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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brasil 2014 XIX - Oitavos com vista para os quartos

Por Eduardo Louro

 

 

Arrancaram os oitavos de final do Mundial. Por hoje só com equipas sul-americanas, a provar a superioridade deste lado do mundo nesta competição.

E arrancaram logo com o Brasil e o Chile, a darem o mote para o que pode ser o que aí vem, com prolongamentos e penaltis. Grande jogo, de emoções fortes!

Como aqui se previra o Chile não foi pêra doce, e o Brasil esteve em sério risco de ser eliminado. Foi salvo pelos ferros de uma das balizas, onde ao minuto 120 o Pinilla – que aqui hás uns anos por aqui chamavam de Pinigol, que até rima com Pongolle – acertou e onde acabaria por bater a bola batida pelo Jara, no último penalti chileno.

O escândalo que seria o afastamento do Brasil logo ao primeiro mata-mata - terminologia de Scolari, ou como pela boca mporre o peixe - esteve prestes a rebentar. Porque o Brasil ainda não tinha convencido, e continua sem convencer. É assim desde que a selecção brasileira substituiu o futebol artístico que lhe corre nas veias pelo futebol industrial que impera pelo mundo fora. É que assim as vantagens comparativas do Brasil esbatem-se: ter muitos melhores jogadores é apenas uma vantagem que se perde no meio de tanta outra coisa.

Às vezes resolvem alguns problemas, mas não resolvem sempre todos os problemas, como hoje se viu com Neymar. Que não se viu!

O arranque da segunda parte do prolongamento, quando restavam apenas 15 minutos para o Brasil garantir o apuramento, constitui a melhor imagem do que é a negação do futebol brasileiro que a selecção de Scolari pratica. O Brasil teve a bola de saída, e foi assim: bola ao centro, atraso directo para o guarda-redes, chutão para a frente e… bola para o adversário.

É este o futebol que o Brasil tem para apresentar, e é com ele que acha que vai ser campeão. Por isso o Chile teve mais bola, jogou melhor futebol e não mereceria ter perdido.

O Brasil não tem – e não é de agora, já assim é há uns anos – pontas de lança. Tem muitos jogadores do melhor que há para todas as posições, mas não tem para essa. A exemplo de Paulo Bento, Scolari, em vez de trabalhar um sistema de jogo que conviva com essa realidade, procurando soluções que, face à excepcional qualidade de tantos jogadores, transformem essa ameaça numa oportunidade, insiste na aposta em jogadores que a ocupem. Mas só isso, apenas ocupam lá um lugar…

No outro jogo encontraram-se um Uruguai desfalcado e uma Colômbia moralizada e certamente convicta que é uma das melhores equipas deste mundial.

A grande baixa dos uruguaios é Luiz Suarez, o génio cujo mau génio a FIFA castigou severamente. Com demasiada severidade, parece sempre que tem mão muito mais pesada para aspectos comportamentais digamos que bizarros, do que para a violência de que tantos e tantos jogadores usam e abusam. Não se sabe se, com ele, o Uruguai teria alguma hipótese perante esta fantástica Colômbia. Sabe-se que o Uruguai só com ele ganhou e que, como aqui referi aquando do jogo inaugural com a Costa Rica, uma selecção que ainda precisa de Forlan dificilmente pode ganhar o que quer que seja.

Por isso é com toda a naturalidade que a Colômbia, de James e de Quadrado, segue para os quartos de final, para aí, se tudo se mantiver, deixar o Brasil em estado de choque. Voltou a apresentar do melhor futebol que por lá se vai vendo, e James voltou a mostrar por que é já uma das maiores figuras deste mundial. E voltou a marcar, são dele os dois golos do jogo, e o primeiro é simplesmente sensacional. É já o melhor marcador, com cinco golos. Dois deles entre os quatro melhores da prova!

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