João Lobo Antunes
Um dia acordei com uma dor, suportável mas mas já suficiente incomodativa, por voltas do ombro esquerdo. Uma dor aguenta-se, e começamos sempre por achar que vai passar. Um qualquer mau jeito durante o sono, nada mais que isso... Não passou, e foi-se agravando. A ponto de se tornar insuportável, e numa noite sem dormir.
O diagnóstico caseiro apontou logo para qualquer coisa de índole neurológica. E a decisão imediata de contactar com o Professor João Lobo Antunes. Já o conhecíamos, uns anos antes tinha-nos ajudado numa preocupante, mas felizmente sem consequências, paralesia facial da nossa filha mais velha.
A sua resposta foi pronta, e poucas horas depois recebia-me em consulta, com a competência de sempre e o seu trato único. A conclusão chegou rápida: "não tem qualquer problema neurológico. Coisa de ossos, talvez. Neurológico, não"!
Ligou de imediato a um colega ortopedista, que credenciou. A dor continuava insuportável e a maleita teria de ser tratada. Entregou-me - literalmente - ao colega, que procedeu ao diagnóstico, a requerer ntervenção cirúrgica.
A partir daqui já não entra o Professor Lobo antunes, a que regressei meses depois apenas para contar o resto da história. Já lá vai mais de uma dúzia de anos, e nunca mais voltei a encontrá-lo.
Fica o resto da história, que lhe contei.
Agendada a intervenção, partiu-se de imediato para uma ressonância magnética. Ao que percebi, não tanto para confirmar o diagnóstico mas para preparar a cirurgia.
O insólito surgiu quando regressei com a ressonância: "não tem aqui nada, eu mandei fazer a ressonância ao ombro esquerdo, e fizeram-na ao direito". Neguei. Garanti que tinha sido ao esquerdo. "Não pode ser. Vou consigo e vamos fazer outra".
Assim foi. Nada: também não era problema ortopédico. Nem ninguém fazia ideia do que fosse...
Depois aconteceu uma daquelas coisas tão frequentes: um lamento a um amigo, e ... "olha que eu também tinha uma dor, fui a um osteopata, fulano de tal, e ele resolveu-me o problema.
Lá fui, quando é assim vamos sempre... " Há aqui uma rotura na comunicação ente o músculo x e o y (não faço ideia dos nomes). Vamos tratar disso"!
E tratou-se. Em três meses...
Obrigado Professor João Lobo Antunes. Até sempre!