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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Inglório? Certamente! Mas...

 

Durante 70 minutos do jogo desta noite, na Luz, vibrante, o Benfica alimentou a ilusão de ter condições de o disputar com o colossal Bayern. De discutir o resultado, e até que perder não era a fatalidade anunciada.

Claro que poderia ter sofrido golos durante esse período, e sofreu até dois que, bem, o VAR anulou. Mas também poderia ter marcado e, acima de tudo, nunca foi uma equipa dominada e submetida. O Bayern resolve sempre os seus jogos muito cedo. No último domingo, com o Bayer Leverkusen, com quem então partilhava a liderança da Bundesliga, à meia hora de jogo já ganhava por cinco. O resultado em branco aos 70 minutos, com uma equipa que é uma máquina de marcar golos, e com o Benfica a fazer bem mais que simplesmente resistir, fazia oscilar os adeptos entre a esperança num bom resultado e o receio que, para aquela máquina de futebol, o golo seja apenas  uma questão de tempo. Ou de um erro!

Não se esperaria era que fosse numa bola parada. Já tinha havido duas ou três ocasiões para isso, e nenhuma tinha saído bem a Sané. Mas foi: Yaremchuk, na barreira, em vez de saltar, encolheu-se. E a bola passou por ali, direitinha às redes de Odysseas, sem possibilidade de fazer o que quer que fosse para o evitar. Aquele minuto 70 tornou inglório todo o esforço da equipa até aí.

E a partir daí foi o descalabro, perante um adversário impiedoso, com os erros a sucederem-se, e os golos a surgirem a um ritmo nunca antes pensável, até à temida goleada. Em casa, como já sucedera às outras duas equipas portuguesas na Champions. Por muito que o Benfica tenha feito bem mais neste jogo, perdendo por quatro, que então tinham feito os seus adversários nacionais, e companheiros de desventura nesta Champions, quando perderam por 5-1. 

Ninguém se fica a rir. Essa é que é essa. Como é este o nosso futebol no espaço competitivo europeu. O resto é conversa!

 

Incompetência gritante

 

Foi um Benfica de todo incompetente este que se apresentou esta noite na Trofa, para iniciar a sua participação na Taça de Portugal desta época.

Incompetente e mau de mais. A meter nojo. E a acabar o prolongamento com os jogadores completamente de rastos,  praticamente todos amarelados, com o guarda-redes a queimar tempo e toda a equipa encostada às cordas, a despachar bolas para a frente como uma equipa dos campeonatos distritais.

Ah ... mas o Benfica mereceu ganhar, podia ter marcado quatro ou cinco golos, e o Trofense marcou o golo na única oportunidade que teve, e sem muito bem saber como. Pois, mas tudo isso apenas reforça a enorme incompetência da equipa. De todos e de cada um dos 17 (!) jogadores utilizados! 

É difícil encontrar tanta incompetência e tanta incapacidade numa equipa de futebol!

Depois de uma jornada europeia ... é um problema. Depois das selecções ... é um problema... É só problemas. E desculpas que não têm desculpa. 

 

"La roja" mecânica

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La roja - mecânica - voltou, e está aí para iniciar um novo ciclo de domínio no futebol europeu e mundial. Para já, está na final da Liga das Nações, despois de um festival de futebol no Giuseppe Meazza, onde vingou a eliminação nas meias-finais do último Europeu, e impôs a primeira derrota à Itália em 37 jogos, e em três anos, e a primeira deste século em jogos em casa. E, já agora, a primeira em quase 100 anos naquele mítico San Siro, de Milão.

Um festival de futebol, este dos fantásticos miúdos espanhóis, a que os graúdos italianos, os campeões europeus, responderam com outro. De pancadaria. 

O resultado - vitória espanhola por 2-1 - é apenas mais uma das mentiras em que o futebol é fértil.

 

 

Há jogos assim. Mas não é uma fatalidade!

Enquanto em Vilnius, na Lituânia, a selecção nacional de futsal se sagrava pela primeira vez campeã do mundo, em Lisboa, na Luz, o Benfica sofria a primeira derrota da época, depois de uma gloriosa quarta-feira europeia, com uma grande exibição, às mãos de uma equipa banal, igual a tantas outras do nosso campeonato, com faltas em cima de faltas, toda a gente a defender dentro da área, e tudo a servir para queimar tempo, que nos últimos anos lhe tem vindo a colocar grandes dificuldades.

Essas eram,  de resto, razões para deixar a equipa em estado de alerta. Alerta que o treinador fez passar para fora, falta saber se a fez passar passar para dentro da equipa. Aí é que era necessária.

Começo por aqui porque a primeira metade da primeira parte deixou a ideia que que não estaria alertada para as dificuldades do jogo. O treinador disse, no fim do jogo, que nesse período o Portimonense não deixou o Benfica jogar. Que vinha muito bem preparado para impedir o Benfica de apresentar o seu futebol, atribuindo o mérito aos treinadores portugueses, os melhores do mundo, como gosta de dizer. 

Não foi isso. Pelo menos não foi isso que vi. O que vi foi, nesse período. um Benfica sem intensidade, sem velocidade e sem rematar. E quando assim é, como está mais que demonstrado, os treinadores portugueses das banais equipas portuguesas, não têm dificuldade em anular o futebol do Benfica de Jorge Jesus.

Não se explicará a derrota do Benfica por isso. Ninguém poderá garantir o Benfica teria ganho o jogo se a equipa tivesse entrado no jogo suficientemente alertada, e colocado em campo os argumentos que a podem diferenciar. O contra factual é isso mesmo, a impossibilidade de demonstrar o que não aconteceu. 

E é também verdade que muitas equipas tidas por bem mais fortes fazem muitas vezes aquilo que se diz "entregar uma parte do jogo ao adversário". E que depois invertem na segunda parte, e acabam por ditar a lei do mais forte. Ao Benfica já aconteceu isso muitas vezes. E a verdade é que hoje até ofereceu apenas metade.

Foi a meio da primeira parte que o Benfica fez o primeiro remate, e com ele a primeira grande oportunidade de golo. Depois, até ao intervalo, mesmo sem atingir grande fulgurância exibicional, jogou para ganhar o jogo. Criou quatro claras oportunidades de golo, todas negadas pelo guarda-redes do Portimonense. Faz parte do jogo, o guarda-redes está lá para defender. Há que contar com isso.

Ao intervalo ficava a ideia que o ritmo tinha sido encontrado, e que era só mantê-lo para a segunda parte. Assim as pernas o permitissem. Sem que ninguém estivesse a fazer uma grande exibição, também só Gilberto tinha estado francamente mal. Fazia - e fez - todo o sentido tirá-lo da equipa, e Jorge Jesus assim fez. Com a surpresa de o substituir por Gil Dias, mas correu bem. O novo lateral direito entrou bem no jogo, e deu outra dinâmica àquele lado direito.

E a segunda parte arrancou bem. Até deu em golo, e tudo parecia entrar na normalidade. Só que Yaremchuk, o marcador, estava em fora de jogo, e o VAR anulou o golo. Não valeu e foi festa falsa. Pensava-se que, se não fora daquela, seria de outra. Era só apertar ainda um pouco mais, até porque o infalível guarda-redes do Portimonense nem tinha ficado muito bem naquela ocasião. Mas não foi assim, e a anulação do golo deu mais ânimo ao adversário que à equipa do Benfica. E ao fim dos primeiros dez minutos já se via que a equipa não estava a apertar mais, e o Portimonense começava a respirar melhor, e a conquistar alguns cantos, mais por erros alheios que por mérito próprio. No último, marcou.

Quem não marca, sofre - a velha lei do futebol. Faltavam 25 minutos para os 90, e não se imaginava ainda que o Benfica perdesse o jogo. E teve ainda mais que oportunidades suficientes para ganhar, incluindo um remate ao poste de Otamendi, já mesmo no fim. Mesmo sem nunca ter chegado ao nível do que tinha sido a última metade da primeira parte.

 Foi tudo com mais coração que cabeça, e as substituições também não ajudaram. A entrada de André Almeida (com Gila Dias a passar para a esquerda) em substituição de Grimaldo não se percebeu. A de Tarabt nunca se percebe, e não seria hoje que surpreenderia. E as de Cebolinha, mas especialmente a de Gonçalo Ramos (saindo Lucas Veríssimo - manter os três centrais durante tanto tempo, naquelas circunstâncias, é difícil de perceber), foram demasiados tardias.

Há jogos assim, em que por mais que se remate, e por mais ocasiões de golo que se criem, a bola não entra. Mas também se sabe que não começar por fazer tudo para marcar o mais cedo possível, ajuda a que haja jogos assim. Não é uma fatalidade que haja jogos assim!

É inglório perder a invencibilidade desta forma. E perder três dos quatro pontos de vantagem nesta altura. Nesta altura, pelo que a equipa vinha a produzir, nesta altura, em que o campeonato vai parar por quase um mês, e nesta altura do calendário, em que ainda não defrontou nenhum dos principais adversários. Ao contrário deles próprios.. 

Foi bonito ver o Estádio da Luz com tanta gente (mesmo que muito longe de cheio) como há muito não era possível. E foi bonito ver os jogadores saírem sob aplausos, embora nunca se tivessem visto as bancadas a puxarem pela equipa como na última quarta-feira. 

 

 

 

 

BENFIIIICAAAA!

Grande jogo, grande exibição e uma vitória enormíssima. Foi isto que o Benfica logrou esta noite, numa das maiores quartas-feiras europeias da Luz. Como há muito se não via. Como muitos benfiquistas talvez nunca tivessem visto.

Deste jogo só fica um sabor amargo, mas esse não tem nada a ver com o que aconteceu esta noite na Luz. Tem a ver com o que aconteceu há duas semanas, em Kiev. O sabor amargo que veio do jogo na Ucrânia cruza-se com o doce hoje. Com os três pontos incompreensivelmente não soube trazer do jogo com o Dínamo, o Benfica teria nesta altura 6 pontos, e estaria muito provavelmente a quatro do apuramento. No máximo, e em quatro jogos!

Não ofusca, evidentemente, o brilho desta vitória sobre o Barcelona. Como a não menoriza tudo o que se quiser dizer, exactamente com esse objectivo, sobre o momento actual do gigante catalão. Portanto, sem espinhas, uma grande vitória!

O Benfica não poderia ter entrado melhor no jogo, com cinco minutos infernais, e com o golo de Darwin logo aos dois minutos. Um golo madrugador, mas não acidental. Resultou da atitude da equipa, da confiança com que entrou na partida, e da estratégia adoptada para o jogo. Como se viria a ver depois, o ataque àquela posição defensiva do Barcelona era estratégico, e repetiu-se várias vezes ao longo do jogo. Com Darwin, mas também com Yaremchuck.

A partir dos 10 minutos o Barcelona conseguiu começar a equilibrar o jogo e a impor o seu futebol, à sombra do invisível  Busqets, mas sob a batuta do regressado Pedri. E como ele faz a diferença. Com ele em campo, o Barcelona é outra equipa. Com a subida de produção da equipa catalã veio ao de cima a superior organização defensiva do Benfica. E a categoria e a entrega de todos os jogadores, sem excepção.

O jogo entrou em ritmos altíssimos, com o Benfica sempre a responder, sem constrangimentos nem medos. Disputando todos os duelos e ganhando-os praticamente todos, e com Rafa a lançar o pânico sobre o meio campo do Barcelona. À meia hora o jogo poderia ter ficado logo sentenciado, com dois erros graves do árbitro seguidos, na mesma jogada, ao perdoar a expulsão a Piquet e um penalti sobre Darwin, ostensiva e claramente empurrado dentro da área.

Ao árbitro teria cabido assinalar o penalti, e advertir o defesa catalão com o segundo amarelo, pela entrada sobre Rafa em que, bem, tinha aplicado a lei da vantagem. Em vez disso amarelou Otamendi, por veemente protesto. Logo que o jogo foi interrompido Ronald Koeman fez o que o árbitro não fizera, mas que tudo apontava para que tivesse de vir a fazer, e tirou ele próprio Piquet do jogo, substituindo-o por Gavi, outra estrela em ascensão da formação blau grana.

O Barcelona beneficiou muito com esta substituição, já que recuou Frenkie de Jong para central, e isso fez toda a diferença no início da construção. Pela qualidade do internacional holandês, e pelo que isso baralhou a pressão alta do Benfica, e daí que o últimos dez minutos da primeira parte tenham acabado por ser o melhor período do Barcelona, e quando mais e maiores dificuldades colocou ao Benfica. 

Já em cima do intervalo, Valentino - finalmente, embalado pela exibição de toda a equipa, a a convencer os adeptos - lesionou-se e foi substituído por Gilberto, que acabou por fazer o aquecimento ao intervalo.

Na segunda parte o Benfica voltou a entrar bem, ficou por cima do jogo e nunca mais de lá saiu. Poderia ter chegado ao segundo golo tão cedo como na primeira, naquela bola ao poste do Darwin. Chegaria 20 minutos depois, depois de mais uma brilhante jogada de futebol, culminada numa triangulação entre Yaremchuk e João Mário dentro da área, e com a recarga fulminante, e de classe, de Rafa à sacudidela de Ter Stegen.

Então sim, aí o Barcelona caiu a pique e, já sem Busquets (também amarelado) e Pedri, exausto, mas con Ansu Fati, regressado no passado domingo com 10 minutos de sonho, passou a ser pouco mais que uma equipa banal. Dez minutos depois o Benfica marcaria o terceiro, num penalti que toda a gente viu menos, mais uma vez, o árbitro. Só que desta não havia como fugir ao VAR. Foi ver as imagens e apontou para a marca, para Darwin converter com classe, e tornar-se no homem do jogo.

Estava escrito que o Barcelona não acabaria o jogo com onze, por muito que Koeman fosse substituindo os jogadores amarelados. Mas eram tantos, tantas foram as faltas que tiveram de fazer, e ainda só há cinco substituições... E já bem perto do minuto 90, com a equipa completamente derrotada, calhou ao central Eric Garcia.

E foi assim, com um Barcelona destroçado pela exibição do Benfica, que se fez História na  Luz, esta noite. Só por uma vez havia ganho ao Barcelona. Tinha acontecido há 60 anos, em Berna. Na primeira Taça dos Campeões Europeus do Benfica!

Dificuldades, facilidades e surpresas

O Benfica passou - não se pode dizer exactamente que tenha sido com distinção, como se verá - o teste de Guimarães, que continua a ser sempre apresentado como um dos mais difíceis da prova que é o campeonato nacional.

Comecemos por aí: o Vitória apresenta-se normalmente com boas equipas, para aquele que é o padrão nacional, normalmente com bons treinadores, e a maior parte das vezes a jogar um futebol interessante. Tem uma massa associativa que é provavelmente a maior, a seguir aos três grandes, que cria no seu Estádio um ambiente pouco menos que infernal. É o único Estádio do país, sem contar com Alvalade e o Dragão onde, em condições normais de acesso de público ao futebol, o Benfica não consegue contar com a maioria de adeptos na bancada. E no entanto não haverá muitas deslocações onde o Benfica seja mais bem sucedido.

Os resultados tendem a demonstrar que a deslocação a Guimarães não é, bem pelo contrário, das mais difíceis. Mas a verdade é que o padrão - qualidade da equipa, do treinador e peso dos adeptos - faz com que todos os anos esta deslocação seja considerada de alto risco. Hoje voltou a correr bem, mas na próxima,  já daqui a um mês, para a Taça da Liga, voltará a ser uma deslocação difícil. Por acaso a mais difícil, porque é a única.

No imaginário benfiquista será sempre assim. Difíceis são todos os jogos, a equipa é que tem que os fazer fáceis, e o primeiro passo é antevê-los sempre com elevado grau de dificuldade. Nessa medida é óptimo considerar a deslocação a Guimarães no patamar mais alto de dificuldade, e talvez até seja por aí que comece esta história de sucesso.

Hoje em Guimarães o Benfica atingiu, na primeira parte, o seu melhor nível desta época. Com velocidade, intensidade e qualidade, em vez do passe para trás e para o lado, como ainda se não tinha visto. O Vitória cometeu alguns erros, é certo, de posicionamento no meio campo, mas também na defesa. Mas, a meu ver, foi da dinâmica do futebol do Benfica a maior responsabilidade por esses erros. 

O jogo foi então sempre disputado com grande competitividade, sempre rasgadinho. Nunca os jogadores vimaranenses, a não ser nos últimos cinco minutos, depois do segundo golo do Benfica, e de Yaremchuk, em que  só queriam que o árbitro apitasse para o intervalo, baixaram os braços e viraram a cara à luta. Nesses cinco minutos, sim. A equipa esteve perdida, e o Benfica poderia ter marcado três ou quatro golos, e dado uma expressão escandalosa ao resultado. Se às oportunidades de golo desse período juntarmos as que antecederam o primeiro (grande execução do avançado ucraniano), aos 30 minutos, percebemos que o que de melhor o Vitória tirou dessa primeira parte foi mesmo o resultado.

Na segunda parte, mesmo mantendo os mesmos 11 jogadores na reentrada, o Vitória melhorou o posicionamento do seu meio campo. E o Benfica também não poderia manter o mesmo ritmo, e a mesma pressão, da primeira parte. A conjugação destas duas circunstâncias deram ao jogo um rumo completamente diferente do do primeiro tempo, e trouxeram-lhe um equilíbrio que seria inimaginável ao intervalo. Nada no entanto que alguma vez fizesse o Benfica perder o controlo do jogo. Retirou-lhe bola, mas isso até poderia nem ser mau. Percebeu-se que o treinador do Benfica contava contava com isso, e apostava na exploração do espaço que o adversário deixaria nas costas, como tanto gosta. 

E foi com naturalidade que chegou ao terceiro, por João Mário, a mais de 20 minutos do fim. Nessa altura só não tinha feito mais porque Darwin estava pouco menos que desastrado, o que lhe valeu a repreensão do treinador, que não deixou sem resposta. 

As coisas mudaram foi quando Weigl e João Mário foram poupados, e substituídos por Meité e Gedson. A equipa deixou de controlar o jogo, e permitiu o golo, num penalti surgido de mais um erro de  Lucas Veríssimo. Nada que, no entanto, alguma vez colocasse a vitória em causa.

Uma referência a Lucas Veríssimo, a quem não tenho poupado elogios. Hoje esteve francamente mal. Esteve mal sempre que teve de enfrentar Markus Edwrards - um jogador de fogachos, sempre guardados para os jogos com o Benfica -, e esteve muito mal no penalti. E outra para Jorge Jesus, a quem não tenho poupado críticas. Hoje esteve bem. E, surpreendentemente, este muito bem no "quid pro quo" com Darwin. Quando toda a gente, incluindo o próprio jogador, pensava na substituição/retaliação, o substituído foi Yaremchuk. E para Darwin, em vez da crítica "arrazadora", um reforço. Afinal Jorge Jesus é capaz de surpreender!

 

A "estória" do grande jogo

 

Não foi muito diferente de quase todos os jogos com o Boavista, este desta noite, na Luz. Como também não foi muito diferente o futebol do Benfica do destes últimos jogos.
 
À excepção da primeira meia hora, quando só quis defender, o Boavista discutiu sempre o jogo e foi o adversário incómodo de sempre, mesmo que nesse período o Benfica tenha criado muito poucas ocasiões. Duas, pouco mais. A primeira aos 9 minutos, e a segunda a resultar no primeiro golo, ambas com a conclusão de Darwin. 
 
Daí que o Boavista tenha sido o adversário incómodo do costume, e que o futebol do Benfica tenha sido também o do costume, com muita parra para pouca uva
 
À meia hora, na primeira vez que se mostrou, o Boavista ameaçou. E dois minutos depois, marcou, e empatou o jogo. Num grande golo, é certo, mas no aproveitamento de um erro na defesa do Benfica, em que é fácil responsabilizar Weigl, que perdeu a bola onde não pode ser perdida, à saída da área. 
 
Com o tal futebol de muita parra e pouca uva, com a história dos jogos com o Boavista, e aquele fantasma da época passada,  à mesma sexta jornada, depois das mesmas cinco vitórias consecutivas, e até com o mesmo Hugo Miguel no apito, o golo do empate era uma péssima notícia. Valeu que apenas dois minutos depois Weigl redimiu-se do seu erro, e repôs a vantagem. Que durou até ao intervalo, sem grandes sobressaltos, mas no mesmo registo de baixa produção. Basta ver que ao intervalo o Boavista tinha os mesmos remates do adversário, e o Odysseas fizera duas ou três defesas quando, do outro lado, o Bracali ... nem uma.
 
Mais uma vez o treinador do Benfica viu uma grande primeira parte. Um grande jogo na primeira parte, garante!
 
A segunda parte não começou bem. O Diogo Gonçalves, mais uma vez lesionado, ficou na cabina e entrou novamente o Lázaro, que voltou a não convencer. Mas nem foi tanto por aí que não começou bem, foi mesmo por culpa do Boavista, que surgiu com mais atrevimento, com a equipa mais adiantada e mais rematadora.
 
Mas claro, com esse adiantamento o Boavista deixava mais espaço lá atrás, e abria novas perspectivas ao Benfica. Aquele jogo de muita parra e pouca uva de Kiev, e da primeira parte, que o treinador classifica de grande qualidade, passava a ser outro, mais parecido com o dos Açores, na semana passada. Com espaço nas costas da defesa adversária não é preciso inventá-lo.
 
E sem submeter o adversário, e até mesmo aqui e ali com dificuldade em manter o jogo controlado, o Benfica criou então sucessivas oportunidades de golo, e o guarda-redes Bracali teve então oportunidade de brilhar com pelo menos três defesas de enorme qualidade, daquelas que evitam golos certos. Darwin bisou aos 61 minutos, já à terceira oportunidade de golo criada. E depois do terceiro golo ainda houve tempo para mais três. 
 
Pouco importa se o treinador diga que a equipa joga bem quando tem 70% de posse bola, com ela a circular para o lado e para trás, e sem criar espaços para chegar à baliza e para rematar. O que importa, e preocupa, é que enquanto os adversários não abrirem, a equipa tem muita bola mas não faz muito com ela. E na maior parte dos jogos os adversários apenas abrem depois de sofrer o golo. E se se aguentarem até ao fim pode acontecer como em Kiev… Ou pior.
 
Mas pode ser que Jorge Jesus diga estas coisas só por dizer, e que tenha perfeitamente percebido que, para que aquilo seja de grande qualidade, tem de ter mais velocidade, mais criatividade e mais intensidade. Se não for assim, o melhor é pensar em estratégias de engodo para tirar os adversários lá de trás.

Champions? Mais do mesmo ...

 

Sem brilho, e com muita angústia, esta a estreia do Benfica na fase de grupos da Champions, em Kiev.
 
Quase que dá para dizer que, não fosse o hino que se ouviu no início, este mais pareceu um jogo da liga nacional. Já cá vimos muito do que hoje se viu no Olímpico de Kiev, com o Benfica instalado no meio campo do adversário, com este a esperar por um contra-ataque, ou por um erro qualquer que lhe permitisse chegar à baliza de Vlachodimos. Com muita circulação de bola, muita posse, mas poucos lances realmente bem construídos, e poucas oportunidades claras para marcar. Muita parra, para pouca uva!
 
A primeira parte foi isso, a segunda foi ... pior. 
 
Na primeira parte faltou agressividade, assertividade, velocidade e intensidade ao Benfica. O resto esteve lá, mas o resto é muito pouco. E para a Champions é nada. Sobrou um jogo entretido, como lhe chamaria o Quinito, onde Weigl e João Mário mostravam a sua capacidade de recuperação e de circulação, a defesa cumpria, Grimaldo e Rafa faziam por provocar desequilíbrios na organização defensiva da equipa ucraniana, e Everton e Yaremchuk … andavam por lá.
 
O Benfica tinha o adversário - o mais fraco do grupo, como bem se sabe - à mercê, e uma oportunidade única de ganhar um jogo ... que só tinha que ganhar. Mas não soube, nem revelou competência para o ganhar.
 
Depois veio a segunda parte, que até começou exactamente no mesmo registo. Só que, se as coisas não estavam bem, com as substituições que o treinador promoveu, logo ao fim do primeiro quarto de hora, pioraram. A superioridade do Benfica, mesmo que estéril, esfumou-se e o Dínamo de Kiev,  mesmo que apenas com um terço de posse de bola final, passou a dividir e a discutir o jogo em pé de igualdade.
 
Quando Jorge Jesus retirou do campo Everton e Yaremchuk apenas fez o que tinha de ser feito. Já a ideia de retirar o Gilberto não ficava lá muito fácil de entender, mas ele é que sabe… O problema foi os que escolheu para entrarem: Darwin e Radonjic - uma estreia na equipa - não eram para "aquele" jogo. E, no que mostrou na estreia nos Açores, e voltou hoje a mostrar, Valentino Lázaro, não é, por muito que seja difícil de acreditar, melhor que Gilberto.
 
Com um jogo em que o adversário defendia em bloco baixo, sem dar condições para o Benfica explorar a profundidade, Darwin e Radonjic, que vivem disso, ficaram sem ar para respirar. E, sem condições para ajudar a resolver os problemas que a equipa tinha pela frente fizeram, ambos e qualquer um deles, bem pior que o pouco que tinham feito os que saíram. 
 
Aquela ideia que, com paciência, aquele tipo de futebol da primeira hora do jogo poderia dar num golo morreu. A partir daí só um golpe de fortuna o poderia dar. A qualidade de jogo, não. 
 
As últimas substituições aconteceram já no final do jogo. Primeiro, a 5 minutos dos 90, mais um disparate (João Mário por Taarabt) e, depois, já mesmo aos 90, entrou Pizzi, por lesão de Rafa, um autêntico saco de pancada, perante a condescendência do inglês Anthony Taylor. Que deu apenas 3 minutos de tempo extra, consumidos na assistência ao Rafa, num jogo com as 10 substituições regulamentares.
 
O que nos parecia pouco rapidamente se tornou numa eternidade. Os ucranianos tinham afinal decidido apostar tudo nesse período de compensação, e os 3 minutos foram mais que suficientes. Um sufoco, aqueles três minutos. Duas bolas nos ferros (no mesmo lance, com um remate à trave e, no ressalto, o corte de um defesa do Benfica para o poste), três grandes defesas do Vlachodimos, e … um golo.
 
Valeu o VAR - porque a equipa de arbitragem em campo tinha-o validado - para impedir uma injustiça daquelas em que o futebol é fértil. Mas nem sempre o futebol é assim tão injusto quanto o pintam. Às vezes há injustiças que são apenas a justiça de penalizar quem, no fim de tudo, até merece ser penalizado.
 
O treinador do Benfica dissera, antes do jogo, que era para ganhar. Ao Dínamo de Kiev, ao Bayern e ao Barcelona, que são todos iguais. No fim, disse que o Benfica tinha feito um grande jogo…

O futebol é isto mesmo!

O futebol é isto mesmo. Ou, um jogo com duas partes distintas. Sim, é em futebolês que se explica o jogo do Benfica, hoje, em Ponta Delgada.

O futebol é isto mesmo, mas nem sempre é isto. Só às vezes é isto. E, isto, é um jogo com duas partes distintas, em que a primeira é muito má, de muito baixa qualidade. E nem sempre é fácil partir daí para um grande jogo na segunda parte. Foi o que aconteceu, e isso é futebol!

A primeira parte do Benfica foi mesmo fraquinha. Sem velocidade, sem ligação, e com os jogadores francamente desinspirados. Alguns, como Diogo Gonçalves e Everton, simplesmente desesperantes.

Jorge Jesus apresentou uma equipa estranha. Com 13 jogadores envolvidos nas selecções, e com o primeiro jogo para a Champions, em Kiev, já na próxima terça-feira, seria impossível apresentar um onze próximo do mais habitual. Mas também não seria preciso apresentar um tão estranho. Até porque utilizou três jogadores de campo que jogaram nas selecções (Lucas Veríssimo, tinha jogado na madrugada de ontem, e chegado aos Açores, do Brasil, Verthongen e João Mário), e deixou de fora jogadores com quem tinha trabalhado nestas duas semanas, como Pizzi e Gonçalo Ramos, e Rafa, que tendo estado na selecção, não jogou.

Nesse primeiro período foi a equipa do Santa Clara que mais jogadas de perigo criou, entre elas um remate, indefensáevl, ao poste na cobrança de um livre, e uma grande defesa de Vlachodimos. Mas já perto do intervalo, um excelente passe do Grimaldo lançou o Rodrigo Pinho - uma das opções na equipa estranha -  para o golo. Ao segundo remate do Benfica. O primeiro tinha-lhe também pertencido, fraco e ao lado, sem qualquer ameaça.  

Era injusto para o Santa Clara, mas ... Lá está - o futebol é isto mesmo. Terá sido por isso que o VAR - o nosso amigo Soares Dias - levou três minutos para validar um golo que, claramente, não sofria de qualquer ilegalidade. No fim, diziam as linhas que Rodrigo Pinho estava em jogo por 37 cm. Ao menos que pusessem três, para justificar o injustificável. Este futebol é mesmo isto mesmo!

Depois veio a segunda parte. Distinta, pois claro!

Rafa entrou logo, nem o golo salvou o estranho Rodrigo Pinho, que ficou no balneário. Tudo mudou, mesmo só mudando um jogador, e até o Everton parecia outro. Ainda nem 10 minutos tinham passado e lançava Darwin para o segundo golo, muito à imagem do primeiro. Ao segundo remate à baliza. Mais 10 minutos, e golão de Rafa. Fantástico. Ao terceiro remate à baliza!

Mais 4 minutos, Darwin fez o quarto. Ao quarto remate à baliza, que nem talvez o tenha sido - a bola bateu em dois defesas do Santa Clara antes de entrar na baliza. 

Entretanto iam entrando Pizzi, Gedson, Yaremchuk e o estreante Lázaro, e a equipa melhorava a qualidade do seu jogo, perante um adversário de rastos, vergado pelo peso da sucessão dos golos. Acabou aos cinco, em nova criação de Grimaldo, concluída por Yaremchuk. Ao quinto remate à baliza. Faltavam ainda 25 minutos para o fim do jogo, para mal dos pecados dos jogadores da equipa açoriana.

Mas não lhes aconteceu mais nada, que não correrem atrás da bola. Como se isso não fosse já muito. De resto, apenas mais um remate. Que não deu golo. O primeiro à baliza, e o segundo em todo o jogo, que não deu golo. E 25 minutos de futebol tranquilo e vistoso, agradável à vista, para passar o tempo.

O futebol é isto mesmo?  Não é nada! Sete remates num jogo, com seis deles à baliza, e cinco golos é certamente coisa rara. Cinco remates, com cinco golos, no espaço de 20 minutos, é coisa única e irrepetível!

 

Côrte, burgueses e milagres

Portugal consegue reviravolta frente à Irlanda com 'bis' de Ronaldo em cima do fim

Este jogo de hoje no Algarve, na quarta jornada do torneio de apuramento para o mundial do Qatar, no próximo ano, com a fraquinha selecção irlandesa, disse muito do que é a actual selecção nacional de futebol. A equipa das quinas salvou-se de um desaire comprometedor quase por milagre, numa reviravolta já inesperada, com os dois golos de Cristiano Ronaldo que ditaram a vitória a chegarem quando já ninguém os esperava.
 
Na realidade os irlandeses só não mereceram ganhar porque quem faz o anti-jogo que eles fizeram na segunda parte, não pode nunca merecer ganhar um jogo. Mas quem joga como a equipa nacional o fez, também não!
 
Na primeira parte a selecção nacional foi uma corte que, em vez de nobres, era constituída por burgueses. A corte de Cristiano Ronaldo, que a equipa voltou a ser, foi ocupada por jogadores aburguesados, de uma nobreza falida. Parece que só havia um objectivo, o tal que tomou conta da equipa de Fernando Santos de há uns tempos a esta parte - levar Cristiano Ronaldo a bater o já igualado recorde de melhor marcador de selecções!
 
A coisa até começou bem, nesse aspecto. Logo aos 8 minutos o árbitro assinalou, e confirmou, depois de convidado pelo VAR, um penalti, oportunidade que "o melhor do mundo" recebeu com visível ansiedade. E perturbação, fosse pela demora na sua confirmação, fosse pelas provocações a que foi sujeito e a que reagiu mal. Permitiu a defesa ao miúdo de 19 anos que estava na baliza da Irlanda - e que acabaria a fazer uma enorme exibição - e nunca mais em toda a primeira parte se libertou dessa perturbação. Foi sempre um jogador a menos na equipa, que apenas pôde contar com Diogo Jota. E Palhinha, mais ninguém!
 
Tudo o resto eram burgueses à espera que alguma coisa lhes caísse do céu. E ao minuto 45, em cima do intervalo, num canto, os irlandeses marcaram. Sem surpresa, de resto. A produção da equipa nacional tinha-se ficado por um remate de Diogo Jota, ao poste. No período de compensação, Jota ainda rematou para o único deslise do jovem guarda-redes Gavin Bazuru, que emendou de imediato e evitou o frango.
 
Para a segunda parte a equipa entrou com André Silva no lugar de Rafa, e isso fez bem … a Ronaldo. Ocupou um espaço na superpovoada área irlandesa, e isso libertou mais o capitão da selecção nacional, mais libertado também da frustração do penalti falhado, e porventura mais convencido que era mais importante ganhar este jogo que marcar, ele, o tal golo.
 
Paralelamente, os burgueses começaram a perceber que do céu não cairia nada, e a fazer alguma coisa pela vida. Ainda assim muito menos do que faziam os da Irlanda, todos dentro da sua área. Ou no chão, sempre que podiam. E como nunca víramos uma equipa britânica fazer.
 
Jogar bem, é que não. A bola circulava mais pelos jogadores portugueses, é certo. Com João Mário (na vez de Bruno Fernandes) e Moutinho (na do esgotado Palhinha) passou a circular melhor. Mas sempre para o lado e para trás, como gosta Fernando Santos. E cruzamentos e mais cruzamentos, invariavelmente anulados pelos dez ou onze irlandeses dentro da área, sempre de frente para a bola. Apenas por duas vezes a bola foi cruzada da linha de fundo. Na segunda, aos 90 minutos, levada pelo Gonçalo Guedes (que substituíra João Cancelo) deu no golo do empate.
 
Um golo naturalmente muito festejado. Por tudo, também por ser o do empate. Depois dos festejos a bola foi ao centro, mas foram os irlandeses a reagir. Só não marcaram de imediato … por milagre. E ensaiaram até passar a defender muito alto, mesmo em cima da área de Rui Patrício. Tudo ao contrário do que teria de acontecer. Mas havia outro milagre para acontecer, ao sexto dos 5 minutos de compensação, na última jogada da partida, quando Ronaldo voltou a cabecear - como só ele consegue - aquela bola centrada por João Mário.
 
Claro que foi Cristiano Ronaldo que resolveu este jogo. Esse é um facto. Mais ninguém poderia marcar aqueles dois golos. Poderá dizer-se que resolveu os problemas que criou, e que, sem ele, talvez fossem criadas outras oportunidades, e marcados outros golos. Mas isso já não é factual.
 
Facto é também que cada vez ganha mais forma a ideia que a selecção nacional tem no seu seleccionador o principal problema. E com ele, fazendo dois em um, o de Cristiano Ronaldo. Por muito injusto que isso seja, e por muito difícil que seja hoje de dizer!

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