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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Regressos e pirómanos

Foi difícil este jogo de Guimarães, no arranque do ano e no regresso do campeonato, quase um mês depois. Seria sempre difícil, porque nunca é fácil jogar na cidade-berço, e porque este Vitória, de Ivo Vieira, joga muito, como se sabe. Mas não teria sido certamente tão difícil se o Benfica tivesse regressado desta paragem com o mesmo nível de qualidade exibicional das últimas jornadas.

O Benfica de Dezembro, antes da paragem, teria colocado outra qualidade em campo, teria jogado bem mais e teria ganhado melhor. Não regressou o Benfica exuberante, dos grandes jogos e das goleadas. Valeu no entanto outro regresso, o regressou do outro Benfica, de Setembro e Outubro que, mesmo sem jogar bem, foi ganhando jogos.

Que o primeiro dos regressos não iria acontecer, percebeu-se logo no início do jogo. O segundo regresso só se confirmaria naturalmente no fim, mesmo que se começasse a admiti-lo a partir do meio da primeira parte.

No primeiro quarto de hora da partida o Benfica não conseguiu ligar o jogo. Defendia bem, e recuperava rapidamente a bola, mas perdia-a logo de seguida. E nem se pode dizer que a perdesse em resultado da pressão exercida pelos jogadores vimaranenses, porque não eram os jogadores adversários a conquistá-la. Eram os jogadores do Benfica que a perdiam sucessivamente por passes errados - ora entregando a bola directamente ao adversário, ora atirando-a para fora.

Daí que se sucedessem os ataques do Vitória sem que o Benfica praticamente passasse da linha de meio campo. Na primeira vez que conseguiu concluir uma jogada o Benfica marcou, ia a primeira parte a meio. E a partir daí o jogo mudou!

Não quero com isto dizer, como atrás deixo claro,  que o Benfica passou a mandar no jogo e que o Vitória desapareceu. Nada disso. Mudou porque os jogadores do Benfica perceberam que a noite não era de gala, mas apenas de trabalho. E, claro, também ajudou que Gabriel e Tarabt tivessem subido de produção.

E dedicaram-se ao trabalho. Até ao fim do jogo, defendendo aquele golo do Cervi que mudara o jogo. E, sendo que as últimas imagens são as que ficam, as últimas claras oportunidades de golo até são do Benfica.

No fim fica uma vitória muito importante num jogo bastante competitivo, mas nem por isso bem jogado, e com um grande ambiente nas bancadas, estragado por algumas bestas que acham que as cadeiras não servem apenas para sentar o rabo, e que um jogo de futebol é um festival de pirotecnia.

Se não se percebe a existência de adeptos pirómanos, também se não percebe como é que, com tanta revista à entrada, é possível que tenha entrado no estádio material pirotécnico que daria para animar uma das muitas festas de passagem de ano que acabamos de celebrar.

Não será provavelmente difícil identificar estes incendiários e impedi-los de entrar nos estádios. Já aos outros, não menos pirómanos, que vêm penalti no lance do Rúben Dias, não se lhes pode fazer nada se não deixá-los a falar sozinhos. 

E no fim... uma delícia!

V. Guimarães-Benfica, 0-1 (crónica)

 

Foi bem difícil este segundo jogo de Guimarães em três dias. Como se esperava mas, se calhar, diferente do que se esperava. Até porque o jogo foi completamente diferente do que selara a passagem do Benfica às meias-finais da Taça, há apenas três dias.

Ambas as equipas mudaram alguns jogadores, mas por razões perfeitamente inversas. O Vitória porque recuperou lesionados (André André) e castigados (Tozé), o Benfica porque perdeu, por lesão, Fejsa e, por castigo, Rúben Dias. Às balizas de ambas as equipas regressaram os habituais titulares no campeonato e, ao Benfica, regressou (?) Castillo, a preencher a quota de surpresas que Bruno Lage tem reservado para cada jogo, para o lugar de Seferovic. 

O Vitória apostou numa equipa mais subida e na dimensão física do jogo, muito forte nos duelos individuais e muita rasgada na disputa de todas as bolas. E com isso criou bastantes dificuldades ao Benfica durante muitas partes do jogo, especialmente na segunda parte. Mesmo assim, e passados os primeiros dez minutos, na primeira parte o Benfica foi quase sempre melhor, com mais bola e mais remates, sete contra quatro, mesmo sem grandes oportunidades claras de golo.

Na segunda parte o Vitória reforçou a agressividade e a pressão alta, e na verdade esteve mais por cima do jogo. Essa dinâmica entusiasmou os jogadores vitorianos, e criou-lhes a sensação de que poderiam ganhar o jogo. Acabaria por lhes ser fatal. Bruno Lage mexeu bem na equipa, lançando Seferovic e o regressado Rafa, e começou a aproveitar o espaço que a equipa vimaranense deixava nas costas da sua defesa, virando decisivamente os dados do jogo.

Quando aos 80 minutos Seferovic fez o golo, numa belíssima jogada de futebol que passou por um passe sensacional de Gabriel, já o Benfica tinha deixado sérios avisos do que estava para vir, incluindo duas jogadas de golo erradamente anuladas pela equipa de arbitragem por foras de jogo inexistentes. O Vitória sentiu o golo e, em vez de uma equipa de futebol, pouco mais foi que onze jogadores de cabeça perdida. Onze, porque o árbitro Tiago Martins, também ele, e apesar da juventude, um velho conhecido, permitiu que André André permanecesse em campo depois de, consecutivamente, na mesma jogada, completamente de cabeça perdida, se ter aplicado os pitons nos pés e nas pernas de João Felix e André Almeida. Foi ao minuto 84, e se na primeira entrada sobre o miúdo nada assinalou quando, no segundo seguinte, atingiu André Almeida, mostrou amarelo a ambos!

Teve que ser Luís Castro a fazer o que Tiago Martins devia ter feito, tirando-o do jogo logo a seguir. Mas fazendo entrar outro, naturalmente.

Fica mais uma vitória a alimentar a crença, e a certeza que há treinador. Esta é uma vitória com muito dedo de Bruno Lage. Na estratégia (Castillo não decidiu, mas cumpriu com as tarefas que lhe destinou), na forma como especialmente Gabriel, mas também Samaris, foram importantes no jogo, na forma como corrigiu os jogadores ao longo do jogo e, finalmente, nas substituições. Decisivas!

E, depois, no fim, é uma delícia ouvi-lo falar do jogo. Sem rodriguinhos nem frases feitas, apenas a explicar aquilo que aconteceu. E o que todos vimos!

Mixed feelings

Benfica 'compra bilhete' para as meias-finais da Taça de Portugal em Guimarães

 

O Benfica iniciou hoje com sucesso, em Guimarães nos quartos-de-final da Taça de Portugal, aquele ciclo diabólico que estava reservado como presente de boas-vindas ao seu novo treinador. Nada mais, nada menos, que dois jogos consecutivos no berço da nacionalidade, com o Vitória Sport Club, outro com o Porto, em Braga nas meias-finais da Taça da Liga e, logo depois, a visita a Alvalade. Pelo meio, o jogo com o Boavista, na Luz, que é sempre duro…

Uma espécie de baptismo, com fogo em vez de água!

Já que coloco Bruno Lage no centro desta abertura, para caracterizar este jogo, recorro a um termo que já se percebeu que o treinador do Benfica usa com frequência: feelings. O terceiro jogo de Bruno Lage deixa-nos uma sensação de mixed feelings.

Não era, nem foi, um jogo fácil. E talvez isso talvez justifique esses sentimentos, mas o jogo mostrou-nos, na primeira meia hora, o Benfica de Bruno Lage, na segunda – abrangendo o último quarto de hora da primeira parte e o primeiro da segunda -, um Benfica híbrido, sem a exuberância do melhor que se lhe vira nos dois jogos anteriores, mas com a segurança aí revelada. Na terceira e última meia hora, o jogo acabou a mostrar um Benfica pouco distinto dos últimos jogos com Rui Vitória.

Valeu que a insegurança defensiva, que tanto tinha assustado no primeiro jogo de Bruno Lage, com o Rio Ave, esteve sempre afastada do jogo. Ou que a qualidade de jogo do Vitória tenha sido traída pela qualidade dos jogadores vitorianos…  

Repetindo, com alguma surpresa, a equipa dos Açores (de novo apenas Svilar, o dono da baliza na Taça), na primeira meia hora o Benfica jogou muito bem, com João Félix endiabrado, e todos os restantes jogadores em bom nível, mesmo com Seferovic uns furos abaixo. Ainda com Fejsa em campo a qualidade do jogo começou a cair mas, com a sua substituição por Samaris (um regresso que se saúda, mas não está, nem poderia estar, em condições de fazer melhor) ao intervalo, o Benfica foi perdendo progressivamente o controlo do jogo.

É certo que a vitória e o apuramento para as meias-finais nunca pareceram seriamente ameaçados. O Vitória não dispôs de uma única oportunidade de golo, mas na última meia hora mandou na partida e produziu muita quantidade de jogo. Com outra qualidade, as coisas ter-se-iam complicado!

Bruno Lage usou as substituições para poupar jogadores (Fejsa e Zivkovic) para a réplica de sexta-feira, e ficou apenas com uma para interferir no jogo. E foi já tarde, nos últimos 10 minutos, que a utilizou. Gedson (para o lugar de Pizzi) deveria ter entrado bem mais cedo!

Nada como dantes!

 

Nada como dantes. O Benfica surgiu em Guimarães, para um jogo decisivo, completamente diferente daquilo que tem sido nos últimos largos tempos. 

Tacticamente diferente, com um 4x3x3 que há muito não se via. O Benfica, especialmente nos jogos da Champions, com o Manchester United, tinha já abandonado o 4x4x2 herdado de Jorge Jesus - que Rui Vitória tivera de recuperar logo no arranque da sua primeira época, quando as coisas também não estavam a correr bem - e passado a jogar em 4x3x3. Só que esse era um 4x3x3 de tracção traseira, era um modelo táctico montado para introduzir mais uma peça no meio campo com os olhos postos no reforço da consistência defensiva.

O que hoje apareceu em Guimarães foi o mesmo modelo mas virado para a frente. Com os olhos postos na baliza contrária, montado para atacar, não para defender. E aquilo que era um jogo previsível, com a bola invariavelmente a morrer na meia lua dos adversários, que já todos sabiam como anular, deu lugar a um jogo com mais espaços e muito mais intensidade.

O golo, o 13º de Jonas, voltou a surgir cedo - assinalava o relógio 21 minutos mas, de jogo, por força da interrupção logo aos 4 minutos por desacatos numa das bancadas vimaranenses, pouco mais de dez. E não produziu os efeitos habituais, de desligar a equipa, que esteve sempre por cima durante toda a primeira parte. Criou mais duas oportunidades de golo, sem que o Vitória fizesse sequer um remate à baliza de Svilar.

Na segunda parte o Vitória subiu linhas, aumentou a agressividade na disputa da bola e praticamente abdicou do meio campo para se entregar ao jogo directo. Foi assim praticamente durante toda a primeira meia hora, com mais bola, mais intensidade, mas pouco mais. À entrada do último quarto de hora o Benfica pôs fim a esse estado de coisas, com dois golos em três minutos.

Com o jogo fechado e completamente dominado, a 4 minutos dos 90, reapareceu o Benfica desconcentrado - provavelmente pela indefinição que as duas últimas substituições introduziram na equipa - que permitiu ao Vitória marcar um golo e desperdiçar ainda uma grande penalidade.

Foram meia dúzia de minutos que retiraram brilho e expressão a uma grande vitória num jogo que o Benfica não podia deixar de ganhar. E que esperemos não tenham consequência na retoma que se deseja, e que agora parece começar a ganhar sustentação. Mesmo com esse apagão final, neste jogo nada foi como dantes!

 

 

 

 

Tudo se repetiu sem que nada se tivesse repetido

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No regresso ao D. Afonso Henriques, desta vez para disputar o acesso às meias finais da Taça da Liga, o Benfica repetiu apenas três jogadores da equipa que aí apresentara três dias antes: os dois laterais - Ruben Semedo e André Almeida - e Pizzi.

Repetiu o resultado, a vitória por 2-0, e até o timing dos golos. E repetiu ainda o quadro geral do jogo: domínio absoluto na primeira parte, e controlo do jogo e do resultado na segunda.

Mas nada mais se repetiu. O domínio da primeira parte foi muito mais acentuado, e a exibição, nesse período, foi bem mais exuberante e assente em nouances de jogo substancialmente diferentes. Desta vez Rui Vitória optou por um ataque móvel, entregue a Gonçalo Guedes (dois golos em duas jogadas colectivas absolutamente perfeitas) e a Rafa, envolvidos por Carrillo - finalmente a mostrar que também ele pode ser mais um reforço de inverno - e Zivkovic. E o que se viu chegou a ser deslumbrante. Não fosse a indisfarçável má relação de Rafa com o golo, o penalti desperdiçado por Pizzi, logo aos 11 minutos, e a soberba exibição do jovem guarda-redes do Vitória (não se percebe por que o Miguel Silva não é o titular da baliza, mas o Pedro Martins terá razões que a razão desconhece) e o resultado ao intervalo teria sido altamente punitivo para a boa equipa de Guimarães,

E foi assim, com uma primeira parte fulgurante, a lembrar Arouca, aqui há uns meses, que o Benfica garantiu a participação na inédita final four, no Algarve, lá para o fim do mês, e a possibilidade de discutir um título que apenas por duas vezes lhe fugiu, numa competição desenhada para ser ganha pelos grandes do futebol nacional.

Os primeiros quatro classificados do campeonato são os cabeças de série. E para que as meias finais não escapem aos mais fortes, jogam em casa dois dos três jogos de cada grupo de apuramento. Os mais pequenos jogam apenas um.

O Benfica jogou em casa com o Paços e com o Vizela, ambos apenas com um jogo em casa. O Vitória fez o seu jogo fora no único jogo em casa do Vizela. O Benfica fê-lo em Guimarães. o que quer dizer que, dos quatro grupos, coube ao Benfica o adversário mais cotado. E coube-he jogar fora contra o adversário mais cotado.

Contando por vitórias os jogos disputados, com 8 golos marcados e nehum sofrido, o Benfica é o único dos três grandes que vai discutir o título. Os outros, como se sabe, foram afastados pelos árbitros. O Porto, com dois pontos, conquistados nos dois jogos em casa. O Sporting com seis pontos, com duas vitórias por 1-0 nos dois jogos em casa, com o Varzim e com o Arouca!   

E por isso, como sabemos, a Taça da Liga não tem importância nenhuma... Nem devia contar como troféu!

 

Resposta à altura

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A 16ª jornada levou o Benfica a Guimarães para disputar um jogo que é já um clássico do futebol nacional, sempre aguardado com grande expectativa, e sempre difícil. Desta vez talvez mais, ainda. Porque o Vitória está bem lá em cima na tabela classificativa, lado a lado com o Sporting, no quarto lugar. Porque atravessa uma fase excelente, tem uma boa equipa, muito bem orientada e a jogar bem. E porque a semana, como sabemos, foi bastante complicada, criando um ambiente muito crispado à volta do Benfica, que nada tinha a ver com o que se passava.  

As expectativas não sairam frustradas: foi um grande jogo de futebol, onde o Benfica não entrou bem. Nos primeiros dez minutos sucederam-se muitos passes errados, levando o Vitória a recuperar a bola com grande facilidade e a partir com grande frequência para o ataque. Para agravar as dificuldades, e para que nada se estranhe nesta caminhada do Benfica, perdeu bem cedo Fejsa, por lesão. Mais uma! 

A primeira grande oportunidade de golo acaba por surgir mesmo ao minuto 10, e para o Benfica, E o jogo mudou. Os passes passaram a sair no tom, e o Benfica assenhoriou-se do jogo. Tomou o controlo da partida para não mais o perder até ao intervalo, às portas do qual o Benfica faria o segundo golo e fecharia o resultado. O primeiro fora marcado ainda antes da primeira parte ter chegado a meio. Ambos sob a marca do regresso: do regresso de Jonas, e do regresso da dupla maravilha da época passada, com Mitroglou. Que fez o segundo, assistido pelo fantástico Jonas. Que fizera o primeiro, assistido por Salvio, depois do trabalho do grego que, com Jonas, é outro.  

E falando de regressos há que referir o de Salvio, o de André Horta - que substituiu Jonas a meio da segunda parte - e o de Zivkovic (substituiu Salvio, já no último quarto de hora), se é que deste se pode falar de regresso. O que, se a lesão de Fejsa não representar o início de um novo ciclo negro (e neste momento, para não falar em lagartos, estou a bater com os nós dos dedos na madeira), dá conta da força com que o Benfica pode arrancar para a segunda volta. 

Na segunda parte o Benfica abordou o jogo de maneira diferente. Mas nem tudo foi diferente. O Vitória voltou a entrar melhor, e nos primeiros 10 minutos teve as suas duas melhores oportunidades de golo; numa o remate saiu por cima, na outra o Ederson fez uma defesa daquelas que só os grandes guarda-redes fazem. O Benfica preocupou-se em controlar o jogo, em ter bola e fazê-la circular, em adormecer o jogo, para de um momento para o outro criar sobressaltos na defesa vitoriana. E acabou por ser o guarda-redes Douglas a impedir por duas ou três vezes que o resultado se mantivesse inalterado.

No fim, mais um obstáculo ultrapassado com grande capacidade afirmativa: a melhor resposta que, em nome do futebol, podia ser dada aos lamentáveis e vergonhosos acontecimentos dos últimos dias. 

Bem ganho

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Dentro dos padrões normais da época, que as coisas não estão para mais, o Benfica ganhou em Guimarães. E ganhou bem, dentro dos padrões normais nesta época, repito: jogou mais, criou mais oportunidades para marcar - coisa que nem sequer assistiu ao Vitória - comandou o jogo, ou esteve por cima, durante a maior parte do tempo. 

E quando chegou a hora, o menino, que já resolvia a maior parte das coisas, resolveu. Também o Pizzi tentou resolver, mas não conseguiu. Sabe-se lá se pelo peso de carregar às costas a contratação mais cara do Benfica. Temos que o traquilizar: apesar de tudo, ainda às vezes ajuda. Temos que lhe dizer que todos nós sabemos que a mais cara é a do Roberto, e que não tem culpa nenhuma que tenha ido parar à conta dele ... 

E pronto: mesmo que o jogo de Alvalade não tenha ajudado muito, - ajudou, e muito, o Sporting, e ajudou a passar a guia de marcha a Lopetegui - lá estamos de novo de esperanças renovadas. 

 

Ganhar em três campos é caso de polícia

Por Eduardo Louro

 

Do jogo que o Benfica ganhou hoje, em Guimarães, ficarão os 3 pontos da vitória, a aproximação aos rivais,  e o comportamento do Jorge Jesus no final do jogo.

Mas deveria ficar mais!

Do jogo jogado deveria ficar uma partida extraordinariamente disputada, de uma rara intensidade competitiva. Raríssima mesmo, noutros jogos que não os do Benfica!

E fica um jogo sofrido e pouco bem jogado. Se o Benfica vinha de uma série de jogos em que as boas exibições individuais não tinham correspondência no desempenho colectivo, geralmente fraco, desta vez salvou-se o trabalho, que não a qualidade, do colectivo. As individualidades não apareceram, muito por força da tal intensidade que levou o jogo para uma dimensão física que, percebeu-se, não é a praia das individualidades benfiquistas.

Como fica mais um penalti claríssimo por assinalar, que certamente não fará qualquer primeira página dos jornais de amanhã. E o golo da vitória, que muita gente parece não ter gostado que tivesse sido marcado pelo Cardozo. Foi auto-golo, dizem… Ou chouriço, disse o Rui Vitória…

Depois - e depois do jogo - não se percebe, e foi essa a ideia com que fiquei, por que é que os jogadores deixaram camisolas na relva em vez de as atirarem, como é comum, aos adeptos. Para as bancadas. Alguns dos adeptos foram lá buscá-las – foram buscar as camisolas e não comemorar o que quer que fosse, é essa, repito, a ideia com que fiquei – e não o podiam fazer. Aos stewards e à polícia cabia impedi-los, como seria de esperar. O que não seria de esperar era a reacção de Jorge Jesus em defesa de um deles, capturado. Embora se possa perceber!

O que já não percebe é o que disseram os repórteres e comentadores da Antena 1, que viram o treinador do Benfica a agredir polícias e logo previram as correspondentes fortes sanções, estabelecendo logo ali um paralelo com o que se passara no túnel da Luz, há quatro anos atrás.

O que o treinador do Benfica fez é caricato e ridículo, só mesmo daquela personagem. Percebe-se por ser quem é, alguém que perde a cabeça com facilidade, mas também pela necessidade de (re)conquistar o coração dos adeptos, mas não o dignifica. Nem a ele nem ao Benfica!

Mas já não se percebe que não se tenha defendido – deve ter guardado a defesa para o Tribunal onde, ao que aprece, o assunto vai parar - que não tenha lavado a imagem, quando questionado sobre o incidente na conferência de imprensa. Não se percebe que não tenha percebido, nem ele nem ninguém do Benfica, que era bem melhor explicar-se que dizer aos jornalistas que não estavam ali para falar disso. E menos se percebe ainda que tenha achado boa a arbitragem. Que, depois de na antevisão do jogo ter referido - e bem – que os adversários andavam a ser ajudados e omitido – mal – que o Benfica andava a ser prejudicado, tenha achado boa uma arbitragem que lhe negara um penalti escandaloso, é sinal de completa desorientação. Se calhar a mesma que o levou a fazer mais aquela figura…

Logo numa jornada em que o Sporting - dos golos em fora de jogo e dos penaltis perdoados - tinha o primeiro prejuízo (penalti por assinalar) nas primeiras páginas dos jornais e o Porto – que ia ganhando sem jogar nada – continuando sem nada jogar, empatava no Estoril, prejudicado, ao contrário do que sempre sucede, com um penalti mal assinalado. Mas com Otamendi, que deveria ter sido expulso logo no arranque do jogo!

Mas pronto, quando o Benfica ganha em três campos dá logo em caso de polícia!

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