A questão, na fórmula 1 actual, não é quem é primeiro. Verstappen e a Red Bull, não permitem discussão - faz a "pole", ganha, lidera as corridas da primeira à última volta, e faz o melhor tempo de volta. No fim, também não será quem é o segundo. Perez, mesmo alternando boas classificações com últimos lugares na classificação, contará sempre com a supremacia do carro da Red Bull para as mais surpreendentes recuperações em corrida.
A questão é, pois, quem se consegue entre-por na esmagadora superioridade da Red Bull. Com o melhor carro, a melhor estratégia de corrida, e a maior competência nas boxes.
Hoje, em Barcelona, no Grande Prémio de Espanha, não foi diferente. Aconteceu tudo isso, com Verstappen a apenas mudar de pneus quando tem garantida a saída, na mesma, na frente. A fazer a pole, a volta mais rápida, a seguir na frente do arranque até à bandeira de xadrez, a conquistar a 40ª vitória da carreira, a consolidar a liderança no campeonato, e a consolidar, a meio da temporada, o mais que anunciado terceiro título mundial consecutivo . E com Perez a sair dos últimos lugares da grelha para acabar em quarto.
A novidade foi a Mercedes, com Hamilton, a sair da quarta posição na grelha, a terminar em segundo, e Russel em terceiro, saído da 12ª posição, à partida. Na primeira vez em que outra equipa, que não a Red Bull, conseguiu dois lugares no pódio. Mercedes já é segunda no mundial de construtores, quando parecia já ter sido ultrapassada até por construtores há pouco tempo de segunda linha.
É verdade que a Ferrari continua a desiludir, como voltou hoje a fazer. Sainz tinha obtido o segundo melhor tempo na qualificação, e saiu na primeira linha da grelha. Mas nem isso lhe valeu mais que o quinto lugar no fim. E Leclerc que, penalizado, tal como Pierre Gasly, começou por partir das boxes, nem nos pontos acabou (11ª lugar).
Quando até a Maclaren (com Norris na terceira posição na grelha, mas a afundar-se na corrida) a ameaçava empurrar ainda mais para baixo, já depois de claramente ultrapassada pela Aston Martin, a Mercedes ressuscitou em Barcelona. A dúvida, agora, é se esta é a evolução normal do seu W14, ou se apenas um caso de especial apetência pela pista catalã. Seja o que for, a aproximação à Red Bull continua difícil!
Aos espanhóis, naturalmente figuras do cartaz, é que a sua corrida não correu nada bem. Sainz ainda fez figura na qualificação, com o segundo tempo, mas acabou em quinto. E Alonso ficou sempre atrás do seu colega Stroll. Na qualificação, onde não conseguiu melhor que o oitavo tempo, com Stroll em quinta. E na corrida, em sexto, mas ainda atrás do seu colega de equipa.
No GP do Brasil, em Interlagos, na penúltima corrida do campeonato, surgiu finalmente a Mercedes, que tinha andado toda a época longe da competitividade dos principais adversários. Sempre longe dos Ferrari, e ainda muito distante dos Red Bull.
Já vinha dando mostras de estar a encurtar distâncias, tendo já estado bem perto da frente no México, na corrida anterior. Agora, no Brasil, foi incontestavelmente melhor que toda a gente, em tudo o que foi corrida. Que, neste GP do Brasil, até teve corrida sprint na definição da grelha de partida, que deixou os dois Mercedes na primeira linha, com Russel na pole.
Russel, primeiro no fim das 24 voltas do sprint, e Hamilton que, cortando a linha de meta na terceira posição, ficaria em segundo por penalização (em três posições) de Sainz. Dobradinha depois repetida nas 72 voltas da corrida final, na primeira vitória de Russel na Fórmula 1, numa demonstração de superioridade inimaginável há poucas semanas.
É que os dois Mercedes dominaram a corrida em toda a linha, de princípio a fim, superando até todos os incidentes, como o embate entre Hamilton e Verstappen (penalizado por isso em 5 segundos) e dupla participação do safety car. A última, já perto do fim, a virar a corrida do avesso. Excepto nos dois lugares "cativos" de Russel e Hamilton, o ídolo da casa. É cidadão honorário do Brasil!
Da "revolução" provocada por esse último safety car tiraram partido Verstappen - é crónico - e Leclerc para saírem dos lugares lá de trás e chegarem aos da frente. Sainz também saiu a ganhar, ao aproveitar essa oportunidade para trocar de pneus, o que noutras circunstâncias não poderia fazer sem perder o terceiro lugar. A perder, e muito, saiu Perez, o único Red Bull que resistira toda a corrida nos primeiros lugares. Acabou ultrapassado por Alonso, e depois pelo próprio Verstappen. Que, apesar dos insistentes pedidos da equipa, recusou voltar a ceder-lhe a posição, decisiva para manter a segunda posição no mundial de pilotos.
Há muito que se sabe que Verstappen não nasceu para fazer amigos. Mas também não era necessário produzir inimigos dentro da própria equipa. Perez não deixa dúvidas: "Só mostra quem ele realmente é…”
Na Ferrari não aconteceu bem a mesma coisa. Mas não foi lá muito diferente: Leclerc, que discute aquela segunda posição com o mexicano, com o quarto lugar na corrida a cair-lhe do céu, e com Sainz ali à frente na terceira posição, pediu à equipa que desse indicações ao espanhol para o deixar passar, para somar mais uns pontinhos. Mas isso era pedir muito. Era pedir a Sainz que se levantasse da cadeira do pódio para ele se sentar!
Apesar de todas estas "estórias", notícia mesmo é que a Mercedes está de volta. E isso saúda-se!
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