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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Frase do dia

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Em dia de luto nacional, quando a imortal Agustina vai a enterrar, e dos 30 anos do massacre de Tiananmen, vem de Inglaterra a frase do dia: "The US president will not be the last nasty piece of work to enjoy such pomp, but he is among the most dangerous". O que se traduz por: O presidente dos E.U. (Trump) não é a primeira nem será a última criatura desagradável a ser distinguida com uma visita de Estado, mas está entre as mais perigosas!

O autor da frase que melhor retrata a actual visita (no âmbito das comemorações do 75º aniversário do desembarque das tropas aliadas na Normandia) à Europa do seu maior inimigo, não é Sadiq Kan, o mayor de Londres. Nem Meghan Markle, a agora duquesa de Sussex, ambos sob fogo do arruaceiro twitter de Trump. A frase é de Sir Vince Cable, o líder dos liberais democratas ingleses, a força política historicamente entalada entre conservadores e trabalhistas e que agora emerge no panorama político britânico como fonte de decência, no meio dos destroços do Brexit.

 

Luke Shaw

Luke Shaw em estado grave após choque de cabeça com Carvajal

 

As selecções de futebol da Espanha e da Inglaterra defrontaram-se esta noite em Wembley no jogo de abertura do grupo 4 da nova Liga das Nações. Foi um belo jogo de futebol, com a selecção inglesa dentro daquilo que fez no Mundial, onde chegou às meias finais, acabando no quarto lugar. E a espanhola, ao invés, bem diferente do que então fizera que, como se sabe, não foi brilhante. 

A Espanha, agora de Luís Henrique, teve mesmo pouco a ver com a que Lopetegui foi obrigado a entregar a Hierro. Ganhou baliza e perdeu previsbilidade, o que não é pouco. E alguns jogadores até parece que ganharam inteligência táctica, como especialmente Rodrigo e Thiago Alcântara mostraram exuberantemente.

À parte disso, o jogo prendeu-me pelo os laterais esquerdos das duas equipas, ambos a jogar na Premier League, despertaram nas minhas memórias.

Na Espanha, Marcos Alonso - filho e neto de velhas glórias do futebol espanhol das décadas de 80 e 70 -, a alinhar no Chelsea, por uma questão de esquecimento. E não foi apenas por ter feito esquecer Jordi Alba, o jogador do Barcelona que era o dono do lugar. Foi por mostrar que Luís Henrique não se esqueceu dele desde o tempo que treinou em Camp Nou. E para lembrar que não se esqueceu, esqueceu-se de o convocar ... O que serve para lembrar aos jogadores de futebol que não é boa ideia entrar em conflito com o treinador. Nunca se sabe quando ele volta a surgir numa curva qualquer da vida...

Na Inglaterra, Luke Show. Um dos mais promissores jogadores de futebol de sempre naquela posição. Nasceu para o futebol no Southampton, onde se estreou na equipa principal em 2012, aos 18 anos, para substituir Gareth Bale, outro produto da formação deste clube do sul de Inglaterra, de saída para o Tottenham (é verdade, Bale, o jogador que mais semelhanças tem com Cristiano Ronaldo, jogava a lateral esquerdo quando saiu para Londres). E logo mostrou que não ficava nada a dever ao seu antecessor. 

A sorte não o ajudou, e cedo iniciou o seu Calvário de lesões. Nada que impedisse Alex Gerguson de o contratar para o Manchester United, em 2014, onde a sorte não mudou. Em Setembro de 2015, no início da sua segunda época, num jogo da Champions com o PSV, numa disputa de bola com o mexicano Hector Moreno, sofreu dupla fractura na perna. Seguiram-se mais de 2 anos de cirurgias e problemas, Confessou há dias, já regressado aos dias de felicidade, que durante esse período lhe chegou a ser dito que seria necessário amputarem-lhe a perna.

Resistiu a perna e resistiu ele. Na época passada começou a voltar a jogar, mas as coisas não saíam bem. Mas não desistiu, nem José Mourinho desistiu dele, e neste início de época começava a voltar ao nível de Southampton, fixando-se como indiscutível na equipa do United e chegando naturalmente à titularidade na selecção.

Estreou-se hoje, e estava a ser, a longa distância, o melhor jogador inglês. Foi dele a assistência para o golo inglês, o primeiro do jogo. No primeiro minuto da segunda parte, chocou com Carvajal e caiu inanimado. Saiu em maca, com respiração assistida, sem sentidos...

Na bancada, o rosto de Mourinho, que antes irradiava felicidade - ele que nem anda em maré de grandes momentos desses - fechou-se.

O resultado nem interessa muito. Mas ganhou a Espanha (2-1)...

 

Um mundo perdido por muros*

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Há pouco mais de um quarto de século a Europa festejou o derrube do muro que chamava da vergonha. Pensava-se então que caíra o último muro que a dividia e com ele o medo. O medo das perseguições, o medo de fugir, o medo da guerra sempre eminente… O medo de novos muros…

Sabemos hoje que, com o muro, caíram muitas coisas. Mas que também se levantaram muitas outras, algumas delas tão ou mais assustadoras do que as que caíram. Estaríamos porém longe de admitir que, depois de caírem fronteiras, seria possível voltar a levantar muros.

Mas eles aí estão, grandes e altos. Intransponíveis. E para ficar…

Primeiro foi a Hungria a anunciar a construção do seu muro, tapando-a da Sérvia. Não ligamos muito, era apenas mais uma extravagância de Viktor Orban, o xenófobo fascista a quem a Europa tudo admite e tudo tolera.

Mas a Áustria, em processo de crescente radicalização extremista onde a xenofobia medra todos os dias, não quis ficar atrás. E anunciou também o seu muro, precisamente na fronteira com a Hungria, de Orban.

Agora é o Reino Unido, que depois de se decidir pelo abandono da União Europeia, acaba de anunciar a construção do seu muro, a fechar a sua única porta de entrada e de saída para o continente, em Calais. A "Grande Muralha de Calais", como já lhe chama a comunicação social britânica vai começar a ser construído ainda este mês e visa impedir o acesso pelo Canal da Mancha.

Depois de se levantarem muros onde antes se derrubaram fronteiras, talvez fizesse mais sentido fecharem o túnel da Mancha. Mas não faz: os ingleses não querem fechar as portas aos seus camiões para a Europa. Querem apenas fechá-las è emigração. E isso faz-se com muros como, do outro lado do Atlântico, proclama Donald Trump, outro produto dos ventos dominantes no tempo que faz. Que faz deste um mundo perdido. Completamente perdido. Por muros. No meio de muros...

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Brasil 2014 III

Por Eduardo Louro

 

 

O dia terceiro do Mundial arrancou com a Colômbia e a Grécia a abrirem o Grupo C.

Os sul-americanos apresentam-se com uma das mais fortes equipas do torneio, especialmente na frente, com quatro avançados que cabem provavelmente nos dez melhores do mundo. E com Falcão, de fora, é bem capaz de dispor de três dos seis ou sete melhores pontas de lança do mundo. E a Grécia … é o costume – não somos certamente nós, portugueses, os melhores para falar da Grécia – e claramente com aspirações a um dos dois primeiros lugares do grupo, que dão o apuramento.

De um lado uma equipa de grande potencial ofensivo e, do outro, outra com grande rigor defensivo. Este era o mote para um jogo que, por isso mesmo, se esperava muito interessante. Não foi de todo desinteressante, mas não foi nada do que se estava à espera. Porque os bons avançados colombianos, para fazerem a diferença, têm que jogar. No banco não resulta, e a verdade é que só tarde de lá saíram. E porque a Grécia foi tudo menos a equipa rigorosa do costume.

Ofereceu um golo – caricato, não há outra palavra para o descrever – logo no arranque do jogo e a partir daí coube-lhe a parte mais desconfortável do jogo. Teria que se virar do avesso!

A verdade é que acabou a primeira parte, e iniciou a segunda, já bem por cima do jogo. Só que quando estava a procurar o empate volta a oferecer novo golo, num canto, situação em que é normalmente muito forte a defender. E já no último minuto do tempo de compensação, desconcentrada, voltou a falhar, permitindo que uma falta a meio campo, rapidamente cobrada, acabasse no terceiro golo, de James Rodriguez.

A Grécia criou três boas oportunidades de golo, a penúltima num remate à boca da baliza que levou a bola à trave e daí para fora da baliza. Tivesse entrado e seria certamente outra a história do jogo…

E a Colômbia de grandes jogadores na frente acabou por fazer três golos sem que verdadeiramente tivesse criado uma oportunidade. Para contrariar as expectativas em torno das duas equipas nada como isso: a equipa que só defende, cria três ocasiões de golo e não marca nenhum; e a que tem tudo para atacar bem não cria nenhuma, mas marca por três vezes!

No segundo do dia, Uruguai e Costa Rica deram o pontapé de saída no grupo D. E deu zebra, como dizem os brasileiros. Não há mundial sem heróis improváveis, e este jogo revelou desde já dois: o ponta de lança Campbell e o guarda-redes Navas. Costa-riquenhos, evidentemente! Não passaria pela cabeça de ninguém que a selecção da América Central ganhasse, e logo por 3-1. Mas também não passaria pela cabeça de ninguém voltar a ver Diego Forlan numa fase final de um mundial!

O árbitro já era conhecido. Conhecemo-lo em Sevilha, há um mês atrás e voltou a confirmar que é mesmo mau.

O prato forte da jornada era mesmo o Itália – Inglaterra, a fechar a primeira jornada do mesmo grupo D. Que jogo!

Um jogo adulto, maturo, com tudo o que é preciso. Com duas excelentes equipas, ambas em registos muito diferentes daquilo que era tido como a sua matriz de jogo. A Itália com muito futebol, bem para lá do simples cinismo italiano, muito para lá de simplesmente especular com o jogo. E a Inglaterra, se não com a melhor equipa de muitas décadas, com a mais excitante de todas. E com um futebol de grande nível, que nada tem a ver com o velho kick and rush britânico.

Estamos habituados a assistir ao lançamento de jovens estrelas na selecção inglesa que, invariavelmente, acabam depois por deixar de cintilar. Não desaparecem mas, sem brilho, deixam de se ver. Não parece nada ser agora o caso. Porque não é apenas um Sterling. São também Sturridge, Baines, Wilshere, Barkley, Lalana, entre os que jogaram, e ainda Chamberlein… Não é um jovem, como era habitual. São sete ou oito, todos já grandes jogadores de futebol!

Ganhou a Itália, do jovem Pirlo, por 2-1. Como podia não ter ganho, ou até ter ganho por maior diferença, porque num jogo destes tudo pode sempre acontecer… Até uma boa arbitragem, finalmente!

EURO 2012 (XXII) - PIRLO

Por Eduardo Louro

                                                                      

E, ao enésimo dia, o primeiro jogo sem golos. E, ao quarto dos quartos de final, o primeiro prolongamento. E a primeira vez em que a decisão chega dentro do envelope das grandes penalidades.

Apetece-me dizer que ainda bem! Porque se assim não tivesse sido nunca veríamos o fabuloso penalti marcado pelo Pirlo. Valeu a pena esperar mais de duas para assistir àquilo. E não me venham com falta de sentido de responsabilidade. Aquilo é classe pura, e classe é classe. Responsabilidade – ou falta dela – é outra coisa…

Foi à Panenka? Não, foi à Pirlo! E não é preciso registar a marca, porque ninguém consegue copiar… À Panenka, até o Postiga conseguiu: pobres ingleses!

Desculpem, mas tinha de começar por aquele momento único. Agora vamos ao jogo que – apetece-me dizer – pôs frente a frente duas Itálias. A Itália – la vera – e a Inglaterra, italianizada. E o certo é que uma Inglaterra assim obrigou a Itália a ser menos italiana, o que quer dizer: a especular menos e a assumir mais o jogo!

E a Itália até não se deu mal nesse papel contranatura. Posse de bola à Barcelona (64%) e 35 remates (20 na baliza), contra apenas 9 (4 na baliza) dos ingleses. Nada que tenha surpreendido Cesare Prandelli, o seleccionador italiano, como se percebeu quando apresentou uma equipa em plano B, abdicando dos três centrais e dos laterais que servem o plano A. E chamando Balotelli!

A Inglaterra não apresentou novidades, agora que já pode contar com Rooney. E o jogo acabaria por valer pela primeira parte, jogada a grande ritmo e com alta intensidade. O jogo abriu mesmo assim: logo aos três minutos, um grande remate de De Rossi só parou no poste da baliza de Hart e, aos cinco, é Buffon quem, do outro lado, nega um golo feito (Johnson) com uma defesa impossível.

E assim foi a primeira parte, em ritmo vivo, de bola cá bola lá, mais lá – na baliza inglesa – e sempre muito mais trabalhada pela squadra azurra, com Pirlo - imperial, como sempre – e Montolivo no papel de donos da bola. E do jogo!

Do outro lado, Gerrard e Rooney iam dando conta do recado, que é como quem diz: da capacidade de resposta inglesa que mantinha os italianos em sentido.

A segunda parte foi diferente e começou com duas excelentes oportunidades de golo para os italianos, a segunda, aos 52 minutos, foi três em um. Com duas enormes defesas consecutivas de Hart para o terceiro remate sair por cima. Os ingleses só responderam aos 65 minutos por Walcott (no cruzamento) e Carroll, acabadinhos de entrar. Foi o canto do cisne!

A partir daí, com o estoiro de Gerrard – que Hogdson manteve em campo, e percebeu-se porquê – a Inglaterra não quis outra coisa que levar a decisão do jogo para os penaltis. Vá lá saber-se porquê...

Só a Itália parecia querer – e poder – ganhar o jogo, não obstante os 90 minutos se terem esgotado precisamente numa vistosa – como sempre é - bicicleta de Rooney, que até poderia ter saído para a baliza e não por muito por cima da barra. E o prolongamento foi mais do mesmo. Mas ainda mais devagar, porque já não havia quem pudesse com uma gata pelo rabo. E desse período ficam dois registos: um cruzamento de Diamandi a que Nascerino respondeu enfiando a bola na baliza, em fora de jogo milimétrico mas bem assinalado; e mais uma habilidade de Balotelli, ao exigir a cobrança de um livre – mal assinalado por Pedro Proença, que ao terceiro jogo foi obrigado a regressar a casa pelo envolvimento da selecção bacional nas meias-finais - que Pirlo se preparava, como sempre, para marcar. Atirou para as nuvens!

E lá se seguiu para a decisão pelos pontapés de grande penalidade, a tal por que, sem ninguém perceber porquê, os ingleses tanto ansiavam. Só vejo uma razão: o exacerbar de italianismo desta selecção inglesa!

Do período de alta tensão que precede aqueles minutos dramáticos da angústia dos penaltis, vem um enigma: o que terá Buffon ido fazer ao balneário antes de se posicionar na baliza?

Dos penaltis – francamente – nada mais interessa que aquela obra de arte de Pirlo. O resto é a maldição inglesa!

E já que se fala de penaltis, também se deve dizer que Pedro Proença, aos 65 minutos, transformou um puxão de De Rossi a Terry, na área italiana, num livre contra a Inglaterra. Situação que se repetiria aos 83, só que dessa vez não viu. Pelo menos não marcou falta ao inglês!

E pronto: está completo o quadro das meias-finais! E a Itália, com este trabalho suplementar de hoje e menos dois dias de descanso que a Alemanha, é bem capaz de ter dificuldade em evitar que os desejos de Platini sejam uma ordem!

EURO 2012 (XVII) - SIGA A DANÇA!

Por Eduardo Louro

                                                                       

Ficou hoje completa a lista dos eleitos para permanecer no euro, juntando-se, como esperado, as selecções francesa e inglesa às seis já conhecidas.

Sem brilho – ambas – deve dizer-se!

A França foi apurada depois de uma derrota por dois a zero e, por mais voltas que dê à cabeça, não consigo perceber como é que já o não estava. A França – uma das favoritas – deixou de o ser. Porque perdeu – e bem, sem espinhas – com a Suécia e porque, perdendo, foi segunda classificada no grupo e caiu na boca da Espanha. Que é mais favorita, como o próprio Platini confirma!

Desse jogo com a Suécia – que foi melhor contra a França e já o havia sido contra a Inglaterra, o que deixa mais próxima da Croácia do que da Holanda – ficam as oportunidades de golo construídas pelos nórdicos, fica a segunda arbitragem de Pedro Proença - ao nível da primeira -, fica uma enorme desconfiança sobre a capacidade dos gauleses mas, acima, bem acima de tudo isso, o golão de Ibrahimovic: o melhor desta fase do campeonato agora concluída, e que, se não vier a ser o melhor, ficará para sempre como um dos melhores deste euro 2012.

O que será um prémio para este extraordinário jogador, de quem se diz que passa sempre ao lado das grandes provas europeias e mundiais de selecções. Com este golo já ninguém poderá que Ibrahimovic não passou pela Polónia e pela Ucrânia!

E como foi bonita a festa sueca! Sem grande coisa para festejar, foi bonita de ver a forma como os adeptos suecos se despediram da sua selecção. Uma lição, como a dos irlandeses!

A Inglaterra acabou por conquistar o primeiro lugar do grupo - algo pouco provável depois de, na segunda jornada, a França ter ganho à Ucrânia por 2-0 – depois de ganhar um jogo em que jogou para empatar. Finalmente com Rooney – depois de cumprido o castigo de dois jogos -, um dos melhores cinco ou seis jogadores na prova, e o autor do golo da vitória, a Inglaterra apresentou-se hoje com um jogo mais ligado. Há uma Inglaterra sem Rooney e outra com ele. Mesmo assim, voltou a não convencer. Mas venceu! E venceu porque a arbitragem voltou a estar no centro do resultado, como já tinha estado noutros três jogos anteriores.

O árbitro húngaro – o senhor Viktor Kassai, um dos favoritos da nomenklatura da UEFA – não confirmou um golo da Ucrânia, depois de a bola estar, aos olhos de toda a gente, bem dentro da baliza. Que não aos olhos do Sr Kassai, nem do seu árbitro assistente… Nem sequer dessa figura ridícula que os organismos máximos do futebol europeu e mundial inventaram, a que chamam árbitro de baliza.

O senhor que estava a interpretar essa figura não viu uma bola à frente do seu nariz dentro da baliza. Como todos os outros senhores que fazem essa figura ridícula – não sei se já repararam, mas é frequente vê-los de cócoras com a cabeça de um lado para o outro para, sem que ninguém perceba para quê – sem que vejam penaltis cometidos debaixo do seu nariz, ou sequer quem realmente tocou a bola em último lugar. Mais ridículo que estas figuras já só a UEFA se, depois de hoje, as mantiver!

É bem possível que, quando é presidida por um senhor – que foi um grande jogador mas que não tem a mínima condição para dirigir o que quer que seja – que faz do ridículo profissão, a UEFA opte por manter-se exposta ao ridículo. Depois das impensáveis declarações de Platini, e especialmente destas três últimas arbitragens (Alemanha - Dinamarca, Espanha – Croácia e Ucrânia – Inglaterra) a decidir quem seguiu para os quartos de final, dificilmente este euro 2012 deixará de ser uma das páginas mais negras na História dos Campeonatos da Europa.

Siga a dança!

 

 

EURO 2012 (XIII) - INGLESES LÁ PERTO

Por Eduardo Louro

                                               Festa do golo caiu para o lado da Inglaterra                       

Inglaterra e Suécia disputaram um jogo que poderia afastar quem o perdesse. A Suécia perdeu e é segunda equipa, depois da Irlanda, ontem, a conhecer o seu destino.

Os ingleses, com uma alteração em relação ao jogo inicial com os franceses – entrou Carroll, não para o lugar, mas em vez de Chamberlain – sem que em algum momento praticassem um grande futebol, foram superiores durante a primeira parte. Jogaram então mais adiantados e com maior iniciativa do que o que haviam feito no primeiro jogo, com Gerrard a assumir o comando da equipa e a revelar que beneficia com a ausência de Lampard.

A selecção sueca foi, neste período, uma equipa demasiado dependente da sua estrela – Ibrahimovic. Que, muito recuado, fazia tudo: rematava, conduzia o jogo, transportava a bola…Quase sempre durante demasiado tempo, porque nunca encontrava quem o acompanhasse. Tinha invariavelmente de parar para que alguém chegasse. E, quando finalmente alguém chegava, até parecia que já estava tão aborrecido que não fazia passe de jeito.

Aos 23 minutos a selecção inglesa chega ao golo, por Carroll, num bom remate de cabeça a concluir uma jogada à inglesa, depois de um lançamento – que não um cruzamento – de Gerrard. Os suecos apenas conseguiram responder com um remate de Karlstrom – a excepção aos remates de Ibrahomovic – aos 37 minutos, e o resultado ao intervalo ajustava-se ao que o jogo dera.

A segunda parte começou bem diferente, com a Suécia a tomar conta do jogo e a Inglaterra a desaparecer. Empata logo aos 4 minutos, num golo atribuído ao defesa Mellberg - mas na realidade auto golo de Glenn Johnson - depois de um livre frontal de Ibrahimovic e passou para a frente dez minutos depois, com novo golo – agora sim, da sua exclusiva lavra – do mesmo Mellberg, também depois de um livre, agora cobrado sobre o lado direito.

Passava-se pela hora de jogo e a equipa inglesa tinha desaparecido. É então que entra Theo Walcott, a substituir Milner, que três minutos depois fazia o golo que voltava a empatar o jogo e a salvar a equipa, num remate de ressaca a uma bola rechaçada pela defesa sueca, depois de um canto que, por sua vez, sucedera a uma grande defesa de Isaksson – o tal que por aí anda de rabo nu no ar, à espera que os companheiros lhe acertem - a negar uma excelente oportunidade a Terry.

A Suécia ainda reagiu, com duas boas oportunidades – Karllstrom e Ibrahimovic, a primeira com grande defesa de Hart – naquele quarto de hora que separou o segundo do terceiro golo da Inglaterra, de novo obra de Walcott, que rompeu imparável pela área sueca até cruzar para Welbeck concluir com um vistoso calcanhar.

O jogo ficava sentenciado, tal como o destino da Suécia. Mas os ingleses continuam sem convencer, apesar das boas perspectivas de apuramento. Passarão, a partir de agora, a contar com Rooney, que fará certamente a diferença já no decisivo jogo com a Ucrânia.

Já a Suécia, apesar da boa meia hora da segunda parte, deixará a sua participação neste euro mais lembrada pelas bizarras e improváveis imagens do rabo do Isaksson que pelo futebol exibido!

 

EURO 2012 (VII) - O EURO A DUAS VELOCIDADES

Por Eduardo Louro

                                                  Velhos são os trapos! (SAPO)                    

Com os jogos do grupo D concluiu-se hoje a primeira ronda desta fase de grupos do Euro.

Um clássico a abrir: França – Inglaterra!

Um jogo sempre de expectativa alta, mas que saíram completamente frustradas. Uma selecção inglesa desfalcada que, ao que pareceu, não tem mais para dar… Deu pouco - muito pouco – mas, lá diz o povo: quem dá o que tem a mais não é obrigado! Les bleus – que têm muito mais para dar – apesar de superiores aos ingleses, é que ficaram a dever muito!

As estrelas da selecção francesa não brilharam, à excepção de Nasri mas, mesmo assim, apenas na primeira parte, que não foi só o tempo dos golos, foi também a parte melhor – menos má – do jogo. Pouco Bemzema e pouco Ribery. E nada, absolutamente nada, de Malouda, um jogador que não tem como justificar a sua presença no onze. Tem duas velocidades: parado e passo lento. Se a bola lhe passar a um palmo do pé já não é para ele!

Foi mesmo daqueles jogos típicos desta fase da prova, mesmo enfadonho e pastoso. Com um ou outro safanão, mas não mais que isso. Onde a Inglaterra cometeu a proeza de, num jogo inteiro, fazer três remates. Que lástima, esta selecção inglesa!

Ouviram-se assobios e muitos, daqueles que os nossos jogadores e o staff da nossa selecção não gostam. Justificados, porque aquilo não prestava mesmo!

O resultado foi o de maior frequência nesta primeira ronda:1-1.

No outro jogo, duas selecções com menos responsabilidade - a da casa, a Ucrânia, e a Suécia – ofereceram outro espectáculo, de outro nível. Um jogo de grande intensidade, sempre em alto ritmo, quase que apetece dizer sempre em excesso de velocidade. Claramente um euro a duas velocidades. Que diferença!

Quando se presencia um jogo desta intensidade é costume dizer-se que é impossível manter aquele ritmo durante muito tempo. Até isso este jogo contrariou! Se a primeira parte foi intensa, a segunda parte não o foi menos. E deu os golos!

Começou a Ucrânia por impor esse ritmo alto, logo no início. A Suécia ainda tentou pôr água na fervura, baixando-o. Mas logo acabou por aderir àquele ritmo maluco e associar-se sem reservas à festa.

Foi um daqueles jogos em que se está sempre à espera do golo. Apareceram três, em apenas dez minutos (dos 51 aos 61 minutos) e ficamos até ao fim à espera de mais. Não foi por falta de oportunidades que não surgiram! Foi também um daqueles jogos que, mais que ninguém merecer perder, ambos mereciam ganhar. O que, como se sabe, não é possível!

Ganhou (2-1) a equipa da casa - apoiada por um público incansável - a equipa de Blokhin, um extraordinário jogador da selecção soviética e daquele fantástico Dínamo de Kiev de meados da década de 70, e a equipa de Shevchenco que, aos 36 anos e no fim de uma época em que, fustigado por lesões, quase não jogou, surgiu a altíssimo nível, fazendo os dois golos que fizeram a cambalhota do marcador. À ponta de lança, como se diz. Mas de grande categoria!

Schevchenco foi por isso o homem do jogo. Mas a Ucrânia tem muitos outros bons jogadores. Entre outros ficou-me na retina um miúdo com o número 19, Konoplianka, um ala esquerda de grande qualidade!

A Suécia teve até mais oportunidades de golo, abriu mesmo o marcador pela sua figura maior – Ibrahomovic - que teve ainda um remate ao poste e outro, de grande categoria, que saiu à figura do guarda-redes ucraniano. Lutou até ao fim pela vitória, criando ocasiões suficientes para isso e, embora tenha deixado a ideia de ser muito dependente da sua estrela – momentos houve do jogo em que víamos Ibrahomovic no meio campo a organizar jogo -, se continuar a jogar assim, e os burgueses franceses e ingleses a não fazerem mais do que hoje fizeram, as contas do grupo estão por fazer.

Não são favas contadas para Inglaterra e França, como à partida parecia. Nem nada que se pareça!

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