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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Solidez acima de tudo

A BOLA - Benfica vence Rio Ave e reforça liderança (Liga)

 

Não foi uma exibição de nota (artística) 20, mas foi a mais sólida deste campeonato, esta que hoje o Benfica realizou em Vila do Conde. 

Com a possibilidade de, logo à quarta jornada, aumentar a vantagem sobre os principais adversários na luta pelo título, e particularmente para alargar para 5 pontos a diferença para o maior rival nessa compita, o Benfica não vacilou, ao contrário do que acontecera na última jornada. Sabendo bem o que teriam de fazer para contrariar o futebol do Rio Ave, os jogadores iniciaram o jogo com grande pressão sobre a saída de bola do adversário, nunca lhe permitindo qualquer tipo de conforto e, acima de tudo, retirando-lhe a confiança que é sempre a alma de qualquer equipa.

De tal forma que, quando o Rio Ave passou pela primeira vez a linha do meio campo, já perdia por 1-0, com o primeiro golo de Waldschmidt, aos 7 minutos. E nem a primeira contrariedade - e grande - da grave lesão de André Almeida, mesmo que a entrada de Gilberto tenha sido assustadora (acabando por remediar com o decorrer do jogo, e até por convencer os adeptos que poderá ser solução), introduziu qualquer grão de areia na engrenagem da exibição do Benfica.

Nem isso nem o tamanho dos pés dos jogadores do Benfica, grandes demais para o VAR anular dois golos e um penalti. Quando nos atiram para os olhos linhas com foras de jogo de 10 centímetros, como aconteceu no segundo golo anulado, ficamos na dúvida. Presos ao absurdo, mas na dúvida. Quando nos querem impingir linhas de mais de 40 centímetros - 42 e 46, mais precisamente - como aconteceu no primeiro golo anulado, e no penalti transformado em fora de jogo, vemos bem que não vimos nada daquilo.

Apesar de golos e penaltis anulados, de faltas e faltinhas que não matam mas moem, e de amarelos que destabilizam, a equipa nunca se perturbou, manteve o jogo controlado, e prosseguiu sempe na procura do golo. E o segundo, de novo por Waldschmidt, surgiria no período de compensação da primeira parte.

Na segunda parte o Benfica não foi tão pressionante, até porque o Rio Ave, percebendo que não poderia continuar a tentar sair a jogar, passou a optar por um jogo mais directo. Mas nem aí alguma vez perdeu o controlo do jogo, acabando por revelar a solidez que ainda se não tinha visto.

E o terceiro golo, por Gabriel - também ele, e  inesperadamente,  com uma grande exibição - acabaria por, já  aos 86 minutos, dar uma expressão ao resultado mais condizente com aquilo que se passou no jogo.

Campo esticado e jogão de Diogo J

 

Num jogo - de novo em Alvalade e com público (5 mil espectadores pouco participativos) - em que fez coisas muito boas, mas que raramente conseguiu controlar, a selecção nacional cumpriu a sua obrigação de ganhar à Suécia. Como a França também ganhou (2-1), na Croácia, ambas continuam a par no topo da classificação do grupo, mesmo que a selecção nacional continue na liderança, por ter marcado mais golos marcados (9 contra 7 dos franceses) e menos sofridos (apenas 1, contra 3 dos gauleses), coisa que poderá não valer de nada, já que é apenas o último dos factores de desempate.

É frequente que as equipas menos dotadas, como é claramente o caso da actual selecção sueca em relação à portuguesa, encolham o campo para, com ele mais pequeno, mimetizarem as suas fraquezas. Recolhem-se lá atrás, e o jogo decorre em apenas 40 ou 50 metros, com muito menos espaço para o adversário exibir os seus talentos. No jogo de hoje a Suécia fez precisamente o contrário - esticou o campo. 

A equipa nacional nunca se entendeu com isso. Esse posicionamento adiantado dos jogadores suecos resultou, como não poderia deixar de ser, mais espaço para jogar. Só que para o ocupar a equipa sueca apostou em partir o jogo, e criou problemas inesperados aos jogadores portugueses. Um jogo partido é sempre difícil de controlar. Foi o que aconteceu.

Se as coisas correm mal, é o diabo. Valeu que não correram mal. Valeu que a equipa sueca não foi nem feliz nem eficaz, e a melhor qualidade dos jogadores portugueses acabou por resolver o jogo. Mas nem sempre assim sucede.

A selecção nacional chegou ao primeiro golo na sua melhor fase do jogo, por volta dos 20 minutos, quando já emergia a exibição de Diogo J, que assistiu primorosamente Bernardo Silva para um belíssimo golo. O segundo, e primeiro de Diogo J a passe (soberbo)  de Cancelo, chegaria mesmo em cima do intervalo, mas já quando a equipa não tinha o jogo controlado.

Como continuou a não ter na segunda parte. Até chegar ao terceiro golo, de novo do novo jogador do Liverpool, numa espectacular jogada individual depois de um passe científico de Wlliam Carvalho. Faltavam 20 minutos para o fim, e aí sim. A selecção sueca caiu, e a portuguesa pôde finalmente mandar no jogo. E selar com mérito esta importante vitória.

E daqui por um mês tudo se resolverá, quando recebermos a França na Luz. Ou talvez não, se o resultado do passado domingo em Paris se repetir. Mas só nesse caso!

Uma selecção respeitada

Desta vez, não houve Éder. Portugal e França seguem 'coladinhos' no topo

 

No cartaz desta terceira jornada do apuramento para a fase final da Liga das Nações sobressaía o confronto entre os campeões do mundo e da Europa. Bastava isso para legitimar grandes  expectativas para este jogo no Stade de France, em Paris. É certo que poderiam baixar significativamente se, em vez de olhar para o jogo sob essa perspectiva, se reparasse que era também uma repetição dessa inesquecível final do Europeu de há cinco anos. 

Desse jogo guardamos na nossa memória a vitória, que deu esse título europeu que Portugal ainda ostenta porque, como se sabe, a competição que deveria ter decorrido no início do último Verão, não se realizou. Mas lembramos também as exibições dessa selecção nacional resultadista, mas pouco brilhante. 

Pois. O jogo de hoje foi um jogo entre o campeão mundial e o campeão europeu. Aquela selecção nacional encolhida, que entrava em campo para se defender do jugo do adversário que dava por adquirido,  quase de subserviência - essa tal que o seleccionador Fernando Santos no "pré-match" distinguiu da humildade, mas que nem sempre é assim tão distinta - já não existe. E se outros méritos este jogo não tivesse tido, bastar-lhe-ia ter permitido chegar a esta conclusão. 

Finalmente a selecção nacional consegue jogar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores de que dispõe. Viu-se isso durante toda a primeira parte, onde a selecção nacional assumiu o controlo do jogo, e foi claramente superior à francesa. Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas também não as consentiu ao adversário, e teve a bola e jogou-a com qualidade. E impõe respeito aos adversários. Nunca se tinha visto uma selecção francesa entrar num jogo com Portugal com tanto respeito,.

A segunda parte foi diferente. O meio campo da equipa nacional decresceu de rendimento, enquanto os dos franceses evoluiu  em sentido contrário, e os franceses tiveram mais bola, e passaram a estar por cima do jogo. Nunca no entanto a subjugar. E, num jogo com poucas oportunidades de golo, a maior parte delas até acabou por pertencer à selecção portuguesa.

O apuramento para a final a quatro está em aberto.  Nada está decidido e a até Croácia, vice-campeã do mundo, que ganhou à Suécia, tem ainda condições para o discutir. Com as melhores selecções da Europa concentradas em apenas quatro grupos, de que apenas uma se apura, o apuramento terá sempre muito de circunstancial. Bem mais do que isso é a confirmação da selecção portuguesa no topo europeu. Onde afinal já estavam alguns dos seus jogadores.

É mesmo de política que se fala

Marcelo Rebelo de Sousa: "Que sejam aquilo que são sempre: os melhores" -  Futebol - SAPO Desporto

 

As selecções de futebol de Portugal e Espanha empataram a zero naquele que foi o primeiro jogo de primeiro plano com público nas bancadas. O primeiro ocorrera no passado fim-de-semana, nos Açores, entre o Santa Clara e o Gil Vicente, com 800 espectadores. No de ontem estiveram 2.500, e quase não se  deu por eles...

Desse jogo saiu como notícia que as duas federações ibéricas vão apresentar uma candidatura à realização do campeonato do mundo de futebol em 2030, o que deixa muita gente de cabelos em pé. Até porque os tempos que correm na península não vão muito entusiasmantes.

Não é só pela pandemia. É pelo pantanal político que se vive nos dois países. Cada um com a sua realidade, mas no mesmo terreno escorregadio.

O actual momento político em Portugal, dominado cenário de aprovação do orçamento, e pela escolha do presidente do Tribunal de Contas, não poderia de resto ser mais eloquente. O presidente empurra, empurrou sempre, a aprovação do orçamento para a esquerda, para libertar o PSD para a alternância. Mas reforça institucionalmente o bloco central, reforçando-lhe o poder no aparelho de Estado. 

É assim nas CCDR, divididas, pataca a mim pataca a ti, entre o PS e o PSD, mas depois legitimadas por uma simulação democrática em Assembleias Municipais de ratificação das decisões dos directórios do Bloco Central. E foi assim com a nomeação do novo presidente do Tribunal de Contas que, de nomeado pelo Presidente sob proposta do governo, acabou nomeado pelo Presidente por escolha de Rui Rio.

O presidente, que nesta altura por força do calendário eleitoral não tem praticamente poderes, na realidade põe e dispõe. Põe à esquerda a responsabilidade por assegurar o regime, e dispõe que dele disponha o bloco central. 

 

Aviso sério

Benfica isola-se na liderança da I Liga ao vencer Farense em casa -  Desporto - SAPO 24

 

Ao terceiro jogo no campeonato, o primeiro flop. Exibição pouco menos que miserável do Benfica na recepção ao Farense, na sua primeira visita à Catedral da Luz. O resultado, um sofrido 3-2 - o Farense fez dois golos na Luz, quando ainda não tinha marcado neste campeonato - acaba por ser muito melhor que a exibição.

Apesar das duas boas exibições nos dois jogos anteriores, não tinha - confesso - bons feelings para este jogo. Não percebia por quê, mas não tinha. Talvez por memórias não muito distantes, que estão bem vivas. Uma delas era que, nos últimos meses da época passada, sempre que o Porto perdeu as coisas não correram bem, em vez de uma oportunidade foram sempre uma ameaça. E o Porto tinha perdido ontem, no Dragão, com o Marítimo. Apesar dos favores dos penaltis e das expulsões, não deu... A outra foi-me trazida pelo anúncio da constituição das equipas, e vem mais de trás.

Na constituição da equipa do Farense lá estava o Difendi na baliza. Sempre suplente nos anteriores jogos do campeonato, hoje era titular. Não foi a primeira vez que aconteceu, ainda na época passada, no Famalicão, foi assim. Era suplente, mas nos jogos com o Benfica foi sempre titular, tal é a sua fama de guarda-redes de engate contra o Benfica. E a equipa de arbitragem lá estava chefiada por Tiago Martins, um velho conhecido ... Que nunca corre bem.

Mas nem daí que vieram as dificuldades do jogo. O Difendi até fez menos defesas que o Odysseas. E muito menos daquelas decisivas, que salvam golos. E o árbitro, mesmo com o penalti que assinalou a pedido do VAR, contra o Benfica evidentemente, e com a validação do segundo golo do Farense, não teve nada a ver com a decepcionante exibição do Benfica.

"O que nasce torto tarde ou nunca se endireita", diz a chamada sabedoria popular. E este jogo do Benfica nasceu torto. Nasceu torto na conferência de imprensa de antevisão do jogo, com o mister a espalhar-se como tantas vezes faz, e apareceu torto logo que o árbitro apitou para o início do jogo. O Benfica entrou mal, e o Farense muito bem. Pertenceram-lhe-lhe logo os primeiros remates e a primeira ocasião de golo.

Depois o Benfica pareceu começar a assumir o controlo do jogo. O golo, logo aos 15 minutos, num erro de saída de bola do Farense, e num remate de Pizzi a desviar num defesa adversário, aprofundou essa ilusão. Na verdade a equipa nunca controlou coisa nenhuma, assumiu apenas que estava confortável com o jogo. E esse foi o problema. Foi demasiado o conforto a que os jogadores se entregaram. O desconforto de correr e de lutar pela bola ficava apenas para os jogadores do Farense.

Sem velocidade, sem rigor, e sem concentração, demasiado evidente no passe e na recepção, e muito menos disponíveis para disputar a bola que os adversários, o Benfica perdeu por completo o controlo do jogo. Quando o árbitro apitou para o intervalo era o Farense que mandava no jogo. E a baliza de Vlachodimos só estava a zero porque ele próprio e Otamendi iam escapando à mediocridade geral da equipa.

Percebia-se que a equipa tinha sido surpreendida pela postura táctica do adversário, a disputar o jogo no campo todo, e a discutir todas as bolas onde quer que fosse. Os jogadores estavam à espera de um adversário lá atrás, que não os incomodasse e não quando eles se aproximassem da grande área. Quando tantas vezes se queixam das equipas que se fecham lá atrás, sem aí terem espaço, os jogadores não sabiam como jogar contra um adversário que não lhe dava espaços mas era para lá chegar.

Esperava-se que ao intervalo o treinador corrigisse esse problema, e a equipa viesse do balneário preparada para os problemas com que o adversário a tinha surpreendido. Estranhamente, não.

O Farense entrou na mesma, e o Benfica ... também. Chegou cedo ao empate, num canto à antiga, a fazer lembrar os últimos tempos da fatídica época anterior, depois de Vlachodimos ter defendido por duas vezes o tal penalti. E voltou a marcar logo a seguir, num golo bem anulado por fora de jogo, mas a corresponder a tudo o que estávamos a ver.

Valeu que o mister mexeu na equipa, trocando o desastrado Gabriel por Veigl, o inexistente Waldschmidt, por Seferovic, e Rafa, que nem era dos piores, por Pedrinho. Mas nem quando, aos 79 minutos, Seferovic marcou o segundo se sentiu que o jogo estava resolvido. A vitória só pareceu garantida com novo golo do avançado suíço, oito minutos depois, mesmo que nos 6 minutos extras, Otamendi, que na segunda parte estragou tudo o que de bom tinha feito na primeira, tenha oferecido o segundo golo ao Farense.

Se, para além dos três pontos, nada mais de bom haja para tirar deste jogo, que fique um aviso sério ao treinador do Benfica. Nem todos os adversários se remetem à defesa submetidos ao seu futebol de arrasar. Hoje o Farense fez mais remates que o Benfica (14, contra 12), mais remates enquadrados com a baliza (9, contra 7), praticamente todos dentro da área. E se Seferovic marcou dois golos, foi Vlachodimos o melhor e o mais decisivo jogador do Benfica.

A surpresa de Simeone

Atlético Madrid: Diego Simeone testa positivo à covid-19 | MAISFUTEBOL

 

Quando ouvimos falar de surpresas no futebol pensamos sempre em resultados inesperados como, por exemplo, a derrota de hoje do super Bayern com o Hoffenheim, por 4-1, ou a do Manchester City, em casa, com o Leicester, por 5-2. Mas essas são surpresas que nem são muito surpreendentes, já que, acontecendo por todo o lado, acabam por acontecer com alguma frequência.

Mas há outro tipo de surpresas, bem mais surpreendentes. E muito mais agradáveis. Hoje foi possível assitir a uma dessas, uma das maiores com que o futebol acaba de nos brindar. Refiro-me ao futebol que o Atlético de Madrid apresentou neste arranque da La Liga, que ninguém daria por possível sob o comando de Diego Simeone.

À equipa de Simeone nunca faltou capacidade competitiva, mas faltou sempre futebol espectáculo, bem jogado, daquele que enche olhos e corações. Ganhou algumas coisas, e nunca deixou de ser um adversário temível. Mas não ganhou muito, e não ganhou nunca a admiração dos amantes do futebol. 

O clube ia adquirindo grandes jogadores, mas o seu futebol não mudava. Muita gente interrogava-se mesmo para que quereria jogadores de primeira água, se para aquela maneira de interpretar o jogo bastavam uma grande capacidade física e muita vontade de disputar cada bola. Quando jogadores de fino corte técnico assinavam pelos colchoneros já se  sabia que estavam condenados ao fracasso. Assim aconteceu com Gaitan, com Falcão, com Gelson... para falar daqueles que conhecemos melhor. Assim parecia acontecer com João Félix, que ninguém percebeu porque, por aquele dinheiro todo, interessava à equipa de Simeone. Nem porque aceitava ele um destino de condenação. 

A época passada, a primeira, confirmou todas essas dúvidas. Pouca utilização mas, pior, sempre em condições que lhe limitavam todo o enorme potencial que lhe é reconhecido.

Pois hoje pudemos ver, no jogo inicial da época, uma equipa irreconhecível. Com um futebol de ataque, arrasador - está na moda - com uma fantástica dinâmica colectiva a tirar agora partido dos jogadores de grande classe de que dispõe na frente de ataque. Repare-se apenas nestes quatro nomes, para dois lugares: João Félix, Diego Costa, Luiz Suarez e Marcos Llorente. Os titulares foram os dois primeiros. Saíram com um golo cada com o resultado em 3-0, substituídos pelos dois últimos a cerca de meia hora do fim. Que fizeram outros três, com o ex-Barcelona a marcar por duas vezes na estreia.

Seis golos (resultado com o Granada ficou em 6-1), coisa nunca vista com Diego Simeone!

Uma enorme surpresa. Das maiores do futebol. E das mais agradáveis. O que é que terá passado pela cabeça do argentino? 

 

 

 

Adeus capitão. Adeus fantasma!

 

O Benfica não está a jogar o triplo, está a jogar bem mais. Se a base for o que jogou na segunda metade da época anterior o multiplicador não é três, é capaz de ser o infinito - está a jogar infinitamente mais!

Tivesse concretizado metade, ou até um terço, das oportunidades de golo criadas hoje, no jogo com uma das bestas negras da Luz das últimas temporadas, e estaríamos a falar de uma exibição esplendorosa. 

Este jogo com o Moreirense seria sempre especial. Porque era o primeiro jogo oficial da época na Luz, e o último de Rúben Dias. E porque era um jogo cheio de fantasmas: há duas épocas que o Moreirense alimenta um fantasma na Catedral.

Percebeu-se logo a confirmação não confirmada da notícia do dia, que apontava a saída de Rúben Dias para o Manchester City. Mesmo que a transmissão da Benfica TV a tivesse querido ignorar olimpicamente, acabando mal na fotografia com as declarações do próprio Rúben na flash-interview no final do jogo. Era evidente que o último dos titulares da equipa proveniente do Seixal, e o único titular da selecção nacional que representava o Benfica, era o preço a pagar pela eliminação da Champions. A braçadeira de capitão, quando na equipa estavam André Almeida e Pizzi, os dois a quem sucedia nessa hierarquia, dizia-nos isso mesmo.

E pronto, de praticamente meia equipa com origem na formação, num ápice o Benfica passa a uma equipa sem jogadores da casa. Morto e enterrado o famoso projecto do Seixal, seja porque o treinador, como há muito se sabe, não está para aí virado; seja porque, na hora de fazer dinheiro, Luís Filipe Vieira e Jorge Mendes não conheçam outra fórmula. Agora acabou!

Mas...voltando ao jogo de hoje. Foi uma exibição a que faltou meia dúzia de golos. No jogo anterior, em Famalicão, a equipa jogou muito bem e fez cinco golos. Em 14 remates. Hoje a equipa jogou muito melhor, mas em mais do dobro dos remates fez apenas dois golos. Dos 29 remates, 10 foram enquadrados com a baliza, sete dos quais salvos por seis grandes defesas do Pasinato, guarda-redes do Moreirense, a maioria delas sem que ainda saiba como, e um por um defesa que não se sabe donde apareceu para em, cima da linha de golo evitar o golo gritado de Waldschmidt que, servido de bandeja por Darwin (grande exibição!), depois de passar pelo guarda-redes, rematou para a baliza deserta. Um, de André Almeida, foi ao poste. E na maioria dos restantes 18 Pasinato estava batido mas a bola acabou ligeiramente por cima ou ao lado.

O primeiro golo chegou bem atrasado, pela forma como o Benfica entrou no jogo, sem deixar o adversário respirar, e retirando-lhe completamente a bola. Tinha de ser assim, porque no pouco tempo em que o Moreirense então a teve percebeu-se que sabia bem o que fazer com ela. Chegou aos vinte minutos, e pensou-se que, pela avalanche atacante do Benfica, outros se seguiriam. Não foi assim. Chegou apenas mesmo no final da primeira parte, em mais uma bonita jogada de futebol e numa finalização perfeita de Darwin (e como merecia o golo!). Mas acabaria anulado, por fora de jogo do uruguaio.

E com o segundo, que não foi, terminou a primeira parte, cheia de grande futebol. Na qual o Moreirense ainda ensaiou com propósito duas ou três saídas para o contra-ataque, concluindo uma única, com um remate que bateu em Grimaldo e obrigou Vlachodimos à sua única defesa em todo o jogo. E que defesa!

O resultado magro ao intervalo, mas principalmente a inusitada quantidade de oportunidades não concretizadas, começava a engordar o fantasma que as bancadas despidas escondiam.

À medida que o relógio ia avançando pela segunda parte fora, e os remates continuavam a sair ao lado, ou por cima, a bater no ferro, ou a ser defendidos, o fantasma engordava ainda mais, e parecia já passear no campo. O Moreirense não fazia nada que assustasse, e não assustava mesmo. Mas os fantasmas assustam. Sempre.

E na realidade só desapareceu aos 80 minutos, quando Seferovic - que havia entrado a substituir o Waldschmidt sem que se percebesse muito bem por quê -, com mais um serviço de bandeja do Darwin, chutou para o segundo golo. Finalmente!

Curioso é que, num jogo em que a única complicação foi mesmo marcar golos, tenham sido dois jogadores que estão de saída a fazê-lo. Um no último jogo pelo Benfica, e outro ... se calhar também.

Foi um jogo de adeus. Até de adeus ao fantasma. Mas também de uma grande exibição colectiva, com nota alta para todos os jogadores, mas altíssima para Darwin, Rafa, Everton, Rúben Dias (claro) e Gabriel, para já muito bem na sua nova posição. 

Arrasar de luto

O resumo do Famalicão-Benfica em 5 minutos - I Liga - SAPO Desporto

 

Foi um Benfica de luto que abriu o campeonato, em Famalicão. Todo de preto, a razão de terça-feira não era para menos. De luto mas não pesaroso e carpideiro. Pelo contrário, de feridas lambidas e disposto a vida nova.

Não sei bem o que é arrasar. Se é jogar bem, marcar muitos golos, impedir que Zlobin se transformasse em Zivkovic, ignorar árbitros e VAR´s e ridicularizar manobras de bastidores, como por exemplo, um win-win entre vendedor e comprador, a atrasar uma contratação fechada para utilizar um jogador (tido por bom, se não não o contratavam) neste jogo; se é isso tudo, o Benfica arrasou. 

Jogou bem, marcou cinco bonitos golos (o do Famalicão também não é nada de deitar fora, mesmo que não lhe tenha achado graça nenhuma), e deixou por marcar outros tantos. Não deixou espaço para que a arbitragem desse um ar da sua graça, e um tal Toni Martinez acabou por ter de sair com o rabinho entre as pernas.

Para além de ter então arrasado, também o treinador do Benfica esteve bem. Muito bem, até. Bem ao substituir no onze inicial quatro dos jogadores que não tinham estado bem na segunda parte de Salonica. Se só podem jogar onze de cada vez, que joguem os melhores onze de cada vez!

E muito bem ao incluí-los nos substitutos. Dos quatro que saíram da equipa apenas o Pedrinho não entrou, e mesmo esse por uma causa maior: a opção de utilizar o Diogo Gonçalves  em Famalicão. Diogo Gonçalves que - já se percebeu - irá ser trabalhado para lateral direito, e isso é uma excelente notícia. A Pizzi, Vinícius e Weigl o jogo e o treinador disseram que não entraram de início porque outros estavam melhor, mas que noutros jogos poderão ser eles a estarem melhor. Mesmo que para Vinícius e Weigl a coisa não esteja fácil.

Saliento estes aspectos porque estas não eram virtudes atribuídas a Jesus. Pelo contrário, os seus  maiores defeitos prendiam-se todos com a falta de sensibilidade para estes "pormaiores" da gestão de recursos humanos. 

Depois, claro, a estreia de Waldschmidt, que já tardava, foi fantástica. Dois golos (o primeiro e o último, pelo meio Everton, Grimaldo e Rafa) que lhe vincaram a classe, e uma exibição de campo cheio. A confirmação que Everton é mesmo craque, e a surpresa de uma integração perfeita neste futebol que obriga a correr muito, e nem sempre é para a frente. Gabriel a 6, muito bem e muito, mas muito acima de Weigl. E Taarabt, um transportador como não há outro, mas sempre a precisar de gelo na cabeça. Até ontem, num jogo arrasado, ferveu em pouca água. 

O luto da eliminação da Champions parece que está feito. E como os adeptos não têm que olhar para as contas bancárias...

 

Tragédia grega em quatro problemas


Foto de A Bola

Não se imaginaria que o Benfica pudesse ser afastado da Champions logo à primeira. Era uma eliminatória de um só jogo - e sabe-se que num jogo de futebol tudo pode acontecer -, no campo do adversário. Mas contra o PAOK, um adversário bem mais fraco, com um plantel avaliado em menos de um terço do do Benfica. E com quem tinha uma história de vitórias.

Mas aconteceu, e o Benfica falha a presença na Champions, com pesadíssimas consequências financeiras e desportivas, depois do all in que marcou a estratégia para esta época. Financeiramente o Benfica não perdeu apenas os 50 ou 60 milhões que a simples presença na fase de grupos da Champions garantiria, e com o que a tal estratégia contava para uma insaciável política de contratações. Perdeu também os outros tantos 60 milhões com que contava em vendas, particularmente de Vinícius, que saiu de Salonica simplesmente invendável. Nem em saldos|

Para realizar metade dessa verba apontada para Vinícius o Benfica precisa agora de vender três ou quatro jogadores nos saldos. Com esta eliminação o Benfica vê-se obrigado a abrir a época de saldos.

Como é que aconteceu? Como é que o Benfica não ganhou um jogo que tinha de ganhar? E que tinha a obrigação de ganhar...

O Benfica dominou por completo o jogo e o adversário durante toda a primeira parte, em que apresentou um futebol agradável, com boas jogadas e com três ou quatro boas oportunidades de golo, entre as quais uma bola na trave, de Pizzi. Teve dois problemas, este domínio.

O primeiro foi que Seferovic, o ponta de lança que Jesus lançou para o jogo, a mais discutível das suas opções na constituição do onze, foi o que já é há muito. Fraco. O segundo foi o de convencer os jogadores que aquilo estava ganho. Com aquela superioridade toda, não havia como não ganhar aquele jogo.

A estes dois juntar-se-ia o problema da segunda parte. Toda ela um problema!

Provavelmente a estratégia do Abel Ferreira, o treinador da equipa grega, passava por contar com a sorte de passar incólume a primeira parte, e contar depois com a acomodação dos jogadores do Benfica. Fazer da primeira parte o engodo. O isco que os jogadores encarnados haveriam de morder.

E morderam. Quando o PAOK passou para outro registo o Benfica ficou surpreendido, e não conseguiu reagir. E foi vê-los a invadir o seu meio campo ofensivo em saídas rápidas para o ataque. Logo à primeira, pouco depois do primeiro quarto de hora, chegou ao golo. Ainda por cima um auto-golo, de Vertonghen.

De imediato o Abel fez entrar Zivckovic, acabado de sair da Luz pela porta pequena. Percebeu-se a ideia e resultou em cheio: o ex-jogador do Benfica não perdeu uma única bola, ao contrário de Vinícius, que entraria pouco depois, que as perdeu todas. De uma delas, a segunda consecutiva em dois displicentes passes de calcanhar, saiu o contra-ataque que daria o segundo golo da equipa grega. Por Zivckovic, dez minutos depois de ter entrado. E tudo ficou decidido logo ali.

Antes do golo de Rafa, a 1 minuto do fim, o Benfica poderia ter marcado. Teve duas boas oportunidades para isso, mas o PAOK tem dois "Zivckovics". Tinha outro na baliza, que resolveu tudo o que teve para resolver. Também ele enganador. Parecia que não tinha grandes aptidões para a função, mas era mentira.

Zivckovic foi também nome de problema. O quarto deste jogo!

O problema maior é que, com tantos milhões gastos, e a gastar em massa salarial, está criado um problema em cima dos problemas que havia. E que não estão resolvidos!

 

O paradoxo

Suécia 0-2 Portugal | À lei de CR101, o insaciável - ZAP

 

A selecção nacional de futebol ganhou na Suécia, e lidera o grupo à frente da França, mesmo que ambas  com o pleno da pontuação no fim da segunda jornada. Com os mesmos adversários, e nas mesmas circunstâncias, a selecção nacional sofreu menos um golo no jogo em casa, com a Croácia (4-1, contra 4-2, ontem, dos franceses) e tem mais um golo marcado no jogo fora, com a Suécia (2-0, contra 1-0 dos gauleses no passado sábado).

Ganhar fora numa competição tão apertada como esta, é sempre um bom resultado. Ganhar na Suécia por 2-0 é por isso um bom resultado. Ganhar claramente, sem deixar espaço para dúvidas na justeza do resultado, é mesmo muito bom. No entanto a qualidade da exibição da selecção nacional não teve nada a ver com o que tinha acontecido no sábado passado, frente à Croácia.

A selecção jogou bem menos. E bem menos bem, expondo o paradoxo da presença de Cristiano Ronaldo na equipa. Fernando Santos manteve 10 jogadores que tinham iniciado o jogo com a Croácia. Não mudou mais nada, acrescentou-lhes apenas "o melhor do mundo".

Cristiano Ronaldo respondeu, e fez o que se lhe pedia: golos. E dos bons. Dois golaços, o primeiro num espectacular livre directo, e o segundo, mais espectacular ainda, numa execução soberba a finalizar uma das poucas bem sucedidas jogadas de futebol corrido da equipa. Teve mais uma noite de glória, chegou aos 100 golos pela selecção. E passou aos 101, a oito de um tal iraquiano de que ninguém sabe o nome (não vale ir cabular ao Google) que, com 109, é quem mais golos marcou por uma selecção. E no entanto a equipa não jogou bem...

A pergunta já é se será possível encaixar uma grande exibição de Cristiano Ronaldo numa grande exibição da selecção nacional. Estranhamente a resposta parece que é - não! E é por isso que Fernando Santos repete até à exaustão que "com o melhor do mundo qualquer equipa é mais forte".

As equipas que jogam melhor nem sempre são as mais fortes, é verdade. Mas as que jogam melhor estão sempre mais perto de ser as mais fortes. 

Nada disto pretende pôr em causa a presença de Cristiano Ronaldo na selecção. Nem quer dizer que a selecção nacional deveria descartá-lo, impedindo-o de bater o último recorde que tem pela frente. Mas apenas que a incompatibilidade entre a qualidade de Cristiano Ronaldo e a do colectivo da selecção é o grande paradoxo desta selecção.

Não sei como se resolve. Mas não tenho dúvidas que não se resolve com a espécie de "regime de vassalagem ao melhor do mundo" que Fernando Santos lançou.

 

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