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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quem com ferros mata...*

Resultado de imagem para greve dos motoristas de materiais perigosos

 

O país está à beira da anunciada greve dos motoristas dos transportes de mercadorias, que deveria replicar, com mais impacto ainda, a do passado mês de Abril. Pelo que se vai percebendo é muito baixa a probabilidade de ser evitada...

As greves são sempre impopulares, mas esta é-o ainda mais, como toda a gente percebe. Destinam-se a fazer valer reivindicações e, como tal, quanto mais impacto tiverem maior é o seu poder reivindicativo. Quando uma greve não provocar danos, ou não produzir desconforto, deixa de fazer sentido.

Acresce que, formalmente, ninguém questiona o direito à greve. É tido por direito fundamental dos trabalhadores, e a greve a principal arma de que dispõem quando os conflitos esgotaram as vias do diálogo e da negociação. O seu uso, como o de qualquer arma, poderá ser desproporcional.

É o que se diz desta que aí vem, convocada por sindicatos que saem fora do sindicalismo clássico, dito orgânico, de aqui falei há bem pouco tempo.

Como se esta greve não fosse já suficientemente impopular, o poder político tratou de lhe agravar a escala, fazendo-a passar de impopular a intolerável. Tratou, de resto, de fazer o mesmo do que foram acusados os promotores da greve: usar a proximidade das eleições.

Fazer frente a uma greve impopular é, obviamente - até por definição - popular. Em cima das eleições tudo o que seja popular é ouro. É oportunidade imperdível.

Por isso o governo deitou fora qualquer tipo de pudor e, em jeito de início de conversa, tratou de transformar serviços mínimos em praticamente serviços máximos, abafando por completo um direito que continua a dar por fundamental e sagrado. E vamos ver o que ainda falta ver…

Por cima de toda esta hipocrisia lá vem o velho ditado: “quem com ferros mata, com ferros morre”. Uma greve que quis matar com a proximidade das eleições, acabará morta pela proximidade das eleições.

As condições de trabalho e os salários destes trabalhadores, parte integrante da fileira de um dos mais produtivos e rentáveis sectores da economia nacional, que gera e distribui milhões por todo o lado, e em especial pelo Estado, e a forma como aqui se chegou, é outra coisa. E fica para a próxima.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

O negociador

Capa Público

 

Os jornais de hoje saíram para as bancas traídos pela realidade. Todos optaram por encher a primeira página - dividida com o grave acidente na Madeira - com a greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas ... Que já acabou.

Olhar para as capas dos jornais com os piores cenários de qualquer coisa que já não existe soa a estranho. E não prestigia nada a imprensa, que deixa a ideia de dar tudo por uma má notícia. Por uma certa ânsia do quanto pior, melhor.

Não fosse isso e talvez tivessem levado em conta que quando o governo saca Pedro Nuno Santos da manga para negociar não há nada que não se resolva. E depressa!

O país numa selfie

Resultado de imagem para filas nas bombas de gasolina

 

 

Dificilmente encontraremos melhores fotografias do país que somos que estas que desde ontem podemos captar nas imediações dos postos de abastecimento de combustíveis. Se olharmos com atenção, no caos que se instalou nas bombas de gasolina estão lá as imagens do país que vivemos.

Uma greve convocada por um sindicato com três ou quatro meses de vida, com um universo de 800 associados, na leva de um novo sindicalismo que passa ao lado das velhas estruturas, ou a imagem que mostra com toda a nitidez que, para garantir paz social, hoje, ao governo, já não basta ter o PCP no bolso. Sim, há profissões com 800 profissionais que contam. Que podem parar o país, e ninguém sabia disso.

Profissionais com salários de 650 euros mensais. Que chegam aos 1.400 ou 1.500 líquidos, dizem os respectivos patrões. O triplo do vencimento base, por força dos subsídios de refeição, dois por dia, porque a tanto o obrigam as horas que se esticam pela jornada de trabalho, dos subsídios de risco, e todo o tipo de ajudas de custo geridas à medida de cada um, na imagem de um país "uberizado".

A imagem de um governo de calças na mão, à beira de eleições, a perguntar pelo que mais lhe irá acontecer...

E finalmente a imagem do velho espírito tuga, captado no seu melhor num dos infinitos directos das televisões: "já estive ontem na fila e atestei, mas como ontem ainda acabei por gastar uns 20 euros, hoje venho atestar outra vez"...  

 

 

 

Hoje é dia de luta e do mais justo e urgente de todos os protestos

Imagem relacionada

 

Hoje é dia de protesto dos jovens. Hoje é dia de greve às aulas... pelo clima. Não é contra os professores, nem contra o ministro. É contra todos nós. É um protesto pelo estado em que lhes estamos a entregar o planeta. Pela indiferença com que temos encarado e continuamos a encarar as alterações climáticas que  dramaticamente lhes acabam com o futuro. Que é deles, mas cada vez menos lhes pertence.

Tudo começou há pouco mais de seis meses, com uma miúda sueca de 16 anos, Greta Thunberg e com a mais inquietante das suas interrogações: “porque hei de preparar-me para um futuro que pode não existir?”

A partir daí não parou de inquietar o mundo, e é hoje uma das mais fortes candidatas ao Prémio Nobel da Paz (sim, Mr Donald Trump). Que o seu exemplo seja hoje replicado. Em Portugal e por todo o mundo!

Realidade desfocada*

Imagem relacionada

 

Temos todos a impressão que o país está a atravessar uma maré alta de agitação social, com uma onda de greves a níveis nunca antes atingidos.

Esta é a percepção que temos, e que temos por indiscutível. Antes de percebermos se esta percepção sensorial tem ou não correspondência com a realidade, convém que percebamos por que é que a temos, e com tamanha convicção.

Temo-la, em primeiro lugar, porque raramente as greves tiveram uma concentração temporal como agora. As greves existem para causar problemas, para introduzir disfunções nos sistemas, para provocar incómodo social, se não o fizerem não têm eficácia. A percepção que delas temos é tanto maior quanto mais perturbação conseguirem introduzir. E tanto maior ainda quanto mais concentradas no mais pequeno espaço de tempo. Como está a acontecer.

Quanto mais perturbadoras e mais concentradas, maior impacto têm na comunicação social, que mais amplifica ainda essa percepção, num inquebrável ciclo vicioso.

A verdade é que, nem de perto nem de longe, esta percepção encontra correspondência na realidade. Nos últimos 14 anos, de 2005 até agora, houve em média 876 pré-avisos de greve por ano. O recorde foi atingido em 2012, com 1895 pré-avisos de greve, mais do dobro da média, seguido de 1534, no ano seguinte, em 2013, em pleno período da troika, e no auge do governo anterior. No sentido inverso, os três anos com os mais baixos pré-avisos de greve são 2009, com 376, 2016 com 488 e, veja-se bem, 2018. Nem mais, neste ano que nos querem apresentar como surpreendente, terrível e nunca antes visto, até Novembro, foram apresentados 518 pré-avisos de greve. Pouco mais de metade da média dos últimos 14 anos!

Então, se as coisas são assim, por que é que continua a fazer caminho uma ideia tão distante da realidade?

Pela mesma razão porque são lançadas todos os dias notícias falsas, ou manipulados oportunisticamente determinados factos. Porque simplesmente há quem tenha interesse nisso…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Convidada: Joana Louro

Foto de Joana Louro.

 

  

Estou de greve porque sou e serei sempre uma apaixonada pela minha profissão! E amor, paixão só rima com RESPEITO. E respeito é coisa que não se tem visto...

Estou de greve pelos Doentes! Que merecem uma medicina de excelência! Uma excelência que os sucessivos governos têm estado a destruir!

Estou de greve pelo meu hospital e pela minha cidade! Que merece um hospital de qualidade e profissionais motivados e com condições para fazer o seu trabalho

Estou de greve pelo meu país! Que construiu um SNS digno, justo, inigualável, e de reconhecimento internacional! Um SNS que está agora a ser vítima de um cruel homicídio!

Estou de greve pelas minhas FILHAS! Que têm direito a ter uma mãe... que é médica... e que trabalha no limite do risco... no limite do cansaço... no limite do abismo... onde o “erro” acontece...por condições que ultrapassam a dignidade humana e profissional! E essa mãe no final do dia... chega a casa...

Estou de greve pelas minhas FILHAS... que têm direito a cuidados de saúde no SNS!

Estou de greve pelos meus pais... pela minha avó!! Que espero que nunca sejam doentes, mas que seguramente um dia serão...

Estou de greve pelas minhas INTERNAS... que um dia serão especialistas... brilhantes especialistas... e que quero que continuem neste país, nesta cidade e neste hospital... e que um dia orientem os seus internos com o mesmo encanto e determinação que eu tento fazer... perpetuando um ciclo que faz da medicina uma profissão única de entrega e dedicação!

Estou de greve pelos meus professores, orientadores... que não mereciam assistir a esta degradação...

Estou de greve por todos os colegas... e pela nossa saúde... que todos os dias dão tudo o que podem pelos seus doentes... e que fazem diariamente tanto... com tão pouco! São o exemplo vivo que sim! Fazemos omeletes sem ovos!!

Estou de greve pelas horas que os doentes esperam numa sala de estar de urgência! Porque recuso-me a ser conivente com o trabalho médico não qualificado! E com a contratualização através de empresas, num arraste cíclico preverso.

Estou de greve porque estudei e continuo a estudar muito, com dedicação, entrega, paixão... E aprendi que o esforço e o trabalho devem ser reconhecidos!

Estou de greve porque SER MÉDICO não é uma profissão, é uma forma de ser e de estar! Mas não é uma escravatura...

Estou de greve porque estou farta de mentiras! Farta de desrespeito! Farta deste ministro e do que está a fazer ao SNS... e já agora farta deste jornalismo falso, manipulado e manipulador.

E também estou de greve porque o meu ordenado é uma miséria!! E não tenho pudor em afirmá-lo! Bem longe dos valores que querem passar para a opinião pública... bem longe MESMO!

Estou de greve porque sou médica de alma e coração... e às vezes já me falta a alma e o coração. E sim também me apetece bater com a porta e partir para o sector privado. Mas não vou porque ACREDITO NO SNS.

Estou de greve por MIM. Porque sou médica, mãe, filha, utente e cidadã!

ESTOU DE GREVE PELO MEU/NOSSO SNS

ESTOU DE GREVE PELA QUALIDADE DOS CUIDADOS DE SAÚDE!

ESTOU DE GREVE PORQUE ACREDITO!

ESTOU DE GREVE PORQUE TENHO DE ACREDITAR E SONHAR COM O RENASCER DO SNS...

... “E Sempre que um homem sonha... o mundo pula e avança...”

Uma greve difícil de perceber. Ou talvez não...

 

 

A Autoeuropa está parada. Os trabalhadores estão em greve.

A Autoeuropa é uma parte significativa da economia nacional. O novo modelo que vai produzir - lembram-se do que foi feito para assegurar a sua produção na fábrica portuguesa? - representa 24% das exportações de um ano.

Tivéssemos no país 10 "Autoeuropas" e Portugal seria uma das grandes economias mundiais e uma das mais competitivas. Mas seria também um país mais desenvolvido, e uma sociedade mais equilibrada. A Autoeuropa promove mais riqueza, mais competitividade e melhor emprego. Emprego de qualidade.

Imagino que trabalhar na Autoeuropa seja um motivo de orgulho para os seus trabalhadores. Foi sempre essa a ideia que o carismático líder da Comissão de Trabalhadores da empresa, António Chora, nos deixou. Os trabalhadores gostam de ser reconhecidos, mas também gostam de ser produtivos, e de perceber a dimensão da sua participação no colectivo que somos. 

Não quer isto dizer que a Autoeuropa seja imune a qualquer espécie de conflitualidade laboral. Houve dificuldades em muitas ocasiões, mas nunca deixou de ser um exemplo de paz laboral e diálogo social.

Não percebo esta greve. Não fosse ela acontecer logo depois da saída para a reforma do presidente da Comissão de Trabalhadores, não fosse ela surgir num contexto de alteração da relação de poder entre os sindicatos e aquele orgão de representação dos trabalhadores, diria que é imitação minha. Assim,  talvez não...  

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