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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

E no fim... uma delícia!

V. Guimarães-Benfica, 0-1 (crónica)

 

Foi bem difícil este segundo jogo de Guimarães em três dias. Como se esperava mas, se calhar, diferente do que se esperava. Até porque o jogo foi completamente diferente do que selara a passagem do Benfica às meias-finais da Taça, há apenas três dias.

Ambas as equipas mudaram alguns jogadores, mas por razões perfeitamente inversas. O Vitória porque recuperou lesionados (André André) e castigados (Tozé), o Benfica porque perdeu, por lesão, Fejsa e, por castigo, Rúben Dias. Às balizas de ambas as equipas regressaram os habituais titulares no campeonato e, ao Benfica, regressou (?) Castillo, a preencher a quota de surpresas que Bruno Lage tem reservado para cada jogo, para o lugar de Seferovic. 

O Vitória apostou numa equipa mais subida e na dimensão física do jogo, muito forte nos duelos individuais e muita rasgada na disputa de todas as bolas. E com isso criou bastantes dificuldades ao Benfica durante muitas partes do jogo, especialmente na segunda parte. Mesmo assim, e passados os primeiros dez minutos, na primeira parte o Benfica foi quase sempre melhor, com mais bola e mais remates, sete contra quatro, mesmo sem grandes oportunidades claras de golo.

Na segunda parte o Vitória reforçou a agressividade e a pressão alta, e na verdade esteve mais por cima do jogo. Essa dinâmica entusiasmou os jogadores vitorianos, e criou-lhes a sensação de que poderiam ganhar o jogo. Acabaria por lhes ser fatal. Bruno Lage mexeu bem na equipa, lançando Seferovic e o regressado Rafa, e começou a aproveitar o espaço que a equipa vimaranense deixava nas costas da sua defesa, virando decisivamente os dados do jogo.

Quando aos 80 minutos Seferovic fez o golo, numa belíssima jogada de futebol que passou por um passe sensacional de Gabriel, já o Benfica tinha deixado sérios avisos do que estava para vir, incluindo duas jogadas de golo erradamente anuladas pela equipa de arbitragem por foras de jogo inexistentes. O Vitória sentiu o golo e, em vez de uma equipa de futebol, pouco mais foi que onze jogadores de cabeça perdida. Onze, porque o árbitro Tiago Martins, também ele, e apesar da juventude, um velho conhecido, permitiu que André André permanecesse em campo depois de, consecutivamente, na mesma jogada, completamente de cabeça perdida, se ter aplicado os pitons nos pés e nas pernas de João Felix e André Almeida. Foi ao minuto 84, e se na primeira entrada sobre o miúdo nada assinalou quando, no segundo seguinte, atingiu André Almeida, mostrou amarelo a ambos!

Teve que ser Luís Castro a fazer o que Tiago Martins devia ter feito, tirando-o do jogo logo a seguir. Mas fazendo entrar outro, naturalmente.

Fica mais uma vitória a alimentar a crença, e a certeza que há treinador. Esta é uma vitória com muito dedo de Bruno Lage. Na estratégia (Castillo não decidiu, mas cumpriu com as tarefas que lhe destinou), na forma como especialmente Gabriel, mas também Samaris, foram importantes no jogo, na forma como corrigiu os jogadores ao longo do jogo e, finalmente, nas substituições. Decisivas!

E, depois, no fim, é uma delícia ouvi-lo falar do jogo. Sem rodriguinhos nem frases feitas, apenas a explicar aquilo que aconteceu. E o que todos vimos!

Mixed feelings

Benfica 'compra bilhete' para as meias-finais da Taça de Portugal em Guimarães

 

O Benfica iniciou hoje com sucesso, em Guimarães nos quartos-de-final da Taça de Portugal, aquele ciclo diabólico que estava reservado como presente de boas-vindas ao seu novo treinador. Nada mais, nada menos, que dois jogos consecutivos no berço da nacionalidade, com o Vitória Sport Club, outro com o Porto, em Braga nas meias-finais da Taça da Liga e, logo depois, a visita a Alvalade. Pelo meio, o jogo com o Boavista, na Luz, que é sempre duro…

Uma espécie de baptismo, com fogo em vez de água!

Já que coloco Bruno Lage no centro desta abertura, para caracterizar este jogo, recorro a um termo que já se percebeu que o treinador do Benfica usa com frequência: feelings. O terceiro jogo de Bruno Lage deixa-nos uma sensação de mixed feelings.

Não era, nem foi, um jogo fácil. E talvez isso talvez justifique esses sentimentos, mas o jogo mostrou-nos, na primeira meia hora, o Benfica de Bruno Lage, na segunda – abrangendo o último quarto de hora da primeira parte e o primeiro da segunda -, um Benfica híbrido, sem a exuberância do melhor que se lhe vira nos dois jogos anteriores, mas com a segurança aí revelada. Na terceira e última meia hora, o jogo acabou a mostrar um Benfica pouco distinto dos últimos jogos com Rui Vitória.

Valeu que a insegurança defensiva, que tanto tinha assustado no primeiro jogo de Bruno Lage, com o Rio Ave, esteve sempre afastada do jogo. Ou que a qualidade de jogo do Vitória tenha sido traída pela qualidade dos jogadores vitorianos…  

Repetindo, com alguma surpresa, a equipa dos Açores (de novo apenas Svilar, o dono da baliza na Taça), na primeira meia hora o Benfica jogou muito bem, com João Félix endiabrado, e todos os restantes jogadores em bom nível, mesmo com Seferovic uns furos abaixo. Ainda com Fejsa em campo a qualidade do jogo começou a cair mas, com a sua substituição por Samaris (um regresso que se saúda, mas não está, nem poderia estar, em condições de fazer melhor) ao intervalo, o Benfica foi perdendo progressivamente o controlo do jogo.

É certo que a vitória e o apuramento para as meias-finais nunca pareceram seriamente ameaçados. O Vitória não dispôs de uma única oportunidade de golo, mas na última meia hora mandou na partida e produziu muita quantidade de jogo. Com outra qualidade, as coisas ter-se-iam complicado!

Bruno Lage usou as substituições para poupar jogadores (Fejsa e Zivkovic) para a réplica de sexta-feira, e ficou apenas com uma para interferir no jogo. E foi já tarde, nos últimos 10 minutos, que a utilizou. Gedson (para o lugar de Pizzi) deveria ter entrado bem mais cedo!

O credo em vez da "abada"

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Testemunhei pela primeira vez o pontapé de saída do campeonato, o primeiro golo e o primeiro hat-trik. É verdade, nunca me tinha acontecido. Não me lembro de alguma vez ter assistido ao primeiro jogo do campeonato, calhou desta vez.

Com honras de abrir a competição, o Benfica fez questão de entrar bem. E entrou!

Tão bem que aos 10 minutos já ganhava. À primeira oportunidade fez o primeiro golo. O tal primeiro golo do campeonato, a que eu nunca tinha assistido ao vivo. Melhor não poderia começar. Ainda mais por ter nascido num miúdo que já nasceu dez vezes, no Gedson, a nova coqueluche benfiquista. E por ter tido Pizzi por autor, um mal amado.

Não tardou muito, o segundo. Mas entre um e outro, o Vitória Sport Clube, como os de Guimarães gostam que lhe chamem (mesmo que aquelas dezenas de adeptos que se deslocaram à Luz se tenham portado deveras mal, e não mereçam qualquer aceno de simpatia) poderia ter marcado, num acidente de Fejsa, que perdeu uma bola que acabou no poste direito do Odysseas Vlachodimos (temos que arranjar um nome mais popular ao rapaz; desde que não seja Roberto qualquer coisa serve), na recarga a uma boa defesa do alemão que se viu grego, logo a seguir a Facundo Ferreyra ter falhado o penalti que deveria ter feito chegar o segundo bem mais cedo.

Para falhar penaltis já cá tínhamos muita gente, pensou-se na Luz, com mais de 55 mil nas bancadas. Porque foi mesmo falhado, não foi nenhuma grande defesa do brasileiro Douglas. Grandes foram depois as duas defesas às duas recargas.

À meia hora de jogo lá chegou então o segundo, numa boa jogada pela direita, com um passe de classe (de vez em quando o André Almeida também sabe fazer isso) para o bis de Pizzi fazer esquecer o Ferreyra. E oito minutos depois, agora numa jogada pela esquerda, Grimaldo centrou rasteiro, o ponta de lança argentino fez o melhor que conseguiu em todo o jogo, mesmo que isso tenha sido apenas abrir as pernas e deixar passar bola, e lá voltou Pizzi a metê-a na baliza. Fazendo esquecer Jonas. Ou não!

Sem Jonas, nem qualquer explicação para o que se está a passar (se o jogador tem contrato, não se percebe por que não joga, nem por que não renovou, quando é ele o mais interessado na renovação, nem por que não sai, nem coisa nenhuma), sem Ferreyra, a quem a bola nunca chega (mas também ele nunca chega onde ela está), valha-nos o Pizzi a marcar golos. Marcou mais hoje, no jogo de abertura, que em todo o campeonato anterior!

Os jogadores do Vitória estavam então perdidos. Não faziam a mínima ideia do que lhes estava a acontecer, e estavam á mercê do golpe de mericórdia que o Benfica não soube dar. Percebia-se que ansiavam pelo intervalo como um condenado por um último desejo.

A bola voltou ainda a entrar na baliza vimaranense, numa recarga em fora de jogo a mais um golo negado pelo guarda-redes Douglas. A Luz festejou o quarto, mas não contou. E o intervalo salvador lá chegou, quando o Benfica poderia estar a repetir a goleada de há duas épocas, na jornada da festa do tetra, mesmo que longe, bem longe mesmo, da qualidade de então. 

O Vitória, já sem Ola John - continua sem nos desiludir - não entrou bem para a segunda parte, e o Benfica continuou a dominar o jogo sem quaisquer dificuldades. Mas naquela maneira muito à Rui Vitória de adormecer o jogo. Aquele jogo muito pausado, de passe para o lado e para trás e, de vem em quando, um safanãozinho.

E aconteceu aquilo que muitas vezes me acontece a adormecer o meu neto: adormeço eu primeiro. O adversário estava quase a adormecer, e os adeptos também. Mas quem acabou por adormecer primeiro foi mesmo o Benfica. A saída do Fejsa acabou com o resto.

E em cinco minutos, à entrada do último quarto de hora, com tudo a dormir e sem Fejsa, os vimaranenses fizeram dois golos, deixando a Luz em pânico, já bem acordada ao som de todas as sirenes.

Faltavam 10 minutos - foram 13 - e temeu-se o pior. Valha que durante todo esse tempo o adversário não incomodou muito, não criando sequer qualquer calafrio. Mas que a Luz suspirou de alívio quando o árbitro (não falei dele, pois não?) apitou pela última vez, lá isso suspirou.

E pronto. Foi assim que o Benfica começou o campeonato que se deseja do 37, com um ano de atraso. Assim, com um jogo que em vez de ter acabado com uma abada das antigas, acabou com a Luz de credo na boca. E com muitos fantasmas!

Letra de cor

Benfica-V. Guimarães, 2-0 (destaques)

 

Não foi nada fácil, este primeiro jogo das últimas sete finais. Cada vez mais será assim, jogos difíceis onde o que importa é ganhar. Gostaríamos que fosse de outra forma, que as últimas exibições se repetissem sucessivamente, com os mesmos resultados, mas sabemos que não vai ser assim. Porque tudo aperta, e na hora do aperto...

A Luz estava bonita, como sempre, e o Benfica entrou bem no jogo. Com ritmo, muita bola, muita variedade naquele jogo de toca e foge, de muita tabela e muita desmarcação. O Vitória (de Guimarães) foi-se aguentando, muito recuado, com as linhas muito juntas, e com muita dinâmica defensiva - também há dinâmica a defender, não é só a atacar. E à medida que o tempo ia passando - é dos livros - foi ganhando confiança e, com ela, começou a aventurar-se por terrenos mais adiantados. De tal forma que lhe pertenceu o primeiro canto do jogo. E depois o segundo, e o terceiro e o quarto...

Quer isto dizer que o Vitória começou a superiorizar-se e a criar perigo junto da baliza de Varela? Não. De maneira nenhuma!

Quer apenas dizer que, embora dominado, nunca foi asfixiado. Que o domínio do Benfica era evidente, mas o ritmo era intermitente e, nessas intermitências, o Vitória, que nunca foi submisso, esticava o jogo. E a  partir de metade da primeira parte o jogo do Benfica começou a revelar uma pressa que o levou a perder fluência. Passes longos, e de maior risco, em vez de transporte de bola e de tabelas rápidas, começavam a ser características de um jogo que começava a não correr bem.

Estávamos nisto quando, ao terceiro canto favorável ao Benfica, surgiu o penalti que daria no primeiro e decisivo golo. Quando o defesa João Aurélio, na área, desviou com a mão uma bola a que Jonas não chegara e que iria acabar por sair pela linha de fundo. Toda a gente viu, menos o árbitro, Carlos Xistra. O  VAR também viu e e contou-lhe o que viu. Ou, no mínimo, aconselhou-o a ir também ver. Foi o que fez, e a partir daí fez o que só podia fazer - assinalar penalti. Que desta vez Jonas converteu de forma irrepreensível, quando faltavam dois minutos para o intervalo, que deixaria para trás uma primeira parte de grande domínio (68% de posse de bole) mas poucas oportunidades de golo. Duas, apenas ...

Para a segunda parte o Benfica atacava para a "baliza grande" - sempre que escolhem campo os adversários decidem contrariar a crença benfiquista - e esperava-se mais e melhor. Tudo prometia ser assim, com uma entrada fortíssima. Nos primeiros cicno minutos, três grandes oportunidades de golo, duas delas de Grimaldo, que justificava já o estatuto de melhor em campo.

Foi sol de pouca dura porque... aí está. São este jogos assim. Se a bola não entra, se os jogadores começam a perceber que não é dia sim, activam outro comando para o plano de jogo. E ao fim do primeiro quarto de hora da segunda parte já o jogo estava tão incaracterístico quanto estivera na maioria do primeiro tempo. Com a agravante de Fejsa ter sido amarelado muito cedo - ficando à beira de supensão, tal como Jardel, mais tarde - num jogo muito exigente para a sua posição.

A entrada de Raul Jimenez, aos 69 minutos e talvez tardia, ajudou a arrumar com o jogo. Aos 77 minutos, num fantástico passe de letra - não havia alternativa para aquela bola, mas isto é só para quem sabe a música (e a letra) de cor - colocou a bola na cabeça de Jonas, para fazer o segundo golo e fixar o resultado final. Curto, face às oportunidades de golo apesar de tudo criadas - Zivkovic falharia, aos 85 minutos, a mais flagrante de todas - e face ao domínio exercido (72% de posse de bola, no final) mas aceitável face às dificuldades do jogo. E do momento!

E, por falar em momento, talvez este fosse o melhor para a pior exibição deste ano. Porque este deve mesmo ter sido o jogo mais fraco do Benfica deste ano de 2018, se é que, com uma letra daquelas, se pode dizer isso.

Nada como dantes!

 

Nada como dantes. O Benfica surgiu em Guimarães, para um jogo decisivo, completamente diferente daquilo que tem sido nos últimos largos tempos. 

Tacticamente diferente, com um 4x3x3 que há muito não se via. O Benfica, especialmente nos jogos da Champions, com o Manchester United, tinha já abandonado o 4x4x2 herdado de Jorge Jesus - que Rui Vitória tivera de recuperar logo no arranque da sua primeira época, quando as coisas também não estavam a correr bem - e passado a jogar em 4x3x3. Só que esse era um 4x3x3 de tracção traseira, era um modelo táctico montado para introduzir mais uma peça no meio campo com os olhos postos no reforço da consistência defensiva.

O que hoje apareceu em Guimarães foi o mesmo modelo mas virado para a frente. Com os olhos postos na baliza contrária, montado para atacar, não para defender. E aquilo que era um jogo previsível, com a bola invariavelmente a morrer na meia lua dos adversários, que já todos sabiam como anular, deu lugar a um jogo com mais espaços e muito mais intensidade.

O golo, o 13º de Jonas, voltou a surgir cedo - assinalava o relógio 21 minutos mas, de jogo, por força da interrupção logo aos 4 minutos por desacatos numa das bancadas vimaranenses, pouco mais de dez. E não produziu os efeitos habituais, de desligar a equipa, que esteve sempre por cima durante toda a primeira parte. Criou mais duas oportunidades de golo, sem que o Vitória fizesse sequer um remate à baliza de Svilar.

Na segunda parte o Vitória subiu linhas, aumentou a agressividade na disputa da bola e praticamente abdicou do meio campo para se entregar ao jogo directo. Foi assim praticamente durante toda a primeira meia hora, com mais bola, mais intensidade, mas pouco mais. À entrada do último quarto de hora o Benfica pôs fim a esse estado de coisas, com dois golos em três minutos.

Com o jogo fechado e completamente dominado, a 4 minutos dos 90, reapareceu o Benfica desconcentrado - provavelmente pela indefinição que as duas últimas substituições introduziram na equipa - que permitiu ao Vitória marcar um golo e desperdiçar ainda uma grande penalidade.

Foram meia dúzia de minutos que retiraram brilho e expressão a uma grande vitória num jogo que o Benfica não podia deixar de ganhar. E que esperemos não tenham consequência na retoma que se deseja, e que agora parece começar a ganhar sustentação. Mesmo com esse apagão final, neste jogo nada foi como dantes!

 

 

 

 

TETRA. Fez-se História!

"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. pela primeira vez.

Benfica vs Vitoria de Guimaraes

 

"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. Pela primeira vez.

E fez-se História, a 13 de Maio, na Catedral da Luz... pouco depois de o Papa Francisco ter abandonado solo português. Com o 36, o TETRA! E fez-se festa. Faz-se a festa. E vai continuar a fazer-se festa, pela noite fora, no Marquês. E durante toda a semana, pelo país fora.

Mas primeiro foi preciso jogar. Com o Vitória Sport Club, uma das melhores equipas do campeonato, no seu melhor momento da época. A quarta. A segunda mesmo, no campeonato dos jogos fora, só atrás do Benfica. E ganhar, mas ganhar com tudo: com golos, cinco que bem poderiam ter sido o dobro; e com a melhor exibição da época.

Guardado estava o bocado... E o Benfica tinha mesmo guardado o melhor bocado da época para este momento único da conquista do TETRA. Para que na memória de todos se não apaguem as imagens do futebol brilhante que selam esta conquista histórica. Se alguém viu melhor futebol esta época em Portugal, que se levante e fale. Se não, que se cale para sempre... No que respeita à justiça deste título, evidentemente!

Quando não podia falhar, o Benfica não falhou. Mas fez mais e melhor: foi categórico e brilhante. Absolutamente brilhante!

A primeira parte foi um autêntico hino ao futebol. Aos 11 minutos; à segunda oportunidade, o primeiro golo. De Cervi, numa recarga a uma excelente defesa, do também excelente Douglas, ao remate de Jonas, que culminara mais uma grande jogada de futebol. Cinco minutos depois, numa sensacional assistência de Ederson (a jogada faz parte do cardápio de soluções do Benfica, mas "estava escrito" que hoje é que era o dia de resultar), Jimenez fez o segundo. 20 minutos mais tarde, depois de Jonas, por duas vezes ter permitido que o guarda-redes adversário lhe roubasse o golo, Pizzi, na mesma posição e numa jogada fotocopiada das outras duas, mostrou como se fazia. E foi o terceiro. E logo a seguir Jonas redimiu-se dos golos falhados e marcou, de forma portentosa, num chapéu fantástico, o quarto. Sempre com os jogadores do Vitória perdidos, sem saberem onde se haviam de encontrar no meio daquele turbilhão de futebol em que se viram metidos.

Na segunda parte o jogo não foi muito diferente, pesem as alterações que o treinador Pedro Martins promoveu na equipa. Não havia muito a fazer. Pouco mais que proteger-se como pudesse do temporal de futebol que assolou hoje a Luz. 

Só deu mais um golo, é certo. De Jonas, de novo, e agora de penalti. Mas isso foi apenas porque o acaso, o poste, o guarda-redes e os defesas do Vitória não permitiram que as sucessivas oportunidades de golo fossem bem-sucedidas.

E agora vamos para o Marquês, que se faz tarde.

Tudo se repetiu sem que nada se tivesse repetido

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No regresso ao D. Afonso Henriques, desta vez para disputar o acesso às meias finais da Taça da Liga, o Benfica repetiu apenas três jogadores da equipa que aí apresentara três dias antes: os dois laterais - Ruben Semedo e André Almeida - e Pizzi.

Repetiu o resultado, a vitória por 2-0, e até o timing dos golos. E repetiu ainda o quadro geral do jogo: domínio absoluto na primeira parte, e controlo do jogo e do resultado na segunda.

Mas nada mais se repetiu. O domínio da primeira parte foi muito mais acentuado, e a exibição, nesse período, foi bem mais exuberante e assente em nouances de jogo substancialmente diferentes. Desta vez Rui Vitória optou por um ataque móvel, entregue a Gonçalo Guedes (dois golos em duas jogadas colectivas absolutamente perfeitas) e a Rafa, envolvidos por Carrillo - finalmente a mostrar que também ele pode ser mais um reforço de inverno - e Zivkovic. E o que se viu chegou a ser deslumbrante. Não fosse a indisfarçável má relação de Rafa com o golo, o penalti desperdiçado por Pizzi, logo aos 11 minutos, e a soberba exibição do jovem guarda-redes do Vitória (não se percebe por que o Miguel Silva não é o titular da baliza, mas o Pedro Martins terá razões que a razão desconhece) e o resultado ao intervalo teria sido altamente punitivo para a boa equipa de Guimarães,

E foi assim, com uma primeira parte fulgurante, a lembrar Arouca, aqui há uns meses, que o Benfica garantiu a participação na inédita final four, no Algarve, lá para o fim do mês, e a possibilidade de discutir um título que apenas por duas vezes lhe fugiu, numa competição desenhada para ser ganha pelos grandes do futebol nacional.

Os primeiros quatro classificados do campeonato são os cabeças de série. E para que as meias finais não escapem aos mais fortes, jogam em casa dois dos três jogos de cada grupo de apuramento. Os mais pequenos jogam apenas um.

O Benfica jogou em casa com o Paços e com o Vizela, ambos apenas com um jogo em casa. O Vitória fez o seu jogo fora no único jogo em casa do Vizela. O Benfica fê-lo em Guimarães. o que quer dizer que, dos quatro grupos, coube ao Benfica o adversário mais cotado. E coube-he jogar fora contra o adversário mais cotado.

Contando por vitórias os jogos disputados, com 8 golos marcados e nehum sofrido, o Benfica é o único dos três grandes que vai discutir o título. Os outros, como se sabe, foram afastados pelos árbitros. O Porto, com dois pontos, conquistados nos dois jogos em casa. O Sporting com seis pontos, com duas vitórias por 1-0 nos dois jogos em casa, com o Varzim e com o Arouca!   

E por isso, como sabemos, a Taça da Liga não tem importância nenhuma... Nem devia contar como troféu!

 

Resposta à altura

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A 16ª jornada levou o Benfica a Guimarães para disputar um jogo que é já um clássico do futebol nacional, sempre aguardado com grande expectativa, e sempre difícil. Desta vez talvez mais, ainda. Porque o Vitória está bem lá em cima na tabela classificativa, lado a lado com o Sporting, no quarto lugar. Porque atravessa uma fase excelente, tem uma boa equipa, muito bem orientada e a jogar bem. E porque a semana, como sabemos, foi bastante complicada, criando um ambiente muito crispado à volta do Benfica, que nada tinha a ver com o que se passava.  

As expectativas não sairam frustradas: foi um grande jogo de futebol, onde o Benfica não entrou bem. Nos primeiros dez minutos sucederam-se muitos passes errados, levando o Vitória a recuperar a bola com grande facilidade e a partir com grande frequência para o ataque. Para agravar as dificuldades, e para que nada se estranhe nesta caminhada do Benfica, perdeu bem cedo Fejsa, por lesão. Mais uma! 

A primeira grande oportunidade de golo acaba por surgir mesmo ao minuto 10, e para o Benfica, E o jogo mudou. Os passes passaram a sair no tom, e o Benfica assenhoriou-se do jogo. Tomou o controlo da partida para não mais o perder até ao intervalo, às portas do qual o Benfica faria o segundo golo e fecharia o resultado. O primeiro fora marcado ainda antes da primeira parte ter chegado a meio. Ambos sob a marca do regresso: do regresso de Jonas, e do regresso da dupla maravilha da época passada, com Mitroglou. Que fez o segundo, assistido pelo fantástico Jonas. Que fizera o primeiro, assistido por Salvio, depois do trabalho do grego que, com Jonas, é outro.  

E falando de regressos há que referir o de Salvio, o de André Horta - que substituiu Jonas a meio da segunda parte - e o de Zivkovic (substituiu Salvio, já no último quarto de hora), se é que deste se pode falar de regresso. O que, se a lesão de Fejsa não representar o início de um novo ciclo negro (e neste momento, para não falar em lagartos, estou a bater com os nós dos dedos na madeira), dá conta da força com que o Benfica pode arrancar para a segunda volta. 

Na segunda parte o Benfica abordou o jogo de maneira diferente. Mas nem tudo foi diferente. O Vitória voltou a entrar melhor, e nos primeiros 10 minutos teve as suas duas melhores oportunidades de golo; numa o remate saiu por cima, na outra o Ederson fez uma defesa daquelas que só os grandes guarda-redes fazem. O Benfica preocupou-se em controlar o jogo, em ter bola e fazê-la circular, em adormecer o jogo, para de um momento para o outro criar sobressaltos na defesa vitoriana. E acabou por ser o guarda-redes Douglas a impedir por duas ou três vezes que o resultado se mantivesse inalterado.

No fim, mais um obstáculo ultrapassado com grande capacidade afirmativa: a melhor resposta que, em nome do futebol, podia ser dada aos lamentáveis e vergonhosos acontecimentos dos últimos dias. 

Isto não está a ser fácil...

 

Já ninguém tem dúvidas. Isto não está a ser fácil. Nem vai ser fácil... A equipa está longe da forma de há bem pouco tempo e, à excepção do guarda-redes - do fantástico Ederson - e dos dois centrais, todos os outros jogadores estão bem abaixo do seu melhor. Por cansaço, evidentemente que sim. A exigência física e mental tem sido imensa, e equipa está eprimida, já deu tudo... E não foi pouco, como toda a gente sabe!

E depois há o outro lado. Os adversários aproveitam os jogos com o Benfica para correr como nunca correm. Fazem desses os jogos das suas vidas... 

O Vitória de Guimarães, hoje, não foi diferente. Os jogadores correram como nunca, bateram-se (e bateram) como nunca e, enquanto não sofreram o golo, mandaram-se para o chão como nunca. E como todos os que têm sido os adversários do Benfica nos últimos jogos ...

A primeira parte foi exactamente assim: os jogadores da equipa de Guimarães passaram mais tempo no chão que de pé. E quando não estavam no chão a sua principal preocupação era deixar lá os do Benfica, sempre com a complacência do árbitro, devidamente pressionado durante a semana, como é hábito.

A segunda foi substancialmente diferente, porque o Benfica chegou ao golo logo no primeiro minuto. Golo que fez bem ... ao Vitória. Pelo menos à saúde dos seus jogadores, que não mais precisaram de assistência médica. E como tinham descansado muito, deitados no chão, durante toda a primeira parte, estavam frescos para continuar a fazer daquele o jogo das suas vidas. Não estou nada convencido que, jogando daquela maneira, o Vitória fosse já em onze jogos consecutivos sem ganhar...

 Criaram duas ocasiões, melhor, aproveitaram dois erros, um de Renato Sanches e outro de Jardel (também os tem, às vezes acontece), para as suas duas oportunidades de golo. Contra três ou quatro do Benfica, uma delas num remate á barra do Raúl Jimenez. Que brilhou ainda num espectacular remate de letra em cima da linha final, que o guarda redes minhoto desviou, sem que o árbitro visse.

Mas não deixa de ser curioso que, entre os dois jovens e excelentes guarda-redes, quem mais tenha brihado tenha sido o do Benfica. Que começa já a ter um lugar especial na conquista do título, se vier a ser o caso...

Ah... Já me esquecia: o Sérgio Conceição é um artista. Mas já toda a gente sabia disso...

 

Boas notícias: é Janeiro!

Por Eduardo Louro

 

 

Estamos em Janeiro. A 10 de Janeiro, e a tradição ainda é o que era… Tem invariavelmente sido assim: em Dezembro as coisas correm mal, mesmo com exibições medonhas, Depois vem Janeiro, saem até jogadores fundamentais e de repente o Benfica de Jesus começa a jogar bem, e de titubeante passa a demolidor.

Era justamente por isso que aqui vinha suplicando por Janeiro…

Sob o comando de um deslumbrante Gaitan, hoje capitão, o Benfica fez uma primeira parte brilhante, a roçar a perfeição podendo ter chegado aos cinco ou seis golos. Na segunda parte, sem nunca ter perdido o domínio e o controlo total do jogo, mau grado algumas falhas de concentração na parte final, a exibição do Benfica não teve o mesmo brilho. Mas teve mais golos!

Nunca pelos benfiquistas – jogadores e adeptos – passou qualquer tipo de ansiedade. O jogo teve um único momento em que alguma dúvida, ou mesmo alguma inquietação, se possa ter apoderado de alguns. Certamente que ao minuto 35 da primeira parte, quando a bola, desta vez rematada por Jonas, bateu pela terceira vez nos ferros, alguns dos muitos adeptos que acreditam em bruxas, terão receado que alguma coisa pudesse vir a correr mal!

Não correu, e o azar ficou-se pelas três vezes em que a bola foi rechaçada pelos ferros, quando bem poderia ter ficado anichada nas redes do Vitória de Guimarães. O árbitro, Rui Costa – mais um árbitro do Porto, têm sido todos de enfiada – também ainda fez alguma coisa para que houvesse bruxas, mas nem isso resultou. Porque jogar bem é sempre o caminho mais fácil para o sucesso, contra o que quer que seja!

Janeiro chegou quando tinha que chegar, quando o calendário o assinala. E aí está, com a equipa sem sofrer golos e com os jogadores lesionados a começarem a regressar. Hoje foram o Eliseu (e logo a tempo inteiro) e o Salvio. Para além do Sílvio que, se já é convocado, é porque já está recuperado.

E o Gaitan atravessa apenas o melhor momento da carreira. Está verdadeiramente fantástico...

Só boas notícias!

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