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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O 1º de Maio e a geringonça

CGTP repudia críticas às celebrações do 1.º de Maio e garante que ...

 

A celebração do 1º de Maio pela CGTP, na Alameda, constituiu motivo para uma onda de indignação muito parecida com a de há de uma semana antes, motivada pela sessão evocativa do 25 de Abril na Assembleia da República. 

Pese embora alguma diferenciação na qualidade dos argumentos, e sendo outra, apesar de tudo, a realidade de contexto de cada um desses actos públicos, a indignação não foi menos exuberante. Nem os seus protagonistas deixaram de ser os mesmos. 

Fátima, e o  13 de Maio, veio de novo a terreiro (deu até para lá deixar uma casca de banana para Ministra da Saúde pisar), e o dedo ficou ainda mais em riste, apontado à geringonça. Nos jornais, nas televisões, nas redes sociais e nas missas... "Não há dúvida que a geringonça manda neste país", disse-se e escreveu-se por estes dias por todo o lado.

Muito do que se disse e escreveu fará certamente sentido. Nem tudo, mas também não seria preciso. O que não faz sentido, e deita por terra até as críticas mais acertadas, é essa tendência primária de culpar a geringonça. As comemorações do 1º de Maio foram expressamente autorizadas pelo Presidente da República no decreto presidencial nº 20-A /2020, de 17 de Abril, que renovou pela segunda e última vez o estado de emergência nos seguintes termos:

"Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4.º, alínea e), do presente Decreto".

Que foi aprovado na Assembleia da República com os votos a favor do PS, PSD, BE, PAN e CDS. Sim, viram bem: PSD e CDS. 

Que grande geringonça!

 

Geringonça (2015-2019)

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É finalmente oficial: a geringonça morreu. Não há geringonça 2.0!

Os últimos meses da legislatura já lhe davam pouca vida e a campanha eleitoral ligou-a à máquinaque, que os resultados de domingo desligaram. O que se passou nesta semana não foi mais que a gestão do anúncio oficial de uma morte certa, a lembrar o que sucede no desaparecimento dos caudilhos das ditaduras, em que guardam os cadáveres em arcas frigoríficas durante um certo tempo para acautelar reacções e evitar sarilhos.

No caso da morte da geringonça não foi necessário que esse tempo se prolongasse muito, uma semana de cinco dias chegou. Foi o tempo suficiente para que umas coisas extraordinárias fizessem caminho.

Coisas extraordinárias

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Entre as muitas coisas extraordinárias que vamos ouvindo nestes dias, em que uns lambem as feridas, outros deitam foguetes, e outros ainda mostram o que não queriam, a mais extraordinária de todas diz assim: "andaram o tempo todo a pedir que se impedisse a maioria absoluta do PS, e agora não querem colaborar na solução que desejaram".

É mais ou menos isto que dizem certas pessoas do partido que vai formar governo, ao que nem o próprio António Costa conseguiu fugir. Pode até ser ideia sua, mas a quem a ouvimos repetir até à exaustão é precisamente àqueles que chamaram empecilhos àqueles com quem negociaram no passado, e voltam a ter que negociar. 

Não está provado, antes pelo contrário, que corresponda à realidade. Mas não é isso que é extraordinário, antes pelo contrário, também. É normal e frequente que ideias às avessas da realidade façam carreira na política portuguesa. Já é extraordinário que o PS, ou certas pessoas do partido, achem que negociar uma formulação de entendimento é simplesmente deixar os interlocutores a abanar que sim com a cabeça a todas as letras do seu programa. O mais extraordinário, mesmo, é que o PS, ou essas certas pessoas do partido, achem que tem mesmo de ser assim porque eles é ganharam as eleições.

O que, bem vistas as coisas, não deixa de ser um dado novo...

Já não há surpresas

 

 

Os resultados eleitorais não deixaram ninguém surpreendido - nem Assunção Cristas - perfeitamente em linha com as sondagens, o que deixa o politiquês mais enfraquecido, a perder definitivamente uma das suas principais forças de expressão: "as sondagens valem o que valem".

Pois valem. E valem tanto que é melhor que a classe política comece a usar de alguma parcimónia no seu uso já que, pedir-lhes que cortem esta estafada e gasta expressão do seu discurso, é capaz de ser pedir muito. 

Entraram três novas forças políticas para o Parlamento (a escrever, até daria para parecer que foi só uma: "Livre, Iniciativa Liberal Chega pela primeira vez ao Parlamento), onde a diversidade nunca foi tão grande: Dez! Agora são dez os partido com representação parlamentar, o que não deve deixar de ser saudado, mesmo que um não tenha nada para saudar.

Com o PS a oito deputados da maioria (deverá ficar assim, depois de apurados os resultados da emigração), e com o PAN a ficar-se por metade disso, dentro do exercício que aqui deixei há uma semana, os resultados confirmaram em absoluto os cenários improváveis em que Costa deixara as suas fichas. E que, com Jerónimo de Sousa a deixar logo ontem claro o que já era claro para qualquer observador, o empecilho do Bloco lá continua, incontornável.

Neste quadro, como referia nesse texto da semana passada, a noite de ontem haveria de mostrar quem tem "memória curta". Ou "capacidade de perdoar"... Catarina Martins, que pela ordem natural do protocolo surgiu primeiro, apressou-se a dizer que estava disponível para tudo, desde um amplo acordo estrutural para a legislatura à negociação pontual de cada medida sempre que necessário. Costa, magnânimo na vitória, mas rendido à evidência, prometeu ao povo, que gostou de geringonça, mais geringonça ainda. Agora cabem todos, venham todos à geringonça 2.0.

Parece fácil, não é?

O Bloco de Esquerda diz presente, sem rancores nem reservas. E sem empecilhar. E o PS diz venham todos, todos contam e ninguém empecilha.

Não me parece que seja bem assim e, na verdade, o que Catarina Martins disse - e viu-se pelo caderno de encargos -  foi que a vingança se serve fria. E Costa apenas os chamou a todos para lhes dizer que conta com eles ... para executar o seu programa. 

E assim será, enquanto assim for...

 

 

Já chegamos à Madeira?

(FOTO LUCILIA MONTEIRO)

 

O PSD ganhou as eleições regionais na Madeira à rasquinha. Perdeu a maioria absoluta, que mantinha desde sempre - há 43 anos, tantos quantos conta a História do estatuto autonómico - e apenas vai conseguir manter o poder porque, coligado com o CDS, tem mais um deputado que a esquerda. Ganhou à rasquinha e mantém o poder à rasquinha!

E no entanto, para Miguel Albuquerque foi uma vitória clara, inequívoca e estrondosa. 

Mas nem assim o líder regional do partido e do governo conseguiu arrebatar o prémio do absurdo da noite eleitoral. O "non sense" absoluto ficaria mesmo para o apelo de Paulo Cafôfo ao CDS, e ao pleno da coligação negativa. Para o número 1 da lista do PS geringonça é coisa do passado. Agora é preciso passar para a geringonça com piruetas e mortais encarpados à retaguarda.

Já chegamos à Madeira?

 

PS: "Já chegamos à Madeira", vulgarmente utilizada em expressão de espanto, surpresa ou até de absurdo, é uma velha expressão mas não uma expressão velha. É bem nova. Há quem diga que decorre de se fazer no Funchal a primeira escala no transporte dos militares para a guerra colonial. Aí saídos, e pela primeira vez soltos das amarras da família e da ordem militar, os mancebos explodiam. Quando regressavam ao barco não eram mais os mesmos. E a ordem e o aprumo de até aí transformavam-se em caos para o resto da viagem.

Deitar foguetes ... e apanhar as canas!

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Não foi preciso passar muito tempo para perceber aquela que, para muita gente, é a mais relevante consequência para a política interna das europeias de domingo. Quando andávamos todos preocupados com a abstenção, rapidamente nos convencemos que... nada... Quando, em menos de 24 horas começamos a perceber que a projecção destes resultados para as legislativas dava para emitir a certidão de óbito da geringonça. Bastará ao PS acenar ao PAN para, sem mais incómodos, assegurar a sua solução governativa.

E a euforia foi geral. A começar naturalmente pelo PAN que, pouco incomodado com as classificações de Miguel Sousa Tavares ("urbano-depressivos que comem alfaces"), já faz lembrar a fábula do sapo e do boi. A passar por António Costa, que já se vê a resolver, sem grandes problemas, todos os seus problemas. Nem sequer terá de acabar com as touradas, e de se preocupar com Manuel Alegre, basta-lhe aquela solução da capa de velcro para as bandarilhas serem coladas, em vez de espetadas no lombo do animal... E, com os partidos da direita em modo de touro no fim da lide, sem tempo para mais nada que as próprias feridas, a acabar na imprensa entusiasmadíssima a deitar foguetes. E a apanhar as canas...

 

 

Momento crítico

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Sinceramente. Acho que António Costa está neste momento mais preocupado em encontrar a melhor forma de rentabilização política do comportamento suicida do PSD e do CDS do que com a demissão do governo. Podem é coincidir. António Costa pode muito bem concluir que é na demissão que está o ganho!

Ah... E a geringonça morreu. Com ou sem demissão do governo. E com ela muitas das válvulas de escape do regime... 

 

Como é que se diz geringonça em castelhano?

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Espanha foi a votos e nada ficou como estava. Não houve qualquer revolução sociológica a determinar o novo mapa político da(s) Espanha(s): direita e esquerda mantiveram os seus votos. Só que os da direita, distribuídos por três forças políticas - o PP, que praticamente implodiu, o Ciudadanos, que quase chegou a segundo partido, e o Vox, da extrema direita (sim, Nuno Melo - extrema direita), mesmo sem se confirmar o tsunami anunciado -  valeram menos 22 deputados. Mesmo assim, menos que os 29 perdidos pelo Podemos, vítima dos seus próprios erros, mas também da radicalização eleitoral que potenciou o voto útil nos socialistas.

No meio disto tudo o PSOE ganhou e Pedro Sanchez dá agora voltas à cabeça para encontrar uma geringonça que lhe permita governar. A tentação de um bloco central com o Ciudadanos está fora de causa. Nem eles eles próprios, nem os eleitores socialistas, o querem. Logo que os resultados ficaram conhecidos, ao mesmo tempo que celebravam a vitória, as bases socialistas gritavam "Rivera, no". E não bastam os deputados do Podemos, tal foi hecatombe eleitoral. É preciso envolver ainda os partidos nacionalistas da Catalunha (Esquerda Republicana da Catalunha,  com 15 deputados, já que também o partido de Puidgemont foi "castigado") ou do País Basco (Partido Nacional Basco,  6 deputados) ...

Ah... a resposta é artilugio!

 

 

A música de Costa e la chanson

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No dia que Charles Aznavour escolheu para partir, o primeiro ministro disse-nos que neste ménage à trois são ... apenas amigos. É apenas ... "La bohéme". "Il faut savoir" que ... Catarina Martins, "She"... pode tirar o cavalinho da chuva....

"Et pourtant", se nem a mudança de hora muda, e mesmo sem "Mourir d´aimer", não há por que mudar de geringonça.

"For me, Formidable"!

O Problema*

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A recuperação da progressão na carreira dos professores tornou-se, de repente, provavelmente no maior problema político do país, capaz de condicionar fortemente o nosso futuro próximo. Não é um problema. É o problema!

Para já só temos duas certezas. A primeira é que os professores têm tanto direito a recuperar o que perderam nos anos da crise como qualquer outra categoria de portugueses. Os professores foram sacrificados nestes últimos 10 anos – e são até muito penalizados em muitas das circunstâncias em que exercem a sua profissão – mas houve muito mais portugueses muito mais sacrificados. Os que perderam o emprego e não mais o recuperaram, os que, os que perderam o emprego e quando o recuperaram nunca mais recuperaram o salário anterior e os centenas de milhares que tiveram que tiveram de abandonar o país e a família, muitos deles também professores.

A segunda certeza é que o governo tratou muito mal do problema. Com leviandade e sem frontalidade e rigor. Começou por não ser claro, por empurrar a coisa para baixo do tapete, à espera que fosse o tempo a resolver o que lhe competia a si resolver para, agora, perder por completo o senso, como se viu no lamentável episódio da referência às obras do IP3. Em política, trade off é chantagem. Quando é populista, para além de chantagem, é uma vergonha!

Não é preciso muita intuição para perceber que contrapor obras numa estrada à reivindicação dos professores, quando as divergências são bem maiores que as convergências, quando há um orçamento para aprovar, e quando começa a intensificar-se o cheiro a eleições, não é a melhor das ideias …

Nem nada que se pareça!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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