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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O grito da América

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A imprensa norte-americana junta-se hoje em uníssono contra os ataques de Trump e a sua miserável campanha de propaganda, que não tem outro fim que não seja eliminar quem a escrutine e denuncie.

Ao fazer dos jornalistas o inimigo, Trump quer esvaziar a capacidade de escrutínio, eliminar a crítica e deixar o populismo à solta, a salvo da denúnica. Quer fazer das redes sociais palcos de gigantescos comícios à escala global, enquanto convence as pessoas que são os mais limpos veículos de informação, numa comunicação sem filtros nem intermediação. 

Os editoriais de hoje de mais de 350 jornais por todos os Estados Unidos são o grito da América que grita. Um gigantesco grito de protesto contra o populismo e a autrocracia, mas também a afirmação de um compromisso de defesa do jornalismo e da liberdade de imprensa, e um alerta para a importância da independência dos jornais. Que no chamado mundo livre nunca esteve tanto em causa como hoje.

A democracia precisa de uma imprensa forte, livre e independente. Hoje, como diz o título do editorial do New York Times, "A free press needs you"...

 

 

Foram-se os anéis ... vão-se os dedos

Capa Diário de Notícias

 

Esta, a de ontem, é a capa da última edição do Diário de Notícias em papel enquanto jornal diário, como foi durante 154 anos. Desde 1864!

Novos "sinais dos tempos" disfarçados de sinal do tempo. O velho DN vai passar a ser um novo diário digital que regressa ao papel ao domingo. Uma espécie de híbrido. Um diário/semanário no digital/papel de que ninguém espera grande coisa. Nem editorial nem economicamente. Custa até ver o notável Ferreira Fernandes, agora director, querer parecer entusiasmado com a ideia ... 

Depois dos anéis, vão-se agora os dedos. É só isso, nada mais que agonia...

 

Portas

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Não surpreende que Passos Coelho tenha procurado - e pelos vistos encontrado - na(s) Universidade(s) a porta de entrada na vida profissional, agora que, pelos vistos, fecha a porta da política. Não surpreende que alguém cuja única especialidade conhecida era a de abrir portas, seja tão expedito a abri-las para si próprio. Não surpreende sequer alguém que levou vinte anos a fazer uma licenciatura, depois de passar pela chefia de um governo, fique automaticamente qualificado para professor universitário. O que verdadeiramente surpreende é o despudor da imprensa que temos.

Sem ela, sem essa imprensa, Passos não teria exponenciado a sua especialidade em portas. Foi com ela que, em muito pouco tempo, Passos transformou a  pequenina portinha de saída que o diabo lhe tinha apontado na porta grande por onde vai sair este fim de semana.

Não me admiraria muito numa parceria entre os principais players do negócio dos media e algumas universidades privadas para explorar a fileira da porta, sob a cátedra de Pedro Passos Coelho.

 

 

 

Um retrato a cores*

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Parece uma história de crianças, mas é simplesmente a história de dois cadernos para crianças, entre os 4 e os 6 anos, publicados pela Porto Editora: um para meninos, azul, e outro para meninas, cor-de-rosa. Os cadernos de exercícios, ou blocos de actividades como gostam mais de lhes chamar, não têm nada a ver com livros escolares e estavam no mercado já há um ano, coisa que na história é omissa.

Começou a ser mal contada pelo Público, passou para as chamadas redes sociais, e pronto… A onda estava lançada e ninguém mais a parava. Como é costume, ninguém olhou para os ditos blocos, nem ninguém parou para pensar. Houve até uma senhora, investigadora e especialista na matéria, que, embora não poupando no choque nem na estupefacção, referiu que só tinha visto duas páginas. Que lhe bastaram para formular a grande preocupação sobre a representação social trazida para aqueles blocos.  

E, claro, a coisa teria de ir para à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Que foi lesta a, evocando a recomendação do ministro, solicitar à Editora que retirasse os blocos do mercado. Que foi ainda mais lesta a cumprir a ordem. Ou o pedido.

Tudo sem que ninguém parasse um minuto à procura do bom senso, e para reparar que o preconceito não morava nos ditos blocos de actividades, mas apenas num certo jornalismo militante de uma imprensa especializada em manipular a realidade, e em instituições acéfalas e sem qualquer espécie de pudor em seguir a manada nas redes sociais. 

Esta história é um retrato a cores do Portugal de hoje. Mesmo que a azul e rosa. É uma pena, mas é assim: um país com a agenda nas redes sociais, uma imprensa igualmente inorgânica, e empresas sempre a abanar o rabo ao Estado.     

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sem pingo de vergonha*

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Bem cedo se percebeu que a tragédia iria ser objecto de aproveitamento político. Que o diabo anunciado para o Verão passado estaria para chegar, com um ano de atraso, e agora no seu habitat natural, nas chamas do inferno em que o país se tornou.

Tudo começou, se bem se lembram, com a notícia da queda do avião que não caiu, ainda em pleno combate ao incêndio do Pedrogão Grande. Logo a seguir surgiu a notícia dos suicídios, dada pelo próprio profecta do diabo, a que se sucedeu a inacreditável série de artigos publicados no El Mundo, assinados por um jornalista virtual, o tal Sebastião Pereira, que continua a monte. Sem que ninguém se preocupe muito em encontra-lo.  

Num país onde coubesse um só bocadinho de vergonha, esta sucessão de episódios, inspirados nas fake news, que Trump passou a exportar para todo o mundo, teria ficado por aqui.

Não ficou. Neste país já não há lugar para um pingo de vergonha. Não admira que, por isso, tenha sido um jornal dito de referência, o maior e mais influente semanário do país, a não ter vergonha de usar a primeira página para lançar o boato sobre o número de mortes anunciadas. Vergonha ainda mais indesculpável quando, depois, o corpo do texto não tem nada a ver com o título puxado para manchete.

Muita gente se indignou com a chegada de Trump à presidência da América. Mas nem todos perceberam o que isso poderia vir a significar. Muitos percebemos que Trump era um grande mal para a América, poucos perceberam que seria um mal muito maior para outras partes do mundo. É que, por lá, continua a haver jornalistas capazes de o desmascarar, e de denunciar as suas fake news. Por cá, não!

Não houve – não há – jornalista que escrutine e valide a notícia antes de a dar, como mandam a ética e a deontologia. Uma lista de uma senhora, ao que se diz empresária, e ao que se conhece de currículo pouco respeitável, foi quanto baste para suportar um boato macabro. Ninguém se preocupou em compará-la com o que quer que fosse. Ninguém se interessou sequer em ver que lá havia nomes repetidos…

Não. Era preciso lançar a bola de neve. Um número interminável de abutres, maior que o da lista que apregoavam, estava à espera. E este jornalismo não gosta de os fazer esperar!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O ultimato

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Nunca foi tão forte a sintonia entre a direita em geral, e o PSD em particular, e a comunicação social.

Não. Não é no que respeita a ideologia, é na imbecilidade!

E quanto mais fundo cai o nível da qualidade dos seus dirigentes políticos mais se reforça essa sintonia, que terá certamente o seu ponto mais alto no ultimato desse grande vulto político que acaba de chegar à liderança parlamentar, que se dá pelo nome de Hugo Soares.

Já não há paciência...

Capa do Expresso

 

O Expresso - já é costume -  lançou a confusão. Uma vez lançada meteu-se a caminho, que palmilha a passo acelerado sem saber nem onde nem quando vai parar. 

Os mortos do Pedrogão eram mais, muitos mais que os 64 divulgados, começava o Expresso por adiantar. A direita entrou em êxtase. Passos nem cabia em si, profundamente convencido que é na desgraça que encontra a salvação. O governo escondia a lista oficial dos mortes porque, claro, numa lista é fácil contar.

Com a lista que o governo não quer divulgar, era canja: chegava-se aos 64 nomes e e a lista continuaria por ali baixo, alegre e contente, como se em vez de mortos estivéssemos a consultar uma lista de premiados da Santa Casa.

Então o Expresso tem  acesso à lista e conta, um a um. Dá 64. Não, esperem: dá 64 por causa dos critérios, que excluem as mortes indirectas. Fossem outros os critérios de lá teríamos de certeza muitos mais que os 64. Fossem outros os critérios e teriam contado com aquela mulher atropelada, a fugir do fogo. Fossem outros os critérios e, contando esta mulher, seriam 65. Muito mais que 64!

Acredito que haja quem ache isto interessante. Mas serão certamente (também) muitos mais os que já não têm paciência para isto...

A luta continua...

Capa do Público

 

A saga das sanções continua. Esgotado todo o material de propaganda, sem mais nada à mão - não que tudo corra às mil maravilhas, apenas porque, apesar de tudo e de todos os esforços em contrário a geringonça lá vai andando, saltando obstáculos e cumprindo metas - a entourage pafista agarra-se às sanções da Europa. Já nem lhes importa que já toda a gente saiba que o incumprimento a sancionar é todo seu. Do seu Passos Coelho, da sua Maria Luís, do seu Paulo Portas, e da sua saída limpa. Nem lhes importa que venham as próprias instituições europeias desmenti-los...

No fim de semana que deixamos para trás, a notícia era o congelamento dos fundos europeus. Nada mais que 16, como se vê na primeiria página do Público, de ontem. 

E como se viu em praticamente toda a imprensa. E na televisão. A Europa desmentiu, disse que era tudo mentira. Mas ninguém lhe deu muita atenção. E, no Público, nem sequer foi notícia. Foi olimpicamente ignorada!

Não sei se o presidente Marcelo não deveria chamar hoje mais gente a Belém. Se o objectivo é pôr alguma ordem na casa, não sei ... não!

 

Desinformação e provocação

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 É frequente referir-me aqui a questões de ética e deontologia na imprensa, nas televisões e na comunicação social em geral.  

Como já o tenho referido nessas outras ocasiões, este é um problema que os últimos anos agravaram. Não sei se os jornais, as rádios e as televisões são hoje mais parciais porque é maior a crispação política, porque são mais visíveis as feridas abertas na sociedade portuguesa ou se, pelo contrário, o confronto e a radicalização são hoje maiores pela forma como principalmente os jornais, e as televisões os alimentam. O que eu sei é que nunca na democracia portuguesa o enviesamento, a distorção e a manipulação estiveram tão instalados na comunicação social. Que nunca foi assim tão descaradamente parcial.

O problema é claro, e está á vista de todos. E é grave. Já é grave que as televisões estejam permanentemente ocupadas por juízes em causa própria a agir como se estivessem a fazer opinião. É inaceitável que gente que decidiu e decide o rumo do país seja paga – e muito bem paga – para não fazer outra coisa que defender as agendas escondidas que servem. Mais grave ainda é que sejam jornalistas a fazê-lo a coberto de um estatuto e de uma carteira profissional.

São hoje inúmeros os exemplos de jornalistas que são mais conhecidos pela controvérsia que provocam do que propriamente pelo seu mérito profissional. Dispensam-se nomes. São muitos, e conhecidos.

Às vezes, há quem se passe. Esta semana houve quem se tivesse passado. Houve quem arrancasse um microfone suspeito de uma mão insuspeita, com uma pergunta tão estúpida quanto suspeita, e o atirasse ao fundo de um lago. E houve quem se irritasse nas redes sociais, chamando-lhes mentirosos e perguntando por que não são despedidos.

A afirmação faz sentido: são mentirosos, não têm outo nome. Já a pergunta é um pouco, se não mesmo totalmente estúpida: toda a gente sabe que é mesmo por isso e para isso que são contratados. Como despedidos?

Longe vão os tempos em que tudo se tornava irrefutável com um simples “vem no jornal”. Os tempos em que mediante a exibição de uma página de um jornal se acabava com as dúvidas. E com a discussão!

E são os jornalistas os principais culpados disto. Os outros, dos outros. Do outro lado. Como alguns reconhecem. Se calhar só porque também passaram por elas...

 

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