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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Vuelta 2025 (IV)

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Só termina amanhã - se a etapa não vier a ser cancelada, em Madrid mas, como é da praxe, a Vuelta ficou hoje resolvida, na Bola del Mundo.

Hoje era dia D da Vuelta. A visita à Bola del Mundo, e a terrível subida para a meta no Puerto de Navacerrada, iria arrumar as contas finais da Vuelta. Para João Almeida era a oportunidade de a ganhar. Para a UAE já não havia mais oportunidade. Depois de ontem, a somar a tudo o que tinha sido uma corrida de costas voltadas para o seu melhor ciclista, ter demonstrado um amadorismo e uma displicência inconcebíveis, ao deixar Vingegaard fazer-se ao sprint intermédio em Salamanca, e acrescentar mais 4 segundos aos 40 que trazia de vantagem, a UAE não tinha como não ser protagonista nesta última etapa das decisões.

E foi-o, pela primeira vez à volta do seu chefe-de-fila. Tentou lançar corredores para fugas, eventualmente para poderem ajudar o João Almeida lá mais para a frente. Como a Visma lhe cortou essas intenções, pegou na frente do pelotão. Fez toda a etapa na frente, a puxar. Mas sem grandes resultados. Para além da natural anulação da fuga - essa seria sempre inevitável numa etapa destas -, mais nada!

A 9 quilómetros da meta, já em plena subida para o  Puerto de Navacerrada, mesmo que na cabeça do pelotão, a UAE já apenas dispunha de dois corredores (Grossschartner e Vine) ao lado do João. Dos seus oito. A Visma, dos seus 6, mantinha lá três, ao lado de Vingegaard. "O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita", foi um pouco assim. E o ritmo da UAE na cabeça do pelotão apenas fez estragos na própria UAE. Enquanto os seus corredores iam saindo para o lado, para darem a vez ao seguinte, os adversários iam ficando. A ver. E provavelmente a rir.

A 7 quilómetros da meta foi a vez de Grossschartner se desviar para o lado, ficando Vine a puxar. Então, sim, o ritmo do australiano era outro e os estragos começaram a ser visíveis nos adversários. Giulio Ciccone e Mikel Landa, os dois trepadores que resistiam da fuga inicial, foram finalmente ultrapassados, e o grupo que ficava na frente era drasticamente reduzido.

Quando Vine acabou, a 3 quilómetros lá do alto, o grupo na frente ficava reduzido a cinco ciclistas: João Almeida, que continuou a forçar o ritmo, com Vingegaard na sua roda, o seu colega kuss, e Hindley e Pidckoc. A subida era dura como poucas, com uma inclinação de 20%.

Primeiro atacou Hindley. Vingegaard seguiu-lhe a roda, e ganharam alguns metros, até o João recolocar tudo junto de novo. Percebia-se então que já não seria possível cavar diferenças que invertessem a classificação geral, e que o sonho do corredor português ganhar a Vuelta tinha morrido ali, naquela subida a 2300 metros altitude, onde o ar falta tanto como as forças. 

Para acentuar, ainda mais, isso a 1000 metros da meta, Vingegaard atacou e deixou os restantes quatro pregados ao cimento, que cobre aquele caminho estreito até lá ao alto. Onde ganhou pela terceira vez nesta Vuelta. Da forma mais clara de todas, e no momento mais certo de todos.

João Almeida acabaria por ser o último dos cinco a cortar a meta, a 20 segundos de Vingegaard. Que, com mais esta bonificação, vai ganhar com 1´e 16" de vantagem para o português. Que, sendo curta, transmite outro brilho à vitória do dinamarquês. Sem a vitória (clara) de hoje poder-se-ia sempre dizer que Vingegaard ganhara a Vuelta nas bonificações e na roda do João Almeida. Ainda por cima com uma verdadeira equipa ao seu serviço, com tudo o que faltara ao português.

E isso era capaz de não ser totalmente justo. 

Desta vez na segunda posição - repetindo o resultado de Joaquim Agostinho, em 1974 (decorria enquanto em Portugal acontecia o 25 de Abril), então por 11 suspeitos segundos para os espanhol José Manuel Fuente - João Almeida acaba por conquistar o seu segundo pódio numa grande volta, depois do terceiro lugar no Giro, em 2023. E isso só está ao alcance dos melhores, entre os melhores. 

Não sei se irá alguma vez ganhar uma grande volta. Tem dois galácticos na sua geração, e outros a caminho, mas tem condições próprias para tamanho feito. Desconfio é que, na UAE, nunca o conseguirá!

Vuelta 2025 (III)

Vuelta a Espanha 2025 | Etapa 18 | João Almeida recupera tempo a Vingegaard

Dada a forma com a competição tem estado a decorrer, às diferenças apertadas no topo da tabela, em especial entre os dois primeiros, os únicos com condições de chegar de vermelho a Madrid, o contra-relógio de hoje, em Valladolid, era dado como decisivo.

Deixou de o ser logo que, mais uma vez pelas manifestações contra a presença da equipa de Israel na Vuelta, a direcção da prova decidiu encurtar a distância do contra-relógio de 27 para 12 quilómetros (mais duzentos metros). Depois de, pelos mesmos motivos, terem tirado 3 quilómetros à etapa 11, em Bilbau e, anteontem, 8 à etapa 16, em Castro de Herville, ali na região de Pontevedra. Estes, justamente os 8 quilómetros dos mais altos pendentes, até à meta, que muita coisa poderiam também ter decidido.

Nunca se conhecerá a verdadeira extensão das consequências desportivas destas manifestações. Mas é como as bruxas em Espanha - que las hay, las hay. Os corredores (que não os colegas do João Almeida, da UAE, que na altura já estavam todos desaparecidos, sem combate) traziam certamente uma estratégia para atacar aqueles oito quilómetros da subida ao miradouro de Castro de Herville, e de repente a etapa acabou ali. Da mesma forma que, por exemplo, a etapa de ontem poderia ter sido corrida de outra forma se, em vez dos 27 quilómetros com que contavam para o contra-relógio de hoje, os ciclistas soubessem que teriam apenas 12 para fazer.

Mas as coisas são o que são, e não o que poderiam ser. O contra-relógio foi o que foi, e no que foi tivemos dois portugueses nos primeiros cinco classificados. Qualquer coisa de impensável ainda há pouco tempo: João Almeida, confirmando que, pela sua parte, tinha tudo para ganhar a Vuelta, ganhou 10 segundos a Vingegaard (apenas nono no contra-relógio), e foi terceiro, atrás de Vine, e a 8 segundos de Ganna, o italiano da Ineos que ganhou, com 13 minutos exactos; Ivo Oliveira foi quinto, a 11.

João Almeida parte para os últimos três dias - se a etapa de Madrid, a última, não vier, pelos mesmos motivos, a ser cancelada, como já se ouve à boca pequena - a 40 segundos de Vingegaard, e com dois minutos de vantagem sobre Pidcock. Para conseguir ganhar a Vuelta tem que apostar as fichas todas na penúltima etapa, na Bola del Mundo, de alta montanha, com a meta (se não houver surpresas) lá no alto (2300 metros de altitude) do Puerto de Navacerrada.

Se voltar a acontecer o que aconteceu até aqui, e voltou a repetir-se nesta semana de montanhas galegas, o João estará sozinho a subir para Puerto de Navacerrada, a responder aos ataques da Visma, de Vingegaard, e da Red Bull, de Hingley e Pellizzari. E ganhar será praticamente impossível.

Se na UAE - a única equipa completa, com todos os oitos corredores, quando a Visma tem apenas seis - surgir finalmente um pingo de vergonha e, em vez de se porem ao fresco à primeira dificuldade, Ayuso (68º, a 2 horas e meia), Vine (31º, a quase hora e meia), Soler (22º, a mais de 53 minutos), Grossschartner (26º a mais de uma hora), Ivo Oliveira (105º, a 3 horas), Bjerg (136º, a 3 horas e 40 minutos) e Novak (141º, a quase 4 horas), colaborarem, por uma única vez, o João ainda pode ganhar a Vuelta. 

Vuelta 2025 (II)

Almeida após vencer no Angliru:

Hoje era o dia da "etapa rainha" da prova, o da subida ao mítico Alto do Angliru, na Sierra del Aramo, nas Astúrias. 

Apesar de ser relativamente recente na Vuelta - apenas passou a entrar no traçado em 1999 - a subida ao Angliru já ganhou o seu espaço na mitologia da prova e do ciclismo mundial. Imortaliza quem lá chega em primeiro e, ao fim de um quarto de século, apenas um lá ganhou por duas vezes. Foi Alberto Contador, em 2008 e 2017!

Início da subida ao Angliru

Não é pela altitude, que lá no alto se fica pelos 1573 metros (o Angliru não é sequer o ponto mais alto do Aramo, esse é o Pico Gamoniteiro, com 1791). É pelo que se vê a seguir na fotografia: o desnível de 1266 metros, que leva a pendentes de 23,5%!

Desta vez chegou à 13ª etapa - costuma ser mais tardia -, numa distância de 200 quilómetros, contados a partir de Cabezón de la Sal, e contou com duas subidas de primeira categoria, antes daqueles últimos 12,5 quilómetros infernais, que parecem não ter fim. Que os melhores demoram mais de 40 minutos a percorrer. E era aguardada com grande expectativa.

Por tudo o que aqui havia deixado escrito na última visita à Vuelta, e porque, ontem, a UAE reforçou a imagem de uma casa sem rei nem roque. De um bordel em auto-gestão. O que se viu ontem, numa etapa de aperitivo para o prato forte de hoje, foi o espanhol Soler a trabalhar numa fuga, até à exaustão, para a vitória de Ayuso na etapa. Lançar dois dos principais corredores da equipa para uma fuga de longa duração, em montanha, na véspera da etapa rainha, decisiva, é tão absurdo que não pode ser decisão desportiva da hierarquia. Só pode ser uma acto de insubordinação, e uma inadmissível falta de respeito pelo João Almeida dos dois corredores espanhóis. Com a conivência, ou não, do espanhol Joxean Fernández, mais conhecido como Matxín, o director desportivo da UAE.

Para atacar o Angliru João Almeida contou apenas com o Ivo Oliveira, com os austríaco Grossschartner e com Vine. Os espanhóis, nem vê-los: no Angliru o valentão Ayuso foi 90ª, e penúltimo da equipa (atrás dele apenas o dinamarquês Byerg), a quase meia hora de João Almeida; e o seu cúmplice, Soler, foi 47º a quase 20 minutos, ali perto do português que deu a maior ajuda ao João.

A 6 quilómetros da meta - que demoram quase 20 minutos a fazer - João Almeida estava sozinho, sem qualquer companheiro de equipa com que pudesse contar. E decidiu atacar. Responderam, e com ele seguiram Vingegaard, com a melhor companhia que podia ter, o seu colega Sepp Kuss, o penúltimo vencedor da Vuelta, e Hindley (Red Bull Bora). Todos, sempre na roda do português. Até o americano da Visma, e o australiano da Red Bull, deixarem de aguentar o ritmo do João, menos de dois quilómetros depois.

Vingegaard aguentou-o. Aguentou esse ritmo, e aguentou todas as tentativas que o João fez para o deixar para trás, não se sabe bem como. O galáctico dinamarquês nunca deixa perceber em que estado vai. Aquela esfinge de miúdo permanece inalterável. Sabe-se é que, se viesse em boas condições, teria atacado. Nunca o fez, nunca saiu da roda. E, quando o João teve força para atacar a a meta, e ganhar a etapa, não conseguiu responder.

Foi uma vitória épica. Se já é épico ganhar o Angliru, nas condições em que o João ganhou, mais épico se torna!

Nada está decidido, tudo fica adiado para a terceira semana. Mas ficou claro que apenas Vingegaard e João Almeida têm condições de ganhar a Vuelta. O dinamarquês tem a vantagem de contar com uma grande equipa. O português sabe que só pode contar com ele próprio. 

Pidcock foi sétimo na etapa, perdeu cerca de minuto e meio, e mantém o terceiro lugar. Mas com Hindley, terceiro na etapa, à espreita.

 

Vuelta 2025 (I)

Vai já quase a meio, a 90ª Vuelta a España. Começou em Itália, no Piemonte, pela primeira vez. Partiu de Turim, a 23 de Agosto. Passou por França. Começou a aquecer em Andorra e está nesta segunda semana quase incandescente na alta montanha do norte de Espanha.

Vingegaard vai de vermelho, depois de ter vestido a camisola símbolo da liderança pela terceira vez. Vestiu-a pela primeira vez  logo à segunda etapa, ainda em Itália. À quarta, a primeira em França, passou-a (foi mesmo assim, quis ver-se livre dela) para o francês Gaudu, para a voltar a vestir no dia seguinte, no contra-relógio colectivo de Figueres, ganho pela UAE, do João Almeida. Voltou a despi-la - a Visma, a sua equipa, não queria, de todo, suportar o peso da vermelha - no dia seguinte, à sexta etapa, em Pal, em Andorra, para a entregar ao norueguês Traeen. Ontem, na 10ª etapa, em El Ferial Larra Belagua, na segunda vez em que o australiano J. Vine ganhou, vestiu-a pela terceira vez.

Às três é de vez?

A etapa de hoje, a 11ª, corrida em Bilbau, sempre a subir e a descer, não teve vencedor. Manifestações em favor da Palestina, aproveitando a presença no pelotão da equipa de Israel, precisamente patrocinada pelo estado israelita, colocaram em causa a segurança dos corredores na meta, pelo que a organização decidiu anular a chegada, e antecipar o final da etapa em 3 quilómetros.

Incidente à parte - se é que a anulação de uma chegada à meta se pode considerar mero incidente -, esta etapa não diferiu muitos das três últimas, a que antecedeu, e as duas que se seguiram ao primeiro dia de descanso, na segunda-feira. Três etapas de montanha que, se não decidiram nada, definiram muita coisa.

A primeira é que o britânico Pidcokc (Q 36,5), apontado como candidato a entrar no top ten, é um claro candidato ao pódio. Foi protagonista sempre que as dificuldades surgiram, e foi hoje o protagonista principal, acabando por ser o mais prejudicado com a anulação da chegada, porque tinha tudo para ser o vencedor da etapa.

A segunda é que Vingegaard não precisa de estar no melhor da sua forma - e não parece que esteja,  apesar de já ter ganhado por duas vezes - para ganhar a Vuelta. Porque dispõe de uma verdadeira equipa ao seu serviço. Para além de ser composta por grandes ciclistas, a Visma é um bloco que nunca o abandona. E isso vê-se a cada quilómetro de cada etapa. Vingegaard nunca está sozinho, tem sempre três ou quatro colegas de equipa a protegê-lo até à altura das decisões. Ou a lançá-lo estrategicamente, como aconteceu no domingo, na nona etapa (Alfaro-Estacion de Esqui de Valdezcaray), quando subitamente, e a 10 quilómetros da meta, atacaram em bloco para o levar à à segunda vitória e à primeira vez em que, em estrada, ganhou tempo a João Almeida. E a Pidcokc à única.

A terceira - a última, mas a mais significativa - é que, decididamente, a UAE não é uma equipa. É um bordel!

A João Almeida, à partida o único adversário capaz de discutir a vitória, em Madrid, com Vingegaard (Pidcokc, ainda é apenas a surpresa do momento), a UAE entregou o dorsal número 1 e mandou-o às feras. Poderia emergir Ayuso. E se isso acontecesse tirava-lhe o tapete. Ficou claro.

Ayuso falhou, bem cedo. Logo na sexta etapa, a primeira que Vine ganhou, quando perdeu 12 minutos. Para no dia seguinte atacar e ganhar a etapa em Andorra. Para se voltar a afundar logo a seguir, na subida à Estacion de Esqui de Valdezcaray, na nona etapa, no domingo, perdendo aí 22 minutos. Nesse dia, no tal em que a Visma lançou o ataque em bloco, Vine perdeu também mais de 13. O João Almeida olhou à volta e para trás - estava sozinho. E foi sozinho, a 10 quilómetros da meta, que foi montanha acima, atrás de Vingegaard. Rebocou Pidcock, que nunca colaborou, e limitou as perdas a 24 segundos. 

Não é de se queixar mas, no fim, queixou-se. E disse o que lhe ia na alma. No dia seguinte, no descanso, obrigaram-no a penitenciar-se. No regresso da corrida, depois do descanso, em vez de uma equipa unida à sua volta, focada em ganhar a Vuelta, João Almeida viu J Vine atacar a corrida para somar pontos para a classificação da montanha. E ganhar a etapa, a segunda. E voltou a ver Ayuso atacar. E Vine. E Soler...

Na decisiva etapa de hoje em Bilbau começou por sair Vine, e andar largos quilómetros em fuga. Depois foi Ayuso. E por fim Soler. Quando chegou a altura da decisão da etapa Vingegaard estava rodeado de quatro companheiros de equipa. João Almeida olhou à volta, olhou para trás, mas nada. Ninguém lá estava. Vine, Ayuso, Soler todos tinham acabado nas fugas em que se meteram. Para se ter uma ideia do que estão a fazer, Soler é o melhor classificado (25º, a 22 minutos do João); Vine é o 44º, a quase 50 minutos e Ayuso o 65º a bem mais de 1 hora.

Sozinho, o João atacou. Uma vez, duas vezes. Havia sempre alguém da Visma para responder, e trazer Vingegaard de volta. Até que foi a vez de Pidckoc atacar. Forte. O bi-campeão do Tour sentiu dificuldade, mas lá conseguiu recuperar a roda do britânico. E foram embora, não até à meta, mas até ao fim, ganhando 10 segundos ao João Almeida.

Que é segundo, a 50 segundos (menos de metade perdidos em estrada, o resto vem das bonificações) de Vingegaard, e com apenas 6 segundos sobre o surpreendente Pidckoc. 

 

Tour de France 2025 (III)

João Almeida no momento em que abandonou a prova.

João Almeida não resistiu à sempre terrível, independentemente do traçado, primeira semana do Tour. Não escapou a uma das inúmeras quedas que sempre marcam a primeira semana. Aconteceu-lhe anteontem, na sétima etapa (que Pogaçar voltaria a vencer) , a 6 quilómetros da meta. A seis quilómetros dos 197 entre Saint-Malo e o Muro da Bretanha.

Com uma costela partida continuou até à meta, onde chegaria apoiado pelo Nelson Oliveira (Movistar), mais de 10 minutos depois de Pogaçar. Ontem voltou a fazer das tripas coração para completar os mais de 171 quilómetros da etapa, plana, entre entre Saint-Méen-le-Grand e Laval, discutida pelos sprinters, com a primeira vitória do italiano Jonathan Milan (Lidl-Trek), que conquistou a camisola verde, batendo o belga Wout van Aert (Visma) e o australiano Kaden Groves (Alpecin-Deceuninck). Parecia desumano, tanto esforço. E perguntava-se porquê. E para quê!

A factura chegou hoje, quando estavam decorridos 89 quilómetros dos mais de 174 entre Chinon e Châteauroux, a uma velocidade média superior a 50 km/hora - a segunda mais alta da História do Tour -, integralmente corridos pelo fantástico Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck) na frente. Saiu do pelotão logo na partida, logo atrás do seu colega Rickaert, e foi apanhado pelo pelotão ja na recta final, a 600 metros da meta. Aí, o belga Merlier (Soudal) bateu Jonathan Milan, e atingiu a segunda vitória neste Tour, igualando Pogaçar.

Amanhã, 14 de Julho, dia nacional francês, antes do primeiro dia de descanso, começa a montanha. Antes do Mont Ventoux, dos Pirenéus e dos Alpes, mas já montanha. Onde infelizmente já não teremos "almeidadas".

 

João Almeida a brilhar

João Almeida brilha na última etapa e vence a Volta ao País Basco

João Almeida acaba de fazer mais uma demonstração da sua condição de grande ciclista mundial, ao ganhar a Volta ao País Basco, uma das maiores competições do World Tour, logo a seguir às três grandes Voltas. 

Andou sempre pelos primeiros lugares, antes de vestir a camisola amarela na passada quinta-feira, ao ganhar a quarta etapa, entre Beasain e Markina-Xemein, uma das mais decisivas, com sete contagens de montanha. Não mais a largou, e confirmou-a hoje vencendo, com autoridade e classe - atacando a quase 40 quilómetros da meta -, a última etapa, em Eibar.

É a maior vitória de João Almeida num competição por etapas, e a terceira, depois de ganhar a Volta ao Luxemburgo, e a Volta à Polónia, em 2001. E a confirmação do corredor das Caldas da Rainha no topo do ciclismo mundial.

Volta ao Algarve - uma clássica do ciclismo internacional

51.ª Volta ao Algarve com percurso renovado para aumentar o espetáculo  desportivo

Terminou a Volta ao Algarve em bicicleta, já uma clássica da abertura da época do ciclismo internacional.

Cá esteve a nata do ciclismo mundial. Dos melhores dos melhores apenas Pogaçar faltou. Todos os outros cá estiveram.

Começou mal, com problemas no final da primeira etapa, quando na bifurcação da chegada a Lagos, parte do pelotão seguiu por um lado, e a outra por outro. A maior parte seguiu pelo trajecto errado, e a organização anulou a etapa. Não foi bonito, manchou a corrida, mas ficaram ainda quatro etapas para todos os gostos - chegada ao sprint, chegada em montanha e contra-relógio.

Na chegada a Tavira, na antepenúltima etapa, na sexta-feira, uma queda mandou Iuri Leitão, o nosso campeão olímpico e europeu (de pista), para fora da corrida.

Na montanha, no Alto da Fóia, brilharam os ciclistas da UAE, os portugueses João Almeida (2º) e António Morgado (4º), e o dinamarquês Jan Christen (1º). No contra-relógio final de hoje, com chegada no Alto do Malhão, brilharam os da Visma, com Vingegaard (1º) e Wout Van Aert (2º).

João Almeida partiu para o contra-relógio com 20 segundos de vantagem sobre Vingegaard, que não foram suficientes. O português foi quinto na etapa, gastou mais 32 segundos - com uma grande recuperação na subida final ao Alto do Malhão - e acabou na segunda posição da geral, atrás do galáctico Vingegaard.

António Morgado,campeão nacional de contra-relógio, afundou-se e saiu do top ten, fechado precisamente pelo dinamarquês Jan Christen, o camisola amarela à partida. E onde também Roglic não coube.

A UAE ganhou por equipas.

Tour 2024 - VI

Tour de France: Pogacar vence a 19ª etapa; Carapaz lidera na montanha -  Bikemagazine

Ao segundo dia da segunda visita aos Alpes - se bem que, nesta semana, à excepção de terça-feira, a seguir ao dia de descanso, na 16ª etapa, quando Philipsen ganhou pela terceira vez, igualando Girmay, impedido de disputar o sprint por via de uma queda já próximo da meta, todos os dias foram corridos em montanha - mas na realidade o verdadeiro primeiro dia na alta montanha alpina, se é que já o não estava, o Tour ficou decidido. Em aberto estão a disputa do segundo lugar (entre Vingegaard e Evenepoel) e a do quarto (entre João Almeida e Mikel Landa).

Pogacar tinha dito que esta 19ª etapa - 145 quilómetros entre Embrum e Isola 2000, com duas subidas de categoria especial e uma de primeira categoria, na meta - é que era a etapa rainha deste Tour, e não aquela 15ª, nos Pirenéus, que vencera categoricamente.

Estão bem uma para a outra, ambas duríssimas. Esta de hoje tinha a particularidade de passar no ponto mais alto deste Tour, passando dos 2800 metros de altitude em La Bonette, na última das duas contagens de montanha de categoria especial, e penúltima da etapa. Para não deixar dúvidas, Pogacar ganhou-as ambas, e esta ainda de forma mais clara e espectacular.

Era dia de trepadores e foi um bom naipe deles a tomar a iniciativa da fuga do dia: Jorgenson e Kelderman (da Visma, de Vingegaard), Simon Yates (da Jayco), Hindley (Red Bull – BORA ), Cristián Rodriguez (Arkéa), e Carapaz (EF Education), bastante activo nesta fase final do Tour, que ganhara (pela primeira vez no Tour) a penúltima etapa (17ª), e que estava já em condições para discutir a classificação da montanha.

Andaram sempre na frente, e Carapaz, acabou mesmo por assegurar virtualmente a camisola das bolinhas vermelhas quando foi o primeiro em La Bonette, em que a pontuação duplicava. E juntos chegaram aos últimos 16 quilómetros da subida ao alto de Isola 2000, com uma vantagem de 4,5 minutos sobre o grupo que, lá atrás, a Emirates comandava. Controlando a distância para a frente, e endurecendo a corrida para deixar para trás muita gente.

O grupo da frente começou a desfazer-se logo nos primeiros metros da subida, e  apenas Jorgenson, Simon Yates e Carapaz, cada um por si, resistiam. Jorgenson foi quem teve mais pernas, e atacou para ganhar a etapa, lá em cima.

Na perseguição, a Emirates ia gastando os seus cartuchos. Depois do grande trabalho de Nils Politt e, depois, de Adam Yates, Marc Soler, depois de uma fugaz passagem pela frente, encostou. Era a vez de João Almeida. E foi. Faltavam oito quilómetros para a meta.

Só que Pogacar, que não consegue deixar de atacar, quis ganhar a etapa, e foi embora, sem esperar pelo trabalho do João. E sem resposta. Vingegaard e Evenepoel reagiram. Fizeram o que puderam, e não foi pouco, mesmo que o dinamarquês não tenha podido mais que seguir na roda do belga.

Pogacar ia comendo - engolindo - tempo aos da frente, e deixando-os um a um para trás. Em seis quilómetros despachou toda a gente. Na meta, levantou os braços e fez uma vénia!

Vingegaard, sexto na etapa, agradeceu e cumprimentou Evenepoel. E depois chorou. João Almeida chegou logo atrás deles, 18 segundos depois. Mas com Mikel Landa, de quem não se conseguiu livrar, na roda. Carlos Rodriguez chegaria 2 minutos depois de ambos, e deverá ter ficado afastado da luta pelo quarto lugar que João Almeida conserva nos 27 segundos de vantagem sobre Landa.

Tour 2024 - IV

Tour de France: Pogacar domina na primeira chegada ao alto - Bikemagazine

Glória aos vencedores e honra aos vencidos. Glória para Pogacar e honra para Vingegaard. E para Evenepoel. Disse-nos a primeira das duas visitas do Tour aos Pirenéus, na 14ª etapa, de 151,9 quilómetros, entre Pau-Saint-Lary-Soulan Pla d'Adet. A etapa do mítico Tourmalet ainda nos Pirenéus franceses. Desta vez ficou a duas montanhas da meta, e nada deixou decidido na etapa. Nem no Tour, que ainda tem muito mais para dar.

A novidade que, surpreendentemente não é tanto assim nos dias que correm, é que o Covid voltou a fazer vítimas. Depois de Michael Morkov, hoje foi a vez de Pidcock, da Ineos. Outra, ainda ontem, foi Ayuso que desfalcou a poderosa equipa da Emirates. Mesmo que dificilmente se lhe possa chamar um corredor de equipa.

No alto do Tourmalet, Laskano, da Movistar, foi o primeiro,à frente do grupo onde seguia Rui Costa, com o grupo do camisola amarela a quase 4 minutos. Seguiu-se uma descida, em que os corredores chegaram a ultrapassar os 100 Km/hora e, depois, uma montanha de 2ª categoria, mas sempre dura. No grupo de Pogacar, sempre com a Emirates a fazer as despesas da corrida, pelo pedal do alemão Nils Politt.

A 8,5 quilómetros da meta, na derradeia subida, foi a vez de João Almeida endurecer a corrida. Viu-se depois Pogacar, que parecia querer resguardar-se, falar com Adam Yates. Que, poucos segundos depois, atacou.

Era a jogada decisiva da Emirates. Não poderia ser outro a fazê-lo. O inglês estava suficientemente atrasado para provocar resposta dos rivais de Pogacar, e atacou a 7 quilómetros da meta, fazendo de imediato a diferença, e chegando-se a Ben Healy, da Education First (belo nome para uma equipa profissional), o único que restava na frente da corrida. 

A 4,5 quilómetros da meta - nada a ver com o ataque aos 42 quilómetros da antevéspera - Pogcar atacou. Vingegaard tentou responder, mas não pôde. Tal como Remco Evenepoel. Rapidamente se chegou a Yates, e ambos deixaram de imediato Healy nas covas. Vingegaard respondeu, no seu passo mas, desta vez, não conseguiu recuperar. Na meta foi segundo, 39 segundos atrás de Pogacar, mas o suficiente para "roubar" o segundo lugar da geral a Evenepoel, ficando os três mais firmes nos lugares do pódio.

João Almeida, com mais uma etapa notável, foi 12º, perdendo 12 dos vinte segundos de vantagem sobre Carlos Rodriguez, mas segurando, por 8 segundos, o quarto lugar na geral.

Amanhã há mais. O último dia de Pirenéus será ainda mais difícil e poderá, ou não, dar mais do mesmo. João Almeida dependerá muito do trabalho que for destinado no apoio a Pogacar. Se nada de anormal acontecer, um lugar no pódio estará cada vez mais difícil. Se aquilo a que for obrigado no suporte a Pogacar não o condenar a pior, o quarto lugar da geral, que segura por 8 segundos na disputa com Carlos Rodriguez, o líder da Ineos, poderá ser seu. Até porque tem a seu favor o contra-relógio final, no Mónaco e em Nice. 

Mas ainda faltam os Alpes. Para ele e para todos os outros!

 

Tour 2024 - III

Tour de France: Vingegaard mostra força e vence Pogacar no sprint da 11ª  etapa - Bikemagazine

Ia o Tour na quarta etapa na última vez que aqui o trouxe, não imaginando então que, feita História na anterior, com a primeira vitória do africano Girmay, se voltaria a fazer logo na seguinte, com a vitória de Cavendish em Saint Voulbas. 

A 35ª no Tour, com que bateu o record de Merckx, que havia igualado, que há muito perseguia e que era o seu único objectivo para esta última participação na prova, projectada para o ano passado, mas reconsiderada depois do abandono a que então fora forçado.

Foi depois tempo dos sprinters - que não mais do velho corredor britânico - e especialmente de Girmay, o africano da Eritreia que corre pela equipa do Intermarché, que ganhou mais duas etapas (na oitava), e hoje mesmo (na 12ª), que lhe dá já uma grande vantagem, porventura decisiva, na liderança da classificação por pontos. Na camisola verde, que não mais despiu desde essa quarta etapa.

Mas também do primeiro dos dois contra-relógios da prova, na quinta etapa, que Remco Evenepoel venceu, com 12 segundos de vantagem sobre Pogacar, ainda e sempre de amarelo. Onde João Almeida foi oitavo, com mais 57 segundos, subindo então para sexto na geral.

Foi tempo, no domingo, de uma etapa - a nona - de grande grau de dificulade, com 14 troços em gravilha, a modernidade que substitui as velhas etapas nos pavés. E do primeiro dia de descanso, na segunda-feira.

Ontem, no maciço central, correu-se a 11ª etapa, entre Évaux-les-Bains-Le Lioran (211.0 km) toda ela de montanha... e louca. Onde a formação da Emirates fez forte investimento, quiçá com o objectivo de arrumar com o Tour logo ali, ainda antes dos Pirenéus. E dos Alpes. E do contra-relógio final, na chegada a Nice.

Fruto desse investimento ou - talvez melhor - para o justificar, Pogacar atacou na antepenúltima subida, ainda a 32 quilómetros da meta. Ninguém lhe conseguiu responder, e foi amealhando segundos de vantagem. Chegaram a ser mais de quarenta. Mas de repente fraquejou - provavelmente, pelo que se viu no final da etapa, a comer desenfreadamente, e também porque fora possível perceber o desespero com a pedira apoio ao carro que nunca chegou - por, novamente, falha na alimentação. E a perseguição de Vingegaard, a princípio feita com Roglic, que caiu na descida e ficou para trás, acabou por resultar na penúltima subida. Pogacar ainda foi primeiro nessa meta de montanha - o que lhe valeria a liderança também na classificação da montanha - mas foi já ao sprint, com o vencedor dos dois últimos Tours a parecer desinteressado de o disputar.

A partir daí fizeram as descidas, e as duas últimas subidas, a par. E em evidente colaboração para cavar a diferença para os restantes, em especial para Evenepoel e Roglic, até próximo da meta. Diferença que, com a meta à vista e a vitória na etapa para decidir, acabaram por queimar e deixar cair para meros 25 segundos. 

Não foi só aí que se percebeu que a estratégia da equipa ruíra à falta de condição física de Pogacar. Foi na própria discussão da vitória, quando Vingegaard, que normalmente perderia sempre no sprint para o rival, mesmo que sempre na frente, e em condição desvantajosa para o sprint final, arrancou para a meta e ganhou (na foto).

Fora assim - com um erro no capítulo alimentar, e com erros na estratégia de ataque  - que, no ano passado, Pogacar fora derrotado. Ontem, porventura pela sua condição decorrente da grave queda no País Basco, Vingegaard apenas ganhou a etapa. Não ganhou tempo, mas ganhou força mental. E está ainda por saber o o que isso possa vir a valer lá mais para a frente.

Evenepoel e Roglic perderam apenas os referidos 25 segundos, mantendo-os segundo e quarto na geral. João Almeida voltou a fazer uma etapa ao seu (alto) nível. Foi sexto, subiu ao quinto lugar, por troca com o Carlos Rodriguez, e com o bónus de ver o colega Ayuso afundar-se, e cair para o nono lugar da classificação.

Hoje subiu a quarto. Porque, a 10 quilómetros da meta, o infeliz (já ontem caíra, sozinho, naquela última descida) Roglic viu-se envolvido numa queda das grandes, e cortou a meta com cerca de 2,5 minutos de atraso, e um ombro esfacelado. Se estiver em condições de amanhã se apresentar à partida, dificilmente Roglic terá agora possibilidades de disputar um lugar no pódio.

Os Pirenéus vêm aí, já depois de amanhã. E desconfio que terão muito para contar.

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