Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brincar com o fogo

Resultado de imagem para eduardo cabrita

 

Não é por Marques Mendes, na sua homilia dominical da SIC, ter declarado desastrosa a sua actuação que a semana do ministro da Administração Interna foi um desastre. Para ele, para o primeiro-ministro António Costa e, pior que isso, para o país. 

O desastre é que na política portuguesa, em vez de se escolherem para ministros pessoas profissionalmente competentes, eticamente inatacáveis, e capazes de assumir as suas responsabilidades, se escolham pessoas pelo dito peso político. Mais a mais quando esse é um peso avaliado numa balança que, em vez de pesar, mede fidelidades.

Em vez de peso pesado da política, Eduardo Cabrita revelou-se apenas um rapazinho de 10 quilos a "brincar com o fogo". Que sempre se disse aos miúdos que dava mau resultado!

 

 

Boca do Inferno*

Resultado de imagem para o inferno

 

Quando o inferno dos incêndios voltou a instalar-se entre nós, trazendo consigo tudo o que já sabemos que sempre traz – intermináveis debates nas televisões, sempre com gente muito conhecedora do fenómeno em todos os seus ângulos, entrecortados por intermináveis directos de fazer arrepiar – tivemos a notícia da greve dos motoristas, que se iniciará dentro de pouco mais de duas semanas.

O ministro já nos aconselhou a encher os depósitos dos automóveis, coisa que certamente a maioria de nós fará e que bem poderá fazer com que as bombas de gasolina fiquem esgotadas logo no início da greve, em vez de nos habituais dois ou três dias seguintes. Mas enfim…

Para além de combustíveis nos depósitos podem faltar também alimentos nos supermercados e medicamentos nas farmácias, mas aí já não chegaram os conselhos do ministro…

É, em pleno pique das férias, o inferno a estender-se para o litoral, lançando o caos nos hotéis, nas praias, nos restaurantes, nas cidades. É definitivamente tornar a vida dos portugueses num inferno: à maioria estragando-lhes as férias, aos outros, o trabalho. A todos, um país já tão estragado.

Parece que a ideia desta greve é também tornar as eleições num inferno para o governo, ao que consta de uns relatos que por aí andaram. Mas começa também a ficar a ideia que o governo está a levar isso muito a sério.

Para inferno, já lhe chega o que está a arder. E bem pode encontrar um coelho qualquer para, à boca do inferno, tirar de uma qualquer cartola...

Resultado de imagem para boca do inferno

*Aminha crónica de hoje na Cister FM

Outra vez!

 

             Capa Correio da ManhãCapa Diário de NotíciasCapa Público

 

Os incêndios regressaram, e com eles se encheram as primeiras páginas de todos os jornais de hoje, como se abriram os noticiários da rádio e da televisão de um fim-de-semana de aflição. 

Incêndios, outra vez! E outra vez nos mesmos sítios, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas de há dois anos. E de sempre: Vila de Rei, Mação, Sertã... Falta Oleiros. Que se passará com Oleiros?

Outra vez falta de meios. Outra vez descoordenação. Outra vez as mesmas palavras de sempre. Outra vez criminosos à solta. Porventura os mesmos, outra vez.

Sem políticos no terreno, a atrapalhar e a meterem os pés pelas mãos. Desta vez. 

 

E vem-nos à memória...

Imagem relacionada

(Imagem daqui)

 

Está a decorrer no Tribunal de Leiria a fase de instrução do processo dos incêndios de Pedrogão Grande, em Junho de 2017, com treze os arguidos, entre os quais os presidentes, então em funções, dos três municípios abrangidos: Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. 

Na última sessão, um então administrador (José Revès, assim se chama) da empresa (Ascendi Pinhal Interior) concessionária da manutenção da "estrada da morte", explicou ao juiz de instrução  que "aquando da intervenção da troika no nosso país houve uma renegociação do contrato de concessão com o Estado, em Maio de 2013, o que obrigou a diminuir os serviços. Por isso, a faixa de gestão de combustível passou para exclusivamente três metros".

Puxamos um bocadinho pela memória e lembramo-nos todos das apregoadas renegociações das PPP rodoviárias do governo de Passos Coelho. E dos anunciados ganhos para o Estado que se festejaram. Mas já não precisamos de puxar tanto pela memória para nos lembramos das responsabilidades de António Costa, e de todos os seus ministros, nas trágicas mortes naquela estrada...

Pois é ... e o Estado falhou.

E vem-nos à memória, não uma frase batida, como canta o Sérgio, mas o que se está a passar na Saúde...

Calamidade

Imagem relacionada

 

Os incêndios trouxeram o Apocalipse à Califórnia. Só neste que desde 8 de Novembro lavra a norte, que já devorou a cidade de Paradise, e que não será possível de controlar antes do final do mês, os números são verdadeiramente apocalípticos: 76 mortos, à espera da actualização pelos mais de 1300 desaparecidos; 12 mil edifícios destruídos; e 60 mil desalojados.

À voracidade das chamas acresce a voracidade do fumo, que transformou já o norte da Califórnia na região com piores níveis de poluição no mundo, acima de muitas das mais sobre-poluídas cidades da China ou da Índia.

Há muito que os especialistas dizem que as alterações climáticas fizeram aumentar a temperatura média,  aumentando os riscos de incêndio, e secaram os solos,  agravando-lhe as consequências. E os Estado Unidos são, depois da China, quem mais contribui para o aquecimento global. 

Já depois de ter admitido que o aquecimento global “pode ter contribuído um pouco” para a progressão fulgurante das chamas, interrogado por um jornalista se mantinha as suas convicções sobre as alterações climáticas, Trump garantiu que sim, que eram bem firmes e que ... traria de volta o bom clima à América.

É isto. A calamidade é também isto!

 

 

Síndrome do disparate

Resultado de imagem para antónio costa monchique é a prova

 

António Costa tem um problema sério com os incêndios. Não é que não sobrem sinais que tem problemas com muitas outras coisas, mas com os incêndios é mesmo coisa séria.

Basta-lhe pensar em incêndios para a sair disparate. É tiro e queda!

Mas, francamente, dizer que Monchique "foi a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias" ultrapassa a dimensão do disparate. É que aqui não há contexto nem circunstâncias que lhe valham. A palavra "sucesso" é simplesmente assassina quando o fogo galga quilómetros e hectares dias a fio, sem que nada nem ninguém o detenha. Mesmo para invocar a excepção!

Tratando-se António Costa de um político afamado pela tarimba, só pode mesmo sofrer de um forte distúrbio psicossomático, provocado por um estranho síndrome de uma mistura explosiva de férias e incêndios.

As diferenças

 Resultado de imagem para monchique

 

Monchique continua a arder. Depois das altas temperaturas, agora é o vento... Dado por controlado ontem, ao fim da manhã, ressurgiu ainda mais pujante e ameaçador a meio da tarde.

Arderam já perto de 20 mil hectares, e dezenas de casas de habitação e outras estruturas. Há pessoas queimadas com gravidade mas, felizmente, ainda não há mortes. E aqui está a grande diferença para o ano passado.

A outra está na meterologia, que fez destes primeiros dois meses de Verão os mais frios e húmidos de que há memória.

Nunca se tinha visto tanto investimento na prevenção e combate aos fogos. O próprio e insuspeito Presidente Marcelo, em férias que não são férias pelas zonas que arderam no ano passado, era (ainda é?) a cara do optimismo. Hoje, a convicção que começa a generalizar-se é que pouco mais se fez que propaganda.

As instituições que superintendem nestas matérias, da floresta e da natureza, à protecção civil e às operacionais, mantêm-se paquidérmicas. Feitas de gente instalada, irreformáveis... Só a metereologia nos valeu!  

A metereologia e um empenho, esse sim como nunca se tinha visto, em salvar vidas. Que nos traz também um flagrante choque de prioridades, onde a inegociável prioridade da defesa da vida humana choca, muitas vezes violentamente, com a prioridade das populações à defesa dos seus haveres: as pessoas procuram defender os seus bens, sem olhar a riscos; as autoridades públicas procuram impedi-las de correr riscos, sem olhar aos seus bens... 

Tudo a arder

As imagens em directo do incêndio em Monchique

 

O país volta a arder. Desta vez mais a Sul, porque o resto ainda não dá... As televisões voltam aos intermináveis e indigeríveis directos. Em estúdio sucedem-se os especialistas. Cada vez mais, há sempre mais um, que ainda não conhecíamos. 

Vemos as chamas a dançarem a dança da morte à volta de Monchique - desta vez é que lá se vai o resto do medronho, o melhor destilado que se faz em Portugal - e interrogamo-nos: como é que possível, com tanto especialista? O que é que toda esta gente gente fará quando país não está a arder? Onde é que aplicam tanto conhecimento?

A arder está também o PSD. Depois do fogo de artifício Santana Lopes, que bem deveria saber que a arte da pirotecnia deveria estar interdita nesta altura, é Pedro Duarte, mais um ex-líder da Jota, a puxar do fósforo. E Rui Rio já parece Monchique. Sem medronho, que nunca teve...

Estávamos avisados...

Resultado de imagem para incêndios na grécia

 

 

Perante a tragédia dos incêndios na Grécia é impossível não lembrar o que se passou em Portugal no ano passado, que nunca seremos capazes de esquecer. 

Portugal e Grécia têm muita coisa em comum. A maior delas é a geografia, por muito que muitos, alguns de forma miserável, queiram encontrar outras. E, logo  a seguir, o nível de desenvolvimento que, se calhar, empurra o mais miseráveis para as mais miseráveis comparações.

Em Portugal os incêndios queimaram e mataram no interior desertificado e pobre, e a responsabilidade foi atribuída à macrocefalia do país, de um país virado para o litoral, de costas para o interior. Na Grécia ardeu o litoral, arderam as praias e os resorts, apinhados de gente, e a responsabilidade foi atribuída à especulação imobiliária.

O norte da Europa, atingido pelas altas temperaturas do sul, também está a arder.  Noruega, Finlândia e especialmente a Suécia, estão, como nunca, a ser devastadas por fogos. E no entanto pouco - ou mesmo nada - têm em comum com a Grécia e Portugal.

Por todo o mundo os incêndios estão a tomar proporções nunca vistas, mesmo naquelas zonas mais habituadas a estas catástrofes, como aconteceu há semanas na Nova Zelândia, e na semana passada na Califórnia.

No Japão, mesmo sem incêndios, morre-se por estes dias ... de calor. E noutras regiões com inundações...

Não vale a pena ignorar. Há 30 ou 40 anos que andamos a ser avisados disto pela comunidade científica. Nunca foi dada importância nenhuma a esses avisos, havia sempre coisas mais importantes a tratar. Trump ainda hoje nega isso tudo, e continua a ter coisas mais importantes para fazer...

Estamos já a viver aquilo que muitos de nós, sempre centrados no nosso umbigo e incapazes de ver um bocadinho mais além, julgávamos não acontecer no nosso tempo. Aquilo que sempre pensamos que seria problema dos outros, e muito particularmente dos que cá chegassem depois de nós. 

Claro que não sentimos, todos, os efeitos da mesma maneira. Os mais desenvolvidos terão sempre mais condições para os minorar. Por isso os incêndios matam mais na Grécia e em Portugal que na Suécia ou na Noruega!

A ocasião faz o ladrão*

Resultado de imagem para solidariedade nacional incêndios

 

O assunto vinha sendo falado entre dentes, mas agora é já à boca cheia, a ponto de se dizer que até já chegou ao Ministério Público. Refiro-me a esquemas de aproveitamento fraudulento dos fundos para a reconstrução de casas nas zonas atingidas pelos trágicos incêndios de Pedrógão Grande, há pouco mais de um ano.

Já se falou de desvios de fundos disponibilizados pela gigantesca onda de solidariedade nacional, de valores que nunca apareceram, de outros que ficaram retidos nas malhas da burocracia e até dos que acabam consumidos nos meandros da sua própria gestão, quase sempre autofágica.

Agora sabe-se que, depois de 17 de Junho do ano passado, depois dos incêndios, houve gente que alterou a morada fiscal para garantir o acesso aos fundos de reconstrução. Que há casas que nem casas eram, e casas ardidas que nem sequer arderam. Que vale tudo para enganar todos!

Dir-se-ia que é notável como somos capazes de ser tão generosos e, ao mesmo tempo, tão gananciosos. Como somos capazes do melhor e do pior, de tudo e do seu contrário. Como somos capazes de dar e de roubar. Como somos capazes de responder como ninguém à desgraça alheia, mas também, como ninguém, de nos aproveitarmos dela. Dir-se-ia que somos um povo bipolar, do oito e do oitenta, como tantas vezes de nós próprios dizemos.

Mas não. Não é nada disso. Porque não são os mesmos que dão que, depois, vão roubar. Não são os mesmos que correm a acudir que, depois, correm a sacar. Não. Uns dão, outros roubam. Uns acodem na desgraça, outros sacam nos despojos.

Uns e outros são portugueses. É por isso que nem os portugueses são de uma generosidade ímpar, nem os portugueses são uma cambada de aldrabões sempre à coca de enganar tudo e todos. Há uns e outros…

Só que … “a ocasião faz o ladrão”. E em Portugal o que não falta é ocasião!

 

*A minha crónica de hoje na Cister FM

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics