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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cá pelo Sul, hoje é dia de governos novos ...

 

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Em Espanha, o governo de Rajoy caiu. Resistiu a tudo, até à desastrada gestão do dossiê Catalunha, onde as vagas de prisões mais fizeram lembrar a ditadura franquista, mas não resistiu à podridão interna. É quase sempre assim na política, nos regimes como nos governos: apodrecem e caem, por si.

A corrupção - Rajoy puxou do curioso argumento que a existência de corruptos no PP não faz do PP corrupto - teria de levar Rajoy à única saída possível: a demissão. Como não quis sair pelo próprio pé, saiu empurrado pela moção de censura do regressado Pedro Sanchez, que vai agora formar governo. Sim, porque o regime espanhol pode ter muita coisa má, mas não brinca às moções de censura. Quem censura tem de ter alternativa de governo!

E o PSOE tinha. Nem que para isso tivesse de garantir que mantinha o Orçamento (Presupuesto) em vigor, que o PP tinha negociado com o Partido Nacionalista Basco para, garantindo-lhes as vantagens adquiridas, garantir o seu voto. Coisa que, curiosamente e para percebermos a informação que recebemos, levou a RTP a dizer que o novo governo do PSOE garantia os pressupostos da governação do PP.

Também de Itália chegam notícias interessantes. A democracia de geometria variável da UE tinha levado o Presidente italiano, no início da semana, a recusar o o nome de Paolo Savona, dito eurocéptico, para a pasta da economia e finanças do governo apresentado pelos partidos mais votados, e a voltar (já o tinha feito com o governo de  Mario Monti) a ignorar os resultados eleitorais, encarregando um ex-quadro do FMI (tinha de ser) de formar governo. Alguém lhe explicou - a ele e ao comissário alemão que lhe dava as ordens - que era capaz de não ser uma grande ideia: o governo não passaria no parlamento e teria de voltar a eleições, que só reforçariam os mesmos dois partidos de que ninguém gosta. 

E num instantinho tudo voltou atrás. Hoje já vai haver governo e ... vá lá ...  o primeiro-ministro Giuseppe Conte, para que o presidente não perdesse de todo a face, passou Paolo Savona para a administração interna.

E pronto, lá estão dois governos novos no mesmo dia, nas terceira e quarta maiores economias cá do clube. 

"Arriverdeci"!

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A Alemanha tem finalmente, cinco meses depois das eleições, condições para formar governo. Ontem os mlitantes social-democratas do SPD confirmaram em referendo o "bloco central", e com isso o novo fôlego de Merkel. E a União Europeia mais ou menos no mesmo tom, mesmo que Macron o queira um bocadinho mais carregado.

Coisa em que, pelos vistos, a Itália não está interessada. Nas eleições de ontem, os italianos não adiantaram lá grande coisa à governação do país - aquilo parece ingovernável - , mas não deixaram grandes dúvidas que não vão em cantigas - isto é ainda efeito do festival - europeias. Se aqueles resultados não dão para governar, já dão bem para perceber um "arriverdeci" à União Europeia, bem claro no pontapé no rabo de Matteo Renzi, o primeiro-ministro que fora uma espécie de comissário político designado pela União Europeia.

 

Insólito. Injusto, só para Buffon...

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O mundo do futebol está incrédulo, com o afastamento da Itália do Campeonao do Mundo do próximo ano, na Rússia.

Tem o seu quê de insólito. É apenas a terceira vez que a Itália falha um Mundial, antes falhara em 1930 e em 1958, há 60 anos; e é o único campeão do mundo - e a Itália conquistou o antepenúltimo campeonato do mundo, na Alemanha, foi quatro vezes campeão mundial, tantos quanto os germânicos, e apenas menos um que o Brasil - ausente da Rússia. Mas não se pode dizer que seja uma grande surpresa...

A Itália tem hoje um único jogador de nível mundial: chama-se Gianluigi Buffon, é  guarda-redes e tem 40 anos. É um Senhor - ainda ontem, quando o público italiano assobiava o hino da Suécia, ele aplaudia - e é a grande vítima da actual falta de qualidade do futebol italiano, falhando o feito único, e de todo irrepetível, de jogar seis campeonatos do mundo!   

É insólito. Mas, injusto, só para Buffon... 

Tenham dó...

 

Era mais uma final antecipada. Que pena: um dos dois maiores colossos do europeu teria que sair. E lá ficavam Gales e Portugal. Uma pouca vergonha!

Não direi que não jogaram nada. Mas jogaram pouco, o jogo foi fraquinho... 

Fraquinho? Foi o que eu disse?

Nada disso, um jogo superlativo, com uma dimensão táctica do outro mundo, um autêntico duelo de titãs entre os dois maiores intérpretes do futebol ciência - diz a imprensa por essa Europa fora. Não é só alemã, que a essa ainda se podia desculpar.

Uma lástima, que nem nos penaltis se safam. Não sabem marcar penaltis? 

Nada disso: um jogo do outro mundo só poderia acabar com um espectáculo de suspense daqueles. O que se viu não foi uma sequência de falhanços que nem nos distritais de infantis se vê. Foi o requinte supremo da emoção a tornar histórico e inesquecível o jogo do europeu. Ou do século?

Tenham dó...

 

Nus. Ou sem cuecas...

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Não houve tempo a perder. Uma semana depois de terem sido levantadas as sanções o presidente iraniano fecha negócios de dezenas de milhares de milhões por Itália e França. Pelos milhões, e para que nada pudesse beliscar a obscura sensibilidade de Hassan Rouhani, os italianos mandaram tapar todas os nus das obras de arte espalhadas pela capital. Já em França, onde os milhões dos negócios eram ainda mais milhões, com muitos aviões e ainda mais petróleo, o vinho falou mais alto que os nus... E Hollande cancelou o almoço com o comprador de bolsos cheios: não há vinho, não há almoço.

Assim é que é. À italiana é que não: quando se baixa muito mostra-se o cu. Nem precisa de estar nu. Basta não ter cuecas... Mas disso o senhor gosta!

Brasil 2014 III

Por Eduardo Louro

 

 

O dia terceiro do Mundial arrancou com a Colômbia e a Grécia a abrirem o Grupo C.

Os sul-americanos apresentam-se com uma das mais fortes equipas do torneio, especialmente na frente, com quatro avançados que cabem provavelmente nos dez melhores do mundo. E com Falcão, de fora, é bem capaz de dispor de três dos seis ou sete melhores pontas de lança do mundo. E a Grécia … é o costume – não somos certamente nós, portugueses, os melhores para falar da Grécia – e claramente com aspirações a um dos dois primeiros lugares do grupo, que dão o apuramento.

De um lado uma equipa de grande potencial ofensivo e, do outro, outra com grande rigor defensivo. Este era o mote para um jogo que, por isso mesmo, se esperava muito interessante. Não foi de todo desinteressante, mas não foi nada do que se estava à espera. Porque os bons avançados colombianos, para fazerem a diferença, têm que jogar. No banco não resulta, e a verdade é que só tarde de lá saíram. E porque a Grécia foi tudo menos a equipa rigorosa do costume.

Ofereceu um golo – caricato, não há outra palavra para o descrever – logo no arranque do jogo e a partir daí coube-lhe a parte mais desconfortável do jogo. Teria que se virar do avesso!

A verdade é que acabou a primeira parte, e iniciou a segunda, já bem por cima do jogo. Só que quando estava a procurar o empate volta a oferecer novo golo, num canto, situação em que é normalmente muito forte a defender. E já no último minuto do tempo de compensação, desconcentrada, voltou a falhar, permitindo que uma falta a meio campo, rapidamente cobrada, acabasse no terceiro golo, de James Rodriguez.

A Grécia criou três boas oportunidades de golo, a penúltima num remate à boca da baliza que levou a bola à trave e daí para fora da baliza. Tivesse entrado e seria certamente outra a história do jogo…

E a Colômbia de grandes jogadores na frente acabou por fazer três golos sem que verdadeiramente tivesse criado uma oportunidade. Para contrariar as expectativas em torno das duas equipas nada como isso: a equipa que só defende, cria três ocasiões de golo e não marca nenhum; e a que tem tudo para atacar bem não cria nenhuma, mas marca por três vezes!

No segundo do dia, Uruguai e Costa Rica deram o pontapé de saída no grupo D. E deu zebra, como dizem os brasileiros. Não há mundial sem heróis improváveis, e este jogo revelou desde já dois: o ponta de lança Campbell e o guarda-redes Navas. Costa-riquenhos, evidentemente! Não passaria pela cabeça de ninguém que a selecção da América Central ganhasse, e logo por 3-1. Mas também não passaria pela cabeça de ninguém voltar a ver Diego Forlan numa fase final de um mundial!

O árbitro já era conhecido. Conhecemo-lo em Sevilha, há um mês atrás e voltou a confirmar que é mesmo mau.

O prato forte da jornada era mesmo o Itália – Inglaterra, a fechar a primeira jornada do mesmo grupo D. Que jogo!

Um jogo adulto, maturo, com tudo o que é preciso. Com duas excelentes equipas, ambas em registos muito diferentes daquilo que era tido como a sua matriz de jogo. A Itália com muito futebol, bem para lá do simples cinismo italiano, muito para lá de simplesmente especular com o jogo. E a Inglaterra, se não com a melhor equipa de muitas décadas, com a mais excitante de todas. E com um futebol de grande nível, que nada tem a ver com o velho kick and rush britânico.

Estamos habituados a assistir ao lançamento de jovens estrelas na selecção inglesa que, invariavelmente, acabam depois por deixar de cintilar. Não desaparecem mas, sem brilho, deixam de se ver. Não parece nada ser agora o caso. Porque não é apenas um Sterling. São também Sturridge, Baines, Wilshere, Barkley, Lalana, entre os que jogaram, e ainda Chamberlein… Não é um jovem, como era habitual. São sete ou oito, todos já grandes jogadores de futebol!

Ganhou a Itália, do jovem Pirlo, por 2-1. Como podia não ter ganho, ou até ter ganho por maior diferença, porque num jogo destes tudo pode sempre acontecer… Até uma boa arbitragem, finalmente!

UMA QUESTÃO DE SUSTO

Por Eduardo Louro

 

Os mercados estão à beira de um ataque de nervos com os resultados eleitorais em Itália. A Europa não está mais tranquila, e a Alemanha, essa, já arranca cabelos!

Mas o que mais marcadamente caracteriza estes resultados das eleições em Itália é a normalidade. E a previsibilidade.

É o resultado normal porque, em boa verdade, a instabilidade política, e até a ingovernabilidade, é a principal característica do sistema político italiano. Foi sempre assim no pós guerra, e só deixou de o ser nos últimos anos, com os governos do Il Cavaliere, essa figura única nascida das cinzas do sistema, depois do ciclone que no final do século arrasou o edifício político do país.

E é um resultado previsível depois desta pouco original ingerência da União Europeia (UE) na política italiana. Na verdade Bruxelas resolveu suspender a democracia em Itália e impor aos italianos um governo de comissariado próprio em substituição do governo que tinham elegido. Impndo aos italianos, não só - como aos portugueses e aos gregos - uma política de austeridade, mas também um governo para a executar, nem a UE, nem ninguém, poderia esperar que os italianos votassem de outra maneira.

Aconteceu em Itália, como já tinha acontecido na Grécia – onde a solução acabaria por passar por novas eleições, onde os eleitores foram sujeitos à humilhação máxima de votar sob a ameaça de uma arma alemã apontada à cabeça. Não aconteceu em Portugal porque não houve eleições, tudo aconteceu em plena primavera do ciclo político. Mas lá virá!

Não se sabe bem quem ganhou as eleições. Acontece o que é costume: todos ganham, e ganham todos à medida de quem faz a avaliação. Bersani e Berlusconi dividiram 70% dos votos, mas para a direita, Berlusconi ganhou sem qualquer sombra de dúvida. E para o centro esquerda foi Bersani o vencedor. Para a esquerda, o Movimento 5 Estrelas do humorista Beppe Grillo – um movimento de cidadania, em terceiro lugar na contagem dos votos, com 25% - foi o grande vencedor destas eleições.

Mas sabe-se quem perdeu: Monti, o homem da Goldam Sachs, o comissário de Merkel. O homem dos mercados - que não o dos italianos – serviu para fantoche. Agora não fica a servir para nada. Nem certamente para muleta de Bersani!

Não sei se estas eleições italianas resultam no caos. Mas sei que estes resultados assustam mais os mercados e a nomenklatura europeia que os italianos. E como o que mais por cá falta é mesmo quem possa assustar os actuais senhores da Europa, esta é uma boa notícia!

 

EURO 2012 (XXIX) - E VIVA ESPAÑA

Por Eduardo Louro

                                                          KIEV, UKRAINE - JULY 01:  Spain fans enjoy the atmosphere ahead of the UEFA EURO 2012 final match between Spain and Italy at the Olympic Stadium on July 1, 2012 in Kiev, Ukraine.  (Photo by Jasper Juinen/Getty Images)            

É por isto que o futebol tem um encanto único. É por isto que o futebol é paixão!

A Espanha chegara à final depois da sorte dos penaltis, depois de não ter conseguido superiorizar-se à nossa selecção nacional mas, mais que tudo isso, depois de parecer ter-se esquecido que os jogos se ganham com golos, e estes fazem-se de remates. Quando o seu famoso tiki-taka já enjoava e aborrecia, servindo apenas para defender, para ter a bola não para construir jogo, remates e golos mas apenas para que o adversário a não tivesse. Depois de garantido o apuramento no seu grupo – o que ditaria os finalistas de hoje – com mácula, com a mancha da arbitragem naquele jogo com a Croácia. A mancha que, como aqui se disse, não seria fácil de limpar!

A Itália chegava à final depois de uma vitória que, não sendo clara e expressiva nos números, fora categórica pela exibição. Sempre em crescendo, depois do jogo inaugural do seu grupo de apuramento, precisamente contra esta mesma Espanha, onde já mostrara não ser inferior. Uma equipa objectiva, constituída por grandes jogadores, com um Pirlo sublime e Balotelli a aparecer, como que a querer dizer que este seria um europeu onde haveria de deixar marca. Desde logo como principal marcador!

E de repente, como só no futebol acontece, tudo isto foi virado ao contrário. Quem parecia estar por baixo, renascia. E quem parecia estar por cima estava afinal lá bem em baixo!

E essa Espanha que enjoava de repente voltou a encantar e, sem piedade, goleou e humilhou esta Itália renovada e sedutora. Sem essa posse de bola pornográfica – pela primeira vez esteve em inferioridade nesse capítulo, 43% no final da primeira parte – a selecção espanhola goleou e criou inúmeras oportunidades de golo mas, acima de tudo isso, encantou os adeptos do bom futebol (também há dos outros). E obrigou a Itália a partir precisamente pelo seu ponto mais forte: a defesa. Estranhamente pela defesa, que tão bem se entendera no primeiro jogo com esta mesmíssima equipa, a do 4-6-0, sem ponta de lança e com Fabregas. Mas que não era a mesma defesa…

Prandelli tinha então apresentado três centrais, sistema que abandonou logo a seguir, para começar a construir o futebol sedutor com que chegaria aqui. Hoje não quis regressar à primeira fórmula, e estará provavelmente bem arrependido.

Mas não é apenas no atípico pormenor da posse de bola, na inimaginável superior posse de bola dos italianos, nem nos buracos abertos pela defesa italiana, que este jogo surpreendeu. Casillas teve muito mais trabalho que Buffon, que sofrendo quatro golos - e poderia ter sofrido alguns mais - fez apenas duas defesas em todo o jogo. A primeira no último minuto da primeira parte, muito fácil, num remate à figura de David Silva. E a segunda no último minuto do jogo, que nem se deveria chamar defesa, porque foi Sergio Ramos a entregar-lhe a bola quando, de calcanhar, tentou concluir uma excelente assistência de Torres. E, na primeira parte – que foi quando o jogo se resolveu, a segunda foi mero proforma, especialmente depois de Prandelli ter, muito cedo, esgotado as substituições e a equipa ter ficado reduzida a dez, com a lesão de Thiago Motta (apenas três minutos em campo) aos 60 minutos – as equipas remataram o mesmo número de vezes: oito! E no entanto a superioridade de la roja foi imensa…

Pirlo, que vinha sendo a estrela que brilhava mais alto, na azurri e no campeonato – e que provavelmente discutiria hoje com Iniesta o título de melhor jogador deste euro – hoje apenas teve oportunidade de se mostrar nas bolas paradas. E se confronto havia, perdeu-o para o catalão. Xavi, de quem se dizia que passara ao lado do torneio, cansado ou mesmo esgotado, ressurgiu hoje ao seu nível. E já não surpreende que, com o melhor Xavi, tenha aparecido a melhor Espanha. Como um cavalheiro que traz a senhora de braço dado, pela melhor passadeira: a da final!

A Espanha soube apresentar-se ao seu melhor nível neste desafio que a História lhe propunha. Tornou-se na primeira selecção a vencer por três grandes competições consecutivas: europeu – mundial - europeu. E igualou, com três títulos europeus, a Alemanha. Com um único golo sofrido - logo no primeiro jogo - e doze marcados. Só sofreu da Itália e só não marcou a Portugal. Notável!

Pedro Proença está em maré de sorte, ninguém tem dúvidas. Deixou um penalti por marcar, logo no início da senda parte, a favor da Espanha. Mas, com 4-0 ninguém se vai lembrar disso…

E viva España!

EURO 2012 (XXVIII) - VENHA A FINAL!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Fizemos aqui uma espécie de balanço da primeira fase deste Euro 2012, voltamos a fazê-lo quando o pano caiu sobre os quartos de final. Não há razão para que não o façamos sobre as meias-finais!

A esta competição, marcada por um certo paralelismo com a crise do euro – do outro, que afinal conta bem mais – e da Europa, chegaram em maioria os representantes dos PIIGS, todos representados nesta fase final deste Euro 2012. Na primeira fase caiu apenas um – a Irlanda -, coisa que se repetiu nos quartos de final, com a pobre Grécia a ser expulsa pela implacável Alemanha. Que se viu depois sozinha nas meias-finais rodeada de PIIGS por todos os lados, a reclamarem o protagonismo na bola que a economia e as finanças lhes negam no euro. E dispostos a vingar-se da Alemanha!

Portugal e Espanha, os vizinhos ibéricos em dificuldades, abriram a discussão pela presença na final, num jogo marcado pelo medo, como então aqui se caracterizou. Um medo que pareceu mais evidente na selecção espanhola, que abdicou do seu estilo de jogo habitual, recorrendo como nunca ao improvável jogo directo.

Normalmente, no futebol, quem abdica dos seus princípios de jogo, quem se descaracteriza em função do adversário, é penalizado. Esta é uma regra universal do futebol, sobejamente provada!

Não aconteceu isso desta vez porque os penaltis sorriram-lhe. E ninguém mais se lembrará que foi por essa unha negra que a Espanha chegou à final. Disse-se, e continua a dizer-se, que os espanhóis – que apenas se superiorizaram no prolongamento - ganharam porque tinham mais e melhores opções no banco. A que Del Bosque lançou mão com apurado sentido de oportunidade: no timing certo, as opções certas!

Sendo isto verdade, e tão mais evidente quanto Paulo Bento esteve no lado oposto, no timing – substituições muito tardias - e nas opções, com a entrada de Nelson Oliveira a ser completamente falhada e a de Varela, porque em substituição de Meireles, a esburacar o meio campo, a realidade é que a selecção nacional acabou por perder porque, antes de tudo isso acontecer, não conseguiu ganhar. Portugal podia e devia ter feito ganho o jogo nos 90 minutos. Não o tendo feito, não podia ter consentido que o domínio do jogo no prolongamento caísse para o lado dos espanhóis que, fisicamente mais desgastados, fizeram das fraquezas forças. E isto é do domínio mental. O factor mental pesou bem mais que o da qualidade do banco!

Porque falta-nos o hábito de ganhar, a rotina de vencer que faz com que se arrisque quando há que arriscar, que se percebam as dificuldades do adversário e que se entenda que é a altura do ataque fatal. Não é uma só uma questão de ambição – embora também passe por aí – é um problema de instinto. É o nosso fado do quase!

Esta Espanha do tiki-taka nunca como desta vez esteve tão ao alcance de Portugal. Não está, como desde o primeiro dia aqui se defendeu, ao nível de há anos atrás. Nem tem o melhor futebol da Europa!

Na outra meia-final, a imperial Alemanha, super favorita e disposta a impor o seu poder e a sua hegemonia também na Europa do futebol, encontrava-se com uma Itália surpreendente, com um futebol que ganhou atracção sem perder eficácia. E em crescendo, ao contrário do que começava a perceber-se na equipa alemã!

A Itália foi técnica e tacticamente muito superior à Alemanha, superioridade que o resultado não espelha. Por mérito próprio mas também por muito demérito alemão, pelo qual Low é principal responsável. Porque - mais uma vez o medo – abdicou também dos seus princípios de jogo para jogar em função do adversário. E desta vez não houve excepção à regra. Porque, mexendo muito na equipa de jogo para jogo, por ventura em excesso de confiança, lançou-a num processo descendente. E acabou com o fundamental Mario Gomez quando, esquecendo-se que um avançado vive de golos, o colocou de fora no jogo com a Grécia, quando era o melhor marcador em prova. Igualmente incompreensível a sua substituição ao intervalo. Erros a mais, perante um adversário que, ao contrário de Portugal, não está habituado a perdoar!

Ao lado do mérito italiano está, como a outra face da moeda, Prandelli. O treinador que, se não está a revolucionar o futebol da squadra azurri anda lá perto, tal é o salto de qualidade que evidencia. Um tipo de futebol que não abdica da habitual segurança defensiva, mas que defende muito mais alto, permitindo à equipa - e a Pirlo, o maestro e o melhor jogador deste europeu – recuperar a bola em zonas subidas do terreno, já mais perto da baliza contrária, onde depois chega com enorme facilidade. Tudo isto servido por jogadores de alta qualidade, em todos os sectores. E dois génios, um dos quais com muito de louco, de que todos temos um pouco!

Invariavelmente, nos períodos de maior lamaçal no calcio, a squadra azurri ganha o que houver para ganhar. É a minha favorita para amanhã levantar o caneco!

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