Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

E lá está a TSU de volta. Indignados é que não!

 Imagem relacionada

 

Este perigoso governo da esquerda radical vai mesmo levar para a frente a sua proposta de aumentar o salário mínimo para 557 euros. As organizações patronais acham isso um exagero, muito acima dos 540 que estavam dispostas a aceitar: são 17 euros a mais por mês, qualquer coisa que até quase chega para um café por dia. Não é bem, mas já não falta muito. Uma exorbitância!

A não ser que... Isso mesmo: a TSU... Lembram-se?

Pois, aí está ela de volta. É a solução para tudo. A sustentabilidade do sistema até está em causa. Por isso a idade da reforma sobe todos os dias. As pessoas têm que trabalhar cada vez até mais tarde, mesmo que não tenham emprego. Aos 65 anos estão em muito boa idade para continuar a trabalhar, se tiverem emprego. Já não estão é em idade para conduzir o carro, ao que parece... A TSU é que não tem nada a ver com isso. Está sempre à mão...

Ah... E já não há indignados!   

SURPREENDENTEMENTE INDIGNADO

Por Eduardo Louro

 

As grandes manifestações do passado sábado, que acrescentarão o 2 de Março às datas que fazem a História deste nosso país, juntaram portugueses de todas as classes, de todos os quadrantes e de todas as idades. Mas têm sido particularmente referenciados os reformados e pensionistas.

A referência a tão grande participação de reformados não surpreende. Se é certo que os idosos e pensionistas constituíam uma das bases de apoio do poder em Portugal, mesmo uma das bases de sustentação do bloco central, não o é menos que, abrangendo hoje uma significativa fatia da sociedade, é também um dos grupos sociais mais atingidos pela austeridade que tomou conta do país.

É verdade que, numa população tão fortemente penalizada pelo desemprego, pela precariedade e pelos salários baixos, não faz muito sentido procurar os mais sacrificados. Mas, à luz de direitos perdidos, de quem tem agora muito menos do que já teve, os reformados têm razões suficientes para engrossar o número de descontentes. Fizeram-no sentir nas manifestações de sábado e fazem-no sentir em associações que temos vindo a conhecer.

Já ouvíramos falar da APRE (Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados), que de resto se fez representar nestas manifestações. Agora ouvimos falar do MRI – Movimento dos Reformados Indignados!

Que todos estão indignados já sabemos. Que quase todos têm razão para isso, também. O que surpreende é que à cabeça deste novo movimento surja um banqueiro, agora inibido, que acabou de ser condenado a pagar multas de 800 mil euros por violações graves no exercício da sua actividade na administração do BCP, a que presidiu em substituição de pensionista mais indecoroso do país – Jardim Gonçalves, seu compagnon de route na construção do maior caso de sucesso da banca portuguesa. O que surpreende é que Filipe Pinhal, com uma pensão (vá lá, está bem aquém de metade da de Jardim Gonçalves) de 70 mil euros mensais, se sinta indignado.

O que surpreende e nos deixa indignados é que se meta tudo no mesmo saco!

INDIGNAI-VOS

 

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

A indignação é um sentimento cada vez mais presente na vida das pessoas, no nosso país e um pouco por todo o mundo. O movimento dos indignados aí está, por todo o lado, como manifestação contra o poder e o mau uso que dele é feito.

A indignação deve ser considerada como um exercício de cidadania activa recomendável numa democracia saudável, baseada na informação plural e séria. Mas a própria democracia começa a estar em causa com a inflexão para outro modelo - “pós-democracia”- arrastados pela influência do eixo franco-alemão e pela supremacia dos especuladores financeiros sobre o poder político dos países, levando nomeadamente à imposição de governos técnicos como na Grécia e na Itália.

Assim, indignai-vos para que não se perca a democracia, tendo a polis como referência e não a empresa, e para que não se percam a liberdade e os direitos conquistados. Indignai-vos, através da atitude individual ou colectiva, com ou sem greves gerais, antes que a revolta dos espíritos se manifeste com rebeliões de cocktail-molotov ou golpes de estado.

Indignai-vos contra aqueles que, pelas suas ações governativas, nos levaram à humilhante identificação de PIGS. Indignai-vos, reclamando o projecto europeu de paz, bem-estar, justiça social e democracia participada, com dimensão ética e ambiental.

Indignai-vos contra partidos, corporações, ordens iniciáticas e afins, que sob um eventual pretexto ou filosofia louvável de serviço público, apenas formatam solidariedades entre pessoas da política e da finança, para benefício próprio e dos seus pares, e não da sociedade.

Indignai-vos contra as organizações e a administração pública, quando valorizam a “excelência” com base em critérios de cor política, de cotas e conveniências, e não do mérito. Indignai-vos contra as cumplicidades com os paraísos fiscais, que responsáveis políticos escondem ou ignoram com natural indiferença.

Indignai-vos contra a comunicação social, que “injustamente” sacrifica figuras públicas com escândalos sociais, morais, de fraude económica e outros, incriminando “gente inocente” - inocência por direito próprio e imaculada pela justiça.

Indignai-vos contra a marcha que nos leva à pobreza e contra a pobreza que nos faz escravos.

Indignai-vos contra tudo o que fere a dignidade e compromete o futuro. Indignai-vos, pela participação activa e contra a indiferença. Podemos ser pacientes mas vigilantes, tolerantes mas não resignados.

“Indignai-vos”, é também, o título de um pequeno livro, espécie de manifesto, de Stéphane Hessel, com prefácio de Mário Soares, e que se lê por impulso. Stéphane Hessel, agora com 93 anos, lutou contra o nazismo, duas vezes evadido de campos de concentração, foi colaborador do general De Gaulle na resistência francesa, diplomata, embaixador vitalício e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

 “A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar”: diz Hessel. Que alerta, para o “facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação como no tempo em que o nacional-socialismo ameaçava o mundo livre”. E especifica: “Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muitos pobres e muitos ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos imigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros.”

A indignação é um valor, a chave do compromisso que deve conduzir à acção política como tomada de consciência, decisão racional, desejo de servir, amor à justiça ou à verdade … A pior das atitudes é a indiferença!

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics