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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A implacável lei do mais forte

A lei do mais forte voltou a ser implacável.

A França não era apenas favorita na disputa do acesso aos quartos de final com a Polónia. É claramente favorita à conquista do mundial, e a igualar o Brasil na revalidação do título de campeão, até agora feito único, em 60 anos (1958 e 1962). 

É a selecção mais exuberante - malgré a derrota das suas segundas linhas frente à Tunísia - com os alas mais rápidos e mais dotados tecnicamente deste campeonato do mundo, com um dos melhores "10" - Griezmann - e com um dos pontas de lança que melhor conhece cada m2 da área, e que melhores instrumentos de finalização apresenta. Tudo isto, mesmo sem o "melhor do mundo", a novae linguae para o bota de ouro, mesmo que saibamos quem é o eterno dono do epíteto. E sem mais uns quantos do melhor que há nas suas funções.

A Polónia era apenas a pior das selecções qualificadas para os oitavos, apurada com uma derrota clara com a Argentina, sem um único remate. À custa de  Szczeny, o guarda-redes da Juventus, um dos melhores naquela posição que, na selecção polaca, ofusca o anterior "melhor do mundo" - o pobre e desamparado Lewandowosky - mesmo que saibamos que o "melhor do mundo" nunca muda, e é sempre o mesmo.

Na fase inicial há surpresas, quando chega a hora do "mata-mata", como lhe Scolari lhe chamava, a "lei do mais forte" tem mesmo força de lei. Voltou a sê-lo.

A Polónia limpou até a imagem trazida da fase de grupos. E Czeslaw Michniewicz, o seu seleccionador, até pareceu menos Fernando Santos.

Mas nada pôde fazer perante Giroud e Mbappé. O primeiro, com o primeiro golo, a superar Henry como melhor marcador de sempre da selecção francesa. O segundo, com dois golos, a superar o registo do "melhor do mundo" cá do sítio em fases finais do campeonato do mundo, e a igualar o registo de Eusébio - este estabelecido na única fase final mundial em que pôde participar e a nova obsessão do "melhor do mundo" - e, aos 23 anos, a ficar já com os maiores goleadores dos mundiais debaixo de mira. Que, para se perceber a "patetice" do "melhor do mundo", são "apenas" outros 10: Klose, Ronaldo, mas o outro, Gerd Muller, Fontaine - com o recorde de mais golos marcados num único torneio Mundial, com 13 golos em 6 jogos, em 1958, na Suécia, e que deixou o futebol aos 28 anos - Pelé (infelizmente à beira de se despedir de nós, para se juntar a tantos destes nome que fizeram do futebol esta coisa maravilhosa que amamos) -, Kosics (com 11 golos em 1954, na Suíça, um registo só atrás de Fontaine, com uma média de 2,2 golos por jogo), Klinsmann, Helmut Rahn, Thomas Müller e Gabriel Batistuta. 

A selecção francesa entrou dominadora mas, a partir do meio da primeira parte, os polacos passaram a equilibrar o jogo e, supreendentemente, a discuti-lo no campo todo e a rematar à baliza francesa. Só nos últimos minutos a França voltou a superiorizar-se, muito à custa da subida dos polacos no terreno, acabando por marcar, mesmo em cima do intervalo, no tal golo de Giroud.

Com vantagem no marcador a França geriu o jogo a su bel-prazer durante toda a segunda parte, aproveitando o contra-ataque para marcar mais dois golos, os dois de Mbappé, o último já depois dos 90 minutos. Na segunda parte a Polónia praticamente não rematou, mas acabaria por marcar, já depois de esgotado o tempo de compensação, num penálti - daqueles que caem do céu - que Lewandowsky marcou, à segunda. Com categoria, depois de, antes, Lloris ter defendido, adiantando-se antes da bola partie, o que seria o segundo penálti desperdiçado pelo goleador polaco. 

O segundo jogo do dia, mesmo que muito diferente, não teve uma história assim tão diversa.

Do Senegal esperava-se muito. Espera-se sempre muito das melhores selecções africanas, como é o caso desta. Por isso fica sempre alguma frustração quando ficam aquém do que prometem.

A selecção senegalesa não prometera apenas na fase inicial. Começou por prometer no início do jogo, cabendo-lhe até a primeira grande oportunidade do jogo, e discutiu bem o jogo durante quase toda a primeira parte. Mas acabou por afundar-se nos minutos finais, sucumbindo ao contra-ataque inglês.

Com dois golos em menos de 10 minutos, o segundo já depois de esgotado o tempo de compensação, finalmente o primeiro na competição do superlativo Kane (sempre interveniente nos golos, mas a tardar a marcar), que já iniciara o contra-ataque para o primeiro, de Henderson, a Inglaterra acabou com a organização do Senegal.

Com o terceiro golo, também o terceiro de Saka neste mundial, e de novo em contra-ataque, ainda bem dentro do primeiro quarto de hora da segunda parte, a Inglaterra passou a gerir o jogo, já a pensar na França, nos quartos de final.

Que tem tudo para ser um grande jogo, e vai deixar de fora um dos mais fortes candidatos. 

Com a despedida do Senegal deste mundial não é só grande parte do perfume do futebol africano que se despede. É também a cor e a alegria que os senegaleses, como mais ninguém, trouxeram às bancadas! 

 

 

 

E lá vem mais um ...

Tory leadership race: Who is former chancellor Rishi Sunak? | Politics News  | Sky News

Ao conseguirem impor Rishi Sunak, as élites dos Conservadores britânicos, pela mão do Comité 1922, livraram o partido de mais dois dos momentos do ridículo que têm sido os últimos tempos. Primeiro, ao impedir Boris Johnson de regressar, semanas depois de ter sido obrigado a demitir-se. Depois, ao obrigar Penny Mordaunt a desistir da candidatura que levaria a decisão para as bases do partido, que ainda há poucas semanas tinham preferido Liz Truss a ...  Rishi Sunak.

Pelo meio, com o multi-milionário Rishi Sunak, conseguiu ainda satisfazer "os mercados" e evitar que se repetisse o ridículo a que Liz Truss conduziu a política inglesa nos últimos dias.

O que não conseguiu, e aí não tem volta a dar-lhe, foi estancar a degradação de 12 anos de poder, nem relegitimar o Partido Conservador no governo, agora entregue a quem não foi escolha dos britânicos, como fora Boris Johnson, nem sequer das bases do Partido, como tinha sido Liz Truss. 

Liz Truss, a breve!

Liz Truss - news, comment and analysis - New Statesman

Bastou pouco mais de um mês à frente dos destinos ingleses para Liz Truss confirmar toda a sua história de vida. A história de que todos os caminhos servem para quem não sabe para onde vai!

Ao longo da sua vida política Liz Truss foi tudo e o seu contrário. Quis ir a todo o lado, e a lado nenhum. Em pouco mais de um mês no nº10 de Dowing Street só não fez asneira nas primeiras duas semanas, enquanto esteve quietinha, com a nação entretida no longo funeral da rainha.

Já vai no segundo ministro das finanças, Jeremy Hunt. Que, com o mundo a desabar-lhe em cima, o primeiro anúncio que fez foi o de fazer "tudo ao contrário" do seu antecessor - Kwasi Kwarteng, ministro de Liz Truss por um mês. 

Os ingleses sabiam que seria assim. Os Conservadores, que por maioria de razão, melhor o deveriam saber, não se importaram; e agora terão de dar-lhe o caminho que acabaram dar a Boris Johnson. Diz-se que estará por dias. Ou até por horas ...

Os 52% que há pouco mais de seis anos, embalados por Boris Johnson, Theresa May e Liz Truss, votaram sim ao brexit, já devem ter percebido que foram enganados. E já não faltará muito para que os ingleses percebam que a União ao continente era a união das ilhas e do Reino. 

Luto nacional

Governo aprova três dias de luto nacional - Notícias - A Embaixada -  Embaixada de Portugal em Moçambique

Três dias de luto nacional pela Rainha de Inglaterra?

Por que carga de água?

Bom... se as televisões portuguesas vão em duas semanas sem falar de outra coisa, se calhar ainda é pouco. Mesmo assim gostaria de saber que outros países, à excepção daqueles que obedeciam à soberania da rainha, decretaram idêntico luto. 

Isabel II reinou muitos anos. Ainda assim não tantos que tenha sido ela a assinar aquele telegrama de 11 de Janeiro de 1890. Que, curiosamente, é sempre esquecido, ao contrário da mais antiga aliança do mundo. Há muito mais tempo - mais de 500 anos antes - mas sempre lembrada.

Que raio de memória selectiva...

A senhora que se segue

Liz Truss promete agir imediatamente face ao aumento de preços no Reino  Unido - Atualidade - SAPO 24

Liz Truss, de 47 anos, acaba de suceder a Boris Johnson na liderança do Partido Conservador britânico e, por consequência, na liderança do governo. Com escassa vantagem na escolha dos militantes conservadores e, por isso ou não, a suscitar escasso entusiasmo. 

Tida por integrar a ala mais à direita da direita conservadora, prossegue pelo trilho do seu antecessor. O que não será a melhor das notícias, nem para os conservadores, que estão na iminência de passar a pasta aos trabalhistas, nas próximas eleições, dentro de dois anos. A que não é sequer certo que consiga chegar ... 

Pois é, tinha que ter alguma coisa para dizer sobre isto!

 

Estava a ver que acabavam as celebrações dos 70 anos do reinado de Her Majesty Queen Elizabeth sem que disso aqui desse conta. 

Não segui os acontecimentos de perto. Nem de longe. Mas fui apanhando nas notícias uma ou outra coisa, percebi que a estrela do primeiro dia foi o príncipe Louis, o mais novo de Kate e William, duque de Cambridge. Que tomou conta da varanda Palácio de Buckingham, onde Harry e Meghan não tiveram entrada, e das capas de revistas. Reparei na elegância de kate, claro. Meghan também não ia nada mal, quando teve direito a aparecer, na missa em St Paul's Cathedral. Nem mesmo a mulher de Boris Johnson, apesar daqueles apupos todos, que não seriam certamente pelo vestido. Gosto daquela cor, como se sabe.

Ouvi de relance especialistas em protocolo a dizer banalidades. E fiquei até a saber que há "consultores de sociedade", que era profissão que ignorava. Mas o que me fez mesmo ter alguma coisa para dizer sobre estas celebrações foi ter apanhado de raspão uma entrevista, em estúdio, da nossa duquesa de Bragança. A Senhora Dona Isabel Herédia, a esposa do nosso pretende ao trono, o Senhor Dom Duarte, como um dia destes ouvi chamar-lhe numa amena cavaqueira entre dois jovens monárquicos, que se passava ao meu lado no intervalo de um evento social, que para aqui não interessa nada.

Não tinha nota de aparições públicas da Senhora Duquesa - falha minha, com certeza - e não quis perder a oportunidade de ouvir o que ela tinha a dizer. Confesso que, mais do que tinha a dizer, a minha curiosidade era pela forma de expressão. Pela desenvoltura e pela articulação verbal. Mais pela forma que pelo conteúdo, de que não esperava nada de especial. Desiludido logo nas primeiras sílabas pela forma, esperei pelo conteúdo. E aí fiquei siderado: a senhora duquesa começou por dizer que tudo aquilo, todo aquela festa popular só era possível na monarquia. Que na República nunca haveria um Presidente tantos anos. Não imaginam o que me sossegou ficar a saber que Putin poderá estar por dias, e que kim jong un - que, já agora, também felicitou a Rainha pelo seu jubileu de platina -  não se pode fiar na sua juventude. 

O ímpeto decisivo para trazer aqui estas celebrações surgiu quando a senhora duquesa rematou a entrada com "veja bem, toda a gente em todo o mundo conhece a Rainha de Inglaterra, e ninguém sabe quem é o Presidente da República da Alemanha". Só que foi o mesmo que me deu para deixar a senhora por ali, e desligar o televisor.

 

Euro 2020 - Inglaterra, pois claro. Provavelmente justo, mas falso!

Penálti polémico decidiu Inglaterra-Dinamarca: veja o lance na grande área

 

Foi um dia sem surpresas. Sem surpresa a notícia (do dia) da detenção de Luís Filipe Vieira, e sem surpresa o apuramento da selecção inglesa para a final do Europeu, no próximo domingo, com a Itália.

Sem surpresa porque era favorita perante a sensacional selecção dinamarquesa. Uma grande equipa, e uma grande selecção. Quando se fala em cair de pé, é o que se tem de dizer destes dinamarqueses.

Foi um grande jogo, mais um numa competição de grandes espectáculos de futebol. Com mais um grande golo, o da Dinamarca e primeiro do jogo, o único de livre directo até agora, que já só falta a final. As equipas foram alternando no comando do jogo, sempre altamente competitivo e disputado em alta intensidade.E por isso muito equilibrado.

A Dinamarca marcou aos 30 minutos, no tal livre directo soberbamente cobrado pelo espectacular Damsgaard, um miúdo de 21 anos que este Europeu mostrou ser grande. E não se podia dizer que os dinamarqueses não mereciam esse golo, e a vantagem. Que não durou muito, menos de 10 minutos. A Inglaterra empatou com mais um auto-golo, o 11º da prova. Este daqueles inevitáveis, Kjaer apenas tentou evitar e inevitável. Que como se sabe ... é impossível. Também não se poderia dizer que os ingleses não merecessem esse golo, até porque, pouco antes Schmeichel - verdadeiramente sensacional durante todo o jogo, a acrescentar lenda ao apelido, já dela bem recheado - o tinha evitado.

Na segunda parte o jogo não se alterou muito. A Inglaterra tinha alguma supremacia, mas a Dinamarca soube sempre responder à altura, mesmo sem que alguns dos jogadores que mais se têm destacado tenham tido oportunidade para de sobressair. Foi sempre mais a equipa, que os jogadores, mas passou a ser menos boa quando o seleccionador dinamarquês começou a tirar os melhores. Desde logo Damsgaard. Até porque Joakin Maehle nunca esteve ao nível que tem mostrado, facto a que não é alheia a atenção especial que Southgate pediu aos seus jogadores para aquele flanco esquerdo dinamarquês, que foi notória.

O seleccionador inglês dispõe do melhor lote de jogadores deste europeu, e por isso mais pena deu ver que, para garantir mais alguma criatividade à equipa - apenas Sterling não chega - tem de recuar Kane, quando no banco estão Folden, Grealish e Redford, talento de primeira água. Desperdiçar talento é das coisas mais feias em futebol, mas mais vale tê-lo no banco, como acontece na selecção inglesa, do que desperdiçá-lo em campo, como sucede na portuguesa.

É curioso que o esquema táctico da equipa inglesa seja invariavelmente apresentado em 4x2x3x1. O 1 da frente é Kane. Que mentira! Para a equipa jogar, o Kane nunca pode lá estar à frente. E não está!

Com a Dinamarca a perder qualidade com as substituições, Southgate ao fazê-las só podia ganhar. Começou por fazer entrar Grealish, e notou-se logo. Mas não deu para evitar o prolongamento. E aí entrou Foden, e a partir de então sim, a Inglaterra tomou decisivamente conta do jogo. Mas...

Mas Schmeichel ia chegando para as encomendas, e os ingleses passaram mais a jogar para o penalti - não para os penaltis - do que para o golo. E com Grealish, mas especialmente com Sterling, até é fácil. E foi o que aconteceu, mesmo que a mim me pareça que nunca houve penalti. Mas o árbitro - o tal que não viu a bola de Cristiano Ronaldo meio metro dentro da baliza na Sérvia - viu. E o VAR também, tanto que até viu outro, que não o mesmo. O que deu no mesmo!

No último minuto da primeira parte do prolongamento. Kane marcou, e Schemeichel, que defendeu tudo, defendeu-o. Mas com azar - a bola sobrou direitinha de novo para o pé do inglês fazer finalmente o golo do apuramento inglês. Merecido, mas provavelmente, como na tal marca de cerveja dinamarquesa, falso!

Na segunda parte do prolongamento já não houve jogo. O seleccionador inglês tinha talento mais - para o seu gosto - em campo, e não teve pudor em tirar Grealish para entrar mais um defesa, Trippier. E montou um muro à frente da área, de todo intransponível para uma equipa dinamarquesa já de rastos.

Euro 2020 - Back to Wembley

Euro2020: Inglaterra abdica de bilhetes e pede a adeptos para não irem a Roma

 

Os quartos de final também já lá vão. Hoje foi dia de conhecer os dois restantes semi-finalistas. 
 
Em Baku, a Dinamarca confirmou a sua boa carreira neste Europeu, depois de estabilizar as emoções fortes do seu primeiro jogo, há precisamente três semanas. Tem o futebol mais estruturado das selecções nórdicas, aliando o tradicional poderio físico do futebol desta região europeia ao perfume do futebol latino, com executantes de muito bom nível técnico.
 
Entrou bem no jogo, e marcou muito cedo, logo aos cinco minutos, por Delaney, na sequência de um canto, com os defesas checos (ou chéquios?) a preocuparem-se com as torres da defesa dinamarquesa, e a deixarem aquele médio solto. 
 
Este golo obrigou a equipa da Chéquia (!) a subir à procura do empate, deixando espaços para os dinamarqueses aproveitarem em contra-ataque. Assim fizeram, e assim foram criando as melhores oportunidades do jogo, até marcarem o segundo, já perto do intervalo, por Dolberg, depois de mais uma assistência do seu lateral esquerdo, o excelente Joakin Mahele, que não me tenho cansado de aqui elogiar. 
 
O 2-0 ao intervalo parecia ter arrumado com a questão. Mas não. Ao intervalo o seleccionador checo mexeu na equipa, e a entrada na segunda parte foi simplesmente arrasadora. Nos primeiros três minutos criaram três grandes oportunidades para marcar, sempre negadas pelo também excelente Schemeichel, e marcaram mesmo. Por Schick, novamente com classe, que assim igualou Cristiano Ronaldo no topo da lista dos marcadores da prova. E sem penaltis.
 
O jogo estava aberto, e o resultado longe de parecer fechado. Mas estava. O seleccionador dinamarquês não estava a dormir, e reagiu rapidamente. Mexeu no meio campo e em pouco tempo abafou aquela entrada diabólica dos checos, fazendo o jogo regressar aos dados da primeira parte. Ou seja, voltando a sair com frequência, e com perigo, para o contra-ataque. E voltaram a pertencer-lhe as melhores oportunidades para golo.
 
Nos últimos minutos os checos apostaram no futebol directo, à procura desesperadamente do empate. E a verdade é que poderiam lá ter chegado, mesmo sem a qualidade do futebol dos dinamarqueses. Que não terão agora tarefa fácil em Wembley. Mas não se pode exigir mais aos dinamarqueses do que aquilo que já fizeram.
 
Em Roma, a Inglaterra fez hoje o seu único jogo fora do conforto do lar. Mas não sentiu qualquer desconforto, nem deu tempo para isso. Marcou logo aos 4 minutos (grande jogada, com assistência soberba de Starling - provavelmente o melhor jogador deste Europeu, e conclusão de Kane, como só ele sabe), e matou à nascença a estratégia de Sevchenko, que os três primeiros minutos tinham deixado clara: entregar toda a iniciativa de jogo aos ingleses, e defender em bloco baixo. Esperar por eles lá atrás.
 
Aquele golo deitou essa estratégia por terra, tiveram de ser os ucranianos a fazer pela vida, e conforto maior não podiam os ingleses sentir. E gozaram desse conforto durante toda a primeira parte, jogando a seu bel-prazer. 
 
A entrada para a segunda parte foi uma catástrofe para a selecção da Ucrânia. Na bola  de saída um jogador ucraniano faz falta sobre Cane (pisadela), e o livre acabou em golo, de Maguire. Estavam passados 11 segundos. E menos de 5 minutos depois já Kane bisava (abriu o ketchup, e já é, mesmo que apenas com três golos, o principal candidato a destronar Ronaldo … e Schik), noutro belo golo, agora de cabeça. E dez minutos depois, na primeira vez que tocou na bola - mais uma bola parada, agora num canto - Henderson marcou o seu primeiro golo pela selecção inglesa, e deu ao resultado a expressão mais desnivelada deste Europeu, igualando o feito da Dinamarca, nos oitavos de final, com Gales.
 
Foi pesado para a Ucrânia? Claro que foi, e não merecia tão pesado castigo. Mas quando tudo corre mal, e sai ao contrário do que está no guião, em futebol é assim que acontece. Agora a Inglaterra regressa ao conforto de Wembley, e ninguém poderá deixar de a considerar a principal candidata a suceder à selecção portuguesa, e a conquistar o seu primeiro título europeu. Como aconteceu há 55 anos com o seu único título mundial.

Euro 2020 - E tudo os oitavos levaram

Inglaterra vence Alemanha e está nos 'quartos' do Euro2020

Caiu o pano sobre os oitavos de final do Euro, em palcos britânicos. Em Wembley a Inglaterra eliminou a Alemanha. Mas a norte, em Hampden Park, a Ucrânia fez o mesmo à Suécia.

Agora vêm aí os quartos de final, onde não chegou ninguém do chamado grupo da morte. o tal que juntava os dois últimos campeões do mundo e o campeão europeu. E o único que não tem representação nos quartos de final, todos os restantes, fraquinhos, lá têm alguém. E alguns até têm dois, como são os casos da Bélgica e da Dinamarca, e da Inglaterra e da Chéquia, como agora se chama a pátria dos checos.

Dos três campeões do grupo da morte nenhum se ficou a rir, foram todos para casa à primeira. E não ganharam mais que um único jogo cada um.

O jogo na Escócia foi pouco, ou mesmo nada, interessante. Suécia e Ucrãnia deram um pobre espectáculo. E ainda por cima se arrastou por mais 30 e muitos minutos - tantas paragens teve - de prolongamento. O resultado (1-1) no final dos 90 minutos veio da primeira parte. Marcou primeiro a Ucrânia, por Zinchenco, pouco depois do meio da primeira parte, um tanto ou quanto contra a corrente do jogo. Empatou a Suécia, já em cima do intervalo, por Forseberg, o médio goleador dos escandinavos.

A segunda parte só teve uns breves minutos de algum frisson, ali por volta do meio, com três bolas nos ferros, uma para a Ucrânia, primeiro, e logo depois duas para a Suécia, pelo inevitável Forsberg. E mais uma boa oportunidade pelo fantástico, mas intermitente, Isak. Tudo o resto foi um arrastar do jogo para o prolongamento, e deste para os penaltis.

Aos 7 minutos do prolongamento a Suécia ficou reduzida a 10, por expulsão (vermelho directo, após intervenção do VAR) do central Danielson. A Ucrânia não tirou grande proveito disso, até porque praticamente não houve jogo durante o penoso prolongamento. Pareceu até que que os jogadores só pensaram em jogar alguma coisa quando acreditaram que já nada impediria o recurso aos penaltis. O que viria a ser fatal para os suecos, já que no período de compensação - 4 minutos, mas não haveria minutos que compensassem todas as paragens - permitiram que a bola fosse jogada, e chegasse à cabeça Dovbyk, para marcar no coração da área.

E lá está a Ucrânia nos quartos de final, para surpresa de toda a gente. Até deles próprios.

Bem diferente foi o jogo de Wembley. Um grande jogo, muito agradável à vista, e de uma riqueza e de uma espectacularidade táctica fora do comum. Ingleses e alemães mostraram muito do que raramente se vê nos jogos de futebol.

A primeira parte foi bastante equilibrada, com o jogo muito dividido, mas também muito disputado. E sempre tacticamente muito bem jogado. A Alemanha superiorizou-se na segunda parte, com o seu futebol de régua e esquadro, e de gestão de espaços - ora procurando-os, ora ocupando-os. Só que a Alemanha tem quase tudo, mas não tem Sterling. Nem Harry Kane, que pode andar um jogo todo desaparecido, mas sempre aparece.

Aos 70 minutos Southgate lançou Jack Grealish, e mudou o jogo. Cinco minutos depois esteve na excelente jogada em que Shaw assistiu Sterling para o 1-0. Dez minutos depois, numa cópia perfeita da anterior, assistiu Kane, para uma grande execução de cabeça. Pelo meio, Muller falhou um golo cantado, que daria o empate. Mas não deu, e a Alemanha, a quem Fernando Santos tinha garantido vencer na final, também caiu à primeira.

Euro 2020 - Grupo D, de Croácia

Modric celebra o golo do apuramento da Croácia. Foto: Petr Josek/Pool/EPA

Hoje foi a vez de se fechar o Grupo D desta fase do Europeu, onde a Inglaterra e a República Checa, que se defrontavam em Wembley, com o apuramento garantido, já que se sabia que os 4 pontos, que ambas tinham conquistado nos dois jogos, garantiam sempre o apuramento.
 
No outro jogo, em Glasgow, defrontavam-se a Escócia e a Croácia, ambas com apenas um ponto. Um empate entre ambas seria, ao terceiro dia desta última jornada, o jackpot para a selecção portuguesa. À luz do que tinha sido o desempenho das duas selecções no seu último jogo nem era uma hipótese assim tão disparatada.
 
Mas cada jogo é um jogo e as  suas circunstâncias, e o futebol, como se sabe, não é uma ciência. E muito menos exacta.
 
O futebol da Escócia, ainda o mais britânico do futebol britânico, revelou-se presa fácil do jogo rendilhado, de posse e circulação da Croácia, que parecia andar um pouco afastado das últimas partidas, mas que hoje regressou em Hampden Park. Com os jogadores escoceses a estenderem-se pelo campo todo o que não faltou foi espaço para os croatas espalharem o seu futebol pelo relvado, sempre sob a batuta do maestro Modric, também ele hoje regressado àquilo que dele sempre se espera.
 
Com posse de bola acima dos 70%, e controlo quase absoluto do jogo, a Croácia marcou cedo, quando acabara de se esgotar o primeiro quarto de hora. E assim continuou, dando a sensação que tinha o jogo controlado, e que em qualquer altura poderia voltar a marcar. Porém a Escócia não precisa de muito para se galvanizar, e bastaram duas ou três cavalgadas até à área do adversário para se catapultar para o seu jogo físico, de bola para a frente para ser disputada à primeira, à segunda, à terceira. Tantas vezes quantas necessárias.
 
E quando assim é, o golo pode sempre surgir. E surgiu, já próximo do intervalo, dando nova vida àquela hipótese do empate, que continha o voucher de férias para as duas equipas.
 
Mas a segunda parte arrancou como arrancara a primeira. Tão igual que no mesmo minuto 17 a Croácia voltou a marcar, e a desfazer de vez - nunca sobraram dúvidas - o empate. E que golo!
 
A circulação de bola, por dentro, para fora, para a frente e para trás dos croatas baralhou de tal forma os escoceses que nem repararam que Modric aparecia sozinho ali à entrada da área. Depois foi uma trivela a preceito e um golo monumental. Mas um, neste Europeu de grandes golos.
 
Os escoceses reagiram, não se pode dizer o contrário, mas já não foi com a mesma impetuosidade da primeira parte. Modrid continuava a manter a orquestra afinada, e acima de tudo tranquila, e volvido outro quarto de hora, tira a bola do quarto de círculo para que a cabeça de Perisic a pusesse dentro da baliza, com os jogadores escoceses perdidos na marcação homem a homem que já não se usa. 
 
Adeus empate, adeus terceiro lugar. Com aquela golo a Croácia garantia o segundo lugar no grupo, afinal aquele que lhe pertencia. Por história, mas agora também por direito. Um direito conquistado com uma exibição à medida dos seus pergaminhos. É caso para ar as boas vindas à Croácia, e de saudar o seu regresso ao palco principal do futebol europeu.
 
Bem menos interessante foi o jogo de Wembley, fosse porque ambas as selecções estavam já apuradas, fosse por falta de engenho e arte. Que, particularmente no que respeita à equipa inglesa, é deveras estranho.
 
Do jogo salvou-se o primeiro quarto de hora. Pouco mais. A Inglaterra entrou forte, Sterling atirou ao poste logo aos 3 minutos, e marcou aos 12. E pronto. Ou perto.
 
A segunda parte foi mesmo enfadonha, uma real chatice, com os ingleses a limitarem-se a especular com o jogo, e os checos a participar na farsa. Patrick Shck, que tanto tinha impressionado, e que continua no grupo dos melhores marcadores, praticamente não se viu.
 
Já perto do final do jogo, a dois ou três minutos do fim, a bola ainda entrou na baliza dos checos. O golo foi anulado pelo fiscal de linha do Artur da pastelaria, que apitou o seu segundo jogo, por fora de jogo. Mas devia mesmo ser anulado por não preencher os mínimos para um golo a sério.
 
Deixa-nos uma sensação estranha, esta selecção inglesa. Faz 7 pontos com apenas dois golos marcados, ambos por Sterling. É hoje um candidato que não convence, e não é por falta de jogadores. Está repleta de jovens, de muito bons jogadores, de muitos jogadores bons, e de bons jogadores, às vezes. Os mesmo muito bons são também muito jovens. A excepção é Harry Cane que sendo muito bom, não o está a ser. E como hoje não jogou Phil Foden as sensações estranhas são mais fortes.
 
Pelo que fizeram neste jogo os checos deixariam a ideia que não terão muito mais caminho para caminhar. Mas nunca se sabe, até porque caíram para o terceiro lugar que, como nos lembramos, às vezes é melhor que o primeiro e o segundo.

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