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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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CONGRESSO DAS EXPORTAÇÕES

Por Eduardo Louro

 

Está a decorrer hoje em Santa Maria da Feira o Congresso das Exportações. O objectivo principal é o de descobrir o caminho (marítimo ou outro qualquer) para o aumento das exportações para níveis que consigam equilibrar a forte queda do mercado interno, neste e nos próximos anos.

Ainda é cedo para termos notícias de quaisquer resultados – sabemos já que de lá sairá um livro branco, esperemos que não um livro em branco – mas os media já amplificaram três manchetes, chamemos-lhe assim: Basílio Horta, o presidente do AICEP, dizendo que o BPN deveria transformar-se num banco especialista no apoio à exportação (esta não lembraria a ninguém e foi logo um bom pronuncio), Faria de Oliveira, presidente da CGD, que anunciou que a banca não iria dificultar o acesso ao financiamento das empresas exportadoras (só faltava que dissesse o contrário) e Sócrates, como sempre o mensageiro das boas notícias. a anunciar que as exportações cresceram 15% no ano passado.

Enquanto de lá não surgem novas e verdadeiras notícias lembrei-me de um texto que escrevi no Vila Forte vai para dois anos, numa altura em que um tal António Mendonça aí referido não fazia a mínima ideia que viria a transformar-se num dos mais ineptos ministros de que há memória e, menos ainda, no homem capaz de fazer do TGV um cavalo de Tróia. O título era Internacionalização vs exportações e reproduzo-o a seguir:

 

Os nossos governos, e em particular o último, fizeram uma grande aposta na internacionalização das empresas nacionais, com diversos programas e milhões de euros envolvidos nessa estratégia.

Sempre tive algumas dúvidas sobre tal estratégia. Acho indiscutíveis as vantagens para a economia portuguesa do investimento das empresas nacionais no estrangeiro quando focado numa estratégia de afirmação dos seus produtos nos mercados internacionais. Por isso entendo que serão de apoiar os investimentos em distribuição e marketing, aqueles que permitam acompanhar de mais perto o cliente e o seu produto. E acho discutíveis as vantagens para a economia nacional de todos os outros tipos de investimento no exterior que não se relacionem directamente com a criação de valor no país.

Por isso, apoiar a internacionalização das empresas “tout court”, apenas para colocar uma bandeirinha pelo mundo fora, sem entender o que corresponde ao interesse da economia nacional ou apenas ao interesse particular (de empresas ou de grupos), no actual contexto, é muito questionável.

Chegou-me na semana passada às mãos um estudo publicado em Setembro, da autoria de três professores do meu ISEG – Miguel Fonseca, António Mendonça e José Passos –, que conclui que “o investimento directo português no estrangeiro tem impacto negativo nas exportações”. Este estudo analisou e correlacionou exportações e investimento em 18 países entre 1996 e 2007 e conclui que apenas em Angola (16%) e em Espanha (apenas 1%) se verificou crescimento nas exportações. Em todos os restantes 16 as exportações caíram.

Estas conclusões, e realçando que as duas excepções vêm de países especiais – parece claro e inequívoco que Angola e Espanha constituem, para Portugal, mercados externos com especificidades próprias – vêm confirmar o erro daquela estratégia.

Quando precisamos de aumentar consolidadamente as nossas exportações desenvolvem-se políticas e incentivam-se estratégias com o efeito contrário. Não temos dimensão económica nem empresarial para gerar empresas multinacionais (condições desse tipo tivemo-las mas já lá vão mais de cinco séculos), pelo que dar incentivos à internacionalização das empresas sem cuidar de assegurar que contribuem para gerar exportações, é cortar o crescimento da economia nacional. A crise também se faz destas coisas!

Reposições #5- Internacionalização vs exportação*

 

Por Eduardo Louro

 

Os nossos governos, e em particular o último, fizeram uma grande aposta na internacionalização das empresas nacionais, com diversos programas e milhões de euros envolvidos nessa estratégia.

Sempre tive algumas dúvidas sobre tal estratégia. Acho indiscutíveis as vantagens para a economia portuguesa do investimento das empresas nacionais no estrangeiro quando focado numa estratégia de afirmação dos seus produtos nos mercados internacionais. Por isso entendo que serão de apoiar os investimentos em distribuição e marketing, aqueles que permitam acompanhar de mais perto o cliente e o seu produto. E acho discutíveis as vantagens para a economia nacional de todos os outros tipos de investimento no exterior que não se relacionem directamente com a criação de valor no país.

Por isso, apoiar a internacionalização das empresas “tout court”, apenas para colocar uma bandeirinha pelo mundo fora, sem entender o que corresponde ao interesse da economia nacional ou apenas ao interesse particular (de empresas ou de grupos), no actual contexto, é muito questionável.

Chegou-me na semana passada às mãos um estudo publicado em Setembro, da autoria de três professores do meu ISEG – Miguel Fonseca, António Mendonça e José Passos –, que conclui que “o investimento directo português no estrangeiro tem impacto negativo nas exportações”. Este estudo analisou e correlacionou exportações e investimento em 18 países entre 1996 e 2007 e conclui que apenas em Angola (16%) e em Espanha (apenas 1%) se verificou crescimento nas exportações. Em todos os restantes 16 as exportações caíram.

Estas conclusões, e realçando que as duas excepções vêm de países especiais – parece claro e inequívoco que Angola e Espanha constituem, para Portugal, mercados externos com especificidades próprias – vêm confirmar o erro daquela estratégia.

Quando precisamos de aumentar consolidadamente as nossas exportações desenvolvem-se políticas e incentivam-se estratégias com o efeito contrário. Não temos dimensão económica nem empresarial para gerar empresas multinacionais (condições desse tipo tivemo-las mas já lá vão mais de cinco séculos), pelo que dar incentivos à internacionalização das empresas sem cuidar de assegurar que contribuem para gerar exportações, é cortar o crescimento da economia nacional. A crise também se faz destas coisas!

 

 

*Publicado no Vila Forte em Outubro de 2009

 

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