Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020)

Esteve sempre à frente do seu tempo. Foi ecologista muito antes de surgirem os verdes. Propagandeou a natureza, e os seus equilíbrios, únicos e insubstituíveis, antes de surgirem os ambientalistas. Não se cansou de alertar para os atentados a esses equilíbrios que se espalhavam por todo o lado, ao sabor da ignorância, mas também dos interesses mais obscuros. Denunciou o urbanismo selvagem, e defendeu a ruralidade e a agricultura. Defendeu a paisagem como se de um direito se tratasse. O direito à paisagem...
Tudo o que de positivo se fez no ordenamento do território tem o seu dedo.
O Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que ontem nos deixou aos 98 anos, foi tudo isto, e teve ainda tempo para se dedicar à actividade política e de, aí, ser também exemplo. Com a mesma higiene de princípios, e com a mesma verticalidade.
Sem ele, Portugal seria hoje um país bem pior!