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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Amplitude da ética

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Uma publicação da PWC, onde há quatro décadas comecei a minha carreira profissional, conclui com alguma surpresa que, em 2018, a maioria das causas de despedimento nas lideranças das empresas teve razões éticas. Pela primeira vez foram despedidos mais CEO´s por falharem no comportamento ético do que por falharem objectivos e resultados ou por lutas de poder.

É um sinal dos tempos, e não tenho grandes dúvidas que esta é uma tendência que se irá manter. Tenho dúvidas é sobre a amplitude da ética...

Há poucos dias lia - já não me recordo onde - que o apoio de Peter Handke às atrocidades do nacionalismo sérvio no último grande conflito balcânico, não constituiu qualquer obstáculo para a Academia Sueca lhe entregar o Nobel da Literatura. Já tudo teria sido diferente se agora se soubesse que há trinta anos ele tinha passado a mão pelo rabo da secretária. 

Ainda ontem foi notícia que o CEO da McDonald´s foi sumariamente despedido depois de ter sido conhecido o seu envolvimento com uma "colega de trabalho". Veio a correr confessar que foi um erro, o que não lhe valeu de nada.  E que provavelmente "a colega" não terá apreciado muito... 

No mundo ideal a ética deveria ser a principal fonte de regulação dos negócios, e não poderia de maneira nenhuma ficar-se pelo fait divers do rabo de saia.  Mas isso é no mundo ideal. Aí também o despedido presidente da McDonald´s não teria confessado um erro mas enfatizado uma opção. E talvez nem as acções da companhia tivessem caído...

 

A última fronteira?

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Disputou-se no passado domingo a final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, que decorreu em França, ganha pela selecção dos Estado Unidos (2-0 à surpreendente Holanda), a mais titulada da modalidade. No final do jogo as bancadas irromperam num cântico que rapidamente saiu do Estádio e e rompeu fronteiras: "Equal pay! Equal pay! Equal pay!"

Pouco antes do início do campeonato do mundo, as jogadoras da selecção alemã, a mais titulada na Europa, tinham já lançado o movimento, com um vídeo que se tornou viral. E que a as jogadoras americanas acabaram de replicar, já depois do jogo decisivo e da erupção nas bancadas de há três dias.

Depois de conquistarem o direito a jogar à bola como os rapazes, de superarem o estereotipo das "gajas não sabem" nem têm condições para jogar à bola e, por fim, de demonstrarem, como fizeram em especial neste Mundial de França, que são capazes de produzir um jogo tão competitivo e tão espectacular como os homens, as mulheres do futebol, que há poucas semanas exigiam apenas reconhecimento - evidente no vídeo das jogadoras alemãs -, exigem agora "equal pay". 

Não que lhes paguem salários iguais aos de Messi e Ronaldo, mas que paguem o jogo, que paguem o espectáculo, como pagam no futebol masculino para, depois sim, pagar às Messis e Ronaldas que por aí há, ou que por aí acabarão por surgir.  

A História aqui não difere muito da do resto das actividades. Apenas andou mais depressa. Talvez por ser a última fronteira ...

 

 

Notícia do género*

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De repente, e sem nada que o fizesse esperar, o futebol cá do concelho saltou esta semana para as primeiras páginas dos jornais. Perdoem-me se exagero um bocadinho, se não foi exactamente para as primeiras páginas… Mas que saltou para as páginas dos jornais, saltou. Se não foi nas primeiras também não andou lá muito longe.

Não que algum dos nossos principais emblemas tenha cometido qualquer façanha, nem nada que tenha a ver com o seu desempenho desportivo, bem modesto por sinal. Ambos no primeiro escalão do futebol distrital, onde as coisas não ocorrem nada de feição.

Correm mesmo mal ao nosso Beneditense, que atravessa o pior registo da História, já não ganha há nove jogos – o nosso Ginásio também não se pode rir, não vai muito melhor – e, a cinco jornadas do fim, tem praticamente o destino da despromoção traçado. Quando assim é, sabe-se o que acontece no futebol, seja lá onde for: vai o treinador embora e vem outro!

A notícia é que não veio outro. Veio outra. Exactamente, o comando técnico da equipa foi entregue a Catarina Lopes, uma mocinha de 24 anos que, liderando uma equipa com mais três mocinhas, se propõe pôr aqueles matulões a jogar à bola e ao milagre de salvar o Beneditense da descida de divisão.

Não sei se é a primeira mulher com a responsabilidade máxima no comando técnico de uma equipa de futebol, como o estamos habituados a ver. Poderá nem ser, mas que é notícia para pôr o futebol do concelho nos jornais do país, é!

Já agora convém dizer que a Catarina Lopes, do alto dos seus 24 anos, tem uma vida dedicada ao futebol. Começou a jogar aos seis anos, e chegou internacional nas selecções jovens. Foi campeã nacional e venceu uma Taça de Portugal. E é licenciada em Treino Desportivo, com o mestrado em Educação Física, atributos que certamente justificam a oportunidade que lhe foi dada.

Que o presidente do clube seja o pai, não tem importância nenhuma. Deixemos essas coisas familiares lá para o governo…

Por mim, fico a torcer pela Catarina. E hei-de ver se num destes domingos à tarde consigo passar lá pelo campo de jogos da Benedita …

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

O coiso*

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Não é a primeira vez, nem será certamente a última, que os grandes acontecimentos da semana são abafados por um coiso qualquer. Disse bem, não me enganei: um coiso qualquer, que não uma coisa qualquer.

Numa semana em que não faltaram grandes temas – não é todas as semanas que há uma moção de censura ao governo, que o governo espanhol dá uso ao tal artigo 155, seja lá isso o que for, ou, por muito que pareça que é, que o nosso Cristiano Ronaldo é consagrado como o melhor do mundo – a notícia é um coiso.  

Chamo-lhe coiso porque não encontro melhor palavra para me referir a um ser abominável que tem o poder de produzir coisas tão pérfidas como um conjunto de alarvidades desprezíveis para pretensamente sustentar uma abjecta decisão jurídica, verdadeiramente aberrante, que enoja o país e conspurca a Justiça portuguesa.

O coiso vive na Idade Média, mas administra a Justiça nas mais altas instâncias do edifício jurídico português do século XXI. A ponto de, da sua abjecta decisão, não haver possibilidade de recurso.

Mesmo que indignados, podemos compreender o caracter irreversível do aborto jurídico saído das entranhas do coiso. O que não podemos compreender é que ainda haja coisos destes. E o que não podemos aceitar é a impunidade da coisa.  

Não podemos aceitar que o Conselho Superior da Magistratura tenha sido tão rápido a anunciar que nada tinha para fazer. Não aceitamos, e afinal tinha. Valeu a pena a onda de indignação que atravessou o país. Tanto que já está anunciada a abertura de um inquérito disciplinar ao coiso.

O país aguarda impacientemente pelas suas conclusões. O país e a nova geração de magistrados que está a substituir este e tantos outros coisos. E que já faz da Justiça portuguesa – e esta é também uma notícia da semana – a mais eficaz da Europa no processo cível e a quinta mais eficaz no processo penal.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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