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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Na frente, sem dogmas!

Assistimos hoje, na Luz, a um belíssimo espectáculo de futebol. Começo exactamente por aí, pelo lado do espectáculo, a que nem sempre se dá o devido destaque. 

Foi um jogo aberto, em que quer o Benfica, quer o Gil Vicente, se preocuparam unicamente em jogar à bola. Deveria ser sempre assim, mas bem sabemos que não é. As equipas preocupam-se sempre mais com o resultado do que com a exibição. Mais em destruir, que em construir. Em simular faltas, e queimar tempo, que em disputar o jogo.

Bem sei que há nisto muito de romantismo, e que, hoje, o futebol não é nada disso. Mas continua a ser bonito ver um jogo de futebol em que as equipas em confronto são leais, jogam o jogo, e deixam de lado as manhas que matam o espectáculo.

Foi neste "cenário macro" que aconteceu este Benfica-Gil Vicente da vigésima jornada do campeonato. O Benfica não precisou de fazer uma exibição deslumbrante para ser parte activa, e protagonista principal, deste belo espectáculo de futebol. Entrou em campo com duas caras novas no onze titular mas, na realidade, com três alterações na equipa: Florentino e Bah, foram as caras novas; Aursenes, libertado do lado direito da defesa pela inclusão, mais de três meses depois, do regressado Bah, foi a terceira, com o regresso à ala esquerda, há muito ocupada por João Mário.

Quer dizer que, de fora, ficaram (precisamente) João Mário e Kokçu. Dois jogadores discutidos: o primeiro, pelas razões de sempre; o segundo por razões de posicionamento no campo. Dois jogadores tidos por "pendurados" nos  "dogmas" de Schmidt.  

Não sei - ninguém saberá - se os dogmas deixaram de o ser. Sabe-se - vê-se claramente - que Florentino faz melhor o que Schmidt pretende que Kokçu faça na "posição 6". Sabe-se que "o 10" é "um 10", e não "um 6". E sabe-se - melhor, imagina-se - que, para Kokçu jogar lá na frente, só o poderá fazer na vez de Rafa. Que não é um "dogma", é a realidade do melhor que a equipa tem.

Na verdade os "dogmas" dos treinadores são o que são. E, por muito bom que Kokçu seja "a 10", não há forma de prescindir de Rafa ... enquanto ele por cá estiver. Tal como, por muito que Schmidt aprecie o futebol de João Mário, preferirá sempre Aursenes para aquela função na esquerda.

A insistência em Morato no lado esquerdo da defesa é outro dos "dogmas" que este jogo de hoje desfez. É sempre mais fácil enfrentar os dogmas quando as coisas correm bem. Bastaram os pouco mais de vinte minutos em campo para Álvaro Fernandez confirmar que, finalmente, o Benfica tem um lateral esquerdo. Não é (ainda?) Grimaldo, mas deixou claro que Morato (não deve ser alvo de ingratidão) terá de ter as suas oportunidades mas no seu lugar de central.

A quebra destes "dogmas",  evidentemente que pelas opções agora disponíveis, junto com o fim das indefinições na posição 9, com a estabilização da aposta em Cabral, dão uma nova estabilidade à equipa. Tudo isto somado com a liderança, mesmo que à custa do adiamento do jogo do Sporting em Famalicão por falta (protestos) de polícia, dão um novo alento ao Benfica para atacar esta fase decisiva do campeonato.

O resto foi o jogo. Bom, como já foi referido. E que o Benfica dominou por completo, garantindo que nas bancadas da Luz se vivessem 90 minutos de festa, sem qualquer espécie de sobressaltos. Não precisou de rematar muito - foi o jogo com menos remates na Luz, apenas dez - nem de uma rara e extraordinária eficácia para construir o 3-0 final. Precisou apenas de jogar bem, e de marcar nos momentos certos: aos 15 minutos, num cabeceamento de Cabral, no canto cobrado por Di Maria; aos 35, igualmente na sequência de um canto, mas com notável trabalho do inesgotável João Neves, ao segundo poste; e de Rafa, logo no arranque da segunda parte, em mais um grande remate, a concluir uma das melhores jogadas do desafio.

E foi o minuto 29, de comovente homenagem a Feher, por acaso numa altura do jogo em que o Gil Vicente, que nunca abdicou de jogar à bola, mais procurava ameaçar a superioridade benfiquista. Mesmo que apenas a cinco minutos do fim tenha obrigado Trubin à sua única defesa. De grande qualidade, a garantir a folha limpa. 

A normalização da bipolaridade

É sempre tida por difícil, esta deslocação a Barcelos. É assim, ano após ano, em todas as épocas. Mas, de forma também mais ou menos invariável, chega quase sempre a tornar-se fácil. Mais ou menos fácil.

Ontem não foi diferente. Mas também não foi diferente a forma como o Benfica tornou difícil o que era fácil. Com um onze que não se pode classificar de surpreendente - Roger Schemidt está mesmo muito previsível -, com Aursenes a manter-se lateral esquerdo, atrás de João Mário, com Neres no banco, e Florentino atrás de Kokçu no meio campo, e Cabral lá mais na frente, o jogo arrancou nos moldes que já se podem dizer habituais neste arranque de campeonato, com o Gil a pressionar alto, a discutir todas as bolas e até a manifestar algum ascendente com bola. São os já habituais 10 minutos iniciais. Tem sido sempre assim.

A partir daí, igualmente "comme d´habitude", o Benfica começa a acertar marcações e posicionamentos e o seu futebol começa a brotar e vai enchendo o relvado. E o golo aparece, com naturalidade. Ontem aconteceu ainda antes de esgotada a metade inicial da primeira parte, num penálti cometido sobre João Mário, e convertido com aquele toque de classe extra de Di Maria, já a equipa dominava amplamente o jogo.

Chegado ao golo o Benfica não abrandou, e submeteu a equipa gilista a autêntica asfixia. Pôde então assistir-se a algo nunca visto num jogo de futebol, a anunciar o que aí vinha ... e o que aí virá. João Pinheiro, o árbitro, que na altura já havia ignorado duas entradas sobre Rafa que ditariam a segundo amarelo a dois jogadores gilistas -Dominguez e Marlon (que cometera a falta do penálti), no mais prolongado período de sufoco benfiquista, decide parar o jogo à espera de uma suposta intervenção do VAR. A jogada tinha terminado com um remate de Cabral ao lado, sem que se vislumbrasse qualquer tipo de anormalidade em todo o lance. As repetições da Sport TV, esta época ainda mais adversário, quando lhe compete apenas transmitir os jogos, sucediam-se, e confirmavam isso mesmo. Nada, como toda a gente tinha visto, e apenas um "time-out" de bónus que João Pinheiro queria oferecer ao Gil Vicente naquele período difícil por que passava.

E foi com o Benfica a criar e a desperdiçar oportunidades de golo, e João Pinheiro a poupar amarelos aos de Barcelos, que o jogo seguiu até ao intervalo. No último lance da primeira parte o Gil fez então o seu único remate à baliza do Samuel Soares, que se mantém na baliza, como Vlachodimos se mantém de fora.

Ao intervalo, a equipa de Barcelos tinha de agradecer dois milagres: aos deuses do futebol, o do escasso 0-1 que lhes mantinha o resultado do jogo em aberto e, a João Pinheiro, o de poderem disputar a segunda parte com 11 jogadores.

Mercê destes dois autênticos milagres o Gil mantinha-se vivo para a segunda parte. E entrou mais afoito, mais adiantado no terreno, mas rapidamente o Benfica voltou a pegar no jogo, e a dominá-lo. Mas apenas à terceira oportunidade voltou a marcar, ainda dentro dos primeiros 10 minutos, quando Rafa concluiu em golo mais uma bela jogada de futebol, provavelmente a mais bonita do jogo. Claramente por cima do jogo, com 2-0, tudo indicava que o Benfica iria ter um resto de jogo tranquilo. Esperava-se o terceiro golo a todo o momento. Que chegou pouco mais de 5 minutos depois, mas anulado por fora de jogo, bem assinalado a Rafa.

E vieram as substituições. Roger Schemidt fez entrar Neres, aclamado pela multidão benfiquista que enchia o Estádio, e Tengsted. As substituições que tinham resolvido o jogo com Estrela, desta vez, em circunstâncias diferentes, não tiveram o mesmo resultado. E Vítor Campelo fez três substituições de uma assentada, que mexeram claramente com a equipa. O Benfica começou a perder o controlo do jogo, e a mostrar a falta de consistência que vem sendo habitual, que faz com que seja capaz do melhor e do pior durante o mesmo jogo. À entrada para o último quarto de hora, no meio de três jogadores do Benfica, na meia lua, Touré, acabado de entrar, marcou. E em vez de uma tranquila goleada o resultado ficava no intraquilo 2-1, e o jogo num sobressalto. Schemidt tirou Florentino e Kokçu, amarelados, substituindo-os por João Neves e Chiquinho.

A ausência do "polvo" e a intranquilidade de Chiquinho afundavam o meio campo benfiquista. Mais uma vez as substituições não funcionavam. Valeu a última, com Musa a entrar para substituir Rafa, e a marcar na primeira vez que tocou na bola, já no período de compensação. O 3-1 arrumava definitivamente com o jogo. Com poucos minutos para jogar, e dois golos de vantagem, a vitória já não fugiria. 

Não fugiu, é certo. Mas o Benfica ainda viria a consentir mais um golo de forma absolutamente intolerável. E a acabar com o "coração nas mãos" um jogo que fora fácil, que poderia ter acabado em goleada, e que voltou a mostrar a montanha que o Benfica tem peloa frente para conquistar este campeonato. É certo que a equipa continua a mostrar-se capaz do melhor e do pior no jogo, mas não é menos certo que tudo o que rodeia o jogo está armadilhado.

E não são apenas as arbitragens. É tudo. Por exemplo, ao intervalo, a Sport TV não teve vergonha de, nas estatísticas da primeira parte, apresentar uma oportunidade de golo para cada lado. Do que se passa todos os dias nas televisões nem vale a pena falar. Tudo é "caso" no Benfica. Tudo é épico no Sporting. E tudo é normal no Porto.

É tudo normal na transferência do Octávio, com o comprador a desembolsar 60 milhões, quando duas semanas antes o poderia ter feito por 40; com um banco de Minas Gerais a abdicar da sua parte no passe; e com o empresário a abdicar da comissão da transferência. E é normal e comum que um jogador como João Moutinho tenha sido contratado, anunciado e apresentado para, depois, acabar no Braga. Como normal é, ainda e também, que, depois de ter roído a corda do acordo inicial com o Braga jogar jogar no Porto, João Moutinho acabe recebido de braços abertos por António Salvador.

 

Prometedor

Benfica vence em Barcelos com dois golos na reta final

Sabe-se que, chegados aqui, nesta ponta final do campeonato todos os jogos são difíceis. O desta noite, em Barcelos, era, já por isso, difícil. Acrescia que o Minho, esta época, se tinha transformado em maldição. A qualidade do Gil Vicente e, hoje mais ainda, a motivação dos seus jogadores para este jogo.

Aqui chegados, sem margem de erro, o Benfica tem de entrar nestes jogos para os resolver o mais cedo possível, de forma a evitar que a ansiedade tome conta dos jogadores (e dos adeptos), e alimente ainda mais a motivação dos adversários. E começou logo por dar sinais dessa vontade, impondo o seu habitual plano de futebol. O tal para que Roger Schemidt não tem alternativa. O tal plano B que não tem.

As coisas saíam bem, a bola circulava certinha, e ia ficando a ideia que tendo, a bola, e tratando-a tão bem, tudo se encaminhava para que o jogo se começasse a resolver cedo, como era imperativo. Percebeu-se que não era bem isso que estava a acontecer quando, aos 10 minutos, o Gil Vicente fez o primeiro remate do jogo. E depois fez o segundo, e o terceiro...

Chegou a primeira parte a meio, e o Benfica sem conseguir rematar à baliza. Havia sempre mais uma perna à frente da bola, sempre mais um corte no limite, na hora de rematar. E assim não se resolvem jogos. 

A partir daí, do meio da primeira parte, começou então a surgir um ou outro remate. E a bola até começou a entrar na baliza do Andrew, o tal guarda-redes que o Porto pretende a todo custo contratar. Ou pretendia, até hoje...

Só que sem contar, em ambas as vezes por fora de jogo, bem assinalados. De resto essa foi uma das habilidades de Fábio Veríssimo, e da sua equipa. Se o fora de jogo não lhes deixava dúvidas, deixavam concluir a jogada, e assinalavam-no depois, cumprindo a lei. Se lhes deixava dúvidas - já para não dizer que tinham a certeza que não existia - assinalavam de imediato. Incumprindo a lei, e matando a jogada à nascença, não fosse ela acabar em golo, que o VAR teria de validar.

E começaram finalmente a surgir oportunidades de golo. Umas falhadas - Neres, João Mário e Grimaldo, finalmente alguém a perceber que também se pode rematar fora da área  -, outras anuladas por defesas do guarda-redes gilista, capazes de deixar o Diogo Costa com insónias. Só no mesmo minuto (44) tirou o golo a Florentino e a Neres, com duas grandes defesas.

A velocidade do jogo do Benfica não era a maior, nem a última decisão a melhor, mas o Benfica dominava claramente o jogo. Mas não tinha o adversário dominado, que alternava a defesa porfiada com toda a gente lá atrás, com uma pressão alta eficaz e perturbadora, cada vez mais confiante, e capaz de espalhar o sofrimento pelos adeptos do Benfica, que voltaram a dizer presente, esgotando o Cidade de Barcelos.

Esperavam-se alterações para a segunda parte, mas Roger Schemidt voltou a não ter pressa, e deixou a equipa na mesma. O primeiro quarto de hora foi uma cópia da primeira parte, com as mesmas virtudes e defeitos. E terminou com mais um remate de meia distância de Tiba, para uma boa defesa de Odysseas e, finalmente, o cartão amarelo para Carraça que, invariavelmente - até porque não tinha grande apoio na sua faixa -, recorria à falta para travar Grimaldo e quem mais lhe aparecesse pela frente.

À entrada para a última meia hora do jogo Schemidt mexeu finalmente na equipa, com a entrada de Gilberto e Gonçalo Guedes, para as saídas de Neres e João Mário. Neres tinha perdido algum fulgor, e  João Mário, decididamente longe da forma com que nos surpreendeu na maior parte da época, nunca o tinha chegado a ter. Gonçalo Guedes tinha de entrar, e substituía bem qualquer dos dois. Gilberto ... é que não lembrava ao diabo. 

Dá o que pode. Mas pode pouco. A verdade é que Aursenes, mesmo sendo pau para toda a obra, não é grande coisa como lateral direito. E não o estava a ser. Passou para o lugar de Neres, na direita, e nem foi preciso exigir mais a Gilberto do que o que ele pode, para resultar. 

Dez minutos depois, nova dupla mexida: saíram Gonçalo Ramos (o mais penalizado pela quebra da pressão alta que a equipa antes fazia, e já não faz) e Florentino. Entraram o inevitável Musa e ... Chiquinho. Voltava a não lembrar ao diabo... Só que resultou, e de imediato!

A primeira vez que tocou na bola foi para responder, com um grande remate de cabeça, na zona da marca de penálti, ao cruzamento de Aursenes, da direita. E assim marcar o golo que fez explodir de alegria o Cidade de Barcelos, repleto de benfiquistas. Outros, mais energúmenos que benfiquistas, fizeram explodir outras coisas, que certamente vão custar caro.

A 20 minutos do fim a bola entrara, finalmente. O mais difícil estava feito. O Benfica acentuou ainda mais o seu domínio, e aproximou-se do nível exibicional capaz de devolver aos jogadores a confiança de que precisam para as últimas batalhas. 

Nunca faltou tranquilidade à equipa, e o segundo golo, a cinco minutos dos 90, acabou com as dúvidas. E voltou a obrigar-nos a olhar para Fábio Veríssimo, que assinalou o penálti que Grimaldo converteu no 2-0 final. Há dois penáltis consecutivos, mas o árbitro não viu nenhum. Foi chamado pelo VAR, e acabou por marcar o segundo, por mão de um defesa do Gil, na disputa da bola com Musa. Quando, antes, o Carraça puxara o braço a Otamendi, impedindo-o de rematar para golo. E teria de ter sido esse a ser assinalado, com a consequente expulsão do jogador do Porto emprestado ao Gil Vicente.

Poderia e deveria ter sido outro o resultado, tantas as oportunidades de golo criadas e desperdiçadas. Na última, tudo foi feito como devia ter sido, mas o toque de classe de Musa acabou com a bola na barra. E na recarga Rafa - está a regressar, lenta mas seguramente - voltou a falhar. Da exibição, mais do que aquilo que na realidade foi, fica o que de prometedora teve.

A exigência dos bons hábitos

Não dá para cantar loas a esta exibição com que o Benfica cumpriu o último compromisso para o campeonato antes desta paragem para o Mundial ... do Catar. À parte aquela de Guimarães, no único jogo que até agora não saiu com a vitória, esta foi a exibição menos entusiasmante do Benfica neste campeonato. 

Não gostei. E, pelo que se viu na sua expressão ao longo do jogo, Roger Schemidt também não.

A Luz estava praticamente cheia - mais de 57 mil -  apesar da chuva. Entre eles estava o Sr Jaime Silva, que fez ontem 99 anos, e veio hoje à Luz ver o jogo, e receber o seu cartão de sócio número 1, herdado do Ti Emílio, que há pouco nos deixou. Mereciam mais, mereciam uma exibição na linha das últimas e, na mesma linha, uma vitória bem mais robusta.

O Gil Vicente chegava à Luz na condição de equipa intranquila e debilitada, mas também na da mais recente besta negra do Benfica. Aqui ganhara nos últimos dois anos. 

Os primeiros cinco minutos serviram para ver o Gil não trazia a primeira cara. A equipa surgiu tranquila e sem sinais de debilidade, bem espalhada pelo campo todo, a pressionar alto. Como este tem sido um comportamento habitual nos adversários do Benfica, não dava para perceber se aquilo era a besta negra a mostrar a cara.

Passados esses primeiros cinco minutos passou a parecer que o Gil não estava fraco e débil, mas que também não tinha cara para besta negra. O Benfica chegou ao golo, num penálti cometido sobre Rafa, assinalado pelo árbitro Manuel Oliveira - que substituíra o Paulo Costa á última da hora - e convertido por João Mário.

À segunda entrada na área, na segunda jogada bem construída, e no primeiro remate, o Benfica marcava. Os árbitros já marcam penáltis a favor do Benfica. Os quatro neste campeonato já são mais que todos os assinalados nos últimos três. Mas têm preço, os penáltis a favor do Benfica.

O deste foi pago logo oito minutos depois. A bola roçou a mão imóvel de Otamendi, vinda da cabeça de Fran Navarro, ali à queima, Manuel Oliveira assinalou penálti - o VAR permaneceu mudo e quedo - e o ponta de lança espanhol restabeleceu o empate.

Aqueles oito minutos, entre os dois penáltis, foi o único período do jogo em que o Benfica foi igual ao que tem sido, com aquele futebol de encantar, rápido,  pressionante e asfixiante. A partir daí, depois de pago o preço do penálti que parecia encaminhar as coisas para o seu rumo habitual, nunca mais o Benfica conseguiu dar continuidade ao seu habitual futebol.

Durante a primeira parte ainda conseguiu momentos desse futebol empolgante que é a sua imagem de marca. Mas nunca tiveram continuidade, eram como que solavancos aqui e ali. Um desses momentos rendeu o segundo golo, aos 36 minutos, com Gonçalo Ramos a empurrar a bola para a baliza depois do cruzamento de Neres ter ressaltado no guarda-redes do Gil.

Na segunda parte nem isso. Nem por momentos esse futebol assentou arraiais no encharcado relvado, mas sempre em bom estado, da Luz. De resto, a única semelhança entre a primeira e a segunda parte foram os piores períodos do Benfica, a entrada do Gil - mais ousado nos mesmos primeiros cinco minutos - e o oportunidade do terceiro golo. Precisamente aos mesmos oito minutos. De novo de Gonçalo Ramos, a isolar-se na lista dos marcadores.

É verdade que o Benfica criou oito oportunidades de golo, e que o Gil nem uma. Só fez até um remate na segunda parte, já nos descontos, e ao lado da baliza de Odysseas. Mas faltou-lhe quase tudo. Acerto nos passes, velocidade, intensidade. E até estratégia.

Na forma como decorreu, teria bastado ao Benfica ter-se aproximado do seu rendimento médio para tirar do jogo mais uma exibição empolgante, e um dos mais expressivos resultados do campeonato.

Com a equipa do Gil - que só naquele período entre os penáltis teve mesmo de se fechar lá atrás, a defender com todos - espraiada pelo campo, a deixar metros atrás da sua defesa, e a equilibrar a posse de bola, teria bastado ao Benfica tirar partido desse adiantamento para construir uma goleada das antigas. 

Para isso teria ligar o chip da velocidade, que parecia estar avariado. Ter maior acerto nos passes. E maior concentração para evitar as inúmeras vezes em que os jogadores se puseram em posições de fora de jogo, anulando jogadas com a intervenção da arbitragem, ou obrigando o portador da bola a jogar para trás, inviabilizando transições rápidas.

Faltou tudo isso. E por isso a exibição não agradou. Nem o resultado, um simples 3-1. Poderemos estar mal habituados, mas esses são os hábitos que não queremos perder. Estamos exigentes, e é asim que tem que ser. E acho que o Roger Schemidt também o acha!

Cavar mais fundo

Quando parece que não há mais fundo, que o Benfica já lá tinha batido, há sempre quem se apresse a cavar mais fundo, para que haja mais para onde cair. O Benfica chegava ao jogo desta noite, com o Gil, na Luz, nas profundezas de um buraco de onde se não via saída. Artur Soares Dias, a primeira coisa que fez foi começara a cavar mais fundo e a empurrar para lá das profundezas.

É também disto, como está mais que dito e redito, que se faz a realidade do Benfica. Dessa falta de respeito. O respeito que não foi perdido, foi roubado. Quem trouxe o Benfica até aqui não roubou apenas tudo o que havia para roubar. Roubou-lhe a dignidade, e com ela a respeitabilidade.

Hoje ninguém respeita o Benfica. Nem adversários, nem árbitros!

Soares Dias não teve o mínimo problema em assinalar uma falta que ninguém viu, quando a bola ia a entrar na baliza. Sabia que, fazendo-o, o lance não iria ao VAR. Fê-lo sabendo que estava a violar as regras do protocolo estabelecido, que recomenda que o árbitro aguarde pela conclusão do lance. Fê-lo sabendo que, impedindo o golo inaugural ao Benfica, e daquela forma, cavava mais fundo o buraco onde a equipa está enfiada e perdida. E fê-lo com o habitual cinismo que coloca sempre que arbitra os jogos do Benfica, confirmado quando, depois, assinalou um penalti do guarda-redes gilista sobre Gonçalo Ramos (que daria ainda expulsão) por ter deixado seguir um fora de jogo evidente. Aí, num fora de jogo evidente em cima da linha de meio campo, deixou a jogada prosseguir até ao fim, sabendo que o que contaria era o fora de jogo, e nunca o penalti que assinalara. É a provocação e a falta de respeito em todo o seu esplendor!

Não se sabe se com esse golo logo aos 5 ou 6 minutos o Benfica ganharia o jogo. Sabe-se apenas que o resultado seria diferente. Até porque o Gil Vicente também não teve respeito pelo Benfica. Só que, aqui, respeito é sinónimo de medo. Essa falta de respeito é outra coisa. Não ter medo, do adversário é uma atitude positiva, mau é que este Benfica não meta medo a ninguém. Só mete medo quem é forte, dos fracos não reza o medo, como a História.

A equipa do Gil Vicente não faltou ao  respeito ao Benfica, como fez Artur Soares Dias. Simplesmente não teve medo. Teve futebol, e em tudo o que foi futebol foi muito melhor que a do Benfica. O que fica por saber é o que a falta de respeito de Soares Dias teve a ver com a falta de respeito da bem trabalhada equipa de Ricardo Soares. Que deixou na Luz um compêndio de futebol, com lições de como se joga futebol, e de como se escolhem, e trabalham, jogadores. Um a um, foram todos muito melhores que os do Benfica. E muito provavelmente todos juntos custam menos que apenas um dos jogadores do Benfica, qualquer que seja. À natural excepção do Henrique Araújo, que hoje se estreou na equipa principal.

E quando assim é, quando olhamos para todos aqueles jogadores e ficamos com a ideia que são melhores que os do Benfica, e olhamos para o Ricardo Soares e percebemos que é melhor treinador que o do Benfica, só nos fica a saudades do Benfica que há muito perdemos. A esperança de o ter de volta vai ter que esperar, sabe-se lá até quando.

As únicas certezas são a quarta derrota no campeonato, a terceira de Nelson Veríssimo, em apenas um mês, os 12 pontos de distância para o Porto, os 6 para o Sporting e o calvário que temos pela frente. E não é só até ao fim da época. Está tudo montado para ser mais longo.

 

No desperdício os dois da praxe

A deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, também ainda com o pleno de vitórias no campeonato e orientado por um treinador habitualmente complicado para o Benfica, cujo treinador aponta como seu discípulo, comportava alguns riscos e apontava para algumas dificuldades, mais a mais caindo no meio da decisiva eliminatória com o PSV.

O Benfica apresentou-se com seis alterações relativamente ao jogo da primeira mão com os holandeses, com a entrada de Gilberto, Taarabt, Meité, Gil Dias, Everton e Gonçalo Ramos para os lugares de Diogo Gonçalves, João Mário, Weigl, Grimaldo, Pizzi e Rafa, e os primeiros minutos, com os jogadores do Gil Vicente subidos e muito pressionantes, pareciam confirmar as esperadas dificuldades. Cedo, logo a partir dos primeiros sete ou oito minutos, se percebeu que, no entanto, as dificuldades do jogo não viriam tanto nem da estratégia e da argúcia do treinador gilista, nem da qualidade dos seus jogadores. Vinham da falta de velocidade no jogo benfiquista, de algumas deficiências no passe e na recepção de alguns dos seus jogadores - particularmente Taarabt, Gil Dias (como é que o Benfica foi buscar este jogador para lateral esquerdo ao Famalicão quando lá estava Rúben Vinagre, e até escolheu primeiro?) e Gilberto - e da falta de eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo que iam surgindo.

Mesmo sem jogar bem, na primeira parte o Benfica dispôs de quatro oportunidades claras para marcar, uma série que se iniciou logo aos 8 minutos com o remate de Taarabt ao poste, e acabou no desperdício Yaremchuk, isolado por um grande passe de calcanhar de Everton, o melhor da primeira parte. E teve ainda um golo anulado por fora de jogo de Gilberto. Teria outro, aos 10 minutos da segunda parte, desta vez a Yaremchuk, tornando-se já no líder dos golos anulados. E das bolas nos ferros!

A segunda parte arrancou com mais uma oportunidade de golo, numa grande jogada individual do Gonçalo Ramos, a que se seguiu a única dificuldade que o Gil Vicente colocou a Vlachodimos em todo o jogo, ao travar com os pés um remate de um adversário isolado. E foi toda ela de sentido único, o da baliza de Kritciuk, que ia defendendo tudo o que havia para defender.

Atravessava o Benfica a sua fase de domínio mais intenso, com o adversário encostado à sua baliza, sem de lá conseguir sair, quando Jorge Jesus, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora,  fez as primeiras substituições - três, João Mário, Pizzi e André Almeida entraram para os lugares de Taarabt, Yaremchuk e Gilberto. Fizeram sentido, só não faziam sentido nenhum porque iam interromper o melhor período do Benfica, o sufoco do adversário que ainda não tinha conseguido. 

Mas a verdade é que João Mário e Pizzi melhoraram a dinâmica de jogo da equipa, e as oportunidades de golo continuaram a surgir, e a ser desperdiçadas. A pouco mais de um quarto de hora do fim o treinador do Benfica esgotou as substituições, trocando o equívoco Gil Dias por Grimaldo, e o entretanto desaparecido Everton pelo regressado Darwin, três meses depois. O golo tardava, ao contrário dos minutos finais, que pareciam cheios de pressa, ao contrário dos jogadores da equipa de Barcelos.

Acabaram por chegar os dois da praxe (sempre dois golos em todos os seis jogos da época), separados por quatro minutos. E que golos. O primeiro, aos 84 minutos, em que Lucas Veríssimo intercepta (sim, isso mesmo!) um remate de Pizzi deixando desde logo Kritciuk, que defendia tudo, irremediavelmente batido. Para, depois, lhe colocar a bola no lado contrário. Inteligência notável, do único jogador das últimas contratações que se tem valorizado (veja-se o que se anuncia de Valdchmidt e Carlos Vinícius, a saírem por valores bem abaixo do seu custo). E o segundo, o do alívio final, em mais uma obra prima de Grimaldo. Que grande golo!

Foi bom enquanto durou

 

Acabou. Foi bom enquanto durou, mas acabou-se. Durou pouco, apenas sete jogos, este jogo de "ses" que, depois das duas últimas jornadas do campeonato, alimentou o remoto sonho do Benfica poder vir ainda a voltar a ser campeão. Se o Benfica ganhasse todos os jogos até ao fim do campeonato, se o Sporting perder mais seis pontos... Se isso acontecesse, e mesmo que o Porto ganhasse todos os outros jogos, no final os três somariam 81 pontos, coisa inédita.
E o Benfica seria campeão. E o Sporting seria segundo e o Porto terceiro.
Com este jogo de hipóteses no ar, e com o desempenho da equipa nos últimos sete jogos, ninguém esperaria que o Benfica hoje entrasse em campo sem a convição de quem queria ganhar o jogo. De quem só poderia ganhar o jogo.
Estranhamente, se é que ainda alguma coisa se estranha neste Benfica,, não foi com esse espírito que a equipa entrou hoje na Luz, na recepção ao Gil Vicente. E acabou o sonho. Até esse mal menor do segundo lugar, de acesso directo à Champions, não passa hoje de uma miragem. E mesmo o terceiro lugar depende agora do que se seguir, onde o mais provável neste momento é voltarmos a assistir ao desmoronar da equipa.
O jogo deixa pouco para contar, para além das consequências de uma derrota que jogadores, em primeiro lugar, mas também o treinador, fizeram pouco por evitar. Começou por ser um jogo sem balizas, o que demonstra a falta de ambição do Benfica. Que convinha ao Gil, bem distribuído no campo todo, e sempre a encontrar espaços para jogar.
O Benfica não pressionava. Nem alto, nem baixo. Simplesmente deixava jogar. E pôs-se a jeito daquilo que antes acontecia, e que pensávamos que faria parte do passado. À primeira oportunidade o Gil marcou, iam decorridos 35 minutos de jogo, sem que o Benfica tivesse sequer efectuado um remate. De resto, na primeira parte o Benfica, o Benfica fez apenas duas espécies de remates. De cabeça, ambos, e ambos sem qualquer sentido.
O Gil Vicente não foi apenas melhor que o Benfica. Foi muito melhor, e nem sequer precisou de caprichar muito, perante um adversário totalmente desinspirado e negligente.
À entrada para a segunda parte Jorge Jesus desfez o trio de centrais (!) , trocando Lucas Veríssimo por Everton, que voltou a não acrescentar nada. Esperar-se-ia que a equipa mudasse de atitude e de qualidade de jogo, e que asfixiasse o Gil, lá atrás. Só que a primeira oportunidade, logo ao terceiro minuto, voltou a pertencer à equipa de Barcelos, e ficou dado o mote. Aos sete minutos surgiu a primeira oportunidade do Benfica, perdida pelo de novo desastrado Seferovic. Mas, cinco minutos depois, consentia nova oportunidade ao adversário.
Depois foi carregar sobre o meio campo adversário, empurrá-lo finalmente lá para trás, mas uma incapacidade absoluta de ultrapassar a sua organização defensiva. Com o futebol do costume. sem dinâmica, sem remates de longe, sem linha de fundo, sem presença e pressão na área adversária, e com passes e recepções errados.
No meio disto, o Gil vai lá à frente e, desta vez à terceira oportunidade, marca o segundo golo. Numa jogada que transmite tudo o que foi a equipa do Benfica, com um único jogador gilista a fugir pela esquerda sem ninguém o acompanhar, a entrar na área com o próprio Otamendi a renunciar a acompanhá-lo até ao fim, e a marcar já e, cima da linha de fundo. Quer dizer, com um ângulo fácil de cobrir pelo Helton Leite. Que não fez uma única defesa, levou dois golos, e poderia ter levado mais.
Claro que, mesmo assim, o Benfica teve oportunidades que poderiam até ter bastado para ganhar um jogo que nunca mereceu ganhar. Se as conseguisse aproveitar. Não conseguiu, e até o golo de honra, a 4 minutos dos 90, teve de ser marcado por um defesa adversário na própria baliza, mesmo que numa tabela na sequência de mais uma boa defesa do seu guarda-redes.
 

A segunda equipa que melhor joga

Benfica vence Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e chega ao Natal no segundo  lugar da Liga a dois pontos do Sporting – Observador

"A segunda melhor equipa a jogar futebol em Portugal" continua com dificuldades. Ganhou, voltou a ganhar, e até não sofreu golos, o que é uma raridade. E por isso continua a ser segunda melhor nesse ranking de qualidade desse jogo jogado de que não percebemos nada.

Dizer que esta deslocação a Barcelos representava mais uma tarefa difícil para esta equipa do Benfica não é sequer um lugar comum. Difíceis têm sido todos os jogos, onde quer que se disputem, e contra qualquer adversário. Todos os adversários sabem que o segundo melhor futebol nacional é aquilo, e sabem como contrariá-lo. O Gil Vicente não era diferente, mais a mais com um treinador que até já tinha jogado com o Benfica, ainda que no tempo em tudo era um pouco novidade.

A primeira parte foi, pois, mais do mesmo. Aquele futebol repetitivo, feito de passes - falhados, muitas vezes - para o lado e para trás, sempre a afunilar, e a esbarrar nas defesas adversárias, sempre a parecer que têm mais jogadores em campo. Com os jogadores do Benfica a regredirem, em vez de progredirem, à medida que o tempo passa, como por exemplo Darwin. Que já não tem nada a ver com aquele jogador excitante que há dois meses rompia, corria, assistia e marcava. Hoje não tomou uma decisão acertada - finalizava quando era para assistir, e assistia quando era para finaliza. Sempre mal, fosse a assistir, fosse a finalizar. E assim se esfumaram as (poucas) oportunidades de golo criadas, sem que causasse grande surpresa que a mais clara situação de golo tenha pertencido ao Gil Vicente.

Só não fica assim contada a história da primeira parte porque, mesmo em cima do minuto 45, aconteceu a expulsão de um dos defesas da equipa de Barcelos, num segundo amarelo que chegou com uns minutos atrasado. Uns minutos e um penalti atrasado.

Cedo na segunda parte se percebeu que nem a superioridade numérica ajudava grande coisa. E foi o Gil Vicente a criar as mais iminentes ocasiões de golo. Aos pares, quer dizer, na ressaca de cada uma surgiu uma nova.

Depois do primeiro par (grande defesa de Vlachodimos, e remate à barra, no canto), logo a seguir, o Benfica marcou. O remate de cabeça de Everton ia para o guarda redes, mas um defesa gilista imitou o avançado benfiquista e replicou o remate. De cima para baixo, colocando a bola definitivamente fora da rota do seu guarda-redes. Estava-se no fim do primeiro quarto de hora, e no melhor período do Gil, que logo a seguir teve novo par de oportunidades para marcar, mas foi o Benfica a voltar a chegar ao golo, pela segunda vez em seis minutos. Este todo de Everton, depois de uma boa jogada, com a bola a chegar à linha final, como tinha sucedido no primeiro golo, e como raramente sucedeu no jogo.

E aí sim. O Gil ficou derrotado, a superioridade numérica ficou então a notar-se, e o Benfica pôde finalmente controlar e dominar o jogo. Então sim, com aquele futebol de passe para trás e para o lado a fazer algum sentido.

Não vão lá muito bem as equipas do melhor futebol em Portugal. A melhor, ontem, só com uma grande ajuda da arbitragem ganhou o seu jogo. À terceira melhor bastava-lhe uma, mas teve duas.

Isto vai bonito, vai...

Hoje era ganhar ... ou ganhar!

 

Era um dos mais importantes jogos desta Liga para o Benfica, este de Barcelos, com o surpreendente Gil Vicente, de Vítor Oliveira. Pelas dificuldades que o Gil coloca aos adversários, especialmente em casa, onde apenas tinha perdido uma vez, num jogo atípico, com o Moreirense. E onde tinha vencido Porto e Sporting. Mas, mais ainda, pelas dificuldades próprias da actualidade do  Benfica, que vinha de quatro jogos sem ganhar e de seis sucessivamente a sofrer golos. 

Pela primeira vez em muitos meses o Benfica entrava em campo sem ocupar o primeiro lugar, e obrigado a recuperá-lo. Não ganhar este jogo significava o adeus à liderança, e muito provavelmente, por muitos jogos que ainda faltem e mesmo que Maio esteja ainda a três meses de distância, o adeus ao título. Porque sabe-se o empolgamento que isso legitimamente daria ao rival do título, e a mossa que um quinto jogo consecutivo sem ganhar, e o rápido esfumar de uma gorda vantagem de sete pontos, faria na equipa.

Hoje não se podia pedir à equipa do Benfica que invertesse o nível exibicional dos últimos jogos, que jogasse bem e que regressasse ao futebol que em Dezembro deslumbrava os adeptos. Hoje exigia-se ao Benfica que ganhasse!

E ganhou. E ganhou bem. Sem mácula, e com justiça. Teve maior domínio  do jogo, mais bola e mais melhores oportunidades de golo, mesmo que não fossem muitas. Mas não jogou bem, é verdade. Mas também não era isso, hoje, que se exigia. Nem poderia ser!

O Benfica entrou bem no jogo, assumindo desde logo o comando das operações. E chegou cedo ao golo, logo aos 15 minutos, por Vinícius, de cabeça, na primeira - se não considerarmos a finalização de Pizzi, logo no início - oportunidade que criou. Que foi certamente a chave do jogo. Muitas das dificuldades da equipa nos últimos jogos, e flagrantemente no da última jornada, com o Braga, nasceram da acentuada quebra de eficácia na finalização.

Com Samaris no onze, o meio campo ganhou segurança e a equipa consistência. E isso foi notório, especialmente na primeira parte, onde a superioridade do Benfica foi mais evidente, mesmo que com poucas oportunidades de golo. Curiosamente a equipa criou mais, e mais claras, oportunidades para chegar ao golo na segunda parte, em que o Gil Vicente dividiu mais o jogo, equilibrando-o durante largos períodos. 

Logo na arranque da segunda parte Carlos Vinícius desperdiçou uma claríssima oportunidade para bisar. A meio da segunda parte, Taarabt abriu o livro e, numa jogada individual espectacular, atirou com estrondo à barra. Pouco antes de sair, esgotado, Vinícius voltou a ser protagonista de mais uma excelente oportunidade e, já na parte final do jogo, foi ainda Cervi, recém entrado para substituir Rafa, a estar perto do golo.

O lado esquerdo da defesa beneficiou muito da presença de Samaris, e hoje esteve  na direita o elo mais fraco. Defensivamente Tomás Tavares passou por muitas dificuldades, mais criadas pelo próprio que pelos adversários. A eficácia do passe melhorou um bocadinho, mas a decisão final, em Pizzi, mas especialmente em Rafa, continua muito abaixo da qualidade aceitável.

Fica a vitória, afinal o que hoje era verdadeiramente inegociável. E a liderança segura por um ponto, até que melhores marés venham.

 

Fraquinho. Viva às atenuantes!

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Vimos habituados a goleadas e a grandes exibições. Hoje, na Luz - não cheia, como habitual, mas com 55 mil nas bancadas -, frente ao regressado Gil Vicente, do excelente Vítor Oliveira nem goleada, nem exibição.

Foi fraquinha, a exibição do Benfica, e curto o resultado (2-0), esta noite. E, ao contrário do que vinha sucedendo, foi sempre a cair. E a segunda parte, habitualmente melhor, foi ainda pior que a primeira. E no entanto as dificuldades colocadas pelo adversário foram bem maiores na primeira que na segunda parte, o que, parecendo que não, aumenta a decepção com a exibição.

A ideia de jogo esteve lá, os processos também, mas faltou velocidade. E quando falta velocidade, cai a intensidade. E sem intensidade, a vida fica bem mais fácil para os adversários. Especialmente quando trazem a lição bem estudada, e defendem bem como, sem surpresa, o Gil Vicente se apresentou hoje na Luz.

É razão para apreensões? Creio que não. Há atenuantes: pior que jogar o jogo imediato ao regresso da paragem para as selecções, só um jogo que sucede a essa paragem e antecede um jogo da Champions. E, se este é o jogo de estreia, pior ainda!

A este contexto, e a esta fraca exibição, acrescem algumas decisões pouco acertadas da parte da equipa, e evidentemente de Bruno Lage. Os dois avançados continuam sem marcar, e sabe-se como isso mexe com a cabeça dos jogadores. E isso deve preocupar o treinador. Por isso, e não por Pizzi ter falhado, teria de ser Raúl de Tomás (parece que os adversários fazem auto-golo só para que os avançados do Benfica não marquem) o escolhido para marcar o penalti logo nos primeiros minutos do jogo. Considero esta falha mais grave do que a questão da posição táctica do espanhol (voltou a ter apontamentos de inequívoca classe) que, mantendo-se a dupla com Seferovic, nunca poderá ser ele o primeiro avançado. 

Com muito menos importância, mas mesmo assim a merecer reparo, foi a  frustrada entrada do miúdo de Peniche. Se a ideia era a de estrear o Tomás na primeira equipa, e na Liga, a substituição não podia ter ficado à espera do minuto 90. 

E sobre o jogo não há mesmo muito para dizer. A não ser que Taarabt voltou a ser o homem do jogo, pela segunda vez consecutiva, no segundo jogo na condição de titular. E acreditar que, a um mau ensaio, corresponda um boa estreia!

 

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