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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"Acordo do século"

Diário de Notícias

 

Para Trump tudo serve para desviar a atenção do julgamento do impeachement em curso no Senado, onde, ao contrário de todas as expectativas, as coisas não estão a correr nada bem. Os "republicanos" dispunham de maioria para tudo, inclusivamente para impedir novos e decisivos testemunhos, como o de John Bolton... Só que já há alguns senadores republicanos a achar que ele tem coisas importantes para dizer...

Agora tirou da cartola, e chamou "acordo do século", a um programa sem pés nem cabeça para a paz entre Israel e a Palestina, de uma incompetência em toda a linha. Defende a criação do Estado palestiniano, mas sem mexer nos territórios ocupados... E propõe a capital da Palestina para Jerusalém leste - onde "os Estados Unidos da América abrirão orgulhosamente a sua embaixada" - ao mesmo tempo que reafirma uma Jerusalém una e indivisível. Para onde Trump transferiu a embaixada há dois ou três meses...

Israel: uma escolha sem escolha!

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Hoje há eleições em Israel, uma democracia que ... tem dias. E de que nunca se espera mais que eleições, de quatro em quatro anos. De que nunca se espera grande coisa...

Hoje voltará a ser assim. Os israelitas voltarão a votar, mas da sua votação não pode resultar nada de novo. Limitar-se-ão simplesmente a escolher entre assegurar o quinto mandato a Benjamin Netanyahu, apoiado externamente por Bosonaro e Trump, mas também por Putin e, internamente, pela extrema-direita ultra-ortodoxa, com promessas de anexar territórios da Cisjordânia; ou eleger Benny Gantz, um general de extrema-direita que por falta de espaço tenta passar por moderado, enquanto se vai gabando do número de palestinianos que matou na Faixa de Gaza.

Muito provavelmente a única diferença é que, um, ao fim de quatro mandatos, já está acusado de corrupção. O outro, ainda não!

 

Gaza, mais uma vez!

 

Sabe-se que Netanyahu massacra a Faixa de Gaza apenas por duas razões: por tudo, e por nada. Desta vez bastou-lhe que Trump reconhecesse, contra o consenso internacional há muito estabelecido, a soberania israelita sobre os Montes Golã. E a campanha eleitoral em curso em Israel, onde as coisas lhe não estão a correr de feição.

 

 

Selo de sangue

Resultado de imagem para embaixada americana jerusalém

 

Enquanto os clãs Trump e Netanyhau, de costas voltadas para todo o mundo, celebravam o selo americano que carimba Jerusalém como "capital una e indivisível do Estado de Israel", ali ao lado, à frente do mundo todo, o exército israelita  respondia com snipers e bombas às fisgas e às pedras dos palestianos em protesto, matando e ferindo a eito. Perto de 60 mortos e mais de 1200 feridos!

Ao contrário da cena bíblica, aqui o Golias ganha sempre. Ao David só resta a agonia e o sofrimento...

Portou-se bem a diplomacia europeia. E a portuguesa. Já o mesmo se não pode exactamente dizer da comunicação social, onde se ouviram coisas inacreditáveis. Na TVI 24, no jornal da meia-noite, uma peça referia-se mesmo a "confrontos" entre "terorristas palestinianos" e o exército israelita...

 

 

Faixa do horror

 

Foi divulgado e está a correr mundo um vídeo que mostra um militar israelita  a matar, a frio, um jovem palestiniano desarmado, com um tiro na cabeça, em imagens de exaltação de desumanidade, de corrupção humana e de impunidade. A impunidade do Estado Israelita num massacre com a conivência da comunidade internacional! 

Mas quando as imagens e as evidências não são suficientemente chocantes, há sempre um governante israelita capaz de fazer ainda mais pela indignação das nossas consciências. Como foi agora o caso do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman que, depois de ter visto as imagens, declarou que o soldado que deu o tiro deveria ser condecorado. E, o que divulgou as imagens, despromovido!  

 

 

 

Coisas de há 50 anos...

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Há pouco mais de 24 horas, em Londres, aconteceu mais um vil ataque terrorista.

Há 50 anos, os quatro rapazes de Liverpool, então já famosos, mostravam ao mundo o "Sargento Pimenta", e deixavam ao futuro um mundo novo de música feito. Há cinquenta anos, o então jovem Estado de Israel também quis mudar o mundo.

E às 7:45 desse 5 de Junho de 1967, sob as ordens de Moshe Dayan - o falcão dos falcões da guerra - os caças israelitas lançaram-se sobre nove aeoportos militares, destruindo-os e bloqueando a força aéra egípcia, impossibilitada de sequer levantar voo. Por terra, as forças militares israelitas invadiam e ocupavam a Faixa de Gaza, a península do Sinai, os montes Golã e a Cisjordânia, com a parte oriental de Jerusalém. Tudo em apenas três dias, metade dos que a História lhe deu por nome ...

De nada valeu a famosa resolução 242 da ONU, a mandar Israel de regresso às anteriores fronteiras. Ou as sucessivas condenações da instalação de colonatos nesses territórios.

Há quem diga que isto está tudo ligado. Que tudo começou aí. Há 50 anos, com o som das bombas a rapidamente abafarem os acordes que já se ouviam de Sargent Pepper´s Lonely Heart Club Band.

 

UMA QUESTÃO DE CATEGORIA

Por Eduardo Louro

 

No jornalismo desportivo de antigamente, no tempo daquelas verdadeiras referências como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Carlos Miranda, Homero Serpa e Alfredo Farinha, categoria era uma expressão recorrente. Era a categoria que melhor adjectivava as equipas de futebol e praticamente tudo se resumia a isso: ter ou não ter categoria.

Lembrei-me disto logo por volta do primeiro quarto de hora do jogo que a selecção nacional fez hoje em Israel.

A equipa nacional, que vinha de quatro jogos sem ganhar e portanto com algumas razões para desconfiar de si própria, marcou logo no primeiro minuto. Diz-se – e assim é – que o golo é o melhor tónico, a melhor injecção de confiança que pode haver. Com um golo caído do céu tão cedo, estavam criadas as condições para a equipa estabilizar e, a partir da superior valia dos seus jogadores, impor a sua superioridade colectiva. Uma superioridade que, olhando para os critérios da FIFA, se traduz nas sessenta posições que nesse ranking separam as duas selecções.

Nada disso. Apanhando-se a ganhar no primeiro minuto, veio ao de cima a mentalidade bem portuguesa: isto está ganho, afinal é fácil. Ninguém acredita que a equipa não tenha podido fazer ou que a equipa não possa fazer mais. Ninguém acredita que aqueles jogadores não saibam nem possam fazer mais e melhor - até porque é isso que fazem por esse mundo fora, para justificar os milhões que seus clubes lhe pagam - mesmo que um ou outro não mereça de forma nenhuma estar ali.

Rapidamente a equipa entregou o jogo aos israelitas, abdicando de colocar intensidade no jogo e evidenciando graves falhas de concentração, coisas que antigamente se resumiam numa palavra: categoria. E os israelitas aproveitaram para concretizar aquilo que toda a gente adivinhava: golos. Dois, chegando naturalmente ao intervalo a ganhar.

Na segunda parte nada foi substancialmente diferente. É certo que os jogadores correram um pouco mais, mas nada que alterasse radicalmente o cariz do jogo. Os erros sucederam-se, até que, num deles, surgiu o terceiro golo israelita. O Bruno Alves – percebe-se porque é que não joga no seu clube, não se percebe é porque joga na selecção nacional – deixou a bola sair para canto, depois de correr com ela nos pés dezenas de metros em direcção à própria baliza. Inacreditável. E no canto – também o Rui patrício andou aos papéis - voltou a falhar a marcação!

Parecia que tudo estava perdido mas a equipa ainda conseguiu chegar ao empate, com o terceiro golo a voltar a cair do céu, já no último dos quatro minutos de descontos. Empate que continua a deixar em aberto o segundo lugar no grupo de apuramento, embora esta selecção faça parecer cada vez mais remota a hipótese de continuar a garantir apuramentos através do habitual play-off.

Não é fácil encontrar uma exibição positiva na selecção nacional. Nem mesmo Cristiano Ronaldo. E é difícil encontrar a mais negativa, tão más foram as exibições de tantos jogadores portugueses, mas as actuações de Bruno Alves, Veloso, Varela e Meireles são absolutamente inaceitáveis.

Quando assim é, quando praticamente todos os jogadores falham, é difícil e ao mesmo tempo fácil atribuir responsabilidades ao seleccionador. É difícil porque não se pode centrar a crítica nas suas opções, embora haja razões para isso, a mais forte das quais será a de convocatórias à revelia da forma dos jogadores, prevalecendo a mentalidade scolariana de um grupo fechado, blindado mesmo. Mas é fácil porque, quando a desinspiração é total, quando o falhanço é colectivo, não há para onde olhar que não para o treinador!

Há aqui claramente a velha questão da categoria. E a verdade é que a selecção não está a provar ter categoria para estar no Brasil, o que é terrivelmente injusto para a ímpar categoria do Cristiano Ronaldo.

Esperemos que esse espectro possa libertar nele o grito de revolta que é urgente ouvir-se na selecção. Precisa-se de um enorme murro na mesa e, francamente, não vejo quem, além dele, o possa dar. Por isso, tão importante quanto a sua falta na equipa – por força do amarelo de hoje – no jogo do Azerbaijão é a sua presença na comitiva nessa deslocação!

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