Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Agora sim

Portugal regressa ao topo da Europa. Liga das Nações fica em casa

Foto: GABRIEL BOUYS / AFP

A selecção nacional conquistou a primeira edição da nova Liga das Nações, ao vencer (1-0) a selecção holandesa, no Dragão. E deixou o país em festa, na véspera do seu dia nacional.

Tendo por referência o jogo com a Suíça, na última quarta-feira, que ditou o apuramento para a final de hoje, esta foi uma selecção diferente. Com um futebol melhor, bem melhor e bem mais próximo daquilo que é legítimo esperar deste extraordinário conjunto de jogadores.

Para o jogo de hoje o seleccionador Fernando Santos promoveu três alterações em relação à equipa inicial do jogo anterior. Para além mudança obrigatória, por força da lesão do Pepe, com a entrada de José Fonte - que já o substituira na altura em que o luso-brasileiro fora obrigado a sair - trocou ainda Rúben Neves por Danilo, e João Félix por Gonçalo Guedes.

Mas não é nessas alterações, e em particular nestas duas últimas, porque a primeira não decorreu de qualquer iniciativa de mudança do seleccionador, que se devem encontrar os motivos da melhoria. A grande alteraçao, e que, em boa verdade, justifica a enorme melhoria no futebol da equipa, foi colocar os jogadores nas suas posições naturais. Onde mais rendem.

À primeira vista, a entrada de Danilo - que, de resto, estava impedido por motivos desciplinares de alinhar no jogo anterior - parecia corresponder a uma ideia mais defensiva, uma espécie de mais do mesmo de Fernando Santos. E a de Gonçalo Guedes à penalização de João Félix, pelo seu fraco rendimento no jogo da meia-final, vítima precisamente dos evidentes equívocos posicionais do seleccionador nesse jogo.

E no entanto, à medida que a partida se ia desenrolando ficava a ideia que, naquele jogo, fazia falta o futebol de João Félix. Que, a jogar assim, o futebol do miúdo do Benfica acrescentava. Mas Gonçalo Guedes não só esteve bastante bem, e bem enquadrado no esquema mental de Fernando Santos como, ao marcar o golo único do jogo, acabou por ser o herói da final. E quando assim é... entramos naquela velha máxima: contra factos, não há argumentos!

Da mesma forma, exactamente da mesma forma, também a exibição de Danilo, e acima de tudo o resultado final, acabou a dar razão ao seleccionador.

Posto isto, a selecção acabou por fazer um bom jogo e justificar plenamente a vitória, ao contrário do que tinha acontecido na quarta-feira. Foi quase sempre melhor que a excelente selecção holandesa, que iniciou a partida a dar a sensação que iria mandar no jogo.

Foi sol de pouca dura, rapidamente a selecção nacional inverteu essa tendência, e acabou por fazer uma primeira parte em clara superioridade. Podia e devia ter saído para o intervalo em vantagem no marcador, mas assim não aconteceu.

No regresso dos balneários, e à imagem do início do jogo, voltamos a ver os holandeses por cima. Mesmo sem atingir a exuberância da primeira parte, a selecção nacional voltou a inverter essa tendência, e um quarto de hora depois do reinício chegava ao golo, o tal de Gonçalo Guedes, depois de mais uma bela jogada de Bernardo Silva, eleito o melhor jogador da competição. 

Percebeu-se então que dificilmente este troféu sairia de Portugal. A equipa revelava grande solidez defensiva, e à Holanda começavam a faltar as forças, vindo ao de cima o peso do esforço da sua meia-final, com a Inglaterra, num jogo com prolongamento, e com menos um dia de descanso.

Com a selecção holandesa obrigada a adiantar-se para o forcing final, a entrada de Rafa (em substituição de Guedes) acabou por ser o xeque-mate final da selecção nacional.

E no fim fez-se a festa por este segundo triunfo europeu em três anos. Menos importante que o de 2016, mas desta vez numa final mais convicente. Há, agora, que o aproveitar para corrigir o arranque periclitante da fase de apuramento para o Europeu do próximo ano, e (e)levá-lo para patamares condizentes com a capacidade, e a responsabilidade, desta selecção.

 

 

Brasil 2014 XXVII - E o burro sou eu? Evidentemente!

Por Eduardo Louro

 Scolari desolado

 

A diferença entre os 7 a 1, da passada terça-feira, e os 3 a 0 deste jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares, é a mesma que vai da selecção para a holandesa. Exactamente!

O que desde logo quer dizer que o tal resultado histórico, que deixou o Brasil inteiro em estado de choque, só foi extraordinário por ser invulgar. Não tem nada de acidental!

Bastaram dois minutos de jogo para se perceber isso. Para perceber que a selecção brasileira estava a repetir exactamente o que tinha mostrado contra a Alemanha. Quando vimos a forma desorganizada como o Brasil entrou a pressionar, e o espaço que deixava nas costas da sua defesa, percebeu-se que a receita de Scolari era a mesma. E que, portanto, não só não tinha aprendido nada, como não tinha percebido nada do que lhe tinha acontecido.

E, como diz a canção, vem-nos à memória uma frase batida: … e o burro sou eu?

Se contra a Alemanha a ilusão ainda durou onze minutos, agora, contra a Holanda, bastaram dois. Vale a pena recordar: os jogadores brasileiros corriam atrás da bola que nem baratas tontas, numa pressão disparatada que obrigou os jogadores holandeses a atrasar a bola para o guarda-redes, que de imediato a colocou à entrada do meio do campo brasileiro. Van Persie ganhou de cabeça e colocou a bola em Robben, na sua praia, com aquele espaço todo livre. Foi por aí fora até Thiago Silva o derrubar, quando seguia isolado frente a Júlio César. Penalti – má, mas compreensível decisão de um mau árbitro, o argelino Djamel Haimoudi; incompreensível foi o cartão amarelo em vez do vermelho ao capitão brasileiro – e golo!

No fim do primeiro quarto de hora veio 0 2 a 0, e o terceiro só surgiu já no período de compensação porque - lá está - a Holanda não é a Alemanha. Porque o jogo do Brasil foi a mesma anarquia de jogadores que, sem saber o que fazer, marcavam encontro uns com os outros no sítio onde a bola se encontrasse. O resto era pontapé para a frente!

E foi este o Brasil que Scolari teve para apresentar, esgotada que foi a única fórmula que o homem domina – a motivação emocional de trazer por casa, de raiz populista. Que, aliada a umas arbitragens simpáticas – que hoje se repetiu, mesmo numa arbitragem deplorável, das piores de uma competição onde o nível geral foi fraco – lhe permitiu chegar às meias-finais. Onde era a pior equipa, mas também já o era nos quartos. Onde já não merecera ter chegado!

Foi, curiosamente, o primeiro terceiro lugar da Holanda num mundial. É habitué das meias-finais dos mundiais, mas nunca ganhara o último jogo. Sempre que chegou à final perdeu, como sempre também perdera quando lá não tinha chegado… Até hoje!

Falta-lhe agora ganhar a outra, a final. Ao Brasil falta-lhe agora tudo. Se calhar até jogadores… Quem diria?

Brasil 2014 XXVI - Argentina - Holanda

Por Eduardo Louro

 

 

Não foi um bom espectáculo, este que Argentina e Holanda nos serviram nesta segunda meia-final do campeonato do mundo. Foi um jogo mastigado, enrolado, que só abriu nos últimos 10 minutos dos noventa.

A Argentina não teve Di Maria. Nem Messi, que esteve lá mas foi como se não tivesse estado. Provavelmente porque Messi terá achado que o seleccionador Sabella não merecia ter Messi. Teve Enzo Perez, que acabaria substituído aos 80 minutos, quando o seleccionador argentino fez uma dupla substituição (saiu também Higuain) com a entrada de Palácio e Aguero, uma das maiores desilusões deste mundial.

E já que se está a falar de substituições vale a pena dizer que quando, depois, Sabella trocou Lavezzi por Maxi Rodriguez, decidi que não torceria mais pela Argentina.

Quando o melhor jogador em campo é Mascherano, está tudo dito!

A Holanda também não fez melhor, antes pelo contrário, se bem que Robben, mesmo longe da sua praia (sem espaço), tenha espalhado ainda o seu perfume pelo jogo. Foi, apesar de tudo, a única das estrelas a chegar perto do seu estatuto!

Mas também Van Gaal voltou a não estar bem. Voltou a descaracterizar a equipa, cortando-lhe todas as possibilidades de se superiorizar a um adversário que, sem Di Maria e com aquele Messi, estava perfeitamente ao seu alcance.

Já no prolongamento, Van Gaal hesitou entre fazer entrar Huntelaar ou guardar a última substituição para repetir a insólita substituição do guarda-redes. Acabou por se decidir pela troca de pontas de lança. Não ganhou nada com isso, mas não terá sido também por isso que acabou por ser afastado da final. Não deixa no entanto de ser verdade que perdeu nos penaltis, que o guarda-redes agora não defendeu um único, e que foi Romero, o guarda-redes argentino, a defender dois. Brilhantemente, e porque não foi preciso defender mais. É que apenas Robbem e D. Kuyt converteram!

E pronto, lá teremos no Maracanã a Alemanha e a Argentina a disputar o título mundial. Correu bem para o Brasil: o pior que lhes poderia acontecer teria sido, depois do desastre de ontem, defrontar a Argentina no jogo de consolação! 

Brasil 2014 XXIV - Quartos de final

Por Eduardo Louro

                                        

Foram-se os quartos, venham as meias!

Nos quartos de final, com menos espectacularidade e menos golos, imperou a lei do mais forte.

O Alemanha-França já foi aqui tratadoNão vi o Brasil-Colômbia, pelo que não sei se alguma coisa mais importante que a lesão do Neymar aí se passou. Que afastou aquele que era uma das grandes figuras deste mundial e talvez o maior pilar das aspirações brasileiras. A carga do jogador colombiana não terá certamente sido propositada. Não terá tido por objectivo partir-lhe as costelas, mas não é aceitável!

O Argentina-Bélgica teve bastantes semelhanças com o primeiro destes jogos, com os das pampas a fazerem de alemães, e os belgas de franceses. Os argentinos são, e foram sempre, melhores. Mas bem podiam não ter ganho, com os belgas a desfrutarem da sua melhor ocasião de golo nos últimos momentos do jogo.

A Argentina continua sem encantar, embora tenha vindo a melhorar a sua qualidade de jogo, continuando a ser levada às costas de Messi. E de Di Maria, que hoje se lesionou e que, tal como Neymar, está também fora do mundial.

A Bélgica voltou a confirmar que é uma equipa de compartimentos, com valores individuais de grande qualidade, atrás e à frente. A começar no guarda-redes, tem uma defesa de imensa categoria. E no entanto defende mal!

Na frente tem igualmente jogadores do melhor que se viu no Brasil. E nem por isso constrói muitas oportunidades de golo. Porque não tem – não teve – meio campo, e não tem sistema de jogo. Faz mal as transições ofensivas, e com isso não tira o melhor proveito da qualidade que tem no ataque. Mas é nas transições defensivas que é um verdadeiro desastre. Não se percebe quem fica, quem compensa nem quem transporta. E aquele Fellaini... Francamente! 

O último, mesmo sem golos, foi o mais emocionante de todos os jogos dos quartos de final. Encontravam-se a surpreendente e extraordinária Costa Rica e a Holanda que, ao contrário das restantes apuradas, vem de mais para menos. Começou espectacularmente com a goleada imposta à Espanha, mas depois disso foi sempre a descer. Pela simples razão de que é uma equipa – a exemplo da portuguesa, e salvo as devidas distâncias – talhada para o contra-ataque e para o ataque rápido. Quando enfrenta adversários que não tomam a iniciativa do jogo, e tem de jogar em ataque planeado, o rendimento é outro. E bem inferior!   

Esta Holanda é a capacidade de passe de Sjneider, a aceleração, velocidade, drible e diagonais de Robben, e capacidade de execução de Van Persie. Sem espaços nada feito, não funciona!

Se bem que haja sempre Robben: a alma de Robben, a encher o campo todo e… os mergulhos, às vezes a resolverem o que tudo o resto não resolveu!

Dá vontade de dizer que a selecção das Caraíbas mereceu toda s sorte que teve durante os 90 minutos do jogo e mais 30 de prolongamento, e não mereceu o azar que teve nos penaltis, acabando por morrer com os ferros com que matara a Grécia

Os holandeses tiveram três bolas na barra, mas só verdadeiramente tomaram conta do jogo nos últimos 10 minutos dos noventa e no prolongamento. Tivessem mais cedo posto em campo o empenho, e especialmente uma velocidade aceitável, e talvez não tivessem de se sujeitar aos penaltis que, pela história deste campeonato e pela extraordinária exibição – mais uma – do fantástico (será apenas guarda-redes de engate?) Navas, tinham tudo para não desejar.

Van Gaal não fez muito para alterar o curso dos acontecimentos. Fez duas alterações bastante tarde, a segunda (entrada do ponta de lança Huntelaar por saída do defesa português Bruno Martins, que está a caminho do Porto) já na segunda parte do prolongamento. E guardou a terceira para o último minuto do prolongamento. Insólito: trocou de guarda-redes, para os penaltis. Como já se percebia pelos exercícios de aquecimento que o guarda-redes Krul há minutos vinha fazendo à vista de toda a gente!

E resultou, defendeu dois penaltis e assegurou a qualificação da Holanda para as meias finais. Para compensar o azar das três bolas no ferro, Van Gaal teve sorte! 

Com a Argentina, nas meias finais, a Holanda poderá voltar a encontrar as condições naturais ao desenvolvimento do seu jogo. Pode ser que se volte a sentir como peixe na água... Mas se há coisa que caracteriza esta Argentina de Sabella é a forma como não permite desiquilíbrios!

Brasil 2014 XX - Emoções fortes

Por Eduardo Louro

 

 

Holanda e Costa Rica formam já o próximo par para os quartos. Fala-se do mundial de futebol, bem entendido…

No terceiro jogo dos oitavos de final a Holanda afastou o México (2-1) num grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola, orientadas por gente que sabe do ofício. Especialmente do lado holandês!

Esta foi uma vitória da selecção holandesa, mas tem o dedo inconfundível do próximo treinador do Manchester United. A Holanda apresentou-se no seu novo formato, no 5-3-2 que fez moda neste mundial, mas foi o México, com idêntica disposição, que mandou no jogo, com o portista Herrera, seguramente merecedor do troféu – se não o houver podia criar-se – para o mais deselegante e inestético jogador do mundial, como motor.

Os mexicanos distribuíam-se bem pelo campo, roubaram todos os espaços aos holandeses, e impuseram a sua dinâmica, assente na tão inegável quanto insuspeita categoria de jogador do Porto. Tirar o espaço a Robben e Van Persie é como tirar-lhes o ar: sem ar não respiram, como qualquer um de nós, sem espaço não jogam. Pronto: jogam pouco, são - foram -peças perdidas lá na frente!

Foi assim durante mais de uma hora, – mesmo que pelo meio, mesmo no fim da primeira parte, o Pedro Proença tenha deixado por assinalar um penalti claríssimo sobre o Robben – o tempo que o México precisou para marcar, logo no arranque da segunda parte (3 minutos), mais o que Van Gaal terá demorado a preparar a mudança. 

Se não havia espaço para Van Persie, o melhor seria tirá-lo. E colocar alguém lá na área mais posicional e fisicamente forte. E mais fresco. Já para Robben, o melhor seria ele procurá-lo. É um jogador fundamental, e então foi para a ala direita procurar - e encontrar - o espaço que noutras zonas sempre lhe faltou. E abrir o jogo pela direita, porque para o abrir do lado contrário entrou o miúdo Depay. À medida que tudo isto ia acontecendo, e já dentro do quarto de hora final, De Kyut saiu da esquerda, desfazendo o cinco, e subiu para a área, para junto de Huntelaar, o tal que entrara para substituir Van Persie.

O resto é a emoção do futebol, com Sneijder a fazer o empate a dois minutos do 90, e Huntelaar, na conversão de um penalti - que o árbitro português assinalou para fazer a vontade a Robben - a consumar a reviravolta a outros dois minutos dos 6 de compensação.

O adversário da Holanda nos quartos de final saiu do confronto entre a Grécia e Costa Rica, duas das surpresas destes oitavos, com os centro-americanos na figura de surpresa maior deste mundial. E pode dizer-se que lhes calhou o pior adversário possível para reforçarem o estatuto!

Porque a Grécia é, como se sabe, um adversário matreiro, que nunca se expõe e que espera pela presa como o melhor dos caçadores. Mas acima de tudo porque eliminá-la não seria sequer surpresa!

O jogo foi fraquinho na primeira parte, se bem que com mais Costa Rica, mas muito intenso depois. Logo no início (7 minutos) da segunda parte a Costa Rica marcou - o árbitro negar-lhe-ia, no minuto seguinte, um penalti que poderia ter dado o 2-0 - mas já contra a chamada corrente do jogo. A Grécia, que já estava por cima, tomou notoriamente conta do jogo a partir do momento em que ficou em superioridade numérica (66 minutos) por expulsão – segundo amarelo – de um jogador centro-americano. Foi já no período de compensação que acabou por chegar ao golo. E ao empate. E ao prolongamento!

Que foi de um enorme sofrimento para os jogadores de ambas as equipas. Mais penoso para os da Costa Rica, mais de uma hora com um jogador a menos... A Grécia foi então ainda mais dona do jogo, mas não marcou. E lá vieram os penaltis!

Ao contrário do que sucedera no desempate entre o Chile e o Brasil foi um festival da arte de bem marcar penaltis. Falhou um, o grego Gekas. Melhor: defendeu, muito bem, o guarda-redes Navas, o homem do jogo (na foto) que, diz-se por aí, está a caminho de Portugal. E Fernando Santos, que foi expulso no intervalo para a marcção dos penaltis, também vem para casa. Mas com o dever cumprido!

Brasil 2014 XIV

Por Eduardo Louro

 

 

Começaram a fechar-se os grupos. Apagaram-se os grupos A e B e apuraram-se os primeiros quatro para os oitavos. Os dois do grupo B – Holanda e Chile – já estavam encontrados, só faltava conhecer a classificação final. No grupo A estava tudo em aberto, até o Brasil poderia não ser apurado.

Aconteceu o mais normal, e o mais normal depois do que se ira antes, era apurarem-se o Brasil e o México. Chegou até a parecer que não seria esta a ordem, mas até nisso aconteceu normalidade.

A Holanda levou a melhor sobre o Chile e conquistou o primeiro lugar no grupo, o tal que permitia evitar o papão Brasil. Receios que até hoje pareciam infundados, o Brasil não convencia ninguém, e vivia de Neymar…

Até à segunda parte do jogo de hoje, contra os Camarões. Na primeira ainda foi assim, os desastrados africanos foram melhores que o Brasil, só foram mesmo derrotados Neymar, que com Messi e Robben, forma a constelação de estrelas deste mundial. Os jogadores que verdadeiramente têm resolvido, que têm trazido as respectivas equipas às costas.

Na segunda parte, e mesmo já depois da substituição da sua estrela maior, os brasileiros mostraram-se pela primeira vez, a deixar crer que estão a crescer, e no bom caminho.

Parece-me bem que terão já oportunidade de o confirmar com o Chile, nos oitavos de final!

Brasil 2014 VIII

Por Eduardo Louro

 Mundial 2014: Espanha - Chile

 

Holanda e Chile são as duas primeiras selecções apuradas para os oitavos de final do Campeonato do Mundo.

A Holanda voltou a apresentar a sua nova cara táctica, o tão bem articulado 3-5-2 com que enfrentou a Espanha, dando assim a ideia que esta é uma opção estrutural de Van Gaal, resulte ela da avaliação que faz dos seus recursos ou de uma nova paixão, afinal não tão nova como isso…

Começou por parecer estranha aquela atitude táctica de entregar a bola aos jogadores australianos e esperar por eles cá atrás, para depois saltarem que nem flechas Roben e Van Persie. Parecia estranho porque a bota não jogava com a perdigota.

À Austrália não assentava bem esse papel, mas a verdade é que o desempenhou e fez de grande, de favorita. Mas fez mesmo, chegou a estar a ganhar e foi superior durante a maior parte do tempo à Holanda. Que apenas quando chegou ao terceiro, ao golo da vitória – num frango do guarda-redes australiano, não tão grande como o do russo, que será difícil de bater – equilibrou as contas.

Hoje a selecção holandesa ganhou, mas porque teve de trocar de papel, não confirmou a excelência do primeiro jogo. Mas nem isso impediu que já esteja nos oitavos, e a um empate do conforto do primeiro lugar do grupo!

Mais brilho teve o apuramento do Chile que, no dia em que a coroa trocava de Rei, retirou também à Espanha a coroa de campeão. Só não se sabe a quem a irá entregar…

Utilizou o mesmo sistema táctico da Holanda, mas isso é apenas uma curiosidade. Porque se confirma que esta Espanha é, como aqui havia dito, o fim de uma história. Que foi muito bonita, mas acabou. Outras virão!

Del Bosque voltou a fazer quase tudo igual. Se já tinha corrido mal, não se percebe como, fazendo tudo igual, se poderia esperar resultado diferente. Apresentou praticamente a mesma equipa e fez praticamente as mesmas substituições. O resultado só não foi praticamente igual porque ao Pepe deles se perdoa quase tudo. Penaltis e vermelhos incluídos!

Sete golos sofridos e apenas um marcado – e mesmo esse falso, através de um penalti oferecido, no tempo em que os galões de campeão ainda brilhavam – é o que fica deste triste adios espanhol!     

Brasil 2014 II

Por Eduardo Louro

 

 

No primeiro jogo do dia o México ganhou aos Camarões, mas teve que marcar três vezes para que o árbitro lhe aceitasse um golo.

No segundo tivemos a reedição da final de 2010, na África do Sul. Mas acima de tudo tivemos um grande jogo de futebol, daqueles que, para além de dar gosto ver, dá gosto conversar. E um acontecimento histórico – pela primeira vez um campeão é goleado logo no primeiro jogo em que se apresenta para defender o título!

A primeira parte foi equilibrada, se bem que a roja, vestida de branco, deixasse perceber que estava por cima no domínio e no controlo do jogo. Chegou primeiro ao golo, mesmo que através de mais um penalti nascido da imaginação do árbitro, mais do que da matreirice do Diego Costa, a não querer ficar atrás do seu compatriota da canarinha, que joga no lugar que ele recusou. Que tantos assobios lhe valeu e continuará certamente a valer…

Mesmo em cima do intervalo a selecção laranja, a jogar de azul, chega inesperadamente ao empate com um golo fantástico de Van Persie, e como que anunciou a hecatombe que haveria de se abater sobre os campeões do mundo. Um verdadeiro desastre que teve como primeiros responsáveis duas verdadeiras instituições do futebol espanhol: Dom Vincente e Dom Iker!

O seleccionador quando, de uma assentada, desfez o duplo pivot de meio campo, com a substituição do Alonso pelo Fabregas, e trocou de pontas de lança, substituindo o brasileiro – que até pode parecer um corpo estranho naquela equipa, mas dá-lhe profundidade e agressividade como ninguém mais – pelo anémico Fernando Torres, hoje um jogador que nada acrescenta. E o tão lendário quanto contestado guarda-redes quando falhou, da forma clamorosa que falhou, nos momentos decisivos do jogo, tornando-se na imagem da derrota e no mais visível dos destroços do campeão do mundo.

Até aí a selecção holandesa tinha posto alguns problemas aos espanhóis, trocando-lhe as voltas e impedindo-lhe o famoso pressing. A partir daí transformou o jogo num autêntico pesadelo para Casillas, Xavi, Iniesta, Sérgio Ramos, Piqué… Foram cinco, mas poderiam ter sido mais, ao ponto de nem sequer sobrar espaço para lembrar mais uma deplorável arbitragem, desta vez de um dos principais árbitros europeus, o italiano Nicola Rizzoli, com influência decisiva quer no resultado quer na sua marcha.

É o fim de uma história de seis anos de sucesso máximo, com dois títulos europeus, um mundial e um futebol de encantar?

É certamente o fim de algumas dessas coisas. Mas poderá não ser o fim de todas elas… O que não impede ninguém de riscar o nome da Espanha da lista de candidatos a chegar á final, no Maracanã!

Com tanta história neste jogo sobraria pouca para o outro jogo do grupo, entre o Chile e a Austrália, que fecharia o dia. Chegou a parecer que era uma história de golos, quando ainda dentro do primeiro quarto de hora, e apenas num minuto, a equipa sul-americana fez dois. Afinal, o que parecia uma história de golos acabou por não passar duma história banal do futebol - ganha a equipa que tem os melhores jogadores.  

Ganhou o Chile, por 3-1, com o terceiro golo já nos descontos, mas podia não ter ganho, e a diferença até foi feita pelos guarda-redes!

E foi, ao quarto jogo, a primeira arbitragem limpa, sem influência no resultado… 

EURO 2012 (XV) - CONTAS FEITAS...

Por Eduardo Louro

                                                                      

A selecção nacional apurou-se para os quartos de final do euro, um feito assinalável. Porque o fez no grupo de apuramento mais difícil – até lhe chamaram grupo da morte, uma expressão de mau gosto para caricaturar as dificuldades – desta competição, onde todos os adversários foram já campeões europeus, todos à sua frente à frente no top ten do ranking da FIFA, que Portugal fecha e, especialmente, porque a equipa não vinha a atravessar uma fase positiva. Se as condições exógenas eram adversas, as da própria equipa não o eram menos, gerando para o exterior a desconfiança que, como se sabe, em Portugal medra facilmente.

O êxito, o sucesso no apuramento para os quartos de final – objectivo sempre afirmado pelo seleccionador – não era tarefa acessível. Não o atingir, não seria uma derrota para a selecção nacional. Derrota seria não ter feito tudo para o atingir. Derrota seria faltar-lhe ambição para o atingir, aceitar a superioridade dos adversários sem a querer discutir. Derrota seria abdicar das suas armas – que as tem e bem poderosas – e limitar-se nas suas potencialidades.

É claro que a selecção nacional não tem o poder de agarrar nos jogos todos e controlá-los. Se o tivesse seria, evidentemente, um dos maiores candidatos a esta como a qualquer outra prova. Vinha deixando a ideia de ser uma equipa reactiva, que ao longo de todos os jogos reagia em vez de agir. Reagiu, defendendo-se, à iniciativa dos alemães no primeiro jogo. E reagiu quando sofreu o golo, mostrando que tinha argumentos para discutir o jogo com aquela que era (e é!) unanimemente apresentada como a melhor equipa em prova. Como acabou por discutir, deixando que a derrota tivesse soado a injustiça. Ganhamos em quase-golos, como aqui referi!

Depois, com a Dinamarca que das vezes que venceu a selecção nacional nunca convenceu, e que, apesar de imediatamente à frente no ranking FIFA, não tinha argumentos para se superiorizar, as coisas começaram a correr bem. Chegou aos golos sem passar pelos quase-golos mas, depois, sem qualquer razão objectiva, abdicou do controlo do jogo, abdicou da ambição e abdicou do seu potencial, acabando por entregar o jogo ao adversário. Só reagiu de pois de tudo ter deitado a perder. Com sorte, mas sem brilho, conseguiu ganhar o jogo que não podia perder.

Hoje, no jogo de todas as decisões, em que nem tudo dependia apenas de si, a selecção pareceu ir pelo mesmo caminho. Não agarrou no jogo e, aos 11 minutos, mercê de um bom golo de Van der Vaart, já perdia. A equipa deixava muitos espaços, com os sectores muitas vezes distantes entre si, e com Raul Meireles a não acertar. Reagiu, mais uma vez!

João Moutinho trocou com Meireles, e passou a jogar mais sobre a esquerda, mais perto de Coentrão. Depois foi apenas o resultado da reacção, as coisas a começaram a sair bem, as conhecidas fragilidades da defesa da selecção holandesa apareceram e, acima de tudo, apareceu Cristiano Ronaldo. Que aos 16 minutos já enviava o seu primeiro remate ao poste da baliza holandesa!

Seguiram-se oportunidades, minuto após minuto, umas atrás das outras numa avalanche de futebol proactivo, sem que a Holanda pudesse activar o seu poderio atacante. Quando, aos 28 minutos, Cristiano Ronaldo – finalmente endiabrado e ao nível do seu estatuto universal - empatou o jogo, já tinham ficado para trás cinco oportunidades para o fazer. Depois, e até ao intervalo, a selecção nacional criaria mais quatro boas ocasiões para voltar a marcar.

Na segunda parte, à excepção dos dois primeiros minutos que ainda fizeram lembrar o início do jogo, só deu Portugal. As ocasiões de golo sucediam-se e Cristiano Ronaldo, Nani, Coentrão e João Moutinho pintavam a manta. O golo da vitória – escassa para tanta superioridade – só surgiria aos 74 minutos. Depois, mais e mais ocasiões de aumentar o marcador, a última das quais ao minuto 90, num grande remate de Ronaldo – o homem do jogo - ao poste, pela segunda vez.

Foi a melhor exibição da selecção nacional – não na prova, que não era difícil – mas dos últimos longos meses. Com todos os jogadores – Raul Meireles, em deficientes condições físicas e a exigir atenção para o próximo jogo, à parte – a subirem de produção. Se Pepe, Coentrão, Nani, e mesmo Veloso, tinham estado sempre em bom nível, hoje juntaram-se-lhe Cristiano Ronaldo – evidentemente –, João Moutinho e João Pereira. Com esta exibição, e com o resgate de Ronaldo, é de acreditar que a selecção possa ultrapassar os checos e chegar às meias-finais, onde provavelmente encontrará a Espanha.

A selecção holandesa – uma das maiores favoritas – foi uma desilusão. Se não merecera perder o primeiro jogo, com a Dinamarca, mas já fora bem derrotada pela Alemanha, nunca havia sido tão claramente dominada como hoje, pela selecção nacional, que a tornou na equipa banal que não é. É o vice-campeão mundial!

E o segundo dos favoritos - com a Rússia - a regressar prematuramente a casa.

O outro dos jogos dos quartos de final que ficou hoje definido colocará frente a frente a Grécia e a Alemanha. Será certamente mais que um jogo de futebol, com uma envolvente única neste euro. E vem-me à memória uma frase batida (não, não é da canção, mas de Bill Shankly): “ O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais que isso…”

EURO 2012 (X) - LARANJA ESPREMIDA

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Holanda – uma das favoritas – está em maus lençóis. É uma túlipa murcha e uma laranja espremida, sem sumo.

Tinha pela frente a difícil – mas não a impossível tarefa, como a selecção nacional tinha deixado no ar no primeiro jogo – de ganhar à Alemanha. Até entrou bem no jogo, pertencendo-lhe mesmo a primeira oportunidade do jogo, mas depois o vendaval alemão levou tudo à frente. Aos 24 minutos já Mário Gomez, o suspeito do costume, traçava o destino do jogo, com um golo soberbo: passe fantástico de Schweinsteiger, recepção com um pé, rotação e remate com o outro! A partir daí a Holanda desapareceu do jogo e sucederam-se as oportunidades para a Alemanha, com o segundo golo a surgir aos 38 minutos e o apito final da primeira parte a coincidir com mais uma oportunidade clara de golo.

O primeiro quarto de hora da segunda parte foi mais do mesmo. Esperava-se apenas pelo terceiro golo alemão, que acabaria por não surgir. Surgiu, isso sim, uma ligeira reacção da selecção holandesa, que renderia o 2-1 final, num bom golo de Van Persie aos 73 minutos. Um golo que a Alemanha nunca deixaria que fosse ameaçador, controlando em absoluto o jogo através de uma pressão alta permanente. Sintomática a forma como a Alemanha jogou os últimos minutos, em plena pressão sobre a área holandesa.

Como é diferente esta mentalidade!

Nada está decidido no grupo, mas ninguém acredita que a Alemanha não só se qualifique, como deixe de assegurar o primeiro lugar do grupo. O afastamento da Holanda, apesar de difícil de evitar, não está garantido. Cabe à selecção nacional esclarecê-lo! E ao mesmo tempo tratar da sua vidinha…

A Alemanha nesta altura confirma-se como o principal favorito. A mais jovem equipa da competição revela uma maturidade ímpar. Agarra o jogo e não o larga, domina todos os momentos do jogo - como dizem os entendidos – e não tem pontos fracos. Ou se os tem, sabe escondê-los. E o espanhol é um ponta de lança fabuloso. Do melhor que lá está!

A Holanda é, para já, a decepção maior. Uma equipa desequilibrada que, defendendo daquela maneira, não há Roben, Van Persie, Huntelaar ou Sneijder que lhe valham. Nem de nada lhe vale ter só os dois melhores marcadores das ligas inglesa e alemã.

Alguém dirá que esta é a mesma selecção, com o mesmo treinador, que esteve na final do último mundial?

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics