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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Primeiro a língua, depois o gelado...

Por Eduardo Louro

 

Depois de tanto ter feito pelo país, depois da inovação nas técnicas de mobilização popular para o 1º de Maio, a Jerónimo Martins presta mais um grande serviço aos portugueses, em concreto à língua portuguesa.

Passo a explicar: o que se vê no cartaz, e que está a indignar o país por esse facebook fora, não é um erro de um copy qualquer que apanhou desprevenida toda a - certamente vasta - equipa de Marketing da companhia. Simplesmente, ao estudar os hábitos e comportamentos do consumidor, que tão distintos marketers fazem como ninguém, chocaram de frente com este erro. Eles, que como qualquer um de nós, vêem como tudo se passa facebook  - que justamente agora os desanca - aí encontram os ganhas-te, os emprestas-te ou até o voltas-te. Vai daí e resolvem lançar esta campanha, evidentemente provocatória, de fazer inveja à Benetton. 

Primeiro provocam, depois... o facebook faz o resto. E ninguém mais volta a cair nestes erros... Primeiro a língua portuguesa, só depois os gelados!

Bem haja Olá, bem haja Jerónimo Martins. Bem haja Sr Soares dos Santos!

Ah... Diz-se que já mandaram retirar os cartazes... Que modestos!

TEMA DA SEMANA

Por Eduardo Louro

                                                                      

O tema da semana foi indiscutivelmente a campanha de marketing provocatório do Pingo Doce. Não se falou de outra coisa!

Também aqui o tema foi abordado, o qb, porque o que é de mais é moléstia! Mas não têm faltado achas para a fogueira. A última faz a capa de hoje do SOL: Soares dos Santos diz que nem ele soube de tão gigantesca operação. Não admira, o governo também não!

Mas isso eu percebo. A sério!

O que eu não percebo é por que é que esta foi uma questão de direita e de esquerda e não uma questão de princípios, como o respeito – pelos outros e pela História – ou a ética, empresarial e cívica! O que eu não percebo é como tudo o que é fazedor de opinião de direita, que sempre acusam a esquerda de arrogância e de complexos de superioridade intelectual, não tenham resistido a aproveitar esta oportunidade para se atolarem em populismo e se perderem num labirinto de ideias demagogas e de disparates sem nunca encontrarem a saída. Quiseram fazer confundir uma campanha promocional – de mau gosto, mas é apenas uma opinião – como uma missão de solidariedade. Uma provocação com uma actividade de intervenção social!

Quem o fez – à excepção dos que, acéfalos, se limitaram a seguir a onda - não o fez por falta de capacidade e de inteligência para perceber o que se estava a passar. Fê-lo porque percebeu que aquilo era uma atitude política, que lhes convinha fazer passar por empresarial, para dela tirar conclusões políticas. As que lhe interessavam, evidentemente!

Para isso não se dispensaram de se aventurar pelos segredos do dumping e por teorias de estratégia empresarial que nunca passariam pelo mais aberto crivo da sensatez, nem resistiriam à mais simples das operações aritméticas.

1º de MAIO

Por Eduardo Louro

 

O Pingo Doce lançou hoje uma campanha arrasadora, com o desconto de 50% nas compras superiores a 100 euros, que transformou as suas lojas no completo caos.

Até poderá ter sido uma campanha promocional desenhada pelas suas estruturas de marketing. Mas nunca o haverá de parecer. Não sei se é só na política que o que parece é. O que parece - é - uma campanha provocatória desenhada pela administração da Jerónimo Martins!

Não havia necessidade...

AINDA A JERÓNIMO MARTINS

Por Eduardo Louro 

 

Ontem, a blogosfera, bem como os restantes espaços mediáticos, encheu-se de opiniões sobre a deslocalização de capitais do Grupo liderado por Alexandre Soares dos Santos. No meio de um verdadeiro mar de crítica e condenação – onde se encontrou este blogue – surgiram algumas ilhotas de defesa da operação e de, uma forma geral, do Grupo. Na maior parte dessas ilhotas, para além de redutos exclusivamente ideológicos, não se via nada de verdadeiramente relevante e muito menos de convincente. Noutras, pelo contrário, via-se um propósito de esclarecimento eminentemente técnico, porventura apenas acessível a um público - muito limitado – mais familiarizado com os grandes palcos da fiscalidade. Vimos isso nas televisões, mas vimos também aqui - na página do Quinta Emenda no Facebook – onde um meu antigo colega e velho amigo, na sua dupla condição de antigo quadro do Grupo e de especialista em fiscalidade - um dos mais competentes e reputados especialistas em Planeamento Fiscal -, num comentário (que, como sempre, honra e prestigia este blogue) ao texto aqui publicado, explicava a operação. A conclusão, essa, era sempre inequívoca: não havia qualquer vantagem fiscal, os impostos que se pagavam cá, por cá continuariam a ser pagos! Não havia qualquer razão para a tempestade que por aí andava, coisa afinal bem portuguesa, de especialistas que somos nas artes de escárnio e maldizer!

O que ninguém explicava era onde estavam então as vantagens daquela operação. Não havendo vantagem fiscal, e sendo evidentes os riscos de imagem – e quiçá outros bem mais mensuráveis – qual seria o interesse? O que ninguém explicava era o benefício – na análise custo/benefício a que certamente a equipa de gestão e os consultores do grupo sujeitaram a operação - associado ao elevadíssimo custo do timing de decisão!

Este tipo de intervenções, especialmente nas televisões, é sempre bem sucedido: ninguém percebe as explicações técnicas, mas toda a gente aceita a conclusão que lhe é apresentada por distintos professores das nossas melhores universidades. Mas não é bem assim!

As coisas são sempre o que são mais o que parecem que são!

O sistema fiscal holandês está desenhado para atrair grupos empresariais estrangeiros, com um generoso regime de isenções e uma vasta rede de acordos de dupla tributação. Tudo isto num país de sólida estabilidade política e financeira!

Os capitais europeus estão a deslocar-se em massa para lá. Para lá e para a Alemanha, o que, de resto, tem servido para a estabilidade do próprio euro, que não seria sustentável noutro cenário de fuga de capitais de Portugal, Grécia, Espanha ou Itália para outras moedas.

Esta atitude do Grupo Jerónimo Martins, em pleno processo de bem sucedida internacionalização – o falhanço do Brasil já lá vai e foi bem compensado – é perfeitamente legítima. É legítimo que procure pagar menos impostos, como muitos outros - entre os quais o seu principal concorrente - já fizeram. E é até legítimo que o faça nesta infeliz oportunidade!

Não há aqui questões de legitimidade (até há, mas deixe-se passar), apenas de objecto de crítica. E é e será sempre lamentável, e por isso criticável, que alguém que, entre outras coisas, acusa a sociedade civil de passividade, onde se “tem vindo a perder a noção de ética e de comportamento social responsável”, escolha esta precisa altura para aproveitar as vantagens que os holandeses lhe oferecem. Sem sequer uma palavra! A palavra de que é devedor a partir do momento em que decidiu – e bem, mas como se percebe inconsequentemente – manifestar a sua preocupação com o que está a acontecer neste país!

 

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIV

Por Eduardo Louro 

 

O governo manda-nos emigrar, mas quem emigra são sedes de empresas e capitais. Portugal é o país da UE onde são os pobres que mais participam nos sacrifícios e esforços de ajustamento, mas nem isso evita que os mais ricos tirem os seus capitais e as sedes das suas empresas do país. Mesmo os mais moralistas, mesmo os que mais gostam de botar faladura sobre ética… Mesmo os que criam fundações para dar cobertura à sua ética e à sua moral, à frente das quais colocam pessoas da mais insuspeita ética e moralidade…

Estás perdoado Luís Figo, podes vender tudo o que por cá tens que já ninguém te leva a mal. Sim, porque ninguém acredita que foi com aqueles míseros milhares de euros daquele pequeno-almoço com o Sócrates, nem mesmo com aquela ninharia do Tagus Park que compraste o que cá tens e de que agora te queres desfazer. Tu, que ameaçaste mas - que se saiba - ainda não passaste disso, ao contrário dos outros que nem se preocuparam em avisar, ganhaste o dinheiro em pesetas – nunca te safarás dessa de pesetero – e em euros lá por Barcelona, Madrid e Milão. Ganhaste-o por lá, ninguém poderá levar muito a mal que o queiras fazer regressar. Os outros não. Ganharam-no por cá, apertando com os fornecedores de cá ou importando de todo o lado tudo o que fosse mais barato para acabarem por estrangular tudo o que fosse produtor nacional. E pagando mal ao seu pessoal…

É certo que, como eles, nasceste cá. Mas a maior parte do teu crescimento aconteceu lá fora. Eles não! Nasceram e cresceram cá e só foram lá para fora depois de serem grandes, bem grandes. É certo que foi cá que foste formado, que alguém investiu em ti. Mas foi recompensado por isso. Eles formaram-se cá, o Estado deu-lhe sempre a mão – a mão e o resto – nunca quis que lhes faltasse nada, mesmo que faltasse aos outros. Aos produtores, ao pequeno comércio, aos trabalhadores e até aos consumidores…

Podemos ter deixado de gostar de ti. Também poderás ter deixado de gostar de nós, mas ainda por aqui apareces no Natal a distribuir umas prendas a crianças aqui e ali. Eles não, eles aproveitam o Ano Novo para pôr ao fresco as suas massas, bem nas tintas para as dificuldades de quem quer que seja…

Tu foste frontal, disseste que era por causa dos impostos. Que estavas farto de pagar! Ele não, que não tem nada a ver com isso, que é por causa do acesso aos mercados financeiros, quando as suas fontes de financiamento estão cá e por cá ficam: todos nós! Mas mandam outros dizer por eles… É por isso que já anda por aí gente a dizer que é assim mesmo: que leis fiscais estúpidas dão nisto!

Gente extraordinária, pois claro!

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