas pesadas nunca são entregues em bandeja. E esta liderança foi entregue em bandeja de prata... 

O Famalicão não ofereceu apenas um golo. Nem dois. Ofereceu todos os três golos da vitória do Porto. O primeiro no tempo de compensação da primeira parte, o segundo à entrada do último quarto de  hora e o terceiro à beira dos 90. Os dois primeiros com passes a isolar os adversários, e o terceiro, como num espectáculo de malabarismo, mais difícil ainda: com o guarda-redes, depois de muitas insistências, a esperar até ficar rodeado de adversários para, depois, sair a driblá-los todos.

Isto não quer dizer nada. Quer apenas dizer que foi mesmo assim. E que às vezes as coisas correm mal. O que poderá tornar-se difícil de perceber é a insistência no que corre mal... 

Que saudades das transições...

 

O treinador do Tondela tinha prometido jogar fechado lá atrás, confirmou essa intenção apresentando a equipa num cinco-quatro-um, pelo que o início do jogo não desiludiu essas expectativas.

Logo que o habilidoso Hugo Miguel deu o apito inicial o Tondela encostou-se à sua baliza e o Benfica não saiu de cima da área contrária. Boa circulação de bola, mas invariavelmente com o jogo a afunilar para a zona central, superpovoada por defesas tondelenses. E quando a bola chegava às alas, pouca presença dentro da área (Taarabt é apenas mais uma experiência falhada para o papel de segunda avançado), um monopólio dos defesas do Tondela. De sufoco, só o facto de a bola não passar da linha do meio campo para a metade do relvado à frente da baliza de Odysseas. Na verdade, situações de perigo para a baliza de Cláudio Ramos, nem em cheiro.

Por volta dos 10 minutos, e por duas vezes consecutivas, a bola passou para o lado de lá e surgiram as duas única ocasiões de golo. Que o guarda-redes do Benfica anulou, na primeira reduzindo o espaço e defendendo com a bola com um pé e, na segunda, com uma grande defesa para canto.

Até ao golo do Benfica, aos 19 minutos, por Ferro, na sequência de um canto, que por sua vez aconteceu na sequência do primeiro remate  a sério (Pizzi), o jogo manteve a mesma toada, com o Benfica a circular a bola, e o Tondela a todo lá atrás. Esperava-se que a partir daí se alterassem por completo as permissas do jogo, e que o adversário abrisse definitivamente o seu jogo. A verdade é que, mesmo que na resposta oTondela tivesse criado a sua terceira - e última - oportunidade de golo, o jogo não mudou de imediato. Foi mudando aos poucos...

 À medida que foi mudando, que o adversário mais subia, o jogo  ia ficando mais de feição para o Benfica. Mas não para este, para o outro, desaparecido há quase três meses, que fazia das transições o trunfo maior do seu futebol.

Este Benfica não consegue sair rápido para o ataque, os jogadores que têm a bola têm sempre mais uma volta a dar, e os que a não têm parece que estão presos por estacas.

A segunda parte foi exactamente isto, essa incapacidade de aproveitar o que um jogo mais repartido dava. E daí um espectáculo pobrezinho, na maior parte do tempo um jogo sem balizas. Da parte do Benfica, apenas dois remates, ambos de Chiquinho - um regresso que se saúda - que entrou já na segunda metade da segunda parte, para o lugar do apagado Taarabt. Do Tondela, nem um!

Mais um jogo que não abafa as saudades do Benfica desaparecido, e que vale pelo resultado. A 13ª vitória consecutiva fora de casa. Para o campeonato interno, obviamente!

Paradoxos e milagres

Benfica 2-1 Lyon: Pizzi (com ajuda de outro português) dá a primeira vitória aos encarnados

(EPA/RODRIGO ANTUNES)

 

Que sofrimento!

Foi com muito sofrimento, e alguma sorte, que o Benfica alcançou a primeira vitória nesta edição da Champions, e uma das raríssimas dos últimos anos nesta fantástica competição.

No meio da alegria desta vitória, a profunda tristeza da certeza certa do desaparecimento definitivo do Benfica alegre, confiante e competitivo de Bruno Lage. Nada esconde esta triste realidade!

Este jogo de hoje com o Lyon, provavelmente a equipa do grupo melhor apetrechada a nível de individualidades, foi um jogo de paradoxos. O primeiro é mesmo aquela alegria naquela tristeza. O segundo, mas mais notório ainda, foi que o Benfica acabou por ganhar, com sorte, um jogo cheio de azares.

 À sorte de marcar na primeira oportunidade, logo aos 4 minutos, por Rafa (Who else?) seguiu-se logo o azar da sua lesão, privando a equipa do seu mais desiquilibrador e talentoso jogador. E não se ficaram por aqui os azares do jogo porque, vítima de uma das muitas entradas violentas e cheias de maldade dos jogadores do Lyon, Seferovic cedo ficou inferiorizado e praticamente fora do jogo. E, sem que se percebesse bem por quê, Bruno Lage deixou-o em campo até à hora de jogo.

Ao azar do remate de Pizzi ao poste, quando o Benfica esboçou a reacção possível ao golo do empate do Lyon sucedeu, dois minutos depois, aos 86, a sorte do golo da vitória... Não. Essa é que não. Não foi sorte o golaço de Pizzi, foi um grande golo, de grande execução. A reposição da bola do Anthony Lopes foi um incidente de jogo, um erro como tantos outros. O que se seguiu foi um momento de grande concentração competitiva, de enorme visão de jogo e de finalização de excelência. Aqui, a sorte foi ter Pizzi naquele momento, como já tinha sido dois minutos antes. E o azar foi nunca ter tido Pizzi desde os vinte minutos de jogo quando, mais de cinco minutos depois da lesão, entrara a substituir o azarado Rafa, acabadinho de regressar.

Do resto, para além destes paradoxos de sorte e azar, fica mais um jogo muito fraquinho do Benfica, de novo com demasiados passes errados, a quebrarem  todas as hipóteses de qualquer dinâmica de jogo. 

Apesar de tudo a primeira parte nem foi verdadeiramente má. De mau apenas que o Benfica não tenha tido capacidade para tirar mais de um jogo que lhe estava de feição, ainda mais depois daquele golo madrugador. Haverá sempre a desculpa da lesão de Rafa que, evidentemente, cortou com tudo o que tivesse sido a planificação do jogo. A segunda parte foi pouco menos que péssima, e o Benfica só ganhou o jogo, pesem todas as incidências, porque o Lyon, como afinal todos quantos assistiam àquela pálida exibição, pensou que tinha tudo para o ganhar.

Não foi um milagre, esta primeira vitória. Mas não ficou muito longe disso. E  se não há milagres todos os dias, também os sucedâneos são esporádicos. Por grande que seja a fé!

Ainda não foi desta, mas...

Benfica não facilita, goleia Cova da Piedade e segue em frente na Taça de Portugal

(TIAGO PETINGA/LUSA)

 

Ainda não foi desta que o Benfica regressou mas, ao contrário de outros, cumpriu com o que se exigia - passar a primeira eliminatória da Taça, que tinha para disputar hoje na Cova da Piedade.

Também não teve o tal regresso forte à competição, como Bruno Lage reclamava e, pelos vistos, considerou ter acontecido. Mas também não foi tão mal como tem ido, fosse pela debilidade do adversário, fosse pelo papel de facilitador da evolução do resultado. E a verdade é que não fez sofrer os adeptos, como vinha fazendo, o jogo foi tranquílo e regressou aos resultados de que há muito andava arredado. E o 4-0 final (os dois primeiros de Pizzi e os últimos dois de Vinicius) ficou até curto para as oportunidades criadas.

A qualidade de jogo melhorou porque a equipa melhorou bastante no passe. Mesmo na primeira parte, enquanto o Cova da Piedade teve folgo físico e anímico e fechou bem todos os caminhos da sua baliza, e o Benfica enfrentou algumas dificuldades, e denotou algumas fragilidades de dinâmica e de velocidade, a equipa não falhou muitos passes, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos jogos.

Mal - mal mesmo - foram os cruzamentos. O Benfica fez muitos cruzamentos, mas não me lembro de um em boas condições. E RDT - por cá, porque na UEFA tem de ser mesmo Raul de Tomás - que continua desinspirado e desesperado pelo golo. Às vezes parece que falta só um pouquinho de sorte. Mas há outras vezes que parece que falta muito mais...

Não se pode dizer que este jogo tenha deixado muito para festejar, e como ensaio para o Lyon ... também não dá para grande entusiasmo. Para saudar só mesmo o regresso de Florentino, e a subida de produção de Pizzi. 

Ah... E se Cervi (de Zivkovic já nem dá para falar) não é muito mais jogador que o Caio, não percebo mesmo nada disto...

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