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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pantominices

Por Eduardo Louro

 

Ficamos ontem a saber, já sem qualquer dúvida, pela própria boca do Sr Mario Drahgi, que as pantominices e o relógio de count down de Portas não são mais que isso mesmo: pantominices.

A troika não vai embora coisíssima nenhuma e o segundo resgate aí está, travestido de uma coisa qualquer, chame-se-lhe programa cautelar - como o governo gosta -, contrato de seguro - como a ministra das finanças acabou de inventar – ou programa de assistência para a transição, como o número 1 do BCE lhe chamou.

Não há nisto qualquer novidade, há muito que se sabe que assim teria de ser. Vale simplesmente a pena salientar que, ao dizer o que disse agora, Mario Draghi, dilui o álibi do Tribunal Constitucional. O governo – e a troika e tutti quanti, incluindo as últimas imbecilidades e pantominices de Braga de Macedo – tudo tem feito para pressionar e culpar o Tribunal Constitucional. Se ainda há pouco o responsabilizava por um ameaçado segundo resgate, melhor agora o responsabilizaria.

O governo da Irlanda recusou assinar qualquer espécie de programa de transição porque, estando em condições de arriscar directamente os mercados, entendeu que não poderia aceitar as exigências da troika. Não recusou esse programa apenas porque pôde, mas também porque quis. Mas esse é o governo que já negociara um programa com um ajustamento orçamental bem menos exigente e um bem menor poder de destruição social e económica.

Andaram sempre a dizer-nos que Portugal não era a Grécia. Que nos colaríamos à Irlanda para, na carruagem de trás, seguir o mesmo percurso e atingir o mesmo destino. Tretas!

A Irlanda tem, agora que justamente concluiu o programa, acesso aos mercados financeiros a taxas de juro sustentáveis, que rondam os 3%.

Para Portugal as taxas de juro não baixam do dobro disso, e são evidentemente incomportáveis. E não é nem por especulação dos mercados, nem por nenhum Tribunal Constitucional. É porque os mercados perceberam, quando Vítor Gaspar desistiu e reconheceu que falhara, que falhara ele e tudo o que representava, ele e o programa em que acreditara. Porque, ao contrário da Irlanda, a economia foi destruída e não tem condições de crescimento. E porque ninguém consegue pagar uma dívida que, mesmo privatizando tudo o que havia para privatizar – as receitas das privatizações são para abate directo na dívida -, não tem parado de crescer, e já ultrapassa os 130% do PIB. E porque só nestas condições de austeridade, à custa da procura interna - reduzindo importações e aumentando exportações à custa do excesso de produção (face à redução do consumo) de combustíveis - Portugal consegue controlar o défice externo. E porque o país está a envelhecer, sem natalidade e com os jovens a emigrar. E porque o país empobreceu dramaticamente, e perdeu a massa crítica da classe média. E porque tem uma política de redistribuição de rendimento terceiro-mundista…

António José Seguro, passa ao lado de tudo isto, e protesta que o governo está a negociar o programa nas costas e à revelia do PS. Programa que Passos, voltando a mentir, garante ser para um ano … Para que sinta dispensado de tudo e mais alguma coisa. Até de negociar, o que quer que seja, com quem quer que seja… Mesmo que seja o novo programa. E mesmo que seja com a troika, com os técnicos ou com o topo da hierarquia!

À cautela, o melhor é ir andando...

Por Eduardo Louro

 

A Irlanda conclui o seu programa de resgate a 15 de Dezembro e já comunicou que conclui mesmo, sem sofismas. Acabou. Ponto final!

Quer isso dizer que o célebre Programa Cautelar não é para lá chamado, com muita pena do governo português. Os irlandeses – e não me refiro ao governo, refiro-me à opinião pública – sabiam bem que era essa a única saída, que Programa Cautelar ou Segundo Resgate são uma e a mesma coisa. As pequenas nuances que os podem separar não alteram em nada a submissão e o garrote!

A Irlanda partiu de base diferente, os seus problemas eram diferentes – o seu problema era o sistema financeiro, enquanto o nosso, começando na economia, rapidamente passou também para o sistema financeiro - mas também fez diferente e esteve sempre mais bem colocada ao longo do programa. A economia irlandesa goza de uma série especificidades que fazem uma grande diferença para a economia portuguesa, mas que, comparadas com as de que Portugal poderia potencialmente dispor são pouco mais que irrelevantes. Simplesmente a Irlanda usa as vantagens comparativas de que dispõe, enquanto Portugal mantém virtuais as suas vantagens potenciais.

A Irlanda não tem os problemas do seu sistema financeiro resolvidos, coisa que os testes de stress que se avizinham virão demonstrar. Mantém um défice orçamental altíssimo, muito acima do português, e “apenas” – é isso o fundamental – leva vantagem nas actuais taxas de juro do mercado, pouco acima dos 3%, contra a nossa pouco abaixo dos 6%.

A Irlanda percebeu que o melhor programa cautelar era pôr ponto final nisto. Que, á cautela, o melhor era ir andando...

Entretanto nós por cá vêmo-nos cada vez mais gregos!

EURO 2012 (XI) - PORTA ABERTA PARA A ESPECULAÇÃO

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

Na segunda parte a Itália viveu em permanente visita à sua história. A ganhar por 1-0 quis especular com o jogo, como sabe fazer melhor que ninguém. Metendo-lhe alguma quezília e cortando o jogo com frequência, o lado feio do futebol italiano, mas tantas vezes eficaz.

A selecção croata, de grande capacidade física e técnica e com dois avançados poderosíssimos, tomou conta do jogo e aos 72 minutos chegava ao empate: cruzamento da esquerda, grande recepção de Mandzukic, com excepcional remate de violência e colocação, já quase sem ângulo, depois de fugir à marcação de Chiellini, um defesa italiano típico, de grande categoria e praticamente inultrapassável.

Um resultado que se ajusta ao que se passou nos 90 minutos, a deixar sugerir que serão os resultados com a selecção irlandesa a desbloquear as contas deste grupo dos PIIGS, como aqui lhe chamei. E nisso a Itália parte com a vantagem de saber que a Croácia ganhou por 3-1. O que poderá nem valer de muito. È que não admiraria que nenhuma das três equipas ganhasse apenas um jogo: com a Irlanda, a confirmar-se - contrariando as opiniões dos que chegaram a dizer que as selecções dos países organizadores não tinham qualidade para ali estar, e que nunca lá teriam chegado se tivessem de disputar o apuramento, coisa que qualquer delas já desmentiu em campo - como a equipa mais fraca da competição. Que, acontecer, não vale de nada!

Nessa eventualidade ficar-se-ia perante um ameaçador cenário de especulação, com a Espanha e a Croácia a poderem cozinhar o resultado conveniente para ambas. O 2-2 bastaria!

Para já a Espanha fez o que lhe competia no outro jogo, arbitrado sem brilho por Pedro Proença. Ganhou à Irlanda e goleou por 4-0!

Num jogo em que marcou cedo, aos 4 minutos – já com a Croácia, a Irlanda começara a perder aos 3 –, em que se apresentou com um ponta de lança - Fernando Torres, o autor do golo - e em que o tiki-taka funcionou como habitualmente. Mas sem mais golos ao longo dos restantes quarenta e tal minutos de sufoco.

Voltaria a marcar de novo logo aos 4 minutos da segunda parte, por David Silva. Uma segunda parte que foi mais do mesmo, a roçar o enfadonho. O tiki-taka também enfadonha!

Viriam mais dois golos, com Torres em contra ataque a bisar, aos 70 minutos e, aos 82, por Fabregas que, ficando de fora para Del Bosque lançar o ponta de lança, tinha entretanto entrado. Que não deixou passar a oportunidade do festejo para se mostrar zangado com a situação!

No próximo jogo com a Croácia creio que outro galo cantará. Há a possibilidade de gestão a dois do resultado, mas também a da disputa aberta do jogo!

EURO 2012 (VI) - PIIGS

Por Eduardo Louro

                                                                      

A jornada número 3 ocupou-se do grupo C.

Neste Euro, onde todos queriam entrar, estão todos os PIIGS. Nem todos lá se aguentarão por muito tempo, mas estão lá. E estão em força neste grupo C. Só lá faltam Portugal e a Grécia, e só a Croácia destoa. Mas nem muito!

Ali estão os II – Itália e Irlanda – e o S, de Spain. A Croácia não integra sigla, mas não está longe. E está lá depois de ser resgatada, como a Irlanda e Portugal. Não pelo FMI e pela União Europeia, mas pelo Play-off. Que reuniu os que não cumpriram os critérios de qualificação: simplesmente o primeiro lugar no grupo de apuramento e ainda o melhor segundo classificado de todos, que foi a Suécia, como nos lembramos.

E o grupo arrancou no dia seguinte ao resgate da Espanha, ou ao da abertura de uma linha de crédito, no inimaginável eufemismo de Rajoy!

Deixemo-nos destas coisas e passemos à bola, que é o que interessa. E aí, Itália e Espanha mostraram que este é um grupo a duas velocidades e com pouca coesão. E que sem eles não há Euro!

Foi o melhor de todos os jogos que já se disputaram, com boa parte dos melhores players deste mercado. A Espanha com o seu tiki-taka, que não sendo bem o que era, mantém a espectacularidade e garante a alta qualidade do seu jogo. Jogou sem avançados, sem ponta de lança, (quem é que sai para dar lugar a um ponta de lança?) mas nem isso é surpresa. Aqueles jogadores sabem fazer tudo, até marcar golos. Iniesta disse - sem falar, apenas a jogar – que está ali para fazer um grande Euro, e para ser uma das principais figuras da competição. E a jogada do golo, Xavi – David Silva – Fabregas, mostrou que não é preciso pontas de lança para marcar golos. E dos bonitos!

Não vai ser fácil expulsá-los do Euro. Porque são demasiado grandes! Mas também não vi razões para alterar o meu prognóstico inicial

A Itália confirmou as expectativas e parece querer confirmar a História, como aqui tinha referido na antevisão da prova. Quando rebentam broncas no calcio, a azurri aí está para as curvas, pronta a surpreender tudo e todos. Tem dedo táctico - surpreendeu com três centrais - e tem Pirlo – sempre em grande –, Baloteli e as suas excentricidades que não trazem muito ao jogo mas que o apimentam, Cassano… E Di Natale - para entrar quando deixa de haver paciência para Baloteli - cuja profissão é marcar golos. E que golo ele marcou!

Este era um jogo que tinha tudo para ser daqueles jogos fechados, rodeado de cuidados, jogado para não perder. E não foi nada disso. A azurri e a roja quiseram ganhar e jogaram para isso. Cada uma com as suas armas, que são muitas e boas!

O segundo jogo do dia e do grupo juntou os resgatados. A Irlanda, finalmente resgatada, muitos anos depois e apenas dois depois da anterior tentativa - na altura para o Mundial da África do Sul – escandalosamente negada por uma arbitragem (?) que decidiu que era a França que lá deveria estar, através daquele golo de Henry com a mão. De Trapatoni, o mais velho treinador da prova e a última das velhas raposas! E a Croácia, resgatada à custa da Turquia (a Europa deixa-a sempre de fora), que há uma semana nos deixou à beira de um ataque de nervos.

Não foi um mau jogo, mas esteve longe de ser bom. A Irlanda mostrou que não tem condições para se aguentar. É composta por jogadores actualmente de segunda linha da liga inglesa, alguns deles já apenas são nomes. A Croácia apresentou uma equipa fisicamente muito forte e com a qualidade técnica que lhe é reconhecida. Onde a estrela Modric, muito recuado, não brilhou tanto quanto seria de esperar.

O jogo ofereceu o golo mais madrugador de sempre em europeus, logo aos dois minutos, num frango de Given, o guarda-redes irlandês. Que voltaria a não ser feliz – mas dessa vez infelicidade pura – no terceiro e último golo croata, também logo aos três minutos da segunda parte. O resultado (3-1) é aquilo a que se pode chamar escrever direito por linhas tortas. A Croácia foi superior e ganhou bem – nunca vi uma equipa de Trapatoni defender tão mal – mas a arbitragem holandesa influenciou decisivamente o resultado, validando mal o segundo golo croata e negando um penalti – cometido mesmo à frente do árbitro – à Irlanda.

A Croácia segue na frente. Não lhe deverá servir de muito, porque não conseguiu mais do que certamente conseguirão Espanha e Itália frente à fraquinha Irlanda!

DAS AUTO-ESTRADAS AOS CAMINHOS

Por Eduardo Louro 

 

Andámos anos e anos a fazer auto-estradas, por todo o país, muitas vezes umas ao lado de outras. Sem dinheiro para as portagens, deixamo-las ao abandono e, agora, restam-nos apenas dois simples caminhos: o caminho da Grécia e o da Irlanda!

Nunca soubemos bem para onde íamos - sempre tivemos problemas de orientação - mas parece-nos que vamos a caminho da Grécia. Lá de Bruxelas, dizem que vamos no outro, a caminho da Irlanda. Mas nós bem sabemos como eles se vêm gregos com a nossa sinalética, que nunca foi famosa!

QUE AVISO!

Por Eduardo Louro

 

 

Um jornal irlandês – Sunday Independent – endereça, em carta a Portugal, um conselho amigo: Um conselho de amigo para Portugal, chama-lhe! Nada mais sintomático numa altura em que atingimos as taxas de juro que obrigaram a Irlanda a pedir ajuda: à capitulação!

O original da carta está aqui. Uma tradução dirá mais ou menos isto:

 

Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda. Sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores estão por aí a cavalgar a recessão. Podem ficar por aí um tempinho. Não quero parecer intrometido mas tenho lido umas coisas sobre ti nos jornais e acho que posso dar-te um ou outro conselho sobre o que se passa contigo e que vem aí.

A piada que corre é: sabem qual a diferença entre Portugal e Ireland? Cinco letras e seis meses.
Adiante; reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate exterior mas os teus políticos afirmam estar determinados a não aceitar. Só, dizem eles, por cima dos seus cadáveres. Na minha experiência, isso significa que está para breve, provavelmente a um Domingo.
Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa. Devido ao facto de o inglês ser a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas actuais dificuldades.
O Inglês é a nossa primeira língua e isso foi o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise: não só este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não te livrará dos teus problemas actuais, como irá prolongá-los por gerações e gerações.
E ainda esperam que fiques grato. Se quiseres procurar a tradução correcta de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-of (empréstimo, usura, hipoteca, roubo). Assim terás uma tradução correcta do que te vai suceder. Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses. Desculpa ter de sorrir. Sim, coloca uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia, e aprecia o perfume enquanto dura. Nós também tivemos um governo novo, aliás até é divertido ao princípio. O novo governo chegará envolto numa leve euforia. Terá prometido todo o tipo de coisas durante a campanha sobre deitar fogo aos capitalistas e assim enquanto a UE sorri benevolamente ante a converseta. Mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura. Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, ou atrair visitas de alguns dignitários estrangeiros como o Papa ou isso. Vai haver boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão por um tempo.
Aproveita enquanto puderes, Portugal. Porque assim que a diversão acabar a realidade vai intrometer-se no teu caminho. A única coisa boa disto tudo é que jogar golfe se tornou muito atractivo aqui. Espero que o mesmo suceda por aí e poderemos então combinar um jogo.

 Com amor,·


Irlanda”

 

Obrigado Irlanda, já não nos vens ajudar em nada mas sempre é melhor sabermos com o que podemos contar!

 

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