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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tristes jornais

APCT: Jornais continuam a perder expressão em banca - Meios ...

 

Numa viagem pelos jornais do dia encontramos o Benfica e Luís Filipe Vieira em praticamente todas as primeiras páginas. Com duas únicas excepções: o Jornal de Negócios, e o jornal i, este particularmente interessado em continuar a bater no Costa e a promover o Ventura.

Nos generalistas, o "CM" diz que "Vieira admite demitir-se da presidência". O "JN" que "Vieira assume  responsabilidade e admite sair". E para  o "DN" a "crise faz cair Bruno Lage e deixa Vieira a pensar no futuro".

Nos diários desportivos apenas o "Jogo" não vai no jogo de Vieira. "A Bola" diz que "o presidente vai pensar sobre o seu próprio futuro" e o "Record" diz que "Presidente assume a responsabilidade e vai conversar com a família

É impressionante. Sobre a inconsistência e a propaganda das declarações de Vieira, nada. Sobre a sessão de campanha eleitoral para as eleições que vai antecipar, para retirar tempo a quaisquer novas iniciativas, e fixar a concorrência na que já é conhecida, coisa nenhuma. Nem uma palavra.

E no entanto tudo está tão à vista... Tristes jornais, triste jornalismo!

 

 

Cheia de sumo

capa Jornal i

 

Não é a primeira vez que aqui trago capas do i, que é, para mim, sem qualquer dúvida, o líder destacado do campeonato das primeiras páginas dos jornais portugueses. Hoje, esta das laranjas, mesmo com muitas muito azedas, é deliciosa!

Os valores recorde da produção de laranjas podem nem casar muito bem com a agitação laranja que por aí anda, e que, pelo menos até à próxima terça-feira, vai continuar a dar mais batatada que laranjada. Mas que é uma capa cheia de sumo, lá isso é!

O peso das coisas

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Agora, que, uns jornais dizem que a solidariedade dos portugueses já arranjou os dois milhões de euros, que uns dizem não servir de nada, e outros já não serem precisos para nada, não pergunto por que não se entendem. Pergunto apenas se, vender um medicamento por dois milhões de euros, pode alguma vez ser aceitável?

Parece que sim. Mas eu não acho...

 

O negociador

Capa Público

 

Os jornais de hoje saíram para as bancas traídos pela realidade. Todos optaram por encher a primeira página - dividida com o grave acidente na Madeira - com a greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas ... Que já acabou.

Olhar para as capas dos jornais com os piores cenários de qualquer coisa que já não existe soa a estranho. E não prestigia nada a imprensa, que deixa a ideia de dar tudo por uma má notícia. Por uma certa ânsia do quanto pior, melhor.

Não fosse isso e talvez tivessem levado em conta que quando o governo saca Pedro Nuno Santos da manga para negociar não há nada que não se resolva. E depressa!

Sem vergonha

capa Correio da Manhã

 

A falta de vergonha dá nisto. Andaram meses a fio a publicar e a explorar dados e informação privados, que sabiam obtidos de forma não só ilegítima como criminosa. Durante todo esse tempo tudo ia bem, o que difundiam era insuspeito e a fonte era inatacável. Hoje, o que era informação insuspeita é um "assalto", e a fonte é o "pirata dos mails". Hoje, o que difundiram é um crime, e a fonte um criminoso. Como se nada se tivesse passado. Sem um acto de contrição. Sem uma desculpa. Sem vergonha!

 

capa Jornal de Notícias

 

Toupeiras imaginativas

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É a notícia do dia: o Ministério Público procedeu à acusação dos arguídos (a Benfica SAD e um seu acessor jurídico, Paulo Gonçalves, e dois funcionários judiciais) no caso e-toupeira!

Segundo a acusação do Ministério Público, há fortes indícios que aqueles funcionários judiciais, a troco de favores no acesso aos jogos do Benfica (bilhetes VIP e estacionamento) tenham fraudulentamente violado o Citius (plataforma informática do Minsitério da Justiça) para obter, e fornecer ao acessor da Benfica SAD, informação sobre o estado de certos e determinados processos judiciais em curso. Daqui decorre - segmentando o que os jornais e as televisões dizem da notícia do dia - para os funcionários judiciais, a acusação da prática dos crimes de violação do segredo de justiça, violação de segredo por funcionário, peculato, acesso indevido e violação do dever de sigilo, recebimento indevido de vantagem, peculato, falsidade informática e corrupção passiva. Para Paulo Gonçalves, a acusação de oferta indevida de vantagem, favorecimento pessoal e corrupção activa. Presume-se, porque nenhuma das notícias que li ou ouvi o explicitava, que as acusações a Paulo Gonçalves sejam comuns à Benfica SAD, por sua entreposta pessoa. 

A acusação é o que é, o processo segue para julgamento e as condenações serão as que forem. Antes de tudo isso, nada disto é bonito. Mas isso são outros quinhentos...

O que me surpreende - na verdade já nada me surpreende, quando aquele senhor do IPDJ dizia em 2017 que não havia qualquer problema com as claques do Benfica, e hoje diz, também nos jornais, que o senhor que agora lhe sucedeu é que reteve a punição que ele tornou pública depois de demitido, só há que esperar tudo, de tudo o que gira à volta da bola - é que os jornais e as televisões introduzam dois pormenores na notícia que não decorrem da acusação, a saber:

  1. Os crimes aconteceram nas épocas de 2016/17 e 2017/18;
  2. A Benfica SAD teve benefícios desportivos com a informação obtida, pelo que lhe acrescentam o crime de corrupção desportiva, que leva o Ministério Público a pedir a suspenção do Benfica em todas as competições entre seis meses a três anos.

É que eu não fazia ideia que, como na caça, nas diferentes modalidades desportivas, ou nas touradas, também há época de crime. Claro que não há. Claro que a referência à época serve apenas para introduzir a variável desportiva, que ninguém consegue descortinar nos crimes em acusação, mas que dá jeito para concluir que o Benfica beneficiou desportivamente com a informação obtida.

Por mais que recorra à minha imaginação - e tenho a impressão que não sou dos menos imaginativos - não consigo ver que raio de informação possa haver num processo judicial que vá influenciar o resultado desportivo de um jogo. Na época 2016/17, 2017/18 ou noutra qualquer... Sei - e vejo, continuo a ver todos os dias - do que se passa num jogo de futebol para influenciar o seu resultado. Já num processo judicial... Não consigo...

 

 

Foram-se os anéis ... vão-se os dedos

Capa Diário de Notícias

 

Esta, a de ontem, é a capa da última edição do Diário de Notícias em papel enquanto jornal diário, como foi durante 154 anos. Desde 1864!

Novos "sinais dos tempos" disfarçados de sinal do tempo. O velho DN vai passar a ser um novo diário digital que regressa ao papel ao domingo. Uma espécie de híbrido. Um diário/semanário no digital/papel de que ninguém espera grande coisa. Nem editorial nem economicamente. Custa até ver o notável Ferreira Fernandes, agora director, querer parecer entusiasmado com a ideia ... 

Depois dos anéis, vão-se agora os dedos. É só isso, nada mais que agonia...

 

Uma Justiça a reboque

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O Ministério Público arquivou o processo que envolvia Mário Centeno, que o DIAP confessou ter aberto por notícias vindas a público nos jornais. Os jornais - quase todos, ou todos menos o mesmo (ou os mesmos) -, hoje, dão conta da notícia, como o "desfecho óbvio de um processo que nunca devia ter existido".

A Procuradoria Geral Distrital de Lisboa escreveu na nota de arquivamento que "realizado o inquérito, recolhida a prova documental e pessoal necessária ao apuramento dos factos, o MP concluiu pela não verificação do crime de obtenção de vantagem indevida ou qualquer outro, uma vez que as circunstâncias concretas eram suscetíveis de configurar a adequação social e política própria da previsão legal". E explicou que "o MP no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa ordenou a instauração de processo-crime na sequência da publicação nos órgãos de comunicação social de notícias sobre a solicitação de bilhetes para assistência a jogo de futebol no dia 1.04.2017 em tribuna presidencial".

Ou seja, confessou que anda a reboque da comunicação social. De alguma comunicação social. Da mesma. Poderia não ter grande mal se o fizesse nas profundezas do silêncio, se andasse só atrás dela, sem que a alimentasse.

Mas não. Fizeram-se buscas no Ministério das Finanças perante câmaras de televisão, fotógrafos e repórteres. Jogou-se à lama o nome do mais prestigiado dos ministros, conspurcou-se a imagem do país e, no fim... nada se passa. Os mesmos jornais, e as mesmas televisões continuam a fazer as mesmas notícias, na maior das impunidades. E a fazer mal por simplesmente quererem fazer mal!

 

O pior dia do pior ano

Capa do PúblicoCapa do Diário de NotíciasCapa do Jornal de NotíciasCapa do i

 

O país arde como nunca. Pessoas sofrem e morrem. Casas, fábricas e outras instalações desaparecem em segundos, perante o desespero de quem tudo perde. Arde o que nunca pensamos que pudesse arder, na guerra civil para que o país foi arrastado sem saber como nem porquê... 

As capas dos jornais de hoje não podiam passar ao lado do pior dia do ano. Ou podiam? 

 

Capa do Correio da Manhã

 

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